Lookbook Hellcife

Quem disse que cajumanga também não é moda? Aqui tem moda, sim senhor e sim senhora, mas sinceramente, quem em sã consciência vai querer usar haute couture no calor de 30° de Hellcife?

Em uma cidade em que você sai arrasando de casa, para daqui a dez minutos chegar na parada de ônibus mais acabado que Amy Winehouse em fim de balada, a pedida é ser o mais confortável possível. Mas como a gente não pode andar com a roupa que dormimos, a parada é aliar peças básicas pra ganhar tempo e enfrentar o ruge-ruge de todos os dias.

O alagoano de nascimento e pernambucano por opção Lucas Mello, já sacou a vibe da cidade e não dispensa cinco itens: Um par de Converse All Star, bermuda leve, camiseta básica, mochila para carregar suas barras de cereais, água e apetrechos de trabalho, e claro, fones de ouvido, por que ninguém é obrigado a aturar a parada de sucessos (not) do busão, com disputa de celulares e MP3 Players dos passageiros.

Ah! Não esqueça de proteger seus olhos com os indefectíveis óculos escuros. E não, não compre do camelô, se você tiver amor à sua saúde ocular.

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Tô liberando: Fashion Forward Magazine

Revistas de moda existem aos montes por aí. Tidas como Bíblias dos vestuários, costumes e estéticas, seus leitores talvez não percebam, mas elas ajudam a contextualizar muitos aspectos relevantes de uma sociedade em determinado período. Principalmente, a eterna troca entre pessoas que desejam se expressar através do corpo, e a indústria que movimenta milhões e investe pesado para saber do que seu público gosta, para oferecer os seus desejos de volta, só que em formas e cores variadas.

Perguntar onde começa e termina o poder de uma revista de moda é o mesmo que perguntar “Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha”? Muitos reclamam que a indústria da moda dita é quem cria e manipula determinadas regras, mas esta mesma indústria contrata profissionais cuja missão é catar nos quatro cantos do planeta a próxima grande onda da estação que poderá ser absorvida para consumo imediato. Trendhunters (ou caçadores de tendências, em português) nada mais são do que os interlocutores de um desejo de consumo que se inspira em novos sopros criativos vindos daqueles que consomem.

Tendo isto em vista, um dos mais legais veículos de moda, a Fashion Forward Magazine, publicação trimestral 100% brasileira, se apresenta ao leitor com textos que tratam dos bastidores da moda com honestidade, intercalados com belíssimas fotos e um design fluido e atraente.

A edição que temos aqui foi uma especial que circulou durante o Fashion Rio de 2011, toda editada em inglês, tendo em vista a quantidade enorme de visitantes estrangeiros que circulou pela cidade maravilhosa durante o período de desflies. Nela, além do bem-acabado conteúdo, encontramos números do mercado da moda brasileiro, entrevistas com profissionais de criação e empreendedores, além de crônicas e ensaios sobre o estilo de vida e as referências culturais brasileiras na construção das coleções atuais.

SORTEIO

Gostou? Se você faz coleção de revistas de moda, ela pode ser sua! O 11° email que chegar na caixa de entrada do endereço fashion@cajumanga.com vai faturar este exemplar!

Mande um e-mail pro endereço acima, e boa sorte! Lembre-se que só vale um e-mail por participante!

Boa sorte!

Inverno Colorido

A recifense Marina Suassuna carrega um quê de regional no sobrenome e no estilo ao se vestir. A moça é um desses exemplos que mostram a possibilidade de combinar modernidade e romantismo num mesmo visual.

Atenção para os cabelos, aqui: eles são uma peça importante na composição do visual. A familiaridade com o mormaço da capital pernambucana (mesmo durante as chuvas) uniu o útil ao agradável: Marina deixa seus cabelos bem curtos, emoldurando seu rosto com um corte moderno e assimétrico.

Não sabemos se foi proposital, mas o fato é que o corte é um perfeito exemplo de equilíbrio, ao não chamar mais atenção que a dona dos fios, contribuindo para ressaltar seus outros predicados, ao emoldurar e valorizar o olhar expressivo.

