Cosme Damião ou Ibêji… salvem as crianças.

A crença popular, os fiéis da Umbanda, da Igreja Católica e do Candomblé, acreditam que dar doces, praticar a caridade com boa vontade, deixar uma criança ou sete crianças  felizes, presenteadas com brinquedos,  doces, bolo ou apenas um belo abraço acompanhado de um beijo carinhoso e verdadeiro, opera milagres,  nesta época que vai do dia 27 de Setembro – Dia de S. Cosme e São Damião/Ibejada, até dia 12 de Outubro Dia das Crianças.

Descrição da Imagem: Imagem mais popular de Cosme e Damião dois gêmeos jovens vestidos com túnicas verde e vermelhas com uma pena e um pote nas mãos. a Imagem está toda cercada de doces coloridos.

Segundo a lenda Católica os irmãos Gêmeos Cosme e Damião foram médicos e exerciam a sua profissão sem cobrar nada em troca, atendiam pessoas pobres, doentes do corpo ou da alma, utilizando palavras mágicas e conseguindo cura-las.

No Brasil, nesta época, milhares de pessoas se mobilizam em prol da doação ás crianças, desfazendo as diferenças religiosas e unindo os grupos mostrando como somos um povo misturado em nossas crenças.

Quem são os Ibêji?

Nas religiões afro-Brasileiras, Ibêji é formado por duas entidades distintas e indica a contradição, os opostos que coexistem. Por ser criança, é associado a tudo que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano.

As pessoas do candomblé freqüentemente temem Ibêji. Poderoso como todo orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências imprevistas. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiel às pessoas que conquistam sua confiança.

No dia de Ibêji, 27 de setembro (o mesmo de São Cosme e São Damião, com os quais é sincretizado), é costume as casas de culto abrirem as portas e oferecer mesas fartas de doces e comidas para crianças, elevadas à condição de representantes do orixá na terra. Qualquer participação de Ibêji em cerimônias dá um toque alegre e inconseqüente a ela, sendo freqüente que as comidas ritualísticas a ele oferecidas recebam enfeites como fitas de cetim em cores vivas.

Descrição da Imagem: representação dos Ibêji em desenho como dois meninos de etinia negra, com saiotes vermelhos e calça verde (mesmas cores de Cosme e Damião), estão descalços e carregam uma planta chamada espada de Ogum (orixá sincretizado com São Jorge).

A Ibêji se oferecem prendas de todas as cores e as roupas de seus filhos, em cerimônia, são multicoloridas. São homenageados aos domingos, recebendo como comidas rituais doces, bolinhos, balas, caruru de quiabos e vatapá. A ele são sacrificados frangos e frangas de leite. A saudação ao Ibêji é “Bejé ó ró! La ô!”

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“São filhos de Iemanjá
os dois meninos gêmeos, os Ibejis.
Os Ibejis passavam o dia a brincar.
Eram crianças e brincavam com Logm Edé
e brincavam com Euá.
Um dia, brincavam numa cachoeira
e um deles se afogou.
O Ibeji que ficou começou a definhar,
tão grandes eram sua tristeza e solidão,
melancólico e sem interesse pela vida.
 
Foi então a Orunmilá e suplicou
que Orunmilá trouxesse o irmão de volta.
Que Orunmilá os reunisse de novo,
para que brincassem juntos como antes.
Orunmilá não podia ou não queria fazer tal coisa,
mas transformou a ambos em imagens de madeira
e ordenou que ficassem juntos para sempre.
Nunca mais cresceriam,
não se separariam.
São dois gêmeos-meninos
brincando eternamente, são crianças”.
 
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, pág 369. Também encontrado em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, São Paulo, 1986, 1987.

Doum – mas não eram dois Gêmeos?

É dito que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum os outros dois irmãos se tornaram determinados em aprender e praticar a medicina para curar a todas as crianças, sempre de forma gratuita. Na Umbanda não podemos esquecer de oferecer também para Doum, porque senão ele faz uma tremenda bagunça podendo causar estragos na sua comemoração. Ele é a representação daquelas crianças que morreram ainda bebês. Não devendo nunca cair em nosso esquecimento.

Descrição da imagem: estátua em gesso onde aparece o terceiro irmão Doum no meio dos gêmeos.

Históricamente quem foram os irmãos Cosme e Damião antes de se tornarem Santos?

Há relatos que atestam serem originários da Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.

Estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder”.

Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.

Descrição da Imagem: Santos Cosme e Damião realizando um transplante de perna, afresco (pintura) do artista Fra Angelico

 

Conta-se que eram sempre confiantes em Deus, que oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de “santos pobres”. A partir do século V os milagres de cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões.

