Umbanda, mais brasileira impossivel

Umbanda

A origem de uma religião 100% brasileira.

Não tem jeito quando pensamos em um brasileiro direto imaginamos um ser misturado, são muitas influências culturais absorvidas e colocadas num caldeirão. Dia 15 de Novembro foi instituido o Dia da Umbanda, religião mais BRASILEIRA não existe. O Celophane Cultural vem trazer “um pouco” deste universo pra homenagear esta ilustre e maravilhosa mistura que representa um “tantão”  da Fé brasileira espalhada por este pais de Nosso senhor ou de Oxalá, protegido por S. Jorge, Por Cosme e Damião, banhado pelas águas de Yemanja e com as matas Cabôclas mais lindas do mundo. 


Não se pode negar que a Religião de Umbanda nasceu da mistura de diversas crenças, vindas de outras religiões. Talvez por isso a Umbanda seja a religião que recebe a todos, sem discriminações, principalmente de credo religioso, muito ao contrário do que acontece com o umbandista quando este é recebido por outras religiões, mas não vamos falar disso aqui.

Altar de umbanda Foto Klaus D. Günther
fonte: http://www.flickriver.com/photos/klausdgrio/2536911620/



O importante mesmo é termos total consciência de que a Umbanda veio da cultura afro, somada aos costumes indígenas tupiniquins, além é claro do sincretismo católico, este último uma mistura de amor e imposição. Claro que ainda existem influências orientais, cardecistas, místicas, uma verdadeira miscelânea de culturas.

A mais forte destas influências é do Candomblé, pois apesar de a Umbanda ter nascido a pouco mais de 100 anos (primeiro registro oficial), sua raiz africada é milenar, os pés são fincados no solo povoado por milhares de negros que pra cá vieram.

Yaôs na África – Pierre Verger

Pai Zélio Fernandino de Moraes foi quem registrou em cartório a primeira tenda Umbandista em 1908, sua casa, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, não tocava atabaques, mas estes instrumentos do Candomblé foram incorporados a religião e hoje é difícil encontrar terreiro de Umbanda que não os possua em seus rituais. De onde veio isso?

Foto e texto: Zélio Fernandino de Moraes:
http://www.falandodeaxe.com/entrevistados-da-revista/zelio-fernandino-de-moraes-saudoso-/
“Falta uma flor nesta mesa; vou buscá-la”. E, apesar da advertência de que não me poderia afastar, levantei-me, fui ao jardim e voltei com uma flor que coloquei no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciado os trabalhos, verifiquei que os espíritos que se apresentavam aos videntes como índios e pretos, eram convidados a se afastar. Foi então que, impelido por uma força estranha, levantei-me outra vez e perguntei porque não se podiam manifestar esses espíritos que, embora de aspecto humilde, eram trabalhadores.

Com certeza, esta influência veio de nossos queridos Pretos Velhos, entidades que se manifestam na Umbanda e que foram em vida, escravos de tempos antigos em nosso País.

Preto velho – http://felliperocha.wordpress.com/2010/03/20/pretos-velhos-humildade-e-sabedoria/
Pretos-velhos são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos “seus filhos”. São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria geralmente ligados à Confraria da Estrela Azulada dentro da Doutrina Umbandista do Tríplice Caminho (AUMBANDHAM – alegria e pureza + fortaleza e atividade + sabedoria e humildade)

Estes negros escravos, trazidos da África eram adeptos do Candomblé, de diversas nações diferentes, e a Umbanda, ainda sem um código específico e singular, administra seus templos individualmente através das orientações de seus guias patronos, ou seja, quem determina certos fundamentos em uma casa de umbanda é o guia espiritual chefe desta casa, daí a forte influencia dos rituais de nação trazidos por nossos queridos Pretos Velhos.

Outra prova desta forte influencia e que também explica a entrada da cultura européia através da romana religião Católica, é o sincretismo dos Orixás (que vieram da África) com os santos católicos. Isso acontece simplesmente porque nossos antepassados negros, enquanto escravos, não podiam adorar Orixás e portanto adoravam santos católicos para não contrariar seus senhores, mas na verdade, quando um negro rezava para São Gerônimo por exemplo, estava em seu íntimo louvando a Xangô.

São Jerônimo – Caravaggio – Sincretizado com Xangô.

A religião de Pai Zélio, que completou 100 anos em 2008 é uma mistura de crenças, ainda em formação, e tomara que continue assim, pois a evolução humana não deve parar nunca, nunca devemos dizer que já sabemos de tudo e que isso é assim e assado. Tomara que a Umbanda continue evoluindo ainda mais e continue acima de tudo, uma religião eclética, sem preconceitos.

“Foto: Pomba-gira – Laroiê Exu: o Rito de Curiação do Orixá. Terreiro Ilê Axé Xango Agodô – João Pessoa/PB. Por Frido Claudino”

A caridade é o principal fundamento.

