A “Festa Santa” é matéria da Raiz 11

A Um tempo atrás conheci uma revista que falava de uma forma muito “saborosa” sobre o assunto que mais me dá prazer nesta vida “Cultura Popular” com artigos das verdadeiras feras no assunto.

A convite do Edgard Steffen Junior editor chefe da Revista Raiz tive o prazer de me juntar a estas feras e fazer uma matéria pra edição da Raiz 11

Aqui a matéria na Integra celebrando com vocês este momento tão importante pra mim:

Festa Santa

O povo brasileiro é um povo que tem fé, ele se apropria, se adapta, se transforma, transcende e pronto. Um povo misturado que colocou no mesmo caldeirão as procissões católicas dos europeus, as festas de matriz africanas e a fé em santos não-canônicos. Estes movimentos populares, religiosos ou não, estão espalhados por todo o Brasil.

Foto: Marcelo Feitosa

Mas é no Nordeste que esta fé se revela com mais força como por exemplo os seguidores de Antonio Conselheiro em Canudos e o fenômeno Padre Cícero em Juazeiro.

Um fantástico e ferrenho imaginário de devoção e um relacionamento íntimo, corpo, suor, lágrimas e sangue com o sagrado. As regras são criadas, as formas de expressão são únicas, mas a fé é única e inabalável.

Foto: Marcelo Feitosa

O Fotógrafo, Carioca de nascença e Pernambucano de coração, Marcelo Feitosa,  lançou-se em duas romarias de regiões distintas do Nordeste  – Juazeiro do Norte, sertão do ceará, terra sagrada do líder político/religioso Padre Cícero e o Morro da Conceição, uma procissão da “bandeira” no meio da região metropolitana de Recife. Seu objetivo era conhecer de perto, juntinho enfronhado estas manifestações, trazendo pra nós um retrato, por vezes crítico e profano desta força que move essa gente, desta fé cega e impressionantemente verdadeira expressada nos olhos , mãos e símbolos carregados por estes devotos.

foto: Marcelo Feitosa

A curadora da exposição Andrea Vizzotto destaca: “Tanto no ambiente rural quanto no urbano, observamos práticas religiosas semelhantes, em que tradição e modernidade interagem em hibridismos que buscam novos sentidos para as suas práticas.”

A “Festa Santa” de Feitosa fez parte da exposição do MAP “Caminhos do santo”, em 2010, no Recife. Segundo Marcela Wanderlei curadora e coordenadora do MAP “…a mostra compôs um mapa sobre a temática no nordeste, evidenciando particularidades e expressando diálogos na representação de um universo religioso (re)elaborado.”

foto Marcelo Feitosa

No meio desta “Festa Santa” o fotógrafo nos empresta seu olhar crítico destacando outras manifestações de fé contemporânea onde Xuxa e Michael Jackson desfilam lado a lado com Cícero e Conceição. A Curadora reflete em seu texto de apresentação: “Afinal, é o seu olhar que dessacraliza o ritual de fé dos romeiros ou é o conceito que não consegue explicar a vivência do sagrado e do profano entre esses romeiros?”

Foto: Marcelo Feitosa

A Festa em Madureira:

Agora é a vez de Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, receber esta procissão de fotos, participar desta “Festa Santa”. Os moradores da terra do Samba são pessoas que, de imediato, vão se identificar com o tema. O subúrbio carioca tem como grande parte da população imigrantes nordestinos, desta forma, a identificação destas manifestações típicas das suas regiões, do seu povo, elevam sua identidade a patrimônio cultural da humanidade.

Foto: Marcelo Feitosa

Festas como a de Nossa Senhora da Penha, Iemanjá, São Sebastião e São Jorge, mesmo vindas de tradições europeias misturadas ás tradições dos povos afrodescendentes, mostram esta aproximação, este “(re)conhecimento” de uma fé que não é só do homem do Nordeste e sim das “gentes” brasileiras.

Foto: Marcelo Feitosa

Com a palavra a Curadora:

Procissões e romarias estão entre as mais antigas tradições do Brasil, heranças da nossa colonização portuguesa. Contudo,
o ritual católico encontrou vários obstáculos para se fazer presente em todas as regiões, dificultando sua missão evangelizadora
e criando as condições para que outras práticas populares fossem a ele incorporadas, o que resultou em uma religiosidade
multifacetada. O mesmo espaço de reza e de devoção podia ser também o da festa e o do jogo, pois eram formas não
excludentes de mostrar reconhecimento e agradecimento ao santo de devoção.

As fotos que vemos na exposição Festa Santa não são apenas uma afirmação da fé dos romeiros. Ao se lançar em duas romarias
de regiões distintas do Nordeste brasileiro – Juazeiro do Norte, no sertão do Ceará, e Morro da Conceição, na região metropolitana
de Recife –, o fotógrafo Marcelo Feitosa tinha como objetivo conhecer as manifestações culturais presentes nesses espaços, para
além do estrito caráter devocional. O resultado disso é uma coletânea de imagens que mostram o sagrado e o profano convivendo
no mesmo espaço sem constrangimentos. Tanto no ambiente rural quanto no urbano, observamos práticas religiosas semelhantes,
em que tradição e modernidade interagem em hibridismos que buscam novos sentidos para as suas práticas.

Se atualmente desconfiamos da fotografia documental como apenas um registro do real, pois se trata também de uma construção,
o olhar aparentemente herético do fotógrafo constitui-se em um excelente convite à reflexão sobre como é vista e pensada a fé no
mundo contemporâneo. Afinal, é o seu olhar que dessacraliza o ritual de fé dos romeiros ou é o conceito que não consegue explicar
a vivência do sagrado e do profano entre esses romeiros?

