O traçado contemporâneo da raiz

Cultura popular é algo que sempre me chamou muito a atenção, desde pequeno. Tive a sorte de nascer e crescer num ambiente cercado de manifestações culturais do tipo, o que me dá umacerta segurança e familiaridade para falar do assunto, embora meus conhecimentos estejam na seara de alguém que busca saciar sua fome de uma forma lúdica, que passa longe da formalidade acadêmica, por cujo material nutro um tremendo carinho e respeito.

Se há uma das coisas que mais gosto na cultura popular é a sua campacidade de transformação pelas mãos daqueles que a construíram. O Brasil foi palco de grandes fases emblemáticas na construção de sua identidade cultural, que não cabe em si mesma, e abraça o resto do mundo só pra ver no que dá essa miscigenação. Foi assim com a antropofagia da Semana de Arte Moderna, do Tropicalismo e o Manguebit, só para ctar alguns.

Minha última descoberta vem das Alagoas e se chama Reinaldo Freire. Naldinho, como é artisticamente conhecido, nasceu na Paraíba, mas radicou-se em Maceió, de onde saltou para o resto do mundo com seus trabalhos de pesquisador e arte-educador. Seus projetos envolvem a música tradicional das comunidades nordestinas desde 1995. Seu último feito está concentrado no DVD “Raízes: Traços Contemporâneos”, onde ele dá vazão à curiosidade brasileira que busca novos elementos para acordes que se perpetuam de geração em geração.

Em “Raízes: Traços Contemporâneos”, ritmos como a ciranda, o coco, o barravento, o toré, e o maneiro-pau recebem a visita do contrabaixo, do violão e da música eletrônica num show ao vivo, fruto de uma pesquisa realizada desde 1990, que percorreu todo o nordeste e as ilhas de Cabo Verde, na África. O músico é acompanhado pela programação dos bitse contravbaixo de Júlio Campos, e a percurssão e vocais de Wilson Miranda. Musicalmente, o som de Naldinho parece se encaixar no espaço reservado para a contemplação e contato do nosso olhar com o ancestral das cantigas e folguedos que muitas vezes só conhecemos pelos livros. Para quem estuda, realiza pesquisa ou se interessa por música em sua face mais plena, a apresentação de Naldinho se revela um prato cheio para os paladares auditivos mais curiosos e amantes da essência brasileira.

SORTEIO:

Escreva para raizes@cajumanga.com e concorra ao DVD Raízes: Traços Contemporâneos. O oitavo e-mail que chegar em nossa caixa de entrada será o ganhador. O mesmo participante não pode enviar mais de um e-mail. De resto, é torcer e contar com a sorte!

Acompanhe o resultado pelo Twitter: @cajumanga
Boa Sorte!

ATUALIZAÇÃO (21h):

O DVD foi sorteado e quem faturou foi o Marcone Marques, vulgo @marconemarques! Parabéns, garoto!

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Roberta Campos abre o seu diário em novo disco

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A compositora e cantora mineira radicada em São Paulo lançou neste semestre o sucessor do seu último trabalho de estúdio, o delicado “Varrendo a Lua”, de 2010. Para esta nova empreitada, ela conta com um time de peso nos arranjos, instrumentos e letras. “Diário de Um Dia” marca a nova fase da artista, que vem conquistando seu espaço no seu próprio ritmo, pelas beiradas.
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Bastante tocada em FMs do segmento MPB, Campos possui uma sólida base de fãs formadas muito mais pelo boca-a-boca e pela forte presença na internet. Ela está sempre online no Twitter (@robertacampos) e atualizando o seu site oficial.
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No seu novo CD, ela traz Davi Moraes (filho de Moraes Moreira), Marcos Susano (que gravou com Lenine o antológico ‘Olho de Peixe’),  Paulinho Moska (que dispensa apresentações), Leoni, Frejat, Zélia Duncan, Dunga (sambista autor de uma pá de músicas que você cantarola no chuveiro e nem sabia que era dele), entre outros.
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Para quem não conhece ela, dou duas palavras: pop folk, com arranjos simples, porém eficientes, daqueles que grudam na cabeça, com um toque de melancolia nas letras que falam de saudade. As letras mais ensolaradas têm o efeito contrário: Elas praticamente te pedem para ser colocadas no carro, com um pé no acelerador e um sorriso nos lábios. Mas fique esperto no volante: Você e pode ir parar na estratosfera ou voltar no tempo sem perceber. O efeito lisérgico emocional aqui é forte. Isso faz do som de Roberta Campos uma eficiente pílula de lembranças. Tanto daquelas que você já teve, como daquelas que você anseia ter ao lado das razões do seu afeto.
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O maior hit neste novo trabalho é sem dúvida, “Meu nome é saudade de você” , de autoria do Paulinho Moska, que se utilizou da rede mundial de computadores pra conhecer o som da Roberta. No vídeo abaixo, ele conta como surgiu a idéia da letra, e logo após, apresenta a música com a voz da cantora:
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Portaaaanto, vou deixar um exemplar de “Diário de um Dia” solto pelo Recife, amanhã (27/07). Para saber melhor as coordenadas, sigam o twitter @cajumanga, que eu postarei fotos reveladoras e pistas da localidade onde o disquinho será deixado.
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Agora fiquem com o clipe da música que abre e batiza o disco, “Diário de um Dia”! E Boa caça!

