Duetos de Cesária Évora finalmente lançados no Brasil

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Esta semana tive uma grata surpresa ao passear pela sessão de World Music das megastores: A mais famosa filha das ilhas de Cabo Verde aumentou a sua discografia disponível no Brasil, para deleite de seus fãs. “Cesária Évora &…” coletânea de 2010, chegou esta semana no mercado nacional, lançado pela Sony Music. O disco contém todos os duetos que a diva dos pés descalços gravou em sua carreira, totalizando 19 colaborações tiradas de seus álbuns oficiais, participações em discos de outros artistas e versões ao vivo nunca antes lançadas.

A coletânea aglutina suas canções mais conhecidas, como a icônica “Sodade”, do álbum “Miss Perfumado”, aqui dividida nos vocais com o angolano Bonga Kwenda, “Crepuscular Solidão” com a americana Bonnie Raitt” e clássicos brasileiros como “É doce morrer no mar”, de Dorival Caymmi e Jorge Amado, na companhia vocal de Marisa Monte, além de “Negue”, hit de Adelino Moreira, dividida ao vivo com Caetano Veloso.

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QUEM É ELA?

Aí você vem e me pergunta: “Quem é Cesária Évora?” Nascida em Mindelo, na Ilha de Santiago, arquipélago de Cabo Verde, começou a cantar aos 16 anos, em tabernas na região portuária de sua cidade. Somente em 1985 teve sua grande chance, ao ser convidada por Bana, conhecido cantor de seu país para se apresentar em Lisboa. Lá conheceu o produtor José da Silva, que a convenceu a gravar um disco em Paris. E em 1988, é lançado “A Diva dos Pés Descalços”, em alusão à forma como se apresentava para cantar. Eu só vim a conhecer esta senhora em 1994, por ocasião do disco “Miss Perfumado”, lançado em 1992. Imediatamente fui tocado pela paixão completamente tangível que saía de sua voz. Ela vivia aqueles sentimentos todos que emanava. A força de sua performance, para mim, só é comparável a Elis Regina, no Brasil, e Amália Rodrigues, em Portugal. 

Cesária cantava morna, expressão musical típica das ilhas de Cabo Verde, mas mandava bem em qualquer gênero e idioma. Ela abraçou o português, o espanhol, o francês e o crioulo cabo-verdiano, sua língua pátria. Ouvi-la cantar em crioulo é voltar ao passado da colonização: formado a partir de adaptações de palavras da língua portuguesa, pronunciadas ao modo das línguas dos escravos, o crioulo foi rapidamente compartilhado, facilitando a comunicação entre africanos de etnias diferentes, e também com os portugueses.

A morna está para Cabo Verde assim como o Tango está para a Argentina e o samba pro Brasil. Este gênero é feito com violão, cavaquinho, piano, rabeca e vários instrumentos de percussão, como o bongô, chocalho, reco-reco e outros. Nas letras, um romantismo intenso como o fado português, e a eterna presença da saudade em tudo. Saudade da terra natal, da infância, de um amor que se deseja ter de volta. O orgulho também se faz presente, ao enaltecer as riquezas naturais e culturais do país.

“Cesária Évora &” está à venda nas principais lojas do Brasil. O preço médio é de R$ 26,00

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Discos voadores a preços populares

E eis que neste final de semana, os amantes do vinil ganham mais uma festa para engrossar o coro daqueles que acreditam que, assim como Elvis, o bolachão sonoro não morreu. Amanhã (sábado, 27/10), o Casulo, espaço cultural e gastronômico localizado na Rua do Sossego, na Boa Vista, recebe os DJs Rastonauta e Xandonauta, recém-chegados de uma abdução básica (quem nunca, né?). A dupla irá pôr em prática a missão de colonizar terrestres ao som da maravilhosa tecnologia analógica, a partir de um artefato exótico chamado vitrola.

O repertório irá presentear o público com clássicos da música brasileira, sem esquecer os gringos que se tornaram ícones no auge da cultura da bolacha preta. Os visitantes terão à disposição um espaço destinado à venda de vinis, que também serão sorteados ao longo do evento.

A festa conta com um clima de sarau, onde textos e poemas poderão pipocar entre uma música e outra. Os responsáveis pela viagem sonora prometem surpresas na estética a ser adotada pela celebração musical, que começa às 17h e vai até a meia-noite. Os ingressos custam apenas (UAU) R$ 5.

E aí, vamo ou bora??

