Salve O Barco de Iemanjá Rainha de Copacabana

Nossa Srª dos Navegantes. Salve Iemanjá. Odoyá Iemanjá

Mais um fim de ano chegou e, com ele, a festa religiosa tão tradicional para fiéis de vários segmentos: Os Umbandistas e simpatizantes  realizam todos os anos o  o Barco de Iemanjá. um presente à Rainha do Mar, na Praia de Copacabana. Esta ano o barco sai com um pedido especial dos povos de terreiros um basta  à Intolerância Religiosa um pedido de Paz e respeito.

Uemanja - Foto: Dora Araujo

“O Barco de Iemanjá é uma tradição não só para umbandistas. Pessoas de várias religiões me perguntam sobre os preparativos durante todo o ano e costumam parabenizar pela beleza de todos os festejos. É um trabalho que fazemos com muita dedicação e esperamos sempre levar paz, equilíbrio e muito amor a todos, pois são princípios fundamentais da Umbanda”, declara  a presidente da Ceub, Fátima Damas.

Devoto - foto: Roberto Tumminelli

Com a chegada da imagem do orixá mais popular do Brasil a Copacabana, sacerdotes de diversas religiões declaram seus respeitos com o segmento umbandista e por que da participação na festa.

“Iemanjá também é sagrada para o Candomblé e, apesar de reverenciarmos de formas diferentes, é importante mostrarmos união com os umbandistas. O Barco de Iemanjá é acompanhado por milhares de pessoas todos os anos, faz parte da cultura brasileira.”, ressalta o babalawo e interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos.

“O cristão católico, desde o Concílio Vaticano II, é convocado, a partir da fé em Jesus Cristo, a conhecer, valorizar e afirmar os valores positivos das diversas tradições religiosas. Nessa perspectiva, encontramos em cada barco ofertado tesouros imateriais da fé, de afirmação ecológica e de diálogo sincero”, ressalta padre Gegê, da Paróquia Santa Bernadete.

Para a diretora de Diálogo Inter-religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Diane Kupermam, a participação compõe a força do trabalho pela paz entre as religiões e também se faz importante por celebrar uma entidade feminina. “Participar do Barco de Iemanjá representa, antes de mais nada, o profundo engajamento no diálogo inter-religioso que requer participação respeitosa nas celebrações religiosas de outros credos. No meu caso particular, como ativista de movimentos feministas que lutou em prol da igualdade de gêneros, e como judia liberal, que conquistou o direito de participação nos cultos e rituais judaicos antes exclusivamente masculinos, significa ainda tomar parte de uma festividade que celebra uma entidade feminina.

Iemanjá representa a maternidade, a compaixão, o amor e o perdão, mas encarna, também, o poder sobre as forças da natureza e a capacidade de domar todas as paixões.

A Iemanja do Mercadão de Madureira

Durante todo o mês de dezembro, as lojas de artigos religiosos do Mercadão de Madureira envolvidas na Festa, mantêm um barco de 1 metro de cumprimento enfeitado para Iemanjá onde os clientes e visitantes colocam pedidos e oferendas para esse Orixá.

Iemanja no Mercadão de Madureira recebendo os pedidos - Foto: Jefferson Duarte

A imagem de Iemanjá de 1,80 mt que será levada em cortejo de Madureira até a praia de Copacabana no dia 29 fica sendo exibida ao longo do mês de dezembro nos corredores do Mercadão.

No dia 29, a partir das 12 hs tem início à Festa de Iemanjá propriamente dita, com a concentração do público em frente ao Mercadão, sendo iniciados os cânticos e os toques para iemanjá e os outros orixás, realizados por Zeladores (as) de Santo e Ogans especialmente convidados pela organização do evento.

Fiéis e devotos nos corredores do Mercadão de Madureira - Foto Luiz Alberto Medeiros

Às 14 hs tem início a retirada das lojas dos barcos com as oferendas e pedidos a iemanjá, que são levadas por adeptos da religião até o caminhão especialmente preparado para levá-los até a praia de Copacabana, onde serão lançados ao mar. Essa retirada é conduzida pelos Filhos de Ghandi que, em cortejo pelos corredores do Mecadão entoam cânticos aos Orixás.

Imagem de Iemanja pronta para o cortejo até Copacabana - Foto: Luis Alberto Mediros - Site do Mercadão de Madeureira

As ambulâncias, ônibus e carros enfileirados acompanham o cortejo liderado pelo caminhão que é comboiado por batedores da Guarda Municipal e por veículos da Polícia Militar e da CET Rio.

O Comboio chega a Copacabana em frente à rua Constante Ramos, para a realização dos festejos.

No auge da festa, as areias de Copacabana ficam forradas de branco e Azul os barcos são ofertados ao mar com pedidos, presentes e muitas flores e colocados nos barcos dos pescadores que os levam para entregar à Rainha  em local longe da Costa.

O barco de Madureira chega a Copacabana Foto: Luiz Alberto Medeiros

Após o terminos dos canticos são lançados ao ar pombos brancos simbolizando a paz entre os homens e entre todas as religiões do planeta.

Iemanja Basileira

Em quase todo a costa Brasileira,Iemanja é saudada e festejada em várias épocase de diversas formas, na música, na fotografia, nas artes.

DEtalhe da Obra "O Cortejo" de Nelson Leirner

Ela é  o símbolo feminino por excelência, com toda sua complexidade e suas contradições.

Compartilhar da festa de Iemanjá  é reafirmar nosso compromisso comum – judeus, cristãos, muçulmanos, candomblecistas, umbandistas, kardecistas, ateus, e tantos outros – na construção de um mundo melhor, sem preconceitos, em que cada ser humano poderá exercer sua crença em liberdade.

Iemanja na Bahia - Foto: Pierre Verger

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
“Dois de fevereiro” – Dorival Caymmi
Odoyá Yemanjá!!!

