365 dias em 16 centímetros

E mais uma vez eu me arrisco a tentar usar uma agenda. A minha maior resistência com estas criaturas é que eu não via sentido nelas. Se elas servem para organizar o nosso tempo e deixar que nossa memória seja ocupada com coisas mais importantes, de que adianta anotar aquilo que não será constantemente lembrado?

Ninguém marca algo na agenda para quando chegar o dia tal, abrir e dizer, “O que temos pra hoje? Uau, uma prova! Tô fudido!” No final das contas, a gente sempre acaba fazendo a maior parte do trabalho de organizar nossos compromissos, e aí a agenda perde todo o sentido para mim.

Para alguém cujo raciocínio do jogo de dominó é combinar as pedras com o mesmo número de bolinhas e ponto, este pensamento simplista é até compreensível. Mas tudo isto foi por água abaixo quando encontrei ontem a agenda dos meus sonhos:

Sim , é isso mesmo que vocês estão vendo. Esta coisinha de 16,9 x 8,3 cm, 128 páginas e não sei quantas míseras gramas, que cabe até em bolso de calça cargo me conquistou. Como eu odeio carregar qualquer objeto pesado, esta agenda aqui vai conseguir quebrar o meu galho e me ajudar a ser uma pessoa mais organizada.

Uma semana cabe em duas páginas, com o espaço distribuído para anotações pontuais, no esquema compromisso-horário-local. Muitos poderão estranhar a reduzida área oferecida pelo produto, mas é como eu falei: Eu preciso de uma agenda, não de um diário.

Outro ponto positivo é o pequeno calendário do mês disposto no início de cada semana: dá para circular datas importantes e colocar uma setinha logo abaixo, para você não esquecê-la, mesmo que ela esteja longe. Cumpriu minha prioridade-mor com louvor.

Sem falar na fitinha que marca o dia em que você está, evitando a perda de tempo na busca pela página certa. A danada ainda tem uma série de informações extras, como: lista de feriados do Brasil e outros países; espaço para inserção de dados pessoais (pro caso de você ser jogado do sétimo andar e precisem saber o seu tipo sanguíneo); contatos de emergência; códigos telefônicos de todos os países (muito útil caso você tenha um (a) peguete gringo (a) ou coisa parecida); além de lista alfabética para números de telefone.

Então. Agora vocês já viram a minha agenda nova que eu adoro e estou atualizando com contatos telefônicos, enquanto 2013 não chega para eu começar a usá-la de verdade. Ah! Notaram que a capa faz referência ao quadro de Marilyn feito pelo Andy Warhol, da Pop Art?

Esta agenda de bolso (cujo preço é bastante acessível) faz parte de uma linha simpática da Pucca, também disponível no formato tradicional e com outras estampas, fabricada  pela Granica, uma marca argentina de artigos de papelaria. No Brasil, ela está à venda na Livraria Cultura.

Gostaram? Se gostaram, ótimo. Se não, tô pouco me lixando, a agenda é minha, mesmo, e eu tô babando ela.

Beijos.

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Umbanda, mais brasileira impossivel

Umbanda

A origem de uma religião 100% brasileira.

Não tem jeito quando pensamos em um brasileiro direto imaginamos um ser misturado, são muitas influências culturais absorvidas e colocadas num caldeirão. Dia 15 de Novembro foi instituido o Dia da Umbanda, religião mais BRASILEIRA não existe. O Celophane Cultural vem trazer “um pouco” deste universo pra homenagear esta ilustre e maravilhosa mistura que representa um “tantão”  da Fé brasileira espalhada por este pais de Nosso senhor ou de Oxalá, protegido por S. Jorge, Por Cosme e Damião, banhado pelas águas de Yemanja e com as matas Cabôclas mais lindas do mundo. 


Não se pode negar que a Religião de Umbanda nasceu da mistura de diversas crenças, vindas de outras religiões. Talvez por isso a Umbanda seja a religião que recebe a todos, sem discriminações, principalmente de credo religioso, muito ao contrário do que acontece com o umbandista quando este é recebido por outras religiões, mas não vamos falar disso aqui.