Serviço

As aventuras de Rastonauta e Xandonauta em: As Bolachas Espaciais

Sábado (27), 17h até 0h

Casulo (Rua do Sossego, 341, Boa Vista)

Quanto?? >>> R$ 5

Informações: (81) 8825 1311 | 8600 8079

Bem vinda, Alice!

A música popular brasileira acaba de me provar que talento pode ser herdado de berço. O DNA dos maravilhosos compositores, instrumentistas e cantores é forte o bastante para derrubar a descrença e a acomodação que de tempos em tempos insiste em pintar o cenário musical com cores negras.

Quando eu achava que o borogodó dos meus ídolos se desvaneceriam pelo ar quando eles nos deixassem, eis que chega Alice Caymmi, que acaba de assassinar e enterrar a sete palmos este meu medo. Seu avô Dorival ficaria orgulhoso de ouvir o disco da neta. De alguma forma, eu sei que ele está. Alice conseguiu reter a essência musical da família sem doar datada.

Seu disco de estréia acaba de sair pela Kuarup Discos, com distribuição da Sony, e me chamou a atenção logo pela capa. A foto mostra uma mulher do alto de seus vinte e poucos anos, nos fitando imperativa com a maquiagem completamente escorrida pela água do chuveiro. Na contracapa, ela encontra-se na areia da praia, com a mesma maquiagem escorrida, talvez envolta em devaneios nos quais ela deseja se afogar.

O som que ecoa é a perfeita tradução do que nos foi apresentado aos olhos. a voz de Alice é intensa, tem consistência e muito sentimento, sem soar sentimentalista. Emoção pura, com peso, verdadeira. Eu diria que lembra um pouco uma jovem Nana Caymmi, sua tia. Filha de Danilo, Alice possui uma trajetória parecida com a maioria dos cantores cujos pais tinham o palco como segundo lar. Não será preciso dizer mais nada.

O repertório autoral soa como uma versão revisitada da mitologia cantada por seu avô Dorival, com percussões e toques eletrônicos emoldurando violinos, baixos e piano acústico. A minha preferida é “Arco da Aliança”, uma ciranda que cita as pernambucanas Lia e a Ilha de Itamaracá de uma forma lúdica, que provoca o ouvinte, desafiando-o a ficar parado frente à melodia e letra que mais parecem um mantra convidativo aos sentidos, que pedem areias para os pés e mãos alheias para as nossas, a fim de formarmos uma roda para dançar.

Ouça “Arco da Aliança”:

Aos 22 anos, Alice estuda artes cênicas. Talvez isso explique a sonoridade épica de seu álbum, mas um épico tropical, como se estivéssemos presentes num musical do Teatro de Arena, coisa que nunca vivi, mas que me vem à mente quando ouço a sua voz. O disco possui apenas 10 músicas, sendo duas em parceria com Paulo César Pinheiro, e um cover de Björk. Sim, você leu certo. Ela canta uma versão inspirada de “Unravel”, do álbum “Homogenic” da cantora islandesa, na última faixa do CD.

O design da embalagem e do encarte são um show à parte. Com fotos de Jorge Bispo, Alice Caymmi se apresenta como uma Iemanjá moderna que saiu à noite para enfeitiçar corações desavisados que navegam nas pistas noturnas, tão perdidos no mar quanto ela.

Decididamente, este disco vai para a minha lista daqueles que me remetem ao sol, às cores fortes, às noites quentes e ternas, e ao eterno barulho do mar tão presente nas minhas memórias litorâneas e nordestinas, tão cheias de um Brasil etéreo e utópico. Tão Caymmi.

Ouça “Tudo que for leve”:

Pra conhecer o restante das melodias desta sereia, é só chegar no seu Facebook: Clique aqui!!

Download ‘de grátis’ – Conhece o Qinho?

Quando fazemos um apanhado do cenário atual da música brasileira, é notável a importância dos avanços tecnológicos, que permitiram o surgimento de artistas e bandas apoiados em iniciativas independentes, correndo por fora da enferrujada mídia tradicional.

A internet permitiu o acesso à programas de gravação e edição sonora a um clique de distância, e promoveu uma troca de informações e experiências antes impossíveis alguns anos atrás. E é nesta seara que estão nascendo as melhores produções que o Brasil já escutou.

Este é o caso de Marcos Coutinho, artisticamente batizado de Qinho (sem a letra ‘u’, mesmo), compositor e cantor carioca. Ele vem realizando trabalhos ao lado de gente cujo desejo é fazer da arte algo que ultrapasse  o lugar-comum da apreciação, um canal que propicie inspiração para abraçar o novo e provocar mudanças.

