Bom dia.

Bom dia pra quê? Bom dia pra quem?

Bom dia pra mim, que não sabe se tenta entender a vida, ou se segue negando a fome de se estar atento a tudo, para que se possa sentir mais. Bom dia para quem foi dormir com uma visão pré-faxina de seu lar interno, e acordou como se uma diarista tivesse sido enviada de surpresa para que você acordasse com as ideias todas em seus devidos lugares.

Bom dia para quem está considerando a chegada natural do perdão em suas vidas. Não aquele falso, forçado, vendido pelos manuais de autoajuda que só serve para limpar nossa barra com a nossa própria consciência. O verdadeiro tem o seu próprio tempo e ritmo.

Bom dia pra quem está se permitindo sentir qualquer coisa que seja, tanto o bom quanto o ruim, sabendo que este último nem te faz a pior pessoa do mundo. Sentir é algo que não controlamos, apenas sentimos e pronto. Outra coisa é o que fazer com isso. Aí sim, é algo a se pensar.

Bom dia pra quem encontra resistência no local onde deveria encontrar impulso. A vida nunca foi perfeita, mas considerando o que temos de bom à nossa volta, podemos buscar inspiração e sabedoria para tratar disso de uma forma que não desgaste os nossos motores. Precisamos de aditivos e eles estão aí pra isso mesmo.

Bom dia, apenas bom dia. Apesar de ser pronunciado mecanicamente, é o mais forte cumprimento que devemos entregar a nós mesmos. Não há como prever com exatidão se ele realmente será bom, mas para que haja a possibilidade disso, só cabe a você mesmo levantar este traseiro do sofá e se mexer para fazer a sua parte.

Bons dias não vêm prontos.

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Lei de incentivo à cultura em debate gratuito no Recife

Se você trabalha com cultura, sabe como é difícil captar recursos e pôr em prática as suas idéias. Principalente se você precisa de recursos privados para montar sua peça, exposição, ou lançar seu filme. Muitos recorrem à Lei Rouanet, mas poucos conseguem. Para tentar mudar este quadro, uma nova versão desta lei será tema de um encontro realizado na próxima segunda-feira (13/08) às 19h, na Fundação Joaquim Nabuco, no bairro do Derby, em Recife. Trata-se do seminário Cultura em Debate, ministrado pelo Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes, e o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE), relator do Procultura, medida que visa fortalecer o Fundo Nacional de Cultura (FNC) através de um processo de descentralização dos incentivos. A iniciativa determina um piso para que parte deste orçamento tenha seu campo de atuação ampliado para mais estados e municípios brasileiros.

O processo de distribuição de recursos pela Lei Rouanet foi tema de várias discussões e revisões nos últimos anos. A iniciativa oferece um desconto tributário à empresas privadas que escolhem projetos para patrocínio. Como estratégia de posicionamento, elas acabam mirando os mercados mais atrativos em termos de visibilidade para suas marcas, o que contribui para que haja uma grande quantidade de projetos contemplados no Sudeste, que agrega 79,11% dos recursos captados. A região Nordeste abraça cerca de 6,91%.

O projeto de lei do Procultura (6722/2010), encontra-se encaminhado no Congresso e necessita da aprovação da Câmara e do Senado para que entre em vigor ainda em 2013. O encontro “Cultura em Debate” irá discutir tais questões e promover esclarecimentos, com foco na mobilização pela construção de políticas públicas que unam a cultura ao desenvolvimento.

O evento é aberto ao público e as inscrições são gratuitas, através do site http://bit.ly/TcAAed.

Mais informações pelos telefones: (81) 3073.6688 ou (81) 3073.6689

 

Serviço

Seminário Cultura em Debate

Data: segunda-feira, 13 de agosto de 2012, às 19h

Local: Fundação Joaquim Nabuco – Rua Henrique Dias, 609 – Ed. Ulysses Pernambucano – Derby

Telefone: (81) 3073.6688 ou (81) 3073.6689

Pausa para um cafezinho elegante

Chegamos ao final de semana, e ao sair do trabalho, o que a maioria das pessoas têm em mente é uma lista interminável de opções para cair noite adentro com os amigos e seus pares. Mas o que muita gente acaba esquecendo é que antes de enfrentar as baladas, o estômago necessita de um cuidado todo especial. Que tal um jantar leve, num local aconchegante, com um atendimento simpático?

Nas minhas andanças pelo Recife Antigo, invariavelmente termino no Paço Alfândega, seja para admirar sua bonita arquitetura, seja para apreciar a vista da cidade a partir de seu terraço. Há dois meses, um novo estabelecimento localizado num andar entre o térreo e o complexo de lanchonetes e restaurantes, abriu uma cafeteria elegante e convidativa, chamada Kampalla Café.

O local possui um visual cosmopolita que não fica nada a dever aos cafés dos grandes centros urbanos. A decoração remete aos charmosos estabelecimentos italianos, sutilmente inspirado numa estética retrô amparada no final da década de 60 e início da de 70, sem parecer estilizado. O café oferece duas opções de ambiente. Para quem deseja ficar quieto ou bater um papo mais tranquilo, a área interior é a mais indicada. Para quem gosta de movimento, basta escolher uma das mesas espalhadas pelo hall do primeiro andar, com uma vista privilegiada do vai-e-vem do público do Paço Alfândega e suas pilastras históricas.

Entre as especialidades está uma considerável lista de cafés (óbvio), em suas mais amadas variantes, como o capuccino, o espresso, as versões geladas, como o shake com sorvete, chás,  além de pratos salgados como sanduíches, crepes e massas,  e os doces, apresentados em receitas elaboradas para os paladares mais exigentes.

Para quem curte algo mais light, o Kampalla Café possui um menu de sopas, e eu resolvi cair no caldo verde. A cumbuca acompanha cinco torradinhas douradas no ponto, perfeitas para serem molhadas na mistura cremosa, que une os sabores do couve com um toque de azeite e calabresa.

Entre o pedido e a chegada da iguaria na minha mesa, foram apenas oito minutinhos, acompanhados de um atendimento sorridente e atencioso, que foi o que mais me chamou a atenção. Se você gosta de frequentar estabelecimentos comerciais, sabe exatamente a diferença entre sorrisos de vitrine e os sorrisos sem preço. A turma do Kampalla pertence ao segundo time, daqueles cuja simpatia julgávamos extinta e só ouvíamos em relatos dos nossos pais e avós, saudosos do tempo em que as pessoas eram atendidas pelo nome em tais locais.

Voltando à sopa, ela vem numa temperatura perfeita pra aquecer o coração sem queimar sua língua. A textura é cremosa e o gosto é equilibrado: nem salgado, nem insosso. A presença da calabresa dá o toque necessário para realçar o sabor.