Obra do artista: João Makray

Iemanja de Menote Cordeiro

Yemonja de Carybé do grande Mural dos Orixás em Cedro - Bahia

Yemanja - Xilogravura de J Borges

 

Yemaya- foto de Shakti Womyn

Fontes:

O Barco de Iemanjá volta a encantar Copacabana – JB

Festa de Iemanja do Mercadão de Madureira

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Divididas em dois grupos: azul e encarnado, as pastoras cantam o “Natal” profano brasileiro

AUTO DA LAPINHA

O Brasil não tem a sua festa de Natal, copiamos. os pinheiros, o Noel, a neve  e os presépios. No Brasil  recriamos e adaptamos o Presépio por “lapinha” ou “Pastoril” uma tradição profana que ainda se encontra muito viva particularmente no Nordeste do Brasil.

Auto de Natal promovido por Mazé e Penha Luna, no Bairro Muriti, no município do Crato.

Câmara Cascudo ressalta, em seu Dicionário do folclore brasileiro, que, por tradição, a Sagrada Família se recolheu a uma caverna (uma lapa ou gruta), tendo lá nascido o Menino Jesus. Vem, daí, o termo lapinha. Diz o folclorista, ainda, que a lapinha é a denominação popular do PASTORIL, com a diferença de que era representada a série de pequeninos autos, diante do PRESÉPIO, sem interferência de cenas alheias ao devocionário.

Reprodução Quadro Naif de Sérgio Pompêo - As Pastorinhas: Fé, Esperança e Caridade - GO

Por lapinha, segundo Cascudo, seria denominado o pastoril que se apresentava diante dos presépios, ou seja, o grupo de pastoras que faziam as suas louvações na noite de Natal, cantando e dançando diante do presépio, divididas por dois cordões – o azul e o encarnado, as cores votivas de Nossa Senhora e de Nosso Senhor. Em outras palavras, tratava-se de uma ação teatral de tema sacro.

Estandarte - Foto: Chico Fotógrafo

Somente por volta do século XVI, ou seja, três séculos depois de ter sido criada a simbologia do presépio, é que a dramatização da Natividade, com danças e cantos, teve o seu início. Entoada diante do presépio, a lapinha, do final do século XVIII até o princípio do século XX, exibia-se diante do presépio, cantando e dançando em igrejas ou residências particulares, divididas em cordões encarnado e azul.

O desvirtuamento da lapinha acentuou-se em 1801, quando o bispo de Olinda protestou contra as pastorinhas, pela alta percentagem de mundanidade que escurecera a transparência inocente dos doces autos antigos.

Antigamente, a lapinha era também representada por um arcabouço de ripas, onde se viam entrelaçados ramos de folhagens de pitangueira e de canela, que perfumavam o ambiente, sendo enfeitadas por rosas e cravos. Na atualidade, a lapinha é o ramo profano da representação dramática da Natividade, relacionando-se mais às iniciativas leigas, por ocasião do Natal. Neste sentido, representa mais um simples teatro popular, sem as comemorações religiosas do nascimento de Jesus.

Na Idade Média, afirmava-se que Jesus havia nascido em uma lapa (uma espécie de gruta ou caverna), a morada dos primeiros homens. Por essa razão, foram criadas as lapinhas. Estas se modificaram, segundo Câmara Cascudo, perderam a religiosidade de outrora, assimilaram costumes africanos e indígenas, tornando-se um auto profano, passando a incluir danças modernas e cantos estranhos ao auto. Hoje, ressalta o folclorista, os termos lapinha e presépio são considerados como sinônimos.

Pastoril fotos: Edmar Melo - http://www.flickr.com/photos/cantodaimagem/

A lapinha, sempre da mesma forma, erguia-se nos primeiros dias de dezembro, com alguns ramos verdes e folhudos de pitombeira, pitanga ou ficus em arco sobre a mesa cujo lastro servia de chão do presépio. Um céu azul com estrelinhas douradas e brancas, anjinhos e bandeirinhas, tudo de papel, eram os enfeites da arcada. No centro do presépio, ou manjedoura, estava a Sagrada Família cercada de Reis Magos, pastores e os animais da tradição – o burro, a vaca, a ovelha e o galo. Organizado o elenco das pastoras escolhidas entre as moças de melhores vozes e ótima figura, (A Mestra e a Contra-Mestra tinham que ser as mais bonitas), iniciavam-se os ensaios dirigidos por pessoas entendidas no ritual e nas jornadas.

Repartidas em dois grupos azul e encarnado, chamados “cordões” as pastoras ostentando vestes das referidas cores, ou pelo menos brancas com enfeites coloridos, todas portavam maracás com que marcavam o ritmo das jornadas. Os maracás não eram como os dos índios que usavam cabaços secos com pedrinhas ou sementes, mas feitos de flandres em forma de pequenos pandeiros munidos de cabos, e enfeitados das cores dos cordões, por meio de laços de fitas.

Princesas da Lapinha - Foto :Osório Garcia

O elenco era assim constituído:

Cordão encarnado: Anjo – Mestra – Camponesa – Diana – Colibri.

Cordão azul: Guia – Contra-Mestra – Libertina – Borboleta – Pastorinha.

Completa o elenco a Cigana que, como o Anjo e o Guia, pertencia a ambos os partidos e, por isso, trajavam os três em duas cores em lado azul e outro encarnado.