Altar de umbanda Foto Klaus D. Günther
fonte: http://www.flickriver.com/photos/klausdgrio/2536911620/



O importante mesmo é termos total consciência de que a Umbanda veio da cultura afro, somada aos costumes indígenas tupiniquins, além é claro do sincretismo católico, este último uma mistura de amor e imposição. Claro que ainda existem influências orientais, cardecistas, místicas, uma verdadeira miscelânea de culturas.

A mais forte destas influências é do Candomblé, pois apesar de a Umbanda ter nascido a pouco mais de 100 anos (primeiro registro oficial), sua raiz africada é milenar, os pés são fincados no solo povoado por milhares de negros que pra cá vieram.

Yaôs na África – Pierre Verger

Pai Zélio Fernandino de Moraes foi quem registrou em cartório a primeira tenda Umbandista em 1908, sua casa, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, não tocava atabaques, mas estes instrumentos do Candomblé foram incorporados a religião e hoje é difícil encontrar terreiro de Umbanda que não os possua em seus rituais. De onde veio isso?

Foto e texto: Zélio Fernandino de Moraes:
http://www.falandodeaxe.com/entrevistados-da-revista/zelio-fernandino-de-moraes-saudoso-/
“Falta uma flor nesta mesa; vou buscá-la”. E, apesar da advertência de que não me poderia afastar, levantei-me, fui ao jardim e voltei com uma flor que coloquei no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciado os trabalhos, verifiquei que os espíritos que se apresentavam aos videntes como índios e pretos, eram convidados a se afastar. Foi então que, impelido por uma força estranha, levantei-me outra vez e perguntei porque não se podiam manifestar esses espíritos que, embora de aspecto humilde, eram trabalhadores.

Com certeza, esta influência veio de nossos queridos Pretos Velhos, entidades que se manifestam na Umbanda e que foram em vida, escravos de tempos antigos em nosso País.

Preto velho – http://felliperocha.wordpress.com/2010/03/20/pretos-velhos-humildade-e-sabedoria/
Pretos-velhos são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos “seus filhos”. São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria geralmente ligados à Confraria da Estrela Azulada dentro da Doutrina Umbandista do Tríplice Caminho (AUMBANDHAM – alegria e pureza + fortaleza e atividade + sabedoria e humildade)

Estes negros escravos, trazidos da África eram adeptos do Candomblé, de diversas nações diferentes, e a Umbanda, ainda sem um código específico e singular, administra seus templos individualmente através das orientações de seus guias patronos, ou seja, quem determina certos fundamentos em uma casa de umbanda é o guia espiritual chefe desta casa, daí a forte influencia dos rituais de nação trazidos por nossos queridos Pretos Velhos.

Outra prova desta forte influencia e que também explica a entrada da cultura européia através da romana religião Católica, é o sincretismo dos Orixás (que vieram da África) com os santos católicos. Isso acontece simplesmente porque nossos antepassados negros, enquanto escravos, não podiam adorar Orixás e portanto adoravam santos católicos para não contrariar seus senhores, mas na verdade, quando um negro rezava para São Gerônimo por exemplo, estava em seu íntimo louvando a Xangô.

São Jerônimo – Caravaggio – Sincretizado com Xangô.

A religião de Pai Zélio, que completou 100 anos em 2008 é uma mistura de crenças, ainda em formação, e tomara que continue assim, pois a evolução humana não deve parar nunca, nunca devemos dizer que já sabemos de tudo e que isso é assim e assado. Tomara que a Umbanda continue evoluindo ainda mais e continue acima de tudo, uma religião eclética, sem preconceitos.

“Foto: Pomba-gira – Laroiê Exu: o Rito de Curiação do Orixá. Terreiro Ilê Axé Xango Agodô – João Pessoa/PB. Por Frido Claudino”

A caridade é o principal fundamento.

A ritualística de Umbanda é bastante vasta, vem sendo passada de pai para filho dentro da religião mas principalmente, vem sendo moldada pela orientação de nossos mentores espirituais, mas o principal objetivo é sem dúvida a caridade através dos atendimentos realizados por estes mesmos mentores.