Os gêmeos Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano (O mesmo imperador miserável que também  torturou e decaptou S. Jorge),  foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.

Descrição da Imagem:Afresco (pintura) autoria de Fra Angelico que mostra, com cores bem fortes e expressões marcantes, os irmãos Acta e Passio e mais dois não identificados com as cabeças decaptadas por um soldado portando uma espada, por ordem de Dioclesiano, diante de uma atenta platéia. Interessante é que os quatro martirizados tem uma auréola em torno das cabeças cortadas.

Foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS – Cosme e Damião.

Veja Também a Matéria:

“Cosme e Damião: a arte popular de celebrar os gêmeos”

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Duetos de Cesária Évora finalmente lançados no Brasil

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Esta semana tive uma grata surpresa ao passear pela sessão de World Music das megastores: A mais famosa filha das ilhas de Cabo Verde aumentou a sua discografia disponível no Brasil, para deleite de seus fãs. “Cesária Évora &…” coletânea de 2010, chegou esta semana no mercado nacional, lançado pela Sony Music. O disco contém todos os duetos que a diva dos pés descalços gravou em sua carreira, totalizando 19 colaborações tiradas de seus álbuns oficiais, participações em discos de outros artistas e versões ao vivo nunca antes lançadas.

A coletânea aglutina suas canções mais conhecidas, como a icônica “Sodade”, do álbum “Miss Perfumado”, aqui dividida nos vocais com o angolano Bonga Kwenda, “Crepuscular Solidão” com a americana Bonnie Raitt” e clássicos brasileiros como “É doce morrer no mar”, de Dorival Caymmi e Jorge Amado, na companhia vocal de Marisa Monte, além de “Negue”, hit de Adelino Moreira, dividida ao vivo com Caetano Veloso.

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QUEM É ELA?

Aí você vem e me pergunta: “Quem é Cesária Évora?” Nascida em Mindelo, na Ilha de Santiago, arquipélago de Cabo Verde, começou a cantar aos 16 anos, em tabernas na região portuária de sua cidade. Somente em 1985 teve sua grande chance, ao ser convidada por Bana, conhecido cantor de seu país para se apresentar em Lisboa. Lá conheceu o produtor José da Silva, que a convenceu a gravar um disco em Paris. E em 1988, é lançado “A Diva dos Pés Descalços”, em alusão à forma como se apresentava para cantar. Eu só vim a conhecer esta senhora em 1994, por ocasião do disco “Miss Perfumado”, lançado em 1992. Imediatamente fui tocado pela paixão completamente tangível que saía de sua voz. Ela vivia aqueles sentimentos todos que emanava. A força de sua performance, para mim, só é comparável a Elis Regina, no Brasil, e Amália Rodrigues, em Portugal. 

Cesária cantava morna, expressão musical típica das ilhas de Cabo Verde, mas mandava bem em qualquer gênero e idioma. Ela abraçou o português, o espanhol, o francês e o crioulo cabo-verdiano, sua língua pátria. Ouvi-la cantar em crioulo é voltar ao passado da colonização: formado a partir de adaptações de palavras da língua portuguesa, pronunciadas ao modo das línguas dos escravos, o crioulo foi rapidamente compartilhado, facilitando a comunicação entre africanos de etnias diferentes, e também com os portugueses.

A morna está para Cabo Verde assim como o Tango está para a Argentina e o samba pro Brasil. Este gênero é feito com violão, cavaquinho, piano, rabeca e vários instrumentos de percussão, como o bongô, chocalho, reco-reco e outros. Nas letras, um romantismo intenso como o fado português, e a eterna presença da saudade em tudo. Saudade da terra natal, da infância, de um amor que se deseja ter de volta. O orgulho também se faz presente, ao enaltecer as riquezas naturais e culturais do país.

“Cesária Évora &” está à venda nas principais lojas do Brasil. O preço médio é de R$ 26,00

Sonhando em Brennand

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Este é um dos meus lugares preferidos na Terra. Aliás, nem parece que você está no planeta. Esculturas e construções erguidas a partir do barro, o elemento número um da mitologia acerca da criação da vida. Toda esta arte de cerâmica saiu da mente de Francisco Brennand, artista pernambucano que nos tira da realidade a cada obra finalizada.