Formando duas alas, uma puxada pelo Anjo e outra pelo Guia, com a Cigana atrás, entre as duas, as pastoras que previamente se reúnem numa sala contígua à do presépio, entram dançando nesta última quando é anunciada cada jornada, da maneira seguinte:

Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu a nossa alegria
Nasceu o verbo humanado }
Nasceu a nossa alegria } bis
Nasceu quem por nosso amor
No mundo vem padecer
Vamos já, vamos com pressa }
O Divino Infante ver. } bis
De dezembro a vinte e quatro
Meia-noite, deu sinal
Rompe a aurora, é primavera }
Hoje é noite de natal } bis
Eu vejo o mundo tão claro
Tudo cheio de alegria
É porque hoje nasceu }
Jesus filho de Maria } bis
Bate asas, canta o galo
Quando o Salvador nasceu
Cantam os anjos nas alturas }
“Gloria in excelsis Deo” } bis
Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu o Alto Criador
Nasceu o verbo encarnado }
Nasceu nosso Redentor } bis

Maurício Furtado publicado em artigo de Ademar da Nóbrega, na Revista Brasileira de Folclore (ano 13, nº 33, maio/agosto de 1972), este Auto da Lapinha é documento de grande valor para o conhecimento e estudo dos autos de Natal.

Jangada Brasil


O Nosso “Raloin” é Caipira – 31 de Outubro dia do “SACI”

No Brasil o “Raloin” é CAIPIRA porque temos a nossa própria assombração, voce se lembra daquela figura que tem uma perna só, sacana, defensor das matas, fumador de pito, com gorrinho vermelho, ta sempre aprontando por ai, no meio do redemoinho: sim é ele mesmo, no Brasil dia 31 de Novembro, é dia do SACI.

Em Tupi Guarany – SACI quer dizer “Irriquieto”

Os Defensores

Um grande responsável por manter viva nos dias atuais da “crença” no SACI é uma  sociedade que acredita e se compromete a manter viva a imagem deste representante genuinamente Brasileiro: A Sociedade dos Observadores do Saci – SOSACI


Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo. Respeitamos os mitos dos outros, mas não queremos que eles sejam usados pela indústria cultural como predadores dos nossos. Cada vez mais, muitos brasileiros começam a compreender isso.  Uma  prova é a onda de adesões que a Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) vem recebendo de vários pontos do país. O Saci, a Iara, o Boitatá, o Curupira, o Mapinguari e muitos outros brasileiros legítimos estão aí para serem festejados, sem espírito comercial, como nossos legítimos representantes no mundo do imaginário popular e infantil.
Viva essa turma boa!

O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB – SP) e Ângela Guadagnin (PT – SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas“, ou “Halloween”, da tradição cultural dos Estados Unidos da América. Propõe-se seja celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, consta que iniciativas semelhantes já tinham sido aprovadas na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.

Lei do SACI

A SOSACI fica em São Luiz do Piraitinga e mantem uma exposição permanente noMuseu afro Brasileiro – SP com peças da sua coleção.

Estátua do Saci em exposição no Museu Afro Brasileiro - SOSACI

fotos dos Sacis expostos

Museu Afro Brasil

As várias faces do Saci?

Em seu livro Conversas ao pé do fogo, Cornélio Pires deixou-nos este retrato do endiabrado saci:

“É um molequinho deste porte… risonho e cavorteiro como ele só… Tem de uns pretinho e já hai de uns mulatinho, mestiço de saci português, que us buava truxero pro Brasir no tempo de dante. Tem uma perna só, os óios aceso, sempre reganhado airrindu, mostrano os dente, pulano, granfino e desfrangino a testa, topetudinho cumo mico… É levado da breca e gosta de brincá de vira-mundo no rodamuinho de poêra c’o vento… PRa caçar os tár é perciso fazê um laço de rosário. Moram sempre em cima dos morão das portera e nas encruziada. Cavaleiro que passá na meia-noite de sexta-feira, já sabe: o tarzinho amunta na garupa e garra a fazê cosca que dexa um vivente por nada. O gosto do saci é amuntá e judiá dos animar no pasto, galopeano e trançano a crina. O reméde é marrá um dente de áio no cedenho do cavalo. Im burro eles num munta: são tosado”.

Ilustração do saci sobre um cavalo trançando sua crina

Não há país do mundo que não tenha incorporado a seu folclore e à sua própria vida, lendas e histórias fantásticas criadas na imaginação do povo. Embora a grande maioria seja de caráter internacional, como as crenças a respeito do lobisomem, dos vampiros e fantasmas de toda ordem, há algumas que têm características tipicamente regionais, originadas que foram do modo de vida em cada lugar.

No Brasil, por exemplo, embora as lendas variem acentuadamente de região para região, em todas pode ser encontrada o que os psicólogos chamam de “busca de uma ilusão” que, segundo a voz popular, “não faz mal a ninguém”.

Assim, o negrinho do pastoreio, do Rio Grande do Sul, o uirapuru, do Amazonas, o caipora, da região do Rio Negro e Pará, o saci pererê, da região leste e o boitatá, também do sul, são alguns dos mitos brasileiros já incorporados à música e à literatura do país.

A figura do Saci a princípio surge como um ser maléfico, mas pode ser somente brincalhão ou gracioso, conforme as versões comuns no sul do Brasil. Na Região Norte, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito e o cargo de Defensor das matas se misturando á figura de Oassain. Veio da mitologia européia, o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.

Na cultura afro, a imagem de Ossain é sincretizada com o Saci, devido ao fato do Orixá ser o defensor do poder que vem das folhas.

Todos os sacis reunidos através da tradição oral

O primeiro escritor a se voltar de verdade para a figura do Saci-Pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de São Paulo com o título de “Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê“, Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor. Depois o Saci assim como seus amigos da mata viraram personagem do célebre Sítio do Pica Pau Amarelo. O Inquérito pode ser encontrado nas livrarias em sua nova edição de 2008 comemorando seus 90 anos.

Monteiro Lobato nosso defensor da fantástica tradição oral

Segundo o estudioso: Luís da Câmara Cascudo

O inquérito fora feito no estado de São Paulo. Depoimentos inúmeros evocaram o saci unípede, pretinho, com um só olho, atrapalhando todas as coisas vivas, assobiando e assombrando. Um traço característico era a carapuça vermelha que o usa o saci no cimo da cabecinha inquieta. Essa carapuça é encantada. Faz o saci ficar invisível. Todas as “forças” vêm desse barrete. Quem lho arrebatar terá direitos completos sobre o negrinho poderoso. Poderá exigir o que quiser. O saci dará riquezas, poderios, grandezas, para que lhe restituam a carapuça. O sr. Luís Fleury, de Sorocaba, prestou depoimento dessas tradições. Narrou que o saci fizera aparecer um monte de moedas de ouro para receber seu barretinho. O ouro sumiu-se porque o viajante esquecera de benzê-lo (Inquéritos, 180).

