Artesã – Ofício das mulheres que laboram, arrimam e sustentam.

O celophane Cultural sempre teve um respeito e admiração por uma forma de aprendizado chamada “Ofìcio” aquela profissão que se se aprende com a avó, com a mãe, com as irmãs mais velhas. No mês dedicado a elas a Mulher Artesã é homenageada em uma exposição no RJ.

ARTESÃ

O primeiro ‘bem’ registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil foi o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras. Ofício feminino, por excelência, como tantos outros espalhados pelo Brasil que são referência cultural em suas regiões.

Paneleiras de Goiabeiras - ES - Foto: Fábio Canhim - http://www.flickr.com/photos/fabiocanhim/

Os barreiros têm características próprias, conhecidas, tratadas e aproveitadas pelas artesãs, que esculpem louças e figuras de diferentes texturas, acabamentos e cores, seja em Goiabeiras (ES) ou em Poxica (SE), em Coqueiros (BA) ou em Campo Alegre (MG).

Foto: Francisco Moreira da Costa CNFCP

Outras artesãs lidam com o capim dourado, o buriti, o fruto da cuieira, fibras e algodão – raspando, fiando e tingindo, cortando e trançando. Geram desde meadas até redes de dormir, de cestas a rendas, manejando pincéis, agulhas, estiletes e bilros.

Carla Aline de Jusus e sua filha, trabalhando na oficina de Dona Tonha, Antonia de Jesus, na Rua das Palmeiras em Coqueiro, Maragogipe, Bahia - Foto Francisco Moreira da costa - CNFCP

Ofícios e artes que aprenderam com suas mães e avós, que redescobriram juntas ou que inventaram, por sua conta e risco. Para inventar, bastou-lhes um tantinho de barro, telas e tintas, retalhos de pano ou mesmo papéis de bala e tiras de plástico. Bastou-lhes corpo hábil e alma caprichosa.

Artes e ofícios das mulheres – laboram a vida, arrimam e sustentam, enfeitam a casa e o mundo. Desde sempre. Aqui e ali.

No Vão do Urucuia: Fios que entrelaçam saberes - foto Francisco Moreira da Costa - CNFCP

A mostra Artesã, que homenageia o Dia Internacional da Mulher, traz a arte da renda de bilro de Canaan, CE; da rede de Limpo Grande, MT; da cerâmica de Campo Alegre, MG; das bonecas de Esperança, PB; e das artistas plásticas Ermelinda, do Rio de Janeiro, RJ, e Efigênia Rolim, de Curitiba, PR.

Foto: Francisco Moreira da Costa CNFCP

Artesanato e Folclore:

Uma forma de sobrevivência e arte misturadas, uma discussão que muitos estudiosos condenam por ser uma produção em massa quase industrial, por ser chamado de “artesanato” de “Folclore”, palavras carregadas de um preconceito severo e pesado, cristalizando assim a criatividade natural do nosso povo mas que sobretudo precisam  imediatamente “sobreviver”.

Segundo Lina Bo Bardi no seu exelente livro: “Tempos de Grossura – O Design do Impasse”:

“…Quando a produção popular se petrifica em folklore as verdadeiras e suculentas raizes culturais de um País secam…”

Mas como resolver o problema destas mulheres e homens que tem o Ofício como única fonte de sobrevivência? como podemos incentivar uma criatividade menos ligada ao prato de comida? de que forma destacamos e incentivamos verdadeiros artistas que estão enfronhados nestes cantos do país?

Serviço

Sala do Artista Popular ARTESÃ

Até 15 de abril de 2012

Exposição e venda:

Terça a sexta-feira, das 11h às 18h

Sábados, domingos e feriados, das 15h às 18h

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – Rua do Catete, 179, Anexo (ATENÇÂO: acesso pelo Parque do Palácio do Catete)

Fonte:

Release da exposição – Artesã – Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP

Ver também os posts sobre o assunto no blog:

Rendeiras, as mulheres que tecem o dia a dia com finos fios.

As Paneleiras de Goiabeiras – Raiz da Cultura Capixaba

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Esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na ilha de Itamaracá.


O jornal The New York Times a chamou de ‘diva da música negra‘. O francês Le Parisien comparou sua voz à da cabo-verdiana Cesária Évora. No Brasil, críticos de música comparam-na a Clementina de Jesus. No entanto, ainda há quem duvide que a cirandeira Lia de Itamaracá realmente exista.

Para muita gente, trata-se de uma personagem que vive apenas nos versos Essa ciranda quem me deu foi Lia,/que mora na Ilha de Itamaracá, uma música de domínio público gravada pela primeira vez por Teca Calazans, em 1963. Mas Lia é real, tem 59 anos e poderá ser vista num documentário, dirigido pela cineasta carioca Karen Akerman, que dará origem a livro, CD e DVD. ‘Eita! É muita felicidade!’, festeja Lia. ‘Nunca pensei que um dia fosse virar uma estrela de cinema.’

Foto: Pedro Rampazzo/divulgação

Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu no dia 12 de janeiro de 1944, na ilha de Itamaracá, Pernambuco.

Sempre morou na Ilha e começou a participar de rodas de ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.

Lia de Itamaracá - foto Soninha Darbilly

Mulher simples, com 1,80m de altura, canta e compõe desde a infância e hoje é considerada a mais famosa cirandeira do Nordeste brasileiro.