Para quem ficou curioso e tiver a fim de visitar, é só pegar mais informações no site oficial: http://www.brennand.com.br/

CREDITO

O povo nas ruas é lindo, mas…

Em relação ao protesto ocorrido hoje no Recife, que mostrou-se bastante tranquilo, se comparado aos realizados no resto do país, algo me chamou a atenção.

porque

O movimento iniciado pelos estudantes do Passe Livre é legítimo, e até certo ponto, a intenção que eles tinham de não se deixarem influenciar pela participação partidária era até compreensível. “Se esses partidos até hoje se mostram ineficientes, por que razão nós deixaríamos que eles chegassem perto?” A posição do Passe Livre se assemelha ao conceito do preço ético de um jornal, que precisa se equilibrar entre servir de canal para a sociedade, e abrir espaço para anunciantes, o que  também ajudar a pagar as contas de seus funcionários. Continuar lendo

Devoção a São Benedito leva milhares de fiéis a Aparecida

A festa, que completou 104 anos em 2013 é uma das mais importantes do interior de São Paulo e aconteceu de 31 de Março a 8 de abril,

Ê ê irmão vamo cum Deus
E a Virgem Maria
E o nosso reis São Benedito
Reis da nossa companhia

Na tradicional festa de São Benedito, em Aparecida, a fé popular contradiz a ciência: a cor negra gera todas as outras cores. É por causa do santo negro e cozinheiro, que viveu no sul da Itália e morreu em 1589, aos 65 anos, que devotos de várias partes do Brasil e da região se encontram em Aparecida depois da Páscoa.

Foto da Exposição: Benedito das Flores e Antônio de Catagiró - Fonte: http://www.almanaqueurupes.com.br/portal/?p=3318

Foto da Exposição: Benedito das Flores e Antônio de Catagiró – Fonte:
http://www.almanaqueurupes.com.br/portal/?p=3318

“São Benedito
No seu terreiro
Passeio bonito
Pelo mundo inteiro


Chegada bonito
Chegada bonito
Olha a bandeira
Se São Benedito”

Longe de sua terra, os negros adotaram um santo parecido com eles. “Tinham também os africanos a São Benedito por seu patrono, talvez pela particularidade de ser santo de cor preta, e em seu louvor celebravam festas religiosas”, diz Pereira da Costa em Folclore Pernambucano.

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Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Os devotos percorreram ruas da região central de Aparecida tocando, dançando e venerando um dos santos mais populares do país, cuja devoção foi trazida pelos portugueses. Após a missa solene, que durou duas horas, os devotos formaram uma fila imensa ao redor de um quarteirão para ganhar uma bandeja de doces de São Benedito.

Ouça CONGADOS EM CORTEJO (recorded by zejabur)

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Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

A partir dessa festa começamos a conhecer a riqueza do Congado de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Essa é a maior festa de Congado do Brasil, quase 100 grupos e milhares de romeiros vêm a festa anualmente. A festa se inicia 09 dias antes com a novena e tem o seu ápice nos 03 últimas dias, sempre no final de semana após a Páscoa. No sábado chegam as Guardas e ficam até a segunda feira, o grande dia, que começa as 04 da manhã com a Alvorada, o ponto alto da festa para muitos congadeiros e romeiros, e continua até o encerramento do dia e da festa com a procissão final.

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Descendente de escravos etíopes, Benedito era napolitano, embora lenda caipira conte que era branco, quando foi pregar na África e, sendo mal recebido, teria pedido para ficar preto. Trabalhava no arado e, para descansar, inventou os bailados, do congo ou do moçambique. Na festa, as danças variam. A data também. O dia era 4 de abril, data de sua morte. Com a Lei Áurea, passou a 13 de maio em várias regiões. Hoje, também se festeja em agosto, em São Luís (MA); e em dezembro, em Bragança (PA).

Meu São Benedito
Já foi marinheiro
E deixou congada
Para nós congueiro
Na linha do congo
Sou moçambiqueiro

“Deus disse a São Benedito que ele ia ser santo. Respondeu que não queria, por ser preto. Então Deus disse que aquele que abusasse dele seria castigado na hora”, afirmam os devotos.

Benedito das Flores e Antônio de Catagiró Fonte: http://www.almanaqueurupes.com.br/portal/?p=3318#jp-carousel-3321

Benedito das Flores e Antônio de Catagiró
Fonte: http://www.almanaqueurupes.com.br/portal/?p=3318#jp-carousel-3321

Grande importância se dá ao santo no interior paulista, Vale do Paraíba e Minas. O negro se apropriou dos autos populares dos brancos, introduzindo elementos de sua cultura. O rei e sua corte, acompanhados pela cavalaria de São Benedito, desfilam em procissão. Congadas e moçambiques cantam e dançam. O mastro com a bandeira do santo está ligado à fertilização da terra, bom presságio para a colheita. Ao erguê-lo, devotos atiram-lhe pedidos e saquinhos com açúcar, pó de café, arroz, feijão. Pedem: “São Benedito, santo cozinheiro, nunca deixe faltar.”

