O Olhar brasileiro de Thomaz Farkas – 1924-2011

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O Celophane Cultural homenageia mais um ilustre brasileiro, bem ele era húngaro e naturalizado brasileiro mas muito brasileiro, que voltou no dia 26 de Março passado para o Reino de Oxalá: Thomaz Frakas (1924-2011)

Foto: Farkas por Alexandre Belem/JC Imagem

“[…] propondo que o pensamento descubra a imagem”.

Nome definitivo para a compreensão da fotografia brasileira, também produtor e diretor de cinema, Farkas perpetuou os seus dias com doçura e generosidade tanto quanto o fez com sua arte. Naquele dia a fotografia brasileira se despedia fisicamente de um personagem que, resumiu a imagem da forma mais simples e certeira, como se jamais ouvíssemos de outro fotógrafo: “Fotografia é emoção!”. Apenas isso, emoção.

O interesse pela fotografia

A história começa com o seu pai, fundador da loja Fotoptica, especializada em equipamentos fotográficos. Farkas vivia entre profissionais e conciliava o curso de engenharia com a paixão por imagens.

A Revolução pela Fotografia

Naturalizou-se brasileiro aos 25 anos, passou a amar esse Pais com tanta intensidade que em 1964 diante do anuncio perverso do que seria um longo esquema de repressão política: A Ditadura, imaginou que o melhor para o Brasil seria conhecer a si mesmo “Eu achava que dando essa consciência, mostrando para a população quem somos nós, seria tão revolucionário quanto uma revolução”

Auto retrato - Thomas Frakas - Acervo IMS

Ainda trabalhando na loja do pai, ele reuniu amigos conhecidos para uma ideia simples: a Caravana Farkas: documentar lugares e pessoas pelo Brasil, uma espécie de biblioteca em imagens da cultura popular, em fotos e vídeos. “Esse era o princípio da coisa: como é o Brasil do Norte, como é o Brasil do Sul, como posso ilustrar isso?  A proposta era estudar, correr e documentar o país, em diversas fases.” Essa foi definitivamente o inicio da sua enorme contribuição ao Brasil.

(…) Em 1968, parte para o Nordeste um grupo de jovens cineastas, organizados em torno do empresário, fotógrafo produtor e Thomaz Farkas (2), com o intuito de realizar um projeto pioneiro na área da documentação de manifestações da cultura popular brasileira, em que havia liberdade tanto para o uso das técnicas de reportagem tradicionais quanto para as da ficção, contemplando da precisão etnográfica ao improviso.

No total, foram dezenove os documentários produzidos. Cada um deles traz a abordagem de um tema único: a literatura oral, em A Cantoria e Jornal do Sertão; a religiosidade popular, em Padre Cícero e em Frei Damião; o artesanato, em A Mão do Homem, Os Imaginários e Vitalino/Lampião; a economia, em Casa de Farinha (mandioca), Erva Bruxa (tabaco), O Engenho (rapadura), A Morte do Boi (gado) e Região: Cariri (estrutura agrária); o sertanejo, em A Beste, A Vaquejada, O Homem de Couro e O Rastejador; e o cotidiano na fazenda, em Jaramataia. As exceções ficam por conta de Visão de Juazeiro e Viva Cariri!, que apresentam uma síntese de toda a temática do projeto, relacionando economia, cultura e religiosidade popular.(…)

Do lado de fora do Estádio do Pacaembu. São Paulo, SP. 1941. Foto: Thomaz Farkas/Acervo IMS

A Imagem pode falar

Farkas não gostava de legendas nas fotografias para que a imagem não tivesse interferência e pudesse “falar” em sua plena representação poética.

torcedores no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, em 1942 - Thomaz Farkas - acervo IMS

Foto Cine Clube Bandeirante

O Foto Cine Clube Bandeirante é um dos mais antigos e importantes fotoclubes brasileiros, localizado na cidade de São Paulo. Fundado em 1939, tem diversas atividades e ajudou o conceito de fotografia artística no Brasil, com reconhecimento inclusive de clubes do exterior.

Foto: Thomaz Farkas - Acervo IMS

Do Foto Cine Clube Bandeirante sairam fotógrafos brasileiros famosos, tais como Thomas Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, Madalena Schwartz e José Yalenti, entre outros.

O clube organizou por anos o Salão Brasileiro de Arte Fotográfica, já organizou duas vezes a Bienal Brasileira de Fotografia entre clubes, e salões digitais como Web Art Photos e Tecnologia na Arte.

Sendo um dos pioneiros na fotografia-arte brasileira, o FCCB introduziu na fotografia a partir da década de 40 novoas conceitos para a foto-arte, com seus salões concorridíssimos, exposições e múseus antes só para pinturas e esculturas, também foi responsável pela “Escola Paulista” de fotográfos que mudaram os conceitos de composição, estilo, recortes, etc… na fotografia vista até então como academica e pictorialista.

Farkas fala do vídeo feito por ele: “Pixinguinha e a velha guarada do samba”

O Olhar sobre Brasília

Thomaz se viu em meio à outra revolução. Desta vez estética: Brasília. “Fui até lá quando era só descampado”, lembra. “Tinha amigos entre os arquitetos que concorreram com projetos para a capital. Sobretudo, o Jorge Wilheim.”

