Cosme Damião ou Ibêji… salvem as crianças.

A crença popular, os fiéis da Umbanda, da Igreja Católica e do Candomblé, acreditam que dar doces, praticar a caridade com boa vontade, deixar uma criança ou sete crianças  felizes, presenteadas com brinquedos,  doces, bolo ou apenas um belo abraço acompanhado de um beijo carinhoso e verdadeiro, opera milagres,  nesta época que vai do dia 27 de Setembro – Dia de S. Cosme e São Damião/Ibejada, até dia 12 de Outubro Dia das Crianças.

Descrição da Imagem: Imagem mais popular de Cosme e Damião dois gêmeos jovens vestidos com túnicas verde e vermelhas com uma pena e um pote nas mãos. a Imagem está toda cercada de doces coloridos.

Segundo a lenda Católica os irmãos Gêmeos Cosme e Damião foram médicos e exerciam a sua profissão sem cobrar nada em troca, atendiam pessoas pobres, doentes do corpo ou da alma, utilizando palavras mágicas e conseguindo cura-las.

No Brasil, nesta época, milhares de pessoas se mobilizam em prol da doação ás crianças, desfazendo as diferenças religiosas e unindo os grupos mostrando como somos um povo misturado em nossas crenças.

Quem são os Ibêji?

Nas religiões afro-Brasileiras, Ibêji é formado por duas entidades distintas e indica a contradição, os opostos que coexistem. Por ser criança, é associado a tudo que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano.

As pessoas do candomblé freqüentemente temem Ibêji. Poderoso como todo orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências imprevistas. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiel às pessoas que conquistam sua confiança.

No dia de Ibêji, 27 de setembro (o mesmo de São Cosme e São Damião, com os quais é sincretizado), é costume as casas de culto abrirem as portas e oferecer mesas fartas de doces e comidas para crianças, elevadas à condição de representantes do orixá na terra. Qualquer participação de Ibêji em cerimônias dá um toque alegre e inconseqüente a ela, sendo freqüente que as comidas ritualísticas a ele oferecidas recebam enfeites como fitas de cetim em cores vivas.

Descrição da Imagem: representação dos Ibêji em desenho como dois meninos de etinia negra, com saiotes vermelhos e calça verde (mesmas cores de Cosme e Damião), estão descalços e carregam uma planta chamada espada de Ogum (orixá sincretizado com São Jorge).

A Ibêji se oferecem prendas de todas as cores e as roupas de seus filhos, em cerimônia, são multicoloridas. São homenageados aos domingos, recebendo como comidas rituais doces, bolinhos, balas, caruru de quiabos e vatapá. A ele são sacrificados frangos e frangas de leite. A saudação ao Ibêji é “Bejé ó ró! La ô!”

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“São filhos de Iemanjá
os dois meninos gêmeos, os Ibejis.
Os Ibejis passavam o dia a brincar.
Eram crianças e brincavam com Logm Edé
e brincavam com Euá.
Um dia, brincavam numa cachoeira
e um deles se afogou.
O Ibeji que ficou começou a definhar,
tão grandes eram sua tristeza e solidão,
melancólico e sem interesse pela vida.
 
Foi então a Orunmilá e suplicou
que Orunmilá trouxesse o irmão de volta.
Que Orunmilá os reunisse de novo,
para que brincassem juntos como antes.
Orunmilá não podia ou não queria fazer tal coisa,
mas transformou a ambos em imagens de madeira
e ordenou que ficassem juntos para sempre.
Nunca mais cresceriam,
não se separariam.
São dois gêmeos-meninos
brincando eternamente, são crianças”.
 
Transcrito do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi publicado pela Cia das Letras, pág 369. Também encontrado em Rita de Cássia Amaral, pesquisa de campo, São Paulo, 1986, 1987.

Doum – mas não eram dois Gêmeos?

É dito que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum os outros dois irmãos se tornaram determinados em aprender e praticar a medicina para curar a todas as crianças, sempre de forma gratuita. Na Umbanda não podemos esquecer de oferecer também para Doum, porque senão ele faz uma tremenda bagunça podendo causar estragos na sua comemoração. Ele é a representação daquelas crianças que morreram ainda bebês. Não devendo nunca cair em nosso esquecimento.

Descrição da imagem: estátua em gesso onde aparece o terceiro irmão Doum no meio dos gêmeos.

Históricamente quem foram os irmãos Cosme e Damião antes de se tornarem Santos?

Há relatos que atestam serem originários da Arábia, de uma família nobre de pais cristãos, no século III. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.

Estudaram medicina na Síria e depois foram praticá-la em Egéia. Diziam “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder”.

Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.

Descrição da Imagem: Santos Cosme e Damião realizando um transplante de perna, afresco (pintura) do artista Fra Angelico

 

Conta-se que eram sempre confiantes em Deus, que oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de “santos pobres”. A partir do século V os milagres de cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões.

Os gêmeos Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por Diocleciano (O mesmo imperador miserável que também  torturou e decaptou S. Jorge),  foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.

Descrição da Imagem:Afresco (pintura) autoria de Fra Angelico que mostra, com cores bem fortes e expressões marcantes, os irmãos Acta e Passio e mais dois não identificados com as cabeças decaptadas por um soldado portando uma espada, por ordem de Dioclesiano, diante de uma atenta platéia. Interessante é que os quatro martirizados tem uma auréola em torno das cabeças cortadas.

Foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS – Cosme e Damião.

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“Cosme e Damião: a arte popular de celebrar os gêmeos”