Cabôclo influência Indígena misturado á Oxóssi caçador sincretizado com São Sebastião.
http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/oxossi-te-deixara-objetivo-ajudara-em-reunioes-3680027.html#axzz2CBzQwMEp

Através da incorporação mediúnica, entidades espirituais muito mais evoluidas do que nós encarnados, vem prestar uma espécie de socorro as pessoas que recorrem aos diversos centros de Umbanda espalhados pelo País.

Festa de São Jorge em Vespasiano, MG. A guarda de Marinheiro de São Jorge recebe os convidados. 25/04/2010. FOTO ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA

A forma que se realizam estes rituais difere um pouco de um templo para outro, justamente pelo fato de que cada casa possui seus fundamentos próprios, passados pelos seus mentores espirituais, mas em síntese ocorrem os mesmos preceitos.

Em cada estado brasileiro, as manifestações se misturam aos costumes do lugar: como em belem do pará:  Os marinheiros http://barracaodoze.blogspot.com.br/2011/05/umbanda-em-belem-pa.html
Outro fator interessante na Umbanda do Pará é a presença
dos”Encantados”, entidades que já passaram pelo
plano terreno e que não desencarnaram, simplesmente
“se encantaram”. Os encantados se apresentam na forma de
caboclos, boiadeiros, príncipes e princesas, ou ainda
em forma de elementos ligados à natureza. Dessa forma,
pôde-se ver nas Casas de Umbanda de Belém entidades
como Dona Mariana, Seu Zé Raimundo, Marinheiro Fernando, entre outras entidades de muita força e muita luz.

O Terreiro é dividido em duas partes, o congá onde ficam os médiuns que irão trabalhar incorporados juntamente com os que irão auxiliar como cambonos e a assistência, onde se acomodam as pessoas que vem em busca deste atendimento.

A ritualística de abertura de uma Gira de Umbanda basicamente é composta de danças para os Orixás, cantos de melodias chamadas por nós de pontos cantados, defumações com ervas especiais e orações, inclusive as orações cristãs, como o Pai Nosso e a Ave Maria.

A Mitica figura do “Boiadeiro do Sertão” é representada por uma entidade:
Capa do CD – Umanda força e magia do Boiadeiro.
http://acervoayom.blogspot.com.br/2009/05/umbanda-forca-e-magia-boiadeiro.html

Ou seja, dentro da ritualística umbandista também se vê com clareza a mistura que compõem esta maravilhosa religião. Os atabaques e outros instrumentos comuns nos cultos aos Orixás se somam a práticas mais familiares aos cultos católicos, mas o culto aos Orixás sempre predomina, em muitos casos o Padê para o Orixá Exú, precede todas as giras, e isso é fundamento herdado do Candomblé que tem efeito prático no resultado das seções.

Este Padê consiste em cantar pontos para Exú e em seguida levar uma oferenda (ebó) até a canjira, que é o assentamento do Orixá na casa e fica do lado de fora do terreiro. Na prática, este ritual é um pedido para que Exú cuide da porteira e evite assim intromissões de espíritos menos evoluídos no trabalho, o chamado “descarrego”.

Após estas louvações, rezas e pedidos, se chama em terra a entidade chefe do terreiro que irá incorporar no Zelador de Santo, o dirigente do terreiro, para tanto são entoadas cantigas especiais e próprias da entidade que virá trabalhar neste dia.

