O Bê-a-ba das Pipas

O Celophane Cultural traz uma contribuição  de Jorge C Moreira um amante da arte de soltar pipas:

 

Bê-a-ba da Pipa
*Á brinca cruza informal, em que se devolve a pipa abatida ao dono.
*aparar cruza, combate para valer. Quem cortar a linha de outro tem o direito de levar a pipa/o papagaio como troféu.

*arrastar na mão pipeiro que esta mais atrás, que debica a sua pipa nas dos da frente, cortando-as com muita linha.

*carretel de linha 10 tipo de linha preferida dos pipeiros – Linha Marca Corrente nº 10 (agora é linha chilena).

*catreco, jereco ou molambo – pipa mal-feita, maltrapilha, em péssimo estado.

*cerol – O cerol é uma mistura cortante de pó de vidro ou pó de ferro e cola cozida de madeira utilizado na linha da pipa com o objetivo de cortar / cruzar a linha de outra pipa oponente.

 

Menino Empinando pipa - Foto LUiz Neto - Assu RN - http://www.flickr.com/photos/sicalis/

*cola de arroz  – ao fazer a armação da pipa (vareta, presas com linhas),quando não tinha cola, usava colar o papel na armação com arroz usado.

*cortar cruzar com outras pipas e cortar sua linha.

*crocodilagem – acordo entre pipeiro/empinadores para atrair pipa/papaguaios a uma armadilha, ou qualquer ato que fira o código de etica dos pipeiros.

*cruza, combate ou guerra – batalha entre duas ou mais pipas.

*culhão de gato – linha com duas pedras amarradas nas pontas, usadas para jogar nas linhas da pipas que estavam no ar.(roubo de pipas no ar)

*dar de chapeu/dar tabua – é quando a pipa cai por defeito

*debicar – mergulhar a pipa,manobrando a linha com puxões sucessivos

 

Empinando Pipa - Fonte: Wickpedia.

 

 

*empinar, soltar – colocar e mover a pipa no ar.

*estancar – quando a linha arrebenta sem motivo aparente.Denomina também um movimento usado para desprender uma pipa enroscada.

*maranhão – é como os paulistas chamam a pipa carioca de papel seda.

*pipa, Papagaio, cafifa, balde, zoeira, arraia – brinquedo que usa o vento para voar.
brinquedo consistente de varetas de bambu cobertas de papel fino e que se empina através de uma linha, permanecendo no ar

*pipa avoada – pipa que foi cortada ou estancada.

*rabiola – fitinhas de papel ou de plasticos amaradas em uma linha e presa na pipa, para estabilizá-la no ar.Alguns meninos usavam 1/2 de uma gilete,na ponta da rabiola p/cortar outras pipas.

*tança – designação da linha em Portugal

*temperar – passar cerol na linha.

*varetas de bambu ou taquara – estrutura da pipa.

 

Pipas dos mais diferentes formatos - Fonte: Wickpédia

 

*linha poida linha-dentinho – geralmente sabotagem feita na linha, dentadas na linha, para quando a pipa fosse colocada no ar, ela arrebentasse.

*braçadas controle da pipa no ar- fazendo ela subir ou descer , ou qdo cruzava e as duas ou mais pipas ficassem emboladas, dava-se braçadas, para trazer a pipa para mais perto de s/dono.

*carretilhas – onde se enrolava a linha para soltar pipa.
“dar linha

*eolista – especialista em pipas; o nome vem de “Eólo”, Deus dos Ventos…

*O mês certo para soltar papagaios é o oitavo mês do ano – Agosto – quando os ventos são constantes e fortes.

*Os empinadores de pipas usam a imaginação para chamar os ventos com pequenas orações, invocando algum santo para que traga o vento certo, afim que sua pipa voe livre e solta pelos céus.

Vários são os nomes dados a esse objeto de competiçao e jogo.

ARRAIA no norte da Bahia e Sergipe.

PIPA no centro e sudeste do Pais.