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

Festa de São Benedito em Aparecida. Foto: Thiago Leon

“Senhor reis, senhor reis
Senhor reis da monarquia
A lua clareia a noite
E o sol clareia o dia
Me dá licença, senhor
Pra nós passar na estrela da guia”

São Benedito – Panacéia Jangada Brasil

Das devoções brasileiras umas das mais interessantes, pelo pitoresco do que sempre vem revestidas suas festas é a de São Benedito. Embora nos nossos dias exista ainda uma série de devoções, antigamente, ou melhor até meados do século XIX sua devoção era imensa em quase todo o Brasil, notadamente no Ceará, Minas Gerais, Alagoas e Rio de Janeiro. Na nossa Minas Colonial raríssimas vezes é que vamos entrar numa igreja em que São Benedito não tenha um altar ou mesmo um quadro pintado numa parede lateral. Segundo suas biografias, era natural da Sicília, mas de origem africana, pois seus pais e avós eram cristãos da Guiné. Seus pais foram escravos e trabalharam durante vários anos na propriedade de Vicente Manasseri, na Sicília. Para que não viessem a ter filhos escravos juraram voto de castidade, mas dado sua bondade seu senhor certa vez disse que se algum dia eles tivessem um filho, este seria livre. Assim em 1525, nasceu Benedito livre.

Tendo a infância no campo, pastoreava rebanhos e tratava habilmente da terra: aos dezoito anos, começou a trabalhar por sua própria conta e o que ganhava distribuía aos pobres. Aos vinte e um anos, estava Benedito no campo, quando um frade eremita Jeronimo di Lenzo o encontrou e o convida para uma visita à sua ermida; fica ele de tal maneira impressionado com a vida do convento que resolveu ingressar naquela ordem, Ordem Superior dos Irmãos Eremitas de São Francisco de Assis. Devido à sua vida cheia de humildade, ao fim de cinco anos ingressava definitivamente nesta ordem.

No Brasil, como dissemos acima, a sua devoção foi muito comum, não só entre os pretos (existindo mesmo confrarias e irmandades de gente de cor, em louvor ao santo) como entre os brancos. No populário e na crendice popular inúmeras superstições estão ligadas a ele, dentre elas a curiosa de se ter na cozinha uma imagem do santo para que nunca faltem empregados na casa. Outro santo de cor, que pelo seu hábito e sua posição lembram São Benedito é São Elesbão, cuja vida muita parecida aparece pintado ou em belas esculturas de madeira com uma braçada de flores no braço, milagre também feito por São Benedito e às vezes por isso, criando uma certa confusão.

Trata-se de uma imagem pernambucana do final do século XVIII começo do século XIX e sua policromia num estado de conservação excelente e rica e artisticamente bem trabalhada. Embora pernambucana de origem foi encontrada na encantadora cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro e que em caráter de curiosidade podemos informar que talvez devido ao intercâmbio dos negócios de açúcar pode ter chegado a Campos, grande centro açucareiro com outras peças de igual origem que tive oportunidade de verificar quando lá estive há alguns anos atrás para organizar o seu I Salão Campista de Antiguidades. No estado de São Paulo, na sua capital e no Vale do Paraíba esta devoção é muito comum; na tranquila e tradicional cidade de Lorena, anualmente se realiza uma imponente festa, onde todas as tradições ligadas ao santo, aparecem revestidas de grande brilhantismo, como te-deums, ladainhas, quermesses, que culminam com uma majestosa procissão. No Rio de Janeiro, na histórica Igreja de São Benedito, à rua Uruguaiana, acha-se guardada uma relíquia do santo: um fragmento do osso.

Em Maceió, estado de Alagoas, era comum nos dias de procissões ao santo acompanharem o andor mulheres de cor, vestidas de branco, dançando e cantando versos curiosíssimos e até certo ponto irreverentes, mais dotados de um ingênuo sabor regional. Dentre eles:

Meu São Benedito, santinho de ouro
Meu São Benedito, santinho de ouro
Mas ele é pretinho
Que nem um besouro.

Meu São Benedito, já foi cozinheiro
Meu São Benedito, já foi cozinheiro
Mas hoje ele é santo
De Deus verdadeiro

A estas mulheres alegres e dotadas de grande ingenuidade na sua maneira de festejar o Santo era dado o nome de taieiras. Cantando e dançando durante as procissões, as taieiras, juntavam à sua devoção as irreverentes e ingênuas quadras em louvor ao seu santo predileto.

(Machado, Paulo Afonso de Carvalho. “São Benedito”. O Jornal. Rio de Janeiro, 1966)

Fontes:

O Vale

Almanaque Brasil

Versos da Toada de Moçambique – Jangada Brasil

Ibirá Flora – O parque tecido à mão

o Pavilhão das Culturas Brasileiras apresenta a exposição IBIRÁ-FLORA, com curadoria do designer e tecelão RENATO IMBROISI.

