Salve O Barco de Iemanjá Rainha de Copacabana

Nossa Srª dos Navegantes. Salve Iemanjá. Odoyá Iemanjá

Mais um fim de ano chegou e, com ele, a festa religiosa tão tradicional para fiéis de vários segmentos: Os Umbandistas e simpatizantes  realizam todos os anos o  o Barco de Iemanjá. um presente à Rainha do Mar, na Praia de Copacabana. Esta ano o barco sai com um pedido especial dos povos de terreiros um basta  à Intolerância Religiosa um pedido de Paz e respeito.

Uemanja - Foto: Dora Araujo

“O Barco de Iemanjá é uma tradição não só para umbandistas. Pessoas de várias religiões me perguntam sobre os preparativos durante todo o ano e costumam parabenizar pela beleza de todos os festejos. É um trabalho que fazemos com muita dedicação e esperamos sempre levar paz, equilíbrio e muito amor a todos, pois são princípios fundamentais da Umbanda”, declara  a presidente da Ceub, Fátima Damas.

Devoto - foto: Roberto Tumminelli

Com a chegada da imagem do orixá mais popular do Brasil a Copacabana, sacerdotes de diversas religiões declaram seus respeitos com o segmento umbandista e por que da participação na festa.

“Iemanjá também é sagrada para o Candomblé e, apesar de reverenciarmos de formas diferentes, é importante mostrarmos união com os umbandistas. O Barco de Iemanjá é acompanhado por milhares de pessoas todos os anos, faz parte da cultura brasileira.”, ressalta o babalawo e interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos.

“O cristão católico, desde o Concílio Vaticano II, é convocado, a partir da fé em Jesus Cristo, a conhecer, valorizar e afirmar os valores positivos das diversas tradições religiosas. Nessa perspectiva, encontramos em cada barco ofertado tesouros imateriais da fé, de afirmação ecológica e de diálogo sincero”, ressalta padre Gegê, da Paróquia Santa Bernadete.

Para a diretora de Diálogo Inter-religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Diane Kupermam, a participação compõe a força do trabalho pela paz entre as religiões e também se faz importante por celebrar uma entidade feminina. “Participar do Barco de Iemanjá representa, antes de mais nada, o profundo engajamento no diálogo inter-religioso que requer participação respeitosa nas celebrações religiosas de outros credos. No meu caso particular, como ativista de movimentos feministas que lutou em prol da igualdade de gêneros, e como judia liberal, que conquistou o direito de participação nos cultos e rituais judaicos antes exclusivamente masculinos, significa ainda tomar parte de uma festividade que celebra uma entidade feminina.

Iemanjá representa a maternidade, a compaixão, o amor e o perdão, mas encarna, também, o poder sobre as forças da natureza e a capacidade de domar todas as paixões.

A Iemanja do Mercadão de Madureira

Durante todo o mês de dezembro, as lojas de artigos religiosos do Mercadão de Madureira envolvidas na Festa, mantêm um barco de 1 metro de cumprimento enfeitado para Iemanjá onde os clientes e visitantes colocam pedidos e oferendas para esse Orixá.

Iemanja no Mercadão de Madureira recebendo os pedidos - Foto: Jefferson Duarte

A imagem de Iemanjá de 1,80 mt que será levada em cortejo de Madureira até a praia de Copacabana no dia 29 fica sendo exibida ao longo do mês de dezembro nos corredores do Mercadão.

No dia 29, a partir das 12 hs tem início à Festa de Iemanjá propriamente dita, com a concentração do público em frente ao Mercadão, sendo iniciados os cânticos e os toques para iemanjá e os outros orixás, realizados por Zeladores (as) de Santo e Ogans especialmente convidados pela organização do evento.

Fiéis e devotos nos corredores do Mercadão de Madureira - Foto Luiz Alberto Medeiros

Às 14 hs tem início a retirada das lojas dos barcos com as oferendas e pedidos a iemanjá, que são levadas por adeptos da religião até o caminhão especialmente preparado para levá-los até a praia de Copacabana, onde serão lançados ao mar. Essa retirada é conduzida pelos Filhos de Ghandi que, em cortejo pelos corredores do Mecadão entoam cânticos aos Orixás.

Imagem de Iemanja pronta para o cortejo até Copacabana - Foto: Luis Alberto Mediros - Site do Mercadão de Madeureira

As ambulâncias, ônibus e carros enfileirados acompanham o cortejo liderado pelo caminhão que é comboiado por batedores da Guarda Municipal e por veículos da Polícia Militar e da CET Rio.

O Comboio chega a Copacabana em frente à rua Constante Ramos, para a realização dos festejos.