Àquela altura, Thomaz era mais que o empresário que tocava os negócios da família. Havia se tornado engenheiro mecânico e eletricista e, também, um apaixonado – e ótimo – cineasta e fotógrafo. “Passei a ir várias vezes à Brasília, antes e depois da inauguração”, conta. “Estava fascinado com toda a modernidade, a maravilhosa aventura de tirar a capital do Rio e fazê-la no meio do País. Continuo juscelinista.”

Foto: Construção de Brasilia - Thomaz Farkas - Acervo IMS

Thomaz encantou-se com um aspecto em especial: a mistura de sotaques. “Era fantástico ouvir os trabalhadores de todos os cantos do País, cada um com seu jeito de falar”, recorda o fotógrafo que, ao longo dos anos, permaneceu visitando e registrando imagens de Brasília. “Continuo fascinado pela cidade!”, exulta. “Ok, ficou com trânsito congestionado. Mas isso ocorre com qualquer metrópole, não tem jeito.”

O FIESP montou uma mostra fotográfica – AS Construções de Brasilia – A mostra fotográfica, reuniu cerca de 200 registros entre fotografias e obras de artes visuais sobre a capital federal. AS imagens feitas por Farkas fizeram parte desta mostra.

“Eu gostaria de ser baiano”

(…) No dia 2 de agosto de 2010, à beira da Bahia de Todos os Santos, no Museu de Arte Moderna da Bahia, inaugurou a exposição Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido, dentro do projeto A Gosto da Fotografia. Já com a saúde debilitada.

Na mostra em Salvador existia um Núcleo para o Afeto, onde estavam tesouros pessoais do fotógrafo, entre eles, um “santinho” enviado por Deoscóredes Maximiliano dos Santos, outro grande homem, o Mestre Didi. O cartão anunciava a “passagem” de Mãe Senhora, rainha absoluta do Ilê Axé Opô Afonjá. Tomado de “emoção”, ele disse, quase em silêncio: “No Brasil, a coisa mais importante não é o dinheiro, mas, sim, a amizade”. Às 19h30, naquele 31 de julho, Thomaz entrou no MAM. Vestido de branco, sentou-se em uma cadeira ao lado do mar da Bahia. Ali, sentia-se o seu tempo dissolvido. Foi como num transe. Recortado pelas luzes da Ilha de Itaparica ao fundo. Sentado em seu trono, diante das imagens que fez durante a vida inteira. Com o mar da sua terra espiritual arrebentando em espumas flutuantes de brancura, memória e solidão (…)

Thomaz sempre conservou um olhar deslumbrado. Possivelmente, semelhante àquele do garotinho húngaro ao chegar ao país. Que se tornou o seu.

O Acervo:

No Instituto Moreira Salles em São Paulo, encontra-se grande parte da obra do artista – cerca de 34 mil imagens.

A expo Thomaz Farkas: uma Antologia Pessoal,  produzida pelo Instituto Moreira Salles, em São Paulo ficou em cartaz até 1º de maio deste ano. Na expo, imagens do fotógrafo produzidas a partir da década de 1940, época em que Farkas se associou ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), local de debate sobre a atividade fotográfica. E também trabalhos posteriores do fotógrafo, com uma abordagem mais humanista, quando Farkas se aproxima do fotojornalismo. Destacam-se as séries sobre o Rio de Janeiro que incorporam o retrato e a vida dos moradores de bairros populares e regiões do centro histórico da então capital federal.

Capa do Livro - IMS

Paralelo a mostra, foi lançado o livro homônimo que possui cerca de 140 imagens, com texto de João Farkas, filho do fotógrafo. Para compor livro e exposição, durante dois anos Thomaz Farkas revisitou toda a sua trajetória, com suporte de seus filhos João e Kiko Farkas, e em conjunto com os pesquisadores e curadores do IMS, que hoje preserva sua obra fotográfica.

Entrevista do Blog do Coletivo Produção Cultural:

Fontes:

Matéria da revista Brasileiros : Thomaz Farkas e o tempo dissolvido (1924 – 2011) – Diógenes Moura (Escritor e Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo) Matéria revista Brasileiros

Entrevista na Integra de Tomas Farkas – Blog: Produção CulturalEntrevista em PDF

Blog Olhavê – Por Alexandre Belém – OLhavê

O diálogo entre culturas presente nos filmes documentários da Caravana Farkas: uma proposta de análise por Alfredo Dias D’Almeida

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Os Gigantes de Olinda

No Nordeste o Carnaval ainda não acabou, em tempo o Celophane Cultural mostra uma arte que a cada ano que passa traz pras ruas de Olinda mais e mais personalidades da cultura POP para nos encantar com sua beleza plástica seu bom humor e traços realistas. Os famosos Bonecos Gigantes de OLinda que a dois anos inaugurou um museu numa das ruas mais charmosas do Recife Antigo, a Rua do Bom Jesus,  a Embaixada dos Bonecos Gigantes. A matéria tem a colaboração do correspondente de OLinda, Juliano Mendes da Hora do Blog Cajumanga.