Publicado no site: Revista Jangada Brasil

O Saci vira astro da TV, Documentário e quadrinhos:

Com a transposição dos textos de Lobato para a Televisão, o Saci deixou o imaginário para ser personificado numa figura de carne e osso e sua imagem se firmou com grande alcance e simpatia do público.

Existe um documentário sobre o Saci feito por Sylvio do Amaral Rocha e Rudá K. Andrade. Somos Todos Says refaz o caminho do Inquérito de Lobato e resignifica o mito hoje. Fruto de longa pesquisa em comunidades rurais, vilas e pequenas cidades do Vale do Paraíba, Vale da Ribeira e da região de Botucatu, o filme dá voz a pessoas que dizem ter visto ou ouvido sacis. Rudá e Sylvio ficaram um ano e meio na realização do projeto, reduzindo o material recolhido para 50 minutos. A pré-estréia de “Somos todos Sacys” ocorreu no MIS, em 27 de abril de 2005. Dois dias depois, foi exibido pela Rede STV (Sesc Senac).

Somos todos Sacys – Vídeo

Ziraldo não criou apenas um personagem, mas uma turma essencialmente Brasileira a Turma do Pererê, com aventuras pra lá de fantásticas.

Como prender o “Danado”

Temido por alguns, que vêem nele uma entidade maléfica, o saci pererê tem sido através dos séculos, o motivo de alegria e zombaria para a garotada que sai à sua procura em dias de ventania.

Conta a lenda que nesses dias, quando há redemoinhos de poeira e folhas secas, o saci aparece no meio deles, dando gargalhadas e assobiando. Embora jamais alguém o tenha conseguido, afirmam os supersticiosos que, quem um dia prender o saci e colocá-lo sem o seu gorrinho dentro de uma garrafa bem fechada e com uma cruzinha na rolha, terá para sempre seus pedidos atendidos por um ente humilde e obediente. Mas, é importante que se tire o gorrinho vermelho, origem de toda a força do tal negrinho.

A forte imagem do saci será sempre eternizada por aqueles que acreditam em sua existencia.

Bom, voce acreditando ou não, o danado Saci existe, muita gente já viu, já ouviu seu assobio, já riu muito e  já sofreu com suas brincadeiras, outros o tem guardado numa garrafa. Acreditar no Saci é manter vivo dentro de si o “encantamento”, a tradição do nosso povo, a nossa cara Caipira.

Em tempos de Sustentabilidade, evocamos nosso maior representante defensor das matas  pra pra dar um baita susto naqueles que querem, de forma absurda e insensível, destruir nossas matas e o poder que vem das nossas folhas.

Salve o Saci

Saiba mais:

Manifesto do Saci – ou – Manifesto Antropofágico Revisitado –

Quer se aprofundar mais no assunto:

Bibliografia sobre o Saci

O Blog saci urbano recebe e publica fotos de Grafites com o perneta.

iva essa turma boa!

No Tabuleiro da Baiana tem Acarajé

Segundo Manuel Querino – (Santo Amaro da Purificação, 28 de julho de 1851 — Salvador, 14 de fevereiro de 1923)

Acarajé é uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira feita de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite-de-dendê. O acarajé pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá, caruru ou salada, quase todos componentes e pratos típicos da cozinha do extremo sul da Bahia.

Acarajé - foto retirada do Blog AlemdoqueseV

Manuel Raimundo Querino  foi um intelectual afro-descendente, aluno fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, pintor, escritor, lider abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos da cultura africana na Bahia.

A Bahia encerra superioridade, a excelência, a primazia, na arte culinária do país, pois que o elemento africano, com a sua condimentação requintada de exóticos adubos, alterou profundamente as iguarias portuguesas, resultando daí um produto todo nacional, saboroso, agradável ao paladar mais exigente, o que excede a justificada fama que precede a cozinha baiana.

O LIvro reeditado, com notas de Raul Lody, pela Martis Fontes

 

É de Manoel Querino o primeiro livro publicado que trata da cozinha africana no Brasil , e data do ano de 1928.

Esse livro é agora recuperado e tem sua organização e notas feitas por Raul Lody.

Esse é um tesouro da literatura, da história da Bahia, e da afrodescendência no Brasil que é reeditado, em 2011, pela WMF Martins Fontes.

Em 2011, comemora-se os 160 anos de nascimento de Querino.

 

“no início, o feijão fradinho era ralado na pedra, de 50 cm de comprimento por 23 de largura, tendo cerca de 10 cm de altura. A face plana, em vez de lisa, era ligeiramente picada por canteiro, de modo a torná-la porosa ou crespa. Um rolo de forma cilíndrica, impelido para frente e para trás, sobre a pedra, na atitude de quem mói, triturava facilmente o milho, o feijão, o arroz”. (QUERINO, 1922, p. 23)

A Origem

O acarajé dos Iorubás da África ocidental que deu origem ao conhecido brasileiro é por sua vez semelhante ao Falafel árabe inventado no Oriente Médio. Os árabes levaram essa iguaria para a África nas diversas incursões durante os séculos VII a XIX. As Favas secas e Grão de bico do Falafel foram alternados pelo feijão-fradinho na África.

Acarajé, comida ritual da orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”. Devido ao modo de preparo, o prato recebeu esse nome.

Iansã - Carybé

O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas,Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo.

Xangô - Carybé

O primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.

