O povo Makuxi, netos de Macunaíma.

O Celophane Cultural vai até Roraima visitar um “Povo Ancestral Brasileiro” que vive, e sempre viveu, em harmonia com suas tradições e com a sua terra a  Serra Raposa do Sol,  o Povo Makuxi. Mas nem sempre foi assim, estes bravos brasileiros tiveram de lutar muito pra manter esta harmonia.

Makunaimî ou Macunaima?

A 100 anos Theodor Koch-Grünberg um pesquisador e Etinólogo Alemão fez uma expedição na região amazônica onde conheceu, se encantou e divulgou para o mundo, dentre vários povos, o Povo Makuxi. Ele relatou seus feitos sua cultura, mitos e lendas na monumental obra “Vom Roraima zum Orinoco”.

Capa do livro


Além da importância dos mitos, lendas e cantos xamânicos, coletados por Koch-Grünberg, para a antropologia, sua obra também causou impactos na literatura. Os mitos transcritos pelo etnólogo alemão foram fartamente utilizados por Mário de Andrade na composição de Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), um marco do modernismo brasileiro. Muitos dos episódios protagonizados por Makunaíma, os irmãos mais velhos Ma’nápe e Zigé, pelo primeiro xamã Piaimã, pelo trapaceiro Kalawunség, pelo destemido Kone’wó e pela segunda cabeça do urubu-rei Etetó foram transpostos, por Mário de Andrade, literalmente, das narrativas Pemon registradas por Koch-Grünberg.

A etnografia da fala seria o principal propósito de Mário de Andrade em Macunaíma. “A sua rapsódia macunaímica é uma composição, como ele mesmo definiu, de incidentes expressos em locuções, fórmulas sintáticas, processos de pontuação oral e modismos característicos da fala no Brasil”. Também nesse sentido as obras de Koch-Grünberg e Mário de Andrade se encontram.

Koch-grumberg e Mayuluaypu narrando mitos - dominio público

Koch-Grunberg usou em suas expedições tecnologias inovadoras para a época, fotografando, gravando sons e filmando. Foram gravadas músicas dos índios Makuxi, Taurepang, Tukano, Desana e Yekuana. A análise das músicas e instrumentos musicais recolhidos eram feitas pelo musicólogo Erich Moritz von Hornbostel que publicou estudos detalhados do material recolhido no volume 3 de Vom Roroima zum Orinoco.

Crianças do povo Macuxi - foto: Koch Grumberg


“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma…” –

Sesc Araraquara reconstitui o nascimento da obra de Mário de Andrade:

Reprodução do quadro "Macunaima" de Aldemir Martins que fazia parte da Exposição: "Na Terra de Macunaima"


A exposição Na Terra de Macunaíma, realizada pelo Sesc Araraquara com material do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da USP, mostrou o nascimento da obra-marco da literatura modernista, Macunaíma – o Herói sem Nenhum Caráter, de 1928, escrita por Mário de Andrade. A partir do cenário em que ela foi produzida, a Chácara de Sapucaia, em Araraquara – doada à Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) –, da seleção do material do IEB e da Biblioteca Pública, cartas de Mário de Andrade enviadas a intelectuais brasileiros – como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira e o folclorista Luís da Câmara Cascudo –, e de registros das pesquisas feitas pelo escritor sobre lendas brasileiras, o evento buscou reproduzir o ambiente que originou Macunaíma. Nas vitrines o exemplar de “Vom Roraima zum Orinoco” estava em destaque como a principal obra de pesquisa.

Foto da Exposição em Araraquara - SP - Foto: Jefferson Duarte

A Curadoria foi de Curadoria: Audálio Dantas e Fernando Granato
Cenografia: Jefferson Duarte e Yara Candotti
Produção e montagem: Candotti Cenografia

A TI (Terra Indigena) Raposa do SOL

A Raposa foi identificada em 1993 pela FUNAI. Demarcada durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, foi homologada em 2005 pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva É formada por imensas planícies, semelhantes às das regiões de cerrado, e por cadeias de montanhas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

Festa da Homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Rogelio Casado

Nos limites da TI encontram-se o Monte Roraima, ponto culminante do Estado, origem de seu nome e uma das montanhas mais altas do Brasil, e o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo norte do país. Na área vivem cerca de 20 mil índios, a maioria deles da etnia macuxi.


 

Documentário inédito mostra a história, a luta, a vitória, os mitos do netos de Makunaimî

O documentário A Vitória dos Netos de Makunaimî narra a história de povos indígenas, entre eles o Macuxi, que habitam a região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Monte Roraima – RR, tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Francesa. No roteiro, a luta pela posse de terras; a importância de ter uma identidade; as lendas sobre Makunaimî, um mito indígena que inspirou o escritor Mário de Andrade.