No auge da festa, as areias de Copacabana ficam forradas de branco e Azul os barcos são ofertados ao mar com pedidos, presentes e muitas flores e colocados nos barcos dos pescadores que os levam para entregar à Rainha  em local longe da Costa.

O barco de Madureira chega a Copacabana Foto: Luiz Alberto Medeiros

Após o terminos dos canticos são lançados ao ar pombos brancos simbolizando a paz entre os homens e entre todas as religiões do planeta.

Iemanja Basileira

Em quase todo a costa Brasileira,Iemanja é saudada e festejada em várias épocase de diversas formas, na música, na fotografia, nas artes.

DEtalhe da Obra "O Cortejo" de Nelson Leirner

Ela é  o símbolo feminino por excelência, com toda sua complexidade e suas contradições.

Compartilhar da festa de Iemanjá  é reafirmar nosso compromisso comum – judeus, cristãos, muçulmanos, candomblecistas, umbandistas, kardecistas, ateus, e tantos outros – na construção de um mundo melhor, sem preconceitos, em que cada ser humano poderá exercer sua crença em liberdade.

Iemanja na Bahia - Foto: Pierre Verger

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
“Dois de fevereiro” – Dorival Caymmi
Odoyá Yemanjá!!!

Obra do artista: João Makray

Iemanja de Menote Cordeiro

Yemonja de Carybé do grande Mural dos Orixás em Cedro - Bahia

Yemanja - Xilogravura de J Borges

 

Yemaya- foto de Shakti Womyn

Fontes:

O Barco de Iemanjá volta a encantar Copacabana – JB

Festa de Iemanja do Mercadão de Madureira

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O Brasil é a terra do “guaraná”

Quem já me conhece a algum tempo sabe do meu “vício”, já a 25 anos de consumo ininterrupto, de um pozinho marrom que misturado com água tem um sabor adorável de terra molhada. UM sabor muito brasileiro, mais precisamente indígena. Estou falando do meu velho conhecido Guaraná e o Celophane Cultural traz a origem, a lenda e os benefícos desta cultura indígena brasileira.

“Grande será, curador dos homens!
Todos terão que recorrer a você pra acabar com as doenças, ter força na guerra, para ter força no amor. Grande será!”
Primeiro, do olho esquerdo do menino nasceu uma planta que não era forte. Era o falso guaraná, que ainda existe e os índios chamam de “uaraná-hôp”. Depois, do olho direito, nasceu o guaraná verdadeiro, que os índios chamam de “uaraná-cécé”.

lenda do Guaraná

 

Os Maué ou Mawe – os donos do Guaraná

Os maué foram os inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o homem branco.

O padre João Felipe Betendorf escreveu que “tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras”.

O guaraná é o principal produto dos maué, pois é o que obtém maior preço no mercado. O guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto os maué vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.

A Prática do Conto:

Os contos fazem parte do imaginário popular paraense. Em Belém são assimilados pelas crianças nas escolas. Mas no interior do Estado, onde o misticismo é mais arraigado, ganham força. São contados nas portas das casas, durante os encontros noturnos, e chegam a assombrar ou provocar respeito em mitos lendários.
Segundo o dicionário, conto quer dizer aquilo tudo que é colhido da boca do povo. São mitos, lendas, superstições, crendices, busões, tabus, fábulas, estórias, causos (fatos reais enfeitados pela fantasia do contador que em geral é o protagonista da façanha), provérbios, adivinhas, xingamentos, pragas e esconjuros. Os contos podem ser ainda réplicas, frases feitas (feio como a justiça em casa de pobre), travalingua (quem a paca paga, cara a cara a paca pagará) ou anedotas.

A LENDA DO GUARANÁ


Em uma aldeia dos índios Maués havia um casal, com um único filho, muito bom, alegre e saudável. Era muito querido por todos de sua aldeia, o que levava a crer que no futuro seria um grande chefe guerreiro.
Isto fez com que Jurupari, o Deus do mal, sentisse muita inveja do menino. Por isso resolveu matá-lo. Então, Jurupari transformou-se em uma enorme serpente e, enquanto o indiozinho estava distraído, colhendo frutinhas na floresta, ela atacou e matou a pobre criança.

Jurupari o Deus do Mal – Ilustração Sérgio Bastos


Seus pais, que de nada desconfiavam, esperaram em vão pela volta do indiozinho, até que o sol foi embora. Veio a noite e a lua começou a brilhar no céu,  iluminando toda a floresta. Seus pais já estavam desesperados com a demora do menino. Então toda a tribo se reuniu para procurá-lo.


