Monteiro LObato – Um ilustre brasileiro

O Celophane Cultural Inaugura a sessão: Ilustres Brasileiros, trazendo personalidades da nossa cultura.

Dia 18 de Abril é aniversário de um  grande brasileiro: Monteiro Lobato, o criador de um mundo paralelo que mescla fantasia e realidade, mitos, causos e lendas. Atraiu e atrai gerações se tornando o inventor da literatura infanto Juvenil Brasileira.

“Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena – e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou pelo menos instantes da vida desse povo.”    Monteiro LObato

Para homenagear este ilustre brasileiro que conquistou e conquista até hoje adeptos no Brasil e no mundo, 18 de Abril tornou-se o Dia nacional do Livro Infantil e a semana em torno desta data foi oficialmente incluída no calendário oficial das cidades de São Paulo e Taubaté, cidade natal de Lobato e onde fica o Museu de Monteiro Lobato, mais precisamente o Sítio do Pica-pau Amarelo.

Escrever era uma paixão antiga, exercida no início por prazer, nas horas vagas. Mais adiante esta se tornaria a profissão do autor Brasileiro nascido em 1882, mais conhecido na infância como Juca. Monteiro Lobato publicou seus primeiros artigos e contos voltados á causa política, porem foi à literatura  infantil que dedicou grande parte da sua vida.

Foto de Monteiro Lobato - fonte: pesquisa da Cia. Teatro da Conspiração para o espetáculo Menino JUca a Infancia de Monteiro Lobato

Foto de Monteiro Lobato - fonte: pesquisa da Cia. Teatro da Conspiração para o espetáculo Menino JUca a Infancia de Monteiro Lobato

 

Obrigado por seu avô formou-se advogado mas o seu desejo compulsivo de se comunicar com as pessoas o levou ao jornalismo. Nos veículos em que trabalhou, entre eles o jornal O Estado de São Paulo empregou a polêmica e a incitação ao diálogo, que mais tarde se tornaria sua marca registrada.

O Jovem Monteiro LObato - fonte: http://www.belleliteratura.blogspot.com/

Um dos trabalhos jornalísticos mais importantes foi sobre o Saci Pererê, onde o jornalista fez um inquérito, no Estadinho, edição vespertina de O Estado de São Paulo, com as opiniões e histórias dos leitores sobre o danado do diabrete de uma perna só. Com o material recolhido, editou o livro: O Saci – resultado de um inquérito.

LObato na redação da REvista dos Brasileiros - http://monteirolobato.wordpress.com/biografia/

“Em 1917 Monteiro Lobato publicou em São Paulo, O saci pererê, resultado de um inquérito. O inquérito fora feito no estado de São Paulo. Depoimentos inúmeros evocaram o saci unípede, pretinho, com um só olho, atrapalhando todas as coisas vivas, assobiando e assombrando. Um traço característico era a carapuça vermelha que o usa o saci no cimo da cabecinha inquieta. Essa carapuça é encantada. Faz o saci ficar invisível. Todas as “forças” vêm desse barrete. Quem lho arrebatar terá direitos completos sobre o negrinho poderoso. Poderá exigir o que quiser. O saci dará riquezas, poderios, grandezas, para que lhe restituam a carapuça. O sr. Luís Fleury, de Sorocaba, prestou depoimento dessas tradições. Narrou que o saci fizera aparecer um monte de moedas de ouro para receber seu barretinho. O ouro sumiu-se porque o viajante esquecera de benzê-lo (Inquéritos, 180).”

Câmara Cascudo

Leia mais:

Revista Jangada Brasil

Ensaios Cordialmente Literários

Matéria: Celophane Cultural – O Nosso “Raloin” é Caipira – dia 31 de Outubro é dia do SACI

Em 1918 Lobato escreve “O Saci”:

Escrito em 1918, este livro não foi incluído por Monteiro Lobato em suas “Obras Completas” publicadas em 1946. Como se tratava de uma pesquisa de opinião feita com material de terceiros, ele preferiu omitir seu nome, mantendo apenas as iniciais M.L. em uma das páginas.