Juremeiro: http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475It008
Jurema sagrada como tradição “mágica” religiosa, ainda é um assunto pouco estudado. É uma tradição nordestina que se iniciou com o uso desta planta pelos indígenas da região norte e nordeste do Brasil, mas que, atualmente possui influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria européia até a pajelança, xamanismo indígena, passando pelas religiões africanas, pelo catolicismo popular, e até mesmo pelo esoterismo moderno, psicoterapia psicodélica e pelo cristianismo esotérico. No contexto do sincretismo brasileiro afro-ameríndio, a presença ou não da jurema como elemento sagrado do culto vem estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó.
Índice

O guia chefe, depois de realizar os rituais de segurança da Gira, chama os médiuns já desenvolvidos que irão formar uma roda no centro do terreiro para receberem as entidades que irão prestar o atendimento a assistência.
Este atendimento é feito individualmente, os Guias de Luz passam orientações, receitas de banhos com ervas, dão o tradicional “passe mediúnico” que é o momento onde as entidades realizam as magias que resolvem os problemas daquela pessoa assistida.
São realizados diversos rituais nesta hora, mas acima de tudo estas entidades confortam as pessoas com seu modo carinhoso e humilde.

Hoje temos várias religiões com o nome “Umbanda” (Linhas Doutrinárias) que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Alguns exemplos dessas ramificações são:

  • Umbanda tradicional – Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;
  • Umbanda Branca e/ou de Mesa – Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos – Orixás -, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
  • Omolokô – Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
  • Umbanda Traçada ou Umbandomblé – Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;
  • Umbanda Esotérica – É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: “conjunto de leis divinas”;
  • Umbanda Iniciática – É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito.

foto terreiro maranhense por: Márcio Vasconcelos

Na verdade o que buscamos é “Luz” seja ela de onde venha ou no que acreditamos. Axé

Fontes: http://www.girasdeumbanda.com.br/2010/a-umbanda.php

Capibaribe, o rio invisível

 

Milhares de pessoas passam pelas pontes do Recife e têm estas estruturas como alguns dos símbolos mais marcantes da cidade. Só que a razão da existência delas deveria ser mais valorizada. Infelizmente, o crescimento urbano desorganizado joga fora o potencial de mobilidade, paisagismo e diversão que o Rio Capibaribe poderia oferecer.

Uma boa pedida é aproveitar os barzinhos que existem em suas encostas, e se familiarizar com a luta diária das comunidades que dele dependem para viver. Que tal pegar um final de semana e conhecer?

Bom dia.

Bom dia pra quê? Bom dia pra quem?

Bom dia pra mim, que não sabe se tenta entender a vida, ou se segue negando a fome de se estar atento a tudo, para que se possa sentir mais. Bom dia para quem foi dormir com uma visão pré-faxina de seu lar interno, e acordou como se uma diarista tivesse sido enviada de surpresa para que você acordasse com as ideias todas em seus devidos lugares.

Bom dia para quem está considerando a chegada natural do perdão em suas vidas. Não aquele falso, forçado, vendido pelos manuais de autoajuda que só serve para limpar nossa barra com a nossa própria consciência. O verdadeiro tem o seu próprio tempo e ritmo.

Bom dia pra quem está se permitindo sentir qualquer coisa que seja, tanto o bom quanto o ruim, sabendo que este último nem te faz a pior pessoa do mundo. Sentir é algo que não controlamos, apenas sentimos e pronto. Outra coisa é o que fazer com isso. Aí sim, é algo a se pensar.

Bom dia pra quem encontra resistência no local onde deveria encontrar impulso. A vida nunca foi perfeita, mas considerando o que temos de bom à nossa volta, podemos buscar inspiração e sabedoria para tratar disso de uma forma que não desgaste os nossos motores. Precisamos de aditivos e eles estão aí pra isso mesmo.

Bom dia, apenas bom dia. Apesar de ser pronunciado mecanicamente, é o mais forte cumprimento que devemos entregar a nós mesmos. Não há como prever com exatidão se ele realmente será bom, mas para que haja a possibilidade disso, só cabe a você mesmo levantar este traseiro do sofá e se mexer para fazer a sua parte.

Bons dias não vêm prontos.

“Nego Fugido” encena e celebra, a céu aberto, a sua liberdade.

O “Nego Fugido” acontece todos os domingos de julho na comunidade de Acupe, um subdistrito do município de Santo Amaro da Purificação no Recôncavo Baiano. O Acupe se transforma,em um imenso palco, com uma encenação fantástica e rica da cultura popular.

