A arte sacra popular invade o museu erudito.

Uma Exposição inédita: O Museu de Arte Sacra de São Paulo pela primeira vez abre suas portas para a Arte Popular, um marco no respeito e valorização desta tão rica representação da religiosidade de um povo. A parceria é da Curadora Edna Matosinho de Pontes da respeitada Galeria Pontes.

Obra de Dalton Costa - Foto Divulgação

O Contraponto do Despojamento

Esta é a primeira vez que o Museu de Arte Sacra abre as suas portas para uma exposição de arte popular. Isto é muito significativo pelo reconhecimento da sua importância. Ela não é, como alguns pensam, uma arte menor. Apenas se exprime através de diferentes vias, tem um caminho próprio.

Convite para a EXposição - (Divulgação)

A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo. Através da sua fantasia o artista reinventa a realidade, estabelecendo intima relação entre o real e o simbólico. Ao contrário da arte erudita a arte popular é uma produção espontânea, na qual não sobra espaço para a educação formal ou acadêmica. Quando algum tipo de transmissão de conhecimento existe, ocorre no máximo informalmente com outro artista/ artesão que funciona como iniciador. Na arte popular há muito mais espaço para a inventividade e para o saber fazer pessoal do que na arte erudita.

Escultura do pernambucano José Bezerra (Foto: Divulgação)

A imaginação é muito mais livre tanto na forma final do trabalho como nos meios que ele inventa para resolver os problemas de como fazê-lo. Como afirma J. A. Nemer “há um alto grau de desafio aos cânones tradicionais da atividade plástica” já que esses cânones são conhecidos “senão através de observação superficial”. Assim, a carência de informação aliada a uma curiosidade fértil abre caminho para a criação. No caso da arte popular de cunho sacro ela expressa, além disso, a devoção religiosa de quem produz ou de quem encomenda o objeto. Dois significativos exemplos disso são as imagens denominadas “Paulistinhas” e os “ex-votos”. Paulistinhas são imagens simples, de barro ou gesso, desenvolvidas em São Paulo no século XIX, que as pessoas do povo costumavam ter em suas casas para devoção.

A imagem da esquerda não tem autor conhecido. A da direita é do artista Bento, da Paraíba (Foto: Divulgação)

Os ex-votos são representações de partes do corpo humano – pés, mãos, cabeça, etc – usados como forma de veicular um pedido ou um agradecimento de um milagre. Outras peças que integram esta exposição tendem a exprimir de diferentes modos estas características da arte popular em geral.

Autor: Fé Córdula; Título: “Natividade”; Ano: S/d; Técnica: Óleo s/ tela. (Foto divulgação)

 

A imagem com a beleza rústica da Virgem com o coração trespassado de setas de Antonio de Dedé nos remete ao ambiente tosco que ele vive e aos poucos recursos que dispõe para criar uma figura tão encantadora como essa.

Autor: Antonio de Dede - Foto: Divulgação

Mestre Dezinho, criador do São Pedro e do São Francisco, tem o talhe na madeira elegante e inconfundível e influenciou toda uma geração de santeiros no Piauí.

Em Bento, outro escultor em madeira, vemos uma leitura bastante diferente para o seu São Francisco, assim como para a Virgem, mas igualmente bela.

A procissão de Maria do Socorro ilustra com a delicadeza da costura e do bordado uma das mais profundas tradições do nosso povo.

Obra de maria do Socorro - Foto Divulgação

Os presépios têm um inconfundível toque de brasilidade seja ele feito de barro (João das Alagoas), de madeira (Artur Pereira, Miramar e Adão) ou de pintura (Fé Córdula).

Antônio Poteiro foi um mestre na arte da modelagem do barro e na pintura. Aqui revela através da Virgem moldada no seu estilo característico e na sua forte e vibrante Última Ceia a sua devoção.

A "Visgem" de Poteiro - Foto divulgação

O grande e renomado artista José Antônio da Silva, autor desta magnífica Via Sacra, dedicou muitas de suas pinturas à Arte Sacra. O escultor Higino, nos seus anjos e na virgem policromados, faz uma interessante releitura do barroco mineiro. Tota com suas figuras de cerâmica ao mesmo tempo fortes e delicadas criou toda uma série de santos que remetem ao expressionismo.

Willi de Carvalho, o mestre das figuras em miniatura, expressa o espírito de religiosidade e poesia ao mesmo tempo. José Bezerra vive em contato com a natureza, isolado no Vale do Catimbó – PE, de onde retira a madeira para as suas esculturas. Odon Nogueira segue a tradição de Poteiro ao escolher trabalhar com cerâmica criando, porem, um estilo próprio.

Costinha segue a tradição dos escultores em madeira iniciada com Mestre Dezinho mantendo a mesma elegância no entalhe.

Autor: Costinha - Foto Divulgação

Finalmente, Naninho esculpe na madeira uma das mais lindas representações religiosas, o Espírito Santo.

Esta mostra no Museu de Arte Sacra é composta autenticas manifestações da criatividade e da religiosidade do povo brasileiro.

Texto: Edna Matosinho de Pontes Galeria Pontes – Curadora da exposição

 

Artur Pereira - Foto Divulgação


O Museu

O Museu de Arte Sacra de São Paulo está voltado à preservação, à pesquisa, e à exposição de objetos relacionados à arte sacra.
A formação do acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo teve início com Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo.

A partir de 1907, começou a recolher imagens sacras de igrejas e pequenas capelas de fazendas que sistematicamente eram demolidas após a proclamação da República e deu início ao Museu do Cabido Metropolitano de São Paulo. No final da década de 1960, um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a Mitra Arquidiocesana possibilitou a criação do Museu de Arte Sacra de São Paulo. A partir de então, iniciou-se uma política de aquisições, que resultou na ampliação significativa da coleção inicial.

Abrangendo o período que vai desde o século XVI até o XX, o acervo atual é composto por retábulos, altares, oratórios, imagens sacras, livros raros, prataria, ourivesaria, mobiliário, telas, objetos e vestimentas litúrgicas. Também inclui uma coleção de presépios com mais de 130 conjuntos produzidos com as mais diversas técnicas e oriundos de diferentes países e regiões do Brasil. O museu possui ainda uma importante coleção de numismática composta por moedas e medalhas pontifícias.

Fontes:

Galeria Pontes


Site do Museu de Artes sacra

Montagem da Exposição

Período: De 8 de junho a 7 de agosto de 2011 –

De terça a domingo, das 10 às 18 horas (bilheteria até as 17:30 horas).

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo – Av. Tiradentes, 676 – Luz – São Paulo
Telefone: (11) 5627-5393

Sugestão sustentável: Vá de Metrô – Estação Tiradentes do Metrô

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