São Jorge do Brasil

O Celophane Cultural em 23 de Abril vem homenagear  São Jorge, o santo guerreiro, que ao matar  o dragão da maldade e salvar a humanidade do mal, não tinha idéia de como ficaria famoso e teria uma legião de fiéis no mundo inteiro.

Mas “o brasileiro”, também guerreiro, com a fé em Jorge, mata um dragão por dia. Por isso podemos afirmar que São Jorge é do Brasil.


Festa de São Jorge em Vespasiano, MG. A guarda de Marinheiro de São Jorge recebe os convidados. 25/04/2010. FOTO ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA

Porque São Jorge é Tão Brasileiro?

Ele é a síntese da fé cultuada dentro das religiões através dos séculos, tão depurado que deixa o manto e se torna ícone de força e coragem.

O culto ao santo é, no Brasil, uma das mais arraigadas heranças portuguesas e uma enorme festa contemporânea profana e religiosa, laços de fé que unem Brasil e Portugal, o sincretismo religioso, a cultura popular e em especial a identificação cultural dos brasileiros com São Jorge.

Procissão de São Jorge - Rio - Foto ntegrante da exposição: "As MUitas faces de Jorge" _ galeria Mestre Vitalino - Museu do Folclore - Foto: Fábio Caffe

A identificação popular é notável,  o Santo é venerado desde os tempos da colônia, São Jorge está presente nos altares das Igrejas católicas e ortodoxas e nos gongás da umbanda, nos botequins e fachadas de casas, é patrono de time de futebol, está presente nas artes plásticas, na poesia e na música popular. A imagem em que o santo enfrenta um dragão repousa estática entre garrafas de bebida nos bares cariocas e nos nichos domésticos; desfila em decalque na carroceria dos ônibus bordados nas capas dos assentos de seus motoristas; gravada em medalha de prata, ouro ou no reluzente chapeado, pende do pescoço do playboy e do operário, do patrão e do empregado.

A grande festa no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a devoção a São Jorge desafia as barreiras etárias, sociais e zomba dos limites geográficos. Aproxima o velho do moço, as classes média e baixa dos célebres emergentes, a zona sul do subúrbio, o morro do asfalto, o lar do botequim.

Procissão de São Jorge - Rio - Foto ntegrante da exposição: "As MUitas faces de Jorge" _ galeria Mestre Vitalino - Museu do Folclore RJ - Foto: Ingrid Cristina

É exemplo perfeito da religiosidade popular brasileira tal como a descreveu Gilberto Freyre: uma “religiosidade afetivizada”, que canibaliza as hierarquias impostas entre o sagrado e o profano e transforma a festa para o santo às portas da igreja, na Rua da Alfândega, em uma festa carnavalesca.

Imagem de São Jorge - Igreja na Rua da Alfândega RJ - Foto: Jefferson Duarte

A dimensão que o culto a São Jorge assumiu no Rio de Janeiro contou, é certo, com a força das religiões afro-brasileiras. Sabe-se há muito que os escravos encontraram no culto aos santos um abrigo seguro para a manutenção do culto às entidades do panteão iorubá, quando a prática era assunto de polícia. A função medianeira, as habilidades e o conhecimento no trato sobre certa matéria aproximaram os santos e os orixás. Enquanto os atributos dos santos indicavam o exercício de seu antigo ofício, a aptidão para cura de uma doença ou a resolução de um problema, os símbolos dos orixás revelavam, do mesmo modo, suas propriedades curativas e materiais. Nos terreiros do Rio, São Jorge emprestou sua face a Ogum, na Bahia a Oxossi.

O encontro de São Jorge com os deuses africanos é um dos muitos capítulos que compõem a história da devoção ao mártir no Ocidente. São Jorge dialogou com outros mitos desde a Antiguidade até assumir a feição lusitana que os colonizadores trouxeram ao Brasil. Ao contrário de outros santos do catolicismo, São Jorge conta com mais de um relato hagiográfico, sua canonização literária.

Mas como o venerado Guerreiro ganhou tanta força que a fé em chega aos dias de hoje?