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Negra Li amplia horizonte musical em novo disco

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Chegou às lojas esta semana a nova incursão musical da paulistana Negra Li, intitulado “Tudo de Novo”. Lançado pela Universal Music, o álbum é o segundo trabalho solo da cantora e rapper, desta vez apostando num repertório claramente direcionado à soul music, com fortes referências ao universo de Hyldon, Tim Maia, Diana Ross e Aretha Franlkin.

A relação de Negra Li com a música envolve questões delicadas de gênero e identidade. Crescida num universo predominantemente masculino que é o rap, Liliane de Carvalho veio passando por uma metamorfose vocal e estética, à medida em que firmou parcerias e conquistou mais espaço no território musical. A postura marrenta, tão tipica do gênero que lhe lançou, foi aos poucos dando espaço para que ela mostrasse outras nuances vocais. Muitos puristas podem até embarcar no lugar-comum de “traição do movimento”, enquanto outros podem simplesmente constatar que a cantora tem voz para poder ir além da pegada do rap, onde o talento vocal é bem-vindo, mas é coadjuvante da atitude e da rima.

Basicamente um disco de intérprete, “Tudo de Novo” soa como se Negra Li tivesse à sua disposição uma imensa folha branca sem limites para traçar cores e linhas com a sua voz, que é de fato muito bonita. O disco possui momentos de diva black dançante da Motown com marcação ritmada e arranjos de cordas contagiantes, como na faixa de abertura, “Tudo de Novo”, “Não Vá” e “Hoje eu só quero ser Feliz”, com letra e arranjo de metais que leva o ouvinte de volta ao suingue de Sandra de Sá em meados dos anos 80.

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O ritmo contagiante e balançado abre espaço para o romantismo agridoce da letra de “Vai Passar”, composição de Sérgio Britto, dos Titãs, que é uma forte candidata a hit nas rádios. Se conquistar espaço de execução em mídia nacional, Negra Li terá uma oportunidade de ouro para conquistar mais admiradores e reacender a chama daqueles que a acompanhavam desde os tempos do RZO (Rapaziada da Zona Oeste), grupo que a lançou.

“Tudo de Novo” também passeia por outros gêneros da cultura negra contemporânea, exemplo do jazz “Como Iguais” (também escrito por Britto), além de uma balada ao violão de Leoni (ex-Kid Abelha) e Léo Jaime, e composições de Edgar Scandurra (ex-Ira!), e Leandro Lehart, que assina “Posso morrer de amor”, cuja sonoridade remete ao som de Luciana Mello (filha de Jair Rodrigues) nos áureos tempos do som black e urbano da gravadora Trama.  A cantora também assina uma das canções, a suingada “Volta pra Casa”, em parceria com Khristiano Oliveira, que flerta com as suas raízes de rapper.

Di Ferrero, Negra Li e Rick Bonadio, durante as gravações de “Tudo de Novo”

O disco é produzido por Rick Bonadio, atual hitmaker que metralha as FMs brasileiras com produções realizadas para nomes como Charlie Brown Jr., Luiza Possi, Titãs, Ira!, e a nova geração capitaneada por Fresno, NxZero, Tihuana e CPM 22, entre outros. Talvez resida nesse ponto uma certa polêmica em discussão entre os fãs de Li: Bonadio é assumidamente pop, respeitado pelos executivos de gravadoras como um produtor capaz de moldar os artistas para os gostos do mercado musical massificado, convertendo álbuns em sucesso de vendas.

Tendo isto em vista, O que esperar de “Tudo de Novo”? Um disco descompromissado e leve de escutar, com arranjos elaborados e letras de forte tendência grudenta, mas nem por isso fracas. Muito pelo contrário. O que precisa ser mudado no seio da crítica e do público brasileiro é a posição hipócrita de achar que toda incursão pelo amplo e popular é uma venda de alma musical. Não é.

