Sonhando em Brennand

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Este é um dos meus lugares preferidos na Terra. Aliás, nem parece que você está no planeta. Esculturas e construções erguidas a partir do barro, o elemento número um da mitologia acerca da criação da vida. Toda esta arte de cerâmica saiu da mente de Francisco Brennand, artista pernambucano que nos tira da realidade a cada obra finalizada.

Para quem ficou curioso e tiver a fim de visitar, é só pegar mais informações no site oficial: http://www.brennand.com.br/

CREDITO

Vendendo gato por lebre

Entender o circuito de distribuidores cinematográficos no Brasil é um desafio. Por muitas vezes, deixamos de conhecer ótimas produções, por decisões baseadas em tendências de mercado que subestimam os espectadores. Ou às vezes, é falta de talento para vender o peixe, mesmo. Mas, em se tratando de uma sociedade onde o apelo para o consumo se arma com estratégias cada vez mais elaboradas, fica difícil saber até onde estamos vendo algo concreto ou extremamente planejado.
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the-joneses-movie-poster1Veja ampliado: Poster ironiza com os clichês dos catálogos de vendas
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Pois o filme “The Joneses”, lançado em dezembro do ano passado nos Estados Unidos, e estrelado por David Duchovny (Arquivo X, Californication) e Demi Moore (Ghost) é um daqueles paradoxos de marketing: Ele pertence a um gênero, mas é vendido como outro mais amigável ao grande público. Em outras palavras, é como se a apresentação de uma orquestra sinfônica com a participação de um grupo percussivo fosse vendido como o novo show da atual sensação do axé. E não é que funciona? Continuar lendo

A dança que molda a vida

O nascimento, as transformações e a morte das emoções e desejos humanos, vistos sob o mito da criação da vida a partir do barro. Este é o mote do espetáculo “Afar”, da Sete&Oito Companhia de Dança, que estréia neste sábado (03/11) e segue durante os finais de semana do mês de novembro, no Sobrado das Artes, na Travessa Tiradentes, no Recife Antigo.

A iniciativa é fruto de um trabalho de pesquisa realizado pelos bailarinos e arte-educadores Carlla Amaral e Cleisson Barros, que viram no barro um canal ideal para expressar as dúvidas, anseios e conflitos causados pela fome de criação do homem. “A palavra ‘Afar’ vem do hebraico e significa pó, mas com uma conotação que remete aos símbolos do fruto e da reprodução, da criação. E este nascimento é algo que tanto o artista quanto o cidadão comum respiram o tempo todo: Damos luz a sonhos, anseios e medos todos os dias. Alguns canalizam isto em realizações práticas no seu dia-a-dia, outros fazem poesia”, diz Carlla.

O bailarino Cleisson Barros afirma que o espetáculo se apóia na eterna busca do ser humano pelo sentido de sua trajetória. “O homem desenvolve novas formas de se relacionar com o mundo e consigo mesmo, a partir do momento em que se permite questionar. E nós absorvemos conhecimentos, sentimentos e nos adaptamos ao ambiente e às circunstâncias, tal qual a argila é moldada ao gosto de seu criador. Somos um sinônimo ambulante dela, até o nosso corpo possui o mesmo número de elementos químicos presentes nesta poeira vermelha”, conclui.

O espetáculo, que conta com uma estrutura onde os bailarinos se apresentam misturando seus passos em meio à água e à argila, se apóia no caráter sensorial que o elemento barro traz consigo: ele possui cores e cheiros, é mutante como as vontades e os sonhos, as formas e espessuras, ele pode ser frágil, mas também proteger: “Com ele podemos compor as máscaras e armaduras que vestimos todos os dias para lidarmos com o outro. Com este pó somos criadores e ciraturas, a partir dele nos rebelamos, nele ficamos escondidos, conscientes ou não”, afirma Carlla.

