TODAS AS “CORES DO MARACATU” reunidas num livro.

Olá amigos da Cultura Popular:

Abrindo um canal de divulgação de obras que disseminam a nossa rica e gloriosa cultura, estou aqui divulgando um livro que teve seu lançamento na Livraria Cultura do Recife, canal este de comunicação aberto através deste blog.

Isso pra mim representa um orgulho enorme, estar sendo lido, acompanhado e estar utilizando este meio como  indicador de obras importantes para a nossa “avexada” de deslumbrante Cultura Popular Brasileira.

JeffCelophane

 

Descrição da Imagem: Capa do Livro "Cores do Maracatu" com uma colorida imagem da indumentária do Caboclo importante personagem do Maracatu com suas coloridas lantejoulas e ao fundo a Rainha.

 

TODAS AS CORES DO MARACATU PELO OLHAR DE RILDO MOURA

Fotógrafo recifense  lança livro “Cores do Maracatu”, com imagens que traduzem toda a beleza do maracatu rural através das pessoas que o compõem.

Tradição secular da cultura brasileira, o maracatu rural seduz pela beleza cênica, pelo valor de sua simbologia e pelo seu colorido extravagante, notável, por exemplo, na figura mais que característica do caboclo de lança. Essa riqueza visual foi captada pelo fotógrafo Rildo Moura, no seu livro “Cores do Maracatu”.

Para executar este belíssimo trabalho, apoiado pela Chesf, Rildo Moura foi até Nazaré da Mata, a Terra do Maracatu, durante três anos, no período de Carnaval e nos encontros de maracatus que ocorrem na cidade. Registrou todo o processo que guia a celebração da “guerra bonita”, indo desde a confecção das fantasias e adereços até a apresentação em si. Nesta empreitada, contou também com orientações de Walter Firmo, renomado fotógrafo carioca, que conheceu durante um workshop no Recife, e que assina o prefácio do livro.

Descrição da Imagem: Humilde casa ao fundo com a comitiva de mulheres enfileiradas e suas roupas brilhantes e coloridas de cetim.

O diferencial deste trabalho de Rildo Moura é que ele não se limitou a capturar apenas o folguedo popular, mas se preocupou em registrar as pessoas que o compõem e sua dedicação aos detalhes: a preparação dos caboclos de lança, as baianas enfeitadas nos seus vestidos, os artesãos preparando as indumentárias, o rei e a rainha à espera do cortejo. O livro é mais sobre pessoas do que mesmo sobre o próprio maracatu.

Descrição da Imagem: Close de Brincante, personagem do Maracatu, com rosto totalmente pintado de preto, chapéu e roupa coloridos.

RILDO MOURA – começou como fotógrafo de “brincadeira”, em 1986, após receber seu primeiro salário e comprar uma câmera. O hobby foi ganhando importância em sua vida graças a um crescente desejo pelo apuro técnico. A partir de 2000, Rildo passa a investir mais seriamente na carreira, tendo participado de grupos de fotografia e mostras coletivas, como o Paspatu e o Café Tortoni (SP). Atualmente, é membro da seção pernambucana da Associação de Fotógrafos (Fototech). Em 2008, publicou “Teatro de Santa Isabel – Guia Fotográfico”, com apoio do Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do Recife, revelando detalhes geralmente ignorados daquele teatro.

Descrição da Imagem: dois personagens do Maracatu totalmente vestidos de chita com "Burrinhas" penduradas aos ombros. a colorida imagem dos dois está no meio de um denso matagal dando um contraste muito interessante.

 

Confiram o belissimo vídeo de Marcelo Rodrigues:

Performance do grupo de Caboclo de Lança Cambinda Brasileira, de Nazaré da Mata – Pernambuco. Este grupo é o mais antigo e foi fundado em 1918. O Caboclo de Lança é símbolo do carnaval Pernambucano.

SERVIÇO

livro “Cores do Maracatu”, de Rildo Moura

Onde comprar: Livraria Cultura.