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Entrada da exposição
Foto: Jefferson Duarte

A mostra, que retrata a flora do Parque do Ibirapuera é toda estruturada com 1800 metros de tecidos feitos à mão no bairro rural do Muquém, município e Carvalhos, Sul de Minas Gerais (380 Km de Belo Horizonte). Foi lá que o designer iniciou, em 1985, sua trajetória de muitas parcerias com comunidades de artesãos de todas as regiões do Brasil e em outros países (Japão, Itália, Moçambique, São Tomé e Príncipe).

AS arvores lindamente esculpidas com tecidos de fibras naturais.
Foto: Jefferson Duarte

os tecidos feitos à mão pelas artesãs
foto Jefferson Duarte

Para montar a representação do Parque do Ibirapuera, com suas árvores, lagos, bosques, dentro do Pavilhão das Culturas Brasileiras, Renato Imbroisi e a designer têxtil Liana Bloisi foram para o Muquém, onde criaram e desenvolveram tecidos junto com a mestre tecelã Eva Maciel da Cunha. Foi ela que, com sua irmã Noeme (já falecida), acolheu e partilhou as idéias inovadoras trazidas por Imbroisi em 1985, iniciando uma produção de peças de tecelagem e outras técnicas têxteis dentro da comunidade do Muquém, que se mantém até hoje (o designer divulga e encaminha a comercialização desta produção, que gera renda para as famílias destes artesãos deste lugar isolado num vale da Serra da Mantiqueira, onde a eletricidade só chegou no ano 2000).

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A partir das criações de Imbroisi, Liana e Eva, junto com os outros tecelões (que também participaram do processo de desenvolvimento dos tecidos para a exposição), os tecelões fizeram à mão1800 metros de tecido, utilizando fios de algodão como base (urdume) para fazer a trama com 8 tipos de fibras naturais, coletadas por eles: avenca, bambu, bananeira, eucalipto, junco, leiteirinha, milho e taboa. Algumas delas também são encontradas na flora do Parque do Ibirapuera.

 

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A mostra apresenta o vídeo Ibirá-Muquém, produzido em Muquém, que revela, com delicadeza, o processo de produção desta exposição e um pouco da vida destes artesãos, parceiros de Renato Imbroisi, no vale verde cercado pela Serra da Mantiqueira. A direção é do próprio Imbroisi, com captação de imagens de Lucas Moura e montagem de Maria Kubrusly.

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IBIRÁ-FLORA marca a primeira etapa do Projeto IBIRÁ, que tem como tema o Parque do Ibirapuera em três aspectos: Flora, Fauna e Gente. Cada tema será apresentado em exposições específicas, sempre valorizando o artesanato, sua tradição e inovações trazidas por meio de parcerias com Renato Imbrosi e sua equipe de colaboradores. Nesta primeira (flora), é apresentada a técnica da tecelagem manual, por sua importância histórica, ancestralidade e amplitude de possibilidades que oferece para o trabalho com fibras, e também por representar o início da história profissional do designer.


Durante a permanência da exposição, serão realizadas oficinas, com curadoria da artista plástica e designer têxtil Liana Bloisi, nas quais serão produzidas, por mestres e alunos, partes integrantes da exposição.

Veja mais fotos

 

Fonte:

Pavilhão das Culturas

O Parque Tecido à Mão

Quando:
de 25/01 a 29/07 – Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 09:00 às 17:00

Rua Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque Ibirapuera
Ibirapuera – Sul
(11) 5083-0199

 

Vendendo gato por lebre

Entender o circuito de distribuidores cinematográficos no Brasil é um desafio. Por muitas vezes, deixamos de conhecer ótimas produções, por decisões baseadas em tendências de mercado que subestimam os espectadores. Ou às vezes, é falta de talento para vender o peixe, mesmo. Mas, em se tratando de uma sociedade onde o apelo para o consumo se arma com estratégias cada vez mais elaboradas, fica difícil saber até onde estamos vendo algo concreto ou extremamente planejado.
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the-joneses-movie-poster1Veja ampliado: Poster ironiza com os clichês dos catálogos de vendas
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Pois o filme “The Joneses”, lançado em dezembro do ano passado nos Estados Unidos, e estrelado por David Duchovny (Arquivo X, Californication) e Demi Moore (Ghost) é um daqueles paradoxos de marketing: Ele pertence a um gênero, mas é vendido como outro mais amigável ao grande público. Em outras palavras, é como se a apresentação de uma orquestra sinfônica com a participação de um grupo percussivo fosse vendido como o novo show da atual sensação do axé. E não é que funciona? Continuar lendo

365 dias em 16 centímetros

E mais uma vez eu me arrisco a tentar usar uma agenda. A minha maior resistência com estas criaturas é que eu não via sentido nelas. Se elas servem para organizar o nosso tempo e deixar que nossa memória seja ocupada com coisas mais importantes, de que adianta anotar aquilo que não será constantemente lembrado?