“Afar” possui a colaboração de nomes conhecidos do circuito cênico de Pernambuco. A trilha sonora inédita é composta por Adriana Nilet, que entre vários espetáculos, contribuiu musicalmente para a última versão pernambucana de “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, dirigida por Cláudio Lira em outubro deste ano. A iluminação fica a cargo de Cleison Ramos, que se une à cenografia do artista plástico Antônio Bernardo, responsável pelos personagens retratados na Embaixada dos Bonecos Gigantes no Recife Antigo.

A temporada de “Afar” segue até o dia 25 de novembro, com sessões às 20h (sábados) e 19h (domingos). Os ingressos podem ser adquiridos no local do espetáculo.

Serviço

“Afar”

Onde: Sobrado das Artes – Travessa Tiradentes, S/N – ao lado da Capitania dos Portos, Recife Antigo.

Quando: Sábados e domingos, até o dia 25/11. Estréia no dia 03/11.

Horários: 20h (sábados) e 19h (domingos).

Ingresso: R$ 10,00

Informações: (81) 9216.4249 / 8536.7701 / 9967.6265 ou pelos e-mails carlladoamaral@ig.com.br / companhiaseteoito@gmail.com

Por que você ainda compra discos?

Sempre me perguntam por que eu ainda compro discos. A resposta é simples: por que eu não sei fazer minhas refeições andando. E apressado come cru. Sempre me senti estranho ao som que você carrega consigo e não divide com ninguém. A música, alimento da alma que por si só tem um forte caráter agregador, agora encontra-se presa em fones de ouvido que por sua vez prendem seus ouvintes. E aí cada um permanece no seu mundo, trancado.

Eu ainda pude presenciar amizades e paqueras que começaram com uma simples pergunta a respeito da voz que saía da caixa de som alheia. Aquelas melodias seriam a cola que uniria e acenderia outras afinidades. Sempre gostei dos discos por que eles eram mais que um balaio de arquivos numa caixinha eletrônica. Cada álbum possuía um conceito, um cuidado em seguir uma sequência harmoniosa e uma moldura visual caprichada que fosse uma extensão da obra.

Agora? Vejo muita coisa disposta como background do caminho pro trabalho, da volta pra casa, da malhação na academia, do esquente pré-balada. Muitas vezes baixamos uma música que achamos legal, sem nem saber o nome do artista. Pra quê serve isso mesmo? A velocidade crescente da informação jogada por aí nos põe numa overdose que nos rouba o tempo necessário para apreciar -e não consumir- a arte musical. Álbuns são a la carte, MP3 são bandeijões.

Da mesma forma que o tempero decai pela pressa do self-service, a qualidade sonora das músicas no formato MP3 também soa indigesta, comprimida e achatada aos meus ouvidos. Por apreciar a vibração das caixas do estéreo da sala de estar desde os três anos de idade, desenvolvi um gosto por contemplar a música, o efeito acústico do estúdio na voz do cantor, os detalhes do instrumento que quase ninguém percebe, ali, escondidinho entre a segunda estrofe e o refrão, tão importante pra mim, que aos meus ouvidos, a música seria nada mais que um corpo amputado de seus membros.

E a capa, e os encartes? E a lista de agradecimentos? Aquilo tudo me enche de satisfação, por estar registrado o amor e o suor empregado por um monte de pessoas que tiraram seus sonhos da folha de partitura para transformá-los em realidade aos nossos ouvidos. As datas de gravação, os estúdios utilizados, tudo isto me faz imaginar como são esses lugares por dentro, como foi a rotina de trabalho, se houve diversão, se houve conflito, se houveram noites em claro para deixar a canção da forma que imaginaram, as parcerias, os copos de bebidas, as saídas para buscar inspiração… Toda esta maravilha da coletividade criativa e emocional das relações humanas está presente naquelas obras que podem afirmar com orgulho: EU SOU UM DISCO! Eu nasci entre uma batucada na mesa e um piano no final da noite! Eu fui gerado por um grupo de pessoas, tão heterogêneas quanto uma colcha de retalhos, e tão harmoniosas quanto uma amizade que se entende com o olhar.