A ritualística de Umbanda é bastante vasta, vem sendo passada de pai para filho dentro da religião mas principalmente, vem sendo moldada pela orientação de nossos mentores espirituais, mas o principal objetivo é sem dúvida a caridade através dos atendimentos realizados por estes mesmos mentores.

Cabôclo influência Indígena misturado á Oxóssi caçador sincretizado com São Sebastião.
http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/oxossi-te-deixara-objetivo-ajudara-em-reunioes-3680027.html#axzz2CBzQwMEp

Através da incorporação mediúnica, entidades espirituais muito mais evoluidas do que nós encarnados, vem prestar uma espécie de socorro as pessoas que recorrem aos diversos centros de Umbanda espalhados pelo País.

Festa de São Jorge em Vespasiano, MG. A guarda de Marinheiro de São Jorge recebe os convidados. 25/04/2010. FOTO ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA

A forma que se realizam estes rituais difere um pouco de um templo para outro, justamente pelo fato de que cada casa possui seus fundamentos próprios, passados pelos seus mentores espirituais, mas em síntese ocorrem os mesmos preceitos.

Em cada estado brasileiro, as manifestações se misturam aos costumes do lugar: como em belem do pará:  Os marinheiros http://barracaodoze.blogspot.com.br/2011/05/umbanda-em-belem-pa.html
Outro fator interessante na Umbanda do Pará é a presença
dos”Encantados”, entidades que já passaram pelo
plano terreno e que não desencarnaram, simplesmente
“se encantaram”. Os encantados se apresentam na forma de
caboclos, boiadeiros, príncipes e princesas, ou ainda
em forma de elementos ligados à natureza. Dessa forma,
pôde-se ver nas Casas de Umbanda de Belém entidades
como Dona Mariana, Seu Zé Raimundo, Marinheiro Fernando, entre outras entidades de muita força e muita luz.

O Terreiro é dividido em duas partes, o congá onde ficam os médiuns que irão trabalhar incorporados juntamente com os que irão auxiliar como cambonos e a assistência, onde se acomodam as pessoas que vem em busca deste atendimento.

A ritualística de abertura de uma Gira de Umbanda basicamente é composta de danças para os Orixás, cantos de melodias chamadas por nós de pontos cantados, defumações com ervas especiais e orações, inclusive as orações cristãs, como o Pai Nosso e a Ave Maria.

A Mitica figura do “Boiadeiro do Sertão” é representada por uma entidade:
Capa do CD – Umanda força e magia do Boiadeiro.
http://acervoayom.blogspot.com.br/2009/05/umbanda-forca-e-magia-boiadeiro.html

Ou seja, dentro da ritualística umbandista também se vê com clareza a mistura que compõem esta maravilhosa religião. Os atabaques e outros instrumentos comuns nos cultos aos Orixás se somam a práticas mais familiares aos cultos católicos, mas o culto aos Orixás sempre predomina, em muitos casos o Padê para o Orixá Exú, precede todas as giras, e isso é fundamento herdado do Candomblé que tem efeito prático no resultado das seções.

Este Padê consiste em cantar pontos para Exú e em seguida levar uma oferenda (ebó) até a canjira, que é o assentamento do Orixá na casa e fica do lado de fora do terreiro. Na prática, este ritual é um pedido para que Exú cuide da porteira e evite assim intromissões de espíritos menos evoluídos no trabalho, o chamado “descarrego”.

Após estas louvações, rezas e pedidos, se chama em terra a entidade chefe do terreiro que irá incorporar no Zelador de Santo, o dirigente do terreiro, para tanto são entoadas cantigas especiais e próprias da entidade que virá trabalhar neste dia.

Juremeiro: http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475It008
Jurema sagrada como tradição “mágica” religiosa, ainda é um assunto pouco estudado. É uma tradição nordestina que se iniciou com o uso desta planta pelos indígenas da região norte e nordeste do Brasil, mas que, atualmente possui influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria européia até a pajelança, xamanismo indígena, passando pelas religiões africanas, pelo catolicismo popular, e até mesmo pelo esoterismo moderno, psicoterapia psicodélica e pelo cristianismo esotérico. No contexto do sincretismo brasileiro afro-ameríndio, a presença ou não da jurema como elemento sagrado do culto vem estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó.
Índice

O guia chefe, depois de realizar os rituais de segurança da Gira, chama os médiuns já desenvolvidos que irão formar uma roda no centro do terreiro para receberem as entidades que irão prestar o atendimento a assistência.
Este atendimento é feito individualmente, os Guias de Luz passam orientações, receitas de banhos com ervas, dão o tradicional “passe mediúnico” que é o momento onde as entidades realizam as magias que resolvem os problemas daquela pessoa assistida.
São realizados diversos rituais nesta hora, mas acima de tudo estas entidades confortam as pessoas com seu modo carinhoso e humilde.