Exú de Carybé

O acará Oferecido ao orixá Iansã diante do seu Igba orixá é feito num tamanho de um prato de sobremesa na forma arredondada e ornado com nove ou sete camarões defumados, confirmando sua ligação com os odu odi e ossá no jogo do merindilogun, cercado de nove pequenos acarás, simbolizando “mensan orum” nove Planetas. (Orum-Aye, José Benistes).

O acará de xango tem uma forma Ovalar imitando o cágado que é seu animal preferido e cercado com seis ou doze pequenos acarás de igual formato, confirmando sua ligação com os odu Obará e êjilaxeborá.

A massa

O acarajé é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal.

Confecção da massa do Acarajé - Foto:

O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa. Quando a massa está no ponto, fica com a aparência de espuma. Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite-de-dendê ou azeite doce.

Azeite de Dendê - Foto: Blog Umbanda religião Brasileira

Normalmente usam-se duas colheres para fritar, uma colher para pegar a massa e uma colher de pau para moldar os bolinhos. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar.

Livro Dendê-símbolo e sabor da Bahia - Raul Lody

Recentemente foi lançado pela Editora SENAC o livro Dendê símbolo e Sabor da Bahia por Raul Lody

A palmeira do dendezeiro representa um importante símbolo dos povos africanos na sociedade brasileira, especialmente na formação de sistemas alimentares e em ampliado uso industrial. Esse livro reúne especialistas nas áreas da botânica, agronomia, nutrição, antropologia, além de chefes que preservam receitas tradicionais e outros que criam uma nova cozinha de identidade afro-brasileira contemporânea. Dessa forma, o objeto central dendê terá leituras interdisciplinares, proporcionando ao leitor compreensão múltipla e plural na gastronomia e na cultura.

O Acarajé da baiana

O acarajé também é um prato típico da culinária baiana e um dos principais produtos vendidos no tabuleiro da baiana (nome dado ao recipiente usado pela baiana do acarajé para expor os alimentos), que são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá.

Os ingredientes do acarajé são meio quilograma de feijão-fradinho descascado e moído, 150 g de cebola ralada, uma colher de sobremesa de sal ou a gosto e um litro de azeite-de-dendê para fritar. O recheio de camarão é feito com 4/6 xícara de azeite-de-dendê, 3 cebolas picadas, alho a gosto, 700 g de camarão defumado sem casca e cheiro-verde refogados por 10 a 15 minutos.

A forma de preparo é praticamente a mesma, a diferença está no modo de ser servido: ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado, pimenta e salada de tomates verde e vermelho com coentro.

O Oficio da Baiana do Acarajé vira patrimônio histórico

O registro do Ofício da Baiana de Acarajé reconhece todos saberes e fazeres tradicionais aplicados na produção e comercialização das chamadas comidas de baiana, feitas com dendê, com destaque para o acarajé. Desde sua origem africana, a produção e consumo das comidas das Baianas de Acarajé, ou Baianas de Tabuleiro, constituem práticas culturais reiteradas e atualizadas com a contribuição de outros grupos étnicos-culturais e profundamente enraizadas no cotidiano da população baiana.

Baiana - Foto: Pierre Fatumbi Verger

O saber reconhecido como patrimônio cultural imaterial refere-se ao ofício da baiana em Salvador que teve início com a produção do acarajé, bolo de feijão fradinho frito no azeite de dendê. A técnica de feitura do acarajé representa um modo de fazer enraizado no cotidiano dos seus produtores, seja para uso religioso, alimento sagrado oferecido às divindades nos rituais do candomblé, seja para uso profano, comercializado nas ruas pelas baianas. Segundo pesquisadores, a partir da segunda metade do século passado, as Baianas de Acarajé passaram a ser mais reconhecidas e valorizadas nacionalmente, transformaram-se em ícones da cultura soteropolitana junto a outros aspectos da cultura imaterial, como o jogo da capoeira ou as festas de largo que complementam e vivificam a atmosfera colonial ainda possível de ser evocada em Salvador

Ao mesmo tempo, passaram por uma ampla apropriação e re-significação cultural pelo mercado, que hoje apresenta riscos de descaracterização, domesticação cultural e homogeneização dessa prática. “Apresenta ainda o risco de uma limpeza de traços culturais indesejáveis pelos setores dominantes da sociedade, bem como a banalização consumista das comidas de baiana para sua aceitação como produto cultural, tal como ocorreu com o conjunto arquitetônico do Pelourinho, cuja preservação e valorização do conjunto histórico teve como conseqüência a expulsão de seus moradores, pequenos comerciantes e freqüentadores de menor poder aquisitivo, rompendo laços de sociabilidade e tradições culturais existentes e afetando sua capacidade de representar um lugar pelo de sentidos simbólicos”, informa o parecer para instituição do Ofício da Baiana de Acarajé.

Pelourinho - Foto Pierre Fatumbi Verger

O ofício das baianas é um saber tradicional enraizado no cotidiano dos soteropolitanos, profundamente vinculado aos grupos afro-brasileiros. Deve ser reconhecido não só por seu significado para a manutenção da diversidade cultural brasileira, mas pela iminência de descaracterização que hoje ameaça os ofícios tradicionais das baianas de Acarajé. O registro engloba os rituais envolvidos na produção do acarajé, na arrumação do tabuleiro e na preparação do lugar onde as baianas se instalam, além dos modos de fazer as comidas de baiana, com distinções referentes à oferta religiosa ou à venda nas ruas. Estão destacados o acarajé com seus recheios habituais, o abará, o acaçã, o bolinho de estudante, as cocadas, os bolos e mingaus; o uso de tabuleiro para venda das comidas; a comercialização informal em logradouros, feiras e festas de largo; o uso de indumentária própria das baianas, como marca distintiva de sua condição social e religiosa, presente especialmente nos panos da costa, nos turbantes, nos fios de contas e outras insígnias e, por fim, o uso do tabuleiro para venda de comidas.