“Bonita, essa Lia! Enorme, mulher de metro e oitenta. Os cabelos desarrumados, blusa florida, e calça jeans, pés gigantescos em sandália de couro cru. Não está nada à vontade, devemos ser mais alguns daqueles forasteiros que vêm para tirar fotografias, posar ao lado se possível com um sorriso que por enquanto economiza, como também raciona as palavras…

As cirandas pernambucanas de Lia estão na boca de toda a gente,na alegria das pessoas se dando as mãos, cirandando em volta dela. E na verdade essa mulher de quarenta anos, meiga às vezes, e justamente desconfiada quase sempre, é para muitos apenas uma dessas peças de artesanato urdidas em barro e que vão ornamentar uma estante…”

 Herminio Belo de Carvalho

 Trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino e, nas horas vagas, dedica-se à musica e à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus.

Lia - Foto Divulgação do show na Fundição progresso RJ

A compositora Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o seu talento e acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.

Maria Madalena começou a ficar conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 1960 e é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans: Oh cirandeiro/cirandeiro oh/ a pedra do teu anel brilha mais do que o sol. A estes versos Teca incorporou uma toada informativa, que também teve grande sucesso: Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá.

Foto:Virada Cultural 2011 - SESC Consolação

Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado A rainha da ciranda,não recebendo, no entanto, nenhum pagamento pelo trabalho.

Mais de duas décadas depois foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival Abril Pro Rock, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil. Antes ela só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina.

Em 2000, saiu seu CD Eu Sou Lia, lançado pela Ciranda Records e reeditado pela Rob Digital, cujo repertorio incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone.

O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público.

Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.

No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD Rádio Samba, do grupo Nação Zumbi, teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto.

Foto: Priscila Buhr

As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos.Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá, hoje, é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá.

Eu sou Lia [Ciranda de Lia]

(Paulinho da Viola)

Eu sou Lia da beira do mar
Morena queimada do sal e do sol
Da Ilha de Itamaracá
Quem conhece a Ilha de Itamaracá
Nas noites de lia
Prateando o mar
Eu me chamo Lia e vivo por lá
Cirandando a vida na beira do mar
Cirandando a vida na beira do mar
Vejo o firmamento, vejo o mar sem fim
E a natureza ao redor de mim
Me criei cantando
Entre o céu e o mar
Nas praias da Ilha de Itamaracá
Nas praias da Ilha de Itamaracá

Minha ciranda – Capiba

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz
Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção

Foto Emiliano Dantas

Lia de Itamaracá foi uma das contempladas como Patrimônio Vivo de Pernambuco, através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.

                                                                            

FONTES CONSULTADAS:

Fundação Joaquim Nabuco – GASPAR, Lúcia Gaspar:  Lia de Itamaracá.

Eu sou Lia” –

Aluizio FalcãoLia de Itamaracá: a estrela brilha em disco raro

Revista Época: Lia de Itamaracá

MPB NetLia de Itamaracá


A História do queijo “proibido” de Minas.

“Ao homem contemporâneo, a convivência com vestígios do passado costuma gerar conforto identitário, segurança por saber-se parte de uma construção antiga que lhe sustenta e justifica costumes e ações. Quando a construção passada é permanência e tradição vivas e arraigadas na dinâmica das construções culturais, esse conforto se transforma em orgulho identitário e supera o temor pelo esquecimento que geraria sentimento de perda. Modos de fazer tradicionais se enquadram nessa categoria de permanências que sinalizam ao homem moderno sentimentos de orgulho pelos saberes construídos em seu passado. Aos mineiros contemporâneos os modos de fazer artesanais de queijo a partir do leite cru, tradição persistente e em dinâmica transformação em sua cultura, identifica seus modos costumeiros e dá conforto à suas vidas. Além disso, embasa a sobrevivência de numerosas famílias e fundamenta a economia de municípios e de regiões”.

José Newton Coelho Meneses

O Celophane Cultural pegando carona no lançamento do documentário: “O Mineiro e o Queijo” de Helvécio Ratton, traz este universo, a discussão política e a tradição reconhecida como patrimônio Imaterial do nosso delicioso queijo mineiro.

A INVASÃO DE VACAS E BOIS NO SOLO BRASILEIRO?

Não, as primeiras cabeças de gado bovino chegaram ao Brasil em 1534, por iniciativa de Ana Pimentel de Souza, a esposa de Martim Afonso de Souza, que mandou vir do arquipélago de Cabo Verde, algumas dezenas de cabeças de gado para a capitania de São Vicente. Estudiosos especulam que alguns destes animais eram mestiços com sangue Zebu. Também vieram alguns equinos e poucas cabeças de suínos.

"Boi Barrosão" - Ilustração de Leopoldo Costa

No século XVIII, aventureiros portugueses em busca de ouro levaram para a região das minas a arte do queijo. O queijo era uma forma de conservar o leite e, à medida que estes exploradores percorriam novas áreas, a produção do queijo artesanal se espalhava por Minas Gerais, adaptando-se bem aos climas serranos. Hoje, o queijo minas é produzido por 30 mil famílias e considerado patrimônio
cultural do Brasil.

Livro: "500 anos de leite no Brasil" de João Castanho Dias - clique na imagem para saber mais.

DEBRET E O QUEIJO

Jean-Baptiste Debret chegou ao Brasil em 1816, para ser o pintor da família real e foi um dos primeiros viajantes a notar que o país possuía um produto diferente, consumido ao final das refeições, o queijo-de-minas.

J. B. DEBRET. Um jantar brasileiro. 1827. Museus Castro Maya – IPHAN/MinC – MEA 0199

Sua história remonta à chegada dos portugueses a Minas Gerais, no século XVIII, depois da descoberta do ouro. Como os homens precisavam de um alimento que durasse todo o dia, uma antiga técnica portuguesa de queijo coalhado, feito de leite fresco, foi adaptada às condições locais.