Hoje temos várias religiões com o nome “Umbanda” (Linhas Doutrinárias) que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Alguns exemplos dessas ramificações são:

  • Umbanda tradicional – Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;
  • Umbanda Branca e/ou de Mesa – Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos – Orixás -, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
  • Omolokô – Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
  • Umbanda Traçada ou Umbandomblé – Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;
  • Umbanda Esotérica – É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: “conjunto de leis divinas”;
  • Umbanda Iniciática – É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito.

foto terreiro maranhense por: Márcio Vasconcelos

Na verdade o que buscamos é “Luz” seja ela de onde venha ou no que acreditamos. Axé

Fontes: http://www.girasdeumbanda.com.br/2010/a-umbanda.php

Batuque na cozinha sinhá num qué… samba com feijoada.

O Celophane Cultural continuando em rítmo de samba, vai buscar na culinária a mistura mais perfeita que existe: Samba e Feijoada.

O Artigo foi retirado da Revista Continuum

do Itaú Cultural de Janeiro de 2010

“Muito já se falou sobre o samba nas letras das canções. Que ele é branco na poesia e negro demais no coração;
que ele é pai do prazer e filho da dor; que ele é o grande poder transformador; que quem não gosta de
samba bom sujeito não é; que o samba da minha terra deixa a gente mole; que o morro foi feito de samba;
que um samba quente, harmonioso e buliçoso mexe com a gente e dá vontade de viver… Muito também já
se refletiu (e com certeza vai se refletir) sobre o samba em teses, artigos, debates.

Para dar sua contribuição ao tema, nesta edição a Continuum se concentrou em alguns dos aspectos que ajudaram a construir o imaginário do samba ao longo dos séculos”

Samba de Mesa Posta

Reportagem  por  Maria Lutterbach

Em poucas horas, o salão e a calçada do bar ficarão lotados de gente alegre dançando. Por enquanto, o barulho vem das tampas de panela e da faca ligeira sobre a tábua de carne. Quem orquestra a pequena equipe durante a feitura da feijoada no bar Você Vai se Quiser, na Praça Roosevelt, em São Paulo, é dona Maria Inês, a Tia Inês, ex-porta-bandeira da escola de samba paulistana Nenê de Vila Matilde. Com a ajuda dela, em cinco anos o caldeirão dobrou de tamanho e mais uma roda de samba se levantou em torno do prato que é preferência nacional.

Tia Inês e sua sobrinha, a cantora Graça, na cozinha do Você Vai se Quiser - foto: Revista Continuum

 

Quando a feijoada desliza do balcão pelas mesas, o bumbo soa no salão, onde a anfitriã é outra mulher da família.”Costumava sair da cozinha e correr para cantar no palco”, lembra a cantora Graça Braga, que hoje cuida só do microfone, mandando clássicos como o samba-enredo da Mangueira que rima acarajé com samba no pé. À base de muita cantoria e cerveja, a temperatura do lugar sobe e a celebração segue noite afora.

 

 

Esse clima de banquete ritmado que a Roosevelt experimenta todo sábado é ressonância de uma antiga conexão entre samba e comida. Nas senzalas, as festas de oferendas aos santos já anunciavam os primeiros passos do samba de roda, que serviria de base para outras variações do gênero – como o samba carioca. Uma das heranças das noites afro-baianas é o prazer em reunir família e amigos para saborear pratos suculentos em longas jornadas de batucada.

 

Professora dessa arte no Sudeste, a lendária Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida), nascida em 1854, se mudou jovem da Bahia para o Rio de Janeiro. Na cidade, a quituteira continuou a dar as festas pelas quais havia sofrido perseguição policial em Salvador. As noites musicais oferecidas na casa dessa filha de Oxum, na Praça Onze, no Rio, renderam o primeiro samba gravado em disco, “Pelo Telefone”, assinado por Donga e Mauro de Almeida em 1917.

 

 

 

“Baixou fariseu na jogada”

O legado de Tia Ciata contagiou as gerações seguintes e, ainda hoje, seu espírito festivo paira sobre o Rio. Não deixa de ter o dedo da mestra baiana, por exemplo, o surgimento do restaurante Zicartola, na década de 1960. Durante anos, ele foi um templo do samba, embalado pelo bom papo de Cartola e pelo tempero de Dona Zica, mitológico no Morro da Mangueira. O lugar, na Rua da Carioca, centro do Rio, começou a perder o charme ao ser invadido por uma clientela que não acompanhava a cadência dos bambas. “Baixou fariseu na jogada. Em lugar do cheirinho gostoso das cocadas no repinicado do samba quente, havia perfume francês e uísque”, escreve o jornalista João Antônio Ferreira Filho no livro Zicartola – E que Tudo Mais Vá pro Inferno! (Scipione, 1991).

Zicartola - Fonte Almanaque Brasil - Matéria: Fogão + violão x Zicartola = Renascença do Samba

 

Lá pelos lados da Portela, a comilança em volta do pandeiro sempre foi liberada para todos e continua sendo atração na escola. Palmas para as pastoras da Velha Guarda, catequizadas pela saudosa Tia Vicentina – aquela do feijão divino cantado por Paulinho da Viola. No início feita com dinheiro do bolso das sambistas, a feijoada das tias Surica, Doca, Eunice e Áurea virou instituição.