Foto: André Felipe R Argôlo

É um verdadeiro espetáculo, transformando as ruas do Acupe em um grande teatro a céu aberto. São apresentações ricas de cultura e dramatização, que contam uma historia de perseguição, captura e libertação dos escravos fujões. O espetáculo tem em média 40 figurantes, que na verdade são pessoas comuns da comunidade, são pescadores, marisqueiras, comerciantes e donas de casa.
Os negros fujões, personagens centrais da apresentação, são chamados de “negas”, e geralmente são dramatizados por crianças. Com os rostos pintados com uma mistura feita de óleo de comida e carvão moído, e na boca com um tom avermelhado, feito com papel crepom, representa o sangue e a dor dos negros escravos. Essa aparência, muitas vezes assusta aqueles que não estão acostumados com esse espetáculo.

(foto: Blog Danças Populares do Brasil)

Tem os caçadores, que são geralmente homens fortes e que conseguem executar os movimentos intensos da encenação. Eles usam saias feitas de palhas de folhas de bananeiras, para ajudar na camuflagem do ritual de captura dos negros nas matas. Nessa encenação, também tem figura do soldado, que representa a proteção do Rei. O Rei simboliza os senhores, donos dos engenhos e dos escravos em um ato dessa peça. Os negros cobram as cartas de alforria ao Rei.

Foto Karla Braga – O Capitaõ do mato com a saia de folhas de bananeira usadas como camuflagem.

A princesa Isabel é representada pela figura da “Fada Madrinha”, Ela vem vestida de branco e trás um lenço branco amarado no punho. A “Fada Madrinha” representa o equilíbrio entre a guerra e a paz dos negros e brancos.Tudo acontece em meio aos ritmos dos atabaques e de cantorias ritmados, com características africanas, e criados especialmente para essas apresentações. As letras anunciam o que vai acontecer nas cenas.
É uma manifestação única, e se mantém desde o século XIX, originados dos escravos africanos e de origem Nagô. Provavelmente logo após a Abolição da Escravatura. Ao ouvir os sons dos atabaques as “Negas” dançam enquanto os caçadores cercam os fujões, girando em torno deles. São disparados vários tiros de espingarda, carregadas de espoletas. Quando as “Negas” são atingidas, eles caem e logo são amarrados pelos caçadores, que os obrigam a percorrerem as ruas do Acupe para pedir dinheiro para comprar suas cartas de alforria. Essa parte da dramatização se repete durante os primeiros domingos do mês de julho.

Foto: VAlfredo ROque PEreira – Crianças representando as “Negas”

O desfecho final ocorre no ultimo domingo do mesmo mês, quando acontece a prisão do Rei. Esse ultimo ato, é travada uma grande batalha entre soldado e negros. Os caçadores se unem aos soldados, até conseguir capturar o Rei. Finalmente o Rei é preso, e obrigado a dar a carta de alforria, que é lida pelo Capitão do Mato. Após a leitura, dá início a uma grande festa de comemoração a abolição da escravatura.

Foto: Fernando Sérgio

Durante o mês de julho podemos apreciar também pelas ruas do Acupe os grupos de “Caretas”, “Mândus”, e “Bombachas”. Essas manifestações não têm uma relação direta com a apresentação do “Nego Fugido”, eles são um espetáculo a parte. O “Nego Fugido” não consta nos livros oficiais da historia do Brasil, mas o “Nego Fugido” é uma verdadeira aula de conhecimento e cultura de uma época tão importante para o povo brasileiro e principalmente para a comunidade do Acupe.
O “Nego Fugido” faz parte da memória cultural de Santo Amaro, e quase foi esquecido, pois ficou um tempo “adormecido”, por não ter recursos para se apresentar. Hoje essa preciosidade é comandada por uma verdadeira guerreira, dona Edna Correia Bulcão, conhecida como dona Santa, a “Fada Madrinha” do “Nego Fugido”. Ela assumiu a responsabilidade já há algumas décadas, quando herdou o amor pelo “Nego Fugido” de sua mãe, que sempre ajudava na festa. Com carinho e dedicação, ela ensina as crianças os segredos desse grandioso espetáculo. As dificuldades ainda existem para manter viva essa tradição, mas os integrantes e dona Santa lutam incansavelmente, pois o “Nego Fugido” é um tesouro, que tem que ser valorizado. Um tesouro que impressiona pela sua riqueza de detalhes.
Referencias:
Evilacio Argôlo
Agnaldo Barreto
Texto de Rosanna Ribeiro
ASSOCIAÇÃO CULTURAL NEGO FUGIDO
Rua Edval Barreto nª 68 Acupe –Santo Amaro- BA

