Artesã – Ofício das mulheres que laboram, arrimam e sustentam.

O celophane Cultural sempre teve um respeito e admiração por uma forma de aprendizado chamada “Ofìcio” aquela profissão que se se aprende com a avó, com a mãe, com as irmãs mais velhas. No mês dedicado a elas a Mulher Artesã é homenageada em uma exposição no RJ.

ARTESÃ

O primeiro ‘bem’ registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil foi o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras. Ofício feminino, por excelência, como tantos outros espalhados pelo Brasil que são referência cultural em suas regiões.

Paneleiras de Goiabeiras - ES - Foto: Fábio Canhim - http://www.flickr.com/photos/fabiocanhim/

Os barreiros têm características próprias, conhecidas, tratadas e aproveitadas pelas artesãs, que esculpem louças e figuras de diferentes texturas, acabamentos e cores, seja em Goiabeiras (ES) ou em Poxica (SE), em Coqueiros (BA) ou em Campo Alegre (MG).

Foto: Francisco Moreira da Costa CNFCP

Outras artesãs lidam com o capim dourado, o buriti, o fruto da cuieira, fibras e algodão – raspando, fiando e tingindo, cortando e trançando. Geram desde meadas até redes de dormir, de cestas a rendas, manejando pincéis, agulhas, estiletes e bilros.

Carla Aline de Jusus e sua filha, trabalhando na oficina de Dona Tonha, Antonia de Jesus, na Rua das Palmeiras em Coqueiro, Maragogipe, Bahia - Foto Francisco Moreira da costa - CNFCP

Ofícios e artes que aprenderam com suas mães e avós, que redescobriram juntas ou que inventaram, por sua conta e risco. Para inventar, bastou-lhes um tantinho de barro, telas e tintas, retalhos de pano ou mesmo papéis de bala e tiras de plástico. Bastou-lhes corpo hábil e alma caprichosa.

Artes e ofícios das mulheres – laboram a vida, arrimam e sustentam, enfeitam a casa e o mundo. Desde sempre. Aqui e ali.

No Vão do Urucuia: Fios que entrelaçam saberes - foto Francisco Moreira da Costa - CNFCP

A mostra Artesã, que homenageia o Dia Internacional da Mulher, traz a arte da renda de bilro de Canaan, CE; da rede de Limpo Grande, MT; da cerâmica de Campo Alegre, MG; das bonecas de Esperança, PB; e das artistas plásticas Ermelinda, do Rio de Janeiro, RJ, e Efigênia Rolim, de Curitiba, PR.

Foto: Francisco Moreira da Costa CNFCP

Artesanato e Folclore:

Uma forma de sobrevivência e arte misturadas, uma discussão que muitos estudiosos condenam por ser uma produção em massa quase industrial, por ser chamado de “artesanato” de “Folclore”, palavras carregadas de um preconceito severo e pesado, cristalizando assim a criatividade natural do nosso povo mas que sobretudo precisam  imediatamente “sobreviver”.

Segundo Lina Bo Bardi no seu exelente livro: “Tempos de Grossura – O Design do Impasse”:

“…Quando a produção popular se petrifica em folklore as verdadeiras e suculentas raizes culturais de um País secam…”

Mas como resolver o problema destas mulheres e homens que tem o Ofício como única fonte de sobrevivência? como podemos incentivar uma criatividade menos ligada ao prato de comida? de que forma destacamos e incentivamos verdadeiros artistas que estão enfronhados nestes cantos do país?

Serviço

Sala do Artista Popular ARTESÃ

Até 15 de abril de 2012

Exposição e venda:

Terça a sexta-feira, das 11h às 18h

Sábados, domingos e feriados, das 15h às 18h

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – Rua do Catete, 179, Anexo (ATENÇÂO: acesso pelo Parque do Palácio do Catete)

Fonte:

Release da exposição – Artesã – Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP

Ver também os posts sobre o assunto no blog:

Rendeiras, as mulheres que tecem o dia a dia com finos fios.

As Paneleiras de Goiabeiras – Raiz da Cultura Capixaba

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Revelando o melhor da Cultura Paulista Tradicional

Revelar o que há de melhor na cultura tradicional do Estado de SP é a missão do projeto Revelando SP que já a 15 anos nos presenteia com cultura, arte, gastronomia e tradição deste nosso estado misturado por natureza e abençoado pelo Divino Espirito Santo.

A Capital está de rebendo de 9 a 18 de Setembro o XV Festival da Cultura Paulista Tradicional, organizada pela Abacai e com o Apoio do GOverno do Estado.

Através do programa Revelando São Paulo a Abaçaí Cultura e Arte, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, vem reunindo há mais de uma década, uma amostragem significativa da cultura tradicional em São Paulo, dando a conhecer aos paulistas e ao Brasil, aspectos desconhecidos ou pouco divulgados da vida em São Paulo, refletindo o mais possível, nossa diversidade cultural, promovendo o encontro do rural com o urbano, do tradicional com a mídia.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Livia Pugliese

Nesse encontro, os “artistas”, os “sujeitos das ações”, são nossos congadeiros, moçambiqueiros, foliões do Divino e de Santos Reis, são gonçaleiros e catireiros, violeiros, romeiros, cavalarianos e artesãos de várias procedências de nosso Estado. É sobre eles que se ajustam os focos.

E a parceria que se estabelece com as prefeituras para sua realização tem feito estreitar os vínculos das administrações locais com as expressões culturais mais espontâneas de suas regiões, fazendo o intercâmbio e a interação entre os grupos nas festas, fato tímido até então.

Além do Festival da Cultura Paulista Tradicional realizado na cidade de São Paulo, este programa desenvolve outros três festivais regionais, que dão conta das peculiaridades da cultura tradicional nas regiões do Vale do Paraíba, Vale do Ribeira e Região Bragantina.

 

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Larissa Leal

                                                                                                                                                                                                    A devoção ao Divino Espírito Santo constitui-se em um dos fortes núcleos das devoções populares em São Paulo. Herança do colonizador português se exterioriza de diversas formas, resultando sempre em grandes festas, sendo estas das mais cheias de pompa e espetacularidade desde os tempos do Brasil Colônia. Da celebração festiva já faziam parte os imperadores, mordomos, bandeireiros, império e levantamento do Mastro do Divino. 