Capa do livro o Saci

Apesar disso, pode ser considerado o primeiro livro do escritor, precedendo “Urupês”, tido como sua estréia literária. Inédita sondagem antropológica constitui também o ponto de partida da sua bem-sucedida carreira de editor. Sela, ainda, o início de uma produtiva “parceria” com o nosso duende genuinamente nacional, e cuja versão infantil intitulada “O Saci”, sairia em abril de 1921, logo após ” A menina de nariz arrebitado” de 1920.

Lobato recria a personagem, suavizando a cruel e demoníaca imagem traçada pelo Inquérito. O saci aparece então com estatura de criança e atitudes brincalhonas, travessas.

O Saci desenhado a nanquim por Monteiro Lobato com traços menos agressivos.

O processo de suavização da imagem do Saci-Pererê é iniciado por Monteiro Lobato no desenho a nanquim de sua autoria que retrata o capetinha numa versão de criança, sem chifres, sem o porrete e com expressão observadora, desconfiada. Não tem mais aquela aparência cruel ou ameaçadora. O pitinho permanece, e os pés adquirem o formato humano.

A história narra desde a chegada de Pedrinho ao sítio, para passar as férias, seu encontro e aventuras com o Saci, até o encantamento de Narizinho, convertida em pedra pela Cuca, e o seu posterior desencantamento. Todos os episódios são mesclados pelo surgir de outros mitos folclóricos, acompanhados da respectiva explicação, muitas vezes pormenorizada pelo próprio Saci, que ocupa o papel de regente principal dos acontecimentos e de herói.

Fontes:

Texto de Márcia Camargo e Wladimir Sachetta, in “Editora Globo”

Fantastipédia – O Saci

A Exposição no Museu Monteiro Lobato: Vamos caçar o SAci?

O Livro vira uma simpática exposição em Taubaté no Museu Monteiro Lobato que preparou várias atividades para a semana MOnteiro Lobato.

Boneca Emilia - Exposição "Vamos caçar o Saci? - Foto Jefferson Duarte

Assombração - Exposição: Vamos caçar o Saci? - foto Jefferson Duarte

Cantinho do Lobato- Exposição: Vamos caçar o Saci? - foto Jefferson Duarte

As Ilustrações de Fábio Scarenzi compondo o cenário: Exposição: Vamos caçar o saci? - foto jefferson Duarte

Vejam mais Fotos da Exposição:  Flickr Jeffcelophane

Reportagem sobre a semana MOnteiro Lobato: Matéria na TV Local

Museu Monteiro Lobato – O Museu

Ficha técnica

Pesquisa: Maria Cristina Lopes e Francine Patrick Lobato

nuhy

Expografia: Jefferson Duarte

Montagem: Candotti Cenografia.

REalização: SISEM / Goevrno do Estado de SP/ Museu MOnteiro LObato / Prefeitura de Taubaté

Produção: ACAM Portinari

Fotos: Jefferson Duarte

Veja também a programação Biblioteca Monteiro LObato – SP – Programação

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O Bonde do Getulio não vai mais sair dos trilhos

O Celophane Cultural sobe, de bonde, o morro de Santa Tereza a fim de visitar um ponto turístico do Rio de Janeiro o “Bonde do Getúlio”.

Lá trabalha o artesão Getulio Damano reconhecido artista popular que recebeu uma ordem  da Prefeitura para tirar o seu inusitado Bonde Oficina das ruas. A mobilização popular, os amigos de Getulio que enviaram mails, Artistas de rua, blogueiros e o Facebook intercederam na decisão e hoje ele e seu Bonde estão devidamente seguros.

A ordem de desocupação da Prefeitura - foto Bia Hetzel

Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado

Getúlio Damado, mineiro de descendência italiana, acredita que de sua família materna de oleiros e marceneiros, herdou seu dom de artesão, escolheu o bairro de Santa Teresa para estabelecer a sua banca- oficina de conserto de panelas.

Getulio em frente ao seu Bonde/oficina - foto de Bia Hetzel

De seu posto, via passar o bonde, ladeira acima, ladeira abaixo, observando-o em câmera lenta, de frente e de costas, vazio nas horas prioritariamente domésticas, lotado pela manhã, na hora do almoço e no final da tarde. A imagem dos bondinhos amarelos com corações vermelhos, Getúlio deseja reproduzi-los.

