Duetos de Cesária Évora finalmente lançados no Brasil

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Esta semana tive uma grata surpresa ao passear pela sessão de World Music das megastores: A mais famosa filha das ilhas de Cabo Verde aumentou a sua discografia disponível no Brasil, para deleite de seus fãs. “Cesária Évora &…” coletânea de 2010, chegou esta semana no mercado nacional, lançado pela Sony Music. O disco contém todos os duetos que a diva dos pés descalços gravou em sua carreira, totalizando 19 colaborações tiradas de seus álbuns oficiais, participações em discos de outros artistas e versões ao vivo nunca antes lançadas.

A coletânea aglutina suas canções mais conhecidas, como a icônica “Sodade”, do álbum “Miss Perfumado”, aqui dividida nos vocais com o angolano Bonga Kwenda, “Crepuscular Solidão” com a americana Bonnie Raitt” e clássicos brasileiros como “É doce morrer no mar”, de Dorival Caymmi e Jorge Amado, na companhia vocal de Marisa Monte, além de “Negue”, hit de Adelino Moreira, dividida ao vivo com Caetano Veloso.

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QUEM É ELA?

Aí você vem e me pergunta: “Quem é Cesária Évora?” Nascida em Mindelo, na Ilha de Santiago, arquipélago de Cabo Verde, começou a cantar aos 16 anos, em tabernas na região portuária de sua cidade. Somente em 1985 teve sua grande chance, ao ser convidada por Bana, conhecido cantor de seu país para se apresentar em Lisboa. Lá conheceu o produtor José da Silva, que a convenceu a gravar um disco em Paris. E em 1988, é lançado “A Diva dos Pés Descalços”, em alusão à forma como se apresentava para cantar. Eu só vim a conhecer esta senhora em 1994, por ocasião do disco “Miss Perfumado”, lançado em 1992. Imediatamente fui tocado pela paixão completamente tangível que saía de sua voz. Ela vivia aqueles sentimentos todos que emanava. A força de sua performance, para mim, só é comparável a Elis Regina, no Brasil, e Amália Rodrigues, em Portugal. 

Cesária cantava morna, expressão musical típica das ilhas de Cabo Verde, mas mandava bem em qualquer gênero e idioma. Ela abraçou o português, o espanhol, o francês e o crioulo cabo-verdiano, sua língua pátria. Ouvi-la cantar em crioulo é voltar ao passado da colonização: formado a partir de adaptações de palavras da língua portuguesa, pronunciadas ao modo das línguas dos escravos, o crioulo foi rapidamente compartilhado, facilitando a comunicação entre africanos de etnias diferentes, e também com os portugueses.

A morna está para Cabo Verde assim como o Tango está para a Argentina e o samba pro Brasil. Este gênero é feito com violão, cavaquinho, piano, rabeca e vários instrumentos de percussão, como o bongô, chocalho, reco-reco e outros. Nas letras, um romantismo intenso como o fado português, e a eterna presença da saudade em tudo. Saudade da terra natal, da infância, de um amor que se deseja ter de volta. O orgulho também se faz presente, ao enaltecer as riquezas naturais e culturais do país.

“Cesária Évora &” está à venda nas principais lojas do Brasil. O preço médio é de R$ 26,00

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