Quando o encontraram morto na floresta, uma grande tristeza tomou conta da tribo. Ninguém conseguia conter as lágrimas. Neste exato momento uma grande tempestade caiu sobre a floresta e um raio veio atingir bem perto do corpo do menino.
Todos ficaram muito assustados.

A índia-mãe disse: “…É Tupã que se compadece de nós. Quer que enterremos os olhos de meu filho, para que nasça uma fruteira, que será nossa felicidade”.
Assim foi feito. Os índios plantaram os olhinhos da criança imediatamente, conforme o desejo de Tupã, o rei do trovão.

Pé de Guaraná – imagem: http://carmemdevas.arteblog.com.

Alguns dias se passaram e no local nasceu uma plantinha que os índios ainda não conheciam. Era o Guaranazeiro. É por isso que os frutos do guaraná são sementes negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante a um olho humano.

 

Mário de Andrade – Macunaima – a lenda do Guaraná:

Certo dia, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter – surpreendeu Cy dormindo na mata e tentou brincar com ela, na rede que Cy trançou com os próprios cabelos. A cunhã se defendeu violentamente, quase o matou. Os manos acudiram e, depois de uma paulada na cabeça de Cy, o herói pôde brincar com a “mãe do mato”.

Passaram a viver juntos, apaixonados. Tiveram um filho, mas o menino morreu ao mamar na mãe o leite contaminado pelo veneno da Cobra Preta. Cy dá a Macunaíma um muiraquitã de lembrança, sobe ao céu e vira estrela. No túmulo do filho nasce uma planta cujos frutinhos operam milagres. Assim Mário de Andrade (1893-1945) transplanta a lenda dos saterés-maués para sua obra-prima, Macunaíma, uma síntese dos saberes brasileiros.

Os benefícios do consumo do Guaraná.

O guaraná em pó é um produto que traz uma série de benefícios para saúde humana e atua inclusive no combate ao câncer. Várias pesquisas estão sendo feitas a cerca deste componente alimentar e os resultados impressionam até mesmo os cientistas.  Ao incluir o pó de guaraná no cardápio, as pessoas estão se prevenindo contra diversas doenças.

Pesquisadores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) comprovaram através de estudos as propriedades benéficas do guaraná, o quanto essa frutinha contribui com uma vida longa e saudável. Quem inclui esse produto natural na alimentação do dia-a-dia pode contar com substâncias antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais.

Por muito tempo o pó de guaraná foi conhecido apenas como um estimulante natural, ideal para renovar a energia e manter as pessoas acordadas por mais tempo. Contudo, pesquisas comprovam que as sementes não acabam apenas com o cansaço, mas sim resultam em outros benefícios para a vida: melhor capacidade de raciocínio, desenvolvimento psíquico, sensação de bem estar e estímulo ao trabalho muscular. Grande parte dos benefícios acontece devido à alta concentração de cafeína no guaraná.

A prevenção do câncer com guaraná em pó é uma das novidades presentes nos estudos realizados pela UFSM. As propriedades antitumorais preservam a saúde do organismo e diminuem as chances de aparecimento de tumores cancerígenos. O pó de guaraná também se revela um combatente dos males da obesidade, hipertensão, colesterol e triglicerídeos altos.

As pessoas que desejam desfrutar de longevidade devem acrescentar pequenas porções de guaraná em pó no cardápio diário. O consumo dessa substância acontece paralelo as refeições, adicionando-a aos sucos, iogurte ou outras bebidas. Segundo os pesquisadores da UFSM, os benefícios do guaraná em pó conseguem mudar o destino genético das pessoas.

A ingestão de guaraná evita distúrbios circulatórios, hemorragias ou qualquer tipo de alteração nos órgãos vitais. Contudo, o componente alimentar fabricado a partir de sementes deve ser consumido com moderação para não causar mal-estar ou até mesmo prejuízos à saúde. Já está comprovado que extrato de guaraná em excesso resulta em insônia, problemas de hipertensão e ulcera.

O uso de guaraná em pó contra o câncer já está auxiliando o tratamento da doença em todo o Brasil, sendo os resultados otimistas para a saúde dos brasileiros. A pesquisa feita com os moradores na cidade de Maués no Amazonas revelou que os consumidores de guaraná em pó vivem mais tempo e desfrutam de melhores condições de saúde. Tal hábito alimentar comprova a existência de um grande número de idosos no município.

Por isso eu recomendo Guaraná na veia é energia brasileira pura.

