Antonio Nóbrega – “Naturalmente” Brasileiro

“O sonho de Nóbrega, de fazer para a dança brasileira o mesmo que Villa Lobos e Radamés Gnatalli operaram para a música, não parece assim tão remoto.” escreveu Walnice Nogueira Galvão, professora titular de teoria literária e literatura comparada na Universidade de São Paulo, sobre “Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Ainda segundo Walnice, vem de longe o desejo de Nóbrega de apresentar publicamente algumas considerações que elaborou em seu percurso, sobre  as possibilidades da constituição de uma dança contemporânea de matrizes populares.

Fruto primoroso da relação de Nóbrega com a dança, Naturalmente une riqueza de informações ao refinamento artístico que faz deste espetáculo uma obra maior da arte brasileira.

Filho de médico, nascido em Recife -1952, aos 12 anos ingressou na Escola de Belas Artes do Recife. Foi aluno do violinista catalão Luís Soler e estudou canto lírico com Arlinda Rocha.

Com sua formação clássica, começou sua carreira na Orquestra de Câmara da Paraíba em João Pessoa, onde atuou até o final dos anos 60. Na mesma época participava da Orquestra Sinfônica do Recife, onde fazia também apresentações como solista.

Nóbrega com seu Violino, instrumento que quase fala em suas mãos.

Em 1971 Ariano Suassuna procurava um violinista para formar o Quinteto Armorial e, após ver Antônio Nóbrega tocando um concerto de Bach, lhe fez o convite que mudaria completamente sua carreira musical.

Quinteto Armorial por J. Borges - Xilogravura

Antônio Nóbrega, que até essa ocasião tinha pouco conhecimento da cultura popular, passou a manter contato intenso com todas suas expressões como os brincantes de caboclinho, de cavalo-marinho e tantos outros, que passou a conhecer e pesquisar.

O Dia que eu ví a LUZ deste artista:

Conheci o Nóbrega por acaso num festival de dança do Rio de Janeiro, em 1990, onde ele sozinho apresentou o solo: “Figural” naquele  imenso palco do Teatro Municipal. Um furacão que tirou o fôlego da platéia especializada e consumidora de Dança. Um espetáculo em que Nóbrega, sozinho no palco, muda de roupa e de máscaras para fazer uma das mais ricas demonstrações da cultura popular brasileira e mundial.

fotos de "Figural" Máscaras e adereços de Romero de Andrade LIma 1990

Foi paixão á primeira vista.  E acompanho sua carreira deste aquele iluminado dia.

Nóbrega revelou-se um fenômeno, ao conseguir unir a arte popular com a sofisticação. É, literalmente, um homem dos sete instrumentos, capaz de cantar e dançar.

Os Espetáculos

Seus principais espetáculos são: “Na Pancada do Ganzá”, “Madeira que Cupim não Rói”, “A Bandeira do Divino”, “Mateus Misterioso”, “Figural”,”Pernambuco falando para o Mundo”, “Marco do Meio Dia”, “Lunário Perpétuo” e “Nove de Frevereiro”

Site Oficial – Antonio Nóbrega

 

Foto por Marco Aurélio Olimpo

Entrevista muito bacana  feita ao Nóbrega por Marco Antonio Coelho e Aluísio Falcão:

Foto de Naturalmente - fonte: flickr do Festival

Defesa de uma dança brasileira

Por Tatiana Meira – Diário de Pernambuco
“Existe mesmo uma dança brasileira contemporânea, construída a partir de matrizes populares? Antonio Nóbrega tenta responder a este e outros questionamentos, convidando o público à reflexão em Naturalmente – Teoria e jogo de uma dança brasileira.

Em Naturalmente, Antonio Nóbrega – pernambucano morando em São Paulo há três décadas – intercala performances e números de dança com sua faceta de pesquisador da cultura popular, falando sobre as razões que o motivaram a tentar codificar uma linguagem brasileira de dança. Em cena, ele é acompanhado por duas bailarinas (Maria Eugênia Almeida, sua filha, e Marina Abib, que dividem com ele também as criações coreográficas) e oito músicos.

Diferentemente da música e da literatura, a preocupação com o segmento da dança é pequena. O Brasil precisa da base de uma cultura sólida para conseguir dialogar com outras culturas nesta grande roda cirandeira do mundo“, poetiza o dançarino, cantor, compositor e violinista.

Abertura do espetáculo onde nóbrega executa uma musica acompanhado de um vídeo com os diversos tipos e estilos de dança brasileiros, a matriz de onde ele absorveu seu trabalho.

As várias demonstrações das “Danças” brasileiras,  que assistimos no espetáculo, podem ser conferidos na série de 28 vídeos produziodos pelo Canal Futura.

“Viajando pelo Brasil, procurando conhecer e aprender os passos, gingados dos dançarinos populares, aprendemos que as danças circulam, e que o corpo informa sobre a vida de cada dançarino.”

Documentário produzido pelo Canal Futura, apresentado por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida . confira: “Danças Brasileiras

Como a dança seduziu o músico:

Nóbrega conta que foi seduzido para a dança aos 19 anos, quando viu um Mateus, figura do bumba-meu-boi, em ação. Desde então, passou a acompanhar vários artistas populares, como os passistas de frevo, os “dançadores” de caboclinho, os ternos de zabumba com seus volteios e passos.

“Nenhuma dança tem prevalência no espetáculo, mas não deixo de ressaltar a riqueza vocabular do frevo, que revolucionou com mais amplitude a linguagem brasileira oriunda deste universo. Faço um frevo desfrevado, que é desconstruído para ser reerguido de outra maneira”, confessa Nóbrega, ao detalhar o trabalho independente que estreou em 2009. “Um dos piores danos na nossa sofrida contemporaneidade cultural é sua folclorização. Se colocamos o frevo numa estante, com roupinha estilizada e passinhos iguais, ele se enfraquece”, exemplifica.

Numa entrevista, Ariano Suassuna, diz que quando Nóbrega  tocava no quinteto, seus pezinhos não paravam de se movimentar dançando… inquieto um verdadeiro “Brincante”.

 

Apresentação de Naturalmente no Festival Internacional de Dança no Recife

Nóbrega ganhou prêmios importantes. Em 2009 a revista Bravo! escolheu Naturalmente como o melhor espetáculo de dança produzido no Brasil na primeira década do século XXI.

Não é pouca coisa né?

 

O Documentário

Em breve teremos a grata oportunidade de assistir ao documentário dirigido por Walter Carvalho que vai receber o nome de “Brincante”, reúne referências do próprio autor.

 

Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Direção e concepção: Antonio Nóbrega

Coreografias e atuação: Antonio Nóbrega, Maria Eugenia Almeida e Marina Abib

Figurinos: Eveline Borges

Máscaras e figurinos do espetáculo Figural: Romero de Andrade Lima

O DVD de Naturalmente, dirigido por Walter Carvalho, está a venda nas lojas do SESC SP.

Livreto que acompanha do DVD:

Um abraço “Naturalmente” Brasileiro a quem passa por aqui.

Vídeo do Lunário Perpétuo:

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“Tia Ciata, a Tia Bahiana mãe da batucada brasileira”

Com Tia Ciata, nasce o samba carioca

Estudiosos são unânimes ao apontar a casa da Tia Ciata como o berço do samba carioca, ainda no início do século 20. Na célebre Praça Onze, zona portuária do Rio, negros recém-chegados da Bahia batucavam no quintal da mais famosa das tias baianas. A hospitalidade dessa mulher foi a base para que grandes compositores pudessem desenvolver o ritmo carioca.

Salvador Sec. XIX

“A Abolição engrossa o fluxo de baianos para o Rio de Janeiro, liberando os que se mantinham em Salvador em virtude de laços com escravos, fundando-se praticamente uma pequena diáspora baiana na capital do país, gente que terminaria por se identificar com a nova cidade onde nascem seus descendentes, e que, naqueles tempos de transição, desempenharia notável papel na reorganização do Rio de Janeiro popular, subalterno, em volta do cais e nas velhas casas do Centro.”

Cais do Porto Rio de Janeiro Sec XIX

“O grupo baiano iria situar-se na parte da cidade onde a moradia era mais barata, na Saúde, perto do cais do porto, onde os homens, como trabalhadores braçais, buscam vagas na estiva. Com a brusca mudança no meio negro ocasionada pela Abolição, que extingue as organizações de nação ainda existentes no Rio de Janeiro, o grupo baiano seria uma nova liderança. A vivência de muitos como alforriados em Salvador ­ de onde trouxeram o aprendizado de ofícios urbanos, e às vezes algum dinheiro poupado ­, e a experiência de liderança de muitos de seus membros ­ em candomblés, irmandades, nas juntas ou na organização de grupos festeiros ­, seriam a garantia do negro no Rio de Janeiro. Com os anos, a partir deles apareceriam as novas sínteses dessa cultura negra do Rio de Janeiro, uma das principais referências civilizatórias da cultura nacional moderna.”