As cinco torradinhas que acompanham são crocantes sem ser secas. O curioso é que elas compõem uma refeição satisfatória junto com o caldo, ideal para a noite. Para quem deseja comer de acordo com as recomendações calóricas dos especialistas, o combo sopa + torradas é suficiente para uma alimentação sem culpa com a balança. Mas aqueles que apreciam a gastronomia irão deseja uma porção um pouco maior de um prato tão gostoso.

Ao final de tudo isso, me deu vontade de provar um prato doce. “Mas e a balança?” Entre as diversas opções que encontrei, um bolo de limão bastante diferente dos outros me chamou a atenção, por sua aparência e ingredientes.

Grande, fofo, vistoso: Quem poderia imaginar que esta aquarela de cores e sabores é feita com iogurte natural, gelatina de limão, ovos e os demais ingredientes que conhecemos tão bem? De consistência leve, ele desmancha na boca e nos deixa satisfeitos na quantidade certa.

Ao fim da refeição, fica a vontade de voltar mais vezes e fazer do Kampalla um ótimo ponto de encontro para reunir os amigos, ler, inspirar-se ou esperar entre um evento e outro da programação do Paço Alfândega.

O Kampalla Café funciona das 10h às 22h. Dê uma passada por lá e se apaixone.

Eliane Elias incendeia o jazz

ImageQue o Brasil é um celeiro imenso de talentos musicais, todo mundo já está cansado de saber. Agora, por que diabos muitos destes talentos encontram maior reconhecimento lá fora em vez daqui, ninguém sabe explicar. Eliane Elias é um caso que se encaixa nesta categoria. Nascida em em São Paulo, a filha de pianista clássica se deixou levar pelo encanto do piano aos 13 anos e não parou mais. Mudou-se para os Estados Unidos e lá foi ficando, ficando, ficando, até se naturalizar, estabelecendo raízes em Nova Iorque, paraíso para os amantes do jazz, com seus clubs e bandas que parecem brotar de árvores, tamanha é a quantidade de músicos em atividade.

Eliane conta com uma discografia de 23 álbuns, a maioria indisponível ou fora de catálogo por aqui no Brasil. Mas a maré parece estar mudando aos poucos. Alguns de seus trabalhos mais recentes ganharam edições nacionais. É o caso de “Light my Fire”, nova empreitada da paulistana-iorquina, lançada pelo sela Universal Music brasileira no início deste ano, e o segundo CD da série “Passe a Música Adiante”, iniciada por este blog. Para saber mais, clique aqui
 
“Light my Fire” é um disco sofisticado sem ser chato. Conta com o talento no piano e na voz de Eliane, acompanhada de um time irrepreensível que inclui o violão de Oscar Castro Neves e Romero Lubambo (este frequente nos discos da Jane Monheit), o baixo de Marc Johnson, a percussão de Marivaldo dos Santos e a participação de Gilberto Gil nos vocais convidados.
 
ImageBasicamente, o conjunto das 12 músicas presentes neste disco são fortemente moldadas na tríade piano-violão-percussão, que envolvem de maneira harmônica a voz grave e sensual de Eliane. O CD Alterna momentos mais calmos, de contemplação, com levantes mais festivos, caso das três faixas divididas com Gil, “Aquele Abraço”, “Toda Menina Baiana” e “Turn to Me (Samba Maracatu)”, compondo um belo cartão de visitas da diversidade sonora presente no Brasil.
 
Entre os destaques, além dos citados duetos com Gilberto Gil, estão os covers de Ary Barroso em Isto Aqui o Que É, Stevie Wonder, com Mon Cherie Amour e The Doors, com a canção título do CD, “Light my Fire”, aqui convertida num jazz provocante e convidativo, perfeito para ser acompanhado com champange, olhares lânguidos e mãos bobas.
 
Os arranjos aqui dispostos tem um quê de leveza e apuro estético que ultrapassa a simples audição. O que está em jogo aqui é um conjunto de imagens que se desenvolve a partir dos instrumentos dispostos. Basicamente, é um disco de música brasileira cantando parcialmente em português, inglês e francês que assume uma faceta cosmopolita, mostrando um  Brasil vasto e refinado em termos culturais. Temos o Brasil nordestino nos duetos com Gil, o latino em “Stay Cool” e Bananeira, o carioca em “Rosa Morena”, e o antropofágico em “Made in Moonlight”, que remete à MPB jazzística de Ivan Lins. Vale a pena.

Está aberta a temporada de caça musical!

Nós do Cajumanga acreditamos que a música deve alcançar o maior número de pessoas possível. Por isso, estamos lançando a série “Passe a Música Adiante”. Trata-se de uma caça a CDs de artistas sobre os quais iremos falar por aqui, com uma forcinha das redes sociais pra ajudar nas pistas!

A cada semana, iremos deixar dois CDs dando sopa em algum lugar da cidade. Para que os leitores saibam onde eles foram deixados, basta acompanhar o nosso blog, Twitter ou a nossa fanpage no Facebook, onde serão postadas fotos e dicas sobre o endereço do local.

Quem chegar primeiro, leva pra casa e avisa a gente pelas redes sociais citadas.Tá valendo dar sua opinião sobre as músicas. Mande seu texto e uma foto sua com o disco pra gente, que  publicamos com o maior prazer!

E SE EU NÃO GOSTAR DO DISCO?

Simples: passe adiante pra quem você achar que pode curtir o som! O importante aqui é fazer a música andar e encontrar o espaço dela. Dessa forma,ao impedir que um disco seja descartado pelo simples fato de você não gostar dele, você contribui para a disseminação de cultura.

Combinados?

O Brasil é a terra do “guaraná”

Quem já me conhece a algum tempo sabe do meu “vício”, já a 25 anos de consumo ininterrupto, de um pozinho marrom que misturado com água tem um sabor adorável de terra molhada. UM sabor muito brasileiro, mais precisamente indígena. Estou falando do meu velho conhecido Guaraná e o Celophane Cultural traz a origem, a lenda e os benefícos desta cultura indígena brasileira.

“Grande será, curador dos homens!
Todos terão que recorrer a você pra acabar com as doenças, ter força na guerra, para ter força no amor. Grande será!”
Primeiro, do olho esquerdo do menino nasceu uma planta que não era forte. Era o falso guaraná, que ainda existe e os índios chamam de “uaraná-hôp”. Depois, do olho direito, nasceu o guaraná verdadeiro, que os índios chamam de “uaraná-cécé”.

lenda do Guaraná

 

Os Maué ou Mawe – os donos do Guaraná

Os maué foram os inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o homem branco.

O padre João Felipe Betendorf escreveu que “tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras”.

O guaraná é o principal produto dos maué, pois é o que obtém maior preço no mercado. O guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto os maué vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.