Andrea Vizzotto
Curadora

“Festa Santa” – Fotografias de Marcelo Feitosa

Curadoria – Andrea Vizzotto

SESC Madureira – Março e abril 2012

www.sescrio.org.br

Curriculo:

Marcelo Feitosa nasceu no Rio de Janeiro (RJ), onde vive atualmente após um período morando em Recife (PE). Começou a fotografar ainda jovem, nos anos 1980. Fotógrafo independente, trabalha com jornalismo e é repórter fotográfico associado à FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas). A partir de 2007 passou a trabalhar exclusivamente com fotografia digital, tornando-se especialista em pós-produção e tratamento digital de imagens. Nesse mesmo ano começou a desenvolver vários projetos autorais, sempre utilizando a fotografia como forma de expressão. Seus trabalhos começaram a se destacar a partir de 2008, sendo premiado em vários concursos. Entre os prêmios que recebeu, destacam-se o Prêmio SENAD de fotografia 2009, em Brasília, e o IV Prêmio Pernambuco Nação Cultural 2010. Participou de todas as edições da Mostra Recife de Fotografia e também de outras mostras de arte, tais como a I Mostra de Videoarte do Memorial Chico Science, dentro da programação do SPA das Artes 2009, e a Semana de Artes Visuais do SESC Santa Rita (Recife). Ainda em 2009, participou da exposição “Caminhos do Santo”, realizada pelo Museu de Arte Popular da cidade do Recife (MAP), em 2010, participou da exposição “Além da Imaginação”, realizada pelo Centro Europeu de Curitiba (PR), em 2011 foi finalista do concurso internacional Prix Photo Web, promovido pela Aliança Francesa e em 2012 realiza sua primeira exposição individual, no SESC Madureira – RJ, com o projeto Festa Santa. Possui imagens no acervo dos Museus Oscar Niemayer (MON), em Curitiba, e na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE). Atualmente trabalha na cobertura jornalística de eventos para diversas agências de notícia e é professor da escola de fotografia Beco Limon Fotografia.

Na REvista Raiz 11

A Matéria chama “Festa Santa” é logo a primeira matéria da coluna Acontece.
A revista Raiz 11 pode ser comprada pelo site ou em breve na Livraria Cultura da sua cidade.
Revista Raiz 11

Confira e compartilhe comigo este prêmio.

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Revelando o melhor da Cultura Paulista Tradicional

Revelar o que há de melhor na cultura tradicional do Estado de SP é a missão do projeto Revelando SP que já a 15 anos nos presenteia com cultura, arte, gastronomia e tradição deste nosso estado misturado por natureza e abençoado pelo Divino Espirito Santo.

A Capital está de rebendo de 9 a 18 de Setembro o XV Festival da Cultura Paulista Tradicional, organizada pela Abacai e com o Apoio do GOverno do Estado.

Através do programa Revelando São Paulo a Abaçaí Cultura e Arte, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, vem reunindo há mais de uma década, uma amostragem significativa da cultura tradicional em São Paulo, dando a conhecer aos paulistas e ao Brasil, aspectos desconhecidos ou pouco divulgados da vida em São Paulo, refletindo o mais possível, nossa diversidade cultural, promovendo o encontro do rural com o urbano, do tradicional com a mídia.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Livia Pugliese

Nesse encontro, os “artistas”, os “sujeitos das ações”, são nossos congadeiros, moçambiqueiros, foliões do Divino e de Santos Reis, são gonçaleiros e catireiros, violeiros, romeiros, cavalarianos e artesãos de várias procedências de nosso Estado. É sobre eles que se ajustam os focos.

E a parceria que se estabelece com as prefeituras para sua realização tem feito estreitar os vínculos das administrações locais com as expressões culturais mais espontâneas de suas regiões, fazendo o intercâmbio e a interação entre os grupos nas festas, fato tímido até então.

Além do Festival da Cultura Paulista Tradicional realizado na cidade de São Paulo, este programa desenvolve outros três festivais regionais, que dão conta das peculiaridades da cultura tradicional nas regiões do Vale do Paraíba, Vale do Ribeira e Região Bragantina.

 

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Larissa Leal

                                                                                                                                                                                                    A devoção ao Divino Espírito Santo constitui-se em um dos fortes núcleos das devoções populares em São Paulo. Herança do colonizador português se exterioriza de diversas formas, resultando sempre em grandes festas, sendo estas das mais cheias de pompa e espetacularidade desde os tempos do Brasil Colônia. Da celebração festiva já faziam parte os imperadores, mordomos, bandeireiros, império e levantamento do Mastro do Divino. 

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Carlos Leite Soares

Festa do Divino


Acreditamos, que as Festas do Divino sejam das mais difusas por todo o Estado, concentradas no tempo Pentecostal prescrito pela Igreja e fora dele, quase sempre cheias de pompa e espetacularidade.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Livia Pugliese

São muitos os municípios que as realizam com imponência e fartura de comezainas. Assumem peculiaridades regionais, ressaltando-se das que são organizadas no Médio Tietê os famosos encontros fluviais das Irmandades do Divino em grandes batelões. Nas do Litoral e Vale do Paraíba multiplicam-se os cortejos de muitos devotos, cada qual com sua bandeira votiva. Ainda nesta região são comuns os cortejos a cavalo (as famosas cavalarias), e a farra do João Paulino e a Maria Angu (bonecos gigantes).

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Diego Pugliese

Nelas não podem faltar o levantamento do Mastro Votivo, o Império do Divino ricamente ornamentado, e as comidas, símbolo da maior graça do Divino – a fartura.

Folias do Divino


São pequenos grupos de até 5 pessoas, os Foliões do Divino, que, com suas jornadas, meses participam da preparação das Festas do Divino, visitando as casas das zonas rural e urbana, cantando os feitos e os poderes do Divino Espírito Santo, recolhendo donativos, sempre abundantes, para sua celebração. Percorrendo assim as comunidades de canto a canto e anunciando a festa, avivam a fé no Divino.