Qinho é um dos idealizadores do projeto Dia da Rua, realizado em 2008 e 2009, onde mais de 30 bandas cariocas se uniram em shows simultâneos e gratuitos nas ruas dos bairros do Leblon e Ipanema, convidando as pessoas a lançar um novo olhar sobre o potencial da relação entre a arte e os espaços urbanos. Estes eventos foram uma oportunidade de mostrar à cidade o quanto está se perdendo ao ficar em casa, consumindo os pasteurizados do Chef Faustão.

MENOS É MAIS

Na ativa desde 2004, com a banda Vulgo Qinho e Os Cara, além de mais três outros projetos paralelos, lançou em 2009 o seu primeiro disco solo. O trabalho possui composições próprias que falam de amor, sem cair na pieguiçe. “Canduras” foi gravado em casa, com recursos mínimos como por exemplo, microfones de computador, o que resultou num clima intimista, acompanhado de percussão, instrumentos de sopro e baixo acústico, em arranjos simples.

BAIXE O DISCO:

Chega de apresentações, não é mesmo? Pra baixar o disco, é só clicar na capa dele aí embaixo, e digitar o seu login e a sua senha do Facebook, ou do Twitter. Saiba mais neste link: (Como baixar música no blog).

PROJETO NOVO

Este ano, o Qinho lançou seu novo disco, chamado “O Tempo Soa”, com uma sonoridade mais encorpada, pela presença de uma banda composta por integrantes da Abayomy Afrobeat Orquestra, além de participações de nomes como Mart’nália, Elba Ramalho e Amora Pera (filha de Gonzaguinha e integrante das Chicas).

As músicas mantêm um retrato sensível das idas e vindas sentimentais, agora sob um tempero mais dançante e quente, sinceramente brasileiro e black, bebendo da fonte de nomes como Jorge Benjor, Banda Black Rio e Hyldon, como em “Irmã Forte”, dueto com Amora Pera:

Nós incentivamos fortemente que você procure “O Tempo Soa” nas melhores lojas, por quatro motivos:

1 – Qinho só liberou online o seu primeiro trabalho solo.

2 – “O Tempo Soa” acabou de ser lançado e nem é tão caro. Sem falar que o disco em si é praticamente um exemplar de colecionador, pelo cuidado com a apresentação visual. Confira como ficou o design da embalagem clicando aqui.

3 – Apesar de estarmos inseridos numa cultura amplamente digital, a gente curte dar uma força ao trabalho do artista. Sem falar que a qualidade do som na versão física é infinitamente superior ao MP3.

4 -Nós gostamos muito de música para ouvi-la com amplitude, não compactada. Sorry, arquivos digitais, mas é verdade. Vocês são apenas práticos e são ótimos cartões de visitas dos artistas.

Beijos, nos liguem.

Compre música com tweets

A Orquestra Contemporânea de Olinda acaba de lançar seu disco novo, “Pra Ficar”. Programados para integrar as atrações do Mimo, a Mostra Internacional de Música de Olinda, onde devem apresentar o álbum ao vivo em Setembro, os integrantes resolveram apostar suas fichas numa nova forma de “comercialização” de música. As aspas aqui utilizadas vêm do fato que a moeda utilizada no consumo desta arte ultrapassa o valor monetário, através do uso da plataforma “Pague com um Tweet”.

A iniciativa é um sistema de pagamento social, onde o autor oferece algo para as pessoas e elas pagam por isso, divulgando em suas redes socias. Ao clicar no ícone do arquivo para download, o internauta é  “cobrado(a)” automaticamente, através de um redirecionamento ao serviço que ele preferir: Twitter ou Facebook. Este aplicativo funciona da mesma forma que os joguinhos e testes que precisam de nossa autenticação para que funcionem nas plataformas que utilizamos. Assim que você opta por uma delas, todos os seus amigos serão avisados que você obteve o novo disco / ensaio / livro / whatever do artista, de forma simples e justa!

Esta idéia subverte a prática do download livre, tão combatido e demonizado pela indústria fonográfica. Se antes, internautas simplesmente catavam links, baixavam conteúdo e a coisa ficava por isso mesmo, com esta idéia eles pelo menos fazem o mínimo para que a banda alcance uma gama maior de divulgação. Em uma analogia simplista, é o mesmo que você se oferecer para lavar a louça em retribuição ao almoço servido.