Nas apertadas ladeiras de Olinda os encantadores bonecos desfilam por entre os foliões - Foto: Juliano Mendes da Hora

Os Bonecos Gigantes surgem na Europa, provavelmente na Idade Média, sob a influência dos mitos pagãos escondidos pelos temores da Inquisição. Chegam em Pernambuco através da pequena cidade de Belém do São Francisco no sertão do estado.

AS Margems do rio a Belem do São Francisco todo ano recebe os bonecos gigantes - foto do Homem da Meia Noite personagem indispensável no Carnaval Pernambucano - foto:Renato Spencer/Santo Lima - site: http://carnaval.uol.com.br/2010/album/belem_sao_francisco_album

Os bonecos surgiram da vontade de um jovem sonhador que ouvia atento as narrativas de um padre belga sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da Europa.

O primeiro boneco foi às ruas da pequena cidade durante o carnaval de 1919 com o surgimento do personagem Zé Pereira, confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê, somente no ano de 1929 resolveram criar sua companheira, boneca esta batizada com o nome de Vitalina.

Quem foi essa tal de Zé Pereira

A constatação da existência de uma diversão carnavalesca conhecida como Zé Pereira em Portugal do século XIX parece apontar para a forte influência lusitana no surgimento da brincadeira no carnaval carioca. A Hsitória oral  atribui a “invenção” do Zé-Pereira a um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Divulgada na maioria dos livros sobre carnaval, essa versão acabou ocultando toda uma série de influências que contribuíram para o surgimento dessa curiosa categoria carnavalesca. As raras referências sobre a tema na literatura carnavalesca são bastante desencontradas. Estas apontam o “surgimento” do Zé Pereira em 1846 (Moraes, 1987), em 1852 (Edmundo, 1987) ou em 1846, 1848 e 1850 (Araújo, 2000).

Zé Pereira no Carnaval - fonte desconhecida

A principal razão dessa discrepância é o fato de que a categoria “Zé Pereira” só se fixaria anos mais tarde. Na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de bloco de sujo. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de Zé Pereira.

E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval


Os Gigantes de OLinda

A tradição dos bonecos gigantes, iniciada em Belém do São Francisco, ganhou as ladeiras de Olinda em 1932, com a criação do boneco do Homem da Meia Noite, confeccionado pelas mãos dos artistas plásticos Anacleto e Bernardino da Silva

O primeiro Homem da Meia Noite - Fonte: http://www.homemdameianoite.com

Fundado no dia 02 de fevereiro de 1932 pelos senhores Benedito Bernardino da Silva, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Cosme José dos Santos, Manoel José dos Santos e Eliodoro Pereira da Silva. O Homem da Meia Noite é resultado de uma dissidência dos diretores da troça Cariri de Olinda. Porém, muitos mistérios e curiosidades envolvem sua história. Alguns admiradores, historiadores e parentes dos fundadores retratam duas versões sobre a origem desse símbolo cultural, dessa figura mística e encantadora. A 1ª versão; conta a sabedoria popular, que Luciano Anacleto de Queiroz, era um apaixonado pela sétima arte. Em um belo dia de domingo foi ao cinema assitir a um filme “O ladrão da meia noite”. Era a história de um ladrão de classe, que saía de um relógio sempre a meia-noite, cada dia de um lugar diferente, causando pânico na cidade. Impressionado com o personagem do filme, Aanacleto resolveu homenageá-lo criando o Homem da Meia Noite.


A segunda versão, retrata a história de outro fundador, o marceneiro Benedito Bernardino, autor oficial do Hino do Homem da Meia Noite que junto com dois amigos de profissão da comunidade do Bonsucesso deu vida ao calunga mais famoso do Brasil. Conta-se que Benedito ficava madrugada adentro em frente a sua residência compondo músicas carnavalescas, na Estrada do Bomsucesso. Nos finais de semana especialmente do sábado para o domingo, Benedito começou observar que um homem forte, alto e elegante trajando sempre cores verdes e branca com chapéu preto, com um dente de ouro o cumprimentava com um aceno e um belo sorriso. Desconfiado, pois aquele homem passava nos finais de semana, quase sempre a meia noite, fato incomum nos anos 30 na velha Marim dos Caetés.Intrigado, Benetido resolveu segui-lo e descobriu que o homem era um apreciador das belas mulheres, pulava escondido as janelas das donzelas da cidade para namorar. Voltando pra casa muito surpreso com sua descoberta, lhe veio a idéia de homenagear tal figura , o “Dom Juan” das madrugadas olindeses. Qual a verdadeira versão, não se sabe ,a verdade é que o gigante da meia noite arrasta milhões de foliões durante os seus desfiles; e sua saída apoteótica é tradição nos sábados de Zé Pereira.

Porta da sede do Homem da Meia Noite - 1996 - foto acervo Homem da Meia NOite

 

Coencidências ou Fato ?