Revelando São Paulo Vale do Paraíba - São José dos Campos Foto: Carlos Leite Soares

Cidades onde acontecem anualmente as festas: Anhembi, Caconde, Cananéia, Cunha, Iguape, Itanhaém, Itu, Itapeva, Lagoinha, Laranjal Paulista, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Paraibuna, Piracicaba, Redenção da Serra, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, São José dos Campos, Tietê, Ubatuba. Angatuba, Anhembi, Araçoiaba da Serra, Arandu, Biritiba-Mirim, Buri, Cananéia, Capão Bonito, Caraguatatuba, Conchas, Cotia, Cunha, Divinolândia, Iguape, Itu, Jacupiranga, Laranjal Paulista, Lagoinha, Mogi das Cruzes, Nazaré Paulista, Nuporanga, Paraibuna, Pereiras, Piedade, Piracaia, Piracicaba, Porongaba, Porto Feliz, Ragoinha, Santa Branca, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, Silveiras, Suzano, Tietê, Ubatuba, Ubirajara.

Projeto Fotografe SP

Projeto criado com o intuito de se tornar um canal de comunicação, de troca de informações, pesquisas e principalmente uma forma de reunir fotógrafos (profissionais e amadores) para saídas fotográficas no Revelando São Paulo, evento realizado anualmente com o objetivo de mostrar aspectos desconhecidos ou pouco divulgados da cultura tradicional em São Paulo, promovendo o encontro do rural com o urbano. São congadeiros, moçambiqueiros, foliões do Divino e de Santos Reis, são gonçaleiros e catireiros, violeiros, romeiros, cavalarianos e artesãos que se reunem em 4 edições anuais, sendo elas: Revelando São Paulo – Entre Serras e Águas, em janeiro na cidade de Atibaia; Vale do Ribeira, em junho na cidade de Iguape; Vale do Paraíba, em julho na cidade de São José dos Campos e o tradicional Revelando São Paulo, realizado em setembro na capital paulista.

Fontes:

Site: Viola Tropeira

fotos do Projeto – Fotografe SP

Organizadora do Festival: Abaçai

Site Oficial do: Revelando São Paulo


Coco do Amaro Branco

O Coco do Amaro Branco é um projeto musical que envolve vários mestres e discípulos de um coco tradicional que acontece na comunidade do Amaro Branco em Olinda, há mais de 100 anos. Conheça seus mestres brincantes e conheça as belissimas fotos de Emiliano Dantas “Coco do Amaro Branco | Retratos”

Mas o que é o Coco?

Dança tradicional do Nordeste e do Norte, cuja origem é discutida: há quem acredite que tenha vindo da África com os escravos, e há quem defenda ser ela o resultado do encontro entre as culturas negra e índia. Apesar de mais freqüente no litoral, o coco teria surgido no interior, provavelmente no Quilombo dos Palmares, a partir do ritmo em que os cocos eram quebrados para a retirada da amêndoa. A sua forma musical é cantada, com acompanhamento de um ganzá ou pandeiro e da batida dos pés. Também conhecido como samba, pagode ou zambê (quando é tocado no tambor de mesmo nome), o coco originalmente se dá em uma roda de dançadores e tocadores, que giram e batem palmas. A música começa com o tirador de coco (ou coqueiro), que puxa os versos, respondidos em seguida pelo coro. A forma é de estrofe-refrão, em compassos 2/4 ou 4/4.

Muitas são as variações do coco espalhadas pelo Nordeste: agalopado, bingolé, catolé, de roda (um dos mais primitivos), de praia, de zambê, de sertão, desafio, entre outros. Muitos deles caíram em desuso, por causa das influências culturais urbanas e da repressão das autoridades (há um grau de erotismo embutido nas danças), mas ainda são praticados nas festas juninas. Um dos cocos mais populares é o de embolada, que se caracteriza pelas curtas frases melódias repetidas várias vezes em cadência acelerada, com textos satíricos (quase sempre improvisados, em clima de desafio) onde o que importa é não perder a rima.

Um dos artistas mais célebres do coco foi o paraibano Jackson do Pandeiro, que começou acompanhando a mãe nos cocos tocando zabumba. Sua carreira fonográfica começou em 1953, em Recife, com o coco Sebastiana, o primeiro de muitos que viria a gravar, acabando por tornar o estilo (e tantos outros da música nordestina) conhecido no Sudeste. Mais tarde, nomes como Bezerra da Silva e Genival Lacerda também se valeriam do gênero. Celebrado por muitos dos artistas da MPB, como Gal Costa (que gravou Sebastiana), Gilberto Gil e Alceu Valença, o coco seria redescoberto nos anos 90 em Recife, pela via do mangue beat, através do trabalho de grupos como Chico Science & Nação Zumbi e Cascabulho. Eles chamaram a atenção para artistas recifenses contemporâneos, mais próximos da raiz musical, como Selma do Coco, Lia de Itamaracá e Zé Neguinho do Coco. Continuar lendo

O Olhar brasileiro de Thomaz Farkas – 1924-2011

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O Celophane Cultural homenageia mais um ilustre brasileiro, bem ele era húngaro e naturalizado brasileiro mas muito brasileiro, que voltou no dia 26 de Março passado para o Reino de Oxalá: Thomaz Frakas (1924-2011)

Foto: Farkas por Alexandre Belem/JC Imagem

“[…] propondo que o pensamento descubra a imagem”.

Nome definitivo para a compreensão da fotografia brasileira, também produtor e diretor de cinema, Farkas perpetuou os seus dias com doçura e generosidade tanto quanto o fez com sua arte. Naquele dia a fotografia brasileira se despedia fisicamente de um personagem que, resumiu a imagem da forma mais simples e certeira, como se jamais ouvíssemos de outro fotógrafo: “Fotografia é emoção!”. Apenas isso, emoção.