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Carlos Leite Soares

Festa do Divino


Acreditamos, que as Festas do Divino sejam das mais difusas por todo o Estado, concentradas no tempo Pentecostal prescrito pela Igreja e fora dele, quase sempre cheias de pompa e espetacularidade.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Livia Pugliese

São muitos os municípios que as realizam com imponência e fartura de comezainas. Assumem peculiaridades regionais, ressaltando-se das que são organizadas no Médio Tietê os famosos encontros fluviais das Irmandades do Divino em grandes batelões. Nas do Litoral e Vale do Paraíba multiplicam-se os cortejos de muitos devotos, cada qual com sua bandeira votiva. Ainda nesta região são comuns os cortejos a cavalo (as famosas cavalarias), e a farra do João Paulino e a Maria Angu (bonecos gigantes).

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Diego Pugliese

Nelas não podem faltar o levantamento do Mastro Votivo, o Império do Divino ricamente ornamentado, e as comidas, símbolo da maior graça do Divino – a fartura.

Folias do Divino


São pequenos grupos de até 5 pessoas, os Foliões do Divino, que, com suas jornadas, meses participam da preparação das Festas do Divino, visitando as casas das zonas rural e urbana, cantando os feitos e os poderes do Divino Espírito Santo, recolhendo donativos, sempre abundantes, para sua celebração. Percorrendo assim as comunidades de canto a canto e anunciando a festa, avivam a fé no Divino.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Carlos Leite Soares

Cidades onde acontecem anualmente as festas: Anhembi, Caconde, Cananéia, Cunha, Iguape, Itanhaém, Itu, Itapeva, Lagoinha, Laranjal Paulista, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Paraibuna, Piracicaba, Redenção da Serra, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, São José dos Campos, Tietê, Ubatuba. Angatuba, Anhembi, Araçoiaba da Serra, Arandu, Biritiba-Mirim, Buri, Cananéia, Capão Bonito, Caraguatatuba, Conchas, Cotia, Cunha, Divinolândia, Iguape, Itu, Jacupiranga, Laranjal Paulista, Lagoinha, Mogi das Cruzes, Nazaré Paulista, Nuporanga, Paraibuna, Pereiras, Piedade, Piracaia, Piracicaba, Porongaba, Porto Feliz, Ragoinha, Santa Branca, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, Silveiras, Suzano, Tietê, Ubatuba, Ubirajara.

Projeto Fotografe SP

Projeto criado com o intuito de se tornar um canal de comunicação, de troca de informações, pesquisas e principalmente uma forma de reunir fotógrafos (profissionais e amadores) para saídas fotográficas no Revelando São Paulo, evento realizado anualmente com o objetivo de mostrar aspectos desconhecidos ou pouco divulgados da cultura tradicional em São Paulo, promovendo o encontro do rural com o urbano. São congadeiros, moçambiqueiros, foliões do Divino e de Santos Reis, são gonçaleiros e catireiros, violeiros, romeiros, cavalarianos e artesãos que se reunem em 4 edições anuais, sendo elas: Revelando São Paulo – Entre Serras e Águas, em janeiro na cidade de Atibaia; Vale do Ribeira, em junho na cidade de Iguape; Vale do Paraíba, em julho na cidade de São José dos Campos e o tradicional Revelando São Paulo, realizado em setembro na capital paulista.

Fontes:

Site: Viola Tropeira

fotos do Projeto – Fotografe SP

Organizadora do Festival: Abaçai

Site Oficial do: Revelando São Paulo


Gilberto Freyre e construção da imagem do Homem do Nordeste

A alguns anos atrás, quando fazia a itinerãncia da Exposição “O Chão de Graciliano”  em Recife, na Fundação Joaquim Nabuco eu conheci o Museu do Homem do Nordeste e foi amor a primeira vista, um conteudo muito interessante e um Museu acolhedor, principalmente pelo carinho e da recepção das pessoas, algumas hoje amigas. E sempre que vou á cidade dou uma passada pra rever e absorver o que este homem nordestino tem pra nos ensinar.

Foto: Jefferson Duarte

São Calungas, Reis do Maracatu, Caboclos, Boiadeiros, demonstrações de fé e sincretismo religioso, santeiros do barro e da madeira, ex-votos e batuques. Um verdadeiro “Caldeirão Cultural” que se mantém vivo até os dias de hoje no Homem Nordestino. Portanto não é um Museu de coisas mortas, visitas ao passado e sim de pura e pulsante manifestação de uma cultura que se nega a morrer. Continuar lendo

Krajberg, o senhor da Floresta

 

O Museu Afro-Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, recebe a mostra Krajcberg, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, do artista plástico Frans Krajcberg que, uma vez mais ergue sua voz em defesa da Natureza do país que adotou. Com curadoria de Emanoel Araújo, a exposição composta por 31 obras conta com esculturas em grandes dimensões, relevos, back-light e fotografias.

Convite da Exposição- fonte: Divulgação

Suas obras, relevos e esculturas são feitos com sobras das matas queimadas que o próprio artista recolhe em suas peregrinações solitárias. As sobras, em verdade, são mais que simples restos. “São o que resulta das atrocidades praticadas contra a natureza do Brasil”, diz seu curador, Emanoel Araújo. Mas nas mãos abilidosas de Frans Krajcberg, que acredita no ideal pelo qual luta há tantos anos, pedaços de madeira carbonizada transformam-se em peças harmônicas e delicadas, que, com toques de cor, unem-se silenciosamente em um protesto contra a devastação. Continuar lendo

A loucura esculpida na madeira

O Celophane Cultural convida você a conhecer o fantástico universo de um dos maiores artistas populares brasileiros do século XX, um mestre de visão única que mudou a vida de pessoas ao seu redor, apenas por insistir em fazer aquilo que amava e sentia.

Esculpir a madeira

Esculpir em madeira remonta a uma das técnicas mais antigas do homem. Foi esculpindo que a humanidade criou lanças, varas, rodas, abrigo e arte, da pré-história aos dias de hoje.