Versões a parte, outras curiosidades marcaram a história do calunga: Viaje conosco neste mundo de magia .O homem da Meia-Noite nasceu no dia 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá à meia-noite, por isso é considerado uma figura mística do candomblé denominado assim de calunga.Sua quarta sede social hoje definitiva fica localizada em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens pretos de Olinda uma das mais mistíca da nossa cidade. Tárcio Botelho,foi o presidente do clube que sucessivamente mas tempo permaneceu no cargo de 1991 à 2001, Tárcio morreu em 2001.O alfaiate “Brasil” é o grande responsavel pelas belas roupas do Homem da Meia-Noite a mais de 30 anos.O Senhor “Brasil” alfaiate antigo da cidade não veste outra cor a não ser a branca, você sabe porque? Outros fatos recentes chamam a nossa atenção a casa número 301 da Rua do Amparo pertence ao atual presidente do clube Luiz Adolpho, que descobriu após anos de pesquisa, que a mesma foi a segunda sede social do homem da meia-noite, o calunga saiu muitas vezes do quintal da sua casa. Segundo o presidente Luiz Adolpho o titúlo mais importante da história do clube “Patrimônio Vivo de Pernambuco” foi conquistado no dia 20 de Dezembro de 2006 dia do aniversário do seu filho mais velho que tem o nome do seu pai Tárcio Botelho.Coincidencias ou fato a verdade é que o Homem da Meia-Noite respira emoção e magia.


A Família Gigante

Em 1937 surgiu a Mulher do Meio Dia, em 1974 foi à vez do Menino da Tarde pelas mãos do artista plástico Silvio Botelho Botelho, que popularizou a tradição com criação do Encontro dos Bonecos Gigantes, onde vários bonecos de diversos artistas se encontram para um grande desfile pelo sitio histórico de Olinda na terça de carnaval.

 

Silvio Botelho posa ao lado de boneco do fundador do Galo da Madrugada, Enéas Freire, à sua esquerda e do compositor Capiba. - Foto: Geyson Magno / UOL

“Na adolescência, com dez, doze anos já tinha essa energia. Brincava com máscaras. A primeira máscara que fiz, foi uma máscara com o rosto de Glória, minha irmã. Morava no Amaro Branco. Deitei Glória no chão, tinha muito capim e disse: – Eu quero fazer uma máscara. Coloquei papel misturado com goma no rosto de Glória e um canudo na boca para ela respirar. As formigas mordiam Glória, mas ela resistiu. E a primeira máscara ficou pronta.”

“O primeiro boneco que fiz, foi em 1975, foi o Menino da Tarde. Ernandes Lopes foi a pessoa que me pediu para fazer. Nessa época, só existia o Homem da Meia-Noite e a Mulher do Dia. Era o filho dos dois. O maior desafio foi entender o que era fazer um boneco gigante. Um boneco com 2 metros e 90 centrímetros de altura. Em dois meses o Menino da Tarde ficou pronto. O boneco pesava 35 quilos e foi confeccionado em madeira, capim, papelão duro e papel. Ao ver o resultado, o renomado artesãoRoque Fogueteiro ficou impressionado com a beleza da obra e me aconselhou a prosseguir no caminho da arte.”

Silvio Botelho em entrevista para o Blog Arlindo Siqueira

A Nova Geração

Em 2008, o empresário e produtor cultural Leandro Castro criou uma nova geração dos Bonecos Gigantes. Uma equipe montada com diversos artistas como: Antônio Bernardo (Escultor), Aluísio de Nazaré da Mata e a estilista Sineide Castro, responsável pelos figurinos dos bonecos, materializaram grandes ícones da história e cultura brasileira e personalidades mundiais como: Duarte Coelho, Mauricio de Nassau, D. Pedro I, Dragões da Independência, Lampião, Presidente Lula, Obama, Michael Jackson, Nelson Mandela, Ariano Suassuna , Dominguinhos, Chacrinha, Alceu Valença, Chico Science, Nóbrega, Elba Ramalho, Pelé, Renato Aragão, Jô Soares ente outros.

 

personagens da Cultura POp na Embaixada dos Bonecos Gigantes - foto JeffCelophane

A nova geração dos bonecos tem impressionado bastante a todos pelo grande realismo das expressões faciais e figurinos, o que originou o titulo de museu de cera popular itinerante. Este maior realismo foi obtido na inovação dos materiais utilizados, a matriz moldada em argila para posterior aplicação de fibra de vidro, material este mais leve e duradouro, as mãos dos bonecos permaneceram em isopor para não machucar nenhum folião durante as apresentações, a altura média dos bonecos é de 3,90m.

O defensor da Cultura Popular Brasileira eternizado num boneco - Ariano Suassuna - Embaixada dos Bonecos Gigantes - Foto: JeffCelophane

 

Em 2009, foi realizado na segunda feira de carnaval, a primeira Apoteose dos Bonecos Gigantes no Sitio Histórico de Olinda com 30 bonecos, em 2010 o evento contou com mais de 60 bonecos revivendo grandes personalidades da cultura e historia pernambucana, brasileira e mundial.

 

Atualmente os bonecos permanecem em exposição o ano inteiro na Embaixada dos Bonecos Gigantes em REcife.