PANDORGA no sul como em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

"Menino com Pipa" - Cândico POrtinari - 1954

ARRAIA JAMANTA, CURICA na Amazonia e Pará.

ARRAIA, BARRIL, BOLACHA. CANGULO, ESTRELA, PECAPARA no Cearà.

ARRAIA, GAMELO no Pernambuco.

RAIA, CAFIFA, ESTILÂO, PIÂO no Rio de Janeiro.

PIPA, PAPAGAIO,GAIVOTA ARRAIA, RAIA, QUADRADO em Sao Paulo.

 

"Meninos Soltando Pipas" Cândido Portinari de 1943

 

A História das Pipas

A história das pipas é recheada de mistérios, de lendas, símbolos e mitos, mas principalmente de muita magia, beleza e encantamento. Tudo de ter começado quando o homem primitivo se deu conta de sua limitação diante da capacidade de voar dos pássaros. Essa frustração foi o mote para que ele desse asas a sua imaginação.

O primeiro vôo do homem está registrado na mitologia grega e conta que Ícaro e seu pai, Dédalo, aprisionados no labirinto de Creta pelo rei Minos, tentaram alcançar a liberdade voando. Construíram asas com cera e penas e conse-guiram escapar. Apesar das recomendações do pai embevecido pela possibilidade de dominar os ventos, Ícaro negligenciou a prudência e chegou muito perto do Sol, que derreteu a cera das asas e precipitou-o ao mar matando-o.

Dedalo e Icaro

De qualquer forma o homem não parou por aí. Mesmo levando em conta o estranho acidente da lenda de Ícaro, ele continuou a ousar, desafiando a natureza com sua imaginação. As pipas nascem desta tentativa frustrada de voar, quando o homem transferiu para um artefato de varetas, papel, cola e linha sua vontade intrínseca de planar, de alçar vôo de terra firme.Teorias, lendas e suposições tendem a de-monstrar que o primeiro vôo de uma pipa ocorreu em tempos e em várias civilizações diferentes, mas, com toda certeza, a data aproximada gira em torno de 200 anos antes de Cristo. O local: China.

No Egito hieróglifos antigos já contavam de objetos que voavam controlados por fios. Os fenícios também conheciam seus segredos, assim como os africanos, hindus e polinésios. Até o grande navegador Marco Polo (1254 – 1324) explorando-lhe as potencialidades, embora levado por motivos menos lúdicos. Conta-se que, em suas andanças pela China, ao ver-se encurralado por inimigos locais, fez voar uma pipa carregada de fogos de artifício presos de cabeça para baixo, que explodiram no ar em direção à terra, provocando o primeiro bombardeio aéreo da história da humanidade.Nos países orientais foi e continua sendo grande a utilização de pipas com motivos religiosos e místicos, como atrativo da felicidade, sorte, nascimento, fertilidade e vitória. Exemplo disto são as pipas com pintura de dragões, que atraem a prosperidade; com uma tartaruga (longa vida); coruja (sabedoria) e assim por diante.

Outros símbolos afastam maus espíritos, trazem esperança , ajudam na pesca abundante. As pinturas com grandes carpas coloridas representam e atraem o desenvolvimento do filhos. Nesses aspectos mistico-religiosos, continua sendo muito grande a utilização de pipas como oferenda aos deuses nos países orientais.
Um dos quatro elementos fundamentais da civilização ocidental, o vento no caso das pipas, passou rapidamente de inimigo a aliado, pois com o domínio correto de suas correntes e velocidades, o homem conseguiu inteligentemente chegar perto do sonho de voar. O grande mestre e pesquisador de pipas e ação dos ventos é um eolista, palavra criada a partir de Éolo, o deus dos ventos na mitologia grega. Quando Ulisses, famoso personagem do livro Odisséia, de Homero, chegou à ilha Eólia, foi muito bem recebido pelo rei, que o hospedou e a seus companheiros durante um mês.