Ninguém marca algo na agenda para quando chegar o dia tal, abrir e dizer, “O que temos pra hoje? Uau, uma prova! Tô fudido!” No final das contas, a gente sempre acaba fazendo a maior parte do trabalho de organizar nossos compromissos, e aí a agenda perde todo o sentido para mim.

Para alguém cujo raciocínio do jogo de dominó é combinar as pedras com o mesmo número de bolinhas e ponto, este pensamento simplista é até compreensível. Mas tudo isto foi por água abaixo quando encontrei ontem a agenda dos meus sonhos:

Sim , é isso mesmo que vocês estão vendo. Esta coisinha de 16,9 x 8,3 cm, 128 páginas e não sei quantas míseras gramas, que cabe até em bolso de calça cargo me conquistou. Como eu odeio carregar qualquer objeto pesado, esta agenda aqui vai conseguir quebrar o meu galho e me ajudar a ser uma pessoa mais organizada.

Uma semana cabe em duas páginas, com o espaço distribuído para anotações pontuais, no esquema compromisso-horário-local. Muitos poderão estranhar a reduzida área oferecida pelo produto, mas é como eu falei: Eu preciso de uma agenda, não de um diário.

Outro ponto positivo é o pequeno calendário do mês disposto no início de cada semana: dá para circular datas importantes e colocar uma setinha logo abaixo, para você não esquecê-la, mesmo que ela esteja longe. Cumpriu minha prioridade-mor com louvor.

Sem falar na fitinha que marca o dia em que você está, evitando a perda de tempo na busca pela página certa. A danada ainda tem uma série de informações extras, como: lista de feriados do Brasil e outros países; espaço para inserção de dados pessoais (pro caso de você ser jogado do sétimo andar e precisem saber o seu tipo sanguíneo); contatos de emergência; códigos telefônicos de todos os países (muito útil caso você tenha um (a) peguete gringo (a) ou coisa parecida); além de lista alfabética para números de telefone.

Então. Agora vocês já viram a minha agenda nova que eu adoro e estou atualizando com contatos telefônicos, enquanto 2013 não chega para eu começar a usá-la de verdade. Ah! Notaram que a capa faz referência ao quadro de Marilyn feito pelo Andy Warhol, da Pop Art?

Esta agenda de bolso (cujo preço é bastante acessível) faz parte de uma linha simpática da Pucca, também disponível no formato tradicional e com outras estampas, fabricada  pela Granica, uma marca argentina de artigos de papelaria. No Brasil, ela está à venda na Livraria Cultura.

Gostaram? Se gostaram, ótimo. Se não, tô pouco me lixando, a agenda é minha, mesmo, e eu tô babando ela.

Beijos.

Umbanda, mais brasileira impossivel

Umbanda

A origem de uma religião 100% brasileira.

Não tem jeito quando pensamos em um brasileiro direto imaginamos um ser misturado, são muitas influências culturais absorvidas e colocadas num caldeirão. Dia 15 de Novembro foi instituido o Dia da Umbanda, religião mais BRASILEIRA não existe. O Celophane Cultural vem trazer “um pouco” deste universo pra homenagear esta ilustre e maravilhosa mistura que representa um “tantão”  da Fé brasileira espalhada por este pais de Nosso senhor ou de Oxalá, protegido por S. Jorge, Por Cosme e Damião, banhado pelas águas de Yemanja e com as matas Cabôclas mais lindas do mundo. 


Não se pode negar que a Religião de Umbanda nasceu da mistura de diversas crenças, vindas de outras religiões. Talvez por isso a Umbanda seja a religião que recebe a todos, sem discriminações, principalmente de credo religioso, muito ao contrário do que acontece com o umbandista quando este é recebido por outras religiões, mas não vamos falar disso aqui.

Altar de umbanda Foto Klaus D. Günther
fonte: http://www.flickriver.com/photos/klausdgrio/2536911620/



O importante mesmo é termos total consciência de que a Umbanda veio da cultura afro, somada aos costumes indígenas tupiniquins, além é claro do sincretismo católico, este último uma mistura de amor e imposição. Claro que ainda existem influências orientais, cardecistas, místicas, uma verdadeira miscelânea de culturas.

A mais forte destas influências é do Candomblé, pois apesar de a Umbanda ter nascido a pouco mais de 100 anos (primeiro registro oficial), sua raiz africada é milenar, os pés são fincados no solo povoado por milhares de negros que pra cá vieram.