Então, prontos para baixar música boa de forma rápida, legalizada e feliz?

Acesse o site oficial da banda: http://orquestraolinda.com.br/

E se você gostaria de “vender” e promover a sua arte por módicos e poderosos tweets ou feicebuqueadas, crie a sua conta no “Pague com um Tweet”, no site oficial: http://www.paguecomtweet.com.br/

Pedalando no samba-rock

Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta é um quarteto baiano que consta de Ronei Jorge (voz e guitarra), Edson Rosa (guitarra e vocal), Sérgio Kopinski (baixo e vocal) e Maurício Pedrão (bateria). Formada em 2003, eles desenvolvem um som pautado pelo samba, mas decorado com guitarras, baixo e bateria típicas do rock, acompanhado de letras inteligentes e certeiras sobre as relações dos indivíduos entre si e o contexto em que vivem.

Os caras têm feito da internet o seu campo de batalha e correndo por fora do esquema comercial fonográfico, atraindo a atenção e o respeito da crítica e público. Tanto que o CD “Frascos, Comprimidos, Compressas” foi gravado e distribuído com recursos de um edital voltado à cultura pela Petrobras. Portanto, o ouvinte pode esperar a originalidade e a liberdade de uma banda independente, com toda a estrutura e recursos normalmente associados às produções apoiadas por grandes gravadoras.

Dirigido por Pedro Sá (que produziu o disco “Cê” de Caetano Veloso), “Frascos, Comprimidos, Compressas” é garantia de música boa e inteligente. E quem chegar primeiro leva o disco, que será solto ESTA TARDE, nas imediações do Recife Antigo, em Recife – PE.

Boa sorte a todos nesta caça!

Por que você ainda compra discos?

Sempre me perguntam por que eu ainda compro discos. A resposta é simples: por que eu não sei fazer minhas refeições andando. E apressado come cru. Sempre me senti estranho ao som que você carrega consigo e não divide com ninguém. A música, alimento da alma que por si só tem um forte caráter agregador, agora encontra-se presa em fones de ouvido que por sua vez prendem seus ouvintes. E aí cada um permanece no seu mundo, trancado.

Eu ainda pude presenciar amizades e paqueras que começaram com uma simples pergunta a respeito da voz que saía da caixa de som alheia. Aquelas melodias seriam a cola que uniria e acenderia outras afinidades. Sempre gostei dos discos por que eles eram mais que um balaio de arquivos numa caixinha eletrônica. Cada álbum possuía um conceito, um cuidado em seguir uma sequência harmoniosa e uma moldura visual caprichada que fosse uma extensão da obra.

Agora? Vejo muita coisa disposta como background do caminho pro trabalho, da volta pra casa, da malhação na academia, do esquente pré-balada. Muitas vezes baixamos uma música que achamos legal, sem nem saber o nome do artista. Pra quê serve isso mesmo? A velocidade crescente da informação jogada por aí nos põe numa overdose que nos rouba o tempo necessário para apreciar -e não consumir- a arte musical. Álbuns são a la carte, MP3 são bandeijões.

Da mesma forma que o tempero decai pela pressa do self-service, a qualidade sonora das músicas no formato MP3 também soa indigesta, comprimida e achatada aos meus ouvidos. Por apreciar a vibração das caixas do estéreo da sala de estar desde os três anos de idade, desenvolvi um gosto por contemplar a música, o efeito acústico do estúdio na voz do cantor, os detalhes do instrumento que quase ninguém percebe, ali, escondidinho entre a segunda estrofe e o refrão, tão importante pra mim, que aos meus ouvidos, a música seria nada mais que um corpo amputado de seus membros.

E a capa, e os encartes? E a lista de agradecimentos? Aquilo tudo me enche de satisfação, por estar registrado o amor e o suor empregado por um monte de pessoas que tiraram seus sonhos da folha de partitura para transformá-los em realidade aos nossos ouvidos. As datas de gravação, os estúdios utilizados, tudo isto me faz imaginar como são esses lugares por dentro, como foi a rotina de trabalho, se houve diversão, se houve conflito, se houveram noites em claro para deixar a canção da forma que imaginaram, as parcerias, os copos de bebidas, as saídas para buscar inspiração… Toda esta maravilha da coletividade criativa e emocional das relações humanas está presente naquelas obras que podem afirmar com orgulho: EU SOU UM DISCO! Eu nasci entre uma batucada na mesa e um piano no final da noite! Eu fui gerado por um grupo de pessoas, tão heterogêneas quanto uma colcha de retalhos, e tão harmoniosas quanto uma amizade que se entende com o olhar.