E foi esculpindo cachimbos cada vez maiores, até que fumar neles tornou-se supérfluo e impossível, Boaventura, um barbeiro de Cachoeira na Bahia, encontrou sua própria arte.

“Enquanto tiver madeira no mundo eu não páro de trabalhar. Não me falta trabalho. (…) Tem dia que trabalho tanto que meu sangue parece que virou água. De noite nem chega sono. Uma noite dessa, eu tive uma inspiração: via o povo naquele século, tudo nu. Jaá mandei cortar a prancha de madeira. Estou louco pra acabar esse Cristo e começar esta outra peça.”

Boaventura, se aventurando, tornou-se o grande Mestre de sua cidade, que já era um marco cultural no Recôncavo Baiano, e graças a este filho, tornou-se também uma terra de escultores, e um filão para admiradores.

Autodidata, Boaventura, mais conhecido pelo nome artístico de Louco, criou uma estética peculiar, unindo elementos que fazem parte da história artística, cultural e religiosa do Brasil e do mundo, sem educação formal em arte e em uma pequena cidade nordestina. Continuar lendo

A arte sacra popular invade o museu erudito.

Uma Exposição inédita: O Museu de Arte Sacra de São Paulo pela primeira vez abre suas portas para a Arte Popular, um marco no respeito e valorização desta tão rica representação da religiosidade de um povo. A parceria é da Curadora Edna Matosinho de Pontes da respeitada Galeria Pontes.

Obra de Dalton Costa - Foto Divulgação

O Contraponto do Despojamento

Esta é a primeira vez que o Museu de Arte Sacra abre as suas portas para uma exposição de arte popular. Isto é muito significativo pelo reconhecimento da sua importância. Ela não é, como alguns pensam, uma arte menor. Apenas se exprime através de diferentes vias, tem um caminho próprio.

Convite para a EXposição - (Divulgação)

A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo. Através da sua fantasia o artista reinventa a realidade, estabelecendo intima relação entre o real e o simbólico. Ao contrário da arte erudita a arte popular é uma produção espontânea, na qual não sobra espaço para a educação formal ou acadêmica. Quando algum tipo de transmissão de conhecimento existe, ocorre no máximo informalmente com outro artista/ artesão que funciona como iniciador. Na arte popular há muito mais espaço para a inventividade e para o saber fazer pessoal do que na arte erudita.

Escultura do pernambucano José Bezerra (Foto: Divulgação)

A imaginação é muito mais livre tanto na forma final do trabalho como nos meios que ele inventa para resolver os problemas de como fazê-lo. Como afirma J. A. Nemer “há um alto grau de desafio aos cânones tradicionais da atividade plástica” já que esses cânones são conhecidos “senão através de observação superficial”. Assim, a carência de informação aliada a uma curiosidade fértil abre caminho para a criação. No caso da arte popular de cunho sacro ela expressa, além disso, a devoção religiosa de quem produz ou de quem encomenda o objeto. Dois significativos exemplos disso são as imagens denominadas “Paulistinhas” e os “ex-votos”. Paulistinhas são imagens simples, de barro ou gesso, desenvolvidas em São Paulo no século XIX, que as pessoas do povo costumavam ter em suas casas para devoção.

A imagem da esquerda não tem autor conhecido. A da direita é do artista Bento, da Paraíba (Foto: Divulgação)

Os ex-votos são representações de partes do corpo humano – pés, mãos, cabeça, etc – usados como forma de veicular um pedido ou um agradecimento de um milagre. Outras peças que integram esta exposição tendem a exprimir de diferentes modos estas características da arte popular em geral.

Autor: Fé Córdula; Título: “Natividade”; Ano: S/d; Técnica: Óleo s/ tela. (Foto divulgação)

 

A imagem com a beleza rústica da Virgem com o coração trespassado de setas de Antonio de Dedé nos remete ao ambiente tosco que ele vive e aos poucos recursos que dispõe para criar uma figura tão encantadora como essa.

Autor: Antonio de Dede - Foto: Divulgação

Mestre Dezinho, criador do São Pedro e do São Francisco, tem o talhe na madeira elegante e inconfundível e influenciou toda uma geração de santeiros no Piauí.

Em Bento, outro escultor em madeira, vemos uma leitura bastante diferente para o seu São Francisco, assim como para a Virgem, mas igualmente bela.

A procissão de Maria do Socorro ilustra com a delicadeza da costura e do bordado uma das mais profundas tradições do nosso povo.

Obra de maria do Socorro - Foto Divulgação

Os presépios têm um inconfundível toque de brasilidade seja ele feito de barro (João das Alagoas), de madeira (Artur Pereira, Miramar e Adão) ou de pintura (Fé Córdula).

Antônio Poteiro foi um mestre na arte da modelagem do barro e na pintura. Aqui revela através da Virgem moldada no seu estilo característico e na sua forte e vibrante Última Ceia a sua devoção.

A "Visgem" de Poteiro - Foto divulgação

O grande e renomado artista José Antônio da Silva, autor desta magnífica Via Sacra, dedicou muitas de suas pinturas à Arte Sacra. O escultor Higino, nos seus anjos e na virgem policromados, faz uma interessante releitura do barroco mineiro. Tota com suas figuras de cerâmica ao mesmo tempo fortes e delicadas criou toda uma série de santos que remetem ao expressionismo.

Willi de Carvalho, o mestre das figuras em miniatura, expressa o espírito de religiosidade e poesia ao mesmo tempo. José Bezerra vive em contato com a natureza, isolado no Vale do Catimbó – PE, de onde retira a madeira para as suas esculturas. Odon Nogueira segue a tradição de Poteiro ao escolher trabalhar com cerâmica criando, porem, um estilo próprio.

Costinha segue a tradição dos escultores em madeira iniciada com Mestre Dezinho mantendo a mesma elegância no entalhe.

Autor: Costinha - Foto Divulgação

Finalmente, Naninho esculpe na madeira uma das mais lindas representações religiosas, o Espírito Santo.

Esta mostra no Museu de Arte Sacra é composta autenticas manifestações da criatividade e da religiosidade do povo brasileiro.