Fontes

Isso é Amazonia

Wikipedia

mundo das tribos

Almanaque Brasil

Saiba mais:

A Lenda do Guaraná: Mito dos índios Sateré-Maué, de Ciça Fittipaldi  (Melhoramentos, 1986).
Povos Indígenas no Brasil: www.socioambiental.org
Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade (Villa Rica, 2000)

Antonio Nóbrega – “Naturalmente” Brasileiro

“O sonho de Nóbrega, de fazer para a dança brasileira o mesmo que Villa Lobos e Radamés Gnatalli operaram para a música, não parece assim tão remoto.” escreveu Walnice Nogueira Galvão, professora titular de teoria literária e literatura comparada na Universidade de São Paulo, sobre “Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Ainda segundo Walnice, vem de longe o desejo de Nóbrega de apresentar publicamente algumas considerações que elaborou em seu percurso, sobre  as possibilidades da constituição de uma dança contemporânea de matrizes populares.

Fruto primoroso da relação de Nóbrega com a dança, Naturalmente une riqueza de informações ao refinamento artístico que faz deste espetáculo uma obra maior da arte brasileira.

Filho de médico, nascido em Recife -1952, aos 12 anos ingressou na Escola de Belas Artes do Recife. Foi aluno do violinista catalão Luís Soler e estudou canto lírico com Arlinda Rocha.

Com sua formação clássica, começou sua carreira na Orquestra de Câmara da Paraíba em João Pessoa, onde atuou até o final dos anos 60. Na mesma época participava da Orquestra Sinfônica do Recife, onde fazia também apresentações como solista.

Nóbrega com seu Violino, instrumento que quase fala em suas mãos.

Em 1971 Ariano Suassuna procurava um violinista para formar o Quinteto Armorial e, após ver Antônio Nóbrega tocando um concerto de Bach, lhe fez o convite que mudaria completamente sua carreira musical.

Quinteto Armorial por J. Borges - Xilogravura

Antônio Nóbrega, que até essa ocasião tinha pouco conhecimento da cultura popular, passou a manter contato intenso com todas suas expressões como os brincantes de caboclinho, de cavalo-marinho e tantos outros, que passou a conhecer e pesquisar.

O Dia que eu ví a LUZ deste artista:

Conheci o Nóbrega por acaso num festival de dança do Rio de Janeiro, em 1990, onde ele sozinho apresentou o solo: “Figural” naquele  imenso palco do Teatro Municipal. Um furacão que tirou o fôlego da platéia especializada e consumidora de Dança. Um espetáculo em que Nóbrega, sozinho no palco, muda de roupa e de máscaras para fazer uma das mais ricas demonstrações da cultura popular brasileira e mundial.

fotos de "Figural" Máscaras e adereços de Romero de Andrade LIma 1990

Foi paixão á primeira vista.  E acompanho sua carreira deste aquele iluminado dia.

Nóbrega revelou-se um fenômeno, ao conseguir unir a arte popular com a sofisticação. É, literalmente, um homem dos sete instrumentos, capaz de cantar e dançar.

Os Espetáculos

Seus principais espetáculos são: “Na Pancada do Ganzá”, “Madeira que Cupim não Rói”, “A Bandeira do Divino”, “Mateus Misterioso”, “Figural”,”Pernambuco falando para o Mundo”, “Marco do Meio Dia”, “Lunário Perpétuo” e “Nove de Frevereiro”

Site Oficial – Antonio Nóbrega

 

Foto por Marco Aurélio Olimpo

Entrevista muito bacana  feita ao Nóbrega por Marco Antonio Coelho e Aluísio Falcão:

Foto de Naturalmente - fonte: flickr do Festival

Defesa de uma dança brasileira

Por Tatiana Meira – Diário de Pernambuco
“Existe mesmo uma dança brasileira contemporânea, construída a partir de matrizes populares? Antonio Nóbrega tenta responder a este e outros questionamentos, convidando o público à reflexão em Naturalmente – Teoria e jogo de uma dança brasileira.

Em Naturalmente, Antonio Nóbrega – pernambucano morando em São Paulo há três décadas – intercala performances e números de dança com sua faceta de pesquisador da cultura popular, falando sobre as razões que o motivaram a tentar codificar uma linguagem brasileira de dança. Em cena, ele é acompanhado por duas bailarinas (Maria Eugênia Almeida, sua filha, e Marina Abib, que dividem com ele também as criações coreográficas) e oito músicos.

Diferentemente da música e da literatura, a preocupação com o segmento da dança é pequena. O Brasil precisa da base de uma cultura sólida para conseguir dialogar com outras culturas nesta grande roda cirandeira do mundo“, poetiza o dançarino, cantor, compositor e violinista.

Abertura do espetáculo onde nóbrega executa uma musica acompanhado de um vídeo com os diversos tipos e estilos de dança brasileiros, a matriz de onde ele absorveu seu trabalho.