Perceber que por trás de cada canção há um conjunto de pessoas que assim como eu, possuem uma bagagem cheia de referências, lembranças e curiosidade, é como estabelecer um vínculo horizontal com os músicos. Nós os admiramos por que no fundo sabemos que eles são iguais a nós, que possuem a mesma fome. Isto talvez explique a relação sem contenção entre os artistas e seus fãs.

É por isso que apesar de toda a tecnologia que facilita a descoberta de novas canções, eu ainda compro discos. A enxurrada digital nunca irá mudar o processo de criação, que é intrinsecamente emoção.

Discos ainda são necessários.

Pra acompanhar o bom e velho vinhozinho

Aproveitando que o inverno deixa a gente preguiçoso e o corpo pede mais comes e bebes para nos aquecer, use este fato comprovadamente científico para reunir os amigos prum bate papo informal, e dê o play na Patty Ascher! Não conhece? Deixa que eu apresento a moça!

Esta cantora paulistana foi um de meus achados nos sebos do centro da cidade e eu resolvi deixar o egoísmo de lado e sortear DOIS DISCOS dela: Tem o primeiro, “Bacharach Bossa Club”, lançado em 2007, e o segundo, “Deu Jazz no Samba”, lançado em 2009. Atualmente, a cantora encontra-se construindo uma carreira internacional, tendo concentrado seus shows nos Estados Unidos entre 2010 e 2011, acompanhada de nomes como o pianista Michel Legrand.

Do “Bacharach Bossa Club“, temos as composições atemporais do norte-americano Burt Bacharach, que numa analogia bem rápida, pode ser considerado uma espécie de Roberto Carlos dos States. Suas músicas alcançaram  destaque nos anos 60, e foram na contramão do que se tocava na época. Enquanto o rock arrebatava mais e mais ouvintes, seus hits conservavam o clima refinado das canções de amor com arranjos orquestrados e letras agridoces. Este gênero viria a ser taxado de cafona, com o passar dos anos e das modas musicais, para depois ser resgatado pelos apreciadores da cultura pop. Aqui Patty tem a chancela de Roberto Menescal em todas as faixas, o que garante arranjos emoldurados pela bossa nova, tropicalizando o som do gringo.

Bacharach, antes de tudo é pop. Apesar da roupagem jazzística, suas letras e arranjos eram altamente palatáveis para o rádio, e talvez isso explique a quantidade de artistas que o regravam até hoje, assim como filmes que ainda utilizam seus trabalhos em trilhas sonoras. Entre os maiores êxitos, está “I Say a Little Prayer”, eternizada no filme “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, com Julia Roberts e Rupert Everett. Qual o segredo disso tudo? Simples. O amor, em todas as suas formas, seja ele comedido ou rasgado, cru ou refinado, nunca vai sair de moda.

“I say a Little Prayer”, versão O Casamento do Meu Melhor Amigo:

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“I say a Little Prayer”, versão Patty Ascher:

“Deu Jazz no Samba” é um trabalho mais autoral, onde Patty se cerca de grandes músicos como Marcos Pontes, Lula Freire e Dori Caymmi. Neste segundo CD, os arranjos tem até uma leve inclinação às batidas brasileiras, mas de modo a deixá-la coadjuvante para a estrela principal, como já anuncia o título do disco. Pra quem gosta de experimentações e vocais afinados, é uma pedida certeira pra emoldurar qualquer reunião boa com amigos.

CAÇA AO CD!

Estes discos serão soltos pelo Recife,  nas imediações da Universidade Católica de Pernambuco! Acompanhe nosso Twitter para saber pistas do paradeiro musical destas preciosidades!

Boa sorte!