A Prática do Conto:

Os contos fazem parte do imaginário popular paraense. Em Belém são assimilados pelas crianças nas escolas. Mas no interior do Estado, onde o misticismo é mais arraigado, ganham força. São contados nas portas das casas, durante os encontros noturnos, e chegam a assombrar ou provocar respeito em mitos lendários.
Segundo o dicionário, conto quer dizer aquilo tudo que é colhido da boca do povo. São mitos, lendas, superstições, crendices, busões, tabus, fábulas, estórias, causos (fatos reais enfeitados pela fantasia do contador que em geral é o protagonista da façanha), provérbios, adivinhas, xingamentos, pragas e esconjuros. Os contos podem ser ainda réplicas, frases feitas (feio como a justiça em casa de pobre), travalingua (quem a paca paga, cara a cara a paca pagará) ou anedotas.

A LENDA DO GUARANÁ


Em uma aldeia dos índios Maués havia um casal, com um único filho, muito bom, alegre e saudável. Era muito querido por todos de sua aldeia, o que levava a crer que no futuro seria um grande chefe guerreiro.
Isto fez com que Jurupari, o Deus do mal, sentisse muita inveja do menino. Por isso resolveu matá-lo. Então, Jurupari transformou-se em uma enorme serpente e, enquanto o indiozinho estava distraído, colhendo frutinhas na floresta, ela atacou e matou a pobre criança.

Jurupari o Deus do Mal – Ilustração Sérgio Bastos


Seus pais, que de nada desconfiavam, esperaram em vão pela volta do indiozinho, até que o sol foi embora. Veio a noite e a lua começou a brilhar no céu,  iluminando toda a floresta. Seus pais já estavam desesperados com a demora do menino. Então toda a tribo se reuniu para procurá-lo.


Quando o encontraram morto na floresta, uma grande tristeza tomou conta da tribo. Ninguém conseguia conter as lágrimas. Neste exato momento uma grande tempestade caiu sobre a floresta e um raio veio atingir bem perto do corpo do menino.
Todos ficaram muito assustados.

A índia-mãe disse: “…É Tupã que se compadece de nós. Quer que enterremos os olhos de meu filho, para que nasça uma fruteira, que será nossa felicidade”.
Assim foi feito. Os índios plantaram os olhinhos da criança imediatamente, conforme o desejo de Tupã, o rei do trovão.

Pé de Guaraná – imagem: http://carmemdevas.arteblog.com.

Alguns dias se passaram e no local nasceu uma plantinha que os índios ainda não conheciam. Era o Guaranazeiro. É por isso que os frutos do guaraná são sementes negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante a um olho humano.

 

Mário de Andrade – Macunaima – a lenda do Guaraná:

Certo dia, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter – surpreendeu Cy dormindo na mata e tentou brincar com ela, na rede que Cy trançou com os próprios cabelos. A cunhã se defendeu violentamente, quase o matou. Os manos acudiram e, depois de uma paulada na cabeça de Cy, o herói pôde brincar com a “mãe do mato”.

Passaram a viver juntos, apaixonados. Tiveram um filho, mas o menino morreu ao mamar na mãe o leite contaminado pelo veneno da Cobra Preta. Cy dá a Macunaíma um muiraquitã de lembrança, sobe ao céu e vira estrela. No túmulo do filho nasce uma planta cujos frutinhos operam milagres. Assim Mário de Andrade (1893-1945) transplanta a lenda dos saterés-maués para sua obra-prima, Macunaíma, uma síntese dos saberes brasileiros.

Os benefícios do consumo do Guaraná.

O guaraná em pó é um produto que traz uma série de benefícios para saúde humana e atua inclusive no combate ao câncer. Várias pesquisas estão sendo feitas a cerca deste componente alimentar e os resultados impressionam até mesmo os cientistas.  Ao incluir o pó de guaraná no cardápio, as pessoas estão se prevenindo contra diversas doenças.

Pesquisadores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) comprovaram através de estudos as propriedades benéficas do guaraná, o quanto essa frutinha contribui com uma vida longa e saudável. Quem inclui esse produto natural na alimentação do dia-a-dia pode contar com substâncias antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais.

Por muito tempo o pó de guaraná foi conhecido apenas como um estimulante natural, ideal para renovar a energia e manter as pessoas acordadas por mais tempo. Contudo, pesquisas comprovam que as sementes não acabam apenas com o cansaço, mas sim resultam em outros benefícios para a vida: melhor capacidade de raciocínio, desenvolvimento psíquico, sensação de bem estar e estímulo ao trabalho muscular. Grande parte dos benefícios acontece devido à alta concentração de cafeína no guaraná.

A prevenção do câncer com guaraná em pó é uma das novidades presentes nos estudos realizados pela UFSM. As propriedades antitumorais preservam a saúde do organismo e diminuem as chances de aparecimento de tumores cancerígenos. O pó de guaraná também se revela um combatente dos males da obesidade, hipertensão, colesterol e triglicerídeos altos.

As pessoas que desejam desfrutar de longevidade devem acrescentar pequenas porções de guaraná em pó no cardápio diário. O consumo dessa substância acontece paralelo as refeições, adicionando-a aos sucos, iogurte ou outras bebidas. Segundo os pesquisadores da UFSM, os benefícios do guaraná em pó conseguem mudar o destino genético das pessoas.

A ingestão de guaraná evita distúrbios circulatórios, hemorragias ou qualquer tipo de alteração nos órgãos vitais. Contudo, o componente alimentar fabricado a partir de sementes deve ser consumido com moderação para não causar mal-estar ou até mesmo prejuízos à saúde. Já está comprovado que extrato de guaraná em excesso resulta em insônia, problemas de hipertensão e ulcera.

O uso de guaraná em pó contra o câncer já está auxiliando o tratamento da doença em todo o Brasil, sendo os resultados otimistas para a saúde dos brasileiros. A pesquisa feita com os moradores na cidade de Maués no Amazonas revelou que os consumidores de guaraná em pó vivem mais tempo e desfrutam de melhores condições de saúde. Tal hábito alimentar comprova a existência de um grande número de idosos no município.

Por isso eu recomendo Guaraná na veia é energia brasileira pura.

Fontes

Isso é Amazonia

Wikipedia

mundo das tribos

Almanaque Brasil

Saiba mais:

A Lenda do Guaraná: Mito dos índios Sateré-Maué, de Ciça Fittipaldi  (Melhoramentos, 1986).
Povos Indígenas no Brasil: www.socioambiental.org
Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade (Villa Rica, 2000)

REndeiras, as mulheres que tecem o dia a dia com finos fios.

O Celophane Cultural em homenagem ao dia internacional da mulher invade o universo restrito da mulher rendeira este secular ofício que é passado de bisavó pra avó, de avó pra mãe e de mãe pra filha e que nos encanta até os dias de hoje.

A Origem:

Surgiu nos fins da idade média, sobretudo na França, Itália, Inglaterra e Alemanha. A renda chegou ao Brasil no século XVIII, através das famílias portuguesas colonizadoras, um oficio praticado  pelas moças de fino trato  foi resignificado pelo povo brasileiro.