Quanto: R$30

Livraria Cultura

Flickr de Rildo Moura

www.rildomoura.com/

Contato para entrevista:

Renata Reynaldo (assessoria de imprensa) – (81) 9994.7530

Noticias sobre o lançamento:

JC Online

Folha Pernambuco

Diário de Pernambuco

Anúncios

A Contemporaneidade da Arte Popular… ou o lixo da arte contemporânea

Em tempos de Bienal de Arte, a cidade de São Paulo respira, transpira, exala, dita moda e tendencias, com várias exposições paralelas,  a polêmica “Arte Contemporânea”.

Não sou crítico de arte e muito menos um estudiodo na área, sou um “visitador” assíduo de exposições e me incomoda, e torço o nariz, sempre que visito uma exposição de “arte contemporânea”, na verdade vou a exposições em busca de emoção de sensações e de poesia, mas ao deparar com obras que realmente não me dizem nada, tenho cada vez mais certeza de que tudo isso é um verdadeiro lixo. Ao contrário quando atravesso o parque do Ibirapuera e entro no Pavilhão das Culturas Brasileiras (recem aberto) e pertenço, me emociono, me encanto com as diversidade das obras de arte popular, aquelas que não precisam de Monitoria Especializada para explicar o seu sentido, aquela que é gerada por uma sensibilidade pura e que ao meu ver tem muito mais valor.

Descrição da Imagem: Banco em madeira talhada po José Bezerra - Buíque – PE, 1952 - Banco em formato de um Tamanduá - Cortesia Galeria Estação, São Paulo - SP

Confira matéria sobre a Bienal Naifs do Brasil – SESC Piracicaba

Mas no meio de toda esta contemporaneidade, um curador propõe uma discussão muito interessante:

…por que obras de arte popular não podem ser colocadas ao lado de obras de arte copntemporânea?… Este é o incomodo que o curador, ex Fundação Bienal, Paulo Sérgio Duarte pretende através da  exposição: “Arte Brasileira: além do Sistema” na Galeria Estação em Pinheiros – SP.

Segundo o Curador:

“Aqui, na exposição, por um momento, estão juntos artistas de diferentes origens. Esse foi o problema que arrumei. Não há nenhum “nexo curatorial” entre essas diferentes potências poéticas, ainda mais que preponderam as questões pictóricas e gráficas nos chamados “eruditos” sobre as escultóricas nos “populares”. Mas esse foi um entre muitos desafios que se apresentam. Orecorte de artistas populares foi inteiramente realizado a partir do acervo de Vilma Eid que fazem parte do instituto do  Imaginário do Povo Brasileiro.

Descrição da Imagem: Obra de Manoel Graciano - Reisado - figuras do reisado esculpidas em madeira pintada - tamanho 100 x 200cm aproximadamente

Esta exposição quer provocar o seu olhar e reflexão. É apenas o início de um trabalho que pretendo desenvolver, mas que me preocupa há muitas décadas. Me intrigava a ausência da arte popular nas exposições coletivas que contemplavam os artistas, digo provisoriamente, “eruditos”. Por que essa “reserva de sistema” para artistas de um determinado nicho em detrimento de outros? No capítulo da arte chamada contemporânea ou do “sistema da arte” somos obrigados a nos confrontar com trabalhos de dar dó, coisas realmente desprezíveis, não somente em galerias, como em bienais e grandes feiras, e, no entanto, muita força poética está ausente porque o “sistema” não admite o confronto com esta outra intensidade. A arte popular pode ser facilmente compreendida e avaliada se colocada lado a lado com a produção da chamada arte contemporânea.

São os limites do chamado “sistema da arte” que precisam ser pensados. Porque obras da arte popular não podem ser colocadas ao lado das obras de “arte contemporânea”? Porque as fronteiras do “sistema da arte” são pensadas à luz de três instituições: a estética, a academia e instituições conexas – sobretudo os museus –, e o mercado.”

…O que se precisa é repensar não uma teoria de arte contemporânea mas uma teoria contemporânea da arte que dê conta dos processos poéticos independentemente da origem das obras…

Catálogo da Exposição

Mas o que os pensadores “Contemporâneos” acham da “Arte Contemporânea”???

