O Brasil é a terra do “guaraná”

Quem já me conhece a algum tempo sabe do meu “vício”, já a 25 anos de consumo ininterrupto, de um pozinho marrom que misturado com água tem um sabor adorável de terra molhada. UM sabor muito brasileiro, mais precisamente indígena. Estou falando do meu velho conhecido Guaraná e o Celophane Cultural traz a origem, a lenda e os benefícos desta cultura indígena brasileira.

“Grande será, curador dos homens!
Todos terão que recorrer a você pra acabar com as doenças, ter força na guerra, para ter força no amor. Grande será!”
Primeiro, do olho esquerdo do menino nasceu uma planta que não era forte. Era o falso guaraná, que ainda existe e os índios chamam de “uaraná-hôp”. Depois, do olho direito, nasceu o guaraná verdadeiro, que os índios chamam de “uaraná-cécé”.

lenda do Guaraná

 

Os Maué ou Mawe – os donos do Guaraná

Os maué foram os inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o homem branco.

O padre João Felipe Betendorf escreveu que “tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras”.

O guaraná é o principal produto dos maué, pois é o que obtém maior preço no mercado. O guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto os maué vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.

A Prática do Conto:

Os contos fazem parte do imaginário popular paraense. Em Belém são assimilados pelas crianças nas escolas. Mas no interior do Estado, onde o misticismo é mais arraigado, ganham força. São contados nas portas das casas, durante os encontros noturnos, e chegam a assombrar ou provocar respeito em mitos lendários.
Segundo o dicionário, conto quer dizer aquilo tudo que é colhido da boca do povo. São mitos, lendas, superstições, crendices, busões, tabus, fábulas, estórias, causos (fatos reais enfeitados pela fantasia do contador que em geral é o protagonista da façanha), provérbios, adivinhas, xingamentos, pragas e esconjuros. Os contos podem ser ainda réplicas, frases feitas (feio como a justiça em casa de pobre), travalingua (quem a paca paga, cara a cara a paca pagará) ou anedotas.

A LENDA DO GUARANÁ


Em uma aldeia dos índios Maués havia um casal, com um único filho, muito bom, alegre e saudável. Era muito querido por todos de sua aldeia, o que levava a crer que no futuro seria um grande chefe guerreiro.
Isto fez com que Jurupari, o Deus do mal, sentisse muita inveja do menino. Por isso resolveu matá-lo. Então, Jurupari transformou-se em uma enorme serpente e, enquanto o indiozinho estava distraído, colhendo frutinhas na floresta, ela atacou e matou a pobre criança.

Jurupari o Deus do Mal – Ilustração Sérgio Bastos


Seus pais, que de nada desconfiavam, esperaram em vão pela volta do indiozinho, até que o sol foi embora. Veio a noite e a lua começou a brilhar no céu,  iluminando toda a floresta. Seus pais já estavam desesperados com a demora do menino. Então toda a tribo se reuniu para procurá-lo.


Quando o encontraram morto na floresta, uma grande tristeza tomou conta da tribo. Ninguém conseguia conter as lágrimas. Neste exato momento uma grande tempestade caiu sobre a floresta e um raio veio atingir bem perto do corpo do menino.
Todos ficaram muito assustados.

A índia-mãe disse: “…É Tupã que se compadece de nós. Quer que enterremos os olhos de meu filho, para que nasça uma fruteira, que será nossa felicidade”.
Assim foi feito. Os índios plantaram os olhinhos da criança imediatamente, conforme o desejo de Tupã, o rei do trovão.

Pé de Guaraná – imagem: http://carmemdevas.arteblog.com.

Alguns dias se passaram e no local nasceu uma plantinha que os índios ainda não conheciam. Era o Guaranazeiro. É por isso que os frutos do guaraná são sementes negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante a um olho humano.