Yaôs na África – Pierre Verger

Pai Zélio Fernandino de Moraes foi quem registrou em cartório a primeira tenda Umbandista em 1908, sua casa, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, não tocava atabaques, mas estes instrumentos do Candomblé foram incorporados a religião e hoje é difícil encontrar terreiro de Umbanda que não os possua em seus rituais. De onde veio isso?

Foto e texto: Zélio Fernandino de Moraes:
http://www.falandodeaxe.com/entrevistados-da-revista/zelio-fernandino-de-moraes-saudoso-/
“Falta uma flor nesta mesa; vou buscá-la”. E, apesar da advertência de que não me poderia afastar, levantei-me, fui ao jardim e voltei com uma flor que coloquei no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciado os trabalhos, verifiquei que os espíritos que se apresentavam aos videntes como índios e pretos, eram convidados a se afastar. Foi então que, impelido por uma força estranha, levantei-me outra vez e perguntei porque não se podiam manifestar esses espíritos que, embora de aspecto humilde, eram trabalhadores.

Com certeza, esta influência veio de nossos queridos Pretos Velhos, entidades que se manifestam na Umbanda e que foram em vida, escravos de tempos antigos em nosso País.

Preto velho – http://felliperocha.wordpress.com/2010/03/20/pretos-velhos-humildade-e-sabedoria/
Pretos-velhos são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos “seus filhos”. São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria geralmente ligados à Confraria da Estrela Azulada dentro da Doutrina Umbandista do Tríplice Caminho (AUMBANDHAM – alegria e pureza + fortaleza e atividade + sabedoria e humildade)

Estes negros escravos, trazidos da África eram adeptos do Candomblé, de diversas nações diferentes, e a Umbanda, ainda sem um código específico e singular, administra seus templos individualmente através das orientações de seus guias patronos, ou seja, quem determina certos fundamentos em uma casa de umbanda é o guia espiritual chefe desta casa, daí a forte influencia dos rituais de nação trazidos por nossos queridos Pretos Velhos.

Outra prova desta forte influencia e que também explica a entrada da cultura européia através da romana religião Católica, é o sincretismo dos Orixás (que vieram da África) com os santos católicos. Isso acontece simplesmente porque nossos antepassados negros, enquanto escravos, não podiam adorar Orixás e portanto adoravam santos católicos para não contrariar seus senhores, mas na verdade, quando um negro rezava para São Gerônimo por exemplo, estava em seu íntimo louvando a Xangô.

São Jerônimo – Caravaggio – Sincretizado com Xangô.

A religião de Pai Zélio, que completou 100 anos em 2008 é uma mistura de crenças, ainda em formação, e tomara que continue assim, pois a evolução humana não deve parar nunca, nunca devemos dizer que já sabemos de tudo e que isso é assim e assado. Tomara que a Umbanda continue evoluindo ainda mais e continue acima de tudo, uma religião eclética, sem preconceitos.

“Foto: Pomba-gira – Laroiê Exu: o Rito de Curiação do Orixá. Terreiro Ilê Axé Xango Agodô – João Pessoa/PB. Por Frido Claudino”

A caridade é o principal fundamento.

A ritualística de Umbanda é bastante vasta, vem sendo passada de pai para filho dentro da religião mas principalmente, vem sendo moldada pela orientação de nossos mentores espirituais, mas o principal objetivo é sem dúvida a caridade através dos atendimentos realizados por estes mesmos mentores.

Cabôclo influência Indígena misturado á Oxóssi caçador sincretizado com São Sebastião.
http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/oxossi-te-deixara-objetivo-ajudara-em-reunioes-3680027.html#axzz2CBzQwMEp

Através da incorporação mediúnica, entidades espirituais muito mais evoluidas do que nós encarnados, vem prestar uma espécie de socorro as pessoas que recorrem aos diversos centros de Umbanda espalhados pelo País.

Festa de São Jorge em Vespasiano, MG. A guarda de Marinheiro de São Jorge recebe os convidados. 25/04/2010. FOTO ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA

A forma que se realizam estes rituais difere um pouco de um templo para outro, justamente pelo fato de que cada casa possui seus fundamentos próprios, passados pelos seus mentores espirituais, mas em síntese ocorrem os mesmos preceitos.