“Nos ranchos, cortejos de músicos e dançarinos religiosos mas pândegos e democráticos, que já anteriormente apareciam na Bahia, lutariam carnavalescamente para impor a presença do negro e suas formas de organização e expressão nas ruas da capital da República. A baiana Bebiana, irmã de santo da grande Ciata de Oxum, é figura central da primeira fase dos ranchos cariocas, ainda ligada ao ciclo do Natal, guardando em sua casa, no antigo largo de São Domingos, a lapinha, em frente à qual os cortejos iam evoluir no dia de Reis. Hilário, que se tornaria o principal criador e organizador dos ranchos da Saúde, talvez o principal responsável pelo deslocamento dos desfiles para o Carnaval, o que transformaria substancialmente suas características: a festa profana passa a sugerir um novo enfoque musical e coreográfico, se transferindo para a Cidade Nova, em torno da praça Onze, os pontos de encontro, organização e desfile dos ranchos baianos.”

“Tia Bebiana e suas irmãs-de-santo, Mônica, Carmem do Xibuca, Ciata, Perciliana, Amélia e outras, que pertenciam ao terreiro de João Alabá, formam um dos núcleos principais de organização e influência sobre a comunidade. Enquanto as classes populares, em sua maioria proletarizadas, sob a liderança inicial dos anarquistas, se organizam em sindicatos e convenções trabalhistas, grande parte do povão carioca que se desloca do cais pra Cidade Nova, pro subúrbio e pra favela, predominantemente negro e mulato, também se organiza politicamente, em seu sentido extenso, a partir dos centros religiosos e das organizações festeiras. Assim, são essas negras, que ganham respeito por suas posições centrais no terreiro e por sua participação conseqüente nas principais atividades do grupo, que garantem a permanência das tradições africanas e as possibilidades de sua revitalização na vida mais ampla da cidade.”

“A casa de João Alabá, de Omulu, dava continuidade a um candomblé nagô que havia sido iniciado na Saúde, talvez o primeiro do Rio de Janeiro, por Quimbambochê, ou Bambochê Obiticô…, africano que chega a Salvador num negreiro na metade do século XIX, junto com a avó da babalorixá Senhora, onde se torna, depois de alforriado por sua irmã de nação Marcelina, um influente babalaô.”

Terreiro Carybé

“Mas a mais famosa de todas as baianas, a mais influente, foi Hilária Batista de Almeida, Tia Ciata, relembrada em todos os relatos do surgimento do samba carioca e dos ranchos…”

Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata) nasceu em Salvador em 1854 e aos 22 anos veio para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. A casa da Tia Ciata se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro.

 

Tia Ciata e Tia Josefa - Uma das unicas fotos da mãe da batucada Brasileira

“Na sala (da casa de Tia Ciata), o baile onde se tocavam os sambas de partido entre os mais velhos, e mesmo música instrumental quando apareciam os músicos profissionais, muitos da primeira geração dos filhos dos baianos, que freqüentavam a casa. No terreiro, o samba raiado e às vezes as rodas de batuque entre os mais moços. (…) As grandes figuras do mundo musical carioca, Pixinguinha, Donga (filho de mãe baiana), João da Baiana (idem), Heitor dos Prazeres (também filho de mãe baiana), surgem ainda crianças naquelas rodas onde aprendem as tradições musicais baianas a que depois dariam uma forma nova, carioca.”

Heitor dos Prazeres retratou o inicio do Samba carioca em sua pintura dita "Naif"

Mais tarde, Tia Ciata casou-se com João Baptista da Silva, que para aquela época era um negro bem sucedido na vida. Deste casamento resultaram 14 filhos, uma relação fundamental para a sua afirmação na Pequena África, como era conhecida a área da Praça Onze nesta época. Recebia todos os finais de semana em sua casa, nos pagodes, que eram festas dançantes, regadas a música da melhor qualidade e claro seus quitutes. Partideira reconhecida, cantava com autoridade respondendo aos refrões das festas, que se arrastavam por dias. Tia Ciata cuidava para que a comida estivesse sempre quente e saborosa e o samba nunca parasse.

Donga, Pixinguinha e João da Bahiana estiveram presentes no início da Samba Caioca

Com comida boa e rodas regadas a muita música, a casa de Tia Ciata logo se tornou tradicional ponto de encontro, onde se reuniam grandes nomes, como Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô e Heitor dos Prazeres. Numa dessas rodas, Donga e Mauro de Almeida compuseram Pelo Telephone, o primeiro samba gravado na história da música brasileira.

Normalmente, a polícia perseguia estes encontros, mas Tia Ciata era famosa por seu lado curandeiro e foi justamente um investigador e chofer de polícia, conhecido como Bispo que proporcionou a ela uma interessante história envolvendo o presidente da República, Wenceslau Brás. O presidente estava adoentado em virtude de uma ferida na perna que os médicos não conseguiam curar e este investigador então disse ao então Presidente que Tia Ciata poderia curá-lo. Feito isto, foi falar com ela, dizendo:

– “Ele é um homem, um senhor do bem. Ele é o criador desse negócio da Lei de um dia não trabalha…”

E ela respondeu:

– “Quem precisa de caridade que venha cá.”

Wenceslau Brás presidente que procurou a curandeira Tia Ciata pra curar sua ferida

Ela então incorporou um Orixá que disse aos presentes haver cura para a tal ferida e recomendou a Wenceslau Brás que fizesse uma pasta feita de ervas que deveria ser colocada por três dias seguidos. O Presidente ficou bom e em troca ofereceu a realização de qualquer pedido. Tia Ciata respondeu que não precisava de nada, mas que seu marido sim, pedindo para o Presidente um trabalho no serviço público, “pois minha família é numerosa”, explicou ela.

Além dos doces, Tia Ciata alugava as roupas de baiana para os teatros para que fossem usados como figurinos de peça e para o Carnaval dos clubes. Nesta época, mesmo os homens, se vestiam com as suas fantasias, se divertindo nos blocos de rua. Com este comércio, muita gente da Zona Sul da cidade, da alta sociedade, ia à casa da baiana e passando assim a freqüentar as suas festas. Era nessas festas que Tia Ciata passou a dar consultas com seus orixás. Sua casa é uma referência na história do samba, do candomblé e da cidade.

Naquela época, os encontros de samba eram proibidos pela polícia. Mas, para as batucadas na casa de Tia Ciata, os homens da lei faziam vista grossa pela sua fama de curandeira. Segundo registros, Ciata curou uma ferida da perna do presidente Venceslau Brás, que em troca lhe atendeu ao pedido de arrumar um trabalho para o marido: um lugar no gabinete do chefe de polícia.

Roda de Samba Heitor dos Prazeres

Em 1910, morre seu marido João Baptista da Silva, mas ela já havia conquistado o seu lugar de estrela no universo do samba carioca. Era respeitada na cidade, coisa de cidadão, muito longe da realidade comum dos negros de sua época. Todo o ano, durante o Carnaval, armava uma barraca na Praça Onze, reunindo desde trabalhadores até a fina flor da malandragem. Na barraca eram lançadas as músicas, as conhecidas marchinhas, que ficariam famosas no Carnaval do Rio de Janeiro. Tia Ciata morreu em 1924, mas até hoje é parte fundamental da memória do samba. Curiosamente, existem pouquíssimas imagens de Tia Ciata.

 

 

Fontes:

DIA DO SAMBA: A LUTA DAS MULHERES DO SAMBA – Rita Diirr

https://www.facebook.com/notes/rita-diirr/dia-do-samba-a-luta-das-mulheres-do-samba/274127012633765

Trechos do livro:

“Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro”
(FUNARTE, 1983) de Roberto Moura

http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_tia_ciata.html

Esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na ilha de Itamaracá.


O jornal The New York Times a chamou de ‘diva da música negra‘. O francês Le Parisien comparou sua voz à da cabo-verdiana Cesária Évora. No Brasil, críticos de música comparam-na a Clementina de Jesus. No entanto, ainda há quem duvide que a cirandeira Lia de Itamaracá realmente exista.

Para muita gente, trata-se de uma personagem que vive apenas nos versos Essa ciranda quem me deu foi Lia,/que mora na Ilha de Itamaracá, uma música de domínio público gravada pela primeira vez por Teca Calazans, em 1963. Mas Lia é real, tem 59 anos e poderá ser vista num documentário, dirigido pela cineasta carioca Karen Akerman, que dará origem a livro, CD e DVD. ‘Eita! É muita felicidade!’, festeja Lia. ‘Nunca pensei que um dia fosse virar uma estrela de cinema.’

Foto: Pedro Rampazzo/divulgação

Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu no dia 12 de janeiro de 1944, na ilha de Itamaracá, Pernambuco.

Sempre morou na Ilha e começou a participar de rodas de ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.