A PROIBIÇÃO

Porém, em função de uma lei federal de 1952, de inspiração norte-americana, o queijo minas artesanal enfrenta um grave obstáculo: sua venda é proibida paraoutros estados brasileiros, o que provoca impactos econômicos e sociais significativos sobre os pequenos produtores.

Filmado nas belas regiões do Serro, serra da Canastra e Alto Paranaíba, O Mineiro e o Queijo traz a palavra de produtores, comerciantes, cientistas e atravessadores, traça um amplo painel sobre o queijo minas e investiga a estranha situação de um produto tradicionalíssimo, mas barrado em seu próprio país.


PATRIMÔNIO CULTURAL

Em 2008, o queijo minas virou patrimônio cultural imaterial brasileiro. Foi este reconhecimento que disparou o processo criativo e de pesquisas que levaria, três anos depois, ao documentário O Mineiro e o Queijo, do cineasta Helvécio Ratton. “O queijo sempre fez parte da minha vida”, explica o diretor. “Numa família como a minha, encabeçada por duas pessoas nascidas no interior de Minas, a presença do queijo era uma constante dentro de casa.” Assim, o tombamento do queijo artesanal naturalmente reavivou em Ratton a curiosidade sobre a história e a tradição desta iguaria típica de seu estado.

O QUEIJO FORA DA LEI

Uma das primeiras providências de Ratton e Marcellini foi o estudo do dossiê preparado para o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) e a realização de reuniões com os técnicos da instituição. “Logo percebemos que a questão era muito mais complexa do que havíamos imaginado”, lembra Helvécio.

“Isso me fez mudar a linha que havia imaginado para o filme: inicialmente, iria numa linha em busca da tradição, mas gradualmente passei a me preocupar mais com o impacto da legislação federal sobre o pequeno produtor. Fui da História ao enfoque social”.

O cineasta se refere a uma lei assinada por Getúlio Vargas em 1952 que, com a intenção de regulamentar a produção de queijos, exige 60 dias de maturação para os queijos feitos de leite cru. Na prática, a lei proibe a comercialização dos queijos artesanais, transformando-os em produtos ilegais.

Cartaz do filme: O Mineiro e o Queijo

“Os norte-americanos querem suprimir dos mercados internacionais o queijo feito do leite cru e a lei brasileira foi claramente influenciada por eles”, explica Ratton. “Os americanos chegaram a entrar na OMS com uma ação para impedir a França de vender seus queijos do leite cru em outros países”.

A lei carece de bases científicas, já que desconsidera o clima tropical e as bactérias aqui existentes – e, assim, os 60 dias exigidos para a maturação do queijo antes da comercialização não são necessários no Brasil. “O curioso é que importamos queijos artesanais produzidos nas mesmas condições ou em condições piores de países europeus, já que temos uma cultura de higiene claramente melhor do que a deles”, pondera o historiador José Newton Meneses, responsável pelo dossiê que embasaria o tombamento do queijo artesanal mineiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e cujo depoimento faz parte de O Mineiro e o Queijo.

"O MIneiro e o Queijo" foto divulgação de Ricardo Lima

“A Universidade Federal de Viçosa tem uma série de pesquisas que mostram o nosso cuidado com o queijo e que comprovam que este é próprio para consumo já com 15-20 dias”, completa o produtor Joãozinho, outra figura importante no documentário. Esta pesquisa, aliás, foi a base para a legislação estadual de Minas, que permite a comercialização do queijo artesanal com 21 dias de maturação.

As diferenças entre as legislações Federal e Estadual é que impedem a comercialização do queijo minas artesanal fora do estado. Para estabelecer um amplo painel acerca da situação, Ratton percebeu que precisaria discutir o tema não apenas com produtores, mas também com comerciantes, consumidores, técnicos, professores e até mesmo com atravessadores. E esta decisão, claro, implicou em ampliar radicalmente as pesquisas e o enfoque do documentário.

O MINEIRO E O QUEIJO - O produtor de queijo Zé Mário em São Roque de Minas, região da Canastra Foto de Rusty Marcellini

Processo muitas vezes solitário que implica num trabalho diário que leva o produtor a permanecer cerca de quatro a cinco horas profundamente concentrado na tarefa, o fazer do queijo artesanal é uma tarefa de delicadeza e concentração. “Se o sujeito não estiver bem consigo mesmo, o queijo não fica bom. Eles mesmos dizem que isso faz a diferença”. Assim, o diretor e sua equipe registraram todas as etapas da produção do queijo artesanal nas fazendas, voltando a captá-las em uma fábrica de laticínios para estabelecer a natureza similar do processo. “Na indústria, as etapas são exatamente as mesmas, mas numa escala bem maior e em outro ritmo. E o espectador consegue perceber como os processos são idênticos, mas a relação com o queijo é outra ”.

O MINEIRO E O QUEIJO - O produtor de queijo Luciano apresenta o queijo minas canastra real em Medeiros, região da Canastra Foto de Gilberto Otero

Por outro lado, Ratton se esforçou em não pintar os laticínios como “vilões”, como antagonistas dos produtores artesanais. “É apenas uma questão de diferença; cada um tem sua preferência”.

“A Europa inteira faz queijo de leite cru e vende para o mundo. Nossos técnicossão muito retrógrados, não têm interesse em regulamentar a produção agroartesanal.Nem o governo se entende, aliás; o Ministério da Cultura trombou defrente com o da Agricultura ao tombar nosso queijo como patrimônio ao mesmotempo em que este último nos proibe de circular pelo país”.