 

Tia Surica na "Feijoada da Família Portelense" Foto de Divulgação: Luis Clever

 

“Eu também fazia peixada, galinha com quiabo e rabada, mas casa cheia mesmo era com feijoada”, conta Tia Surica, que criou depois a ala Feijão da Tia Vicentina, formada pela turma da cozinha. O festim no “cafofo da Tia Surica” cresceu tanto que foi assumido pela diretoria da Portela e hoje ocupa a quadra da agremiação. A iguaria continua sendo preparada pela cantora, mas agora é servida num almoço promovido no tradicional Teatro Rival, no fim de cada mês.

Outros episódios sobre as damas da Portela aparecem no livro Batuque na Cozinha, de Alexandre Medeiros (Casa da Palavra, 2004), e no curta homônimo lançado pela diretora Anna Azevedo no mesmo ano. “O samba nasceu e cresceu no quintal dessas tias. Ali, a gente passava a noite toda cozinhando e dançando”, diz Eunice no vídeo. Do fogão de Doca, que morreu neste ano, ficou a lembrança de sua concorrida sopa de ervilha. Depois de se separar do marido, a sambista passou a ganhar a vida realizando o popular pagode da Tia Doca, onde se criaram sambistas como Zeca Pagodinho.

 

 

Cantina adentro

Longe dos morros e debaixo da garoa, Adoniran Barbosa e seus comparsas também brilharam ao combinar samba e sabor. Com lugar cativo no extinto restaurante Parreirinha, em Santa Cecília, São Paulo, o compositor, descendente de italianos, fez parte da patota que se encontrava para beber, comer e fazer samba. Não muito longe dali, em outro reduto de artistas, no bar Mutamba, ele compôs “Torresmo à Milanesa”, em 1979.

 

 

Parceria com Carlinhos Vergueiro, a letra fala sobre a refeição levada na marmita pelos operários.”Chamava-se originalmente ‘Bife à Milanesa’, mas o Adoniran falou para trocar por ‘Torresmo à Milanesa’ porque era mais triste”, afirma o biógrafo do sambista, Celso Campos Jr., autor de Adoniran – Uma Biografia (Globo, 2004).

Mesmo tendo morado pouco tempo no Bixiga, Adoniran ficou associado ao bairro italiano por músicas como “Um Samba no Bixiga”, de 1956. Com os versos “Saiu uma baita duma briga/era só pizza que avoava junto com as brachola”, ele ambientou o samba nas cantinas, até hoje frequentadas por amantes do estilo. “Aqui em São Paulo, todo mundo sai do pagode e vai para a cantina comer espaguete, pizza e continuar tomando cerveja”, diz o compositor Paquera Miranda, presidente do Samba da Vela, reunião de sambistas realizada em Santo Amaro.

 

 

Para aguentar firme as horas de cantoria e remelexo, o público do Samba da Vela se abastece com uma sopa servida em diferentes versões a cada semana. Uma das receitas é o peixe-galo, que leva camarão seco ao azeite de dendê e um toque de coentro e cebolinha verde. Fundado há nove anos, o culto musical e gastronômico agrega cantores, músicos e simpatizantes em volta da vela acesa. Quando a chama finalmente se apaga e os pés pedem descanso, o ritual continua no paladar.

 

 

Se deu fome:

Receita de Feijoada

Bom apetite e não esquece de chamar o pessoal do samba.

Gilberto Freyre e construção da imagem do Homem do Nordeste

A alguns anos atrás, quando fazia a itinerãncia da Exposição “O Chão de Graciliano”  em Recife, na Fundação Joaquim Nabuco eu conheci o Museu do Homem do Nordeste e foi amor a primeira vista, um conteudo muito interessante e um Museu acolhedor, principalmente pelo carinho e da recepção das pessoas, algumas hoje amigas. E sempre que vou á cidade dou uma passada pra rever e absorver o que este homem nordestino tem pra nos ensinar.

Foto: Jefferson Duarte

São Calungas, Reis do Maracatu, Caboclos, Boiadeiros, demonstrações de fé e sincretismo religioso, santeiros do barro e da madeira, ex-votos e batuques. Um verdadeiro “Caldeirão Cultural” que se mantém vivo até os dias de hoje no Homem Nordestino. Portanto não é um Museu de coisas mortas, visitas ao passado e sim de pura e pulsante manifestação de uma cultura que se nega a morrer. Continuar lendo

O povo Makuxi, netos de Macunaíma.

O Celophane Cultural vai até Roraima visitar um “Povo Ancestral Brasileiro” que vive, e sempre viveu, em harmonia com suas tradições e com a sua terra a  Serra Raposa do Sol,  o Povo Makuxi. Mas nem sempre foi assim, estes bravos brasileiros tiveram de lutar muito pra manter esta harmonia.

Makunaimî ou Macunaima?