A larva de mosca segundo Ferreira Gullar:

“…Atualmente temos a chamada arte contemporânea ou conceitual. Na minha opinião, é uma coisa que pouco tem a ver com arte. É só ver. Você acha que uma exposição que nos mostra larvas de mosca é arte? Pode até ser muito interessante, mas não tem nada a ver com arte… É uma besteirada. Mas não se pode dizer isso. Eu sou o único crítico que diz essas coisas. Todo mundo fica com medo de parecer retrógrado. Todo mundo é avançado, moderno. Eu estou cagando para a modernidade.”

Foto de Ferreira Gullar onde ele está com as mãos levantadas a frente da cabeça com seus longos cabelos brancos, parecendo um mago das letras.

Foto: http://apaginadavida.blogspot.com/2010/09/jose-ribamar-ferreira-ou-nosso-poeta.html

… Arte é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se eu pegar essa folha de papel e amassar, estarei me expressando. Um quadro em branco, sem nada, não é uma expressão? É. Se eu fizer um traço preto, é outra expressão. Arte não é isso. Não é feita nem pela natureza, nem pelo acaso. Arte é uma coisa do ser humano. A arte existe porque a vida não basta,a vida é pouca. E a arte nos traz coisas belas, fascinantes, atordoantes, maravilhosas. É para isso que existe. Não serve para mostrar larva de mosca…”

Entrevista de Ferreira Gullar á Revista de História da Biblioteca Nacional – nº 59 – Agosto de 2010.

Revista História da Biblioteca Nacional

Para Roberto Rugiero em entrevista á revista: ARTE! Brasileiros

“A arte popular pelo olhar treinado de um especialista do gênero” – por Mário Gioia

“…Com a abertura do Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo, a recuperação das peças coletadas por Lina Bo Bardi na Bahia nos anos 1960, e reunidas novamente no Solar do Ferrão, em Salvador, a arte popular retoma um papel mais efetivo na cena das artes visuais do Brasil.

Foto de Roberto Rugiero em meio ás obras na Galeria que dirige.

Para Roberto Rugiero, um dos mais prestigiados especialistas da área no País e dono da Galeria Brasiliana, o momento não merece ser tão festejado. “Trabalhar com arte popular no Brasil ainda é muito instável. Já vivemos tempos bem piores, mas o mercado não é muito amplo e o preconceito existe. É como se fosse uma luta de classes. Parte da elite não consegue ver genialidade em autores populares”, afirma, com cautela, o marchand.

Rugiero acredita que a terminologia “arte popular” é a mais adequada para englobar “a arte espontânea”. Mas é um segmento tão rico que não cabe em um nome só. No entanto, o galerista é contrário a qualificar artistas de cunho menos erudito de “arte naïf”. “É uma terminologia odiosa, um galicismo inclassificável. O nome surgiu apenas para qualificar uma arte água com açúcar, pretensamente ingênua. Serve apenas para ser vendida a gringos desavisados.”

Bem é conferir e tecer sua opinião sobre este tema tão instigante.

Um abraço

JeffCelophane

Arte Brasileira: além do sistema

Aberaldo – Alcides – Chico Tabibuia – Elizabeth Jobim – Fernanda Junqueira – Fernando da Ilha do Ferro – Gabriela Machado – Germana – Monte-Mór – José Bezerra – Manoel Graciano – Nuno Ramos – Samico – Tunga – Véio

Curadoria Paulo Sergio Duarte

Galeria Estação

Rua Ferreira de Araujo 625 Pinheiros SP 05428001

Fone 11 3813 725

exposição até 06 de novembro

Círio de Belém – a luz de um povo que clama – Salve Nazaré

“Ó Virgem mãe amorosa
Fonte de amor e de fé
Dai-nos a bênção bondosa
Senhora de Nazaré”

 

DEscrição da Imagem: Fiéis demonstrando em suas faces a força e emoção ao segurarem a corda. Foto Breno Pack

 

Todo segundo domingo de Outubro em Belém do Pará há mais de dois séculos, o Círio de Nazaré é celebrado representando uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Reúne, cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital do Estado do Pará, num espetáculo grandioso em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus.
A Procissão sai da Catedral de Belém e segue até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da Virgem fica exposta para veneração dos fiéis durante 15 dias.