“O Estado precisa reconhecer o valor de identidade do queijo artesanal”, defende o historiador José Meneses. “A legislação se preocupa com a pasteurização, mas está defasada. Hoje o controle é feito no rebanho, através da vacinação contra brucelose, por exemplo, que diminui significativamente o risco de contaminação do queijo. No mundo inteiro é assim, mas aqui o Estado parece não
querer gastar com fiscalização e prefere proibir. Mas como proibir algo que dá identidade cultural a um estado?”.

Responsável por um dos documentários mais importantes no histórico do movimento anti-manicomial (Em Nome da Razão), Helvécio não é um estranho ao conceito de Cinema como gatilho de movimentos sociais e políticos. “Espero que o filme provoque uma bela polêmica, que as pessoas percebam o que está acontecendo não só com o queijo artesanal, mas com outros produtos da agricultura familiar”, confessa. “Nós vamos, inclusive, fazer uma sessão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais com debate e presença de produtores logo depois do lançamento do longa nos cinemas”.

O diretor - divulgação - foto: Ricardo Lima

Fontes:

Site Oficial do filme “O MIneiro e o Queijo”

Introdução do gado no Brasil

PDF – Queijo Artesanal de Minas- Patrimônio Cultural do Brasil – Dossiê Interpretativo

Revista de História

No Tabuleiro da Baiana tem Acarajé

Segundo Manuel Querino – (Santo Amaro da Purificação, 28 de julho de 1851 — Salvador, 14 de fevereiro de 1923)

Acarajé é uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira feita de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite-de-dendê. O acarajé pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá, caruru ou salada, quase todos componentes e pratos típicos da cozinha do extremo sul da Bahia.

Acarajé - foto retirada do Blog AlemdoqueseV

Manuel Raimundo Querino  foi um intelectual afro-descendente, aluno fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, pintor, escritor, lider abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos da cultura africana na Bahia.

A Bahia encerra superioridade, a excelência, a primazia, na arte culinária do país, pois que o elemento africano, com a sua condimentação requintada de exóticos adubos, alterou profundamente as iguarias portuguesas, resultando daí um produto todo nacional, saboroso, agradável ao paladar mais exigente, o que excede a justificada fama que precede a cozinha baiana.

O LIvro reeditado, com notas de Raul Lody, pela Martis Fontes

 

É de Manoel Querino o primeiro livro publicado que trata da cozinha africana no Brasil , e data do ano de 1928.

Esse livro é agora recuperado e tem sua organização e notas feitas por Raul Lody.

Esse é um tesouro da literatura, da história da Bahia, e da afrodescendência no Brasil que é reeditado, em 2011, pela WMF Martins Fontes.

Em 2011, comemora-se os 160 anos de nascimento de Querino.

 

“no início, o feijão fradinho era ralado na pedra, de 50 cm de comprimento por 23 de largura, tendo cerca de 10 cm de altura. A face plana, em vez de lisa, era ligeiramente picada por canteiro, de modo a torná-la porosa ou crespa. Um rolo de forma cilíndrica, impelido para frente e para trás, sobre a pedra, na atitude de quem mói, triturava facilmente o milho, o feijão, o arroz”. (QUERINO, 1922, p. 23)

A Origem

O acarajé dos Iorubás da África ocidental que deu origem ao conhecido brasileiro é por sua vez semelhante ao Falafel árabe inventado no Oriente Médio. Os árabes levaram essa iguaria para a África nas diversas incursões durante os séculos VII a XIX. As Favas secas e Grão de bico do Falafel foram alternados pelo feijão-fradinho na África.

Acarajé, comida ritual da orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”. Devido ao modo de preparo, o prato recebeu esse nome.

Iansã - Carybé

O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas,Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo.

Xangô - Carybé

O primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.

Exú de Carybé

O acará Oferecido ao orixá Iansã diante do seu Igba orixá é feito num tamanho de um prato de sobremesa na forma arredondada e ornado com nove ou sete camarões defumados, confirmando sua ligação com os odu odi e ossá no jogo do merindilogun, cercado de nove pequenos acarás, simbolizando “mensan orum” nove Planetas. (Orum-Aye, José Benistes).

O acará de xango tem uma forma Ovalar imitando o cágado que é seu animal preferido e cercado com seis ou doze pequenos acarás de igual formato, confirmando sua ligação com os odu Obará e êjilaxeborá.

A massa

O acarajé é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal.

Confecção da massa do Acarajé - Foto:

O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa. Quando a massa está no ponto, fica com a aparência de espuma. Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite-de-dendê ou azeite doce.

Azeite de Dendê - Foto: Blog Umbanda religião Brasileira

Normalmente usam-se duas colheres para fritar, uma colher para pegar a massa e uma colher de pau para moldar os bolinhos. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar.

Livro Dendê-símbolo e sabor da Bahia - Raul Lody

Recentemente foi lançado pela Editora SENAC o livro Dendê símbolo e Sabor da Bahia por Raul Lody

A palmeira do dendezeiro representa um importante símbolo dos povos africanos na sociedade brasileira, especialmente na formação de sistemas alimentares e em ampliado uso industrial. Esse livro reúne especialistas nas áreas da botânica, agronomia, nutrição, antropologia, além de chefes que preservam receitas tradicionais e outros que criam uma nova cozinha de identidade afro-brasileira contemporânea. Dessa forma, o objeto central dendê terá leituras interdisciplinares, proporcionando ao leitor compreensão múltipla e plural na gastronomia e na cultura.

O Acarajé da baiana

O acarajé também é um prato típico da culinária baiana e um dos principais produtos vendidos no tabuleiro da baiana (nome dado ao recipiente usado pela baiana do acarajé para expor os alimentos), que são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá.