Os bondinhos feitos de resíduos sólidos á venda - foto Sérgio Araujo Pereira

Considerando-se péssimo desenhista decide construí-lo em sucata, brinquedo ou enfeite, meio de transporte, em escala reduzida, para seus sonhos, para sua carreira artística. Entre a colocação da alça numa chaleira e o conserto do fundo de uma panela, o primeiro bonde sai rústico, algumas tentativas adiante, seus bondes passam a despertar a atenção dos moradores, e Getúlio começa a receber propostas de compra. Foi o quanto bastou para ele liberar de vez o artista que aguardava para ganhar mundo.

Os bondes de Santa Tereza são pintados de amarelo com corações vermelhos - Foto Sérgio Araujo Pereira

Com a prática, Getúlio passou a experimentar escalas maiores, mas pequenos ou grandes, são sempre feitos com aproveitamento de material que encontra pelas ruas, caixotes, sobras várias que os amigos levam até sua banca, brinquedos, objetos e guarda-chuvas quebrados, em fim, sucata. Comprados, mesmo, só tinta e pregos.Getúlio ampliou sua a produção: carros, caminhões, casinhas mobiliadas de boneca começaram a aparecer, além dos bonecos, todos batizados segundo sua inspiração ao término da confecção.

O Bonde Oficina de Getulio - foto de Sérgio Araujo Pereira

Por essas figuras, que muitas vezes coloca nos estribos dos bondes, ele tem um carinho especial, admirando-lhes a utilidade, pois usa os bonecos também como sinaleiros, idéia que lhe ocorreu por acaso. Na banca de Getúlio, encostada em uma árvore, na rua Leopoldo Fróes, uma ladeira, paralela à Almirante Alexandrino, fica seu material e instrumental de trabalho, composto tanto de ferramentas usuais, como alicate, martelo, tesoura de cortar folha-de-flandres , quanto outras, improvisadas, como um pedaço de trilho de bonde para bater ferro, uma engenhoca para funilaria, facas velhas, facões entre outras ferramentas inventadas.

A decoração do bonde com personagens feitos de sucata - Foto: SErgio Araujo Pereira

Getúlio, nos seus 50 e poucos anos orgulha-se de ter feito com amor, tudo o que lhe foi possível; e confia nos valores e padrões que ainda repassa aos filhos. Artisticamente sente-se realizado, embora em processo contínuo de aperfeiçoamento e busca de complementação de sua obra.

(Texto extraído da publicação do Museu do Folclore Edison Carneiro, ano 2000.”Veja, Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado”)

TORRES, Maria Helena (pesquisa e texto). VEJA, ilustre passageiro: bondes de Getúlio Damado. Rio de Janeiro: FUNARTE/CNFCP, 2000

Bonde que faz parte do acervo do Museu do Folclore Edson Cordeiro

Saiba mais: Eletrificação dos bondes de Santa Teresa

O bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil. Seus serviços nunca foram interrompidos, apesar de grande pressão nesse sentido ao longo de muitas décadas. A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896, sendo um dos feitos mais notáveis o aproveitamento do antigo aqueoduto colonial como via de acesso ao bairro. O aqueoduto – conhecido atualmente como “Os Arcos da Lapa” – também é responsável pela bitola especial dos bondes de S. Teresa: 1,10m.

Arqueduto de Santa Tereza ou os arcos da lapa - fonte: O Rio de Antigamente

Fonte: O Rio de antigamente

A sustentabilidade nas obras do Getulio

Falando de sustentabilidade: os bondes são feitos de material reciclável, caixas de madeira, plásticos, metais, transformando lixo em arte. Por meio do seu trabalho artístico Getulio gostaria de provocar uma melhoria no despejo de resíduos sólidos na sua comunidade e uma maior preservação aos bondes de Santa Teresa que deveriam se tornar patrimônio hsitórico.

Informações coletadas pela Associação Santa Sucata Projetos Culturais e Sócio-ambientais.

Vejam o ensaio fotográfico completo: Sergio Araújo Pereira

Vejam também as fotos de Bia Hetzel que denunciou pelo Facebook o que estava acontecendo

Assistam ao exelente Vídeo “Ordem Urbana” – Por Leonardo Holanda


Video filmado no Dia em que o Artista Getulio conseguiu a liberação para permanecer em seu bonde – Bonzolandia.