 

Vejam a Matéria do Blog Cajumanga de Olinda onde o pernambucano JUliano Mendes da Hora nos conta sobre o Carnaval de Olinda e sobre os bonecos gigantes que povoam um dos carnavais mais valiosos de nossa cultura popular.

Juliano nos conta um pouco como foi o Carnaval de Olinda 2011:
A saída dos Bonecos Gigantes de Olinda, que se concentram no Largo de Guadalupe, próximo ao bairro do Amparo, na Terça-Feira de Carnaval, é um espetáculo de cores e tradição popular que é passada de geração em geração. Vale à pena assistir se embrenhar pelas ruas estreitas do bairro e se perder por entre os ícones da cidade alta, que são preparados pelo povo enquanto não iniciam a sua missão de andar por entre os foliões no penúltimo dia de carnaval.

A responsabilidade de carregar um Icone da cultura Pernambucana - Foto Juliano Mendes da Hora

Os bonecos representam as várias culturas e pessoas envolvidas na história da cidade. Não importa a sua classe social, se é famoso, ou se pertence ao cotidiano do bairr: Todos são importalizados e tratados com reverência durante estes dias de folia. Geralmente, artistas são homenageados e recebem suas versões gigantes, assim como Tapioqueiras, cantores, estudiosos, educadores… Cada pessoa que possa ter deixado sua marca na cidade e no mundo é homenageada com um boneco.
Estão presentes desde Capiba, famoso poeta e autor dos mais clássicos frevos do estado, passando por celebridades nacionais como Ayrton Senna, ou internacionais, como Einstein, Fidel Castro e Michael Jacskon, entre outros.
As lendas e personagens do folclore pernambucano também marcam presença, tornando a festa ainda mais autêntica e brasileira.

Fontes:

Embaixada dos bonecos gigantes de Olinda

A Embaixada funciona de domingo a domingo, com horário das 8h às 18h de segunda à sábado e até às 19h nos domingos. A entrada custa R$ 4,00, com gratuidade para crianças até 12 anos acompanhadas de adulto.

Endereço: Rua do Bom Jesus, 183, Recife antigo
Tel: (81) 3441-5102 ou 8775-0540

wikipedia – Zé Pereira

Homem da Meia Noite

Fotopintura, a memória “tatuada” na parede

Hoje o Celophane Cultural vai tratar de uma arte, quase esquecida pelo tempo, que se não fosse o empenho e perseverança de um Cearense, mestre do ofício, ela hoje não existiria mais: a Fotopintura

São Paulo, Fevereiro de 2011 um workshop sobre as técnicas da Fotopintura e uma parceria entre a Galeria Choque Cultural com o Mestre e ainda o lançamento do livro: “Júlio Santos – Mestre da Fotopintura” celebram mais um paço na preservação desta arte que “tatua” a imagem e a memória das pessoas nas paredes de uma casa.

São Paulo, 05 de Abril a 28 de Maio a Galeria Estação traz a Exposição “Fotopinturas – Coleção Titus Riedl”.
O Ofício da Fotopintura

Ofício muito comum no começo do século XX, tempo em que a fotografia ainda engatinhava e precisava da ajuda de um colorista-pintor que para complementar a imagem preto e branca. Até o final dos anos 1950, era muito comum ver os álbuns de foto da família com retratos pintados à mão ou a família e entes queridos “tatuados’ e emoldurados nas paredes da casa. As câmeras coloridas vieram, com tamanhos menores e valores acessíveis fazendo com que a fotopintura caísse em decadência.

Fotopintura de Mestre Julio - divulgação

No Nordeste, essa tradição continuou por vários motivos, principalmente pela dificuldade de acesso aos novos produtos fotográficos e novidades tecnológicas. Uma outra forma de eternizar um ente querido, já falecido, onde apenas uma foto “carcomida” pelo tempo era a única lembrança, seria a reprodução em fotopintura, preservando a beleza guardada na memória e muitas vezes, a pedido do cliente, consertando alguns defeitinhos que por ventura a foto apresentasse.

O Mestre Julio

No Ceará, o Mestre Júlio, fotopintor de primeira, criou boa fama entre os que precisavam de um retoque de estilo nos retratos e manteve seu negócio até a virada do milênio.

Fotopintura do Fotografo e amigo Tiago Santana e sua esposa feita por Mestre Julio - a foto faz parte do Livro

Mestre Júlio Santos, fotopintor de retratos, atua há mais de 40 anos em Fortaleza (CE). Foi formado no estúdio do seu pai, o Pai Didi, pelo artista plástico Medeiros –contemporâneo de Estrigas, Aldemir Martins e Mário Barata, todos da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), onde Júlio Santos trabalhou desde os 12 anos. Atualmente, em seu próprio estúdio, o Áureo Studio, atende a todos os pedidos de retrato, restauro e “transformação” do Ceará e outras capitais de norte a sul do país.

Com o advento da fotografia digital, poderia se pensar que o oficio da fotopintura acabaria de vez e ficaria na memória dos saudosistas. Apesar das dificuldades, Mestre Júlio não desistiu e, com a ajuda da filha, resolveu “virar a mesa” trazendo finalmente a tecnologia digital para transformar o negócio da fotopintura. “Mantive as características estéticas da fotografia colorizada, mas hoje uso o Photoshop, scanners e outros programas e equipamentos de captação e tratamento de imagem disponíveis, detalha Mestre Júlio.