Os ingredientes do acarajé são meio quilograma de feijão-fradinho descascado e moído, 150 g de cebola ralada, uma colher de sobremesa de sal ou a gosto e um litro de azeite-de-dendê para fritar. O recheio de camarão é feito com 4/6 xícara de azeite-de-dendê, 3 cebolas picadas, alho a gosto, 700 g de camarão defumado sem casca e cheiro-verde refogados por 10 a 15 minutos.

A forma de preparo é praticamente a mesma, a diferença está no modo de ser servido: ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado, pimenta e salada de tomates verde e vermelho com coentro.

O Oficio da Baiana do Acarajé vira patrimônio histórico

O registro do Ofício da Baiana de Acarajé reconhece todos saberes e fazeres tradicionais aplicados na produção e comercialização das chamadas comidas de baiana, feitas com dendê, com destaque para o acarajé. Desde sua origem africana, a produção e consumo das comidas das Baianas de Acarajé, ou Baianas de Tabuleiro, constituem práticas culturais reiteradas e atualizadas com a contribuição de outros grupos étnicos-culturais e profundamente enraizadas no cotidiano da população baiana.

Baiana - Foto: Pierre Fatumbi Verger

O saber reconhecido como patrimônio cultural imaterial refere-se ao ofício da baiana em Salvador que teve início com a produção do acarajé, bolo de feijão fradinho frito no azeite de dendê. A técnica de feitura do acarajé representa um modo de fazer enraizado no cotidiano dos seus produtores, seja para uso religioso, alimento sagrado oferecido às divindades nos rituais do candomblé, seja para uso profano, comercializado nas ruas pelas baianas. Segundo pesquisadores, a partir da segunda metade do século passado, as Baianas de Acarajé passaram a ser mais reconhecidas e valorizadas nacionalmente, transformaram-se em ícones da cultura soteropolitana junto a outros aspectos da cultura imaterial, como o jogo da capoeira ou as festas de largo que complementam e vivificam a atmosfera colonial ainda possível de ser evocada em Salvador

Ao mesmo tempo, passaram por uma ampla apropriação e re-significação cultural pelo mercado, que hoje apresenta riscos de descaracterização, domesticação cultural e homogeneização dessa prática. “Apresenta ainda o risco de uma limpeza de traços culturais indesejáveis pelos setores dominantes da sociedade, bem como a banalização consumista das comidas de baiana para sua aceitação como produto cultural, tal como ocorreu com o conjunto arquitetônico do Pelourinho, cuja preservação e valorização do conjunto histórico teve como conseqüência a expulsão de seus moradores, pequenos comerciantes e freqüentadores de menor poder aquisitivo, rompendo laços de sociabilidade e tradições culturais existentes e afetando sua capacidade de representar um lugar pelo de sentidos simbólicos”, informa o parecer para instituição do Ofício da Baiana de Acarajé.

Pelourinho - Foto Pierre Fatumbi Verger

O ofício das baianas é um saber tradicional enraizado no cotidiano dos soteropolitanos, profundamente vinculado aos grupos afro-brasileiros. Deve ser reconhecido não só por seu significado para a manutenção da diversidade cultural brasileira, mas pela iminência de descaracterização que hoje ameaça os ofícios tradicionais das baianas de Acarajé. O registro engloba os rituais envolvidos na produção do acarajé, na arrumação do tabuleiro e na preparação do lugar onde as baianas se instalam, além dos modos de fazer as comidas de baiana, com distinções referentes à oferta religiosa ou à venda nas ruas. Estão destacados o acarajé com seus recheios habituais, o abará, o acaçã, o bolinho de estudante, as cocadas, os bolos e mingaus; o uso de tabuleiro para venda das comidas; a comercialização informal em logradouros, feiras e festas de largo; o uso de indumentária própria das baianas, como marca distintiva de sua condição social e religiosa, presente especialmente nos panos da costa, nos turbantes, nos fios de contas e outras insígnias e, por fim, o uso do tabuleiro para venda de comidas.

Memorial da Baiana do Acarajé

Memorial da Baiana do Acarajé, é um conjunto de espaços expositivos e de documentação com a finalidade de situar a tradição, a história e demais temas agregados ao ofício, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, em 14 de janeiro de 2005, no Livro de Registro dos Saberes.

Memorial das baianas do Acarajé - Salvador - BA - foto: Lais Cavalcante

Composto por textos e fotografias, o livro reúne toda a história e a riqueza dos elementos que constituem o ofício. Com a publicação desse material o Iphan prossegue com o trabalho de ampla divulgação dos bens culturais registrados como patrimônio.

O memorial integra o Pontão de Cultura criado em 2008, por meio de convênio entre o Iphan e a Associação das Baianas de Acarajé, Mingaus e Receptivos (Abam) com a finalidade de fortalecer ações de salvaguarda do ofício.

A reformulação da área expositiva do memorial embasou o registro do ofício como patrimônio cultural e em outros projetos de apoio ao artesanato associado à imagem e ao trabalho da baiana de acarajé, como os fios-de-contas, pano-da-costa e a roupa de baiana, desenvolvidos pelo CNFCP.

Bom apetite:

Foto: Jŭrαγ dε Cαsτrσ

Fontes:

Sobre o Acarajé

Patrimônio Histórico

IPHAN

Memorial da baiana do Acarajé

Fundação Pierre Verger

Os vídeos, Axé do Acarajé parte 1 e 2 foram dirigidos pelo cineasta Pola Ribeiro, encomendado pela Fundação Palmares.
O antropólogo Raul Lody, roteirista do vídeo –  Site o Jardim das Folhas Sagradas

Gilberto Freyre e construção da imagem do Homem do Nordeste

A alguns anos atrás, quando fazia a itinerãncia da Exposição “O Chão de Graciliano”  em Recife, na Fundação Joaquim Nabuco eu conheci o Museu do Homem do Nordeste e foi amor a primeira vista, um conteudo muito interessante e um Museu acolhedor, principalmente pelo carinho e da recepção das pessoas, algumas hoje amigas. E sempre que vou á cidade dou uma passada pra rever e absorver o que este homem nordestino tem pra nos ensinar.