 

Mário de Andrade – Macunaima – a lenda do Guaraná:

Certo dia, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter – surpreendeu Cy dormindo na mata e tentou brincar com ela, na rede que Cy trançou com os próprios cabelos. A cunhã se defendeu violentamente, quase o matou. Os manos acudiram e, depois de uma paulada na cabeça de Cy, o herói pôde brincar com a “mãe do mato”.

Passaram a viver juntos, apaixonados. Tiveram um filho, mas o menino morreu ao mamar na mãe o leite contaminado pelo veneno da Cobra Preta. Cy dá a Macunaíma um muiraquitã de lembrança, sobe ao céu e vira estrela. No túmulo do filho nasce uma planta cujos frutinhos operam milagres. Assim Mário de Andrade (1893-1945) transplanta a lenda dos saterés-maués para sua obra-prima, Macunaíma, uma síntese dos saberes brasileiros.

Os benefícios do consumo do Guaraná.

O guaraná em pó é um produto que traz uma série de benefícios para saúde humana e atua inclusive no combate ao câncer. Várias pesquisas estão sendo feitas a cerca deste componente alimentar e os resultados impressionam até mesmo os cientistas.  Ao incluir o pó de guaraná no cardápio, as pessoas estão se prevenindo contra diversas doenças.

Pesquisadores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) comprovaram através de estudos as propriedades benéficas do guaraná, o quanto essa frutinha contribui com uma vida longa e saudável. Quem inclui esse produto natural na alimentação do dia-a-dia pode contar com substâncias antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais.

Por muito tempo o pó de guaraná foi conhecido apenas como um estimulante natural, ideal para renovar a energia e manter as pessoas acordadas por mais tempo. Contudo, pesquisas comprovam que as sementes não acabam apenas com o cansaço, mas sim resultam em outros benefícios para a vida: melhor capacidade de raciocínio, desenvolvimento psíquico, sensação de bem estar e estímulo ao trabalho muscular. Grande parte dos benefícios acontece devido à alta concentração de cafeína no guaraná.

A prevenção do câncer com guaraná em pó é uma das novidades presentes nos estudos realizados pela UFSM. As propriedades antitumorais preservam a saúde do organismo e diminuem as chances de aparecimento de tumores cancerígenos. O pó de guaraná também se revela um combatente dos males da obesidade, hipertensão, colesterol e triglicerídeos altos.

As pessoas que desejam desfrutar de longevidade devem acrescentar pequenas porções de guaraná em pó no cardápio diário. O consumo dessa substância acontece paralelo as refeições, adicionando-a aos sucos, iogurte ou outras bebidas. Segundo os pesquisadores da UFSM, os benefícios do guaraná em pó conseguem mudar o destino genético das pessoas.

A ingestão de guaraná evita distúrbios circulatórios, hemorragias ou qualquer tipo de alteração nos órgãos vitais. Contudo, o componente alimentar fabricado a partir de sementes deve ser consumido com moderação para não causar mal-estar ou até mesmo prejuízos à saúde. Já está comprovado que extrato de guaraná em excesso resulta em insônia, problemas de hipertensão e ulcera.

O uso de guaraná em pó contra o câncer já está auxiliando o tratamento da doença em todo o Brasil, sendo os resultados otimistas para a saúde dos brasileiros. A pesquisa feita com os moradores na cidade de Maués no Amazonas revelou que os consumidores de guaraná em pó vivem mais tempo e desfrutam de melhores condições de saúde. Tal hábito alimentar comprova a existência de um grande número de idosos no município.

Por isso eu recomendo Guaraná na veia é energia brasileira pura.

Fontes

Isso é Amazonia

Wikipedia

mundo das tribos

Almanaque Brasil

Saiba mais:

A Lenda do Guaraná: Mito dos índios Sateré-Maué, de Ciça Fittipaldi  (Melhoramentos, 1986).
Povos Indígenas no Brasil: www.socioambiental.org
Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade (Villa Rica, 2000)

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4 comentários sobre “O Brasil é a terra do “guaraná”

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