O povo nas ruas é lindo, mas…

Em relação ao protesto ocorrido hoje no Recife, que mostrou-se bastante tranquilo, se comparado aos realizados no resto do país, algo me chamou a atenção.

porque

O movimento iniciado pelos estudantes do Passe Livre é legítimo, e até certo ponto, a intenção que eles tinham de não se deixarem influenciar pela participação partidária era até compreensível. “Se esses partidos até hoje se mostram ineficientes, por que razão nós deixaríamos que eles chegassem perto?” A posição do Passe Livre se assemelha ao conceito do preço ético de um jornal, que precisa se equilibrar entre servir de canal para a sociedade, e abrir espaço para anunciantes, o que  também ajudar a pagar as contas de seus funcionários. Continuar lendo

Bom dia.

Bom dia pra quê? Bom dia pra quem?

Bom dia pra mim, que não sabe se tenta entender a vida, ou se segue negando a fome de se estar atento a tudo, para que se possa sentir mais. Bom dia para quem foi dormir com uma visão pré-faxina de seu lar interno, e acordou como se uma diarista tivesse sido enviada de surpresa para que você acordasse com as ideias todas em seus devidos lugares.

Bom dia para quem está considerando a chegada natural do perdão em suas vidas. Não aquele falso, forçado, vendido pelos manuais de autoajuda que só serve para limpar nossa barra com a nossa própria consciência. O verdadeiro tem o seu próprio tempo e ritmo.

Bom dia pra quem está se permitindo sentir qualquer coisa que seja, tanto o bom quanto o ruim, sabendo que este último nem te faz a pior pessoa do mundo. Sentir é algo que não controlamos, apenas sentimos e pronto. Outra coisa é o que fazer com isso. Aí sim, é algo a se pensar.

Bom dia pra quem encontra resistência no local onde deveria encontrar impulso. A vida nunca foi perfeita, mas considerando o que temos de bom à nossa volta, podemos buscar inspiração e sabedoria para tratar disso de uma forma que não desgaste os nossos motores. Precisamos de aditivos e eles estão aí pra isso mesmo.

Bom dia, apenas bom dia. Apesar de ser pronunciado mecanicamente, é o mais forte cumprimento que devemos entregar a nós mesmos. Não há como prever com exatidão se ele realmente será bom, mas para que haja a possibilidade disso, só cabe a você mesmo levantar este traseiro do sofá e se mexer para fazer a sua parte.

Bons dias não vêm prontos.

Dá licença, moço???

Dá licença, moço? Eu alcancei um ponto do percurso que me deu uma visão panorâmica e crítica a respeito do que me foi apresentado ao longo do caminho. Dá licença, por favor? É que eu me sinto mais seguro que ontem, e estarei bem mais amanhã. Faça o favor de guardar a sua presunção, que mais parece um reboco na alma. Não precisamos disso. É pesado. É inútil. É enfadonho.

Dá licença, que eu prefiro cumprimentar e fazer a minha parte para enxergar melhor as pessoas. É difícil, por que existem muitas com as quais eu não concordo, mas ainda que as coloquemos um rótulo, não custa nada dizer “bom dia”. Uma porta se abre a partir disso, e quando temos duas casas abertas, o muro das idéias pré-concebidas se torna menos turvo.

Dá licença, que eu não preciso parecer legal, ou antenado, ou qualquer outra palavra e atitude da moda. Um passinho adiante, por favor, que tem mais gente vindo aí e eu não vim pra empacar o caminho de ninguém. Muito pelo contrário, quero é estrada cheia como a minha casa, e fluida como uma corredeira que a gente desce rio abaixo, sorrindo com os amigos. Não quero chegar primeiro, por que os primeiros sempre chegam sozinhos. Quero chegar junto.

Olha a gentileza, moço. Essa mesma que lhe lembraram de esquecer. Viu como ela é gente boa? Ao contrário do que muitos pensam, ela não te subtrai em nada. Muito pelo contrário. Ela te adiciona ganhos, companhia e respeito.

Por isso que eu peço licença.