Foto: Jefferson Duarte

São Calungas, Reis do Maracatu, Caboclos, Boiadeiros, demonstrações de fé e sincretismo religioso, santeiros do barro e da madeira, ex-votos e batuques. Um verdadeiro “Caldeirão Cultural” que se mantém vivo até os dias de hoje no Homem Nordestino. Portanto não é um Museu de coisas mortas, visitas ao passado e sim de pura e pulsante manifestação de uma cultura que se nega a morrer. Continuar lendo

O Bonde do Getulio não vai mais sair dos trilhos

O Celophane Cultural sobe, de bonde, o morro de Santa Tereza a fim de visitar um ponto turístico do Rio de Janeiro o “Bonde do Getúlio”.

Lá trabalha o artesão Getulio Damano reconhecido artista popular que recebeu uma ordem  da Prefeitura para tirar o seu inusitado Bonde Oficina das ruas. A mobilização popular, os amigos de Getulio que enviaram mails, Artistas de rua, blogueiros e o Facebook intercederam na decisão e hoje ele e seu Bonde estão devidamente seguros.

A ordem de desocupação da Prefeitura - foto Bia Hetzel

Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado

Getúlio Damado, mineiro de descendência italiana, acredita que de sua família materna de oleiros e marceneiros, herdou seu dom de artesão, escolheu o bairro de Santa Teresa para estabelecer a sua banca- oficina de conserto de panelas.

Getulio em frente ao seu Bonde/oficina - foto de Bia Hetzel

De seu posto, via passar o bonde, ladeira acima, ladeira abaixo, observando-o em câmera lenta, de frente e de costas, vazio nas horas prioritariamente domésticas, lotado pela manhã, na hora do almoço e no final da tarde. A imagem dos bondinhos amarelos com corações vermelhos, Getúlio deseja reproduzi-los.

Os bondinhos feitos de resíduos sólidos á venda - foto Sérgio Araujo Pereira

Considerando-se péssimo desenhista decide construí-lo em sucata, brinquedo ou enfeite, meio de transporte, em escala reduzida, para seus sonhos, para sua carreira artística. Entre a colocação da alça numa chaleira e o conserto do fundo de uma panela, o primeiro bonde sai rústico, algumas tentativas adiante, seus bondes passam a despertar a atenção dos moradores, e Getúlio começa a receber propostas de compra. Foi o quanto bastou para ele liberar de vez o artista que aguardava para ganhar mundo.

Os bondes de Santa Tereza são pintados de amarelo com corações vermelhos - Foto Sérgio Araujo Pereira

Com a prática, Getúlio passou a experimentar escalas maiores, mas pequenos ou grandes, são sempre feitos com aproveitamento de material que encontra pelas ruas, caixotes, sobras várias que os amigos levam até sua banca, brinquedos, objetos e guarda-chuvas quebrados, em fim, sucata. Comprados, mesmo, só tinta e pregos.Getúlio ampliou sua a produção: carros, caminhões, casinhas mobiliadas de boneca começaram a aparecer, além dos bonecos, todos batizados segundo sua inspiração ao término da confecção.

O Bonde Oficina de Getulio - foto de Sérgio Araujo Pereira

Por essas figuras, que muitas vezes coloca nos estribos dos bondes, ele tem um carinho especial, admirando-lhes a utilidade, pois usa os bonecos também como sinaleiros, idéia que lhe ocorreu por acaso. Na banca de Getúlio, encostada em uma árvore, na rua Leopoldo Fróes, uma ladeira, paralela à Almirante Alexandrino, fica seu material e instrumental de trabalho, composto tanto de ferramentas usuais, como alicate, martelo, tesoura de cortar folha-de-flandres , quanto outras, improvisadas, como um pedaço de trilho de bonde para bater ferro, uma engenhoca para funilaria, facas velhas, facões entre outras ferramentas inventadas.

A decoração do bonde com personagens feitos de sucata - Foto: SErgio Araujo Pereira

Getúlio, nos seus 50 e poucos anos orgulha-se de ter feito com amor, tudo o que lhe foi possível; e confia nos valores e padrões que ainda repassa aos filhos. Artisticamente sente-se realizado, embora em processo contínuo de aperfeiçoamento e busca de complementação de sua obra.

(Texto extraído da publicação do Museu do Folclore Edison Carneiro, ano 2000.”Veja, Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado”)

TORRES, Maria Helena (pesquisa e texto). VEJA, ilustre passageiro: bondes de Getúlio Damado. Rio de Janeiro: FUNARTE/CNFCP, 2000

Bonde que faz parte do acervo do Museu do Folclore Edson Cordeiro

Saiba mais: Eletrificação dos bondes de Santa Teresa

O bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil. Seus serviços nunca foram interrompidos, apesar de grande pressão nesse sentido ao longo de muitas décadas. A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896, sendo um dos feitos mais notáveis o aproveitamento do antigo aqueoduto colonial como via de acesso ao bairro. O aqueoduto – conhecido atualmente como “Os Arcos da Lapa” – também é responsável pela bitola especial dos bondes de S. Teresa: 1,10m.