Texto: Edna Matosinho de Pontes Galeria Pontes – Curadora da exposição

 

Artur Pereira - Foto Divulgação


O Museu

O Museu de Arte Sacra de São Paulo está voltado à preservação, à pesquisa, e à exposição de objetos relacionados à arte sacra.
A formação do acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo teve início com Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo.

A partir de 1907, começou a recolher imagens sacras de igrejas e pequenas capelas de fazendas que sistematicamente eram demolidas após a proclamação da República e deu início ao Museu do Cabido Metropolitano de São Paulo. No final da década de 1960, um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a Mitra Arquidiocesana possibilitou a criação do Museu de Arte Sacra de São Paulo. A partir de então, iniciou-se uma política de aquisições, que resultou na ampliação significativa da coleção inicial.

Abrangendo o período que vai desde o século XVI até o XX, o acervo atual é composto por retábulos, altares, oratórios, imagens sacras, livros raros, prataria, ourivesaria, mobiliário, telas, objetos e vestimentas litúrgicas. Também inclui uma coleção de presépios com mais de 130 conjuntos produzidos com as mais diversas técnicas e oriundos de diferentes países e regiões do Brasil. O museu possui ainda uma importante coleção de numismática composta por moedas e medalhas pontifícias.

Fontes:

Galeria Pontes


Site do Museu de Artes sacra

Montagem da Exposição

Período: De 8 de junho a 7 de agosto de 2011 –

De terça a domingo, das 10 às 18 horas (bilheteria até as 17:30 horas).

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo – Av. Tiradentes, 676 – Luz – São Paulo
Telefone: (11) 5627-5393

Sugestão sustentável: Vá de Metrô – Estação Tiradentes do Metrô

A religiosidade popular em debate e a fé em “Jorge”

O Celophane Cultural iniciando uma série de matérias sobre  o – Venerado Guerreiro: São Jorge – divulga um evento que está acontecendo na UERJ com uma exposição bem bacana sobre o amado “Jorge”

O Departamento Cultural da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realiza a Semana de Cultura Popular que acontece de de 4 a 7 de abril, em sua  12ª edição.

O evento tem como objetivo apresentar trabalhos relacionados à cultura popular e debates sobre o assunto, explorando o tema central desta edição: religiosidade popular. A exposição“Jorge”, em homenagem a São Jorge, abre a semana, no dia 4 de abril, segunda-feira, às 18h30, na galeria Cândido Portinari da universidade. Na mostra, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de artistas populares que veem o santo como fonte de inspiração também serão expostas no espaço da galeria.

Já nos dias 5, 6 e 7 de abril, a Semana de Cultura Popular 2011 terá mesas-redondas com convidados de diversas instituições debatendo assuntos  pertinentes à cultura popular.

No dia 5, das 9h às 12h, haverá a mesa-redonda “Mestiçagens e novos saberes: reflexões sobre o mundo religioso”, com Zeca Ligeiro (UNIRIO), Alberto Ikeda (UNESP) e Aureanice Corrêa (UERJ) – mediadora. Das 19h às 21h, “Arte e religião: objetos sagrados de produção popular”, com Andréa Paiva (Antropóloga), Tadeu Mourão (UFRJ) e Isabela.

No dia 6, das 9h às 12h, o tema “Formas contemporâneas de religiosidade popular” será debatido por Cristiane Carvalho (Igreja Contemporânea), Maria Clara Rebel (UNESA) e Gustavo Corrêa (UERJ) – mediador. Das 19h às 21h30, “O saber do viver: reflexões de uma prática” terá a participação de Vanor Correia (Fotógrafo), Maritônio (Artista Popular), Eurico Ramos (Babalorixá da nação Ketu) e Cáscia Frade (UERJ)  – mediadora.

No dia 7, das 18h às 20h, haverá a exibição do documentário “Fé”, seguido de debate com o Padre Sérgio, na Midiateca Arte e Cultura (Centro Cultural da UERJ).

Exposição “Jorge”

Em homenagem ao São Jorge, um dos santos mais populares do Rio de Janeiro, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de diversos artistas populares inspiradas no santo estarão expostas na galeria.

A popularidade de São Jorge, no Rio de Janeiro e no mundo, justifica a grande mobilização de fiéis na data de comemoração do seu dia. No Rio, 23 de abril é feriado, o que contribui para que as comemorações fiquem lotadas. O santo também é padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha, e venerado em canções de Jorge Ben Jor, Caetano Veloso e Fernanda Abreu.

A lenda mais conhecida que envolve o santo, nascido na Capadócia e militar do Império Romano, conta que São Jorge enfrentou um dragão que saía das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma cidade, provocando mortes. Para não destruir a cidade, o dragão exigia que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas.  Quando a filha do Rei teve de ser oferecida como comida ao dragão, São Jorge, montado num cavalo branco e com sua espada, enfrentou o monstro, vencendo-o e libertando a cidade.

Local: Galeria Cândido Portinari
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2334-0728 / 0114
Visitação: até 20 de maio de 2011.
De: segunda a sexta, das 9h às 20h

Fontes:

rets.org.br

Uerj

Os Gigantes de Olinda

No Nordeste o Carnaval ainda não acabou, em tempo o Celophane Cultural mostra uma arte que a cada ano que passa traz pras ruas de Olinda mais e mais personalidades da cultura POP para nos encantar com sua beleza plástica seu bom humor e traços realistas. Os famosos Bonecos Gigantes de OLinda que a dois anos inaugurou um museu numa das ruas mais charmosas do Recife Antigo, a Rua do Bom Jesus,  a Embaixada dos Bonecos Gigantes. A matéria tem a colaboração do correspondente de OLinda, Juliano Mendes da Hora do Blog Cajumanga.

Nas apertadas ladeiras de Olinda os encantadores bonecos desfilam por entre os foliões - Foto: Juliano Mendes da Hora

Os Bonecos Gigantes surgem na Europa, provavelmente na Idade Média, sob a influência dos mitos pagãos escondidos pelos temores da Inquisição. Chegam em Pernambuco através da pequena cidade de Belém do São Francisco no sertão do estado.