Perceber que por trás de cada canção há um conjunto de pessoas que assim como eu, possuem uma bagagem cheia de referências, lembranças e curiosidade, é como estabelecer um vínculo horizontal com os músicos. Nós os admiramos por que no fundo sabemos que eles são iguais a nós, que possuem a mesma fome. Isto talvez explique a relação sem contenção entre os artistas e seus fãs.

É por isso que apesar de toda a tecnologia que facilita a descoberta de novas canções, eu ainda compro discos. A enxurrada digital nunca irá mudar o processo de criação, que é intrinsecamente emoção.

Discos ainda são necessários.

O traçado contemporâneo da raiz

Cultura popular é algo que sempre me chamou muito a atenção, desde pequeno. Tive a sorte de nascer e crescer num ambiente cercado de manifestações culturais do tipo, o que me dá umacerta segurança e familiaridade para falar do assunto, embora meus conhecimentos estejam na seara de alguém que busca saciar sua fome de uma forma lúdica, que passa longe da formalidade acadêmica, por cujo material nutro um tremendo carinho e respeito.

Se há uma das coisas que mais gosto na cultura popular é a sua campacidade de transformação pelas mãos daqueles que a construíram. O Brasil foi palco de grandes fases emblemáticas na construção de sua identidade cultural, que não cabe em si mesma, e abraça o resto do mundo só pra ver no que dá essa miscigenação. Foi assim com a antropofagia da Semana de Arte Moderna, do Tropicalismo e o Manguebit, só para ctar alguns.

Minha última descoberta vem das Alagoas e se chama Reinaldo Freire. Naldinho, como é artisticamente conhecido, nasceu na Paraíba, mas radicou-se em Maceió, de onde saltou para o resto do mundo com seus trabalhos de pesquisador e arte-educador. Seus projetos envolvem a música tradicional das comunidades nordestinas desde 1995. Seu último feito está concentrado no DVD “Raízes: Traços Contemporâneos”, onde ele dá vazão à curiosidade brasileira que busca novos elementos para acordes que se perpetuam de geração em geração.

Em “Raízes: Traços Contemporâneos”, ritmos como a ciranda, o coco, o barravento, o toré, e o maneiro-pau recebem a visita do contrabaixo, do violão e da música eletrônica num show ao vivo, fruto de uma pesquisa realizada desde 1990, que percorreu todo o nordeste e as ilhas de Cabo Verde, na África. O músico é acompanhado pela programação dos bitse contravbaixo de Júlio Campos, e a percurssão e vocais de Wilson Miranda. Musicalmente, o som de Naldinho parece se encaixar no espaço reservado para a contemplação e contato do nosso olhar com o ancestral das cantigas e folguedos que muitas vezes só conhecemos pelos livros. Para quem estuda, realiza pesquisa ou se interessa por música em sua face mais plena, a apresentação de Naldinho se revela um prato cheio para os paladares auditivos mais curiosos e amantes da essência brasileira.

SORTEIO:

Escreva para raizes@cajumanga.com e concorra ao DVD Raízes: Traços Contemporâneos. O oitavo e-mail que chegar em nossa caixa de entrada será o ganhador. O mesmo participante não pode enviar mais de um e-mail. De resto, é torcer e contar com a sorte!

Acompanhe o resultado pelo Twitter: @cajumanga
Boa Sorte!

ATUALIZAÇÃO (21h):

O DVD foi sorteado e quem faturou foi o Marcone Marques, vulgo @marconemarques! Parabéns, garoto!

Lampião invade os palcos em grande estilo

E mais um ícone da cultura popular nordestina entra para o calendário oficial das artes cênicas do Brasil. O espetáculo teatral “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião” presta homenagem a Virgolino Ferreira da Silva, pernambucano de Serra Talhada, que durante 19 anos reinou no sertão nordestino, dando origem a diversas histórias controversas que o fizeram um mito. Mistura de justiceiro com fora-da-lei, Lampião é um legítimo anti-herói do imaginário popular que ainda hoje é muito presente na cultura dos lugares por onde passou.

