O Bonde do Getulio não vai mais sair dos trilhos

O Celophane Cultural sobe, de bonde, o morro de Santa Tereza a fim de visitar um ponto turístico do Rio de Janeiro o “Bonde do Getúlio”.

Lá trabalha o artesão Getulio Damano reconhecido artista popular que recebeu uma ordem  da Prefeitura para tirar o seu inusitado Bonde Oficina das ruas. A mobilização popular, os amigos de Getulio que enviaram mails, Artistas de rua, blogueiros e o Facebook intercederam na decisão e hoje ele e seu Bonde estão devidamente seguros.

A ordem de desocupação da Prefeitura - foto Bia Hetzel

Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado

Getúlio Damado, mineiro de descendência italiana, acredita que de sua família materna de oleiros e marceneiros, herdou seu dom de artesão, escolheu o bairro de Santa Teresa para estabelecer a sua banca- oficina de conserto de panelas.

Getulio em frente ao seu Bonde/oficina - foto de Bia Hetzel

De seu posto, via passar o bonde, ladeira acima, ladeira abaixo, observando-o em câmera lenta, de frente e de costas, vazio nas horas prioritariamente domésticas, lotado pela manhã, na hora do almoço e no final da tarde. A imagem dos bondinhos amarelos com corações vermelhos, Getúlio deseja reproduzi-los.

Os bondinhos feitos de resíduos sólidos á venda - foto Sérgio Araujo Pereira

Considerando-se péssimo desenhista decide construí-lo em sucata, brinquedo ou enfeite, meio de transporte, em escala reduzida, para seus sonhos, para sua carreira artística. Entre a colocação da alça numa chaleira e o conserto do fundo de uma panela, o primeiro bonde sai rústico, algumas tentativas adiante, seus bondes passam a despertar a atenção dos moradores, e Getúlio começa a receber propostas de compra. Foi o quanto bastou para ele liberar de vez o artista que aguardava para ganhar mundo.

Os bondes de Santa Tereza são pintados de amarelo com corações vermelhos - Foto Sérgio Araujo Pereira

Com a prática, Getúlio passou a experimentar escalas maiores, mas pequenos ou grandes, são sempre feitos com aproveitamento de material que encontra pelas ruas, caixotes, sobras várias que os amigos levam até sua banca, brinquedos, objetos e guarda-chuvas quebrados, em fim, sucata. Comprados, mesmo, só tinta e pregos.Getúlio ampliou sua a produção: carros, caminhões, casinhas mobiliadas de boneca começaram a aparecer, além dos bonecos, todos batizados segundo sua inspiração ao término da confecção.

O Bonde Oficina de Getulio - foto de Sérgio Araujo Pereira

Por essas figuras, que muitas vezes coloca nos estribos dos bondes, ele tem um carinho especial, admirando-lhes a utilidade, pois usa os bonecos também como sinaleiros, idéia que lhe ocorreu por acaso. Na banca de Getúlio, encostada em uma árvore, na rua Leopoldo Fróes, uma ladeira, paralela à Almirante Alexandrino, fica seu material e instrumental de trabalho, composto tanto de ferramentas usuais, como alicate, martelo, tesoura de cortar folha-de-flandres , quanto outras, improvisadas, como um pedaço de trilho de bonde para bater ferro, uma engenhoca para funilaria, facas velhas, facões entre outras ferramentas inventadas.

A decoração do bonde com personagens feitos de sucata - Foto: SErgio Araujo Pereira

Getúlio, nos seus 50 e poucos anos orgulha-se de ter feito com amor, tudo o que lhe foi possível; e confia nos valores e padrões que ainda repassa aos filhos. Artisticamente sente-se realizado, embora em processo contínuo de aperfeiçoamento e busca de complementação de sua obra.

(Texto extraído da publicação do Museu do Folclore Edison Carneiro, ano 2000.”Veja, Ilustre Passageiro- Bondes de Getúlio Damado”)

TORRES, Maria Helena (pesquisa e texto). VEJA, ilustre passageiro: bondes de Getúlio Damado. Rio de Janeiro: FUNARTE/CNFCP, 2000

Bonde que faz parte do acervo do Museu do Folclore Edson Cordeiro

Saiba mais: Eletrificação dos bondes de Santa Teresa

O bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil. Seus serviços nunca foram interrompidos, apesar de grande pressão nesse sentido ao longo de muitas décadas. A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896, sendo um dos feitos mais notáveis o aproveitamento do antigo aqueoduto colonial como via de acesso ao bairro. O aqueoduto – conhecido atualmente como “Os Arcos da Lapa” – também é responsável pela bitola especial dos bondes de S. Teresa: 1,10m.