AS Margems do rio a Belem do São Francisco todo ano recebe os bonecos gigantes - foto do Homem da Meia Noite personagem indispensável no Carnaval Pernambucano - foto:Renato Spencer/Santo Lima - site: http://carnaval.uol.com.br/2010/album/belem_sao_francisco_album

Os bonecos surgiram da vontade de um jovem sonhador que ouvia atento as narrativas de um padre belga sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da Europa.

O primeiro boneco foi às ruas da pequena cidade durante o carnaval de 1919 com o surgimento do personagem Zé Pereira, confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê, somente no ano de 1929 resolveram criar sua companheira, boneca esta batizada com o nome de Vitalina.

Quem foi essa tal de Zé Pereira

A constatação da existência de uma diversão carnavalesca conhecida como Zé Pereira em Portugal do século XIX parece apontar para a forte influência lusitana no surgimento da brincadeira no carnaval carioca. A Hsitória oral  atribui a “invenção” do Zé-Pereira a um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Divulgada na maioria dos livros sobre carnaval, essa versão acabou ocultando toda uma série de influências que contribuíram para o surgimento dessa curiosa categoria carnavalesca. As raras referências sobre a tema na literatura carnavalesca são bastante desencontradas. Estas apontam o “surgimento” do Zé Pereira em 1846 (Moraes, 1987), em 1852 (Edmundo, 1987) ou em 1846, 1848 e 1850 (Araújo, 2000).

Zé Pereira no Carnaval - fonte desconhecida

A principal razão dessa discrepância é o fato de que a categoria “Zé Pereira” só se fixaria anos mais tarde. Na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de bloco de sujo. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de Zé Pereira.

E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval


Os Gigantes de OLinda

A tradição dos bonecos gigantes, iniciada em Belém do São Francisco, ganhou as ladeiras de Olinda em 1932, com a criação do boneco do Homem da Meia Noite, confeccionado pelas mãos dos artistas plásticos Anacleto e Bernardino da Silva

O primeiro Homem da Meia Noite - Fonte: http://www.homemdameianoite.com

Fundado no dia 02 de fevereiro de 1932 pelos senhores Benedito Bernardino da Silva, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Cosme José dos Santos, Manoel José dos Santos e Eliodoro Pereira da Silva. O Homem da Meia Noite é resultado de uma dissidência dos diretores da troça Cariri de Olinda. Porém, muitos mistérios e curiosidades envolvem sua história. Alguns admiradores, historiadores e parentes dos fundadores retratam duas versões sobre a origem desse símbolo cultural, dessa figura mística e encantadora. A 1ª versão; conta a sabedoria popular, que Luciano Anacleto de Queiroz, era um apaixonado pela sétima arte. Em um belo dia de domingo foi ao cinema assitir a um filme “O ladrão da meia noite”. Era a história de um ladrão de classe, que saía de um relógio sempre a meia-noite, cada dia de um lugar diferente, causando pânico na cidade. Impressionado com o personagem do filme, Aanacleto resolveu homenageá-lo criando o Homem da Meia Noite.


A segunda versão, retrata a história de outro fundador, o marceneiro Benedito Bernardino, autor oficial do Hino do Homem da Meia Noite que junto com dois amigos de profissão da comunidade do Bonsucesso deu vida ao calunga mais famoso do Brasil. Conta-se que Benedito ficava madrugada adentro em frente a sua residência compondo músicas carnavalescas, na Estrada do Bomsucesso. Nos finais de semana especialmente do sábado para o domingo, Benedito começou observar que um homem forte, alto e elegante trajando sempre cores verdes e branca com chapéu preto, com um dente de ouro o cumprimentava com um aceno e um belo sorriso. Desconfiado, pois aquele homem passava nos finais de semana, quase sempre a meia noite, fato incomum nos anos 30 na velha Marim dos Caetés.Intrigado, Benetido resolveu segui-lo e descobriu que o homem era um apreciador das belas mulheres, pulava escondido as janelas das donzelas da cidade para namorar. Voltando pra casa muito surpreso com sua descoberta, lhe veio a idéia de homenagear tal figura , o “Dom Juan” das madrugadas olindeses. Qual a verdadeira versão, não se sabe ,a verdade é que o gigante da meia noite arrasta milhões de foliões durante os seus desfiles; e sua saída apoteótica é tradição nos sábados de Zé Pereira.

Porta da sede do Homem da Meia Noite - 1996 - foto acervo Homem da Meia NOite

 

Coencidências ou Fato ?

Versões a parte, outras curiosidades marcaram a história do calunga: Viaje conosco neste mundo de magia .O homem da Meia-Noite nasceu no dia 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá à meia-noite, por isso é considerado uma figura mística do candomblé denominado assim de calunga.Sua quarta sede social hoje definitiva fica localizada em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens pretos de Olinda uma das mais mistíca da nossa cidade. Tárcio Botelho,foi o presidente do clube que sucessivamente mas tempo permaneceu no cargo de 1991 à 2001, Tárcio morreu em 2001.O alfaiate “Brasil” é o grande responsavel pelas belas roupas do Homem da Meia-Noite a mais de 30 anos.O Senhor “Brasil” alfaiate antigo da cidade não veste outra cor a não ser a branca, você sabe porque? Outros fatos recentes chamam a nossa atenção a casa número 301 da Rua do Amparo pertence ao atual presidente do clube Luiz Adolpho, que descobriu após anos de pesquisa, que a mesma foi a segunda sede social do homem da meia-noite, o calunga saiu muitas vezes do quintal da sua casa. Segundo o presidente Luiz Adolpho o titúlo mais importante da história do clube “Patrimônio Vivo de Pernambuco” foi conquistado no dia 20 de Dezembro de 2006 dia do aniversário do seu filho mais velho que tem o nome do seu pai Tárcio Botelho.Coincidencias ou fato a verdade é que o Homem da Meia-Noite respira emoção e magia.


A Família Gigante

Em 1937 surgiu a Mulher do Meio Dia, em 1974 foi à vez do Menino da Tarde pelas mãos do artista plástico Silvio Botelho Botelho, que popularizou a tradição com criação do Encontro dos Bonecos Gigantes, onde vários bonecos de diversos artistas se encontram para um grande desfile pelo sitio histórico de Olinda na terça de carnaval.