Lia de Itamaracá - foto Soninha Darbilly

Mulher simples, com 1,80m de altura, canta e compõe desde a infância e hoje é considerada a mais famosa cirandeira do Nordeste brasileiro.

“Bonita, essa Lia! Enorme, mulher de metro e oitenta. Os cabelos desarrumados, blusa florida, e calça jeans, pés gigantescos em sandália de couro cru. Não está nada à vontade, devemos ser mais alguns daqueles forasteiros que vêm para tirar fotografias, posar ao lado se possível com um sorriso que por enquanto economiza, como também raciona as palavras…

As cirandas pernambucanas de Lia estão na boca de toda a gente,na alegria das pessoas se dando as mãos, cirandando em volta dela. E na verdade essa mulher de quarenta anos, meiga às vezes, e justamente desconfiada quase sempre, é para muitos apenas uma dessas peças de artesanato urdidas em barro e que vão ornamentar uma estante…”

 Herminio Belo de Carvalho

 Trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino e, nas horas vagas, dedica-se à musica e à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus.

Lia - Foto Divulgação do show na Fundição progresso RJ

A compositora Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o seu talento e acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.

Maria Madalena começou a ficar conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 1960 e é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans: Oh cirandeiro/cirandeiro oh/ a pedra do teu anel brilha mais do que o sol. A estes versos Teca incorporou uma toada informativa, que também teve grande sucesso: Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá.

Foto:Virada Cultural 2011 - SESC Consolação

Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado A rainha da ciranda,não recebendo, no entanto, nenhum pagamento pelo trabalho.

Mais de duas décadas depois foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival Abril Pro Rock, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil. Antes ela só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina.

Em 2000, saiu seu CD Eu Sou Lia, lançado pela Ciranda Records e reeditado pela Rob Digital, cujo repertorio incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone.

O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público.

Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.

No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD Rádio Samba, do grupo Nação Zumbi, teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto.

Foto: Priscila Buhr

As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos.Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá, hoje, é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá.

Eu sou Lia [Ciranda de Lia]

(Paulinho da Viola)

Eu sou Lia da beira do mar
Morena queimada do sal e do sol
Da Ilha de Itamaracá
Quem conhece a Ilha de Itamaracá
Nas noites de lia
Prateando o mar
Eu me chamo Lia e vivo por lá
Cirandando a vida na beira do mar
Cirandando a vida na beira do mar
Vejo o firmamento, vejo o mar sem fim
E a natureza ao redor de mim
Me criei cantando
Entre o céu e o mar
Nas praias da Ilha de Itamaracá
Nas praias da Ilha de Itamaracá

Minha ciranda – Capiba

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz
Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção

Foto Emiliano Dantas

Lia de Itamaracá foi uma das contempladas como Patrimônio Vivo de Pernambuco, através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.

                                                                            

FONTES CONSULTADAS:

Fundação Joaquim Nabuco – GASPAR, Lúcia Gaspar:  Lia de Itamaracá.

Eu sou Lia” –

Aluizio FalcãoLia de Itamaracá: a estrela brilha em disco raro

Revista Época: Lia de Itamaracá

MPB NetLia de Itamaracá


A Cozinha Brasileira um suculento caldeirão cultural

Quem me conhece sabe que adoro cozinhar, quando me perguntam que tipo de prato voce gosta de fazer: eu respondo os pratos da minha Cozinha Brasileira.

O Celophane Cultural faz uma homenagem a Luis da Camara Cascudo e seu livro “História da Alimentação no Brasil” que “debulha” as origens desta nossa cozinha tão ampla e misturada que faz do ato de comer do Brasileiro, um importante veio cultural.

Foto da exposição onde aparece Câmara Cascudo visitando e experimentando a culinária Brasileira: Viagens de Câmara Cascudo – Um Cardápio do Brasil - em cartaz no SESC Carmo - SP

Junte as influências dos escravos que vieram da África, a cultura indígena dos povos que já moravam aqui e as novidades que os europeus trouxeram quando chegaram ao Brasil; misture com os ingredientes típicos dessas terras e voilà: está pronta a culinária brasileira, um legítimo caldeirão de sabores.

Nossa culinária  é uma bela misturada, saborosa e suculenta “Farofa

Farofa suculenta: foto: http://www.massasonline.com.br/

Muitas das técnicas de preparo e ingredientes são de origem indígena, com diversas  adaptações por parte dos escravos e dos portugueses. Esses faziam adaptações dos seus pratos típicos substituindo os ingredientes que faltassem por correspondentes locais.

A feijoada, prato mais brasileiro não existe, é um exemplo disso.

Feijoada com diversos acompanhamentos: arroz, mandioca frita, torresmo, laranja, caipirinha, entre outros. Fonte: Wikipédia

Os escravos trazidos ao Brasil desde fins do século XVI, somaram à culinária nacional elementos como o azeite-de-dendê e o cuscuz. As levas de imigrantes recebidas pelo país entre os séculos XIX e XX, vindos em grande número da Europa, trouxeram algumas novidades ao cardápio nacional e concomitantemente fortaleceu o consumo de diversos ingredientes.

Livro Dendê-símbolo e sabor da Bahia - Raul Lody

A alimentação diária, feita em três refeições, envolve o consumo de café-com-leite, pão, frutas, bolos e doces, no café da manhã, feijão com arroz no almoço, refeição básica do brasileiro, aos quais são somados, por vezes, o macarrão, a carne, a salada e a batata e, no jantar, sopas e também as várias comidas regionais.

Café com leite e pão - base do café da manhã brasileiro - foto: http://meme.yahoo.com/

As bebidas destiladas foram trazidas pelos portugueses ou, como a cachaça, fabricadas na terra. O vinho é também muito consumido, por vezes somado à água e açúcar, na conhecida sangria. A cerveja por sua vez começou a ser consumida em fins do século XVIII e é hoje uma das bebidas alcoólicas mais comuns.

A História da nossa mesa:

No Brasil colonia os portugueses assimilaram os ingredientes dos nativos da África, Ásia e América para sobreviver em terras estranhas, mas também por curiosidade.

Jean-Baptiste Debret - O Jantar, 1834 - 1839

A atual culinária colonial constituinte das bases culinárias do país pode ser dividida em quatro correntes: a do litoral açucareiro; a do norte; a dos Bandeirantes que partiam de Vila de São Paulo do Piratininga; e a quarta, da pecuária.

No norte, os habitantes dependiam mais dos conhecimentos indígenas para sobreviver e para a coleta das drogas do sertão e, por isso, sua alimentação incluía pratos e ingredientes como a carne de peixes como o pirarucu, a carne de jacarés, tartarugas — além de seus ovos — e do peixe-boi do qual se fazia também a manteiga, e frutas.

PIrarucu - Foto: THIAGO ITACARAMBY /Assessoria/Sepe-MT

Como o terreno próximo a Vila de São Paulo do Piratininga era inadequado ao cultivo da cana de açúcar, a economia voltou-se para o interior, para a procura de ouro, pedras preciosas e apresamento dos indígenas e, por isso, puderam desenvolver-se lavouras de subsistência. O sistema de plantação dos tupis — aonde se cultivam pequenas áreas estratégicas — foi aproveitado pelos viajantes: plantava-se uma área para que houvesse alimento na viagem de volta. 

A própria história influenciou a culinária de cada região.

Indígenas

A alimentação indígena tinha como alicerce a mandioca, na forma de farinha e de beijus,mas também de frutas, pescado, caça, milho, batata e pirões e, com a chegada dos portugueses, do inhame trazido da África.

INdios descascando a raiz de Mandioca - foto: http://breederscafegourmet.blogspot.com

Todos os povos indígenas conheciam o fogo e o utilizavam tanto para o aquecimento e a realização de rituais quanto para preparar os alimentos. As principais formas de preparo da carne eram assá-la em uma panela de barro sobre três pedras (trempe),em um forno subterrâneo (biaribi), espetá-la em gravetos pontudos e colocá-la para assar ao fogo — de onde teria vindo o churrasco do Rio Grande do Sul — colocá-la sobre uma armação de madeira até ficar seca para que assim pudesse ser conservada (moquém) ou algumas vezes cozê-la.

gauchos e seu famoso churrasco - foto: http://costumesrs.blogspot.com/

No biaribiri colocavam uma camada de folhas grandes em um buraco e sobre elas a carne a ser assada e sobre essa carne ainda, uma camada de folhas e outra de terra, acendendo sobre tudo um fogueirade onde teria surgido o modo de preparar o barreado do Paraná.

Barreado do Paraná - foto: http://www.brasiliadedolma.blogspot.com

Por vezes a carne cozida servia para o preparo de pirões, mistura de farinha de mandioca, água e caldo de carnes. Havia duas formas de prepará-lo, cozido ou escaldado. Na primeira, o caldo é misturado com a farinha aos poucos e mexido até ganhar consistência adequada, na segunda, simplesmente misturam-se os dois, resultando em um pirão mais mole.

