Bienal Naifs do Brasil 2010 – as cores dos significados.

Antônio Eustáquio – MG, 1962 – Minha Bíblia – Óleo sobre tela (Obra em exposição)

A Bienal Naifs do Brasil m sua 10ª edição, apresenta 111 obras, de 80 artistas, selecionadas pelo júri – Geraldo Edson de Andrade, Ricardo Amadasi e Vilma Eid – que privilegiam a poética do popular e suas possíveis significações, valorizando as representações que caracterizam aspectos naïfs. Na Sala Especial “Arte sem Fronteiras”, a curadora Maria Alice Milliet destaca 56 trabalhos de autores significativos e outros revelados por edições anteriores da Bienal Naïfs do Brasil, ampliando as percepções e debate sobre erudito e popular.

“Na Paris modernista do início do século XX, o termo naïf (do francês, ingênuo) ganhou evidência no campo das artes. Ao se liberar a arte do acondicionamento restrito de museus e galerias, outras obras realizadas por artistas sem formação acadêmica passaram a ser apreciadas. Esse pensamento repercutiu em seus pares brasileiros, a partir da década de 20, de modo a sinalizar maior abertura de diálogo entre o universo da chamada arte erudita ao da denominada arte popular.

Passados quase cem anos desse contexto, cabe-nos perguntar em um mundo cada vez mais afeito às novas tecnologias, quais os possíveis significados que a palavra naïf pode adquirir hoje, em um panorama carregado de excesso de informação. Lembremos que a arte talvez seja a forma de expressão que melhor retrate – muitas vezes beirando as previsões – as alterações de percepção do humano no mundo em constante mudança.

A permuta de significado entre a cultura popular e a erudita ganha cores atuais que permitem a inclusão de novas tonalidades. Outras soluções artísticas são buscadas como reflexo de um mundo em que o rural perde vez para o urbano, mas que mantém seus códigos e força imaginativa na arte produzida espontaneamente. Nesse sentido, a arte estimula nossa sensibilidade, permitindo-nos interrogar qual tipo de sociedade procuramos refletir e por vezes questionar.

Sem precisar recorrer a categorias redutoras, como o binômio “arte popular/arte erudita”, a décima edição da Bienal Naïfs do Brasil – iniciativa do SESC São Paulo – constitui evento que promove uma discussão sobre essa manifestação popular e suas possíveis significações.”

Danilo Santos Miranda – SESC – SP

Imagem: Loizel Guimarães da Silva (em exposição sala especial) Bocaiúva do Sul – PR, 1952 - Boi Bandido Linoleogravura

Nosso querido querido Danilo, incansável  defensor da Cultura Popular em São Paulo,  através do SESC, resumiu muito bem o que podemos dizer sobre a arte “Naif”. O Brasil é recheado de maravilhosos artistas que podemos chamar de “arte espontânea”. Mas é um segmento extremamente rico para ser classificado com um nome só: Naif.

Segundo Roberto Rugiero um dos mais prestigiados especialista em arte popular e dono da maravilhosa Galeria Brasiliana em SP em uma entrevista para a revista Arte!Brasileiros: “arte Naif é uma terminologia odiosa, um galicismo inclassificável. O nome surgiu apenas para qualificar uma arte água com açúcar, pretensamente ingênua. Serve apenas para ser vendida a gringos desavisados”.

A Iniciativa já a Dez edições da Bienal, utiliza do nome, recheado de preconceitos, para mostrar a sociedade a grandeza e riqueza do trabalho realizado do “Oiapoque ao Chuí” por brasileiros, resgatando o movimento modernista dos anos 20 de mostrar que o Brasil tem uma cara muito própria e incansavelmente rica e produtiva, recolocando e relembrando sempre o importante papel da arte popular no cenário das artes visuais no Brasil.

Imagem: José Bezerra - Buíque – PE, 1952 Banco Tamanduá - Cortesia Galeria Estação, São Paulo - SP

Serviço:

SESC – SP – Bienal Naifs 2010

SESC Piracicaba – rua Ipiranga, 155  – centro
Piracicaba – SP

19 de Agosto a 12 de Dezembro.

Alexandro Júlio de Oliveira Cerveny São Paulo – SP, 1963 Alminha óleo sobre tela 18 × 14 cm, 2008 Cortesia Galeria Casa Triângulo, São Paulo - SP

Te espero lá.

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