 

Silvio Botelho posa ao lado de boneco do fundador do Galo da Madrugada, Enéas Freire, à sua esquerda e do compositor Capiba. - Foto: Geyson Magno / UOL

“Na adolescência, com dez, doze anos já tinha essa energia. Brincava com máscaras. A primeira máscara que fiz, foi uma máscara com o rosto de Glória, minha irmã. Morava no Amaro Branco. Deitei Glória no chão, tinha muito capim e disse: – Eu quero fazer uma máscara. Coloquei papel misturado com goma no rosto de Glória e um canudo na boca para ela respirar. As formigas mordiam Glória, mas ela resistiu. E a primeira máscara ficou pronta.”

“O primeiro boneco que fiz, foi em 1975, foi o Menino da Tarde. Ernandes Lopes foi a pessoa que me pediu para fazer. Nessa época, só existia o Homem da Meia-Noite e a Mulher do Dia. Era o filho dos dois. O maior desafio foi entender o que era fazer um boneco gigante. Um boneco com 2 metros e 90 centrímetros de altura. Em dois meses o Menino da Tarde ficou pronto. O boneco pesava 35 quilos e foi confeccionado em madeira, capim, papelão duro e papel. Ao ver o resultado, o renomado artesãoRoque Fogueteiro ficou impressionado com a beleza da obra e me aconselhou a prosseguir no caminho da arte.”

Silvio Botelho em entrevista para o Blog Arlindo Siqueira

A Nova Geração

Em 2008, o empresário e produtor cultural Leandro Castro criou uma nova geração dos Bonecos Gigantes. Uma equipe montada com diversos artistas como: Antônio Bernardo (Escultor), Aluísio de Nazaré da Mata e a estilista Sineide Castro, responsável pelos figurinos dos bonecos, materializaram grandes ícones da história e cultura brasileira e personalidades mundiais como: Duarte Coelho, Mauricio de Nassau, D. Pedro I, Dragões da Independência, Lampião, Presidente Lula, Obama, Michael Jackson, Nelson Mandela, Ariano Suassuna , Dominguinhos, Chacrinha, Alceu Valença, Chico Science, Nóbrega, Elba Ramalho, Pelé, Renato Aragão, Jô Soares ente outros.

 

personagens da Cultura POp na Embaixada dos Bonecos Gigantes - foto JeffCelophane

A nova geração dos bonecos tem impressionado bastante a todos pelo grande realismo das expressões faciais e figurinos, o que originou o titulo de museu de cera popular itinerante. Este maior realismo foi obtido na inovação dos materiais utilizados, a matriz moldada em argila para posterior aplicação de fibra de vidro, material este mais leve e duradouro, as mãos dos bonecos permaneceram em isopor para não machucar nenhum folião durante as apresentações, a altura média dos bonecos é de 3,90m.

O defensor da Cultura Popular Brasileira eternizado num boneco - Ariano Suassuna - Embaixada dos Bonecos Gigantes - Foto: JeffCelophane

 

Em 2009, foi realizado na segunda feira de carnaval, a primeira Apoteose dos Bonecos Gigantes no Sitio Histórico de Olinda com 30 bonecos, em 2010 o evento contou com mais de 60 bonecos revivendo grandes personalidades da cultura e historia pernambucana, brasileira e mundial.

 

Atualmente os bonecos permanecem em exposição o ano inteiro na Embaixada dos Bonecos Gigantes em REcife.

 

Vejam a Matéria do Blog Cajumanga de Olinda onde o pernambucano JUliano Mendes da Hora nos conta sobre o Carnaval de Olinda e sobre os bonecos gigantes que povoam um dos carnavais mais valiosos de nossa cultura popular.

Juliano nos conta um pouco como foi o Carnaval de Olinda 2011:
A saída dos Bonecos Gigantes de Olinda, que se concentram no Largo de Guadalupe, próximo ao bairro do Amparo, na Terça-Feira de Carnaval, é um espetáculo de cores e tradição popular que é passada de geração em geração. Vale à pena assistir se embrenhar pelas ruas estreitas do bairro e se perder por entre os ícones da cidade alta, que são preparados pelo povo enquanto não iniciam a sua missão de andar por entre os foliões no penúltimo dia de carnaval.

A responsabilidade de carregar um Icone da cultura Pernambucana - Foto Juliano Mendes da Hora

Os bonecos representam as várias culturas e pessoas envolvidas na história da cidade. Não importa a sua classe social, se é famoso, ou se pertence ao cotidiano do bairr: Todos são importalizados e tratados com reverência durante estes dias de folia. Geralmente, artistas são homenageados e recebem suas versões gigantes, assim como Tapioqueiras, cantores, estudiosos, educadores… Cada pessoa que possa ter deixado sua marca na cidade e no mundo é homenageada com um boneco.
Estão presentes desde Capiba, famoso poeta e autor dos mais clássicos frevos do estado, passando por celebridades nacionais como Ayrton Senna, ou internacionais, como Einstein, Fidel Castro e Michael Jacskon, entre outros.
As lendas e personagens do folclore pernambucano também marcam presença, tornando a festa ainda mais autêntica e brasileira.

Fontes:

Embaixada dos bonecos gigantes de Olinda

A Embaixada funciona de domingo a domingo, com horário das 8h às 18h de segunda à sábado e até às 19h nos domingos. A entrada custa R$ 4,00, com gratuidade para crianças até 12 anos acompanhadas de adulto.

Endereço: Rua do Bom Jesus, 183, Recife antigo
Tel: (81) 3441-5102 ou 8775-0540

wikipedia – Zé Pereira

Homem da Meia Noite

Senhores da Terra

O Celophane Cultural, pegando uma carona na Exposição homonima que rolou no Museu do Folclore, visita nossos ancestrais africanos e mostra quem são os  “Senhores da Terra”.

No panteão dos Orixás eles são os senhores que regem a terra em todos os sentidos, totalmente ligados á dinâmica humana:

Omolú ou Obaluaiê – O rei da terra.

Omolú é a própria Terra! Essa afirmação resume perfeitamente o perfil deste orixá, o mais temido entre todos os deuses africanos, o mais terrível orixá da varíola e de todas as doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.