Ao lado da farinha e do beiju, a caça era outra das principais fontes de alimento.As principais carnes eram as de mamíferos como o porco-do-mato, o queixada, o caititu, a paca, o veado, macacos e a anta, que servia a comparações com o boi, a anta estrangeira. Eram preparadas com pele e vísceras, o pêlo queimado pelo fogo e os miúdos, órgãos internos, depois retirados e repartidos.

Sarapatel feito com miudos do boi - foto: http://www.casacoisasetal.blogspot.com

A pesca, de peixes, moluscos e crustáceos, era realizada com arco a pequenas distâncias, sem haver uma espécie mais apreciada que outras.Os maiores eram assados ou moqueados e os menores cozidos sendo o caldo utilizado para fazer pirão.Por vezes, secavam os peixes e socavam-nos até fazer uma farinha que podia ser transportada durante viagens e caçadas.

A paçoca era produzida da mesma maneira, pilando-se a carne com a farinha de mandioca, alimento posteriormente adaptado com castanhas de caju, amendoins e açúcar no lugar da carne e transformado em um doce.

Para temperar o alimento usavam a pimenta ou uma mistura de pimenta e sal pilada chamada ionquet, inquitaia, juquitaia, ijuqui. Sempre era colocado após o preparo e mesmo comido junto com o alimento, colocando-se um naco de comida na boca e em seguida o tempero. O sal era obtido a partir de difíceis processos de secagem da água do mar, em salinas naturais — sal mineral — ou a partir da cinza de vegetais.

Pimenta dedo de moça - foto: http://www.cozinhapossivel.blogspot.com

Entre os alimentos líquidos indígenas encontra-se a origem do tacacá, do tucupi, da canjica e da pamonha. O primeiro surge a partir do sumo da mandioca cozida, chamado manipueira, misturado com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta e sale o segundo a partir da fervura mais demorada do mesmo sumo.

Tacacá prato tradicional de belem do Pará - foto: /www.santaremtur.com.br

A canjica era uma pasta de milho puro até receber o leite, o açúcar e a canela dos portugueses ganhando adaptações de acordo com o preparo, como o mungunzá, nome africano para o milho cozido com leite, e o curau, feito com milho mais grosso.A pamonha era um bolo mais grosso de milho ou arroz envolvido em folhas de bananeira.

Pamonha de milho verde - foto: http://www.papjerimum.blogspot.com

Fabricavam também bebidas alucinógenas para reuniões sociais ou religiosas como a jurema no Nordeste. Com seus ingredientes e técnicas a culinária indígena formaria a base da culinária brasileira e daria sua autenticidade,com a mandioca sendo o ingrediente nacional,pois incluído na maioria dos pratos.

O Sabor da Africa

A alimentação cotidiana na África por volta do século XVI incluía arroz, feijão (feijão-fradinho), milhetos, sorgo e cuscuz.

Feijão tropeiro prato mineiro feito com feijão fradinho: /www.fotolog.com.br/food/

A carne era em sua maior parte da caça  abundante de antílopes, gazelas, búfalos, aves, hipopótamos e elefantes. Pescavam pouco,de arpão, rede e arco. Criavam gado ovino, bovino e caprino, mas a carne dos animais de criação era em geral destinada ao sacrifício  e trocas; serviam como reserva monetária.  Preparavam os alimentos, assando, tostando ou cozendo-o  e para temperar a comida tinham apreço pelas pimentas,  mas também utilizavam molhos de óleos vegetais, como o azeite-de-dendê que acompanhavam a maioria dos alimentos.

Bolinho do Acarajé feito com feijão fradinho pilado e frito no azeite de dendê: foto retirada do Blog AlemdoqueseV

O escravo era apresentado aos gêneros brasileiros antes mesmo de deixar a África,  recebendo uma ração de feijão, milho, aipim, farinha de mandioca e peixes  para a travessia. A base da alimentação escrava não variava de acordo com a função que fosse exercer, quer fosse nos engenhos, nas minas ou na venda.Essa base era a farinha de mandioca. Ela variava mais em função de seu trabalho ser urbano ou rural e de seu proprietário ser rico ou pobre. A alimentação dos escravos nas propriedades ricas incluía canjica, feijão-preto, toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que conseguisse pescar e caçar; nas pobres era de farinha, laranjas e bananas.

Nas cidades, a venda de alguns pratos poderia melhorar a alimentação do escravo através dos recursos extras conseguidos.Os temperos usados eram o açafrão, o óleo de dendê e o leite de coco. Este último tem sua origem nas Índias e seria usado na costa leste da África já no século XVI, sendo trazido para o Brasil aonde é utilizado para regar peixes, mariscos, o arroz-de-coco, o cuscuz, o mungunzá e ainda diversos outras iguarias.

MUngunzá ou canjica amarela doce:foto: http://www.wp.clicrbs.com.br/feitoemcasa

Prato apreciado no Brasil atualmente, o cuscuz era conhecido em Portugal e na África antes da chegada dos portugueses ao Brasil.Surgido no norte da África, entre os berberes, ele podia ser feito de arroz, sorgo, milhetos ou farinha de trigoe consumido com frutos do mar. Com o transporte do milho da América ele passou a ser feito principalmente deste.  No Brasil é por regra, consumido doce, feito com leite e leite de coco, a não ser o cuscuz paulista, consumido com ovos cozidos, cebola, alho, cheiro-verde e outros legumes.

Cuscuz Paulista - foto: http://www.cybercook.terra.com.br

Europeus e outros povos

Dos imigrantes chegados ao Brasil do século XIX ao início do século XX, como alemães, italianos, espanhóis, sírio-libaneses, japoneses, foram os alemães e italianos que deixam maiores influências na culinária nacional.

Os alemães não muito numerosos, vindos de diferentes regiões da Alemanha e limitados ao Sul e Sudeste do país apenas reforçam o consumo de gêneros já utilizados pelos portugueses como a cerveja, a carne salgada, sobretudo de porco, e as batatas.Ao mesmo tempo em que mantêm o consumo de alguns gêneros como as salsichas, a mortadela, o toucinho e a cerveja, mostram-se adaptativos substituindo o que lhes falta da terra natal por matérias-primas locais. As comidas típicas da Alemanha não se difundem pelo país.

Os italianos por sua vez, em maior número e mais espalhados pelo território nacional conseguem impor as massas de farinha de trigo e os molhos. O macarrão italiano tornou-se alimento complementar,ao lado da farofa, do feijão, do arroz e das carnes. Além do macarrão, outras massas italianas foram trazidas como a pizza, o ravioli e a lasanha e outras comidas que não massas como os risottos e a polenta.

Divulgaram também o sorvete como doce e sobremesa. Fortaleceram o gosto pelo queijo, usado em todas as massas,tanto que o queijo passa a ser consumido junto com doces e frutas, como com a goiabada, ou sozinho, assado.

Um evento Cultural/Gastronômico no SESC SP

E, para mostrar toda essa diversidade, o Sesc Carmo, no Centro de SP, promove a Pitadas de Sabores e Alimentos do Brasil – Homenagem a Câmara Cascudo, uma série de encontros com direito à degustação dos pratos, que acontece entre 14 de outubro a 1º de dezembro.

Cartaz do Evento Pitadas e sabores do Brasil - SESC Carmo - SP

Baseado no livro História da Alimentação no Brasil, do folclorista e escritor Luís da Câmara Cascudo, o evento foi organizado de maneira a dar um panorama da formação da cozinha no Brasil. Nos encontros, que acontecem sempre às quintas-feiras (com exceção do primeiro, que será em uma sexta), chefs e especialistas no assunto mostram ao público todas essas influências. “O evento resgata como a cozinha nacional se formou”, conta Mariana Meirelles Ruocco, coordenadora do setor de alimentos do Sesc Carmo.

Só para se ter uma ideia dos pratos e suas influências, quando a chef Teresa Paim falar da contribuição africana, no dia 20 de outubro, ela irá preparar o vatapá de inhame. O também chef Mauro Fernandes vai tratar dos europeus na cozinha no dia 3 de novembro e traz um exemplar típico de Portugal: o cozido português, que vai além do tradicional bacalhau. “O prato leva frango, carne de boi, linguiça, presunto cru, repolho, cenoura e batata”, descreve Mariana.

Na programação, os demais encontros falam da importância da pimenta, do açúcar e das frutas, além da cozinha do Brasil Colônia com a farinha, feijão e carne-seca (o arroz só entrou depois). E o evento não se resume a receitas e palestras – nas instalações do Sesc Carmo há duas exposições fotográficas. Uma traz fotos de pessoas e objetos que fizeram parte da pesquisa de Câmara Cascudo para compor o livro. A outra vem com fotos de pratos típicos brasileiros que receberam diversas influências culturais, frutas, legumes, verduras e temperos que fazem parte da culinária verde-amarela.