Os Makuxi, netos de Makunaimî - Foto Divulgação

Produzido pelo Sesc SP, com direção de Marina Marcela Herrero e Ulysses Fernandes, “o documentário mostra os índios como protagonistas de sua própria história e resgata culturalmente essa história que sempre lhes foram negada”, explica Marina. A diretora ainda ressalta a importância dessa produção para o povo indígena. “Os índios não mantêm a tradição da escrita e ter um registro audiovisual é um patrimônio para eles”.

Os Makuxi e ao fundo a serra - foto: Clayton de Souza/AE

Marina conta que a ideia de produzir o documentário surgiu na época da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Supremo Tribunal Federal. “Das muitas notícias que saíram sobre a posse da terra, as falas eram de generais, indigenistas, antropólogos, políticos, funcionários da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), entre outros. Faltava dar voz aos índios”, esclarece. A produção do documentário aconteceu depois da homologação da terra e do término no conflito.

Os Makuxi em Brasilia aguardando a decisão de homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Michael Melo

“A Vitória dos Netos de Makunaimî” registra a vida na Maturuca, uma aldeia onde, há 34 anos, os índios assumiram o compromisso de lutar pela sua terra.  Divido em três blocos, o documentário relata, no primeiro, o contato dos índios com o não índio; e a luta pela terra, que durou três décadas até a homologação. Mostra um malocão onde os povos indígenas de Roraima se reúnem para discutir e resolver problemas; as feiras que os índios promovem para troca de produtos; e a festa da vitória, comemorando a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, reunindo diversas aldeias com muita dança, canto e comida.

Outro tema é Makunaimî – uma figura tida como sagrada pelos indígenas, que se consideram netos e filhos desse personagem – e revela lendas em torno desse mito.

"O Nascimento de Macunaima - Carybé

Segundo essas fábulas, Makunaimî possuía poderes, como o de criar rios e lagos.  Também são contemplados neste bloco os desenhos deixados pelo mito em pedras por onde passava e as crenças que são transmitidas de pai para filho sobre essas pedras.

Banda Caxiri na Cuia

A miscigenação com migrantes nordestinos na época da Borracha levou para a região Amazônica a forte cultura musicalNordestina, criando o chamado forró indígena que ajudou muito a divulgar a causa indígena nas capitais e na mídia.

O forró indígena, mescla ritmos como forró, xote, baião, frevo e maracatu. Os índios levam a realidade que vivem para as letras das músicas, uma forma de se comunicar com os não índios.

Desta mistura nasceu o Caxiri na Cuia um grupo de forró indígena 100% Makuxi.

O produtor musical Marcos Wesley produziu CD Caxiri na Cuia, o Forró da Maloca, que ganhou o Prêmio Culturas Indígenas 2006 – promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura – SID/Minc, em parceria com a Associação Guarani Tenonde Porã e o Sesc SP.

Encontro da Diversidade Cultural

Publicação, que vem em uma edição trilingue, traz 30 mitos do povo nas línguas makuxi, português e inglês é lançado em Roraima

A Igreja de Roraima (RR), comprometida há décadas com a causa indígena, dá agora mais um passo significativo no trabalho de revitalização das línguas indígenas com o lançamento do livro “Onças, Antas e Raposas”, do padre canadense radicado no Brasil, Ronaldo Mac Donnell.

Macuxi confeccionando cestaria na Maloca do Congresso. Foto: Vincent Carelli, 1986.

O livro é uma edição trilingue – em Makuxi, Português e Inglês, de 30 mitos do povo Makuxi coletados pelo monge beneditino dom Alcuino Meyer, entre os anos 1926 e 1948. Esses mitos encontravam-se no acervo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, e foram pesquisados pelo organizador da obra, padre Ronaldo Mac Donnell, missionário do Instituto Scarboro, doutor em linguística e assessor linguístico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Regional Norte1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima).

A revitalização das línguas indígenas faz parte da orientação de valorizar as culturas autóctones (da região) e avançar a causa de uma evangelização inculturada.

Ipaty: O Curumim da SElva

O  livro de Ely Macuxi, descendente do povo indígena Macuxi, narra as aventuras do curumim Ipaty, uma série de episódios típicos do cotidiano daquela região serrana, entre o cerrado e a floresta, às margens das àguas transparentes e refrescantes.

Ilustração do Livro "Ipaty - O Curumim da Selva" - Mauricio Negro

Onde é tão quente no verão que, segundo o autor, as aves voam só com uma asa enquanto se abanam com a outra!

Fontes:

Blog da Tereza Surita: História: os estudos de Koch-Grunberg na Amazônia

Com Ciência – SBPC | Labor – Do Roraima ao Orinoco

Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi – Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg

Sesc TV – A Vitória dos Netos de makunaimî

Blog Aurora de Cinema: Povos indígenas de Roraima no SESC TV

CIMI – Lançamento do LIvro

Ilustrações: Mauricio Negro.Ipaty o Curumim da Selva

Flickr de Michael Melo – Raposa Serra do Sol

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