O interesse pela fotografia

A história começa com o seu pai, fundador da loja Fotoptica, especializada em equipamentos fotográficos. Farkas vivia entre profissionais e conciliava o curso de engenharia com a paixão por imagens.

A Revolução pela Fotografia

Naturalizou-se brasileiro aos 25 anos, passou a amar esse Pais com tanta intensidade que em 1964 diante do anuncio perverso do que seria um longo esquema de repressão política: A Ditadura, imaginou que o melhor para o Brasil seria conhecer a si mesmo “Eu achava que dando essa consciência, mostrando para a população quem somos nós, seria tão revolucionário quanto uma revolução”

Auto retrato - Thomas Frakas - Acervo IMS

Ainda trabalhando na loja do pai, ele reuniu amigos conhecidos para uma ideia simples: a Caravana Farkas: documentar lugares e pessoas pelo Brasil, uma espécie de biblioteca em imagens da cultura popular, em fotos e vídeos. “Esse era o princípio da coisa: como é o Brasil do Norte, como é o Brasil do Sul, como posso ilustrar isso?  A proposta era estudar, correr e documentar o país, em diversas fases.” Essa foi definitivamente o inicio da sua enorme contribuição ao Brasil.

(…) Em 1968, parte para o Nordeste um grupo de jovens cineastas, organizados em torno do empresário, fotógrafo produtor e Thomaz Farkas (2), com o intuito de realizar um projeto pioneiro na área da documentação de manifestações da cultura popular brasileira, em que havia liberdade tanto para o uso das técnicas de reportagem tradicionais quanto para as da ficção, contemplando da precisão etnográfica ao improviso.

No total, foram dezenove os documentários produzidos. Cada um deles traz a abordagem de um tema único: a literatura oral, em A Cantoria e Jornal do Sertão; a religiosidade popular, em Padre Cícero e em Frei Damião; o artesanato, em A Mão do Homem, Os Imaginários e Vitalino/Lampião; a economia, em Casa de Farinha (mandioca), Erva Bruxa (tabaco), O Engenho (rapadura), A Morte do Boi (gado) e Região: Cariri (estrutura agrária); o sertanejo, em A Beste, A Vaquejada, O Homem de Couro e O Rastejador; e o cotidiano na fazenda, em Jaramataia. As exceções ficam por conta de Visão de Juazeiro e Viva Cariri!, que apresentam uma síntese de toda a temática do projeto, relacionando economia, cultura e religiosidade popular.(…)

Do lado de fora do Estádio do Pacaembu. São Paulo, SP. 1941. Foto: Thomaz Farkas/Acervo IMS

A Imagem pode falar

Farkas não gostava de legendas nas fotografias para que a imagem não tivesse interferência e pudesse “falar” em sua plena representação poética.

torcedores no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, em 1942 - Thomaz Farkas - acervo IMS

Foto Cine Clube Bandeirante

O Foto Cine Clube Bandeirante é um dos mais antigos e importantes fotoclubes brasileiros, localizado na cidade de São Paulo. Fundado em 1939, tem diversas atividades e ajudou o conceito de fotografia artística no Brasil, com reconhecimento inclusive de clubes do exterior.

Foto: Thomaz Farkas - Acervo IMS

Do Foto Cine Clube Bandeirante sairam fotógrafos brasileiros famosos, tais como Thomas Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, Madalena Schwartz e José Yalenti, entre outros.

O clube organizou por anos o Salão Brasileiro de Arte Fotográfica, já organizou duas vezes a Bienal Brasileira de Fotografia entre clubes, e salões digitais como Web Art Photos e Tecnologia na Arte.

Sendo um dos pioneiros na fotografia-arte brasileira, o FCCB introduziu na fotografia a partir da década de 40 novoas conceitos para a foto-arte, com seus salões concorridíssimos, exposições e múseus antes só para pinturas e esculturas, também foi responsável pela “Escola Paulista” de fotográfos que mudaram os conceitos de composição, estilo, recortes, etc… na fotografia vista até então como academica e pictorialista.

Farkas fala do vídeo feito por ele: “Pixinguinha e a velha guarada do samba”

O Olhar sobre Brasília

Thomaz se viu em meio à outra revolução. Desta vez estética: Brasília. “Fui até lá quando era só descampado”, lembra. “Tinha amigos entre os arquitetos que concorreram com projetos para a capital. Sobretudo, o Jorge Wilheim.”

Àquela altura, Thomaz era mais que o empresário que tocava os negócios da família. Havia se tornado engenheiro mecânico e eletricista e, também, um apaixonado – e ótimo – cineasta e fotógrafo. “Passei a ir várias vezes à Brasília, antes e depois da inauguração”, conta. “Estava fascinado com toda a modernidade, a maravilhosa aventura de tirar a capital do Rio e fazê-la no meio do País. Continuo juscelinista.”

Foto: Construção de Brasilia - Thomaz Farkas - Acervo IMS

Thomaz encantou-se com um aspecto em especial: a mistura de sotaques. “Era fantástico ouvir os trabalhadores de todos os cantos do País, cada um com seu jeito de falar”, recorda o fotógrafo que, ao longo dos anos, permaneceu visitando e registrando imagens de Brasília. “Continuo fascinado pela cidade!”, exulta. “Ok, ficou com trânsito congestionado. Mas isso ocorre com qualquer metrópole, não tem jeito.”

O FIESP montou uma mostra fotográfica – AS Construções de Brasilia – A mostra fotográfica, reuniu cerca de 200 registros entre fotografias e obras de artes visuais sobre a capital federal. AS imagens feitas por Farkas fizeram parte desta mostra.

“Eu gostaria de ser baiano”

(…) No dia 2 de agosto de 2010, à beira da Bahia de Todos os Santos, no Museu de Arte Moderna da Bahia, inaugurou a exposição Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido, dentro do projeto A Gosto da Fotografia. Já com a saúde debilitada.