Exposição:
“Viagens de Câmara Cascudo – Um Cardápio do Brasil”
Assim como fez Câmara Cascudo, viajando à África, em 1963, para colher informações sobre a alimentação do Brasil, a ideia é propor ao público uma viagem imaginária, com fotos de locais e elementos que fizeram parte de suas pesquisas. Fachada da unidade e elevadores.
De 14/10 a 30/12. Segunda a sexta, das 9h às 20h.

Mostra Fotográfica:
“Pitadas de Sabores e Alimentos do Brasil”
Mostra fotográfica de pratos típicos da culinária nacional, com influências indígena, africana e portuguesa, além da diversidade de frutas, legumes, verduras e especiarias do solo brasileiro, destacando várias sensibilidades presentes na alimentação do Brasil. Restaurante 1 e Bar Café. Apoio do acervo fotográfico: Keystone.
De 14/10 a 30/12. Segunda a sexta, das 9h às 20h.

Música:
“Intervenções Musicais”
Músicas que remetem ao universo da cultura popular, mencionada na obra do pesquisador Câmara Cascudo em seu livro “História da Alimentação no Brasil”.
Dias 14, 20 e 27/10 Sextas e quintas, às 18h30. Hall do restaurante 1.
Os ingressos custam de R$ 5,00 a R$ 20,00, incluem a degustação e começam a ser vendidos no dia 01/10, com 200 lugares disponíveis. O endereço do SESC Carmo é Rua do Carmo, 147. Mais informações pelo telefone 3111-7000 ou pelo portal http://www.sescsp.org.br.

Pitadas de Sabores e Alimentos do Brasil – Homenagem a Câmara Cascudo
Entre 14 de outubro e 1º de dezembro
SESC Carmo, Rua do Carmo, 147, Metrô Sé, São Paulo
Preço: De R$ 5,00 a R$ 20,00
Telefone:             (11) 3111-7000

Fontes: 

Cascudo, Luis da Câmara. História da alimentação no Brasil.

Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1983.

Krajberg, o senhor da Floresta

 

O Museu Afro-Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, recebe a mostra Krajcberg, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, do artista plástico Frans Krajcberg que, uma vez mais ergue sua voz em defesa da Natureza do país que adotou. Com curadoria de Emanoel Araújo, a exposição composta por 31 obras conta com esculturas em grandes dimensões, relevos, back-light e fotografias.

Convite da Exposição- fonte: Divulgação

Suas obras, relevos e esculturas são feitos com sobras das matas queimadas que o próprio artista recolhe em suas peregrinações solitárias. As sobras, em verdade, são mais que simples restos. “São o que resulta das atrocidades praticadas contra a natureza do Brasil”, diz seu curador, Emanoel Araújo. Mas nas mãos abilidosas de Frans Krajcberg, que acredita no ideal pelo qual luta há tantos anos, pedaços de madeira carbonizada transformam-se em peças harmônicas e delicadas, que, com toques de cor, unem-se silenciosamente em um protesto contra a devastação. Continuar lendo

O povo Makuxi, netos de Macunaíma.

O Celophane Cultural vai até Roraima visitar um “Povo Ancestral Brasileiro” que vive, e sempre viveu, em harmonia com suas tradições e com a sua terra a  Serra Raposa do Sol,  o Povo Makuxi. Mas nem sempre foi assim, estes bravos brasileiros tiveram de lutar muito pra manter esta harmonia.

Makunaimî ou Macunaima?

A 100 anos Theodor Koch-Grünberg um pesquisador e Etinólogo Alemão fez uma expedição na região amazônica onde conheceu, se encantou e divulgou para o mundo, dentre vários povos, o Povo Makuxi. Ele relatou seus feitos sua cultura, mitos e lendas na monumental obra “Vom Roraima zum Orinoco”.

Capa do livro


Além da importância dos mitos, lendas e cantos xamânicos, coletados por Koch-Grünberg, para a antropologia, sua obra também causou impactos na literatura. Os mitos transcritos pelo etnólogo alemão foram fartamente utilizados por Mário de Andrade na composição de Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), um marco do modernismo brasileiro. Muitos dos episódios protagonizados por Makunaíma, os irmãos mais velhos Ma’nápe e Zigé, pelo primeiro xamã Piaimã, pelo trapaceiro Kalawunség, pelo destemido Kone’wó e pela segunda cabeça do urubu-rei Etetó foram transpostos, por Mário de Andrade, literalmente, das narrativas Pemon registradas por Koch-Grünberg.

A etnografia da fala seria o principal propósito de Mário de Andrade em Macunaíma. “A sua rapsódia macunaímica é uma composição, como ele mesmo definiu, de incidentes expressos em locuções, fórmulas sintáticas, processos de pontuação oral e modismos característicos da fala no Brasil”. Também nesse sentido as obras de Koch-Grünberg e Mário de Andrade se encontram.

Koch-grumberg e Mayuluaypu narrando mitos - dominio público

Koch-Grunberg usou em suas expedições tecnologias inovadoras para a época, fotografando, gravando sons e filmando. Foram gravadas músicas dos índios Makuxi, Taurepang, Tukano, Desana e Yekuana. A análise das músicas e instrumentos musicais recolhidos eram feitas pelo musicólogo Erich Moritz von Hornbostel que publicou estudos detalhados do material recolhido no volume 3 de Vom Roroima zum Orinoco.

Crianças do povo Macuxi - foto: Koch Grumberg


“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma…” –

Sesc Araraquara reconstitui o nascimento da obra de Mário de Andrade:

Reprodução do quadro "Macunaima" de Aldemir Martins que fazia parte da Exposição: "Na Terra de Macunaima"


A exposição Na Terra de Macunaíma, realizada pelo Sesc Araraquara com material do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da USP, mostrou o nascimento da obra-marco da literatura modernista, Macunaíma – o Herói sem Nenhum Caráter, de 1928, escrita por Mário de Andrade. A partir do cenário em que ela foi produzida, a Chácara de Sapucaia, em Araraquara – doada à Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) –, da seleção do material do IEB e da Biblioteca Pública, cartas de Mário de Andrade enviadas a intelectuais brasileiros – como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira e o folclorista Luís da Câmara Cascudo –, e de registros das pesquisas feitas pelo escritor sobre lendas brasileiras, o evento buscou reproduzir o ambiente que originou Macunaíma. Nas vitrines o exemplar de “Vom Roraima zum Orinoco” estava em destaque como a principal obra de pesquisa.

Foto da Exposição em Araraquara - SP - Foto: Jefferson Duarte

A Curadoria foi de Curadoria: Audálio Dantas e Fernando Granato
Cenografia: Jefferson Duarte e Yara Candotti
Produção e montagem: Candotti Cenografia

A TI (Terra Indigena) Raposa do SOL

A Raposa foi identificada em 1993 pela FUNAI. Demarcada durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, foi homologada em 2005 pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva É formada por imensas planícies, semelhantes às das regiões de cerrado, e por cadeias de montanhas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

Festa da Homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Rogelio Casado

Nos limites da TI encontram-se o Monte Roraima, ponto culminante do Estado, origem de seu nome e uma das montanhas mais altas do Brasil, e o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo norte do país. Na área vivem cerca de 20 mil índios, a maioria deles da etnia macuxi.


 

Documentário inédito mostra a história, a luta, a vitória, os mitos do netos de Makunaimî

O documentário A Vitória dos Netos de Makunaimî narra a história de povos indígenas, entre eles o Macuxi, que habitam a região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Monte Roraima – RR, tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Francesa. No roteiro, a luta pela posse de terras; a importância de ter uma identidade; as lendas sobre Makunaimî, um mito indígena que inspirou o escritor Mário de Andrade.

Os Makuxi, netos de Makunaimî - Foto Divulgação

Produzido pelo Sesc SP, com direção de Marina Marcela Herrero e Ulysses Fernandes, “o documentário mostra os índios como protagonistas de sua própria história e resgata culturalmente essa história que sempre lhes foram negada”, explica Marina. A diretora ainda ressalta a importância dessa produção para o povo indígena. “Os índios não mantêm a tradição da escrita e ter um registro audiovisual é um patrimônio para eles”.

Os Makuxi e ao fundo a serra - foto: Clayton de Souza/AE

Marina conta que a ideia de produzir o documentário surgiu na época da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Supremo Tribunal Federal. “Das muitas notícias que saíram sobre a posse da terra, as falas eram de generais, indigenistas, antropólogos, políticos, funcionários da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), entre outros. Faltava dar voz aos índios”, esclarece. A produção do documentário aconteceu depois da homologação da terra e do término no conflito.