Ao partir, o herói recebeu uma caixa contendo todos os ventos e que deveriam continuar aprisionados, com exceção de um, que, solto, levaria o navio diretamente de volta a Ítaca, sua cidade natal. No caminho os companheiros de Ulisses imprudentemente abriram a tampa, pensando que continha vinho. Saíram de dentro da caixa os ventos proibidos e furiosos que tocaram o navio para trás. Éolo entendendo que aquela gente teria alguma oculta maldição dos deuses, não os ajudou e ainda por cima os expulsou da Eólia.

A histórias das pipas data de muitos séculos e se confunde com a própria história da civilização, sendo utilizada como brinquedo, instrumento de defesa, arma, objeto artístico e de ornamentação. Conhecido como quadrado, pipa, papagaio, pandorga, barrilete ou outro nome dependendo da região ou país, ela é um velho conhecido de brincadeiras infantis. Todos nós, com maior ou menor sucesso, já tentamos empinar um. E temos obrigação de preservar sua beleza e simbologia, pois uma infância sem pipa certamente não é uma infância feliz. As pipas adornam, disputam espaço, fazem acrobacias, mapeiam os céus. São a extensão natural da mão, querendo tocar nas ilusões.

Fontes:

História das Pipas

Materia na Rede Suburbio Carioca

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Pequi, a fruta dourada do grande sertão veredas.

Ouro do Sertão

O famoso Pequi é uma fruta que nasceu no cerrado brasileiro, super utilizada e consumida na culinária. Sim é aquela do Arroz com Pequi famoso prato consumido em Belém e em Goiás.

O Pequizeiro ás vezes chega a 10m de altura, um tronco grosso, torto de casca muito grossa é protegido por lei que impede seu corte e venda. Das folhas vem o Tanino uma tinta usada por tecelãs.

Pequizeiro florido. Tatagiba, setembro de 2006, município de Nova Roma-GO, Vão do Rio Paranã.

AS lindas  e grandes flores brancas e amarelas, de agosto a Novembro, enfeitam as casas de quem tem um pé desta produtiva árvore. O fruto do tamanho de uma laranja que nasce de novembro a fevereiro, redondo, esverdeado como um abacate, está pronto para consumo quando sua casca amoleçe.

Pequi - Arcos MG -foto: Edmilson Carlos

De como, no prazo duma hora só, careci de ir me vendo escorando rifle (…)

trepado em jatobá e pequizeiro, deitado no azul duma lage grande.

João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas.

A deliciosa e suculenta polpa é bem amarelada e com um caroço no meio, cheio de espinhos que fere as gengivas dos desavisados e gulosos que nele cravam os dentes. Lamber chapéu de couro é a única alternativa para retirar seus espinhos da língua daqueles mais descuidados.

Seu sabor é único (assim como o é o do buriti e o do jatobá, entre outros), não há fruta que se possa comparar.

Fruto do pequi - Frutos do Brasil site Arara.

Não acredite em quem diz que o cheiro do pequi é forte, enjoativo; é preciso experimentar para realmente conhecer. Não tente se convencer que é bom, deixe-se ser convencido.

É também conhecido como piqui, piquiá, pequerim, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, suarí. A palavra pequi, na língua indígena, significa “casca espinhosa”.

De alguns anos pra cá o pequi tem sido valorizado na cozinha brasileira sendo estudado seu potencial nutritivo e usado em várias receitas e misturas pelo Brasil afora. Mas para o povo do grande sertão veredas  o pequi é o verdadeiro “Ouro do sertanejo” mais um simbolo de cultura persistência e tradição de um povo.

“O Garanço se regalava com os pequís, relando devegar nos dentes aquela

polpa amarela enjoada. Aceitei não, daquilo não provo: por demais distraído que sou,

sempre receei dar nos espinhos, craváveis em língua”

João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas pg. 184.

No livro Cerrado: espécies vegetais úteis, seus autores dedicam sete páginas ao pequi (também conhecido como piqui, piquiá ou piqui-do-cerrado), discorrendo sobre sua ocorrência, distribuição, floração, botânica, uso, entre outros. Pode ser consumido com arroz, feijão, galinha, ou batido com leite e açúcar. Seu uso medicinal tem efeito tonificante, sendo usado contra bronquites, gripes e resfriados, é expectorante, e o chá de suas folhas é tido como regulador do fluxo menstrual.