Na procissão, a Berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré é seguida por romeiros de Belém, do interior do Estado, de várias regiões do país e até do exterior. Em todo o percurso, os fiéis fazem manifestações de fé, enfeitam ruas e casas em homenagem à Santa.

Por seu reconhecimento com importante movimento cultural brasileiro, o Círio de Belém foi registrado, em setembro de 2004, pelo Iphan, como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.

Além da procissão de domingo, o Círio agrega várias outras manifestações de devoção, como a trasladação, a romaria fluvial e diversas outras peregrinações e romarias que ocorrem na quadra Nazarena.

O que quer dizer Círio?

“Acende-se um círio pra sair da escuridão”. O  termo “Círio” tem origem na palavra latina “cereus” (de cera), que significa vela grande de cera.

Descrição da Imagem: detalhe de uma vela "Círio" na mão de um romeiro envolto em uma garrafa Pet. Foto Breno Pack

 

História

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361, tendo sido esculpida por São José. Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.

No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela.

Em 1792, o Vaticano autorizou a realização de uma procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará. Organizado pelo presidente da Província do Pará, capitão-mor Dom Francisco de Souza Coutinho, o primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro. Mas, a partir de 1901, por determinação do bispo Dom Francisco do Rêgo Maia, a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro.

Tradicionalmente, a imagem é levada da Catedral de Belém à Basílica Santuário. Ao longo dos anos, houve adaptações. Uma delas ocorreu em 1853, quando, por conta de uma chuva torrencial, a procissão – que ocorria à tarde – passou a ser realizada pela manhã

Berlinda

A berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré na procissão do Círio já é a quinta da história. Confeccionada em 1964 pelo escultor João Pinto, ela tem estilo barroco e é esculpida em cedro vermelho. Na parte interna possui cetim drapeado no teto e pingentes de cristal. Ao centro tem um dispositivo próprio para fixação da Imagem. Ornamentada com flores naturais na véspera do Círio, a Berlinda é colocada sobre um carro com pneus, que na procissão é puxado pela corda conduzida pelos devotos.

Descrição da imagem: Berlinda carregada por fiéis, totalmente enfeitada com flores e franjas. Foto Breno Pack

História da Berlinda – A berlinda começou a fazer parte do Círio a partir de 1855, em substituição a uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois, chamada de palanquim. Neste mesmo ano, com a necessidade da Berlinda ser puxada pelos fiéis para vencer um atoleiro, os animais foram substituídos por uma corda, que foi emprestada às pressas por um comerciante e que, depois, foi incorporada à tradição do Círio. Mesmo com a introdução da berlinda, foi mantido o costume da imagem ser carregada no colo de autoridades da Igreja. Mas, em 1880, o Bispo Dom Macedo Costa mandou fazer uma berlinda que levasse a imagem sozinha. Em 1926, a berlinda foi transformada em andor e assim saiu até o Círio de 1930. No ano seguinte, ela voltou ao seu formato original, sendo puxada pelos fiéis através da corda.

A Corda

A corda puxada pelos promesseiros é um dos maiores ícones da grande procissão do Círio e, também, da Trasladação. Hoje, ela tem 400 metros de comprimento, duas polegadas de diâmetro e é produzida em titan torcido de sisal oleado.

Descrição da Imagem: mãos segurando a corda com muita força - foto: Breno Pack

Enfileirados, homens e mulheres puxam a corda que faz a berlinda com a imagem da Santa se movimentar. Anteriormente amarrada à berlinda, a partir de 1999 ela passou a ser atrelada através de uma argola metálica. O atrelamento ocorre no Boulervard Castilhos França, 400 metros depois do início da procissão.