A Lenda:

Há uma lenda sobre sua origem que diz: que “um jovem pescador usando pela primeira vez uma rede de pescar tecida pela sua noiva, apanhou do fundo do mar uma belíssima alga petrificada, que ofereceu à sua eleita. Tempos depois, partiu para a guerra. A noiva, saudosa e com pensamento voltado para o ausente, um dia, teceu outra rede que reproduziu o modelo da alga; os fios dessa rede eram terminados por pequenos chumbos. Assim foi descoberta a renda chamada “a piombiini” ou de chumbos; os chumbos foram posteriormente substituídos por bilros. Dessa forma, de um pensamento amoroso teria surgido a renda de bilros.” ( Rendas e Bordados do Maranhão – FUNC-MA)

“Olê muié rendeira, oie Mulé rendá…”

A mulher rendeira faz parte do imaginário popular brasileiro e é, desde muito, transmissora de um conhecimento que, mesmo não fazendo parte do que se considera educação formal, ela existe e tem sua importância social. Este conhecimento permeia a história de muitas famílias de mulheres que ainda tentam transmiti-lo para as novas gerações. Daí a necessidade de entendimento de um cotidiano que, além de tradicional, alinha-se e se insere às necessidades do mundo de mercado sendo, ao mesmo tempo, trabalho de mulheres e modo de produção de riqueza.

Mulher confeccionando a renda Filé - foto: Marcelo Albuquerque - http://www.flickr.com/photos/marceloalbuquerque/

O ofício de rendeira proporciona uma viagem ao imaginário feminino são mulheres que tecem o dia a dia com finos fios. A força que emana da tradição de tramar as linhas é real. E o fio que conecta essas mulheres, entre gerações de uma mesma família, é que parece torná-las o que são: mulheres que lutam bravamente e que, ao mesmo tempo, desempenham um ofício minucioso e delicado. Com paciência e maestria seguem fazendo a renda da mesma forma que outras muitas gerações de mulheres de sua família já faziam, mas revisitam e atualizam as formas e os pontos que fazem hoje. De modo que estão, ao mesmo tempo, com um pé no passado e outro no presente.

Algumas rendeiras trabalham em grupo; conversam, cantam, fumam. “Quando você está na almofada, menino chora, panela queima, marido briga, você se esquece do mundo.” Ela vira o rosto e se concentra para terminar mais um ponto.

Rendeira de Bilro - foto: Carla Régia Medeiros - http://www.flickr.com/photos/carlaregia/

“Bendito seja o trabalho que se faz cantando!…”, entre as trovas que as moças trabalhadeiras de 20 a 60 anos entoam:

Tiro renda e boto renda,

Faço renda na almofada.

Por causa do meu benzinho

Não faço renda nem nada…

Estou fazendo esta renda

Pra buscá dinheiro,

Pra comprá um par de pente

Pra botá no meu cabelo.

Esta almofada me mata,

Estes bilros me consome,

Os alfinetes me espetam,

A renda me tira a fome.

O Ofício da Renda Irlandesa confeccionada em Sergipe se tornou Patrimônio Imaterial e tem seu registro nos saberes da humanidade.

O modo de fazer Renda Irlandesa se constitui de saberes tradicionais que foram ressignificados pelas rendeiras do interior sergipano a partir de fazeres seculares, que remontam à Europa do século XVII, e são associados à própria condição feminina na sociedade brasileira, desde o período colonial até a atualidade. Trata-se de uma renda de agulha que tem como suporte o lacê, cordão brilhoso que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios a serem preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda com motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras.

Saber patrimônio imaterial - Renda Irlandesa - foto E-Sergipe - http://www.flickr.com/photos/e-sergipe/sets/

O “saber-fazer” é a qualidade mais característica da produção da Renda Irlandesa, a qual é compartilhada pelas rendeiras sob a liderança de uma mestra reconhecida pelo grupo. As mestras traçam o risco definidor da peça, que é apropriado coletivamente. Fazer Renda Irlandesa é, portanto, uma atividade realizada em conjunto, o que permite conversar, trocar idéias sobre projetos, técnicas e pontos. Neste universo de sociabilidades, são reafirmados sentimentos de pertença e de identidade cultural, possibilitando a transmissão da técnica e o compartilhamento de saberes, valores e sentidos específicos.

A cidade de Divina Pastora se tornou o principal pólo da Renda Irlandesa em razão de condições históricas de produção vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, à abolição da escravatura e às mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular do ofício de rendeira, restrito originalmente à aristocracia. Reinventando a técnica, os usos e os sentidos desse saber-fazer, as mulheres de Divina Pastora fizeram dele seu meio de vida.

A Pedagogia do saber

Uma rendeira, que em seu trabalho tece habilidosamente peças extraordinárias, passando de geração em geração um ofício e uma arte, verificamos que, apesar de leiga, do ponto de vista da pedagogia e da ciência, essa “mestra” cumpre de modo brilhante, com eficiência e eficácia os objetivos a que se propõe: produzir e ensinar o que produz, perpetuando a existência do oficio.

Curioso é pensar que nas universidades e centros de profissionalização, apesar de todo o acesso à ciência e tecnologia, muitas vezes os mestres que lá trabalham não conseguem atingir esses mesmos objetivos básicos. Em muitos desses centros nem se produz um saber, nem se ensina a produzir esse mesmo saber. O máximo que se consegue é “formar” profissionais muitas vezes medíocres que vão se encarregar de perpetuar a reprodução de um saber igualmente medíocre, mantendo o estado de coisas que vem nos conduzindo ao caos social, econômico e cultural.

As diversas  RENDAS:

Há duas categorias de rendas: uma produzida com o auxílio de bilros. Outra é confeccionada com o uso de agulhas, como é o caso da renda renascença, o filé e o labirinto. Em outros casos, há agulhas especiais, como para produzir crochê e tricô. Tanto a renascença como a renda de bilro é produzida em cima de almofadas.

  • Filé (Salgado de São Félix, Paraíba)

Esta técnica milenar encontra-se difundida sobretudo nos estados de Alagoas e Ceará. O filé surge a partir de uma rede simples, composta de malhas e de nós, e por isso é também denominado “rede de nó”, seguindo a técnica de confecção da rede de pescador, que lhe serve de inspiração.

  • Renascença (Jataúba, Pernambuco)

A renda renascença é uma técnica têxtil que teve sua origem na ilha de Burano, em Veneza, Itália, no século XVI. É confeccionada com agulha, linha e lacê de algodão. Em uma primeira etapa, faz-se o desenho sobre papel, que é preso sobre a almofada. O lacê é então afixado sobre o papel com a ajuda de alfinetes e entremeado pelos diferentes pontos da renda.

Rendeira produzindo a renda renascença Pernambucana - foto FUNDARPE

Cada ponto é nominado segundo elementos da natureza, comidas, ou expressam na renda sentimentos e esperanças de quem os criou: aranha, abacaxi, traça, cocada, xerém, amor seguro, laço, sianinha, malha e amarrado.