A 100 anos Theodor Koch-Grünberg um pesquisador e Etinólogo Alemão fez uma expedição na região amazônica onde conheceu, se encantou e divulgou para o mundo, dentre vários povos, o Povo Makuxi. Ele relatou seus feitos sua cultura, mitos e lendas na monumental obra “Vom Roraima zum Orinoco”.

Capa do livro


Além da importância dos mitos, lendas e cantos xamânicos, coletados por Koch-Grünberg, para a antropologia, sua obra também causou impactos na literatura. Os mitos transcritos pelo etnólogo alemão foram fartamente utilizados por Mário de Andrade na composição de Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), um marco do modernismo brasileiro. Muitos dos episódios protagonizados por Makunaíma, os irmãos mais velhos Ma’nápe e Zigé, pelo primeiro xamã Piaimã, pelo trapaceiro Kalawunség, pelo destemido Kone’wó e pela segunda cabeça do urubu-rei Etetó foram transpostos, por Mário de Andrade, literalmente, das narrativas Pemon registradas por Koch-Grünberg.

A etnografia da fala seria o principal propósito de Mário de Andrade em Macunaíma. “A sua rapsódia macunaímica é uma composição, como ele mesmo definiu, de incidentes expressos em locuções, fórmulas sintáticas, processos de pontuação oral e modismos característicos da fala no Brasil”. Também nesse sentido as obras de Koch-Grünberg e Mário de Andrade se encontram.

Koch-grumberg e Mayuluaypu narrando mitos - dominio público

Koch-Grunberg usou em suas expedições tecnologias inovadoras para a época, fotografando, gravando sons e filmando. Foram gravadas músicas dos índios Makuxi, Taurepang, Tukano, Desana e Yekuana. A análise das músicas e instrumentos musicais recolhidos eram feitas pelo musicólogo Erich Moritz von Hornbostel que publicou estudos detalhados do material recolhido no volume 3 de Vom Roroima zum Orinoco.

Crianças do povo Macuxi - foto: Koch Grumberg


“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma…” –

Sesc Araraquara reconstitui o nascimento da obra de Mário de Andrade:

Reprodução do quadro "Macunaima" de Aldemir Martins que fazia parte da Exposição: "Na Terra de Macunaima"


A exposição Na Terra de Macunaíma, realizada pelo Sesc Araraquara com material do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da USP, mostrou o nascimento da obra-marco da literatura modernista, Macunaíma – o Herói sem Nenhum Caráter, de 1928, escrita por Mário de Andrade. A partir do cenário em que ela foi produzida, a Chácara de Sapucaia, em Araraquara – doada à Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) –, da seleção do material do IEB e da Biblioteca Pública, cartas de Mário de Andrade enviadas a intelectuais brasileiros – como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira e o folclorista Luís da Câmara Cascudo –, e de registros das pesquisas feitas pelo escritor sobre lendas brasileiras, o evento buscou reproduzir o ambiente que originou Macunaíma. Nas vitrines o exemplar de “Vom Roraima zum Orinoco” estava em destaque como a principal obra de pesquisa.

Foto da Exposição em Araraquara - SP - Foto: Jefferson Duarte

A Curadoria foi de Curadoria: Audálio Dantas e Fernando Granato
Cenografia: Jefferson Duarte e Yara Candotti
Produção e montagem: Candotti Cenografia

A TI (Terra Indigena) Raposa do SOL

A Raposa foi identificada em 1993 pela FUNAI. Demarcada durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, foi homologada em 2005 pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva É formada por imensas planícies, semelhantes às das regiões de cerrado, e por cadeias de montanhas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

Festa da Homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Rogelio Casado

Nos limites da TI encontram-se o Monte Roraima, ponto culminante do Estado, origem de seu nome e uma das montanhas mais altas do Brasil, e o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo norte do país. Na área vivem cerca de 20 mil índios, a maioria deles da etnia macuxi.


 

Documentário inédito mostra a história, a luta, a vitória, os mitos do netos de Makunaimî

O documentário A Vitória dos Netos de Makunaimî narra a história de povos indígenas, entre eles o Macuxi, que habitam a região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Monte Roraima – RR, tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Francesa. No roteiro, a luta pela posse de terras; a importância de ter uma identidade; as lendas sobre Makunaimî, um mito indígena que inspirou o escritor Mário de Andrade.

Os Makuxi, netos de Makunaimî - Foto Divulgação

Produzido pelo Sesc SP, com direção de Marina Marcela Herrero e Ulysses Fernandes, “o documentário mostra os índios como protagonistas de sua própria história e resgata culturalmente essa história que sempre lhes foram negada”, explica Marina. A diretora ainda ressalta a importância dessa produção para o povo indígena. “Os índios não mantêm a tradição da escrita e ter um registro audiovisual é um patrimônio para eles”.

Os Makuxi e ao fundo a serra - foto: Clayton de Souza/AE

Marina conta que a ideia de produzir o documentário surgiu na época da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Supremo Tribunal Federal. “Das muitas notícias que saíram sobre a posse da terra, as falas eram de generais, indigenistas, antropólogos, políticos, funcionários da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), entre outros. Faltava dar voz aos índios”, esclarece. A produção do documentário aconteceu depois da homologação da terra e do término no conflito.