Na mostra em Salvador existia um Núcleo para o Afeto, onde estavam tesouros pessoais do fotógrafo, entre eles, um “santinho” enviado por Deoscóredes Maximiliano dos Santos, outro grande homem, o Mestre Didi. O cartão anunciava a “passagem” de Mãe Senhora, rainha absoluta do Ilê Axé Opô Afonjá. Tomado de “emoção”, ele disse, quase em silêncio: “No Brasil, a coisa mais importante não é o dinheiro, mas, sim, a amizade”. Às 19h30, naquele 31 de julho, Thomaz entrou no MAM. Vestido de branco, sentou-se em uma cadeira ao lado do mar da Bahia. Ali, sentia-se o seu tempo dissolvido. Foi como num transe. Recortado pelas luzes da Ilha de Itaparica ao fundo. Sentado em seu trono, diante das imagens que fez durante a vida inteira. Com o mar da sua terra espiritual arrebentando em espumas flutuantes de brancura, memória e solidão (…)

Thomaz sempre conservou um olhar deslumbrado. Possivelmente, semelhante àquele do garotinho húngaro ao chegar ao país. Que se tornou o seu.

O Acervo:

No Instituto Moreira Salles em São Paulo, encontra-se grande parte da obra do artista – cerca de 34 mil imagens.

A expo Thomaz Farkas: uma Antologia Pessoal,  produzida pelo Instituto Moreira Salles, em São Paulo ficou em cartaz até 1º de maio deste ano. Na expo, imagens do fotógrafo produzidas a partir da década de 1940, época em que Farkas se associou ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), local de debate sobre a atividade fotográfica. E também trabalhos posteriores do fotógrafo, com uma abordagem mais humanista, quando Farkas se aproxima do fotojornalismo. Destacam-se as séries sobre o Rio de Janeiro que incorporam o retrato e a vida dos moradores de bairros populares e regiões do centro histórico da então capital federal.

Capa do Livro - IMS

Paralelo a mostra, foi lançado o livro homônimo que possui cerca de 140 imagens, com texto de João Farkas, filho do fotógrafo. Para compor livro e exposição, durante dois anos Thomaz Farkas revisitou toda a sua trajetória, com suporte de seus filhos João e Kiko Farkas, e em conjunto com os pesquisadores e curadores do IMS, que hoje preserva sua obra fotográfica.

Entrevista do Blog do Coletivo Produção Cultural:

Fontes:

Matéria da revista Brasileiros : Thomaz Farkas e o tempo dissolvido (1924 – 2011) – Diógenes Moura (Escritor e Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo) Matéria revista Brasileiros

Entrevista na Integra de Tomas Farkas – Blog: Produção CulturalEntrevista em PDF

Blog Olhavê – Por Alexandre Belém – OLhavê

O diálogo entre culturas presente nos filmes documentários da Caravana Farkas: uma proposta de análise por Alfredo Dias D’Almeida

A religiosidade popular em debate e a fé em “Jorge”

O Celophane Cultural iniciando uma série de matérias sobre  o – Venerado Guerreiro: São Jorge – divulga um evento que está acontecendo na UERJ com uma exposição bem bacana sobre o amado “Jorge”

O Departamento Cultural da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realiza a Semana de Cultura Popular que acontece de de 4 a 7 de abril, em sua  12ª edição.

O evento tem como objetivo apresentar trabalhos relacionados à cultura popular e debates sobre o assunto, explorando o tema central desta edição: religiosidade popular. A exposição“Jorge”, em homenagem a São Jorge, abre a semana, no dia 4 de abril, segunda-feira, às 18h30, na galeria Cândido Portinari da universidade. Na mostra, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de artistas populares que veem o santo como fonte de inspiração também serão expostas no espaço da galeria.

Já nos dias 5, 6 e 7 de abril, a Semana de Cultura Popular 2011 terá mesas-redondas com convidados de diversas instituições debatendo assuntos  pertinentes à cultura popular.

No dia 5, das 9h às 12h, haverá a mesa-redonda “Mestiçagens e novos saberes: reflexões sobre o mundo religioso”, com Zeca Ligeiro (UNIRIO), Alberto Ikeda (UNESP) e Aureanice Corrêa (UERJ) – mediadora. Das 19h às 21h, “Arte e religião: objetos sagrados de produção popular”, com Andréa Paiva (Antropóloga), Tadeu Mourão (UFRJ) e Isabela.

No dia 6, das 9h às 12h, o tema “Formas contemporâneas de religiosidade popular” será debatido por Cristiane Carvalho (Igreja Contemporânea), Maria Clara Rebel (UNESA) e Gustavo Corrêa (UERJ) – mediador. Das 19h às 21h30, “O saber do viver: reflexões de uma prática” terá a participação de Vanor Correia (Fotógrafo), Maritônio (Artista Popular), Eurico Ramos (Babalorixá da nação Ketu) e Cáscia Frade (UERJ)  – mediadora.

No dia 7, das 18h às 20h, haverá a exibição do documentário “Fé”, seguido de debate com o Padre Sérgio, na Midiateca Arte e Cultura (Centro Cultural da UERJ).

Exposição “Jorge”

Em homenagem ao São Jorge, um dos santos mais populares do Rio de Janeiro, o fotógrafo Vanor Correia apresenta fotografias realizadas no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril, dia dos festejos de São Jorge, dos anos de 2007, 2008 e 2009. Além disso, esculturas de diversos artistas populares inspiradas no santo estarão expostas na galeria.

A popularidade de São Jorge, no Rio de Janeiro e no mundo, justifica a grande mobilização de fiéis na data de comemoração do seu dia. No Rio, 23 de abril é feriado, o que contribui para que as comemorações fiquem lotadas. O santo também é padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha, e venerado em canções de Jorge Ben Jor, Caetano Veloso e Fernanda Abreu.