Arqueduto de Santa Tereza ou os arcos da lapa - fonte: O Rio de Antigamente

Fonte: O Rio de antigamente

A sustentabilidade nas obras do Getulio

Falando de sustentabilidade: os bondes são feitos de material reciclável, caixas de madeira, plásticos, metais, transformando lixo em arte. Por meio do seu trabalho artístico Getulio gostaria de provocar uma melhoria no despejo de resíduos sólidos na sua comunidade e uma maior preservação aos bondes de Santa Teresa que deveriam se tornar patrimônio hsitórico.

Informações coletadas pela Associação Santa Sucata Projetos Culturais e Sócio-ambientais.

Vejam o ensaio fotográfico completo: Sergio Araújo Pereira

Vejam também as fotos de Bia Hetzel que denunciou pelo Facebook o que estava acontecendo

Assistam ao exelente Vídeo “Ordem Urbana” – Por Leonardo Holanda


Video filmado no Dia em que o Artista Getulio conseguiu a liberação para permanecer em seu bonde – Bonzolandia.

Adorável depoimento sobre o Mestre Messias. Filmagem Viviane Rangel. Reparem a devoção de getulio em São Jorge vestindo uma camiseta com a imagem do Santo Guerreiro.


Ontem dia 09 a Prefeitura enviou uma carta a Getulio avisando que ele não será mais despejado o a saga do “Bonde do Getulio” contra o “Dragão da Maldade” chega ao final. Segundo Bia Hetzel “ele está mais feliz do que quando o Brasil ganhou uam copa do mundo.”

O "Nada a opor" entregue pela prefeitura do Rio ao querido artista Getulio: Fonte Bia Hetzel

UM abraço cultural Getulio.

O agradecimento do Mestre Getulio - Foto Bia Hetzel


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A Arte Popular sobre as águas do Velho Chico

Sim um Barco-Museu é a mais nova atração em Alagoas e Sergipe. Uma inicativa unica, idealizada e posta em prática pelos artistas: Dalton e Maria Amélia. O Museu sobre as águas vai flutuar, levando Arte Popular, sobre um dos mais celebres, curiosos e encantados rios brasileiros: O Velho Chico.

O barco-museu Santa Maria estará percorrendo as águas do rio São Francisco levando exposição de cultura popular, exibição de vídeos e oficinas de arte-educação para cerca de 10 mil moradores ribeirinhos de cidades e povoados de Alagoas e Sergipe.

Imagem do barco Museu sobre o rio

O projeto “O Museu no Balanço das Águas é uma realização da Galeria Karandash – Arte Contemporânea, com o patrocínio do Programa BNB de Cultura Edição 2010 parceria BNDES e apoio do Sebrae-AL, Sesc-AL e das prefeituras por onde a embarcação vai passar.

A viagem cultural do barco-museu Santa Maria começou na Ilha do Ferro (Pão de Açúcar), onde foi montada a exposição “Fernando Rodrigues – O Guardião de Memórias”, em homenagem ao artista e designer morto ano passado.

EScultura de Fernando Rodrigues O Guardão das Memórias em madeira

A embarcação também ganhou carranca (escultura) do artista Veio, o Marinheiro do escultor Resendio e os cataventos de mestre Zezinho.

Carranca criada por "Véio" especialmente para o museu.

Enfeitado e lotado de cultura, o Santa Maria inicia a jornada com paradas nos municípios alagoanos de Pão de Açúcar, Traipu e Belo Monte; atravessa o rio e vai para a margem sergipana, atracando em Porto da Folha, Ilha do Ouro e Niterói.

Em cada local, a comunidade é convocada para visitas guiadas ao barco-museu, assistir vídeos sobre os artistas da região e participar das oficinas de pintura, desenho, escultura e instalações com arte-educadores e professores das escolas públicas das cidades. A intenção é que 1500 crianças e adolescentes da rede pública de ensino participem das atividades.

“O barco-museu, além de possibilitar acesso às manifestações artísticas nas mais variadas linguagens, dentro da diversidade cultural, será um instrumento importante também na comunicação entre os povoados e entre os seus moradores, estreitando laços, revelando talentos e permitindo a troca de saberes, inclusive na proteção ambiental e na valorização patrimonial”, ressalta Maria Amélia, que assina o projeto com o também artista Dalton Costa.

IMagem aérea do barco com as enormes esciulturas anexadas á estrutura da embarcação.