Como explicar toda uma devoção de torcida a favor pelo sucesso de um artista ou uma banda, para depois desenvolver uma crítica quando se chega nos andares mais altos da trajetória pelo reconhecimento do trabalho realizado? A responsabilidade das metarmofoses musicais está no próprio público. É nele que o cantor quer chegar. Ele é a razão do seu trabalho. Se os puristas de plantão torcem o nariz em casos bem-sucedidos, concentrem-se em fazer a sua parte e mostrem que existe uma diversidade infinita de sons e idéias que a mídia tradicional não deixa passar pelo seu funil.

Longa vida ao soul de Negra Li.

Eliane Elias incendeia o jazz

ImageQue o Brasil é um celeiro imenso de talentos musicais, todo mundo já está cansado de saber. Agora, por que diabos muitos destes talentos encontram maior reconhecimento lá fora em vez daqui, ninguém sabe explicar. Eliane Elias é um caso que se encaixa nesta categoria. Nascida em em São Paulo, a filha de pianista clássica se deixou levar pelo encanto do piano aos 13 anos e não parou mais. Mudou-se para os Estados Unidos e lá foi ficando, ficando, ficando, até se naturalizar, estabelecendo raízes em Nova Iorque, paraíso para os amantes do jazz, com seus clubs e bandas que parecem brotar de árvores, tamanha é a quantidade de músicos em atividade.

Eliane conta com uma discografia de 23 álbuns, a maioria indisponível ou fora de catálogo por aqui no Brasil. Mas a maré parece estar mudando aos poucos. Alguns de seus trabalhos mais recentes ganharam edições nacionais. É o caso de “Light my Fire”, nova empreitada da paulistana-iorquina, lançada pelo sela Universal Music brasileira no início deste ano, e o segundo CD da série “Passe a Música Adiante”, iniciada por este blog. Para saber mais, clique aqui
 
“Light my Fire” é um disco sofisticado sem ser chato. Conta com o talento no piano e na voz de Eliane, acompanhada de um time irrepreensível que inclui o violão de Oscar Castro Neves e Romero Lubambo (este frequente nos discos da Jane Monheit), o baixo de Marc Johnson, a percussão de Marivaldo dos Santos e a participação de Gilberto Gil nos vocais convidados.
 
ImageBasicamente, o conjunto das 12 músicas presentes neste disco são fortemente moldadas na tríade piano-violão-percussão, que envolvem de maneira harmônica a voz grave e sensual de Eliane. O CD Alterna momentos mais calmos, de contemplação, com levantes mais festivos, caso das três faixas divididas com Gil, “Aquele Abraço”, “Toda Menina Baiana” e “Turn to Me (Samba Maracatu)”, compondo um belo cartão de visitas da diversidade sonora presente no Brasil.
 
Entre os destaques, além dos citados duetos com Gilberto Gil, estão os covers de Ary Barroso em Isto Aqui o Que É, Stevie Wonder, com Mon Cherie Amour e The Doors, com a canção título do CD, “Light my Fire”, aqui convertida num jazz provocante e convidativo, perfeito para ser acompanhado com champange, olhares lânguidos e mãos bobas.
 
Os arranjos aqui dispostos tem um quê de leveza e apuro estético que ultrapassa a simples audição. O que está em jogo aqui é um conjunto de imagens que se desenvolve a partir dos instrumentos dispostos. Basicamente, é um disco de música brasileira cantando parcialmente em português, inglês e francês que assume uma faceta cosmopolita, mostrando um  Brasil vasto e refinado em termos culturais. Temos o Brasil nordestino nos duetos com Gil, o latino em “Stay Cool” e Bananeira, o carioca em “Rosa Morena”, e o antropofágico em “Made in Moonlight”, que remete à MPB jazzística de Ivan Lins. Vale a pena.

Lampião invade os palcos em grande estilo

E mais um ícone da cultura popular nordestina entra para o calendário oficial das artes cênicas do Brasil. O espetáculo teatral “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião” presta homenagem a Virgolino Ferreira da Silva, pernambucano de Serra Talhada, que durante 19 anos reinou no sertão nordestino, dando origem a diversas histórias controversas que o fizeram um mito. Mistura de justiceiro com fora-da-lei, Lampião é um legítimo anti-herói do imaginário popular que ainda hoje é muito presente na cultura dos lugares por onde passou.