contato: monysanto2011@hotmail.com

SÃO PAULO RECEBE “NEGO FUGIDO” E “SAMBA DE RODA RAÍZES” DE ACUPE (BA)

Apresentações com entrada franca, em diversos pontos de São Paulo, marcam Mês da Consciência Negra

Em novembro de 2012 o Projeto Grandes Temas – Edição Batuques da Associação Cultural Cachuera recebe dois grupos que mantêm tradições de cultura popular de Acupe, distrito de Santo Amaro da Purificação (BA): o Nego Fugido e o Samba de Roda Chula Raízes de Acupe.

A vinda de ambos os grupos é, a um só tempo, convite e oportunidade para o público de São Paulo conhecer a tradição do Nego Fugido, que relembra anualmente o período da escravidão do Recôncavo Baiano através de uma vigorosa encenação de rua, e o Samba de Roda Chula, que mantém características locais bem demarcadas.

No período também será lançada uma grande campanha de arrecadação de recursos, via financiamento coletivo, para a construção da Casa Nego Fugido – Centro de Estudos e Práticas Afro-Brasileiras, em Acupe.

NEGO FUGIDO E SAMBA DE RODA CHULA RAÍZES DE ACUPE
Programação completa de apresentações na cidade de São Paulo . 10 a 15/11/12

10/11 (sábado)
Nego Fugido no Espaço Cachuera!
Projeto Grandes Temas – Edição Batuques

16h . Apresentação em ruas próximas ao Cachuera!
18h . Roda de conversa
19h . Samba de Roda Chula com o grupo Raízes de Acupe

Rua Monte Alegre, 1.094 . Perdizes . São Paulo
(11) 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br . http://www.cachuera.org.br

Entrada franca

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11/11 (domingo) | 14h
Nego Fugido no Parque da Luz

Praça da Luz, 2 . Bom Retiro . São Paulo
(11) 3324 0942 . educainclusiva@pinacoteca.org.br . http://www.pinacoteca.org.br

Entrada franca

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13/11 (terça-feira) | a partir das 18h
Samba de Roda Raízes de Acupe + exibição de documentários da Cachuera! + exposição – arte em tela de 38 tatuadores de vários países + DJs Zinco e Soares
na Matilha Cultural

Rua Rego Freitas, 542 . Centro . São Paulo
(11) 3256 2636 . http://www.matilhacultural.com.br

Entrada franca
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14/11 (quarta-feira) | a partir das 20h
Noite do Samba de Roda no Espaço Cachuera!
A renda do evento será revertida para a campanha de arrecadação de recursos – construção da Casa Nego Fugido, em Acupe (BA)

Participação especial dos grupos de Samba de Roda:

Garoa do Recôncavo e Mestre Ananias
Nega Duda
Raízes de Acupe
Samba de Dois . Santo Amaro – Mestre Robinho e Andréia

Rua Monte Alegre, 1.094 – Perdizes . São Paulo

Ingresso: pague o quanto vale (sugestão: a partir de R$ 10)

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15/11 (quinta-feira)
Nego Fugido no Instituto Pombas Urbanas

15h . Apresentação em ruas próximas ao Centro Cultural
17h . Roda de conversa com representantes de grupos de teatro de rua e movimentos sociais

Centro Cultural Arte em Construção
Av. dos Metalúrgicos, 2.100 . Cidade Tiradentes . São Paulo
(11) 2285 5962 . contato@pombasurbanas.org.br . http://www.pombasurbanas.org.br

Entrada franca