Free Bebel: “Dahling” em download grátis

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Já faz um tempinho que Bebel Gilberto disponibilizou uma prova de seu novo material, a canção “Dahling”, mas a música só poderia ser baixada via e-mail após um breve cadastro na sua página oficial. A estratégia ajudou a cantora a utilizar mais um canal para manter seus fãs informados.
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Agora, os visitantes mais atentos de seu site  encontrarão links para as contas de Bebel nas principais redes sociais, principalmente no soundcloud, onde este e outros sucessos de sua carreira podem ser escutadas (e algumas salvas no seu computador), como no player abaixo: (para baixar a música, clique em download)
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O seu novo site, aliás, foi totalmente repaginado sob os mais altos critérios de usabilidade e design. Primeiro, por que o layout agrada aos olhos de quem o visita, e prima pela elegância inerente ao trabalho de Bebel. Além disso, ele é totalmente integrado aos recursos da web 2.0, onde o visitante pode conferir as atualizações da cantora no Twitter e no Facebook, com datas de shows e uma biografia e discografia completa com seus álbums oficiais e participações em outros discos.
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Outro recurso inovador e criativo que ajuda a divulgar a obra da cantora é o “Feeling Bebel”, frases tiradas de trechos de suas canções, que funcionam como comprimidos poéticos para a alma em 140 caracteres. Basta o internauta escolher uma frase aleatória de Bebel que desfila no topo da página e clicar em “Share this Feeling” (Compartilhe este sentimento), e automaticamente a frase será postada a partir de sua conta no Twitter.
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Outro pulo do gato é a “Rádio Bebel”, um player de músicas de sua carreira, onde a cantora e seus colaboradores reúnem suas canções separadas por listas segmentadas. Há uma lista para ser escutada ao pôr do sol, outra para namorar, outra para balançar na festa, outra com remixes, e por aí vai. Não será nenhuma novidade se o tempo médio de visita dos internautas aumentar, pois o recurso de listas de músicas pode muito bem ser utilizado como uma rádio que o visitante pode deixar tocando enquanto trabalha ou faz outras atividades na internet. O site foi desenvolvido pela Grudaemmim e merece uma conferida.

O traçado contemporâneo da raiz

Cultura popular é algo que sempre me chamou muito a atenção, desde pequeno. Tive a sorte de nascer e crescer num ambiente cercado de manifestações culturais do tipo, o que me dá umacerta segurança e familiaridade para falar do assunto, embora meus conhecimentos estejam na seara de alguém que busca saciar sua fome de uma forma lúdica, que passa longe da formalidade acadêmica, por cujo material nutro um tremendo carinho e respeito.

Se há uma das coisas que mais gosto na cultura popular é a sua campacidade de transformação pelas mãos daqueles que a construíram. O Brasil foi palco de grandes fases emblemáticas na construção de sua identidade cultural, que não cabe em si mesma, e abraça o resto do mundo só pra ver no que dá essa miscigenação. Foi assim com a antropofagia da Semana de Arte Moderna, do Tropicalismo e o Manguebit, só para ctar alguns.

Minha última descoberta vem das Alagoas e se chama Reinaldo Freire. Naldinho, como é artisticamente conhecido, nasceu na Paraíba, mas radicou-se em Maceió, de onde saltou para o resto do mundo com seus trabalhos de pesquisador e arte-educador. Seus projetos envolvem a música tradicional das comunidades nordestinas desde 1995. Seu último feito está concentrado no DVD “Raízes: Traços Contemporâneos”, onde ele dá vazão à curiosidade brasileira que busca novos elementos para acordes que se perpetuam de geração em geração.

Em “Raízes: Traços Contemporâneos”, ritmos como a ciranda, o coco, o barravento, o toré, e o maneiro-pau recebem a visita do contrabaixo, do violão e da música eletrônica num show ao vivo, fruto de uma pesquisa realizada desde 1990, que percorreu todo o nordeste e as ilhas de Cabo Verde, na África. O músico é acompanhado pela programação dos bitse contravbaixo de Júlio Campos, e a percurssão e vocais de Wilson Miranda. Musicalmente, o som de Naldinho parece se encaixar no espaço reservado para a contemplação e contato do nosso olhar com o ancestral das cantigas e folguedos que muitas vezes só conhecemos pelos livros. Para quem estuda, realiza pesquisa ou se interessa por música em sua face mais plena, a apresentação de Naldinho se revela um prato cheio para os paladares auditivos mais curiosos e amantes da essência brasileira.

SORTEIO:

Escreva para raizes@cajumanga.com e concorra ao DVD Raízes: Traços Contemporâneos. O oitavo e-mail que chegar em nossa caixa de entrada será o ganhador. O mesmo participante não pode enviar mais de um e-mail. De resto, é torcer e contar com a sorte!

Acompanhe o resultado pelo Twitter: @cajumanga
Boa Sorte!

ATUALIZAÇÃO (21h):

O DVD foi sorteado e quem faturou foi o Marcone Marques, vulgo @marconemarques! Parabéns, garoto!