Sonhando em Brennand

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Este é um dos meus lugares preferidos na Terra. Aliás, nem parece que você está no planeta. Esculturas e construções erguidas a partir do barro, o elemento número um da mitologia acerca da criação da vida. Toda esta arte de cerâmica saiu da mente de Francisco Brennand, artista pernambucano que nos tira da realidade a cada obra finalizada.

Para quem ficou curioso e tiver a fim de visitar, é só pegar mais informações no site oficial: http://www.brennand.com.br/

CREDITO

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Vendendo gato por lebre

Entender o circuito de distribuidores cinematográficos no Brasil é um desafio. Por muitas vezes, deixamos de conhecer ótimas produções, por decisões baseadas em tendências de mercado que subestimam os espectadores. Ou às vezes, é falta de talento para vender o peixe, mesmo. Mas, em se tratando de uma sociedade onde o apelo para o consumo se arma com estratégias cada vez mais elaboradas, fica difícil saber até onde estamos vendo algo concreto ou extremamente planejado.
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the-joneses-movie-poster1Veja ampliado: Poster ironiza com os clichês dos catálogos de vendas
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Pois o filme “The Joneses”, lançado em dezembro do ano passado nos Estados Unidos, e estrelado por David Duchovny (Arquivo X, Californication) e Demi Moore (Ghost) é um daqueles paradoxos de marketing: Ele pertence a um gênero, mas é vendido como outro mais amigável ao grande público. Em outras palavras, é como se a apresentação de uma orquestra sinfônica com a participação de um grupo percussivo fosse vendido como o novo show da atual sensação do axé. E não é que funciona? Continuar lendo

Compre música com tweets

A Orquestra Contemporânea de Olinda acaba de lançar seu disco novo, “Pra Ficar”. Programados para integrar as atrações do Mimo, a Mostra Internacional de Música de Olinda, onde devem apresentar o álbum ao vivo em Setembro, os integrantes resolveram apostar suas fichas numa nova forma de “comercialização” de música. As aspas aqui utilizadas vêm do fato que a moeda utilizada no consumo desta arte ultrapassa o valor monetário, através do uso da plataforma “Pague com um Tweet”.

A iniciativa é um sistema de pagamento social, onde o autor oferece algo para as pessoas e elas pagam por isso, divulgando em suas redes socias. Ao clicar no ícone do arquivo para download, o internauta é  “cobrado(a)” automaticamente, através de um redirecionamento ao serviço que ele preferir: Twitter ou Facebook. Este aplicativo funciona da mesma forma que os joguinhos e testes que precisam de nossa autenticação para que funcionem nas plataformas que utilizamos. Assim que você opta por uma delas, todos os seus amigos serão avisados que você obteve o novo disco / ensaio / livro / whatever do artista, de forma simples e justa!

Esta idéia subverte a prática do download livre, tão combatido e demonizado pela indústria fonográfica. Se antes, internautas simplesmente catavam links, baixavam conteúdo e a coisa ficava por isso mesmo, com esta idéia eles pelo menos fazem o mínimo para que a banda alcance uma gama maior de divulgação. Em uma analogia simplista, é o mesmo que você se oferecer para lavar a louça em retribuição ao almoço servido.

Então, prontos para baixar música boa de forma rápida, legalizada e feliz?

Acesse o site oficial da banda: http://orquestraolinda.com.br/

E se você gostaria de “vender” e promover a sua arte por módicos e poderosos tweets ou feicebuqueadas, crie a sua conta no “Pague com um Tweet”, no site oficial: http://www.paguecomtweet.com.br/

Eliane Elias incendeia o jazz

ImageQue o Brasil é um celeiro imenso de talentos musicais, todo mundo já está cansado de saber. Agora, por que diabos muitos destes talentos encontram maior reconhecimento lá fora em vez daqui, ninguém sabe explicar. Eliane Elias é um caso que se encaixa nesta categoria. Nascida em em São Paulo, a filha de pianista clássica se deixou levar pelo encanto do piano aos 13 anos e não parou mais. Mudou-se para os Estados Unidos e lá foi ficando, ficando, ficando, até se naturalizar, estabelecendo raízes em Nova Iorque, paraíso para os amantes do jazz, com seus clubs e bandas que parecem brotar de árvores, tamanha é a quantidade de músicos em atividade.

Eliane conta com uma discografia de 23 álbuns, a maioria indisponível ou fora de catálogo por aqui no Brasil. Mas a maré parece estar mudando aos poucos. Alguns de seus trabalhos mais recentes ganharam edições nacionais. É o caso de “Light my Fire”, nova empreitada da paulistana-iorquina, lançada pelo sela Universal Music brasileira no início deste ano, e o segundo CD da série “Passe a Música Adiante”, iniciada por este blog. Para saber mais, clique aqui
 
“Light my Fire” é um disco sofisticado sem ser chato. Conta com o talento no piano e na voz de Eliane, acompanhada de um time irrepreensível que inclui o violão de Oscar Castro Neves e Romero Lubambo (este frequente nos discos da Jane Monheit), o baixo de Marc Johnson, a percussão de Marivaldo dos Santos e a participação de Gilberto Gil nos vocais convidados.
 
ImageBasicamente, o conjunto das 12 músicas presentes neste disco são fortemente moldadas na tríade piano-violão-percussão, que envolvem de maneira harmônica a voz grave e sensual de Eliane. O CD Alterna momentos mais calmos, de contemplação, com levantes mais festivos, caso das três faixas divididas com Gil, “Aquele Abraço”, “Toda Menina Baiana” e “Turn to Me (Samba Maracatu)”, compondo um belo cartão de visitas da diversidade sonora presente no Brasil.
 
Entre os destaques, além dos citados duetos com Gilberto Gil, estão os covers de Ary Barroso em Isto Aqui o Que É, Stevie Wonder, com Mon Cherie Amour e The Doors, com a canção título do CD, “Light my Fire”, aqui convertida num jazz provocante e convidativo, perfeito para ser acompanhado com champange, olhares lânguidos e mãos bobas.
 
Os arranjos aqui dispostos tem um quê de leveza e apuro estético que ultrapassa a simples audição. O que está em jogo aqui é um conjunto de imagens que se desenvolve a partir dos instrumentos dispostos. Basicamente, é um disco de música brasileira cantando parcialmente em português, inglês e francês que assume uma faceta cosmopolita, mostrando um  Brasil vasto e refinado em termos culturais. Temos o Brasil nordestino nos duetos com Gil, o latino em “Stay Cool” e Bananeira, o carioca em “Rosa Morena”, e o antropofágico em “Made in Moonlight”, que remete à MPB jazzística de Ivan Lins. Vale a pena.