A peça terá seu lançamento oficial no próximo dia 06 de julho (sexta-feira), no Teatro de Santa Isabel, em Recife. A ocasião reunirá atores, produtores e autoridades para a apresentação do projeto, que chama para si a missão de reunir nomes consagrados do circuito cênico local, no desenvolvimento de uma obra ao ar livre nos mesmos moldes da Paixão de Cristo e a Batalha dos Guararapes. A peça, de Anildomá Willans de Souza, terá a batuta do ator e diretor José Pimentel, que possui larga experiência em encenações do gênero (foi o protagonista da Paixão encenada em Nova Jerusalém por 18 anos e atualmente estrela a versão recifense).

A obra será encenada na Estação do Forró, em Serra Talhada, município do interior pernambucano, entre os dias 25 e 29 de julho e terá acesso gratuito e aberto ao público. A história apresentada irá mesclar fatos históricos da vida de Lampião, com casos dos mitos populares construídos a seu respeito, culminando com a sua morte na emboscada de Angico. Entre os destaques revisitados, estão os conflitos com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero e a traição de Pedro de Cândida, acompanhados de uma série de efeitos visuais e trilha sonora.

O espetáculo integra a programação do Encontro Nordestino de Xaxado e do Tributo a Virgolino – A Celebraçao do Cangaço, realizados no mesmo período, cuja programação pode ser conferida no blog oficial da Fundação de Cultura Cabras de Lampião: http://pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com.br.

O projeto “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião” foi aprovado em parceria pela Funarte / Ministério da Cultura, e é realizado pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, filiada à ARTEPE (Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco).

Mais informações pelos telefones :  (81) 9945-7073  / 8850-8011  / 9381-1768

Olinda vai à Cuba pelo Coco de Roda

O Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, desenvolvido pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) do Ministério da Cultura, contribuiu esta semana com mais um passo na divulgação da diversidade artística brasileira. No último sábado (30/06), o grupo pernambucano de coco de roda A Cocada, originário da comunidade de Amaro Branco, em Olinda, viajou para Cuba, como único representante brasileiro convidado a participar do 32º Festival del Caribe, também conhecido como “Fiesta del Fuego”, um evento que desde 1981 reúne todas as manifestações culturais, científicas e literárias latinas, homenageando um país da comunidade a cada ano.

O país foi homenageado por duas vezes, em 1988 e 1997. A cultura de Pernambuco recebeu destaque na edição de 2010, dividindo os olhares com as expressões populares de Curazao. Na ocasião, o grupo de coco foi convidado, mas não pôde se apresentar devido à dificuldades relacionadas aos recursos para as passagens aéreas.

Washington Felipe, integrante da Cocada, afirma que a viagem será uma oportunidade para que o grupo adquira novos conhecimentos e estabeleça parceria com outros coletivos artísticos: “já almejávamos ir ao exterior, porém não encontrávamos os meios para realizar este contato mais próximo com artistas de outros países. Esperamos poder estreitar os laços com outros músicos e agentes culturais, para trocar idéias e experiências que tragam crescimento para os dois povos”, afirmou.

A 32ª edição do Festival del Caribe – Fiesta del Fuego é realizada em Santiago de Cuba, de amanhã (03/07) até a próxima segunda-feira (09/07). A Cocada fará uma apresentação em palco e outra em cortejo, mostrando composições de coco, caboclinho, maracatu, ciranda, afoxé e samba de roda. O evento começa amanhã e vai até a próxima segunda-feira. Para o grupo, a participação nesta edição do evento terá um gosto especial: Este ano, tanto Olinda quando Cuba comemoram 30 anos dos Titulos de Patrimônio Histórico concedido pela Unesco.

No seu retorno ao Brasil, o grupo promoverá um seminário, apresentando o resultado de sua ida à Cuba, com idéias e experiências a serem desenvolvidas em sua comunidade.

A jornada cubana da Cocada e os seus próximos trabalhos podem ser acompanhados via Facebook, na fanpage oficial do grupo. A rápida entrevista pode ser ouvida clicando nos links abaixo.

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Engraçado como ela sempre chega. Aquela hora em que não queremos mais nada do que tivemos até o momento em que não nos deixamos pressionar mais pelo tempo, por nós mesmos, ou pelos outros. É a hora em que simplesmente nos damos conta do que realmente importa. Para alguns, este momento de desprendimento chega cedo, para outros, um pouco mais tarde. Mas ele sempre chega. Tão certo e natural quanto a morte. Posso estar parecendo um pouco mórbido com esta comparação, mas é verdade.