Os Makuxi em Brasilia aguardando a decisão de homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Michael Melo

“A Vitória dos Netos de Makunaimî” registra a vida na Maturuca, uma aldeia onde, há 34 anos, os índios assumiram o compromisso de lutar pela sua terra.  Divido em três blocos, o documentário relata, no primeiro, o contato dos índios com o não índio; e a luta pela terra, que durou três décadas até a homologação. Mostra um malocão onde os povos indígenas de Roraima se reúnem para discutir e resolver problemas; as feiras que os índios promovem para troca de produtos; e a festa da vitória, comemorando a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, reunindo diversas aldeias com muita dança, canto e comida.

Outro tema é Makunaimî – uma figura tida como sagrada pelos indígenas, que se consideram netos e filhos desse personagem – e revela lendas em torno desse mito.

"O Nascimento de Macunaima - Carybé

Segundo essas fábulas, Makunaimî possuía poderes, como o de criar rios e lagos.  Também são contemplados neste bloco os desenhos deixados pelo mito em pedras por onde passava e as crenças que são transmitidas de pai para filho sobre essas pedras.

Banda Caxiri na Cuia

A miscigenação com migrantes nordestinos na época da Borracha levou para a região Amazônica a forte cultura musicalNordestina, criando o chamado forró indígena que ajudou muito a divulgar a causa indígena nas capitais e na mídia.

O forró indígena, mescla ritmos como forró, xote, baião, frevo e maracatu. Os índios levam a realidade que vivem para as letras das músicas, uma forma de se comunicar com os não índios.

Desta mistura nasceu o Caxiri na Cuia um grupo de forró indígena 100% Makuxi.

O produtor musical Marcos Wesley produziu CD Caxiri na Cuia, o Forró da Maloca, que ganhou o Prêmio Culturas Indígenas 2006 – promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura – SID/Minc, em parceria com a Associação Guarani Tenonde Porã e o Sesc SP.

Encontro da Diversidade Cultural

Publicação, que vem em uma edição trilingue, traz 30 mitos do povo nas línguas makuxi, português e inglês é lançado em Roraima

A Igreja de Roraima (RR), comprometida há décadas com a causa indígena, dá agora mais um passo significativo no trabalho de revitalização das línguas indígenas com o lançamento do livro “Onças, Antas e Raposas”, do padre canadense radicado no Brasil, Ronaldo Mac Donnell.

Macuxi confeccionando cestaria na Maloca do Congresso. Foto: Vincent Carelli, 1986.

O livro é uma edição trilingue – em Makuxi, Português e Inglês, de 30 mitos do povo Makuxi coletados pelo monge beneditino dom Alcuino Meyer, entre os anos 1926 e 1948. Esses mitos encontravam-se no acervo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, e foram pesquisados pelo organizador da obra, padre Ronaldo Mac Donnell, missionário do Instituto Scarboro, doutor em linguística e assessor linguístico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Regional Norte1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima).

A revitalização das línguas indígenas faz parte da orientação de valorizar as culturas autóctones (da região) e avançar a causa de uma evangelização inculturada.

Ipaty: O Curumim da SElva

O  livro de Ely Macuxi, descendente do povo indígena Macuxi, narra as aventuras do curumim Ipaty, uma série de episódios típicos do cotidiano daquela região serrana, entre o cerrado e a floresta, às margens das àguas transparentes e refrescantes.

Ilustração do Livro "Ipaty - O Curumim da Selva" - Mauricio Negro

Onde é tão quente no verão que, segundo o autor, as aves voam só com uma asa enquanto se abanam com a outra!

Fontes:

Blog da Tereza Surita: História: os estudos de Koch-Grunberg na Amazônia

Com Ciência – SBPC | Labor – Do Roraima ao Orinoco

Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi – Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg

Sesc TV – A Vitória dos Netos de makunaimî

Blog Aurora de Cinema: Povos indígenas de Roraima no SESC TV

CIMI – Lançamento do LIvro

Ilustrações: Mauricio Negro.Ipaty o Curumim da Selva

Flickr de Michael Melo – Raposa Serra do Sol

O Olhar brasileiro de Thomaz Farkas – 1924-2011

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O Celophane Cultural homenageia mais um ilustre brasileiro, bem ele era húngaro e naturalizado brasileiro mas muito brasileiro, que voltou no dia 26 de Março passado para o Reino de Oxalá: Thomaz Frakas (1924-2011)

Foto: Farkas por Alexandre Belem/JC Imagem

“[…] propondo que o pensamento descubra a imagem”.

Nome definitivo para a compreensão da fotografia brasileira, também produtor e diretor de cinema, Farkas perpetuou os seus dias com doçura e generosidade tanto quanto o fez com sua arte. Naquele dia a fotografia brasileira se despedia fisicamente de um personagem que, resumiu a imagem da forma mais simples e certeira, como se jamais ouvíssemos de outro fotógrafo: “Fotografia é emoção!”. Apenas isso, emoção.

O interesse pela fotografia

A história começa com o seu pai, fundador da loja Fotoptica, especializada em equipamentos fotográficos. Farkas vivia entre profissionais e conciliava o curso de engenharia com a paixão por imagens.

A Revolução pela Fotografia

Naturalizou-se brasileiro aos 25 anos, passou a amar esse Pais com tanta intensidade que em 1964 diante do anuncio perverso do que seria um longo esquema de repressão política: A Ditadura, imaginou que o melhor para o Brasil seria conhecer a si mesmo “Eu achava que dando essa consciência, mostrando para a população quem somos nós, seria tão revolucionário quanto uma revolução”

Auto retrato - Thomas Frakas - Acervo IMS

Ainda trabalhando na loja do pai, ele reuniu amigos conhecidos para uma ideia simples: a Caravana Farkas: documentar lugares e pessoas pelo Brasil, uma espécie de biblioteca em imagens da cultura popular, em fotos e vídeos. “Esse era o princípio da coisa: como é o Brasil do Norte, como é o Brasil do Sul, como posso ilustrar isso?  A proposta era estudar, correr e documentar o país, em diversas fases.” Essa foi definitivamente o inicio da sua enorme contribuição ao Brasil.

(…) Em 1968, parte para o Nordeste um grupo de jovens cineastas, organizados em torno do empresário, fotógrafo produtor e Thomaz Farkas (2), com o intuito de realizar um projeto pioneiro na área da documentação de manifestações da cultura popular brasileira, em que havia liberdade tanto para o uso das técnicas de reportagem tradicionais quanto para as da ficção, contemplando da precisão etnográfica ao improviso.

No total, foram dezenove os documentários produzidos. Cada um deles traz a abordagem de um tema único: a literatura oral, em A Cantoria e Jornal do Sertão; a religiosidade popular, em Padre Cícero e em Frei Damião; o artesanato, em A Mão do Homem, Os Imaginários e Vitalino/Lampião; a economia, em Casa de Farinha (mandioca), Erva Bruxa (tabaco), O Engenho (rapadura), A Morte do Boi (gado) e Região: Cariri (estrutura agrária); o sertanejo, em A Beste, A Vaquejada, O Homem de Couro e O Rastejador; e o cotidiano na fazenda, em Jaramataia. As exceções ficam por conta de Visão de Juazeiro e Viva Cariri!, que apresentam uma síntese de toda a temática do projeto, relacionando economia, cultura e religiosidade popular.(…)

Do lado de fora do Estádio do Pacaembu. São Paulo, SP. 1941. Foto: Thomaz Farkas/Acervo IMS

A Imagem pode falar

Farkas não gostava de legendas nas fotografias para que a imagem não tivesse interferência e pudesse “falar” em sua plena representação poética.

torcedores no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, em 1942 - Thomaz Farkas - acervo IMS

Foto Cine Clube Bandeirante

O Foto Cine Clube Bandeirante é um dos mais antigos e importantes fotoclubes brasileiros, localizado na cidade de São Paulo. Fundado em 1939, tem diversas atividades e ajudou o conceito de fotografia artística no Brasil, com reconhecimento inclusive de clubes do exterior.

Foto: Thomaz Farkas - Acervo IMS

Do Foto Cine Clube Bandeirante sairam fotógrafos brasileiros famosos, tais como Thomas Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, Madalena Schwartz e José Yalenti, entre outros.

O clube organizou por anos o Salão Brasileiro de Arte Fotográfica, já organizou duas vezes a Bienal Brasileira de Fotografia entre clubes, e salões digitais como Web Art Photos e Tecnologia na Arte.

Sendo um dos pioneiros na fotografia-arte brasileira, o FCCB introduziu na fotografia a partir da década de 40 novoas conceitos para a foto-arte, com seus salões concorridíssimos, exposições e múseus antes só para pinturas e esculturas, também foi responsável pela “Escola Paulista” de fotográfos que mudaram os conceitos de composição, estilo, recortes, etc… na fotografia vista até então como academica e pictorialista.

Farkas fala do vídeo feito por ele: “Pixinguinha e a velha guarada do samba”

O Olhar sobre Brasília

Thomaz se viu em meio à outra revolução. Desta vez estética: Brasília. “Fui até lá quando era só descampado”, lembra. “Tinha amigos entre os arquitetos que concorreram com projetos para a capital. Sobretudo, o Jorge Wilheim.”