È preciso esclarecer, no em tanto, que Omolú está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.

Omolu da Cooperativa Abayomi

Toda a reflexão em torno de Omolú ocorreu colocando-o como um orixá ligado à terra, o que é correto, mas não deixa de ser um erro desconsiderar a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. o que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú!

Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus.

Omolú nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado pela sua mãe, Nanã Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves ferimentos na sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e criou-a com todo amor e carinho; com folhas de bananeira curou as suas feridas e pústulas e transformou-a num grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser de brilho tão intenso quanto o próprio sol. Por essa passagem, o caranguejo e a banana-prata tornaram-se os maiores ewò de Obaluaiê.

A relação de Omolú com a morte dá-se pelo facto de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.

Oxumarê – O movimento da cobra

Oxumaré (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. Oxumaré não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo.

Oxum Marê, Wueliyton Ferreiro, Ferro forjado e latão – peça que faz parte da exposição – Senhores da Terra

Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.

Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.

Ewá – A Virgem

As virgens contam com a protecção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua protecção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá – Fio de conta, Junior de Odé – peça da exposição: Senhores da terra

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Nanã – Morte, fecundidade e riqueza.

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contacto desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.

Nanã, Gerard – Acervo MFEC – CNFCP – IPHAN – Peça da exposição Senhores da Terra

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis.

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu destino.

A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.

Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.

Iroko – Senhor do tempo

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.

Iroko na Casa do Pai Bira de Xangô, – Rio de Janeiro – peça da exposição Senhores da Terra

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua ação eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade.

Em África, a sua morada é uma  árvore majestosa iroko, Milicia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.


Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ylê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo, nem ser “feito” na cabeça dos fiéis. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio

Onilé  – Governante do Planeta

Nesse clima de “retorno ao mundo natural”, de preocupação com a ecologia, um orixá quase inteiramente esquecido no Brasil vem sendo aos poucos recuparado. Trata-se de Onilé, a Dona da Terra, o orixá que representa nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos. O mito de Onilé pode ser encontrado em vários poemas do oráculo de Ifá, estando vivo ainda hoje, no Brasil, na memória de seguidores do candomblé iniciados há muitas décadas. Assim a mitologia dos orixás nos conta como Onilé ganhou o governo do planeta Terra:.


Ossãe – A Força que vem das folhas

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que consequências desastrosas não atinjam os seres humanos.

A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, o seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflecte, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn – mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas – e os Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima com a fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão Jeje assimilado pelos Nagô, como Nana, Omolú, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é evidente que entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.

Uma confusão latente refere-se ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino. Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores dos segredos da mata, da Terra.

A Exposição

Convite virtual para a exposição


Senhores da Terra é o quarto momento de uma série de exposições que começou, em 2002, exibindo fios-de-contas, imagens e objetos relacionados à iniciação e à vivência nas religiões afro-brasileiras (Identidade por um Fio – Colares e Fios-de-Contas no Culto dos Orixás). Seguiu, em 2003, focando em Exu, a divindade afro-brasileira que comanda as aberturas e as encruzilhadas (Exu – o Senhor das Portas) e, em 2004, concentrou-se em orixás vinculados à conquista, provimento e cuidado (Awòn Olodé – Os Senhores da Caça).

Esta edição agora direciona seu olhar a orixás da terra: Obaluaê, Oxumarê, Euá, Nanã, Iroco e Onilé. Contudo, saudando Exu, como nas etapas anteriores, e evocando Ossãe, dados os vínculos do orixá das folhas com a temática da saúde que perpassa os mitos desses orixás, profundamente conectados à dinâmica da vida humana. Enredos míticos também justificam a presença de Iemanjá, mãe adotiva de Obaluaê.

A exposição foi composta pelo talento e o rigor de artistas atuantes no Rio de Janeiro e na Bahia: Cooperativa Abayomi (Lena Martins, Luiza Borba, Sonia Santos e Cristiane Ferraz), Eucanaã Ferraz, Francisco Moreira da Costa, Gerar, Greiffe, Jorge Rodrigues, Júnior de Odé, Louco Filho e Wuelyton Ferreiro.

A Exposição “Senhores da Terra”, aconteceu na Galeria Mestre
Vitalino do Museu de Folclore Edison Carneiro no RJ.

 

 

Fontes para a matéria:

Revista do Museu

CNFCP

Blog O Candomble

A Arte Popular sobre as águas do Velho Chico

Sim um Barco-Museu é a mais nova atração em Alagoas e Sergipe. Uma inicativa unica, idealizada e posta em prática pelos artistas: Dalton e Maria Amélia. O Museu sobre as águas vai flutuar, levando Arte Popular, sobre um dos mais celebres, curiosos e encantados rios brasileiros: O Velho Chico.

O barco-museu Santa Maria estará percorrendo as águas do rio São Francisco levando exposição de cultura popular, exibição de vídeos e oficinas de arte-educação para cerca de 10 mil moradores ribeirinhos de cidades e povoados de Alagoas e Sergipe.

Imagem do barco Museu sobre o rio

O projeto “O Museu no Balanço das Águas é uma realização da Galeria Karandash – Arte Contemporânea, com o patrocínio do Programa BNB de Cultura Edição 2010 parceria BNDES e apoio do Sebrae-AL, Sesc-AL e das prefeituras por onde a embarcação vai passar.

A viagem cultural do barco-museu Santa Maria começou na Ilha do Ferro (Pão de Açúcar), onde foi montada a exposição “Fernando Rodrigues – O Guardião de Memórias”, em homenagem ao artista e designer morto ano passado.

EScultura de Fernando Rodrigues O Guardão das Memórias em madeira

A embarcação também ganhou carranca (escultura) do artista Veio, o Marinheiro do escultor Resendio e os cataventos de mestre Zezinho.

Carranca criada por "Véio" especialmente para o museu.

Enfeitado e lotado de cultura, o Santa Maria inicia a jornada com paradas nos municípios alagoanos de Pão de Açúcar, Traipu e Belo Monte; atravessa o rio e vai para a margem sergipana, atracando em Porto da Folha, Ilha do Ouro e Niterói.