Mestre Júlio acredita na transformação pelo trabalho artístico do fotopintor e investe na construção da memória e recuperação da história do cliente que encomenda um restauro ou um retrato. Ao mesmo tempo, já teve seu trabalho registrado em diversos documentários produzidos pela historiadora e diretora do Memorial da Cultura Cearense, Valéria Laena, pelo fotógrafo Tiago Santana e pelo cineasta Joe Pimentel. Participou dos Encontros de Fotografia Popular, no Memorial da Cultura Cearense, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Encontro DeVERcidade, em Fortaleza. Participou também da mostra Retratos Populares, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, em 2006, ao lado de Telma Saraiva, outra artista do Crato (CE).

Desde 2009 trabalha com o fotógrafo Luiz Santos, de Recife, no projeto Fotopintura Contemporânea, na Tamarineira, nome popular do Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano, que fica no bairro homônimo.

O LIvro

“Júlio Santos, Mestre da Fotopintura”

Capa do Livro - “Júlio Santos, Mestre da Fotopintura”

Este livro foi selecionado pelo Edital Conexão Artes Visuais MinC/ Funarte/ Petrobrás e pelo Edital de Incentivo á Fotografia da Secretaria de Cultura de Fortaleza – Secultfor, e foi publicado pela Editora Tempo d’Imagem.

A obra traz texto de apresentação da curadora Rosely Nakagawa e entrevista inédita com Mestre Júlio Santos, realizada por Isabel Santana Terron, Rosely Nakagawa e Tiago Santana, no Áureo Studio, em Fortaleza. Nessa entrevista, Mestre Júlio fala sobre sua carreira desde os primeiros retratos, feitos com recursos de pintura sobre papel de sais de prata, até os retratos feitos hoje com recursos digitais, quando teve que aprender a utilizar o Photoshop.

Foto: divulgação

Imagem do Livro: Divulgação

 

O livro foi produzido por várias mãos, como por exemplo: Rosely Nakagawa, Isabel Santana e Tiago Santana. Com divisão eficiente sobre o tema e bem ilustrado a partir do acervo de Júlio Santos, seguindo o modelo do antes e depois, podemos “entrar” no universo da fotopintura de forma objetiva e clara. Os textos de Rosely nos introduzem ao tema da fotopintura e ao Mestre Júlio.

O didatismo da obra se revela na entrevista com Mestre Júlio e com os últimos capítulos que são dedicados a uma espécie de glossário das técnicas do Estúdio Áureo, assim como de nomes que fazem parte do contexto da fotopintura no Ceará. Outro ponto didático é a apresentação da substituição da técnica artesanal da fotopintura pela ferramenta Photoshop. O livro mostra o passo a passo deste processo na transformação de um retrato em fotopintura.

Livros como esses são significativos, pois tratam de temas caros à difusão de conhecimento sobre história das técnicas fotográficas, da dinâmica do comércio da fotografia popular, do estilo autoral do profissional em questão, do valor simbólico existente entre pedir que a foto renasça de uma outra forma ou mesmo de preservar o que o tempo apagou de um retrato.

O livro acompanha um DVD com oum trecho do documentário “Câmera Viajante” com o título de “Retrato Pintado” de Joe Pimentel.

 

Faça a sua fotopintura em São Paulo

A Galeria Choque Cultural está atenta as iniciativas instigantes, como a de Mestre Júlio que foi convidado para um  workshop, marcando inicio da parceria entre a Choque e o estúdio do artista. “A partir desse dia, vamos oferecer o serviço de retratos fotopintados ao público da galeria. Basta trazer a sua foto 3×4 para receber de volta seu retrato estilizado pelo Mestre”, nos informa Ribeiro sócio da Choque. O preço inicial de uma fotopintura é de R$ 200,00.

Quem estiver no Ceará pode visitar o  Áureo Estúdio

encomendar sua foto e conhecer o simpático mestre:

R. Gonçalves Ledo, 1779 – Fortaleza (CE)

Mas a fotopintura não se restrige a Nordeste, no Rio – Baixada Fluminense a fotopintora D. Diana fez trabalhos com muita delicadeza e simplicidade, ela coloria as fotos do marido fotógrafo sem a intenção de se tornar uma profissional na área.

Auto retrato de D. Diana

A Galeria Estação traz a Exposição “Fotopinturas – Coleção Titus Riedl”, com Curadoria de Eder Chiodetto.

A exposição composta por 200 retratos pintados a partir de fotografias – técnica hoje praticamente extinta – que revelam o universo estético do sertanejo nordestino. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra apresenta parte da coleção do sociólogo Titus Reidl, que reúne cerca de 5 mil imagens adquiridas, em sua maioria, em Juazeiro do Norte (CE) e região.