 

“Essa planta produz abundantes frutos do tamanho de uma laranja, de polpa oleosa e feculenta, muito nutritiva. É a delícia para os moradores do Ceará e Piauí. A árvore atinge a altura de cinqüenta pés, com grossura proporcional. Sua madeira é de tão boa qualidade para a construção naval quanto a cicopira (Sucupira, Bowdíchia virgilioides, H.B.K., dizemos hoje). Cresce muito bem nos terrenos arenosos chamados em Pernambuco tabuleiros e no Piauí chapadas, sendo muitíssimo vantajoso o seu cultivo nos tabuleiros que bordam o litoral e que estão presentemente inúteis. Presta grande auxílio ao povo nas épocas de seca e de fome.”

(Braga, Renato. Em Cascudo, Luís da Câmara. Antologia da alimentação no Brasil, p.187-188)

AS filhas do pequi

Mas o pequi é mais que isso!
Há histórias de crianças “filhas do pequi” – aquelas que nascem exatamente nove meses após a temporada do fruto, pois ele é tido também como afrodisíaco.  Conta-se também que as índias esfregavam o fruto nas partes íntimas para evitar que seus companheiros as procurassem (algo que não devia adiantar muito porque, para quem gosta, o aroma do pequi é irresistível).

Conheça a Lenda do Pequi

…-Como se chamará, Cananxiué, esse fruto, cujo coração são os espinhos de minha dor, cuja cor são os cabelos de ouro de Uadi e cujo aroma é inesquecível como o cheiro dessa mata, onde brinquei com meu filhinho?

-Chamar-se-á Tamauó, pequi, minha filha. Quero ver-te alegre de novo, pois te darei muitos filhos, fortes e sadios como Maluá. E teu marido voltará cheio de glória da batalha, pois muitos séculos se passarão até que nasça um guerreiro tão destemido e tão honrado! Ele comerá deste fruto e gostará dele por toda a vida!”

Tainá-racan sorriu. E o pequizeiro começou a brotar…

Tirando a polpa do pequi. Imagem do filme Cheiro de Pequi. Vídeo nas Aldeias, Imbé Gikegü, Takumã Kuikuro e Maricá Kuikuro

Arroz com Pequi

Ingredientes:
1/4 de xícara de chá de óleo ou banha de porco
1/2 litro de pequi lavado
2 dentes de alho espremidos
1 cebola grande picada
2 xícaras de chá de arroz
4 xícaras de chá de água quente
Sal a gosto
Pimenta-de-cheiro ou Malagueta a gosto
Salsinha, cebolinha picada a gosto.

Modo de Preparo:
Coloque o pequi no óleo ou gordura fria (se usar o fruto inteiro, não é preciso cortar, mas cuidado com o caroço). Acrescente o alho e a cebola e deixe refogar em fogo baixo, mexendo sempre com uma colher de pau para não grudar na panela, e respingue um pouco de água quando for necessário. Quando o pequi já estiver macio e a água secado, acrescente o arroz e deixe fritar um pouco. Junte a água e o sal. Quando o arroz estiver quase pronto, coloque a pimenta-de-cheiro ou malagueta a gosto. Na hora de servir, polvilhe o arroz com salsa e cebolinha e um pouco de pimenta.

Observações:
Para esta receita, não utilize panela de ferro, pois a fruta fica preta.
Cuidado! Se você morder o caroço, ficará com a boca cheia de espinhos. O jeito certo de comer o pequi é roendo. Dica:
Para acompanhar, carne-de-sol frita ou assada no espeto sobre brasas.

Mais receitas com Pequi

Galinhada no Pequi - Foto site Rainhas do Lar

Fontes:

REvista Overmundo

Site: Arara

Revista do Cerrado – Altiplano

Blog Plantas do Cerrado