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Engraçado como ela sempre chega. Aquela hora em que não queremos mais nada do que tivemos até o momento em que não nos deixamos pressionar mais pelo tempo, por nós mesmos, ou pelos outros. É a hora em que simplesmente nos damos conta do que realmente importa. Para alguns, este momento de desprendimento chega cedo, para outros, um pouco mais tarde. Mas ele sempre chega. Tão certo e natural quanto a morte. Posso estar parecendo um pouco mórbido com esta comparação, mas é verdade.

A morte é só a última página de nossa história. Algumas pessoas conseguem alcançar tempo suficiente para serem enciclopédias, enquanto outras são contos ou estiveram aqui para ser alguns parágrafos, que tenha certeza, não foram escritos em vão.

O amadurecimento é uma morte. Morte de tudo aquilo que fomos antes dele chegar. Morte de uma pele que acumulou escamas demais, pesadas e desnecessárias, para dar lugar a uma nova que esteve se formando por dentro, mas esperava o momento certo para sair.

Àqueles que dizem crer na existência de pessoas que nunca aprendem com os próprios erros, um aviso: Cada um tem o seu tempo. Não há como definir características desta consciência, pois ela é um conjunto de vários acontecimentos e atitudes que nos alimentam por dentro.

Pode ser que você se sinta familiarizado com estas palavras e se sinta tranquilo por ter alcançado o seu amadurecimento. Pode ser que estas palavras te despertem o desejo de conhecer isto tudo e te deixem curioso pra saber como é esta sensação. Mas uma coisa é certa: Quando ela chegar você vai saber. E quando isto acontecer, você não verá fogos de artifício, nem se sentirá completo, como se estivesse no topo olhando pros outros que ainda seguem lá embaixo.

Você estará tranquilo e livre, e não se sentirá triste nem cansado por ver um outro caminho a percorrer com muito mais coisas para aprender. Você se sentirá feliz por poder enxergá-las e abraçá-las, com a curiosidade de uma criança que recebe o mundo sem receio, nem ideias pré-concebidas. Seu entusiasmo terá sabor de serenidade e segurança, por saber o que você realmente quer para si e para os outros à sua volta.

O que vivi nos últimos meses foram como um campo de testes onde todos os cálculos e teorias se comprovaram. Hoje eu posso dizer, feliz e tranquilo, sem soar piegas ou ingênuo, que não se deve fugir daquilo que fazemos de melhor, do que nos faz bem e nos faz crescer. Daquilo pelo qual sempre seremos lembrados e admirados.

Hoje eu não preciso mais enganar o estômago quando a minha fome por mais e melhor é o que me mantém firme. Justamente o contrário do que dizem em relação à incapacidade de um saco vazio ficar em pé. Da mesma forma que sabemos que petiscos e lanchinhos não nos satisfazem nem nos acrescentam em vitaminas, chega um momento em que o nosso coração e a nossa alma ficam enjoados como garçom de pizzaria, que não aguenta mais ver mozzarella na sua frente. A nossa procura por consistência nos ajudará a selecionar o que nos faz bem.

A última coisa que provei, por exemplo, foi estranha.

Fui apresentado a um prato com fama internacional, que aparentemente buscava paladares que pudessem apreciar o sabor especial que ele dizia possuir por dentro. Ele se mostrou vistoso e consistente como num anúncio de TV, mas era um pastel sem recheio. Aliás, de vento. O vento tem um pequeno problema. Ele pode ocupar espaços, pode inflar balões, pode dar formas, mas ele continuará sendo invisível e disperso por dentro das capas que ocupa. Sem elas ele não é nada.

Quantas vezes já estivemos com pessoas com as quais nos impomos o dever de procurar algum assunto, alguma coisa que faça jus aos minutos que dispomos ao lado delas, da mesma forma que tentamos nos enganar ao dizer que estamos curtindo a comida do hospital, quando na verdade estamos procurando o sabor nela?

Minha última refeição foi assim. Como muitos fast-foods que pipocam todos os dias por aí, o que mais importa é vender, e não manter os clientes. Depois que o sanduíche deixa o balcão, pouco interessa se alguém gostou, ou não. Não há esforço realizado após isso. Há muito mais pessoas dispostas a comer qualquer coisa do que aquelas que preferem andar mais um pouco até achar algo que preste.

Pois é. Engraçado como eu praticamente consumi um menu inteiro de tira-gostos de uns anos pra cá, achando que era natural me distrair com estas opções enquanto o prato principal não chegava. Esse foi o problema. Tira-gostos nos distraem. E chega um momento em que você se cansa deles.

Este foi um ano de tira-gostos. Tanto no lado pessoal quando no profissional. Não me sinto mal por não ter me cansado disso antes. Tudo tem o seu tempo. E agora, é apenas correr pro abraço, pros sorrisos que desenharei só quando tiver vontade, pras poucas calorias, e pro pouco, mas consistente, que levarei em minha bagagem daqui por diante.

Viva la vida.

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