  • Irlandesa (Divina Pastora, Sergipe)

A renda irlandesa, ou ponto de Irlanda, surgiu na Europa, possivelmente no norte da Itália, em torno dos séculos XVI ou XVII. Sua tradição foi mantida nos conventos da Irlanda, de onde se difundiu para diversas partes do mundo. No Brasil, este tipo de renda é executado há várias gerações pelas artesãs sergipanas de Divina Pastora, fazendo parte do seu patrimônio cultural. Caracteriza-se pelo uso de lacê, um cordão sedoso o que a diferencia da renda renascença. É elaborada com linha e agulha que, seguindo o roteiro de desenhos feitos em papel grosso e que é preso em almofada, perpassam os meandros e os florões delineados com o lacê, formando assim uma variada combinação de pontos.

  • Labirinto (Ingá, Chá dos Pereira, João Pessoa, Serra Redonda, Juarez Távora – Paraíba)

O labirinto (ou crivo) é um tipo de renda de agulha e tem como caracteristica o fio desfiado preliminarmente, o qual é tecido com linha, seguindo os desenhos estabelecidos. O processo de feitura possui 6 etapas: escolher o tecido e tirar a metragem; riscar o desenho; desfiar o tecido; fazer o enchimento; torcer e perfilar.

  • Renda de Bilro

Diversos são os “pontos” preparados: abacaxi, folha em renda, cocadinha, não-me-deixe, mata-fome, quadro, margarida, coração, palma, ziguezague, trocado, trança, trocadinho, matachim, aranha, meus olhos, escadinha de Cupido etc. etc. etc.

Instrumento das rendeiras, os Bilros - Foto: Fábio Venhorst - http://www.flickr.com/photos/fabiovenhorst/

A renda de bilros é feita sobre uma almofada com enchimento de crina, serragem ou algodão; tal amofada é em geral recoberta de tecido cujas cores não agridam a vista. A almofada pode ser presa num suporte de madeira, mas há rendeiras que simplesmente a apóiam numa cadeira ou banquinho. A almofada é a base sobre a qual se executam as rendas e nela se prende o cartão com o esquema em cima do qual irão se trançando os bilros, ‘a medida que se prendem os compassos com alfinetes. Os bilros são uma espécie de haste de madeira provida de uma cabecinha numa das extremidades. Sobre ela enrola-se a linha para fazer a renda. Os bilros são sempre utilizados aos pares.

Fontes:

www.artesol.org.br

IPhan – Instituto do Patrimônio Histórico

Livro: ‘Renda Renascença – uma memória de ofício paraibana’, Sebrae (224 pág. – 2005) Escrito pelo designer e pesquisador Christus Nóbrega – Baixe o Livro em PDF

A imagem das mãos calejadas de mulheres sertanejas quase sempre nos remete ao trabalho árduo do campo, à luta diária para vencer as dificuldades da seca, recorrente no semi-árido nordestino. Mas no livro  elas nos levam a descobrir outro tipo de trabalho, também extenuante, mas prazeroso para muitas mulheres do Cariri paraibano, que é o da arte de fazer renda.

Livro: “A Renda de Bilros e sua aculturação no Brasil”, de Luiza e Arthur Ramos.

QUEM INVENTOU A RENDA? HISTÓRIAS DE RENDEIRAS DO MORRO DA MARIANA – PI – ANA CLÁUDIA PIRES FONTENELE DE MENESES  e GILBERTO ANDRADE MACHADO

LIvro rendeiras do Cariri

Revista Brasileiros

Estação Capixaba

Bordados e Rendas – pra Cama Mesa e Banho – SEBRAE

As panelas de Goiabeiras – Raiz da Cultura Capixaba

Com argila, elas moldam a própria sobrevivência e a cultura do Espírito Santo, perpetuando uma atividade herdada dos índios  e considerada patrimônio imaterial brasileiro. Em uma visita a Vitória tive o prazer de conhecer e adquirir este pedaço do Brasil que torna a minha cozinha mais saborosa.

O Ofício do barro

Um ofício com mais de 4 séculos, que vem passando de pai pra filho, ou melhor, de mãe pra filha, as Paneleiras de Goiabeiras – ES fazem parte da cultura capixaba e nacional. Herdado dos índios ceramistas da tribo Uma, que dizem ter aprendido a amassar e moldar a argila com o João-de-barro pássaro construtor.

O processo de manufatura de panelas de argila queimada se mantém praticamente inalterado graças ao trabalho da Associação das Paneleiras de Goiabeiras. Preocupada em preservar a tradição, a entidade criou o selo “Raiz da Cultura Capixaba” para as peças das associadas que garante a autenticidade das peças feitas de forma totalmente artesanal. A importância da atividade encabeçou a lista de bens imateriais do IPHAN sendo a primeira atividade no Livro de Registro dos Saberes em 2002.

Do barro o sustento.

A panela fabricada pelas paneleiras e suas famílias tem como matéria prima um tipo de argila com características específicas, encontrada no vale do Mulembá.. Levada para um galpão onde ela é distribuída aos associados que compram cada um á sua necessidade. Instalado próximo ao mangue o galpão é dividido por cada paneleira, onde ela tem um espaço de armazenamento, de produção e de exposição para a venda dos produtos prontos.

As mãos femininas.

Moldado por hábeis mãos, o barro é hidratado e ganhando formas arredondadas, sem a ajuda de qualquer torno. Usando apenas um pedaço de “cuité”, fruto local, que auxilia a dar a forma arredondada,  as mulheres trabalham o barro com agilidade e elegância enquanto contam seus causos e fofocas da vida alheia.

Depois da modelagem, as panelas de diferentes formas, são colocadas pra secar à sombra. Antes de secar totalmente, faz-se a raspagem com a lâmina de uma faca, sempre molhada  para corrigir as saliências e excessos.  A panela vai para o sol a fim de secar completamente e eliminar o máximo de água. Em seguida ela é polida a  seco com um seixo de rio.

O Fogo

Chega a hora da queima sobre uma “cama” de madeira (reciclada de sobras de construção civil e de pallets descartados doados por empresas), onde várias peças são acomodadas. Sob altíssima temperatura, elas vão atingindo uma coloração avermelhada. Retiradas da “cama” com o auxílio de um pegador, as pesadas peças passam pelo tingimento, feito com tintura de tanino extraída da casca de uma árvore do próprio pântano. A tinta é açoitada sobre a peça com um maço de vassourinha do campo, ou muxinga, arbusto nativo da região que, ao entrar em contato com a superfície da panela ainda incandescente fixa a cor preta tradicional das verdadeiras e autenticas panelas de Goiabeiras.

A Arte e a culinária

O ofício envolve toda a família onde o mais pesado fica para o homem, barro e queima e a arte de modelagem e venda é 90% feminina.

A tradição das paneleiras sobrevive porque o sistema de produção e as relações sociais que garantem tal tradição, permanecem inalteradas, conforme eram a 400 anos de cerâmica utilitária artesanal capixaba, com os índios.