Os Makuxi em Brasilia aguardando a decisão de homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Michael Melo

“A Vitória dos Netos de Makunaimî” registra a vida na Maturuca, uma aldeia onde, há 34 anos, os índios assumiram o compromisso de lutar pela sua terra.  Divido em três blocos, o documentário relata, no primeiro, o contato dos índios com o não índio; e a luta pela terra, que durou três décadas até a homologação. Mostra um malocão onde os povos indígenas de Roraima se reúnem para discutir e resolver problemas; as feiras que os índios promovem para troca de produtos; e a festa da vitória, comemorando a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, reunindo diversas aldeias com muita dança, canto e comida.

Outro tema é Makunaimî – uma figura tida como sagrada pelos indígenas, que se consideram netos e filhos desse personagem – e revela lendas em torno desse mito.

"O Nascimento de Macunaima - Carybé

Segundo essas fábulas, Makunaimî possuía poderes, como o de criar rios e lagos.  Também são contemplados neste bloco os desenhos deixados pelo mito em pedras por onde passava e as crenças que são transmitidas de pai para filho sobre essas pedras.

Banda Caxiri na Cuia

A miscigenação com migrantes nordestinos na época da Borracha levou para a região Amazônica a forte cultura musicalNordestina, criando o chamado forró indígena que ajudou muito a divulgar a causa indígena nas capitais e na mídia.

O forró indígena, mescla ritmos como forró, xote, baião, frevo e maracatu. Os índios levam a realidade que vivem para as letras das músicas, uma forma de se comunicar com os não índios.

Desta mistura nasceu o Caxiri na Cuia um grupo de forró indígena 100% Makuxi.

O produtor musical Marcos Wesley produziu CD Caxiri na Cuia, o Forró da Maloca, que ganhou o Prêmio Culturas Indígenas 2006 – promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura – SID/Minc, em parceria com a Associação Guarani Tenonde Porã e o Sesc SP.

Encontro da Diversidade Cultural

Publicação, que vem em uma edição trilingue, traz 30 mitos do povo nas línguas makuxi, português e inglês é lançado em Roraima

A Igreja de Roraima (RR), comprometida há décadas com a causa indígena, dá agora mais um passo significativo no trabalho de revitalização das línguas indígenas com o lançamento do livro “Onças, Antas e Raposas”, do padre canadense radicado no Brasil, Ronaldo Mac Donnell.

Macuxi confeccionando cestaria na Maloca do Congresso. Foto: Vincent Carelli, 1986.

O livro é uma edição trilingue – em Makuxi, Português e Inglês, de 30 mitos do povo Makuxi coletados pelo monge beneditino dom Alcuino Meyer, entre os anos 1926 e 1948. Esses mitos encontravam-se no acervo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, e foram pesquisados pelo organizador da obra, padre Ronaldo Mac Donnell, missionário do Instituto Scarboro, doutor em linguística e assessor linguístico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Regional Norte1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima).

A revitalização das línguas indígenas faz parte da orientação de valorizar as culturas autóctones (da região) e avançar a causa de uma evangelização inculturada.

Ipaty: O Curumim da SElva

O  livro de Ely Macuxi, descendente do povo indígena Macuxi, narra as aventuras do curumim Ipaty, uma série de episódios típicos do cotidiano daquela região serrana, entre o cerrado e a floresta, às margens das àguas transparentes e refrescantes.

Ilustração do Livro "Ipaty - O Curumim da Selva" - Mauricio Negro

Onde é tão quente no verão que, segundo o autor, as aves voam só com uma asa enquanto se abanam com a outra!

Fontes:

Blog da Tereza Surita: História: os estudos de Koch-Grunberg na Amazônia

Com Ciência – SBPC | Labor – Do Roraima ao Orinoco

Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi – Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg

Sesc TV – A Vitória dos Netos de makunaimî

Blog Aurora de Cinema: Povos indígenas de Roraima no SESC TV

CIMI – Lançamento do LIvro

Ilustrações: Mauricio Negro.Ipaty o Curumim da Selva

Flickr de Michael Melo – Raposa Serra do Sol

Uma “Casa Grande” cheia de Cultura, Memória e Educação.

O Celophane Cultural vai a Nova OLinda conhecer uma Casa Grande, grande devido ao seu valor cultural, social e de preservação da Memória de um povo.

Logo da Fundação - foto: AUGUSTO PESSOA


A Casa Grande da Fazenda Tapera, no Sertão do Cariri, é uma escola de gestão cultural, hoje  Fundação Casa Grande é sem dúvida uma das ações culturais mais transformadoras de nosso país. Não é por acaso, que é POnto de Cultura e várias vezes premiada no Brasil e no exterior. Ordem do Mérito Cultural e medalhas de Mérito de vários estados brasileiros. Também, Chindren’s World, Unicef, Fellow, entre tantas.