Arqueduto de Santa Tereza ou os arcos da lapa - fonte: O Rio de Antigamente

Fonte: O Rio de antigamente

A sustentabilidade nas obras do Getulio

Falando de sustentabilidade: os bondes são feitos de material reciclável, caixas de madeira, plásticos, metais, transformando lixo em arte. Por meio do seu trabalho artístico Getulio gostaria de provocar uma melhoria no despejo de resíduos sólidos na sua comunidade e uma maior preservação aos bondes de Santa Teresa que deveriam se tornar patrimônio hsitórico.

Informações coletadas pela Associação Santa Sucata Projetos Culturais e Sócio-ambientais.

Vejam o ensaio fotográfico completo: Sergio Araújo Pereira

Vejam também as fotos de Bia Hetzel que denunciou pelo Facebook o que estava acontecendo

Assistam ao exelente Vídeo “Ordem Urbana” – Por Leonardo Holanda


Video filmado no Dia em que o Artista Getulio conseguiu a liberação para permanecer em seu bonde – Bonzolandia.

Adorável depoimento sobre o Mestre Messias. Filmagem Viviane Rangel. Reparem a devoção de getulio em São Jorge vestindo uma camiseta com a imagem do Santo Guerreiro.


Ontem dia 09 a Prefeitura enviou uma carta a Getulio avisando que ele não será mais despejado o a saga do “Bonde do Getulio” contra o “Dragão da Maldade” chega ao final. Segundo Bia Hetzel “ele está mais feliz do que quando o Brasil ganhou uam copa do mundo.”

O "Nada a opor" entregue pela prefeitura do Rio ao querido artista Getulio: Fonte Bia Hetzel

UM abraço cultural Getulio.

O agradecimento do Mestre Getulio - Foto Bia Hetzel


As panelas de Goiabeiras – Raiz da Cultura Capixaba

Com argila, elas moldam a própria sobrevivência e a cultura do Espírito Santo, perpetuando uma atividade herdada dos índios  e considerada patrimônio imaterial brasileiro. Em uma visita a Vitória tive o prazer de conhecer e adquirir este pedaço do Brasil que torna a minha cozinha mais saborosa.

O Ofício do barro

Um ofício com mais de 4 séculos, que vem passando de pai pra filho, ou melhor, de mãe pra filha, as Paneleiras de Goiabeiras – ES fazem parte da cultura capixaba e nacional. Herdado dos índios ceramistas da tribo Uma, que dizem ter aprendido a amassar e moldar a argila com o João-de-barro pássaro construtor.

O processo de manufatura de panelas de argila queimada se mantém praticamente inalterado graças ao trabalho da Associação das Paneleiras de Goiabeiras. Preocupada em preservar a tradição, a entidade criou o selo “Raiz da Cultura Capixaba” para as peças das associadas que garante a autenticidade das peças feitas de forma totalmente artesanal. A importância da atividade encabeçou a lista de bens imateriais do IPHAN sendo a primeira atividade no Livro de Registro dos Saberes em 2002.

Do barro o sustento.

A panela fabricada pelas paneleiras e suas famílias tem como matéria prima um tipo de argila com características específicas, encontrada no vale do Mulembá.. Levada para um galpão onde ela é distribuída aos associados que compram cada um á sua necessidade. Instalado próximo ao mangue o galpão é dividido por cada paneleira, onde ela tem um espaço de armazenamento, de produção e de exposição para a venda dos produtos prontos.

As mãos femininas.

Moldado por hábeis mãos, o barro é hidratado e ganhando formas arredondadas, sem a ajuda de qualquer torno. Usando apenas um pedaço de “cuité”, fruto local, que auxilia a dar a forma arredondada,  as mulheres trabalham o barro com agilidade e elegância enquanto contam seus causos e fofocas da vida alheia.

Depois da modelagem, as panelas de diferentes formas, são colocadas pra secar à sombra. Antes de secar totalmente, faz-se a raspagem com a lâmina de uma faca, sempre molhada  para corrigir as saliências e excessos.  A panela vai para o sol a fim de secar completamente e eliminar o máximo de água. Em seguida ela é polida a  seco com um seixo de rio.

O Fogo

Chega a hora da queima sobre uma “cama” de madeira (reciclada de sobras de construção civil e de pallets descartados doados por empresas), onde várias peças são acomodadas. Sob altíssima temperatura, elas vão atingindo uma coloração avermelhada. Retiradas da “cama” com o auxílio de um pegador, as pesadas peças passam pelo tingimento, feito com tintura de tanino extraída da casca de uma árvore do próprio pântano. A tinta é açoitada sobre a peça com um maço de vassourinha do campo, ou muxinga, arbusto nativo da região que, ao entrar em contato com a superfície da panela ainda incandescente fixa a cor preta tradicional das verdadeiras e autenticas panelas de Goiabeiras.

A Arte e a culinária

O ofício envolve toda a família onde o mais pesado fica para o homem, barro e queima e a arte de modelagem e venda é 90% feminina.

A tradição das paneleiras sobrevive porque o sistema de produção e as relações sociais que garantem tal tradição, permanecem inalteradas, conforme eram a 400 anos de cerâmica utilitária artesanal capixaba, com os índios.

Outro fato é que a panela de barro mantém uma ligação fundamental com a culinária do Espírito Santo, afinal não existe “moqueca” nem “torta” Capixaba, ícones da culinária local, sem panela de barro de Goiabeiras.

Além do galpão das paneleiras, em Goiabeiras também tem reza, “benzeção”, grupos de música e dança. Entre eles o Boi Estrela, a Folia de Reis de Goiabeiras Velha e uma banda de Congos que atesta a importância do utensílio para a cultura local.

Seu nome?