Outro fato é que a panela de barro mantém uma ligação fundamental com a culinária do Espírito Santo, afinal não existe “moqueca” nem “torta” Capixaba, ícones da culinária local, sem panela de barro de Goiabeiras.

Além do galpão das paneleiras, em Goiabeiras também tem reza, “benzeção”, grupos de música e dança. Entre eles o Boi Estrela, a Folia de Reis de Goiabeiras Velha e uma banda de Congos que atesta a importância do utensílio para a cultura local.

Seu nome?

Panela de Barro: Deixa crioulo / Deixa sambar / Panela de Barro / Acabou de chegar.

Em panela de barro é que faz comida boa

As paneleiras garantem, e eu comprovo, que qualquer alimento pode ser preparado e servido nessa verdadeira obra-de-arte.Afinal ela mantém a receita quente por mais tempo, o sabor não é alterado por resíduos de alumínio e é mais fácil de lavar do que as panelas tradicionais.

Vários historiadores e especialistas em gastronomia nem consideram moqueca capixaba feita em outra panela a não ser a de barro. O caldo só engrossa no barro não tem jeito.

Qual a diferença entre a moqueca capixaba e a baiana?

A baiana leva leite de coco e dendê

A Capixaba, panela, urucum indígena e coentro português – uma mistura que é a cara do Brasil e o “santo” sabor do Espírito Santo.

Receita de Muqueca Capixaba


Associação das Paneleiras de Goiabeiras

Rua Leopoldo Gomes Sales, 55

Goiabeiras Velha

Vitória – ES

(27) 3327-0519

Site Paneleiras de Goiabeiras

Fontes:

Matéria:

“As Paneleiras de Goiabeiras” – Almanaque Brasil – nº 118 – Ano 10

Texto: Sandra Rossi

“Mão e Obra – Artesanato no Espírito Santo” – Renato Pacheco e Luiz Santos – SENAC – ES 2001

Fotos:

Site Fábio Canhim

O Brasil é “negro” e com muito orgulho.

É sempre muito importante lembrar o quanto “negro” é o Brasil, miscigenado no meio do sofrimento, com os que aqui moravam e os que aqui vieram colonizar. Assim se gerou o povo Brasileiro esse “Macunaima” de Mário de Andrade.

Somos negros nos sabores de nossa comida, no sincretismo, no gingado e jeito de ser do brasileiro, na musicalidade dos sambas, Batuques, Maracatus e Congados, na indiscutivel força de vontade de ir em frente, na beleza, nos cabelos sararás, nas virtudes, na bondade, na alegria, na sabedoria, no respeito ás tradições que atravessaram o mundo. Sim somos Negros e com muito orgulho.

” tratar os iguais com igualdade e os desiguais na medida de suas desigualdades é aplicação do princípio da igualdade. Propalar somente a igualdade formal não nos fará menos “sexistas”; nem menos “racistas”.

Rui Barbosa – trecho de “Oração aos Moços”

Dia da Consciência Negra

O dia 20 de novembro foi escolhido porque marca a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, importante foco de resistência da população negra escravizada que lutava por sua liberdade. Zumbi morreu em 1695, aos 40 anos. Após ser denunciado por um companheiro, ele foi capturado por portugueses, teve a cabeça cortada, e seu corpo exibido em praça pública para semear o medo entre os escravos e impedir novas revoltas e fugas.

Visitantes do Brasil e do exterior sobem anualmente a Serra da Barriga para conhecer a história do Quilombo dos Palmares - Foto: Regina Santos

O mês de novembro é utilizado pelo movimento negro para refletir, tornar público e ampliar as reivindicações de políticas necessárias para o combate ao racismo e a desigualdade racial. É também um mês de celebração das conquistas negras.

A militante negra Nilma Bentes define assim a idéia de consciência negra:

” Ter consciência negra, significa compreender que somos diferentes, pois temos mais melanina na pele, cabelo pixaim, lábios carnudos e nariz achatado, mas que essas diferenças não significam inferioridade.
Ter consciência negra, significa que ser negro não significa defeito, significa apenas pertencer a uma raça que não é pior e nem melhor que outra, e sim, igual.

Foto
Ter consciência negra, significa compreender que somos discriminados duas vezes: uma, porque somos negros, outra, porque somos pobres, e, quando mulheres, ainda mais uma vez, por sermos mulheres negras, sujeitas a todas as humilhações da sociedade.

Ter consciência negra, significa compreender que não se trata de passar da posição de explorados a exploradores e sim lutar, junto com os demais oprimidos, para fundar uma sociedade sem explorados nem exploradores. Uma sociedade onde todos tenhamos, na prática, iguais direitos e iguais deveres.
Ter consciência negra, significa sobretudo, sentir a emoção indescritível, que vem do choque, em nosso peito, da tristeza de tanto sofrer, com o desejo férreo de alcançar a igualdade, para que se faça justiça ao nosso Povo, à nossa Raça.
Ter consciência negra, significa compreender que para ter consciência negra não basta ser negro e até se achar bonito, e sim que, além disso, sinta necessidade de lutar contra as discriminações raciais, sociais e sexuais, onde quer que se manifestem. ”

Fonte: Blog História em Projetos

Site: Fundação Palmares

Cartaz da Secretaria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial - 2010

Este ano a data marca os 100 anos da Revolta da Chibata liderada pelo Marinheiro João Candido.

Programação completa

Quem foi o Almirante Negro?

Nasceu em 24 de Junho de 1880, na então Província (hoje Estado) do Rio Grande do Sul, no município de Encruzilhada (hoje Encruzilhada do Sul), na fazenda Coxilha Bonita que ficava no vilarejo Dom Feliciano. Filho dos ex-escravos João Felisberto Cândido e Inácia Felisberto, apresentou-se em 1894 na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre com uma recomendação de atenção especial, escrita por um velho amigo e protetor de Rio Pardo, o então capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar, que assim o encaminhava àquela escola. Em 1895 conseguiu transferência para a Escola de Aprendizes de Porto Alegre, e em dezembro do mesmo ano, para a Marinha do Brasil, na capital, a cidade do Rio de Janeiro.

Desse modo, numa época em que a maioria dos aprendizes era recrutada pela polícia, João Cândido alistou-se com o número 40 na Marinha do Brasil em Janeiro de 1895, aos 14 anos de idade, ingressando como grumete a 10 de dezembro de 1895.

Em depoimento para a Anamnese do Hospital dos Alienados em abril de 1911 e para a Gazeta de Notícias de 31/12/1912, João Cândido afirma ter sido soldado do General Pinheiro Machado, na Revolução Federalista, em 1893, portanto antes de entrar para a escola de aprendizes.

Teve uma carreira extensa de viagens pelo Brasil e por vários países do mundo nos 15 anos que esteve na Marinha de Guerra. Muitas delas foram viagens de instrução, no começo recebendo instrução, e depois dando instrução de procedimentos de um navio de guerra para marinheiros mais novos e oficiais recém-chegados à Marinha.