As várias demonstrações das “Danças” brasileiras,  que assistimos no espetáculo, podem ser conferidos na série de 28 vídeos produziodos pelo Canal Futura.

“Viajando pelo Brasil, procurando conhecer e aprender os passos, gingados dos dançarinos populares, aprendemos que as danças circulam, e que o corpo informa sobre a vida de cada dançarino.”

Documentário produzido pelo Canal Futura, apresentado por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida . confira: “Danças Brasileiras

Como a dança seduziu o músico:

Nóbrega conta que foi seduzido para a dança aos 19 anos, quando viu um Mateus, figura do bumba-meu-boi, em ação. Desde então, passou a acompanhar vários artistas populares, como os passistas de frevo, os “dançadores” de caboclinho, os ternos de zabumba com seus volteios e passos.

“Nenhuma dança tem prevalência no espetáculo, mas não deixo de ressaltar a riqueza vocabular do frevo, que revolucionou com mais amplitude a linguagem brasileira oriunda deste universo. Faço um frevo desfrevado, que é desconstruído para ser reerguido de outra maneira”, confessa Nóbrega, ao detalhar o trabalho independente que estreou em 2009. “Um dos piores danos na nossa sofrida contemporaneidade cultural é sua folclorização. Se colocamos o frevo numa estante, com roupinha estilizada e passinhos iguais, ele se enfraquece”, exemplifica.

Numa entrevista, Ariano Suassuna, diz que quando Nóbrega  tocava no quinteto, seus pezinhos não paravam de se movimentar dançando… inquieto um verdadeiro “Brincante”.

 

Apresentação de Naturalmente no Festival Internacional de Dança no Recife

Nóbrega ganhou prêmios importantes. Em 2009 a revista Bravo! escolheu Naturalmente como o melhor espetáculo de dança produzido no Brasil na primeira década do século XXI.

Não é pouca coisa né?

 

O Documentário

Em breve teremos a grata oportunidade de assistir ao documentário dirigido por Walter Carvalho que vai receber o nome de “Brincante”, reúne referências do próprio autor.

 

Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Direção e concepção: Antonio Nóbrega

Coreografias e atuação: Antonio Nóbrega, Maria Eugenia Almeida e Marina Abib

Figurinos: Eveline Borges

Máscaras e figurinos do espetáculo Figural: Romero de Andrade Lima

O DVD de Naturalmente, dirigido por Walter Carvalho, está a venda nas lojas do SESC SP.

Livreto que acompanha do DVD:

Um abraço “Naturalmente” Brasileiro a quem passa por aqui.

Vídeo do Lunário Perpétuo:

Divididas em dois grupos: azul e encarnado, as pastoras cantam o “Natal” profano brasileiro

AUTO DA LAPINHA

O Brasil não tem a sua festa de Natal, copiamos. os pinheiros, o Noel, a neve  e os presépios. No Brasil  recriamos e adaptamos o Presépio por “lapinha” ou “Pastoril” uma tradição profana que ainda se encontra muito viva particularmente no Nordeste do Brasil.

Auto de Natal promovido por Mazé e Penha Luna, no Bairro Muriti, no município do Crato.

Câmara Cascudo ressalta, em seu Dicionário do folclore brasileiro, que, por tradição, a Sagrada Família se recolheu a uma caverna (uma lapa ou gruta), tendo lá nascido o Menino Jesus. Vem, daí, o termo lapinha. Diz o folclorista, ainda, que a lapinha é a denominação popular do PASTORIL, com a diferença de que era representada a série de pequeninos autos, diante do PRESÉPIO, sem interferência de cenas alheias ao devocionário.

Reprodução Quadro Naif de Sérgio Pompêo - As Pastorinhas: Fé, Esperança e Caridade - GO

Por lapinha, segundo Cascudo, seria denominado o pastoril que se apresentava diante dos presépios, ou seja, o grupo de pastoras que faziam as suas louvações na noite de Natal, cantando e dançando diante do presépio, divididas por dois cordões – o azul e o encarnado, as cores votivas de Nossa Senhora e de Nosso Senhor. Em outras palavras, tratava-se de uma ação teatral de tema sacro.

Estandarte - Foto: Chico Fotógrafo

Somente por volta do século XVI, ou seja, três séculos depois de ter sido criada a simbologia do presépio, é que a dramatização da Natividade, com danças e cantos, teve o seu início. Entoada diante do presépio, a lapinha, do final do século XVIII até o princípio do século XX, exibia-se diante do presépio, cantando e dançando em igrejas ou residências particulares, divididas em cordões encarnado e azul.

