Passe a música adiante: Surama

Gravado há seis anos atrás, durante as preparações para o aniversário de 50 anos da Bossa Nova (comemorado em 2008), este disco é claramente inspirado na releitura do gênero com a presença de bases eletrônicas, tendência pavimentada pelo produtor Suba, em “Tanto Tempo”, disco de Bebel Gilberto lançado em 2000, considerado um divisor de águas na introdução da nova geração de artistas brasileiros no mercado internacional.

O álbum foi gravado sob a direção musical de Celso Fonseca, que possui um vasto currículo de colaborações para nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa, entre outros (É dele a letra de “Sorte”, grande hit de Gal em sua fase mais pop na década de 80). Sendo o próprio Fonseca integrante da geração que conquistou o exterior para depois ser reconhecida em casa, não é de se estranhar a presença de um espírito cosmopolita, embalado pela absorção globalizada da cultura, cujo ícone maior desta moderna antropofagia musical é a figura do DJ, que recorta, cola, combina e pinta clássicos com novas cores, revigorando gêneros e despertando a atenção de novos públicos.

A postura internacional do disco já começa pela sua intérprete, a maranhense radicada na Itália, Surama de Castro, dona de um sotaque levemente misturado, pelos anos passados fora do Brasil. Esta característica permite que neste trabalho, ela possa transitar entre o francês, português e italiano, em composições de Nelson Motta, Rita Lee, Toquinho (presente em dueto com a cantora), Vinícius de Moraes e Lobão. O polêmico roqueiro é dono de um dos pontos altos do disco: seu sucesso “Me Chama” foi gravado aqui em italiano, sob uma roupagem lounge, com a guitarra e o violão genuinamente orgânicos de Celso Fonseca embalados pela moldura eletrônica dos loops e teclados de Dudu Trentin e Alexandre Fonseca.

Para quem aprecia as novas incursões da música brasileira, “Surama” é um disco descompromissado, que deve ser ouvido sem maiores expectativas: a sua intérprete não possui potência vocal para alcançar notas mais altas, mas encontra segurança num gênero que recebeu de braços abertos aqueles que cantavam baixinho. O resultado é um conjunto suave de canções que embora ensolaradas, combinam perfeitamente com a calmaria dos dias preguiçosos onde tudo o que você quer é ficar em casa e ler um bom livro, acompanhado de uma xícara de café.

LEVE PRA CASA OU PASSE ADIANTE:

Conforme a nossa promoção (com instruções aqui), este disco será solto em algum lugar da cidade do Recife hoje à tarde, com atualizações momentâneas a respeito de horários e detalhes maiores à medida que o tempo for passando. Você pode acompanhar por aqui, pelo Twitter ou pelo nosso Facebook.

DICA 1: Bairro da Boa Vista.

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