Em contrapartida, estão as flores e laços do vestido, compondo um visual romântico e ao mesmo tempo irreverente e versátil, pronto para encarar desde um dia na faculdade, como uma exposição ou happy hour com os amigos logo após.

O visual de Marina é um amálgama dos dois arquétipos femininos conflitantes: de um lado, a mulher de antigamente, com sua meiguice, suas curvas, nuances e cores. Do outro, aquela que adora o cabelo, mas que não quer perder muito tempo com ele e outros detalhes, por que tem um mundo inteiro pra conquistar e pouco tempo para fazê-lo.

É nesse contexto que o corte de cabelo moderno e o vestido romântico fazem todo o sentido: ambos são práticos de usar e dependendo do modelo e das cores, podem se tornar fatores coringa na sua apresentação visual.

Dona de um estilo antropofágico cultural, Marina alimenta seu vestuário a partir de três fontes: artes visuais, livros e música. Completamente antenada com as últimas (e garimpadora das velhas) tendências, ela prova que moda e bagagem cultural têm tudo a ver, basta dar uma volta pelos bares, galerias, teatros e livrarias para construir a sua própria paleta de cores e texturas.

Nas cores e formas adotadas por Marina, você vai encontrar Marisa Monte, Céu, Silvia Machete e Vanessa da Mata, só para citar algumas mulheres fortes e ao mesmo tempo delicadas.

Vintage Pop

Mais uma prova de que música e moda estão intimamente ligadas: A outrora pop-rock, depois country, e novamente pop-rock cantora norte-americana Michelle Branch, decidiu vestir os seus discos preferidos, adotando um mix visual das influências sonoras que veio acumulando pela carreira.

Os acessórios como o colar, as pulseiras, o corte da camiseta e o colete remetem aos anos 70, com a música intensa do Jimi Hendrix:

O corte de cabelo, nem precisa dizer de quem é, né? Da musa melancólica, folk e skinny Joni Mitchell:

…Que por sua vez, dividia um gosto excêntrico por chapéus com o Bob Dylan:

Todas as peças da Michelle são da marca Steven Alan, que há cerca de 15 anos lança coleções fortemente inspiradas na cultura norte-americana, mesclando elementos urbanos e do interior.

Reid Rolls e Michelle Branch, Making of West Coast Time

Esta combinação, adotada para o ensaio do disco “West Coast Time”, torna este visual tão único e ao mesmo tempo não tão difícil de compor, seja aqui no Brasil, na Espanha, na Inglaterra, ou qualquer outro lugar que disponha de marcas básicas e mulheres dispostas a bater perna para encontrar acessórios nas feiras e brechós. Confira aqui o site da grife: http://www.stevenalan.com/

Uma boa pedida para inspiração e referências, além de preencher seu tempo com uma leitura bastante enriquecedora, é o livro “Fashion and Music” (Moda e Música), da Mestra em Estudos Históricos e Culturais pela Faculdade de Moda da Universidade de Artes de Londres, Janice Miller.

A obra, de apenas 161 páginas, discorre em tópicos que envolvem uma análise objetiva e de leitura fluida a respeito dos aspectos sociológicos e psicológicos da relação consumidores / fãs /arquétipos sexuais / indústria cultural (atenção para o capítulo referente à moda dos artistas masculinos, desde os Beatles, passando por Mick Jagger, David Bowie, e a altamente sexualizada cultura pop do final dos anos 90 e começo dos  2000, com destaque especial para as boybands.

Sem publicação no Brasil, esta belezura pode ser encontrada em sebos virtuais gringos a um preço bem camarada. Mesmo usado, vale à pena ter em sua estante. Se você tiver algum parente que mora fora ou vai visitar alguma metrópole estrangeira, procure “Fashion and Music” nos melhores becos literários dos centros.

E passe o olho nas referências visuais da Michelle, com o clipe da música “Loud Music”:

Visite o site oficial da Michelle aqui e baixe Loud Music aqui.