Adorável depoimento sobre o Mestre Messias. Filmagem Viviane Rangel. Reparem a devoção de getulio em São Jorge vestindo uma camiseta com a imagem do Santo Guerreiro.


Ontem dia 09 a Prefeitura enviou uma carta a Getulio avisando que ele não será mais despejado o a saga do “Bonde do Getulio” contra o “Dragão da Maldade” chega ao final. Segundo Bia Hetzel “ele está mais feliz do que quando o Brasil ganhou uam copa do mundo.”

O "Nada a opor" entregue pela prefeitura do Rio ao querido artista Getulio: Fonte Bia Hetzel

UM abraço cultural Getulio.

O agradecimento do Mestre Getulio - Foto Bia Hetzel


A religiosidade popular em debate e a fé em “Jorge”

O Celophane Cultural iniciando uma série de matérias sobre  o – Venerado Guerreiro: São Jorge – divulga um evento que está acontecendo na UERJ com uma exposição bem bacana sobre o amado “Jorge”

O Departamento Cultural da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realiza a Semana de Cultura Popular que acontece de de 4 a 7 de abril, em sua  12ª edição.

O evento tem como objetivo apresentar trabalhos relacionados à cultura popular e debates sobre o assunto, explorando o tema central desta edição: religiosidade popular. A exposição“Jorge”, em homenagem a São Jorge, abre a semana, no dia 4 de abril, segunda-feira, às 18h30, na galeria Cândido Portinari da universidade. Na mostra, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de artistas populares que veem o santo como fonte de inspiração também serão expostas no espaço da galeria.

Já nos dias 5, 6 e 7 de abril, a Semana de Cultura Popular 2011 terá mesas-redondas com convidados de diversas instituições debatendo assuntos  pertinentes à cultura popular.

No dia 5, das 9h às 12h, haverá a mesa-redonda “Mestiçagens e novos saberes: reflexões sobre o mundo religioso”, com Zeca Ligeiro (UNIRIO), Alberto Ikeda (UNESP) e Aureanice Corrêa (UERJ) – mediadora. Das 19h às 21h, “Arte e religião: objetos sagrados de produção popular”, com Andréa Paiva (Antropóloga), Tadeu Mourão (UFRJ) e Isabela.

No dia 6, das 9h às 12h, o tema “Formas contemporâneas de religiosidade popular” será debatido por Cristiane Carvalho (Igreja Contemporânea), Maria Clara Rebel (UNESA) e Gustavo Corrêa (UERJ) – mediador. Das 19h às 21h30, “O saber do viver: reflexões de uma prática” terá a participação de Vanor Correia (Fotógrafo), Maritônio (Artista Popular), Eurico Ramos (Babalorixá da nação Ketu) e Cáscia Frade (UERJ)  – mediadora.

No dia 7, das 18h às 20h, haverá a exibição do documentário “Fé”, seguido de debate com o Padre Sérgio, na Midiateca Arte e Cultura (Centro Cultural da UERJ).

Exposição “Jorge”

Em homenagem ao São Jorge, um dos santos mais populares do Rio de Janeiro, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de diversos artistas populares inspiradas no santo estarão expostas na galeria.

A popularidade de São Jorge, no Rio de Janeiro e no mundo, justifica a grande mobilização de fiéis na data de comemoração do seu dia. No Rio, 23 de abril é feriado, o que contribui para que as comemorações fiquem lotadas. O santo também é padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha, e venerado em canções de Jorge Ben Jor, Caetano Veloso e Fernanda Abreu.

A lenda mais conhecida que envolve o santo, nascido na Capadócia e militar do Império Romano, conta que São Jorge enfrentou um dragão que saía das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma cidade, provocando mortes. Para não destruir a cidade, o dragão exigia que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas.  Quando a filha do Rei teve de ser oferecida como comida ao dragão, São Jorge, montado num cavalo branco e com sua espada, enfrentou o monstro, vencendo-o e libertando a cidade.

Local: Galeria Cândido Portinari
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2334-0728 / 0114
Visitação: até 20 de maio de 2011.
De: segunda a sexta, das 9h às 20h

Fontes:

rets.org.br

Uerj