A peça terá seu lançamento oficial no próximo dia 06 de julho (sexta-feira), no Teatro de Santa Isabel, em Recife. A ocasião reunirá atores, produtores e autoridades para a apresentação do projeto, que chama para si a missão de reunir nomes consagrados do circuito cênico local, no desenvolvimento de uma obra ao ar livre nos mesmos moldes da Paixão de Cristo e a Batalha dos Guararapes. A peça, de Anildomá Willans de Souza, terá a batuta do ator e diretor José Pimentel, que possui larga experiência em encenações do gênero (foi o protagonista da Paixão encenada em Nova Jerusalém por 18 anos e atualmente estrela a versão recifense).

A obra será encenada na Estação do Forró, em Serra Talhada, município do interior pernambucano, entre os dias 25 e 29 de julho e terá acesso gratuito e aberto ao público. A história apresentada irá mesclar fatos históricos da vida de Lampião, com casos dos mitos populares construídos a seu respeito, culminando com a sua morte na emboscada de Angico. Entre os destaques revisitados, estão os conflitos com o primeiro inimigo José Saturnino, seu encontro com Padre Cícero e a traição de Pedro de Cândida, acompanhados de uma série de efeitos visuais e trilha sonora.

O espetáculo integra a programação do Encontro Nordestino de Xaxado e do Tributo a Virgolino – A Celebraçao do Cangaço, realizados no mesmo período, cuja programação pode ser conferida no blog oficial da Fundação de Cultura Cabras de Lampião: http://pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com.br.

O projeto “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião” foi aprovado em parceria pela Funarte / Ministério da Cultura, e é realizado pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, filiada à ARTEPE (Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco).

Mais informações pelos telefones :  (81) 9945-7073  / 8850-8011  / 9381-1768

Olinda vai à Cuba pelo Coco de Roda

O Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, desenvolvido pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) do Ministério da Cultura, contribuiu esta semana com mais um passo na divulgação da diversidade artística brasileira. No último sábado (30/06), o grupo pernambucano de coco de roda A Cocada, originário da comunidade de Amaro Branco, em Olinda, viajou para Cuba, como único representante brasileiro convidado a participar do 32º Festival del Caribe, também conhecido como “Fiesta del Fuego”, um evento que desde 1981 reúne todas as manifestações culturais, científicas e literárias latinas, homenageando um país da comunidade a cada ano.

O país foi homenageado por duas vezes, em 1988 e 1997. A cultura de Pernambuco recebeu destaque na edição de 2010, dividindo os olhares com as expressões populares de Curazao. Na ocasião, o grupo de coco foi convidado, mas não pôde se apresentar devido à dificuldades relacionadas aos recursos para as passagens aéreas.

Washington Felipe, integrante da Cocada, afirma que a viagem será uma oportunidade para que o grupo adquira novos conhecimentos e estabeleça parceria com outros coletivos artísticos: “já almejávamos ir ao exterior, porém não encontrávamos os meios para realizar este contato mais próximo com artistas de outros países. Esperamos poder estreitar os laços com outros músicos e agentes culturais, para trocar idéias e experiências que tragam crescimento para os dois povos”, afirmou.

A 32ª edição do Festival del Caribe – Fiesta del Fuego é realizada em Santiago de Cuba, de amanhã (03/07) até a próxima segunda-feira (09/07). A Cocada fará uma apresentação em palco e outra em cortejo, mostrando composições de coco, caboclinho, maracatu, ciranda, afoxé e samba de roda. O evento começa amanhã e vai até a próxima segunda-feira. Para o grupo, a participação nesta edição do evento terá um gosto especial: Este ano, tanto Olinda quando Cuba comemoram 30 anos dos Titulos de Patrimônio Histórico concedido pela Unesco.

No seu retorno ao Brasil, o grupo promoverá um seminário, apresentando o resultado de sua ida à Cuba, com idéias e experiências a serem desenvolvidas em sua comunidade.

A jornada cubana da Cocada e os seus próximos trabalhos podem ser acompanhados via Facebook, na fanpage oficial do grupo. A rápida entrevista pode ser ouvida clicando nos links abaixo.

Faça seu pedido. Mude seu menu.