O recorte curatorial privilegiou o embate entre fotografia e pintura. Segundo o curador, enquanto numa parte das imagens o aspecto fotográfico se mostra visível, em outras a fotografia é completamente ocultada, com os traços fisionômicos chegando ao limite da caricatura. “A soma das imagens, no entanto, tem a capacidade de revelar, além das feições, os sonhos de projeção, de afetividade, de memória, bem como os valores sociais do povo nordestino”, completa Chiodetto.

Local: Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625
Pinheiros – São Paulo

Convite da EXposição

Fotopintura do acervo de Titus Reidl

Fontes:

Galeria Choque Cultural:

Assessoria de imprensa:  Agência Cartaz

Blog Vila MUndo

Leandro Matulja e Sandra Calvi

Blog Olhave – Alexandre Belem

Fotos e BLog: Georgia Quintas

Workshop na Choque Cultural SP - Foto: Georgia Quintas

“Sigo o historiador Geoffrey Batchen que nos aconselha a olharmos mais para as nossas próprias fotografias e as dos anônimos. São nelas – nas imagens privadas – e nesses fotógrafos espalhados pelo Brasil e no mundo que vamos nos encontrar. Júlio Santos, como ele mesmo fala, acredita que o maior valor da fotopintura é “tatuar” as pessoas nas paredes de uma casa. Júlio Santos e Geoffrey Batchen fazem todo sentido.”

… A fotopintura de Júlio é um procedimento coletivo. A autoria? Quando se coloca o espírito e a alma naquele retrato, já é do mundo, de quem vê, não é mais do fotógrafo. Simples assim. “O retrato é encantador mesmo, não me sinto dono dele”.

Georgia Quintas.


Até a próxima edição do Celophane CUltural

Xilogravura, a madeira entalhada com a poesia Nordestina.

Ariano Suassuna disse sentir na gravura popular o que mais lhe agradava: o real transfigurado pelo poético, o real como mero ponto de partida, o achatamento geral da gravura pela ausência de profundidade, pela falta de tons entre o claro-escuro e pela falta de perspectiva, assim como a predominância do traço limpo, puro e forte contornando as figuras. Ele próprio é de opinião que a gravura e a literatura populares nordestinas representam um dos mais autenticamente brasileiros trabalhos de criação.

"Moça roubada" - J Borges - Galeria Brasiliana

Primeiros Traços – Em setembro de 1907, o Nordeste via surgir a gravura nos livretos de literatura popular em versos, ou simplesmente literatura de cordel. Ela ilustrava A História de Antônio Silvino, folheto editado por Francisco das Chagas Rodrigues, na Imprensa Industrial do Recife.

Em 1907 surge no Recife pela primeira vez a xilogravura no cordel. estampa de Antônio Silvino - Acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa.

No começo do século, quando o cangaço inquietava as populações do interior, surgiu um folheto de poesia da chamada literatura de cordel, contendo A greve da estrada de ferro e A história de Antônio Silvino (novas arruaças). Pelos assuntos, percebe-se que os acontecimentos narrados eram muito recentes, de acordo com a linha habitual dessa espécie de publicações, de uma atualidade quase jornalística. Portanto, é de presumir-se, com certeza, que o folheto é anterior a 1914, ano da prisão do famoso cangaceiro. Na capa, vê-se uma gravura reproduzindo a figura de Silvino em corpo inteiro, chapéu de couro, facão na cintura e nas mãos um bacamarte. Era o primeiro ponto de atração para o comprador analfabeto e até para o letrado, revelando a perspicácia do editor em utilizar como ilustração do folheto uma linguagem gráfica do próprio homem do povo, tão ao sabor da poesia.

A Origem no Mundo:

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

O entalhe da madeira

As matrizes para impressão das ilustrações são talhadas, quase sempre, na madeira da cajazeira , matéria-prima mole, fácil de ser trabalhada e abundante na região Nordeste do Brasil.

Os xilogravuristas utilizam apenas um canivete ou faca doméstica bem amolados.

“Em toscos pedaços de madeira, o artista popular nordestino construiu a mais rica e instigante expressão plástica da cultura brasileira. De pouca leitura, o artista usou a técnica milenar da xilogravura para retratar o seu mágico universo, onde anjos se misturam com demônios, beatos com cangaceiros, princesas com boiadeiros, todos envolvidos nas crenças, esperanças, lutas e desenganos da região mais pobre do país.

A aridez inclemente de todas as estações torna a paisagem sertaneja campo fértil para o fantástico. “Dentro da paisagem real, marcada por contrastes sociais, em que a maior sede é de justiça, os seres sofridos, desprezados e perseguidos encontram nos traços do gravador popular o campo para se transfigurarem em heróis e hóspedes de um mundo melhor.”

Jeová Franklin , curador da exposição: 100 anos da Xilogravura
(Xilogravura popular na literatura de cordel. Brasília: LGE, 2007)

Fontes:

O Conterrâneo – Banco do Nordeste

Exposição 100 anos da Xilogravura no cordel

O Cordel

A popularização da Xilogravura veio com a Literatura de cordel: um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou.  São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Em 2007 a Exposição “100 anos de Cordel – a história que o povo conta” com curadoria de Audálio Dantas mostrou que ao contrário do que se imagina, a literatura popular se mantém viva, e com muito vigor no Brasil, apropriando-se em alguns casos das novas tecnologias . Destaca também a presença de poetas populares nos grandes centros urbanos, onde continuam a produzir, não deixando se perder, entretanto, a cultura de origem.