Panela de Barro: Deixa crioulo / Deixa sambar / Panela de Barro / Acabou de chegar.

Em panela de barro é que faz comida boa

As paneleiras garantem, e eu comprovo, que qualquer alimento pode ser preparado e servido nessa verdadeira obra-de-arte.Afinal ela mantém a receita quente por mais tempo, o sabor não é alterado por resíduos de alumínio e é mais fácil de lavar do que as panelas tradicionais.

Vários historiadores e especialistas em gastronomia nem consideram moqueca capixaba feita em outra panela a não ser a de barro. O caldo só engrossa no barro não tem jeito.

Qual a diferença entre a moqueca capixaba e a baiana?

A baiana leva leite de coco e dendê

A Capixaba, panela, urucum indígena e coentro português – uma mistura que é a cara do Brasil e o “santo” sabor do Espírito Santo.

Receita de Muqueca Capixaba


Associação das Paneleiras de Goiabeiras

Rua Leopoldo Gomes Sales, 55

Goiabeiras Velha

Vitória – ES

(27) 3327-0519

Site Paneleiras de Goiabeiras

Fontes:

Matéria:

“As Paneleiras de Goiabeiras” – Almanaque Brasil – nº 118 – Ano 10

Texto: Sandra Rossi

“Mão e Obra – Artesanato no Espírito Santo” – Renato Pacheco e Luiz Santos – SENAC – ES 2001

Fotos:

Site Fábio Canhim

Dia do Patrimônio Histórico

Dia 17 de Agosto foi uma data muito importante, pois ela nos lembra de um compromisso que todo o povo brasileiro e seus governantes, por lei e por amor á memória, devem se lembrar, hoje é dia do patrimônio histórico uma das coisas mais importantes na preservação da cultura brasileira, responsável por levar adiante, para as gerações futuras, o que somos, como somos, de onde viemos e como vamos sempre lembrar disso com orgulho, sabedoria e muito valor.

O Patrimônio é a carteira de Identidade do Brasileiro, mostra os bens materiais e imateriais, essa carteira mostra nossos diferentes rostos, formas de viver, grupos, etinias e contribuições desta sociedade em que queira ou não queira estamos inseridos. É o nosso verdadeiro tesouro.

Patrimônio, etimologicamente, significa “herança paterna”- na verdade, a riqueza comum que nós herdamos como cidadãos, e que se vai transmitindo de geração a geração.

O que é o IPHAN

Preservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo,impedindo sua destruição ou descaracterização, é o compromisso do povo brasileiro e de seus governantes através de uma importante instituição – o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A Instituição que está submetida ao ministério da Cultura obedece a um princípio normativo, que define patrimônio cultural a partir de suas formas de expressão; de seus modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. A Constituição também estabelece que cabe ao poder público, com o apoio da comunidade, a proteção, preservação e gestão do patrimônio histórico e artístico do país.

Ah Mário de Andrade tinha de estar envolvido com tudo isso!

REvista Patrimônio Histórico

A sua criação foi o fruto de debates e pesquisas envolvendo o então ministro Gustavo Capanema e sua equipe, que incluiu também o poeta Mário de Andrade, ícone da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922. Mário de Andrade, junto ao advogado Rodrigo Melo Franco de Andrade, empreendeu um ambicioso projeto, abrangendo uma série de pesquisas que causaram impacto nos meios político e intelectual, na medida em que pela primeira vez na História do Brasil, a diversidade cultural da nação era mostrada a todo o país.

A Linda Ouro Preto foi a pioneira:

Foto de um Recanto em Ouro Preto

Veja mais fotos no Flickr Celophanico: Viagem a Ouro Preto

O primeiro órgão voltado para a preservação do patrimônio, no Brasil, foi criado em 1933, como uma entidade vinculada ao Museu Histórico Nacional. Era a Inspetoria de Monumentos Nacionais (IPM) e tinha como principais finalidades impedir que objetos antigos, referentes à história nacional fossem retirados do país em virtude do comércio de antigüidades, e que as edificações monumentais fossem destruídas por conta das reformas urbanas, a pretexto de modernização das cidades.

A cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica, principal cidade do Ciclo do Ouro nas Minas Gerais,foi erigida em “monumento nacional” em 1933 e é considerada como um dos principais exemplos do patrimônio histórico nacional, além de ser declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Como tombar um bem cultural

Um processo de tombamento, apesar de tão importante, pode, no entanto, ser desencadeado por qualquer pessoa. Faz parte do exercício da cidadania a possibilidade de intervenção direta do cidadão no tombamento de bens culturais, pois estes integram a herança nacional comum.
Para iniciar um tombamento, qualquer pessoa pode escrever ao secretário de Cultura da sua cidade, ou procurar o Iphan, apresentando sua proposta, que deverá conter:

  • descrição e exata caracterização do bem em causa, com endereço( ou do local em que se encontra, se bem móvel)
  • delimitação da área que pretende seja atingida pelo tombamento, quando se tratar de conjunto urbano, sítio ou paisagem natural;
  • nome do proprietário do bem respectivo exceto quando se tratar de conjunto urbano, cidade, vila ou povoado;
  • nome completo e endereço do proponente, e menção de ser ou não proprietário do bem.

Faça a sua parte,

Lembrando sempre que o compromisso é seu, é de sua familia, da sua comunidade, do seu povo, da sua cidade, do seu governo, e de todo aquele que se diz Brasileiro, não só na hora de levantar uma bandeira verde amarela na Copa do mundo, mas no dia a dia e no que queremos pros nossos filhos.

Fontes e se interessar, saiba mais:

Wikipédia PatrimonioCultural REvista do Patrimônio

Um abraço cultural do JeffCelophane