Engraçado como ela sempre chega. Aquela hora em que não queremos mais nada do que tivemos até o momento em que não nos deixamos pressionar mais pelo tempo, por nós mesmos, ou pelos outros. É a hora em que simplesmente nos damos conta do que realmente importa. Para alguns, este momento de desprendimento chega cedo, para outros, um pouco mais tarde. Mas ele sempre chega. Tão certo e natural quanto a morte. Posso estar parecendo um pouco mórbido com esta comparação, mas é verdade.

A morte é só a última página de nossa história. Algumas pessoas conseguem alcançar tempo suficiente para serem enciclopédias, enquanto outras são contos ou estiveram aqui para ser alguns parágrafos, que tenha certeza, não foram escritos em vão.

O amadurecimento é uma morte. Morte de tudo aquilo que fomos antes dele chegar. Morte de uma pele que acumulou escamas demais, pesadas e desnecessárias, para dar lugar a uma nova que esteve se formando por dentro, mas esperava o momento certo para sair.

Àqueles que dizem crer na existência de pessoas que nunca aprendem com os próprios erros, um aviso: Cada um tem o seu tempo. Não há como definir características desta consciência, pois ela é um conjunto de vários acontecimentos e atitudes que nos alimentam por dentro.

Pode ser que você se sinta familiarizado com estas palavras e se sinta tranquilo por ter alcançado o seu amadurecimento. Pode ser que estas palavras te despertem o desejo de conhecer isto tudo e te deixem curioso pra saber como é esta sensação. Mas uma coisa é certa: Quando ela chegar você vai saber. E quando isto acontecer, você não verá fogos de artifício, nem se sentirá completo, como se estivesse no topo olhando pros outros que ainda seguem lá embaixo.

Você estará tranquilo e livre, e não se sentirá triste nem cansado por ver um outro caminho a percorrer com muito mais coisas para aprender. Você se sentirá feliz por poder enxergá-las e abraçá-las, com a curiosidade de uma criança que recebe o mundo sem receio, nem ideias pré-concebidas. Seu entusiasmo terá sabor de serenidade e segurança, por saber o que você realmente quer para si e para os outros à sua volta.

O que vivi nos últimos meses foram como um campo de testes onde todos os cálculos e teorias se comprovaram. Hoje eu posso dizer, feliz e tranquilo, sem soar piegas ou ingênuo, que não se deve fugir daquilo que fazemos de melhor, do que nos faz bem e nos faz crescer. Daquilo pelo qual sempre seremos lembrados e admirados.

Hoje eu não preciso mais enganar o estômago quando a minha fome por mais e melhor é o que me mantém firme. Justamente o contrário do que dizem em relação à incapacidade de um saco vazio ficar em pé. Da mesma forma que sabemos que petiscos e lanchinhos não nos satisfazem nem nos acrescentam em vitaminas, chega um momento em que o nosso coração e a nossa alma ficam enjoados como garçom de pizzaria, que não aguenta mais ver mozzarella na sua frente. A nossa procura por consistência nos ajudará a selecionar o que nos faz bem.

A última coisa que provei, por exemplo, foi estranha.

Fui apresentado a um prato com fama internacional, que aparentemente buscava paladares que pudessem apreciar o sabor especial que ele dizia possuir por dentro. Ele se mostrou vistoso e consistente como num anúncio de TV, mas era um pastel sem recheio. Aliás, de vento. O vento tem um pequeno problema. Ele pode ocupar espaços, pode inflar balões, pode dar formas, mas ele continuará sendo invisível e disperso por dentro das capas que ocupa. Sem elas ele não é nada.

Quantas vezes já estivemos com pessoas com as quais nos impomos o dever de procurar algum assunto, alguma coisa que faça jus aos minutos que dispomos ao lado delas, da mesma forma que tentamos nos enganar ao dizer que estamos curtindo a comida do hospital, quando na verdade estamos procurando o sabor nela?