Em cada local, a comunidade é convocada para visitas guiadas ao barco-museu, assistir vídeos sobre os artistas da região e participar das oficinas de pintura, desenho, escultura e instalações com arte-educadores e professores das escolas públicas das cidades. A intenção é que 1500 crianças e adolescentes da rede pública de ensino participem das atividades.

“O barco-museu, além de possibilitar acesso às manifestações artísticas nas mais variadas linguagens, dentro da diversidade cultural, será um instrumento importante também na comunicação entre os povoados e entre os seus moradores, estreitando laços, revelando talentos e permitindo a troca de saberes, inclusive na proteção ambiental e na valorização patrimonial”, ressalta Maria Amélia, que assina o projeto com o também artista Dalton Costa.

IMagem aérea do barco com as enormes esciulturas anexadas á estrutura da embarcação.

Os "barqueiros" Dalton e Maria Amélia os criadores e responsáveis pelo projeto

Com a sede de conhecer e vivenciar a riqueza da arte popular do interior do Nordeste do Brasil, os artistas falam de uma experiência fantástica. “Numa dessas viagens, saboreando postas de piau com farofa, numa velha embarcação de passageiros do Baixo São Francisco, entre Pão de Açúcar e Ilha do Ferro, nosso olhar se perdeu em algo muito maior do que as nossas necessidades de artistas e colecionadores. Tivemos a grata experiência de olhar além do rio as comunidades ribeirinhas, afastadas dos grandes centros, algumas sem nenhuma comunicação, crianças brincando em suas margens, os cantos das lavadeiras com suas roupas coloridas, o batuque dos lençóis ensaboados nas pedras, os solitários pescadores em seus pequenos barcos, a paisagem mágica e desoladora, enfim, estávamos dentro de um Brasil que não conhecíamos com profundidade. Nossos corações inquietos buscavam muito mais do que os estímulos para nossa arte. Ali nascia a ideia de troca, de intercâmbio, de comunicação entre dois mundos. O mundo das grandes cidades e dos povoados de um Brasil esquecido. Nascia ali um barco-museu batizado pelo talentoso estudioso de literatura Roberto Sarmento de O MUSEU NO BALANÇO DAS ÁGUAS”. Nessa poesia, Dalton e Maria Amélia reverenciam o amor pela arte e pelo povo nordestino.

Fonte:  www.baratelli.com.br

Terminadas as viagens, explica Maria Amélia, o barco-museu não será desmontado. Pelo contrário. Sua nova vocação é permanente e ficará atracado no município de Pão de Açúcar, podendo ser palco de várias ações educativas e culturais.
“É um equipamento cultural à disposição das regiões afastadas dos grandes centros, que irá possibilitar o acesso e a inclusão dessas comunidades aos bens culturais de um modo geral”.

O São Francisco e suas Carrancas

Já não se encontram mais nas proas das embarcações são – franciscanas as célebres carrancas – uma das mais genuínas e enigmáticas manifestações da arte popular brasileira -, cuja forma predominantemente zooantropomorfa se mostra de uma originalidade sem similar na história das navegações.

Mesclando detalhes humanos com os de animais, destes, sobretudo a generosa cabeleira à semelhança de uma juba de leão, elas apresentam em geral uma expressão de ferocidade. São feitas de um único tronco de madeira e retratam apenas a cabeça e o pescoço de alguma figura mitológica indeterminada.

As primeiras referências às carrancas datam de 1888 em livros de Antônio Alves Câmara e Durval Vieira de Aguiar. As carrancas eram construídas a princípio com um objetivo comercial, pois a população ribeirinha dependia do transporte de mercadorias pelo rio, e os barqueiros utilizavam as carrancas para chamar a atenção para sua embarcação. Em certo momento, a população ribeirinha passou a atribuir características místicas de afugentar maus espíritos às carrancas. Esta atribuição colocava em segundo plano o aspecto artístico da produção das carrancas, ou seja, como forma de manifestação cultural popular de uma região brasileira.

Especial Velho Chico no site Jangada Brasil:

Universalidade

É difícil determinarmos a sua real origem, devido à sua universalização. Os selvagens adaptavam uma espécie de maraca na extremidade de seus barcos que serviam para conduzir os guerreiros ao combate. No Egito antigo, tais figuras eram por demais populares no rio Nilo; e nas regiões do Congo e da Guiné tornaram-se inconfundíveis pelo aspecto ornamental.

A primeira figura de proa de que se tem conhecimento teria sido uma criação dos Argonautas e representa a efígie de Argos. Aproveitaram, inicialmente, como idéias, criaturas humanas ou entidades fantásticas.

Os gregos exibiam sua mais famosa figura mitológica – Vênus, enquanto cartagineses e latinos esculpiam aves; mais tarde, ingleses e espanhóis difundiram largamente essas figuras, dando-lhes, os últimos, um cunho religioso.

Proteção

É provável que as carrancas das barcas do rio São Francisco tenham advindo do Mediterrâneo, sob a influência de portugueses e espanhóis. Possuem igual caráter religioso, porém ora de fundo fetichista, ora de fundo católico. Sua função é proteger a embarcação e os seus tripulantes dos inimigos que podem estar ocultos nas águas do rio.

As carrancas são entalhadas em madeira, recebendo depois um colorido quase grotesco. O leão e o cavalo são os animais preferidos para a representação, uma vez que os elementos marinhos são desconhecidos nos rios.

O fato mais importante, no entanto, a se assinalar é que elas se encontram correlacionadas ao ciclo pastoril em nosso país com marcante tipo de escultura.

(Saldanha, Maria Emília F. “Leões e cavalos garantem proteção aos barqueiros do São Francisco”. O Globo, Rio de Janeiro, 18 de julho de 1968)

Viagem conosco nesta aventura cultural sobre este Velho rio cheio de costumes e mistérios. Conheça o melhor da arte ribeirinha. Fonte: acessoria de Imprensa  do “Balanço nas águas”:

Galeria Karandash

Av. Moreira e Silva, n° 89 – Farol – Maceió / AL – Fone: +55 82 3221.0883

Email: karandash@karandash.com.br