Memorial da Baiana do Acarajé

Memorial da Baiana do Acarajé, é um conjunto de espaços expositivos e de documentação com a finalidade de situar a tradição, a história e demais temas agregados ao ofício, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, em 14 de janeiro de 2005, no Livro de Registro dos Saberes.

Memorial das baianas do Acarajé - Salvador - BA - foto: Lais Cavalcante

Composto por textos e fotografias, o livro reúne toda a história e a riqueza dos elementos que constituem o ofício. Com a publicação desse material o Iphan prossegue com o trabalho de ampla divulgação dos bens culturais registrados como patrimônio.

O memorial integra o Pontão de Cultura criado em 2008, por meio de convênio entre o Iphan e a Associação das Baianas de Acarajé, Mingaus e Receptivos (Abam) com a finalidade de fortalecer ações de salvaguarda do ofício.

A reformulação da área expositiva do memorial embasou o registro do ofício como patrimônio cultural e em outros projetos de apoio ao artesanato associado à imagem e ao trabalho da baiana de acarajé, como os fios-de-contas, pano-da-costa e a roupa de baiana, desenvolvidos pelo CNFCP.

Bom apetite:

Foto: Jŭrαγ dε Cαsτrσ

Fontes:

Sobre o Acarajé

Patrimônio Histórico

IPHAN

Memorial da baiana do Acarajé

Fundação Pierre Verger

Os vídeos, Axé do Acarajé parte 1 e 2 foram dirigidos pelo cineasta Pola Ribeiro, encomendado pela Fundação Palmares.
O antropólogo Raul Lody, roteirista do vídeo –  Site o Jardim das Folhas Sagradas

O povo Makuxi, netos de Macunaíma.

O Celophane Cultural vai até Roraima visitar um “Povo Ancestral Brasileiro” que vive, e sempre viveu, em harmonia com suas tradições e com a sua terra a  Serra Raposa do Sol,  o Povo Makuxi. Mas nem sempre foi assim, estes bravos brasileiros tiveram de lutar muito pra manter esta harmonia.

Makunaimî ou Macunaima?

A 100 anos Theodor Koch-Grünberg um pesquisador e Etinólogo Alemão fez uma expedição na região amazônica onde conheceu, se encantou e divulgou para o mundo, dentre vários povos, o Povo Makuxi. Ele relatou seus feitos sua cultura, mitos e lendas na monumental obra “Vom Roraima zum Orinoco”.

Capa do livro


Além da importância dos mitos, lendas e cantos xamânicos, coletados por Koch-Grünberg, para a antropologia, sua obra também causou impactos na literatura. Os mitos transcritos pelo etnólogo alemão foram fartamente utilizados por Mário de Andrade na composição de Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), um marco do modernismo brasileiro. Muitos dos episódios protagonizados por Makunaíma, os irmãos mais velhos Ma’nápe e Zigé, pelo primeiro xamã Piaimã, pelo trapaceiro Kalawunség, pelo destemido Kone’wó e pela segunda cabeça do urubu-rei Etetó foram transpostos, por Mário de Andrade, literalmente, das narrativas Pemon registradas por Koch-Grünberg.

A etnografia da fala seria o principal propósito de Mário de Andrade em Macunaíma. “A sua rapsódia macunaímica é uma composição, como ele mesmo definiu, de incidentes expressos em locuções, fórmulas sintáticas, processos de pontuação oral e modismos característicos da fala no Brasil”. Também nesse sentido as obras de Koch-Grünberg e Mário de Andrade se encontram.

Koch-grumberg e Mayuluaypu narrando mitos - dominio público

Koch-Grunberg usou em suas expedições tecnologias inovadoras para a época, fotografando, gravando sons e filmando. Foram gravadas músicas dos índios Makuxi, Taurepang, Tukano, Desana e Yekuana. A análise das músicas e instrumentos musicais recolhidos eram feitas pelo musicólogo Erich Moritz von Hornbostel que publicou estudos detalhados do material recolhido no volume 3 de Vom Roroima zum Orinoco.

Crianças do povo Macuxi - foto: Koch Grumberg


“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma…” –

Sesc Araraquara reconstitui o nascimento da obra de Mário de Andrade:

Reprodução do quadro "Macunaima" de Aldemir Martins que fazia parte da Exposição: "Na Terra de Macunaima"


A exposição Na Terra de Macunaíma, realizada pelo Sesc Araraquara com material do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da USP, mostrou o nascimento da obra-marco da literatura modernista, Macunaíma – o Herói sem Nenhum Caráter, de 1928, escrita por Mário de Andrade. A partir do cenário em que ela foi produzida, a Chácara de Sapucaia, em Araraquara – doada à Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) –, da seleção do material do IEB e da Biblioteca Pública, cartas de Mário de Andrade enviadas a intelectuais brasileiros – como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira e o folclorista Luís da Câmara Cascudo –, e de registros das pesquisas feitas pelo escritor sobre lendas brasileiras, o evento buscou reproduzir o ambiente que originou Macunaíma. Nas vitrines o exemplar de “Vom Roraima zum Orinoco” estava em destaque como a principal obra de pesquisa.

Foto da Exposição em Araraquara - SP - Foto: Jefferson Duarte

A Curadoria foi de Curadoria: Audálio Dantas e Fernando Granato
Cenografia: Jefferson Duarte e Yara Candotti
Produção e montagem: Candotti Cenografia

A TI (Terra Indigena) Raposa do SOL

A Raposa foi identificada em 1993 pela FUNAI. Demarcada durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, foi homologada em 2005 pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva É formada por imensas planícies, semelhantes às das regiões de cerrado, e por cadeias de montanhas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

Festa da Homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Rogelio Casado

Nos limites da TI encontram-se o Monte Roraima, ponto culminante do Estado, origem de seu nome e uma das montanhas mais altas do Brasil, e o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo norte do país. Na área vivem cerca de 20 mil índios, a maioria deles da etnia macuxi.


