A Arte Popular coletada por LIna Bobardi revive em exposição na Bahia

O Celophane Cultural vem mostrar que Salvador nesta época não tem só Carnaval, uma dica de exposição no pelourinho pra dar uma descansada da folia e conhecer um pouco mais deste Brasil pelo OLhar da arquiteta LIna BO Bardi.

 

peças coletadas no nordeste brasileiro pela arquiteta Lina Bo Bardi

 

ragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi" - divulgação

 

ragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi" - divulgação

 

ragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi" - divulgação

 

O acervo de peças coletadas no nordeste brasileiro pela arquiteta Lina Bo Bardi, que estava guardado desde 1965, é reaberto para o público, no Centro Cultural Solar Ferrão, no Pelourinho, em Salvador.

Foto: Luciano Oliveira

A mostra “Fragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi” reúne mais de 800 peças entre utensílios de madeira, objetos de barro, pilões, santos e objetos de candomblé que resistiram às mudanças e viagens da coleção original, que chegou a contar 2 mil itens.

 

Fragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi" - divulgação

 

Lina Bo Bardi (1914-1992), arquiteta italiana que estabeleceu-se no Brasil em 1946 e é conhecida por projetos como o Masp e o Sesc Pompéia, em São Paulo, mudou-se para a Bahia no final dos anos 1950 e começou a pesquisar a arte popular nordestina. “Lina considerou essas peças como algo contemporâneo, como objetos de design, num pensamento livre dos vícios e preconceitos acadêmicos e europeus que reinavam na época”, afirma o diretor de museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, Daniel Rangel.

 

Fragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi" - divulgação

 

Logo no início do período de ditadura militar (a partir de 1964, depois da deposição do presidente João Goulart), Lina Bo Bardi foi exonerada do cargo de diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia por ter se negado a liberar o foyer do teatro Castro Alves (onde estava temporariamente instalado o MAM) para uma exposição de armamento de guerra. Um ano mais tarde, a exposição “Nordeste do Brasil” (com partes do acervo que será exibido agora em Salvador) foi impedida de estrear na Galeria de Arte Moderna, em Roma.

 

Saiba mais sobre o episódio:

ZEVI, Bruno. A arte dos pobres apavora os generais, Revista da Civilização Brasileira, n.2, maio 1965. Traduzido do L’Espresso de Roma, março 1965 [artigo publicado quando o governo brasileiro impediu a realização da Exposição Nordeste na Galleria d’Arte Moderna em Roma]

 

Após o episódio, recortes da coleção de Lina Bo Bardi chegaram a ser expostos em mostras como “A Mão do Povo Brasileiro”, de 1969, no Museu de Arte de São Paulo, e “Design no Brasil, História e Realidade”, de 1982, no Sesc Pompéia, ambas em São Paulo.

Planta expográfica e conjunto da exposição 'Bahia' realizada no antigo 'Pavilhão Bahia' sob a marquise do Parque do Ibirapuera em São Paulo, 1959 -

 

BAHIA. Exposição no Parque do Ibirapuera, São Paulo, Brasil, 1959. [Bahia]: [s.n.], 1959. Parque do Ibirapuera, São Paulo, 1959. Folheto de Exposição. Textos de Jorge Amado, Lina Bo Bardi e Martim Gonçalves. Arquivo do Núcleo de Museologia do Museu de Arte Moderna da Bahia. In: Habitat, São Paulo, n.56, 1959

“Bahia” é preparada por Lina e Martim Gonçalves em Salvador e trazida para São Paulo durante a V Bienal Internacional.O universo ligado à Bahia torna-se o centro dessa exposição: suas cidades,sua arquitetura,festas,crenças,arte popular,culinária,música,objetos do cotidiano e sua população que vêm representados de diversas formas,seja por fotografias,pela presença dos objetos ou pela recriação de um ambiente que os situam na realidade.

 

Planta do térreo e conjunto da exposição 'Nordeste' realizada no 'Museu de Arte Popular do Unhão' em Salvador, 1963 - acervo Instituto Lina Bo Bardi

 

 

Planta do primeiro pavimento e conjunto da exposição - acervo Instituto Lina Bo Bardi

Planta expográfica e conjunto da exposição 'A mão do povo brasileiro' realizada no 'Museu de Arte de São Paulo', 1969-acervo Instituto Lina Bo Bardi

 

Em “A mão do povo brasileiro” apresenta-se através de um mesmo suporte que é reorganizado diante dos objetos que deve expor, inúmeros elementos do mobiliário, instrumentos, adornos, vestuário, cerâmica, esculturas, figuras religiosas e brinquedos realizados no Brasil. Objetos que são colocados lado a lado e misturados no espaço da exposição, sem uma separação clara, mas mostrados como conjunto.