A partir de 1908, para acompanhar o final da construção de navios de guerra encomendados pelo governo brasileiro, muitos marinheiros foram enviados à Grã-Bretanha. Em 1909 João Cândido também para lá foi enviado, onde tomou conhecimento do movimento realizado pelos marinheiros russos em 1905, reivindicando melhores condições de trabalho (a revolta do Encouraçado Potemkin).

Tornou-se muito admirado pelos companheiros marinheiros, que o indicaram por duas vezes para representar o “Deus Netuno” na travessia sobre a linha do equador, e muito elogiado pelos oficiais, por seu bom comportamento, e pelas suas habilidades principalmente como timoneiro. Era o marinheiro mais experiente e de maior trânsito entre marinheiros e oficiais, a pessoa indicada para liderar a revolta.

O movimento dos marinheiros da Marinha de Guerra

O uso da chibata como castigo na Armada brasileira já havia sido abolido em um dos primeiros atos do regime republicano, o decreto número 3, de 16 de Novembro de 1889, assinado pelo então presidente marechal Deodoro da Fonseca. Todavia, o castigo cruel continuava de fato a ser aplicado, a critério dos oficiais. Num contingente de 90% de negros e mulatos, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos retalhados pela chibata, como no tempo da escravidão. Entre os marinheiros, insatisfeitos com os baixos soldos, com a má alimentação e, principalmente, com os degradantes castigos corporais, crescia o clima de tensão.

Já em 1893, na canhoeira Marajó, um contingente de marinheiros havia se revoltado contra o excesso de castigos físicos, exigindo a troca do comandante que abusava da chibata e outros suplícios. Na época, ainda não queriam o fim da Chibata, mas a troca do comandante do navio, para evitar abusos. Definitivamente, não era normal receber chibatadas. E, para piorar, os oficiais extrapolavam o limite de próprio regimento da Marinha, baseado num decreto que nunca foi publicado no Diário Oficial, que estabelecia a criação de Companhias Correcionais que poderiam indicar a punição de até 25 chibatadas, após a Abolição da Escravatura.

Ainda na Grã-Bretanha, e depois, ao retornarem ao Brasil, os marinheiros que lá estiveram para acompanhar a construção dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo, iniciaram um movimento conspiratório com vistas a tomar uma atitude mais efetiva no sentido de acabar com a Chibata na Marinha de Guerra.

As eleições presidenciais de 1910, embora vencidas pelo candidato situacionista marechal Hermes da Fonseca, expressaram o descontentamento da sociedade com o regime vigente. O candidato oposicionista, Rui Barbosa, realizou intensa campanha eleitoral, reforçando a esperança de transformações do povo brasileiro.

Esgotadas as tentativas pacíficas e propositivas dos marinheiros, incluindo uma audiência de João Cândido no Gabinete do presidente anterior, Nilo Peçanha, e na presença do ministro da marinha, Alexandrino de Alencar sem qualquer providência efetiva para o fim dos castigos físicos, os marinheiros decidiram que iriam fazer um motim pelo fim do uso da chibata em 25 de Novembro de 1910.

Entretanto, menos de uma semana após a posse do marechal Hermes da Fonseca, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi punido a 21 de Novembro com 250 chibatadas, que não se interromperam nem mesmo com o desmaio do mesmo, conforme noticiado pelos jornais da época, aplicadas na presença de toda a tripulação do Encouraçado Minas Gerais, nau capitânia da Armada. Este fato antecipou a data programada para o motim, de 25 para 22 de Novembro de 1910.

Revolta da Chibata

No dia 22 de novembro de 1910, João Cândido deu início ao levante, assumindo o comando do Minas Gerais, pleiteando a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra brasileira. Foi designado à época, pela imprensa, como Almirante Negro.

Marinheiros durante a Revolta da Chibata, com João Cândido ao centro, em 1910

Por quatro dias, os navios de guerra Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro apontaram os seus canhões para a Capital Federal. No ultimato dirigido ao Presidente Hermes da Fonseca, os revoltosos declararam:

Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira“.

A rebelião terminou com o compromisso do governo federal em acabar com o emprego da chibata na Marinha e de conceder anistia aos revoltosos. Entretanto, no dia seguinte ao desarmamento dos navios rebelados, o governo promulgou em 28 de novembro um decreto permitindo a expulsão de marinheiros que representassem risco, o que era um nítida quebra de palavra, uma traição do texto da lei de anistia aprovada no dia 25 pelo Senado da República e sancionada pelo presidente Hermes da Fonseca. Alguns marinheiros começaram a ser afastados da Marinha, aparentemente em comum acordo, para o bem de todos.

Jornal que exibia a falsa anistia - fonte: http://feirapreta.ning.com/

Banido da Marinha, João Cândido sofreu grandes privações, vivendo precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.

De acordo com a sua ficha, nos quinze anos em que permaneceu na Marinha, foi castigado em nove ocasiões, preso entre dois a quatro dias em celas solitárias “a pão e água”, além de ter sido duas vezes rebaixado de cabo a marinheiro. A sua ficha registra ainda dez elogios por bom comportamento nos últimos três meses antes da revolta.

A sua vida pessoal foi profundamente abalada pelo suicídio de sua segunda esposa (1928). Em 1930 foi novamente detido, acusado de subversão.

Discriminado e perseguido pela Marinha até ao fim de sua vida, se recolheu no município de São João de Meriti. Ali em sua casa passou mal e foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde viria a falecer de câncer, pobre e esquecido, em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos de idade.

João Candido pouco antes de seu falecimento.

Fonte: Wikipedia

Leia matéria da Revista História da Biblioteca Nacional

Video Vídeo da Rede Histórica – Revolta da chibata 100 anos – Globo News

Círio de Belém – a luz de um povo que clama – Salve Nazaré

“Ó Virgem mãe amorosa
Fonte de amor e de fé
Dai-nos a bênção bondosa
Senhora de Nazaré”

 

DEscrição da Imagem: Fiéis demonstrando em suas faces a força e emoção ao segurarem a corda. Foto Breno Pack

 

Todo segundo domingo de Outubro em Belém do Pará há mais de dois séculos, o Círio de Nazaré é celebrado representando uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Reúne, cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital do Estado do Pará, num espetáculo grandioso em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus.
A Procissão sai da Catedral de Belém e segue até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da Virgem fica exposta para veneração dos fiéis durante 15 dias.

Na procissão, a Berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré é seguida por romeiros de Belém, do interior do Estado, de várias regiões do país e até do exterior. Em todo o percurso, os fiéis fazem manifestações de fé, enfeitam ruas e casas em homenagem à Santa.

Por seu reconhecimento com importante movimento cultural brasileiro, o Círio de Belém foi registrado, em setembro de 2004, pelo Iphan, como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.

Além da procissão de domingo, o Círio agrega várias outras manifestações de devoção, como a trasladação, a romaria fluvial e diversas outras peregrinações e romarias que ocorrem na quadra Nazarena.