Minha última refeição foi assim. Como muitos fast-foods que pipocam todos os dias por aí, o que mais importa é vender, e não manter os clientes. Depois que o sanduíche deixa o balcão, pouco interessa se alguém gostou, ou não. Não há esforço realizado após isso. Há muito mais pessoas dispostas a comer qualquer coisa do que aquelas que preferem andar mais um pouco até achar algo que preste.

Pois é. Engraçado como eu praticamente consumi um menu inteiro de tira-gostos de uns anos pra cá, achando que era natural me distrair com estas opções enquanto o prato principal não chegava. Esse foi o problema. Tira-gostos nos distraem. E chega um momento em que você se cansa deles.

Este foi um ano de tira-gostos. Tanto no lado pessoal quando no profissional. Não me sinto mal por não ter me cansado disso antes. Tudo tem o seu tempo. E agora, é apenas correr pro abraço, pros sorrisos que desenharei só quando tiver vontade, pras poucas calorias, e pro pouco, mas consistente, que levarei em minha bagagem daqui por diante.

Viva la vida.

Caleidoscópio Tropical na Tela Grande

E está para chegar aos cinemas um documentário sobre uma das épocas mais criativas da música brasileira: O Tropicalismo. Nascido em plena ditadura militar, este gênero musica promoveu uma mistura de elementos nacionais com influências captadas no resto do mundo. A introdução da guitarra elétrica no cancioneiro popular, por exemplo, pegou os ouvintes mais tradicionais de surpresa. Assim como as letras, fruto das diversas viagens ideológicas e assumidamente lisérgicas  dos artistas.

Para quem não viveu aquela época, o filme de Marcelo Machado é uma bela homenagem à história social, cultural e política brasileira. Nele, vemos nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee como integrante dos Mutantes, e Tom Zé, em depoimentos e cenas inéditas a partir de uma simples questão: “O que é o Tropicalismo?”

Por natureza um movimento que nunca se ateve a um modelo estático de definição, o Tropicalismo se apresentou de diversas formas, em vários segmentos, a partir da música. A obra foca nos agitados anos de 1967, 1968, 1969, compondo um retrato irreverente e carinhoso à efeverscência cultural marcada pela ruptura e pelo abraço com o novo. Uma época em que antes de fazer sucesso, os artistas pretendiam fazer política a partir de suas criações.

Isto é claro em uma das falas de Tom Zé, que afirma: “Para uma ditadura, pensar é crime.” E isto foi o que a Tropicália fez: plantou sementes nas mentes brasileiras.

O filme tem estréia prevista para 21 de setembro, e logo após deve ganhar uma edição caprichada em DVD e trilha sonora, editados pela Universal Music.

Dieta literária

Quando decidimos fazer as coisas de modo diferente, seja para alcançar uma meta, seja para não cair mais nas roubadas, o que fazemos? Damos o primeiro passo e esperamos contar com a torcida das pessoas ao nosso redor, para que não percamos o foco.

O Marco Lazaroto (@magrolima) fez um blog. Ele recentemente tomou a decisão de cortar os gastos com itens literários, pois se viu em frente a um amontoado de livros esperando para ser lidos e uma carteira com dinheiro de menos. Aproveitando que costumamos receber o incentivo alheio em nossas metas e planos, ele elevou este impulso à enésima potência, ao se deixar acompanhar pela rede mundial de computadores em sua jornada rumo  a UM ANO SEM LIVRARIA.

É isso mesmo. Assim como um confessionário, um diário, uma terapia ao estilo alcoólicos anônimos, o Marco se propõe a administrar a ânsia de conferir as útlimas novidades das prateleiras, e ler as obras que já possui, aproveitando para comentá-las e apresentar histórias e autores que podem enriquecer a bagagem literária dos leitores.

Claramente inspirado em casos como o Um Ano Sem Zara, Lazaroto irrompe com textos inteligentes e bem-humorados sobre o que está lendo e comentando as últimas compras em revistas e histórias em quadrinhos, que estão livres da dieta.

Corra para http://umanosemlivraria.tumblr.com, que ainda dá tempo de pegar o bonde andando, e coloque o blog nos seus favoritos!