Àquela altura, Thomaz era mais que o empresário que tocava os negócios da família. Havia se tornado engenheiro mecânico e eletricista e, também, um apaixonado – e ótimo – cineasta e fotógrafo. “Passei a ir várias vezes à Brasília, antes e depois da inauguração”, conta. “Estava fascinado com toda a modernidade, a maravilhosa aventura de tirar a capital do Rio e fazê-la no meio do País. Continuo juscelinista.”

Foto: Construção de Brasilia - Thomaz Farkas - Acervo IMS

Thomaz encantou-se com um aspecto em especial: a mistura de sotaques. “Era fantástico ouvir os trabalhadores de todos os cantos do País, cada um com seu jeito de falar”, recorda o fotógrafo que, ao longo dos anos, permaneceu visitando e registrando imagens de Brasília. “Continuo fascinado pela cidade!”, exulta. “Ok, ficou com trânsito congestionado. Mas isso ocorre com qualquer metrópole, não tem jeito.”

O FIESP montou uma mostra fotográfica – AS Construções de Brasilia – A mostra fotográfica, reuniu cerca de 200 registros entre fotografias e obras de artes visuais sobre a capital federal. AS imagens feitas por Farkas fizeram parte desta mostra.

“Eu gostaria de ser baiano”

(…) No dia 2 de agosto de 2010, à beira da Bahia de Todos os Santos, no Museu de Arte Moderna da Bahia, inaugurou a exposição Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido, dentro do projeto A Gosto da Fotografia. Já com a saúde debilitada.

Na mostra em Salvador existia um Núcleo para o Afeto, onde estavam tesouros pessoais do fotógrafo, entre eles, um “santinho” enviado por Deoscóredes Maximiliano dos Santos, outro grande homem, o Mestre Didi. O cartão anunciava a “passagem” de Mãe Senhora, rainha absoluta do Ilê Axé Opô Afonjá. Tomado de “emoção”, ele disse, quase em silêncio: “No Brasil, a coisa mais importante não é o dinheiro, mas, sim, a amizade”. Às 19h30, naquele 31 de julho, Thomaz entrou no MAM. Vestido de branco, sentou-se em uma cadeira ao lado do mar da Bahia. Ali, sentia-se o seu tempo dissolvido. Foi como num transe. Recortado pelas luzes da Ilha de Itaparica ao fundo. Sentado em seu trono, diante das imagens que fez durante a vida inteira. Com o mar da sua terra espiritual arrebentando em espumas flutuantes de brancura, memória e solidão (…)

Thomaz sempre conservou um olhar deslumbrado. Possivelmente, semelhante àquele do garotinho húngaro ao chegar ao país. Que se tornou o seu.

O Acervo:

No Instituto Moreira Salles em São Paulo, encontra-se grande parte da obra do artista – cerca de 34 mil imagens.

A expo Thomaz Farkas: uma Antologia Pessoal,  produzida pelo Instituto Moreira Salles, em São Paulo ficou em cartaz até 1º de maio deste ano. Na expo, imagens do fotógrafo produzidas a partir da década de 1940, época em que Farkas se associou ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), local de debate sobre a atividade fotográfica. E também trabalhos posteriores do fotógrafo, com uma abordagem mais humanista, quando Farkas se aproxima do fotojornalismo. Destacam-se as séries sobre o Rio de Janeiro que incorporam o retrato e a vida dos moradores de bairros populares e regiões do centro histórico da então capital federal.

Capa do Livro - IMS

Paralelo a mostra, foi lançado o livro homônimo que possui cerca de 140 imagens, com texto de João Farkas, filho do fotógrafo. Para compor livro e exposição, durante dois anos Thomaz Farkas revisitou toda a sua trajetória, com suporte de seus filhos João e Kiko Farkas, e em conjunto com os pesquisadores e curadores do IMS, que hoje preserva sua obra fotográfica.

Entrevista do Blog do Coletivo Produção Cultural:

Fontes:

Matéria da revista Brasileiros : Thomaz Farkas e o tempo dissolvido (1924 – 2011) – Diógenes Moura (Escritor e Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo) Matéria revista Brasileiros

Entrevista na Integra de Tomas Farkas – Blog: Produção CulturalEntrevista em PDF

Blog Olhavê – Por Alexandre Belém – OLhavê

O diálogo entre culturas presente nos filmes documentários da Caravana Farkas: uma proposta de análise por Alfredo Dias D’Almeida

Monteiro LObato – Um ilustre brasileiro

O Celophane Cultural Inaugura a sessão: Ilustres Brasileiros, trazendo personalidades da nossa cultura.

Dia 18 de Abril é aniversário de um  grande brasileiro: Monteiro Lobato, o criador de um mundo paralelo que mescla fantasia e realidade, mitos, causos e lendas. Atraiu e atrai gerações se tornando o inventor da literatura infanto Juvenil Brasileira.

“Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena – e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou pelo menos instantes da vida desse povo.”    Monteiro LObato

Para homenagear este ilustre brasileiro que conquistou e conquista até hoje adeptos no Brasil e no mundo, 18 de Abril tornou-se o Dia nacional do Livro Infantil e a semana em torno desta data foi oficialmente incluída no calendário oficial das cidades de São Paulo e Taubaté, cidade natal de Lobato e onde fica o Museu de Monteiro Lobato, mais precisamente o Sítio do Pica-pau Amarelo.

Escrever era uma paixão antiga, exercida no início por prazer, nas horas vagas. Mais adiante esta se tornaria a profissão do autor Brasileiro nascido em 1882, mais conhecido na infância como Juca. Monteiro Lobato publicou seus primeiros artigos e contos voltados á causa política, porem foi à literatura  infantil que dedicou grande parte da sua vida.

Foto de Monteiro Lobato - fonte: pesquisa da Cia. Teatro da Conspiração para o espetáculo Menino JUca a Infancia de Monteiro Lobato

Foto de Monteiro Lobato - fonte: pesquisa da Cia. Teatro da Conspiração para o espetáculo Menino JUca a Infancia de Monteiro Lobato

 

Obrigado por seu avô formou-se advogado mas o seu desejo compulsivo de se comunicar com as pessoas o levou ao jornalismo. Nos veículos em que trabalhou, entre eles o jornal O Estado de São Paulo empregou a polêmica e a incitação ao diálogo, que mais tarde se tornaria sua marca registrada.

O Jovem Monteiro LObato - fonte: http://www.belleliteratura.blogspot.com/

Um dos trabalhos jornalísticos mais importantes foi sobre o Saci Pererê, onde o jornalista fez um inquérito, no Estadinho, edição vespertina de O Estado de São Paulo, com as opiniões e histórias dos leitores sobre o danado do diabrete de uma perna só. Com o material recolhido, editou o livro: O Saci – resultado de um inquérito.

LObato na redação da REvista dos Brasileiros - http://monteirolobato.wordpress.com/biografia/

“Em 1917 Monteiro Lobato publicou em São Paulo, O saci pererê, resultado de um inquérito. O inquérito fora feito no estado de São Paulo. Depoimentos inúmeros evocaram o saci unípede, pretinho, com um só olho, atrapalhando todas as coisas vivas, assobiando e assombrando. Um traço característico era a carapuça vermelha que o usa o saci no cimo da cabecinha inquieta. Essa carapuça é encantada. Faz o saci ficar invisível. Todas as “forças” vêm desse barrete. Quem lho arrebatar terá direitos completos sobre o negrinho poderoso. Poderá exigir o que quiser. O saci dará riquezas, poderios, grandezas, para que lhe restituam a carapuça. O sr. Luís Fleury, de Sorocaba, prestou depoimento dessas tradições. Narrou que o saci fizera aparecer um monte de moedas de ouro para receber seu barretinho. O ouro sumiu-se porque o viajante esquecera de benzê-lo (Inquéritos, 180).”

Câmara Cascudo

Leia mais:

Revista Jangada Brasil

Ensaios Cordialmente Literários

Matéria: Celophane Cultural – O Nosso “Raloin” é Caipira – dia 31 de Outubro é dia do SACI

Em 1918 Lobato escreve “O Saci”:

Escrito em 1918, este livro não foi incluído por Monteiro Lobato em suas “Obras Completas” publicadas em 1946. Como se tratava de uma pesquisa de opinião feita com material de terceiros, ele preferiu omitir seu nome, mantendo apenas as iniciais M.L. em uma das páginas.

Capa do livro o Saci

Apesar disso, pode ser considerado o primeiro livro do escritor, precedendo “Urupês”, tido como sua estréia literária. Inédita sondagem antropológica constitui também o ponto de partida da sua bem-sucedida carreira de editor. Sela, ainda, o início de uma produtiva “parceria” com o nosso duende genuinamente nacional, e cuja versão infantil intitulada “O Saci”, sairia em abril de 1921, logo após ” A menina de nariz arrebitado” de 1920.