O desvirtuamento da lapinha acentuou-se em 1801, quando o bispo de Olinda protestou contra as pastorinhas, pela alta percentagem de mundanidade que escurecera a transparência inocente dos doces autos antigos.

Antigamente, a lapinha era também representada por um arcabouço de ripas, onde se viam entrelaçados ramos de folhagens de pitangueira e de canela, que perfumavam o ambiente, sendo enfeitadas por rosas e cravos. Na atualidade, a lapinha é o ramo profano da representação dramática da Natividade, relacionando-se mais às iniciativas leigas, por ocasião do Natal. Neste sentido, representa mais um simples teatro popular, sem as comemorações religiosas do nascimento de Jesus.

Na Idade Média, afirmava-se que Jesus havia nascido em uma lapa (uma espécie de gruta ou caverna), a morada dos primeiros homens. Por essa razão, foram criadas as lapinhas. Estas se modificaram, segundo Câmara Cascudo, perderam a religiosidade de outrora, assimilaram costumes africanos e indígenas, tornando-se um auto profano, passando a incluir danças modernas e cantos estranhos ao auto. Hoje, ressalta o folclorista, os termos lapinha e presépio são considerados como sinônimos.

Pastoril fotos: Edmar Melo - http://www.flickr.com/photos/cantodaimagem/

A lapinha, sempre da mesma forma, erguia-se nos primeiros dias de dezembro, com alguns ramos verdes e folhudos de pitombeira, pitanga ou ficus em arco sobre a mesa cujo lastro servia de chão do presépio. Um céu azul com estrelinhas douradas e brancas, anjinhos e bandeirinhas, tudo de papel, eram os enfeites da arcada. No centro do presépio, ou manjedoura, estava a Sagrada Família cercada de Reis Magos, pastores e os animais da tradição – o burro, a vaca, a ovelha e o galo. Organizado o elenco das pastoras escolhidas entre as moças de melhores vozes e ótima figura, (A Mestra e a Contra-Mestra tinham que ser as mais bonitas), iniciavam-se os ensaios dirigidos por pessoas entendidas no ritual e nas jornadas.

Repartidas em dois grupos azul e encarnado, chamados “cordões” as pastoras ostentando vestes das referidas cores, ou pelo menos brancas com enfeites coloridos, todas portavam maracás com que marcavam o ritmo das jornadas. Os maracás não eram como os dos índios que usavam cabaços secos com pedrinhas ou sementes, mas feitos de flandres em forma de pequenos pandeiros munidos de cabos, e enfeitados das cores dos cordões, por meio de laços de fitas.

Princesas da Lapinha - Foto :Osório Garcia

O elenco era assim constituído:

Cordão encarnado: Anjo – Mestra – Camponesa – Diana – Colibri.

Cordão azul: Guia – Contra-Mestra – Libertina – Borboleta – Pastorinha.

Completa o elenco a Cigana que, como o Anjo e o Guia, pertencia a ambos os partidos e, por isso, trajavam os três em duas cores em lado azul e outro encarnado.

Formando duas alas, uma puxada pelo Anjo e outra pelo Guia, com a Cigana atrás, entre as duas, as pastoras que previamente se reúnem numa sala contígua à do presépio, entram dançando nesta última quando é anunciada cada jornada, da maneira seguinte:

Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu a nossa alegria
Nasceu o verbo humanado }
Nasceu a nossa alegria } bis
Nasceu quem por nosso amor
No mundo vem padecer
Vamos já, vamos com pressa }
O Divino Infante ver. } bis
De dezembro a vinte e quatro
Meia-noite, deu sinal
Rompe a aurora, é primavera }
Hoje é noite de natal } bis
Eu vejo o mundo tão claro
Tudo cheio de alegria
É porque hoje nasceu }
Jesus filho de Maria } bis
Bate asas, canta o galo
Quando o Salvador nasceu
Cantam os anjos nas alturas }
“Gloria in excelsis Deo” } bis
Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu o Alto Criador
Nasceu o verbo encarnado }
Nasceu nosso Redentor } bis

Maurício Furtado publicado em artigo de Ademar da Nóbrega, na Revista Brasileira de Folclore (ano 13, nº 33, maio/agosto de 1972), este Auto da Lapinha é documento de grande valor para o conhecimento e estudo dos autos de Natal.

Jangada Brasil


“Tia Ciata, a Tia Bahiana mãe da batucada brasileira”

Com Tia Ciata, nasce o samba carioca

Estudiosos são unânimes ao apontar a casa da Tia Ciata como o berço do samba carioca, ainda no início do século 20. Na célebre Praça Onze, zona portuária do Rio, negros recém-chegados da Bahia batucavam no quintal da mais famosa das tias baianas. A hospitalidade dessa mulher foi a base para que grandes compositores pudessem desenvolver o ritmo carioca.