 

Documentário inédito mostra a história, a luta, a vitória, os mitos do netos de Makunaimî

O documentário A Vitória dos Netos de Makunaimî narra a história de povos indígenas, entre eles o Macuxi, que habitam a região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Monte Roraima – RR, tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Francesa. No roteiro, a luta pela posse de terras; a importância de ter uma identidade; as lendas sobre Makunaimî, um mito indígena que inspirou o escritor Mário de Andrade.

Os Makuxi, netos de Makunaimî - Foto Divulgação

Produzido pelo Sesc SP, com direção de Marina Marcela Herrero e Ulysses Fernandes, “o documentário mostra os índios como protagonistas de sua própria história e resgata culturalmente essa história que sempre lhes foram negada”, explica Marina. A diretora ainda ressalta a importância dessa produção para o povo indígena. “Os índios não mantêm a tradição da escrita e ter um registro audiovisual é um patrimônio para eles”.

Os Makuxi e ao fundo a serra - foto: Clayton de Souza/AE

Marina conta que a ideia de produzir o documentário surgiu na época da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Supremo Tribunal Federal. “Das muitas notícias que saíram sobre a posse da terra, as falas eram de generais, indigenistas, antropólogos, políticos, funcionários da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), entre outros. Faltava dar voz aos índios”, esclarece. A produção do documentário aconteceu depois da homologação da terra e do término no conflito.

Os Makuxi em Brasilia aguardando a decisão de homologação da TI Raposa do Sol - Foto: Michael Melo

“A Vitória dos Netos de Makunaimî” registra a vida na Maturuca, uma aldeia onde, há 34 anos, os índios assumiram o compromisso de lutar pela sua terra.  Divido em três blocos, o documentário relata, no primeiro, o contato dos índios com o não índio; e a luta pela terra, que durou três décadas até a homologação. Mostra um malocão onde os povos indígenas de Roraima se reúnem para discutir e resolver problemas; as feiras que os índios promovem para troca de produtos; e a festa da vitória, comemorando a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, reunindo diversas aldeias com muita dança, canto e comida.

Outro tema é Makunaimî – uma figura tida como sagrada pelos indígenas, que se consideram netos e filhos desse personagem – e revela lendas em torno desse mito.

"O Nascimento de Macunaima - Carybé

Segundo essas fábulas, Makunaimî possuía poderes, como o de criar rios e lagos.  Também são contemplados neste bloco os desenhos deixados pelo mito em pedras por onde passava e as crenças que são transmitidas de pai para filho sobre essas pedras.

Banda Caxiri na Cuia

A miscigenação com migrantes nordestinos na época da Borracha levou para a região Amazônica a forte cultura musicalNordestina, criando o chamado forró indígena que ajudou muito a divulgar a causa indígena nas capitais e na mídia.

O forró indígena, mescla ritmos como forró, xote, baião, frevo e maracatu. Os índios levam a realidade que vivem para as letras das músicas, uma forma de se comunicar com os não índios.

Desta mistura nasceu o Caxiri na Cuia um grupo de forró indígena 100% Makuxi.

O produtor musical Marcos Wesley produziu CD Caxiri na Cuia, o Forró da Maloca, que ganhou o Prêmio Culturas Indígenas 2006 – promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura – SID/Minc, em parceria com a Associação Guarani Tenonde Porã e o Sesc SP.

Encontro da Diversidade Cultural

Publicação, que vem em uma edição trilingue, traz 30 mitos do povo nas línguas makuxi, português e inglês é lançado em Roraima

A Igreja de Roraima (RR), comprometida há décadas com a causa indígena, dá agora mais um passo significativo no trabalho de revitalização das línguas indígenas com o lançamento do livro “Onças, Antas e Raposas”, do padre canadense radicado no Brasil, Ronaldo Mac Donnell.

Macuxi confeccionando cestaria na Maloca do Congresso. Foto: Vincent Carelli, 1986.

O livro é uma edição trilingue – em Makuxi, Português e Inglês, de 30 mitos do povo Makuxi coletados pelo monge beneditino dom Alcuino Meyer, entre os anos 1926 e 1948. Esses mitos encontravam-se no acervo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, e foram pesquisados pelo organizador da obra, padre Ronaldo Mac Donnell, missionário do Instituto Scarboro, doutor em linguística e assessor linguístico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do Regional Norte1 da CNBB (Norte do Amazonas e Roraima).

A revitalização das línguas indígenas faz parte da orientação de valorizar as culturas autóctones (da região) e avançar a causa de uma evangelização inculturada.

Ipaty: O Curumim da SElva

O  livro de Ely Macuxi, descendente do povo indígena Macuxi, narra as aventuras do curumim Ipaty, uma série de episódios típicos do cotidiano daquela região serrana, entre o cerrado e a floresta, às margens das àguas transparentes e refrescantes.

Ilustração do Livro "Ipaty - O Curumim da Selva" - Mauricio Negro

Onde é tão quente no verão que, segundo o autor, as aves voam só com uma asa enquanto se abanam com a outra!

Fontes:

Blog da Tereza Surita: História: os estudos de Koch-Grunberg na Amazônia

Com Ciência – SBPC | Labor – Do Roraima ao Orinoco

Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi – Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg

Sesc TV – A Vitória dos Netos de makunaimî

Blog Aurora de Cinema: Povos indígenas de Roraima no SESC TV

CIMI – Lançamento do LIvro

Ilustrações: Mauricio Negro.Ipaty o Curumim da Selva

Flickr de Michael Melo – Raposa Serra do Sol

Xilogravura, a madeira entalhada com a poesia Nordestina.

Ariano Suassuna disse sentir na gravura popular o que mais lhe agradava: o real transfigurado pelo poético, o real como mero ponto de partida, o achatamento geral da gravura pela ausência de profundidade, pela falta de tons entre o claro-escuro e pela falta de perspectiva, assim como a predominância do traço limpo, puro e forte contornando as figuras. Ele próprio é de opinião que a gravura e a literatura populares nordestinas representam um dos mais autenticamente brasileiros trabalhos de criação.