A famosa fachada azul simbolo da fundação - Foto Divulgação

Praça central da fundação - Foto Jefferson Duarte

Possui programas voltados para memória, artes, comunicação e turismo. Conta com laboratório de conteúdos com gibis, CDs, DVDs, informática. Laboratório de produções com rádio, TV, teatro e editora; pesquisa arqueológica, lendas e mitos do Araripe e um Memorial do Homem Kariri.

Além do trabalho com os meninos a Fundação é muito presente no dia a dia da pequena Nova OLinda

A fundação é um lugar maravilhoso de se estar, vivo, pulsante e alegre - foto: AUGUSTO PESSO

Os Produtos embalados prontos para o Mercado

São palestras, espetáculos, cursos e até consultoria. Tudo num círculo virtuoso que vai e volta sempre para a gente cearense de Nova Olinda. Mas, vale ressaltar, com impactos profundos com o seu exemplo e resultados para toda nossa cultura popular.

O caldeirão Cultural chamado Cariri:

O Cariri é localizado na Chapada do Araripe delimitada geograficamente por três estados: Ceará, Pernambuco e Piauí. Conhecido como terra do Padre Cícero, é um oásis no centro do seco sertão nordestino, lugar que foi habitat de populações humanas desde a pré-história, herdando dos seus primeiros habitantes, os índios Kariri, o seu nome regional, de quem herdou também a herança em patrimônio material e imaterial. A região é fortemente marcada pela presença de mitos, lendas, rituais, festas, religiosidade, música, danças, grutas com expressões gráficas rupestres, santuários entre outras formas de riqueza e patrimônio cultural.

Pioneiro da conquista do sertão do Ceará, o Cariri foi colonizado por baianos da Casa da Torre de Garcia D’Avila que ocuparam as terras indígenas com a pecuária que ali introduziu a civilização do couro no final do século XVII.

Expedição Caminhos da Chapada

A Casa Grande tem origem no Ciclo do Couro entre os séculos XVII e XVIII no nordeste brasileiro. Na década de 70, a Casa Grande foi abandonada e se transformou em ruínas. Em 1983 Alemberg Quindins e sua esposa Rosiane Limaverde, iniciaram uma pesquisa de campo coletando lendas regionais para comporem músicas que resgatassem a pré-história do homem Kariri. Em suas andanças pelo sertão, além de várias lendas, foram desvendando todo um acervo arqueológico.

EXpedito Seleiro - um dos mais famosos artitas do couro de Nova Olinda - seus trajes já foram utilizados em várias séries de TV e no cinema foto: Tereza Raquel

Em 1992 resolveram restaurar a velha casa grande da Fazenda Tapera, para dentro, funcionar o Memorial do Homem Kariri. A casa foi tombada como patrimônio histórico municipal e foi criada a Fundação Casa Grande.

A pré-história foi relacionada com a vida dos moradores, orientando-os na preservação, e surgiu a idéia de deixar que as crianças escrevessem as legendas, a fim de que a exposição ficasse mais inteligível para todos. Mas a Casa era muito grande e havia espaço para mais atividades.

E as necessidades eram maiores ainda. Os jovens queriam produzir música. Foi montada uma banda – uma não, algumas. Faltava cinema, montaram uma videoteca. Faltavam livros, montaram uma biblioteca. Faltava teatro, construíram um teatro. Tudo muito simples e utilizando apenas os recursos de que dispunham, mas feito com muito esmero (como na música de Vinicius) e com tudo que um bom centro cultural precisa: cenotecnia, equipamento de iluminação, som, bancos na platéia, área de descanso. Com um museu de qualidade próximo de casa, bandas de música, oferta de filmes que não passam na TV, livros que dificilmente chegariam ao vale e teatro, os moradores quiseram mais. Emissora de rádio, internet, TV local.

foto da antigaCasa Grande da fazenda Tepara - reprodução

Nas paredes da casa a Memória de seus moradores ainda permanece com fotos flores e altares como se eles abençoassem esta iniciativa tão importante para NOva Olinda.

Altar no interior da casa, tradição nordestina - com as fotos da familia que viveu ali protege a Fundação Casa Grande - Foto: Jefferson Duarte

Cada cômodo da casa tem o nome de um dos moradores, uma forma de respeito a quem viveu ali e de alguma forma abençoa a existencia da Fundação - Foto: Jefferson Duarte

Hoje a Fundação Casa Grande trouxe o Cariri para o mapa maior da nossa Cultura com C maiúsculo, respeitando suas tradições, respeitando seu povo e oferecendo a cultura como meio e fim de um trabalho que inova e resgata o melhor do Brasil.

Logo do Memorial do Homem Kariri - foto: AUGUSTO PESSOA

Algumas das ações reconhecidas e premiadas:

A banda: Os Cabinha

Eles têm entre 9 e 11 anos, e estão em turnê. Os Cabinha é a terceira geração da banda de lata da Fundação Casa Grande, que toca com seus instrumentos de brinquedo, construídos por eles mesmos.