Lobato recria a personagem, suavizando a cruel e demoníaca imagem traçada pelo Inquérito. O saci aparece então com estatura de criança e atitudes brincalhonas, travessas.

O Saci desenhado a nanquim por Monteiro Lobato com traços menos agressivos.

O processo de suavização da imagem do Saci-Pererê é iniciado por Monteiro Lobato no desenho a nanquim de sua autoria que retrata o capetinha numa versão de criança, sem chifres, sem o porrete e com expressão observadora, desconfiada. Não tem mais aquela aparência cruel ou ameaçadora. O pitinho permanece, e os pés adquirem o formato humano.

A história narra desde a chegada de Pedrinho ao sítio, para passar as férias, seu encontro e aventuras com o Saci, até o encantamento de Narizinho, convertida em pedra pela Cuca, e o seu posterior desencantamento. Todos os episódios são mesclados pelo surgir de outros mitos folclóricos, acompanhados da respectiva explicação, muitas vezes pormenorizada pelo próprio Saci, que ocupa o papel de regente principal dos acontecimentos e de herói.

Fontes:

Texto de Márcia Camargo e Wladimir Sachetta, in “Editora Globo”

Fantastipédia – O Saci

A Exposição no Museu Monteiro Lobato: Vamos caçar o SAci?

O Livro vira uma simpática exposição em Taubaté no Museu Monteiro Lobato que preparou várias atividades para a semana MOnteiro Lobato.

Boneca Emilia - Exposição "Vamos caçar o Saci? - Foto Jefferson Duarte

Assombração - Exposição: Vamos caçar o Saci? - foto Jefferson Duarte

Cantinho do Lobato- Exposição: Vamos caçar o Saci? - foto Jefferson Duarte

As Ilustrações de Fábio Scarenzi compondo o cenário: Exposição: Vamos caçar o saci? - foto jefferson Duarte

Vejam mais Fotos da Exposição:  Flickr Jeffcelophane

Reportagem sobre a semana MOnteiro Lobato: Matéria na TV Local

Museu Monteiro Lobato – O Museu

Ficha técnica

Pesquisa: Maria Cristina Lopes e Francine Patrick Lobato

nuhy

Expografia: Jefferson Duarte

Montagem: Candotti Cenografia.

REalização: SISEM / Goevrno do Estado de SP/ Museu MOnteiro LObato / Prefeitura de Taubaté

Produção: ACAM Portinari

Fotos: Jefferson Duarte

Veja também a programação Biblioteca Monteiro LObato – SP – Programação

Xilogravura, a madeira entalhada com a poesia Nordestina.

Ariano Suassuna disse sentir na gravura popular o que mais lhe agradava: o real transfigurado pelo poético, o real como mero ponto de partida, o achatamento geral da gravura pela ausência de profundidade, pela falta de tons entre o claro-escuro e pela falta de perspectiva, assim como a predominância do traço limpo, puro e forte contornando as figuras. Ele próprio é de opinião que a gravura e a literatura populares nordestinas representam um dos mais autenticamente brasileiros trabalhos de criação.

"Moça roubada" - J Borges - Galeria Brasiliana

Primeiros Traços – Em setembro de 1907, o Nordeste via surgir a gravura nos livretos de literatura popular em versos, ou simplesmente literatura de cordel. Ela ilustrava A História de Antônio Silvino, folheto editado por Francisco das Chagas Rodrigues, na Imprensa Industrial do Recife.

Em 1907 surge no Recife pela primeira vez a xilogravura no cordel. estampa de Antônio Silvino - Acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa.

No começo do século, quando o cangaço inquietava as populações do interior, surgiu um folheto de poesia da chamada literatura de cordel, contendo A greve da estrada de ferro e A história de Antônio Silvino (novas arruaças). Pelos assuntos, percebe-se que os acontecimentos narrados eram muito recentes, de acordo com a linha habitual dessa espécie de publicações, de uma atualidade quase jornalística. Portanto, é de presumir-se, com certeza, que o folheto é anterior a 1914, ano da prisão do famoso cangaceiro. Na capa, vê-se uma gravura reproduzindo a figura de Silvino em corpo inteiro, chapéu de couro, facão na cintura e nas mãos um bacamarte. Era o primeiro ponto de atração para o comprador analfabeto e até para o letrado, revelando a perspicácia do editor em utilizar como ilustração do folheto uma linguagem gráfica do próprio homem do povo, tão ao sabor da poesia.

A Origem no Mundo:

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

O entalhe da madeira

As matrizes para impressão das ilustrações são talhadas, quase sempre, na madeira da cajazeira , matéria-prima mole, fácil de ser trabalhada e abundante na região Nordeste do Brasil.

Os xilogravuristas utilizam apenas um canivete ou faca doméstica bem amolados.

“Em toscos pedaços de madeira, o artista popular nordestino construiu a mais rica e instigante expressão plástica da cultura brasileira. De pouca leitura, o artista usou a técnica milenar da xilogravura para retratar o seu mágico universo, onde anjos se misturam com demônios, beatos com cangaceiros, princesas com boiadeiros, todos envolvidos nas crenças, esperanças, lutas e desenganos da região mais pobre do país.

A aridez inclemente de todas as estações torna a paisagem sertaneja campo fértil para o fantástico. “Dentro da paisagem real, marcada por contrastes sociais, em que a maior sede é de justiça, os seres sofridos, desprezados e perseguidos encontram nos traços do gravador popular o campo para se transfigurarem em heróis e hóspedes de um mundo melhor.”

Jeová Franklin , curador da exposição: 100 anos da Xilogravura
(Xilogravura popular na literatura de cordel. Brasília: LGE, 2007)

Fontes:

O Conterrâneo – Banco do Nordeste

Exposição 100 anos da Xilogravura no cordel

O Cordel

A popularização da Xilogravura veio com a Literatura de cordel: um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou.  São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Em 2007 a Exposição “100 anos de Cordel – a história que o povo conta” com curadoria de Audálio Dantas mostrou que ao contrário do que se imagina, a literatura popular se mantém viva, e com muito vigor no Brasil, apropriando-se em alguns casos das novas tecnologias . Destaca também a presença de poetas populares nos grandes centros urbanos, onde continuam a produzir, não deixando se perder, entretanto, a cultura de origem.

Exposição 100 anos de Cordel - Curadoria de Audálio Dantas - Expografia Jefferson Duarte

Fotos: 100 ANOS DE CORDEL

SESC Pompéia – SP

Cordéis pendurados nas cordas - fonte Wikpédia

Os mestres:

Mestre Noza

O precursor da xilogravura decorativa

Inocêncio Medeiros da Costa ou Inocêncio da Costa Nick era do grupo de “santeiros do Padre Cícero”. Nascido em Pernambuco, em 1897, mudou-se para Juazeiro do Norte aos 15 anos. Foi o primeiro artista a ser publicado em álbum de gravuras populares brasileiras com a seqüência da Via Sacra, em Paris (1965) e a trabalhar por encomenda para um produtor cultural.

Página de cordel do Mestre Noza - Fonte: http://mestrenoza.blogspot.com/

Foto do Mestre Noza em seu atelier - por Mgorete

Xilogravura de Antonio Silvino

J Borges

Nascido em Pernambuco, em 1935, é patriarca de um clã de xilogravadores. Diz que tudo que aprendeu deveu-se ao medo de cortar cana. Estudou somente dez meses em escola. Agricultor, pintor, carpinteiro, fabricante de brinquedos, poeta, foi ser cordelista, ilustrar, imprimir e vender seus próprios folhetos. Obteve reconhecimento nacional e internacional e é hoje o mais conhecido xilogravador nordestino.

J. Borges em seu ateliê de xilogravura no Memorial J. Borges em Bezerros, Pernambuco - foto: Mais Cultura

Mãe da Lua de Abraão Batista

A Arte da xilogravura se mantém viva até os dias atuais gerando novos artistas com trabalhos impressionantes destaco aqui dois jovens que gosto muito do trabalho criado por eles:

Eduardo Ver

que está com uma exposição “O Tear Castanho de Eduardo Ver” –  Atelier Piratininga

Xilogravura que está na exposição de Eduardo Ver

Fernando Vilela:

Site Fernando Vilela

Imagens do livro de Fernando Vilela

Teia de Cordéis

A partir de Março de 2011, romances, personagens históricos, operetas, manuais, autos, hinos, elegias, canções, sátiras e muitos outros elementos serão encontrados no Museu de Arte Popular do Recife, através de um passeio por uma parte da coleção de cordéis portugueses do pesquisador Arnaldo Saraiva, professor da Universidade do Porto.

Museu de Arte Popular

Fundação Casa de Rui Barbosa

UM abraço cultural a quem me acompanha

Jefferson Duarte | JeffCelophane