Os "barqueiros" Dalton e Maria Amélia os criadores e responsáveis pelo projeto

Com a sede de conhecer e vivenciar a riqueza da arte popular do interior do Nordeste do Brasil, os artistas falam de uma experiência fantástica. “Numa dessas viagens, saboreando postas de piau com farofa, numa velha embarcação de passageiros do Baixo São Francisco, entre Pão de Açúcar e Ilha do Ferro, nosso olhar se perdeu em algo muito maior do que as nossas necessidades de artistas e colecionadores. Tivemos a grata experiência de olhar além do rio as comunidades ribeirinhas, afastadas dos grandes centros, algumas sem nenhuma comunicação, crianças brincando em suas margens, os cantos das lavadeiras com suas roupas coloridas, o batuque dos lençóis ensaboados nas pedras, os solitários pescadores em seus pequenos barcos, a paisagem mágica e desoladora, enfim, estávamos dentro de um Brasil que não conhecíamos com profundidade. Nossos corações inquietos buscavam muito mais do que os estímulos para nossa arte. Ali nascia a ideia de troca, de intercâmbio, de comunicação entre dois mundos. O mundo das grandes cidades e dos povoados de um Brasil esquecido. Nascia ali um barco-museu batizado pelo talentoso estudioso de literatura Roberto Sarmento de O MUSEU NO BALANÇO DAS ÁGUAS”. Nessa poesia, Dalton e Maria Amélia reverenciam o amor pela arte e pelo povo nordestino.

Fonte:  www.baratelli.com.br

Terminadas as viagens, explica Maria Amélia, o barco-museu não será desmontado. Pelo contrário. Sua nova vocação é permanente e ficará atracado no município de Pão de Açúcar, podendo ser palco de várias ações educativas e culturais.
“É um equipamento cultural à disposição das regiões afastadas dos grandes centros, que irá possibilitar o acesso e a inclusão dessas comunidades aos bens culturais de um modo geral”.

O São Francisco e suas Carrancas

Já não se encontram mais nas proas das embarcações são – franciscanas as célebres carrancas – uma das mais genuínas e enigmáticas manifestações da arte popular brasileira -, cuja forma predominantemente zooantropomorfa se mostra de uma originalidade sem similar na história das navegações.

Mesclando detalhes humanos com os de animais, destes, sobretudo a generosa cabeleira à semelhança de uma juba de leão, elas apresentam em geral uma expressão de ferocidade. São feitas de um único tronco de madeira e retratam apenas a cabeça e o pescoço de alguma figura mitológica indeterminada.

As primeiras referências às carrancas datam de 1888 em livros de Antônio Alves Câmara e Durval Vieira de Aguiar. As carrancas eram construídas a princípio com um objetivo comercial, pois a população ribeirinha dependia do transporte de mercadorias pelo rio, e os barqueiros utilizavam as carrancas para chamar a atenção para sua embarcação. Em certo momento, a população ribeirinha passou a atribuir características místicas de afugentar maus espíritos às carrancas. Esta atribuição colocava em segundo plano o aspecto artístico da produção das carrancas, ou seja, como forma de manifestação cultural popular de uma região brasileira.

Especial Velho Chico no site Jangada Brasil:

Universalidade

É difícil determinarmos a sua real origem, devido à sua universalização. Os selvagens adaptavam uma espécie de maraca na extremidade de seus barcos que serviam para conduzir os guerreiros ao combate. No Egito antigo, tais figuras eram por demais populares no rio Nilo; e nas regiões do Congo e da Guiné tornaram-se inconfundíveis pelo aspecto ornamental.

A primeira figura de proa de que se tem conhecimento teria sido uma criação dos Argonautas e representa a efígie de Argos. Aproveitaram, inicialmente, como idéias, criaturas humanas ou entidades fantásticas.

Os gregos exibiam sua mais famosa figura mitológica – Vênus, enquanto cartagineses e latinos esculpiam aves; mais tarde, ingleses e espanhóis difundiram largamente essas figuras, dando-lhes, os últimos, um cunho religioso.

Proteção

É provável que as carrancas das barcas do rio São Francisco tenham advindo do Mediterrâneo, sob a influência de portugueses e espanhóis. Possuem igual caráter religioso, porém ora de fundo fetichista, ora de fundo católico. Sua função é proteger a embarcação e os seus tripulantes dos inimigos que podem estar ocultos nas águas do rio.

As carrancas são entalhadas em madeira, recebendo depois um colorido quase grotesco. O leão e o cavalo são os animais preferidos para a representação, uma vez que os elementos marinhos são desconhecidos nos rios.

O fato mais importante, no entanto, a se assinalar é que elas se encontram correlacionadas ao ciclo pastoril em nosso país com marcante tipo de escultura.

(Saldanha, Maria Emília F. “Leões e cavalos garantem proteção aos barqueiros do São Francisco”. O Globo, Rio de Janeiro, 18 de julho de 1968)

Viagem conosco nesta aventura cultural sobre este Velho rio cheio de costumes e mistérios. Conheça o melhor da arte ribeirinha. Fonte: acessoria de Imprensa  do “Balanço nas águas”:

Galeria Karandash

Av. Moreira e Silva, n° 89 – Farol – Maceió / AL – Fone: +55 82 3221.0883

Email: karandash@karandash.com.br