No show, o repertório é de rock, ou melhor, uma sátira a ele. Eles brincam com o “mundo rock” adulto, imaginando que estão tocando, enquanto a platéia acredita que está ouvindo. A postura é ainda de menino de interior, ou cabinha, como chamam os pequenos “Caba” (referência a homem) no sertão do Cariri.

Ao longo dos anos, os meninos da bandinha, que tem tradição de iniciação musical, se apresentaram ao lado de nomes como Lobão e Arnaldo Antunes, além da participação no espetáculo Mãe Gentil, de Ivaldo Bertazzo, com Zeca Baleiro. Também foram personagens do documentário Música do Brasil, de Belisário Franca.

Em abril de 2008 essa nova geração, formada por Arthur, Iêdo, Momô, Renê e Rodrigo se apresentou no palco do Itaú Cultural, em São Paulo. Selecionados pelo projeto Rumos, foram as únicas crianças a participar do projeto. Considerada uma das melhores formações, eles puderam contar com a tecnologia do estúdio da Fundação para gravarem seu primeiro cd, em que cuidam de todas as etapas: da composição das músicas à gravação em si.

Banda já conhecida internacionalmente "os Cabinha" - Foto: João Paulo Maropo

Com suas guitarras e baixos feitos de madeira, acompanhadas de percussão e bateria compostas de latas, Os Cabinha, como bem identificou o músico Maurício Pereira, deseletrificou o rock, tantos anos depois do rock ter eletrificado a guitarra.

Preservação:

A Fundação Casa Grande vem desenvolvendo uma proposta de educação patrimonial unindo educação e pesquisa através de um dinâmico e sistemático programa de formação, trabalhando para a identificação dos bens culturais de natureza material e imaterial, os sítios arqueológicos e mitológicos do Cariri com objetivo de manutenção de um banco de dados que revela o património cultural e a evolução da ocupação humana na Chapada do Araripe em sua pré-história, servindo de instrumento para a aplicação das políticas públicas de preservação nacional.

crianças na capacitação sobre os antepassados indios kariris - Foto João Paulo Maropo

OUtra iniciativa da Fundação é a Oficina de Revitalização de Fachadas

Preservar a memória e a identidade cultural da comunidade através da restauração casas do sertão, suas fachadas e platibandas, valorizando a organização, o trabalho comunitário e a reunião: escola, pais e filhos..

Os objetivos:

– Incentivar à conservação do patrimônio histórico e material.

– Repassar técnicas de restauração.

– Resgatar valores identitários da comunidade.

– Incentivar a organização da comunidade em mutirão.

– Reunir pais, filhos, familiares e escola em prol de um objetivo comum.

– Identificar lideranças na escola e na comunidade.

– Repassar noções e conceitos de programação visual, levando em consideração as cores e a geometria de cada casa.

Ruinas que empoderam

O empoderamento social nos Pontos de Cultura deve ser entendido enquanto processo pelo qual podem acontecer transformações nas relações sociais, culturais, econômicas e de poder. Ao concentrar sua atuação nos grupos historicamente alijados das políticas públicas, o Ponto de Cultura potencializa iniciativas já em andamento, criando condições para um desenvolvimento econômico alternativo e autônomo, de modo a garantir sustentabilidade na produção sociocultural das comunidades.

inscrições encravadas no vale ponto de partida para a criação do memorial - foto: AUGUSTO PESSOA

Isto é empoderamento.

E empoderamento pela força das idéias e pelo protagonismo da juventude.

Alemberg e sua esposa, arqueóloga, nem moram mais na cidade (se bem que sempre estão por perto), mas o Ponto de Cultura Casa Grande está cada vez mais forte. Com o tempo a notícia se espalhou e vieram os turistas: 3 mil por mês. Visitam as pinturas rupestres, as cachoeiras, a cultura do sertão e, principalmente, a experiência da Casa Grande.

Uma nova economia surge em Nova Olinda. Era preciso abrigar os turistas, criaram-se hospedarias familiares. O artesanato de couro revigorou-se, alguns adultos voltaram e houve mais renda para a cidade – bem distribuída, porque é repartida entre muitas famílias. E a casa malassombrada foi fazendo com que os moradores gostassem mais de si e de sua cidade, encontrando o seu lugar no mundo, cujo centro estava ali mesmo.

Como contactar e saiba mais:

www.fundacaocasagrande.org.br

Rua Ratisbona Nº 564 – Crato – CE

CEP: 63140-000

Fone/Fax (88) 3521-8133

E-mail: contato@fundacaocasagrande.org.br

SEDE

Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri

AV. Jeremias pereira Nº 444 – Nova Olinda – CE

CEP: 63165-000

Fone/Fax (88) 3546-1333

Fontes:

REvista Raiz

RUÍNAS QUE EMPODERAM. . – POR CÉLIO TURINO

Matéria sobre expedito Seleiro – O artista do couro

Fotos que fiz em minha visita á Fundação Flickr Celophanico