Salvador Sec. XIX

“A Abolição engrossa o fluxo de baianos para o Rio de Janeiro, liberando os que se mantinham em Salvador em virtude de laços com escravos, fundando-se praticamente uma pequena diáspora baiana na capital do país, gente que terminaria por se identificar com a nova cidade onde nascem seus descendentes, e que, naqueles tempos de transição, desempenharia notável papel na reorganização do Rio de Janeiro popular, subalterno, em volta do cais e nas velhas casas do Centro.”

Cais do Porto Rio de Janeiro Sec XIX

“O grupo baiano iria situar-se na parte da cidade onde a moradia era mais barata, na Saúde, perto do cais do porto, onde os homens, como trabalhadores braçais, buscam vagas na estiva. Com a brusca mudança no meio negro ocasionada pela Abolição, que extingue as organizações de nação ainda existentes no Rio de Janeiro, o grupo baiano seria uma nova liderança. A vivência de muitos como alforriados em Salvador ­ de onde trouxeram o aprendizado de ofícios urbanos, e às vezes algum dinheiro poupado ­, e a experiência de liderança de muitos de seus membros ­ em candomblés, irmandades, nas juntas ou na organização de grupos festeiros ­, seriam a garantia do negro no Rio de Janeiro. Com os anos, a partir deles apareceriam as novas sínteses dessa cultura negra do Rio de Janeiro, uma das principais referências civilizatórias da cultura nacional moderna.”

“Nos ranchos, cortejos de músicos e dançarinos religiosos mas pândegos e democráticos, que já anteriormente apareciam na Bahia, lutariam carnavalescamente para impor a presença do negro e suas formas de organização e expressão nas ruas da capital da República. A baiana Bebiana, irmã de santo da grande Ciata de Oxum, é figura central da primeira fase dos ranchos cariocas, ainda ligada ao ciclo do Natal, guardando em sua casa, no antigo largo de São Domingos, a lapinha, em frente à qual os cortejos iam evoluir no dia de Reis. Hilário, que se tornaria o principal criador e organizador dos ranchos da Saúde, talvez o principal responsável pelo deslocamento dos desfiles para o Carnaval, o que transformaria substancialmente suas características: a festa profana passa a sugerir um novo enfoque musical e coreográfico, se transferindo para a Cidade Nova, em torno da praça Onze, os pontos de encontro, organização e desfile dos ranchos baianos.”

“Tia Bebiana e suas irmãs-de-santo, Mônica, Carmem do Xibuca, Ciata, Perciliana, Amélia e outras, que pertenciam ao terreiro de João Alabá, formam um dos núcleos principais de organização e influência sobre a comunidade. Enquanto as classes populares, em sua maioria proletarizadas, sob a liderança inicial dos anarquistas, se organizam em sindicatos e convenções trabalhistas, grande parte do povão carioca que se desloca do cais pra Cidade Nova, pro subúrbio e pra favela, predominantemente negro e mulato, também se organiza politicamente, em seu sentido extenso, a partir dos centros religiosos e das organizações festeiras. Assim, são essas negras, que ganham respeito por suas posições centrais no terreiro e por sua participação conseqüente nas principais atividades do grupo, que garantem a permanência das tradições africanas e as possibilidades de sua revitalização na vida mais ampla da cidade.”

“A casa de João Alabá, de Omulu, dava continuidade a um candomblé nagô que havia sido iniciado na Saúde, talvez o primeiro do Rio de Janeiro, por Quimbambochê, ou Bambochê Obiticô…, africano que chega a Salvador num negreiro na metade do século XIX, junto com a avó da babalorixá Senhora, onde se torna, depois de alforriado por sua irmã de nação Marcelina, um influente babalaô.”

Terreiro Carybé

“Mas a mais famosa de todas as baianas, a mais influente, foi Hilária Batista de Almeida, Tia Ciata, relembrada em todos os relatos do surgimento do samba carioca e dos ranchos…”

Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata) nasceu em Salvador em 1854 e aos 22 anos veio para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. A casa da Tia Ciata se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro.

 

Tia Ciata e Tia Josefa - Uma das unicas fotos da mãe da batucada Brasileira

“Na sala (da casa de Tia Ciata), o baile onde se tocavam os sambas de partido entre os mais velhos, e mesmo música instrumental quando apareciam os músicos profissionais, muitos da primeira geração dos filhos dos baianos, que freqüentavam a casa. No terreiro, o samba raiado e às vezes as rodas de batuque entre os mais moços. (…) As grandes figuras do mundo musical carioca, Pixinguinha, Donga (filho de mãe baiana), João da Baiana (idem), Heitor dos Prazeres (também filho de mãe baiana), surgem ainda crianças naquelas rodas onde aprendem as tradições musicais baianas a que depois dariam uma forma nova, carioca.”