A lenda mais conhecida que envolve o santo, nascido na Capadócia e militar do Império Romano, conta que São Jorge enfrentou um dragão que saía das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma cidade, provocando mortes. Para não destruir a cidade, o dragão exigia que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas.  Quando a filha do Rei teve de ser oferecida como comida ao dragão, São Jorge, montado num cavalo branco e com sua espada, enfrentou o monstro, vencendo-o e libertando a cidade.

Local: Galeria Cândido Portinari
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2334-0728 / 0114
Visitação: até 20 de maio de 2011.
De: segunda a sexta, das 9h às 20h

Fontes:

rets.org.br

Uerj

Fotopintura, a memória “tatuada” na parede

Hoje o Celophane Cultural vai tratar de uma arte, quase esquecida pelo tempo, que se não fosse o empenho e perseverança de um Cearense, mestre do ofício, ela hoje não existiria mais: a Fotopintura

São Paulo, Fevereiro de 2011 um workshop sobre as técnicas da Fotopintura e uma parceria entre a Galeria Choque Cultural com o Mestre e ainda o lançamento do livro: “Júlio Santos – Mestre da Fotopintura” celebram mais um paço na preservação desta arte que “tatua” a imagem e a memória das pessoas nas paredes de uma casa.

São Paulo, 05 de Abril a 28 de Maio a Galeria Estação traz a Exposição “Fotopinturas – Coleção Titus Riedl”.
O Ofício da Fotopintura

Ofício muito comum no começo do século XX, tempo em que a fotografia ainda engatinhava e precisava da ajuda de um colorista-pintor que para complementar a imagem preto e branca. Até o final dos anos 1950, era muito comum ver os álbuns de foto da família com retratos pintados à mão ou a família e entes queridos “tatuados’ e emoldurados nas paredes da casa. As câmeras coloridas vieram, com tamanhos menores e valores acessíveis fazendo com que a fotopintura caísse em decadência.

Fotopintura de Mestre Julio - divulgação

No Nordeste, essa tradição continuou por vários motivos, principalmente pela dificuldade de acesso aos novos produtos fotográficos e novidades tecnológicas. Uma outra forma de eternizar um ente querido, já falecido, onde apenas uma foto “carcomida” pelo tempo era a única lembrança, seria a reprodução em fotopintura, preservando a beleza guardada na memória e muitas vezes, a pedido do cliente, consertando alguns defeitinhos que por ventura a foto apresentasse.

O Mestre Julio

No Ceará, o Mestre Júlio, fotopintor de primeira, criou boa fama entre os que precisavam de um retoque de estilo nos retratos e manteve seu negócio até a virada do milênio.

Fotopintura do Fotografo e amigo Tiago Santana e sua esposa feita por Mestre Julio - a foto faz parte do Livro

Mestre Júlio Santos, fotopintor de retratos, atua há mais de 40 anos em Fortaleza (CE). Foi formado no estúdio do seu pai, o Pai Didi, pelo artista plástico Medeiros –contemporâneo de Estrigas, Aldemir Martins e Mário Barata, todos da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), onde Júlio Santos trabalhou desde os 12 anos. Atualmente, em seu próprio estúdio, o Áureo Studio, atende a todos os pedidos de retrato, restauro e “transformação” do Ceará e outras capitais de norte a sul do país.

Com o advento da fotografia digital, poderia se pensar que o oficio da fotopintura acabaria de vez e ficaria na memória dos saudosistas. Apesar das dificuldades, Mestre Júlio não desistiu e, com a ajuda da filha, resolveu “virar a mesa” trazendo finalmente a tecnologia digital para transformar o negócio da fotopintura. “Mantive as características estéticas da fotografia colorizada, mas hoje uso o Photoshop, scanners e outros programas e equipamentos de captação e tratamento de imagem disponíveis, detalha Mestre Júlio.

Mestre Júlio acredita na transformação pelo trabalho artístico do fotopintor e investe na construção da memória e recuperação da história do cliente que encomenda um restauro ou um retrato. Ao mesmo tempo, já teve seu trabalho registrado em diversos documentários produzidos pela historiadora e diretora do Memorial da Cultura Cearense, Valéria Laena, pelo fotógrafo Tiago Santana e pelo cineasta Joe Pimentel. Participou dos Encontros de Fotografia Popular, no Memorial da Cultura Cearense, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Encontro DeVERcidade, em Fortaleza. Participou também da mostra Retratos Populares, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, em 2006, ao lado de Telma Saraiva, outra artista do Crato (CE).

Desde 2009 trabalha com o fotógrafo Luiz Santos, de Recife, no projeto Fotopintura Contemporânea, na Tamarineira, nome popular do Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano, que fica no bairro homônimo.

O LIvro

“Júlio Santos, Mestre da Fotopintura”

Capa do Livro - “Júlio Santos, Mestre da Fotopintura”

Este livro foi selecionado pelo Edital Conexão Artes Visuais MinC/ Funarte/ Petrobrás e pelo Edital de Incentivo á Fotografia da Secretaria de Cultura de Fortaleza – Secultfor, e foi publicado pela Editora Tempo d’Imagem.

A obra traz texto de apresentação da curadora Rosely Nakagawa e entrevista inédita com Mestre Júlio Santos, realizada por Isabel Santana Terron, Rosely Nakagawa e Tiago Santana, no Áureo Studio, em Fortaleza. Nessa entrevista, Mestre Júlio fala sobre sua carreira desde os primeiros retratos, feitos com recursos de pintura sobre papel de sais de prata, até os retratos feitos hoje com recursos digitais, quando teve que aprender a utilizar o Photoshop.