Como são os promesseiros da corda que dão ritmo à procissão, em alguns anos ela precisou ser desatrelada antes do término da romaria para que o Círio pudesse seguir mais rapidamente.

Até 2003, o formato da corda era de “U”, ou seja, as duas extremidades da corda eram atreladas à berlinda. A partir de 2004, por motivos de segurança, ganhou formato linear, seccionada por peças de duralumínio, o que deu origem às chamadas estações da corda.

História da Corda – Durante a procissão de 1855, quando a berlinda ficou atolada por conta de uma grande chuva, a Diretoria da Festa teve a idéia de arranjar uma grande corda, emprestada às pressas de um comerciante, para que os fiéis puxassem a berlinda. A partir daí, os organizadores do Círio começaram a se prevenir, levando sempre uma corda durante a romaria. Mas só no ano de 1885, a corda foi oficializada no Círio, substituindo definitivamente os animais que puxavam a berlinda.

No Círio de 1926, o arcebispo Dom Irineu Jofilly suprimiu a corda do Círio, já que “não compreendia o comportamento na corda, onde homens e mulheres se empurravam em atitudes nada devotas”. A proibição gerou várias manifestações populares e políticas, mas chegou a durar cinco anos. Só em 1931, com intervenção pessoal de Magalhães Barata, então governador do Estado, a corda voltou a fazer parte do Círio

A Arte do Meriti

A arte se une a fé, dando um tom colorido e especial a Festa do Círio. Antes, os brinquedos de miriti eram vistos apenas no meio da procissão, balançando nas girândolas, agora têm exposição com lugar marcado: o Largo do Marco, no bairro da Cidade Velha. Feitos do miriti, palmeira tipicamente amazônica da região da várzea, vêm do outro lado da Baía do Guajará, do município de Abaetetuba, onde a matéria-prima dos brinquedos é farta. Dos galhos e caule do miritizeiro, as mãos dos artesãos formam cobras, tatus, barquinhos, pássaros, personagens que fazem parte do cotidiano do ribeirinho da Amazônia, pintados com as cores fortes da região.

DEscrição da Imagem: vendedor ambulante, eleva com um bastão, os barquinhos coloridos feitos de meriti no meio da procissão. Foto Breno Pack

Mas a tradição vem se modernizando. Das cobras e barcos, derivam foguetes, carros de corrida, personagens e heróis das histórias em quadrinhos e até disco voador para fazer páreo com tatus e pássaros da região. Modernidade à parte, eles são souvenir obrigatórios e indispensáveis durante a quadra nazarena.

O Manto

A história do manto se confunde com a procedência da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré. Reza a lenda que a Santa, quando achada pelo caboclo Plácido, em 1700, já estava com um manto. A tradição, então, foi se mantendo.

Descrição da imagem: pequena santa exibe o manto ricamente bordado. Foto Breno Pack

Em 1953, a imagem autêntica recebeu um manto bordado a ouro e pedras preciosas. Os primeiros mantos foram confeccionados pela irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant’Ana, do Colégio Gentil. Ela fez desse feito uma devoção e o manteve até 1973, ano em que morreu.

A partir de então, a nobre tarefa passou a ser da ex-aluna e ajudante, Esther Paes França, que ficou encarregada de confeccionar o manto até 1992. De lá pra cá, o manto não ficou mais a cargo de uma pessoa apenas. Católicos da comunidade e estilistas de renome passaram a participar, também, da arte de confeccionar um dos maiores símbolos do Círio.

Fontes:

Site Oficial do Círio

Site CNFCP

Diário do Pará

Imagens:

Veja o álbum de fotos de Breno Peck, este paraense apaixonado por sua Belém do Pará, e com suas belíssimas e sensíveis fotos que ilustram esta matéria.

Flickr de Breno Peck

Descrição da imagem: Romeiro sem camisa com a imagem da santa pintada no peito.

Cosme Damião ou Ibêji… salvem as crianças.