"Moça roubada" - J Borges - Galeria Brasiliana

Primeiros Traços – Em setembro de 1907, o Nordeste via surgir a gravura nos livretos de literatura popular em versos, ou simplesmente literatura de cordel. Ela ilustrava A História de Antônio Silvino, folheto editado por Francisco das Chagas Rodrigues, na Imprensa Industrial do Recife.

Em 1907 surge no Recife pela primeira vez a xilogravura no cordel. estampa de Antônio Silvino - Acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa.

No começo do século, quando o cangaço inquietava as populações do interior, surgiu um folheto de poesia da chamada literatura de cordel, contendo A greve da estrada de ferro e A história de Antônio Silvino (novas arruaças). Pelos assuntos, percebe-se que os acontecimentos narrados eram muito recentes, de acordo com a linha habitual dessa espécie de publicações, de uma atualidade quase jornalística. Portanto, é de presumir-se, com certeza, que o folheto é anterior a 1914, ano da prisão do famoso cangaceiro. Na capa, vê-se uma gravura reproduzindo a figura de Silvino em corpo inteiro, chapéu de couro, facão na cintura e nas mãos um bacamarte. Era o primeiro ponto de atração para o comprador analfabeto e até para o letrado, revelando a perspicácia do editor em utilizar como ilustração do folheto uma linguagem gráfica do próprio homem do povo, tão ao sabor da poesia.

A Origem no Mundo:

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

O entalhe da madeira

As matrizes para impressão das ilustrações são talhadas, quase sempre, na madeira da cajazeira , matéria-prima mole, fácil de ser trabalhada e abundante na região Nordeste do Brasil.

Os xilogravuristas utilizam apenas um canivete ou faca doméstica bem amolados.

“Em toscos pedaços de madeira, o artista popular nordestino construiu a mais rica e instigante expressão plástica da cultura brasileira. De pouca leitura, o artista usou a técnica milenar da xilogravura para retratar o seu mágico universo, onde anjos se misturam com demônios, beatos com cangaceiros, princesas com boiadeiros, todos envolvidos nas crenças, esperanças, lutas e desenganos da região mais pobre do país.

A aridez inclemente de todas as estações torna a paisagem sertaneja campo fértil para o fantástico. “Dentro da paisagem real, marcada por contrastes sociais, em que a maior sede é de justiça, os seres sofridos, desprezados e perseguidos encontram nos traços do gravador popular o campo para se transfigurarem em heróis e hóspedes de um mundo melhor.”

Jeová Franklin , curador da exposição: 100 anos da Xilogravura
(Xilogravura popular na literatura de cordel. Brasília: LGE, 2007)

Fontes:

O Conterrâneo – Banco do Nordeste

Exposição 100 anos da Xilogravura no cordel

O Cordel

A popularização da Xilogravura veio com a Literatura de cordel: um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou.  São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Em 2007 a Exposição “100 anos de Cordel – a história que o povo conta” com curadoria de Audálio Dantas mostrou que ao contrário do que se imagina, a literatura popular se mantém viva, e com muito vigor no Brasil, apropriando-se em alguns casos das novas tecnologias . Destaca também a presença de poetas populares nos grandes centros urbanos, onde continuam a produzir, não deixando se perder, entretanto, a cultura de origem.

Exposição 100 anos de Cordel - Curadoria de Audálio Dantas - Expografia Jefferson Duarte

Fotos: 100 ANOS DE CORDEL

SESC Pompéia – SP

Cordéis pendurados nas cordas - fonte Wikpédia

Os mestres:

Mestre Noza

O precursor da xilogravura decorativa

Inocêncio Medeiros da Costa ou Inocêncio da Costa Nick era do grupo de “santeiros do Padre Cícero”. Nascido em Pernambuco, em 1897, mudou-se para Juazeiro do Norte aos 15 anos. Foi o primeiro artista a ser publicado em álbum de gravuras populares brasileiras com a seqüência da Via Sacra, em Paris (1965) e a trabalhar por encomenda para um produtor cultural.

Página de cordel do Mestre Noza - Fonte: http://mestrenoza.blogspot.com/

Foto do Mestre Noza em seu atelier - por Mgorete

Xilogravura de Antonio Silvino

J Borges

Nascido em Pernambuco, em 1935, é patriarca de um clã de xilogravadores. Diz que tudo que aprendeu deveu-se ao medo de cortar cana. Estudou somente dez meses em escola. Agricultor, pintor, carpinteiro, fabricante de brinquedos, poeta, foi ser cordelista, ilustrar, imprimir e vender seus próprios folhetos. Obteve reconhecimento nacional e internacional e é hoje o mais conhecido xilogravador nordestino.

J. Borges em seu ateliê de xilogravura no Memorial J. Borges em Bezerros, Pernambuco - foto: Mais Cultura

Mãe da Lua de Abraão Batista

A Arte da xilogravura se mantém viva até os dias atuais gerando novos artistas com trabalhos impressionantes destaco aqui dois jovens que gosto muito do trabalho criado por eles:

Eduardo Ver

que está com uma exposição “O Tear Castanho de Eduardo Ver” –  Atelier Piratininga

Xilogravura que está na exposição de Eduardo Ver

Fernando Vilela:

Site Fernando Vilela

Imagens do livro de Fernando Vilela

Teia de Cordéis

A partir de Março de 2011, romances, personagens históricos, operetas, manuais, autos, hinos, elegias, canções, sátiras e muitos outros elementos serão encontrados no Museu de Arte Popular do Recife, através de um passeio por uma parte da coleção de cordéis portugueses do pesquisador Arnaldo Saraiva, professor da Universidade do Porto.

Museu de Arte Popular

Fundação Casa de Rui Barbosa

UM abraço cultural a quem me acompanha

Jefferson Duarte | JeffCelophane