Foto: divulgação

Imagem do Livro: Divulgação

 

O livro foi produzido por várias mãos, como por exemplo: Rosely Nakagawa, Isabel Santana e Tiago Santana. Com divisão eficiente sobre o tema e bem ilustrado a partir do acervo de Júlio Santos, seguindo o modelo do antes e depois, podemos “entrar” no universo da fotopintura de forma objetiva e clara. Os textos de Rosely nos introduzem ao tema da fotopintura e ao Mestre Júlio.

O didatismo da obra se revela na entrevista com Mestre Júlio e com os últimos capítulos que são dedicados a uma espécie de glossário das técnicas do Estúdio Áureo, assim como de nomes que fazem parte do contexto da fotopintura no Ceará. Outro ponto didático é a apresentação da substituição da técnica artesanal da fotopintura pela ferramenta Photoshop. O livro mostra o passo a passo deste processo na transformação de um retrato em fotopintura.

Livros como esses são significativos, pois tratam de temas caros à difusão de conhecimento sobre história das técnicas fotográficas, da dinâmica do comércio da fotografia popular, do estilo autoral do profissional em questão, do valor simbólico existente entre pedir que a foto renasça de uma outra forma ou mesmo de preservar o que o tempo apagou de um retrato.

O livro acompanha um DVD com oum trecho do documentário “Câmera Viajante” com o título de “Retrato Pintado” de Joe Pimentel.

 

Faça a sua fotopintura em São Paulo

A Galeria Choque Cultural está atenta as iniciativas instigantes, como a de Mestre Júlio que foi convidado para um  workshop, marcando inicio da parceria entre a Choque e o estúdio do artista. “A partir desse dia, vamos oferecer o serviço de retratos fotopintados ao público da galeria. Basta trazer a sua foto 3×4 para receber de volta seu retrato estilizado pelo Mestre”, nos informa Ribeiro sócio da Choque. O preço inicial de uma fotopintura é de R$ 200,00.

Quem estiver no Ceará pode visitar o  Áureo Estúdio

encomendar sua foto e conhecer o simpático mestre:

R. Gonçalves Ledo, 1779 – Fortaleza (CE)

Mas a fotopintura não se restrige a Nordeste, no Rio – Baixada Fluminense a fotopintora D. Diana fez trabalhos com muita delicadeza e simplicidade, ela coloria as fotos do marido fotógrafo sem a intenção de se tornar uma profissional na área.

Auto retrato de D. Diana

A Galeria Estação traz a Exposição “Fotopinturas – Coleção Titus Riedl”, com Curadoria de Eder Chiodetto.

A exposição composta por 200 retratos pintados a partir de fotografias – técnica hoje praticamente extinta – que revelam o universo estético do sertanejo nordestino. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra apresenta parte da coleção do sociólogo Titus Reidl, que reúne cerca de 5 mil imagens adquiridas, em sua maioria, em Juazeiro do Norte (CE) e região.

O recorte curatorial privilegiou o embate entre fotografia e pintura. Segundo o curador, enquanto numa parte das imagens o aspecto fotográfico se mostra visível, em outras a fotografia é completamente ocultada, com os traços fisionômicos chegando ao limite da caricatura. “A soma das imagens, no entanto, tem a capacidade de revelar, além das feições, os sonhos de projeção, de afetividade, de memória, bem como os valores sociais do povo nordestino”, completa Chiodetto.

Local: Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625
Pinheiros – São Paulo

Convite da EXposição

Fotopintura do acervo de Titus Reidl

Fontes:

Galeria Choque Cultural:

Assessoria de imprensa:  Agência Cartaz

Blog Vila MUndo

Leandro Matulja e Sandra Calvi

Blog Olhave – Alexandre Belem

Fotos e BLog: Georgia Quintas

Workshop na Choque Cultural SP - Foto: Georgia Quintas

“Sigo o historiador Geoffrey Batchen que nos aconselha a olharmos mais para as nossas próprias fotografias e as dos anônimos. São nelas – nas imagens privadas – e nesses fotógrafos espalhados pelo Brasil e no mundo que vamos nos encontrar. Júlio Santos, como ele mesmo fala, acredita que o maior valor da fotopintura é “tatuar” as pessoas nas paredes de uma casa. Júlio Santos e Geoffrey Batchen fazem todo sentido.”

… A fotopintura de Júlio é um procedimento coletivo. A autoria? Quando se coloca o espírito e a alma naquele retrato, já é do mundo, de quem vê, não é mais do fotógrafo. Simples assim. “O retrato é encantador mesmo, não me sinto dono dele”.

Georgia Quintas.


Até a próxima edição do Celophane CUltural

TODAS AS “CORES DO MARACATU” reunidas num livro.

Olá amigos da Cultura Popular:

Abrindo um canal de divulgação de obras que disseminam a nossa rica e gloriosa cultura, estou aqui divulgando um livro que teve seu lançamento na Livraria Cultura do Recife, canal este de comunicação aberto através deste blog.

Isso pra mim representa um orgulho enorme, estar sendo lido, acompanhado e estar utilizando este meio como  indicador de obras importantes para a nossa “avexada” de deslumbrante Cultura Popular Brasileira.

JeffCelophane

 

Descrição da Imagem: Capa do Livro "Cores do Maracatu" com uma colorida imagem da indumentária do Caboclo importante personagem do Maracatu com suas coloridas lantejoulas e ao fundo a Rainha.

 

TODAS AS CORES DO MARACATU PELO OLHAR DE RILDO MOURA

Fotógrafo recifense  lança livro “Cores do Maracatu”, com imagens que traduzem toda a beleza do maracatu rural através das pessoas que o compõem.

Tradição secular da cultura brasileira, o maracatu rural seduz pela beleza cênica, pelo valor de sua simbologia e pelo seu colorido extravagante, notável, por exemplo, na figura mais que característica do caboclo de lança. Essa riqueza visual foi captada pelo fotógrafo Rildo Moura, no seu livro “Cores do Maracatu”.