A crença popular, os fiéis da Umbanda, da Igreja Católica e do Candomblé, acreditam que dar doces, praticar a caridade com boa vontade, deixar uma criança ou sete crianças  felizes, presenteadas com brinquedos,  doces, bolo ou apenas um belo abraço acompanhado de um beijo carinhoso e verdadeiro, opera milagres,  nesta época que vai do dia 27 de Setembro – Dia de S. Cosme e São Damião/Ibejada, até dia 12 de Outubro Dia das Crianças.

Descrição da Imagem: Imagem mais popular de Cosme e Damião dois gêmeos jovens vestidos com túnicas verde e vermelhas com uma pena e um pote nas mãos. a Imagem está toda cercada de doces coloridos.

Segundo a lenda Católica os irmãos Gêmeos Cosme e Damião foram médicos e exerciam a sua profissão sem cobrar nada em troca, atendiam pessoas pobres, doentes do corpo ou da alma, utilizando palavras mágicas e conseguindo cura-las.

No Brasil, nesta época, milhares de pessoas se mobilizam em prol da doação ás crianças, desfazendo as diferenças religiosas e unindo os grupos mostrando como somos um povo misturado em nossas crenças.

Quem são os Ibêji?

Nas religiões afro-Brasileiras, Ibêji é formado por duas entidades distintas e indica a contradição, os opostos que coexistem. Por ser criança, é associado a tudo que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano.

As pessoas do candomblé freqüentemente temem Ibêji. Poderoso como todo orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências imprevistas. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiel às pessoas que conquistam sua confiança.

No dia de Ibêji, 27 de setembro (o mesmo de São Cosme e São Damião, com os quais é sincretizado), é costume as casas de culto abrirem as portas e oferecer mesas fartas de doces e comidas para crianças, elevadas à condição de representantes do orixá na terra. Qualquer participação de Ibêji em cerimônias dá um toque alegre e inconseqüente a ela, sendo freqüente que as comidas ritualísticas a ele oferecidas recebam enfeites como fitas de cetim em cores vivas.

Descrição da Imagem: representação dos Ibêji em desenho como dois meninos de etinia negra, com saiotes vermelhos e calça verde (mesmas cores de Cosme e Damião), estão descalços e carregam uma planta chamada espada de Ogum (orixá sincretizado com São Jorge).

A Ibêji se oferecem prendas de todas as cores e as roupas de seus filhos, em cerimônia, são multicoloridas. São homenageados aos domingos, recebendo como comidas rituais doces, bolinhos, balas, caruru de quiabos e vatapá. A ele são sacrificados frangos e frangas de leite. A saudação ao Ibêji é “Bejé ó ró! La ô!”

Doum – mas não eram dois Gêmeos?

É dito que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum os outros dois irmãos se tornaram determinados em aprender e praticar a medicina para curar a todas as crianças, sempre de forma gratuita. Na Umbanda não podemos esquecer de oferecer também para Doum, porque senão ele faz uma tremenda bagunça podendo causar estragos na sua comemoração. Ele é a representação daquelas crianças que morreram ainda bebês. Não devendo nunca cair em nosso esquecimento.

Descrição da imagem: estátua em gesso onde aparece o terceiro irmão Doum no meio dos gêmeos.

Históricamente quem foram os irmãos Cosme e Damião antes de se tornarem Santos?

Há relatos que atestam serem originários da Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.

Estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder”.

Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.

Descrição da Imagem: Santos Cosme e Damião realizando um transplante de perna, afresco (pintura) do artista Fra Angelico

Conta-se que eram sempre confiantes em Deus, que oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de “santos pobres”. A partir do século V os milagres de cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões.

Os gêmeos Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano (O mesmo imperador miserável que também  torturou e decaptou S. Jorge),  foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.

Descrição da Imagem:Afresco (pintura) autoria de Fra Angelico que mostra, com cores bem fortes e expressões marcantes, os  irmãos  Acta e Passio e mais dois não identificados com as cabeças decaptadas por um soldado portando uma espada, por ordem de Dioclesiano, diante de uma atenta platéia. Interessante é que os quatro martirizados tem uma auréola em torno das cabeças cortadas.

Foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS – Cosme e Damião.

Fontes:

Wilipedia