Heitor dos Prazeres retratou o inicio do Samba carioca em sua pintura dita "Naif"

Mais tarde, Tia Ciata casou-se com João Baptista da Silva, que para aquela época era um negro bem sucedido na vida. Deste casamento resultaram 14 filhos, uma relação fundamental para a sua afirmação na Pequena África, como era conhecida a área da Praça Onze nesta época. Recebia todos os finais de semana em sua casa, nos pagodes, que eram festas dançantes, regadas a música da melhor qualidade e claro seus quitutes. Partideira reconhecida, cantava com autoridade respondendo aos refrões das festas, que se arrastavam por dias. Tia Ciata cuidava para que a comida estivesse sempre quente e saborosa e o samba nunca parasse.

Donga, Pixinguinha e João da Bahiana estiveram presentes no início da Samba Caioca

Com comida boa e rodas regadas a muita música, a casa de Tia Ciata logo se tornou tradicional ponto de encontro, onde se reuniam grandes nomes, como Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô e Heitor dos Prazeres. Numa dessas rodas, Donga e Mauro de Almeida compuseram Pelo Telephone, o primeiro samba gravado na história da música brasileira.

Normalmente, a polícia perseguia estes encontros, mas Tia Ciata era famosa por seu lado curandeiro e foi justamente um investigador e chofer de polícia, conhecido como Bispo que proporcionou a ela uma interessante história envolvendo o presidente da República, Wenceslau Brás. O presidente estava adoentado em virtude de uma ferida na perna que os médicos não conseguiam curar e este investigador então disse ao então Presidente que Tia Ciata poderia curá-lo. Feito isto, foi falar com ela, dizendo:

– “Ele é um homem, um senhor do bem. Ele é o criador desse negócio da Lei de um dia não trabalha…”

E ela respondeu:

– “Quem precisa de caridade que venha cá.”

Wenceslau Brás presidente que procurou a curandeira Tia Ciata pra curar sua ferida

Ela então incorporou um Orixá que disse aos presentes haver cura para a tal ferida e recomendou a Wenceslau Brás que fizesse uma pasta feita de ervas que deveria ser colocada por três dias seguidos. O Presidente ficou bom e em troca ofereceu a realização de qualquer pedido. Tia Ciata respondeu que não precisava de nada, mas que seu marido sim, pedindo para o Presidente um trabalho no serviço público, “pois minha família é numerosa”, explicou ela.

Além dos doces, Tia Ciata alugava as roupas de baiana para os teatros para que fossem usados como figurinos de peça e para o Carnaval dos clubes. Nesta época, mesmo os homens, se vestiam com as suas fantasias, se divertindo nos blocos de rua. Com este comércio, muita gente da Zona Sul da cidade, da alta sociedade, ia à casa da baiana e passando assim a freqüentar as suas festas. Era nessas festas que Tia Ciata passou a dar consultas com seus orixás. Sua casa é uma referência na história do samba, do candomblé e da cidade.

Naquela época, os encontros de samba eram proibidos pela polícia. Mas, para as batucadas na casa de Tia Ciata, os homens da lei faziam vista grossa pela sua fama de curandeira. Segundo registros, Ciata curou uma ferida da perna do presidente Venceslau Brás, que em troca lhe atendeu ao pedido de arrumar um trabalho para o marido: um lugar no gabinete do chefe de polícia.

Roda de Samba Heitor dos Prazeres

Em 1910, morre seu marido João Baptista da Silva, mas ela já havia conquistado o seu lugar de estrela no universo do samba carioca. Era respeitada na cidade, coisa de cidadão, muito longe da realidade comum dos negros de sua época. Todo o ano, durante o Carnaval, armava uma barraca na Praça Onze, reunindo desde trabalhadores até a fina flor da malandragem. Na barraca eram lançadas as músicas, as conhecidas marchinhas, que ficariam famosas no Carnaval do Rio de Janeiro. Tia Ciata morreu em 1924, mas até hoje é parte fundamental da memória do samba. Curiosamente, existem pouquíssimas imagens de Tia Ciata.

 

 

Fontes:

DIA DO SAMBA: A LUTA DAS MULHERES DO SAMBA – Rita Diirr

https://www.facebook.com/notes/rita-diirr/dia-do-samba-a-luta-das-mulheres-do-samba/274127012633765

Trechos do livro:

“Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro”
(FUNARTE, 1983) de Roberto Moura

http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_tia_ciata.html