 

 

Centro de Lazer SESC Fábrica da Pompéia, espelho d'água 'Rio São Francisco', as quatro exposições seguintes são realizadas neste mesmo galpão

Exposição 'Design no Brasil: história e realidade' SESC Pompéia de 1982

Exposição 'Mil brinquedos para a criança brasileira' SESC POmpéia de 1982-3 - acervo Instituto Lina Bo Bardi

 

Exposição 'Caipiras, capiaus: pau-a-pique' de 1984 - Acervo Instituto LIna Bo Bardi

 

Exposição 'Entreato para crianças' de 1985 - fonte Instituto Lina Bo Bardi

 

O DESIGN NO BRASIL: história e realidade. São Paulo: SESC – Fábrica Pompéia, MASP, 1982. Centro de Lazer SESC Fábrica Pompéia, São Paulo, fevereiro a julho 1982. Textos de Pietro Maria Bardi, José Mindlin e Alexandre Wollner. Catálogo de Exposição MIL BRINQUEDOS

PARA A CRIANÇA BRASILEIRA. Lina Bo Bardi et al. montagem. São Paulo: SESC – Fábrica Pompéia, MASP, 1982. Centro de Lazer SESC Fábrica Pompéia, São Paulo, dezembro 1982 a julho 1983. Texto de Pietro Maria Bardi. Catálogo de Exposição.

Design e Mil brinquedos, além de apresentarem os objetos antigos, como nesta exposição A Mão, abrem espaço para a mais recente produção industrial. As quatro exposições do SESC possuem uma particularidade pelo fato de não se realizarem em um contexto de museu,mas sim em um Centro de Cultura e Lazer projetado por Lina, situação que permite uma maior relação entre as exposições aos conceitos presentes na arquitetura da Fábrica da Pompéia.

Nessas duas primeiras exposições é possível dizer que existe uma espécie de separação no espaço entre a produção “antiga-artesanal” e a “recente-industrial”, apesar de uma se encontrar espacialmente ao lado da outra.Na exposição Design, no início estão os objetos artesanais e ao fundo os produtos industrializados e o design gráfico. Assim, como a exposição Mil brinquedos que de um lado apresenta os brinquedos antigos e de outro os industrializados.

Em “Caipiras,capiaus:pau-a-pique” a relação “artesanal”-“industrial” é dada não pela presença simultânea dos elementos artesanais e industriais, como ocorre nas outras exposições, mas sim pela realização de uma exposição que recria os aspectos da vida do interior rural de São Paulo e Minas Gerais inserindo-os no contexto urbano-industrializado do Centro de Lazer em São Paulo. Ai são construídas as casas de pau-a-pique, o forno a lenha e o alambique pelos habitantes dessas regiões que foram trazidos ao SESC para montar a exposição à maneira como organizam sua vida. O interior das casas foi ambientado com seus objetos, assim como a venda, o paiol e a capela.

 

O Centro Cultural Solar do Ferrão

Reaberto em 2008 com o novo conceito de Espaço Cultural, o Centro Cultural Solar do Ferrão uma das mais antigas edificações do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador (CHS),  é um espaço dedicado a arte, cultura, história e memória da população baiana.

Além da biblioteca, o espaço abriga uma galeria de arte homônima e outras três importantes coleções de arte sacra, africana e popular que possibilitam o dialogo entre os povos que deram origem aos baianos: africanos, indígenas e portugueses.

Saiba mais pouco mais sobre LIna Bo Bardi

 

Lina na sala da Casa de Vidro, 1952 Foto de Fernando Albuquerque

 

Fontes:

Instituto Lina Bobardi

Matéria de 17/03/2009 – UOL – Acervo de arte popular coletado por Lina Bo Bardi é exibido na Bahia

TRabalho final de Graduação da FAU/USP  – Mayra de Camargo Rodrigues – Luciano Migliaccio – Exposições de LIna Bo Bardi

 

Lina na Casa de Vidro, 1952 Foto do arquivo pessoal

 

 

“Fragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi”

Onde: Centro Cultural Solar Ferrão – r. Gregório de Mattos, 45, Pelourinho, Salvador/BA – tel. (71) 3116-6467
Quando: Exposição de longa duração desde 17 de Março de 2009.

Visitação de terça a sexta, das 10h às 18h; finais de semana e feriados, das 13h às 17h
Quanto: Grátis

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3 comentários sobre “A Arte Popular coletada por LIna Bobardi revive em exposição na Bahia

  1. Pingback: Artesã – Ofício das mulheres que laboram, arrimam e sustentam a vida. « Celophane Cultural
  2. minha paixão e devoção pelas expressões das artes populares e art brut, é antiga e imensa…..aviso;minha coleção de arte popular nordestina, encontra-se na casa do patrimonio-IPHAN-jaragua, maceió alagoas. e uma parte em minha residência.

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