Exposição 100 anos de Cordel - Curadoria de Audálio Dantas - Expografia Jefferson Duarte

Fotos: 100 ANOS DE CORDEL

SESC Pompéia – SP

Cordéis pendurados nas cordas - fonte Wikpédia

Os mestres:

Mestre Noza

O precursor da xilogravura decorativa

Inocêncio Medeiros da Costa ou Inocêncio da Costa Nick era do grupo de “santeiros do Padre Cícero”. Nascido em Pernambuco, em 1897, mudou-se para Juazeiro do Norte aos 15 anos. Foi o primeiro artista a ser publicado em álbum de gravuras populares brasileiras com a seqüência da Via Sacra, em Paris (1965) e a trabalhar por encomenda para um produtor cultural.

Página de cordel do Mestre Noza - Fonte: http://mestrenoza.blogspot.com/

Foto do Mestre Noza em seu atelier - por Mgorete

Xilogravura de Antonio Silvino

J Borges

Nascido em Pernambuco, em 1935, é patriarca de um clã de xilogravadores. Diz que tudo que aprendeu deveu-se ao medo de cortar cana. Estudou somente dez meses em escola. Agricultor, pintor, carpinteiro, fabricante de brinquedos, poeta, foi ser cordelista, ilustrar, imprimir e vender seus próprios folhetos. Obteve reconhecimento nacional e internacional e é hoje o mais conhecido xilogravador nordestino.

J. Borges em seu ateliê de xilogravura no Memorial J. Borges em Bezerros, Pernambuco - foto: Mais Cultura

Mãe da Lua de Abraão Batista

A Arte da xilogravura se mantém viva até os dias atuais gerando novos artistas com trabalhos impressionantes destaco aqui dois jovens que gosto muito do trabalho criado por eles:

Eduardo Ver

que está com uma exposição “O Tear Castanho de Eduardo Ver” –  Atelier Piratininga

Xilogravura que está na exposição de Eduardo Ver

Fernando Vilela:

Site Fernando Vilela

Imagens do livro de Fernando Vilela

Teia de Cordéis

A partir de Março de 2011, romances, personagens históricos, operetas, manuais, autos, hinos, elegias, canções, sátiras e muitos outros elementos serão encontrados no Museu de Arte Popular do Recife, através de um passeio por uma parte da coleção de cordéis portugueses do pesquisador Arnaldo Saraiva, professor da Universidade do Porto.

Museu de Arte Popular

Fundação Casa de Rui Barbosa

UM abraço cultural a quem me acompanha

Jefferson Duarte | JeffCelophane

Ninhol na TU Mercado de Moda e Arte

Estou aqui inaugurando o Blog Celophanico

Celophane CULTURAL um espaço destinado a contribuir discutir e disseminar a cultura Popular Brasileira.

Como matéria de estréia vou falar um pouco de um artista plástico que estou tendo o prazer de produzir e mostrar seu trabalho em São Paulo.

O artista:

Ninhol, apelido de infância de Jamerson, é um artista visual contemporâneo que tem um pé nas imagens que povoam seu imaginário e o outro na modernidade, ambos características marcantes do povo Pernambucano.

Desde pequeno o menino Ninhol acompanhava seus familiares nas procissões comuns na cidade barroca de Olinda e nas peregrinações a Juazeiro do Norte.  Mas seu olhar sobre as enormes e sagradas imagens dos santos, cores, fitas velas, anjos e divinos misturados aos bonecos gigantes, frevos e maracatus do colorido e pagão carnaval de sua terra, marcavam  a construção de um imaginário  próprio, que tempos depois começaram a ser reproduzidos em seus desenhos e pinturas que lembram vitrais de igreja.

Dessa mistura, do Sacro e Profano, desse sincretismo natural do povo brasileiro, nascem os vitrais de Ninhol, com cores extremamente harmônicas, traços firmes, mas com uma certa leveza calma e a serenidade da busca de um milagre, de uma graça alcançada. Recheados de símbolos e signos, é como se o seu imaginário se quebrasse em mil pedaços de vidro colorido e se remontasse harmonicamente em sua obra.

Com um esforço conjunto dele e meu, conseguimos um espaço para exposição de seus trabalhos em São Paulo sua exposição de estréia por aqui.  Os trabalhos são todos exclusivos para a mostra e estão á venda.

A exposição Ninhol na TU fica em cartaz até 1º de Agosto

TU – Mercado de MOda e Arte

Rua Pedroso de MOares, 793

Pinheiros

Já fechamos uma nova data em Setembro , com novos trabalhos e alguns desta leva,

na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos.

em breve divulgamos o material por aqui e os novas exposições fechadas.

Conheça mais o trabalho do Ninhol em seu site:

http://www.ninhol.com

Vejam as fotos da Inauguração no Flickr Celophanico

Fotos da Inauguração

Seja bem vindo ao conturbado Universo Celophanico.