Em cada estado brasileiro, as manifestações se misturam aos costumes do lugar: como em belem do pará:  Os marinheiros http://barracaodoze.blogspot.com.br/2011/05/umbanda-em-belem-pa.html
Outro fator interessante na Umbanda do Pará é a presença
dos”Encantados”, entidades que já passaram pelo
plano terreno e que não desencarnaram, simplesmente
“se encantaram”. Os encantados se apresentam na forma de
caboclos, boiadeiros, príncipes e princesas, ou ainda
em forma de elementos ligados à natureza. Dessa forma,
pôde-se ver nas Casas de Umbanda de Belém entidades
como Dona Mariana, Seu Zé Raimundo, Marinheiro Fernando, entre outras entidades de muita força e muita luz.

O Terreiro é dividido em duas partes, o congá onde ficam os médiuns que irão trabalhar incorporados juntamente com os que irão auxiliar como cambonos e a assistência, onde se acomodam as pessoas que vem em busca deste atendimento.

A ritualística de abertura de uma Gira de Umbanda basicamente é composta de danças para os Orixás, cantos de melodias chamadas por nós de pontos cantados, defumações com ervas especiais e orações, inclusive as orações cristãs, como o Pai Nosso e a Ave Maria.

A Mitica figura do “Boiadeiro do Sertão” é representada por uma entidade:
Capa do CD – Umanda força e magia do Boiadeiro.
http://acervoayom.blogspot.com.br/2009/05/umbanda-forca-e-magia-boiadeiro.html

Ou seja, dentro da ritualística umbandista também se vê com clareza a mistura que compõem esta maravilhosa religião. Os atabaques e outros instrumentos comuns nos cultos aos Orixás se somam a práticas mais familiares aos cultos católicos, mas o culto aos Orixás sempre predomina, em muitos casos o Padê para o Orixá Exú, precede todas as giras, e isso é fundamento herdado do Candomblé que tem efeito prático no resultado das seções.

Este Padê consiste em cantar pontos para Exú e em seguida levar uma oferenda (ebó) até a canjira, que é o assentamento do Orixá na casa e fica do lado de fora do terreiro. Na prática, este ritual é um pedido para que Exú cuide da porteira e evite assim intromissões de espíritos menos evoluídos no trabalho, o chamado “descarrego”.

Após estas louvações, rezas e pedidos, se chama em terra a entidade chefe do terreiro que irá incorporar no Zelador de Santo, o dirigente do terreiro, para tanto são entoadas cantigas especiais e próprias da entidade que virá trabalhar neste dia.

Juremeiro: http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475It008
Jurema sagrada como tradição “mágica” religiosa, ainda é um assunto pouco estudado. É uma tradição nordestina que se iniciou com o uso desta planta pelos indígenas da região norte e nordeste do Brasil, mas que, atualmente possui influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria européia até a pajelança, xamanismo indígena, passando pelas religiões africanas, pelo catolicismo popular, e até mesmo pelo esoterismo moderno, psicoterapia psicodélica e pelo cristianismo esotérico. No contexto do sincretismo brasileiro afro-ameríndio, a presença ou não da jurema como elemento sagrado do culto vem estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó.
Índice

O guia chefe, depois de realizar os rituais de segurança da Gira, chama os médiuns já desenvolvidos que irão formar uma roda no centro do terreiro para receberem as entidades que irão prestar o atendimento a assistência.
Este atendimento é feito individualmente, os Guias de Luz passam orientações, receitas de banhos com ervas, dão o tradicional “passe mediúnico” que é o momento onde as entidades realizam as magias que resolvem os problemas daquela pessoa assistida.
São realizados diversos rituais nesta hora, mas acima de tudo estas entidades confortam as pessoas com seu modo carinhoso e humilde.

Hoje temos várias religiões com o nome “Umbanda” (Linhas Doutrinárias) que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Alguns exemplos dessas ramificações são:

  • Umbanda tradicional – Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;
  • Umbanda Branca e/ou de Mesa – Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos – Orixás -, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
  • Omolokô – Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
  • Umbanda Traçada ou Umbandomblé – Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;
  • Umbanda Esotérica – É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: “conjunto de leis divinas”;
  • Umbanda Iniciática – É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito.

foto terreiro maranhense por: Márcio Vasconcelos

Na verdade o que buscamos é “Luz” seja ela de onde venha ou no que acreditamos. Axé

Fontes: http://www.girasdeumbanda.com.br/2010/a-umbanda.php

Capibaribe, o rio invisível

 

Milhares de pessoas passam pelas pontes do Recife e têm estas estruturas como alguns dos símbolos mais marcantes da cidade. Só que a razão da existência delas deveria ser mais valorizada. Infelizmente, o crescimento urbano desorganizado joga fora o potencial de mobilidade, paisagismo e diversão que o Rio Capibaribe poderia oferecer.

Uma boa pedida é aproveitar os barzinhos que existem em suas encostas, e se familiarizar com a luta diária das comunidades que dele dependem para viver. Que tal pegar um final de semana e conhecer?