Para executar este belíssimo trabalho, apoiado pela Chesf, Rildo Moura foi até Nazaré da Mata, a Terra do Maracatu, durante três anos, no período de Carnaval e nos encontros de maracatus que ocorrem na cidade. Registrou todo o processo que guia a celebração da “guerra bonita”, indo desde a confecção das fantasias e adereços até a apresentação em si. Nesta empreitada, contou também com orientações de Walter Firmo, renomado fotógrafo carioca, que conheceu durante um workshop no Recife, e que assina o prefácio do livro.

Descrição da Imagem: Humilde casa ao fundo com a comitiva de mulheres enfileiradas e suas roupas brilhantes e coloridas de cetim.

O diferencial deste trabalho de Rildo Moura é que ele não se limitou a capturar apenas o folguedo popular, mas se preocupou em registrar as pessoas que o compõem e sua dedicação aos detalhes: a preparação dos caboclos de lança, as baianas enfeitadas nos seus vestidos, os artesãos preparando as indumentárias, o rei e a rainha à espera do cortejo. O livro é mais sobre pessoas do que mesmo sobre o próprio maracatu.

Descrição da Imagem: Close de Brincante, personagem do Maracatu, com rosto totalmente pintado de preto, chapéu e roupa coloridos.

RILDO MOURA – começou como fotógrafo de “brincadeira”, em 1986, após receber seu primeiro salário e comprar uma câmera. O hobby foi ganhando importância em sua vida graças a um crescente desejo pelo apuro técnico. A partir de 2000, Rildo passa a investir mais seriamente na carreira, tendo participado de grupos de fotografia e mostras coletivas, como o Paspatu e o Café Tortoni (SP). Atualmente, é membro da seção pernambucana da Associação de Fotógrafos (Fototech). Em 2008, publicou “Teatro de Santa Isabel – Guia Fotográfico”, com apoio do Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do Recife, revelando detalhes geralmente ignorados daquele teatro.

Descrição da Imagem: dois personagens do Maracatu totalmente vestidos de chita com "Burrinhas" penduradas aos ombros. a colorida imagem dos dois está no meio de um denso matagal dando um contraste muito interessante.

 

Confiram o belissimo vídeo de Marcelo Rodrigues:

Performance do grupo de Caboclo de Lança Cambinda Brasileira, de Nazaré da Mata – Pernambuco. Este grupo é o mais antigo e foi fundado em 1918. O Caboclo de Lança é símbolo do carnaval Pernambucano.

SERVIÇO

livro “Cores do Maracatu”, de Rildo Moura

Onde comprar: Livraria Cultura.

Quanto: R$30

Livraria Cultura

Flickr de Rildo Moura

www.rildomoura.com/

Contato para entrevista:

Renata Reynaldo (assessoria de imprensa) – (81) 9994.7530

Noticias sobre o lançamento:

JC Online

Folha Pernambuco

Diário de Pernambuco

Sair pra fotografar São Paulo – Foto Cultura

Sair pra fotografar a terra da Garôa é um passeio realmente maravilhoso.

Essa terra cheia de contrastes, pessoas das mais variadas nacionalidades e situações realmente inusitadas. tornar isto um hábito é uma forma de homenagear esta terra de bravos, coração do Brasil, pedaço deste imenso pais… São Paulo minha homenagem a voce é sair divulgando sua cara, seu jeito de ser, sua cultura diversificada, sua beleza, memória do passado e seu  modernismo.

Saida fotográfica

Já a 15 eventos o Designer,  Historiador e fotógrafo Yuri Bittar promove as Saídas do FotoCultura, um evento que reune fotógrafos de várias categorias, profissionais e amadores, equipamentos dos mais diversos, com muita troca de informações e saberes e olhares.

foto oficial por Yuri Bittar da galera fotográfica

Desta vez no 15º encontro Yury sugeriu:

“Gentileza gera gentileza. Fomente o escambo, troque uma foto sua por outra, crie o hábito de possuir e colecionar fotografia. Uma demonstração de apreço pela imagem.”

fotoescambo.com

Foto Escambo - por Delujar

O que são as saidas fotográficas Foto Cultura – por Yuri Bittar

Desde 2008 tenho organizado saídas fotográficas. Talvez você já tenha visto por ai, um grupo de amigos, andando pela cidade e fotografando sem parar, isso é uma saída fotográfica. Mas afinal o que são essas saídas?
O termo “saída fotográfica” vem do ramo profissional da fotografia e trata-se se um serviço externo de um fotógrafo. Dentro dos cursos de fotografia sempre houve um momento de ir para a rua e colocar em prática o que se tinha aprendido. Este momento passou-se a ser chamado também de “saída fotográfica”.  Algumas escolas também organizavam eventos independentes de cursos. Claro que tudo isso tinha um custo, afinal as escolas são empresas.

Mais tarde, e principalmente nos últimos anos através da internet, fotógrafos amadores começaram a organizar suas próprias saídas, de forma livre e espontânea, tendo como um dos principais motivos os perigos de andar com câmera pela cidade.

E dessa forma essas saídas tem se multiplicado, pelo menos em São Paulo, de modo que acontecem quase toda a semana. É uma oportunidade ótima para aprender e praticar a fotografia, mas também para conhecer a cidade e fazer amigos.

O funcionamento das saídas é simples. Em sites de fotografia, grupos de discussão ou outros meios, um membro sugere a saída, dando data e local de encontro.Outras pessos se manifestam, dizendo que irão. Geralmente não há regras, qualquer pessoa pode participar, com qualquer tipo de câmera. Apenas quando o local a ser visitado exige uma lista prévia ou algo assim é necessária inscrição.

Participe do Grupo Fotocultura, para mostrar e ver fotos da saída e não perder as próximas:

Grupo do Flickr

Participe do proximo:

Veja as minhas fotos no

Flickr Celophanico