A morte é só a última página de nossa história. Algumas pessoas conseguem alcançar tempo suficiente para serem enciclopédias, enquanto outras são contos ou estiveram aqui para ser alguns parágrafos, que tenha certeza, não foram escritos em vão.

O amadurecimento é uma morte. Morte de tudo aquilo que fomos antes dele chegar. Morte de uma pele que acumulou escamas demais, pesadas e desnecessárias, para dar lugar a uma nova que esteve se formando por dentro, mas esperava o momento certo para sair.

Àqueles que dizem crer na existência de pessoas que nunca aprendem com os próprios erros, um aviso: Cada um tem o seu tempo. Não há como definir características desta consciência, pois ela é um conjunto de vários acontecimentos e atitudes que nos alimentam por dentro.

Pode ser que você se sinta familiarizado com estas palavras e se sinta tranquilo por ter alcançado o seu amadurecimento. Pode ser que estas palavras te despertem o desejo de conhecer isto tudo e te deixem curioso pra saber como é esta sensação. Mas uma coisa é certa: Quando ela chegar você vai saber. E quando isto acontecer, você não verá fogos de artifício, nem se sentirá completo, como se estivesse no topo olhando pros outros que ainda seguem lá embaixo.

Você estará tranquilo e livre, e não se sentirá triste nem cansado por ver um outro caminho a percorrer com muito mais coisas para aprender. Você se sentirá feliz por poder enxergá-las e abraçá-las, com a curiosidade de uma criança que recebe o mundo sem receio, nem ideias pré-concebidas. Seu entusiasmo terá sabor de serenidade e segurança, por saber o que você realmente quer para si e para os outros à sua volta.

O que vivi nos últimos meses foram como um campo de testes onde todos os cálculos e teorias se comprovaram. Hoje eu posso dizer, feliz e tranquilo, sem soar piegas ou ingênuo, que não se deve fugir daquilo que fazemos de melhor, do que nos faz bem e nos faz crescer. Daquilo pelo qual sempre seremos lembrados e admirados.

Hoje eu não preciso mais enganar o estômago quando a minha fome por mais e melhor é o que me mantém firme. Justamente o contrário do que dizem em relação à incapacidade de um saco vazio ficar em pé. Da mesma forma que sabemos que petiscos e lanchinhos não nos satisfazem nem nos acrescentam em vitaminas, chega um momento em que o nosso coração e a nossa alma ficam enjoados como garçom de pizzaria, que não aguenta mais ver mozzarella na sua frente. A nossa procura por consistência nos ajudará a selecionar o que nos faz bem.

A última coisa que provei, por exemplo, foi estranha.

Fui apresentado a um prato com fama internacional, que aparentemente buscava paladares que pudessem apreciar o sabor especial que ele dizia possuir por dentro. Ele se mostrou vistoso e consistente como num anúncio de TV, mas era um pastel sem recheio. Aliás, de vento. O vento tem um pequeno problema. Ele pode ocupar espaços, pode inflar balões, pode dar formas, mas ele continuará sendo invisível e disperso por dentro das capas que ocupa. Sem elas ele não é nada.

Quantas vezes já estivemos com pessoas com as quais nos impomos o dever de procurar algum assunto, alguma coisa que faça jus aos minutos que dispomos ao lado delas, da mesma forma que tentamos nos enganar ao dizer que estamos curtindo a comida do hospital, quando na verdade estamos procurando o sabor nela?

Minha última refeição foi assim. Como muitos fast-foods que pipocam todos os dias por aí, o que mais importa é vender, e não manter os clientes. Depois que o sanduíche deixa o balcão, pouco interessa se alguém gostou, ou não. Não há esforço realizado após isso. Há muito mais pessoas dispostas a comer qualquer coisa do que aquelas que preferem andar mais um pouco até achar algo que preste.

Pois é. Engraçado como eu praticamente consumi um menu inteiro de tira-gostos de uns anos pra cá, achando que era natural me distrair com estas opções enquanto o prato principal não chegava. Esse foi o problema. Tira-gostos nos distraem. E chega um momento em que você se cansa deles.

Este foi um ano de tira-gostos. Tanto no lado pessoal quando no profissional. Não me sinto mal por não ter me cansado disso antes. Tudo tem o seu tempo. E agora, é apenas correr pro abraço, pros sorrisos que desenharei só quando tiver vontade, pras poucas calorias, e pro pouco, mas consistente, que levarei em minha bagagem daqui por diante.

Viva la vida.