O que quer dizer Círio?

“Acende-se um círio pra sair da escuridão”. O  termo “Círio” tem origem na palavra latina “cereus” (de cera), que significa vela grande de cera.

Descrição da Imagem: detalhe de uma vela "Círio" na mão de um romeiro envolto em uma garrafa Pet. Foto Breno Pack

 

História

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361, tendo sido esculpida por São José. Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.

No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela.

Em 1792, o Vaticano autorizou a realização de uma procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará. Organizado pelo presidente da Província do Pará, capitão-mor Dom Francisco de Souza Coutinho, o primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro. Mas, a partir de 1901, por determinação do bispo Dom Francisco do Rêgo Maia, a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro.

Tradicionalmente, a imagem é levada da Catedral de Belém à Basílica Santuário. Ao longo dos anos, houve adaptações. Uma delas ocorreu em 1853, quando, por conta de uma chuva torrencial, a procissão – que ocorria à tarde – passou a ser realizada pela manhã

Berlinda

A berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré na procissão do Círio já é a quinta da história. Confeccionada em 1964 pelo escultor João Pinto, ela tem estilo barroco e é esculpida em cedro vermelho. Na parte interna possui cetim drapeado no teto e pingentes de cristal. Ao centro tem um dispositivo próprio para fixação da Imagem. Ornamentada com flores naturais na véspera do Círio, a Berlinda é colocada sobre um carro com pneus, que na procissão é puxado pela corda conduzida pelos devotos.

Descrição da imagem: Berlinda carregada por fiéis, totalmente enfeitada com flores e franjas. Foto Breno Pack

História da Berlinda – A berlinda começou a fazer parte do Círio a partir de 1855, em substituição a uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois, chamada de palanquim. Neste mesmo ano, com a necessidade da Berlinda ser puxada pelos fiéis para vencer um atoleiro, os animais foram substituídos por uma corda, que foi emprestada às pressas por um comerciante e que, depois, foi incorporada à tradição do Círio. Mesmo com a introdução da berlinda, foi mantido o costume da imagem ser carregada no colo de autoridades da Igreja. Mas, em 1880, o Bispo Dom Macedo Costa mandou fazer uma berlinda que levasse a imagem sozinha. Em 1926, a berlinda foi transformada em andor e assim saiu até o Círio de 1930. No ano seguinte, ela voltou ao seu formato original, sendo puxada pelos fiéis através da corda.

A Corda

A corda puxada pelos promesseiros é um dos maiores ícones da grande procissão do Círio e, também, da Trasladação. Hoje, ela tem 400 metros de comprimento, duas polegadas de diâmetro e é produzida em titan torcido de sisal oleado.

Descrição da Imagem: mãos segurando a corda com muita força - foto: Breno Pack

Enfileirados, homens e mulheres puxam a corda que faz a berlinda com a imagem da Santa se movimentar. Anteriormente amarrada à berlinda, a partir de 1999 ela passou a ser atrelada através de uma argola metálica. O atrelamento ocorre no Boulervard Castilhos França, 400 metros depois do início da procissão.

Como são os promesseiros da corda que dão ritmo à procissão, em alguns anos ela precisou ser desatrelada antes do término da romaria para que o Círio pudesse seguir mais rapidamente.

Até 2003, o formato da corda era de “U”, ou seja, as duas extremidades da corda eram atreladas à berlinda. A partir de 2004, por motivos de segurança, ganhou formato linear, seccionada por peças de duralumínio, o que deu origem às chamadas estações da corda.

História da Corda – Durante a procissão de 1855, quando a berlinda ficou atolada por conta de uma grande chuva, a Diretoria da Festa teve a idéia de arranjar uma grande corda, emprestada às pressas de um comerciante, para que os fiéis puxassem a berlinda. A partir daí, os organizadores do Círio começaram a se prevenir, levando sempre uma corda durante a romaria. Mas só no ano de 1885, a corda foi oficializada no Círio, substituindo definitivamente os animais que puxavam a berlinda.

No Círio de 1926, o arcebispo Dom Irineu Jofilly suprimiu a corda do Círio, já que “não compreendia o comportamento na corda, onde homens e mulheres se empurravam em atitudes nada devotas”. A proibição gerou várias manifestações populares e políticas, mas chegou a durar cinco anos. Só em 1931, com intervenção pessoal de Magalhães Barata, então governador do Estado, a corda voltou a fazer parte do Círio

A Arte do Meriti

A arte se une a fé, dando um tom colorido e especial a Festa do Círio. Antes, os brinquedos de miriti eram vistos apenas no meio da procissão, balançando nas girândolas, agora têm exposição com lugar marcado: o Largo do Marco, no bairro da Cidade Velha. Feitos do miriti, palmeira tipicamente amazônica da região da várzea, vêm do outro lado da Baía do Guajará, do município de Abaetetuba, onde a matéria-prima dos brinquedos é farta. Dos galhos e caule do miritizeiro, as mãos dos artesãos formam cobras, tatus, barquinhos, pássaros, personagens que fazem parte do cotidiano do ribeirinho da Amazônia, pintados com as cores fortes da região.

DEscrição da Imagem: vendedor ambulante, eleva com um bastão, os barquinhos coloridos feitos de meriti no meio da procissão. Foto Breno Pack

Mas a tradição vem se modernizando. Das cobras e barcos, derivam foguetes, carros de corrida, personagens e heróis das histórias em quadrinhos e até disco voador para fazer páreo com tatus e pássaros da região. Modernidade à parte, eles são souvenir obrigatórios e indispensáveis durante a quadra nazarena.

O Manto

A história do manto se confunde com a procedência da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré. Reza a lenda que a Santa, quando achada pelo caboclo Plácido, em 1700, já estava com um manto. A tradição, então, foi se mantendo.

Descrição da imagem: pequena santa exibe o manto ricamente bordado. Foto Breno Pack

Em 1953, a imagem autêntica recebeu um manto bordado a ouro e pedras preciosas. Os primeiros mantos foram confeccionados pela irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant’Ana, do Colégio Gentil. Ela fez desse feito uma devoção e o manteve até 1973, ano em que morreu.

A partir de então, a nobre tarefa passou a ser da ex-aluna e ajudante, Esther Paes França, que ficou encarregada de confeccionar o manto até 1992. De lá pra cá, o manto não ficou mais a cargo de uma pessoa apenas. Católicos da comunidade e estilistas de renome passaram a participar, também, da arte de confeccionar um dos maiores símbolos do Círio.

Fontes:

Site Oficial do Círio

Site CNFCP

Diário do Pará

Imagens:

Veja o álbum de fotos de Breno Peck, este paraense apaixonado por sua Belém do Pará, e com suas belíssimas e sensíveis fotos que ilustram esta matéria.

Flickr de Breno Peck

Descrição da imagem: Romeiro sem camisa com a imagem da santa pintada no peito.