AS LENDAS

A Legenda Áurea – o Mártir

São Jorge nasceu na Capadócia no ano de 280. Logo no final do século III, ele trocou a Capadócia pela Palestina e ingressou no exército de Diocleciano. O cristão chegou rapidamente aos postos de conde e depois de tribuno militar. As complicações para São Jorge iniciaram quando os cristãos voltaram a ser perseguidos. Coerente, São Jorge manteve sua fé e passou a lutar a favor dos cristãos, superando cada tortura a que foi condenado por Diocleciano e convertendo mais e mais soldados ao reino dos céus.

“Breviário Livro de Horas” de 1378” que tem São Jorge em seu martírio e guarda lições de fé coragem e determinação que inspiraram seus fieis.

O imperador Diocleciano, contrariado com a resistência dos cristãos encabeçada pelo guerreiro, chamou um mago para acabar com a força de Jorge. O santo tomou duas poções e, mesmo assim, manteve-se firme e vivo. O feiticeiro juntou-se à lista dos convertidos. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão inflexível que a própria mulher do imperador Diocleciano também converteu-se ao cristianismo. Esta teria sido a última gota, que fez com que Diocleciano mandasse degolar o ex-soldado em 23 de abril de 303. A data ficou marcada como Dia de São Jorge.

A Lenda do Catolicismo Popular o Dragão

A lenda mais conhecida onde São Jorge contra Dragão da Maldade.

reprodução do mais famoso "Santinho" de São Jorge - imagem popular autoria desconhecida

A Arte Cristã representa São Jorge montado num cavalo, combatendo o dragão de Selena na Líbia, salvando a vida de uma princesa. A Igreja cita que essa representação é alegórica, pois o dragão vencido pelo santo, representa o espírito mau. A princesa simboliza a esposa do imperador que presenciando a constância do mártir, se converteu ao cristianismo.
Dizem que o cavalo branco de São Jorge é abençoado por Deus. 


Reprodução do Quadro de Raphael (1483 – 1520)– “St. George and the Gragon” – 1506 - Da National Gallery of Art – Washington DC.

Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente (Constantinopla, Egito, Armênia, Grécia, Império Bizantino).

Reprodução de fotografia da escultura em madeira de São Jorge datada de 1489 da Catedral gótica de Estocolmo – Storkyrkan – autoria de Bernt Notke de lübeck

"a espada e o Dragão" gravura e Samico - Brasil - 2000

São Jorge na cultura Portuguesa

Devoção Portuguesa – São Jorge Defensor do Império

O Culto dos reis de Protugal ao megalomártir tem início com a fundação do Reino de Lisboa Por Afonso Henriques – 1° Monarca de Lisboa.
Durante a Dinastia de Avis (século XIV ao séc. XVI) a fé em São Jorge passou a representar a vocação de Portugal para a conquista.
Como mais um sinal de devoção, o Infante d. Henrique deu o nome do santo a uma das ilhas do arquipélago dos Açores.
Posteriormente o Santo foi tomado como intercessor celeste pela disputa da coroa Lusitana contra Castela quando
D. João I entrega a batalha a São Jorge gritando:

“Avante São Jorge, avante, que eu sou Rei de Portugal”
São Jorge Atravessa o Atlântico

“Que culpa tem ele de ser tão belo e ecumênico” – Mário Quintana

A procissão bahiana

A Primeira procissão do Corpo de Deus  foi realizada na Bahia em 1549 trazendo o “Santo mártir” à moda de Lisboa o santo saía na procissão baiana sobre cavalo ricamente adornado, escoltado por seu págem, por seu alferes, o popular “Homem de ferro”, e por cavalariços vistosamente trajados.

Após o descobrimento do Brasil, a imagem do santo sobre o cavalo passou a ser um dos principais atrativos do desfile.

A procissão Mineira

Em Vila Rica (hoje Ouro Preto, MG) no século XVIII, também não se economizava em pompa. Na véspera da procissão, à noite, os Criados de São Jorge, vestidos de capa e calção vermelhos, rufando tambores, anunciavam pelas ruas o cortejo. Ao Amanhecer, ao som da banda e ao estouro dos fogos, o povo ganhava as ladeiras da cidade.Antes da missa, na matriz de Nossa senhora do Pilar, a imagem de São Jorge sobre um cavalo, seguida por seu alferes em ricos trajes romanos, e por um anjinho, dirigia-se à igreja. A Imagem de São Jorge esculpida por Aleijadinho, saía escoltada por quatro estribeiros vestidos como pagens  e um piquete de cavalaria com cascos dourados e arreios enfeitados.
O Santo era recolhido no Paço da Câmara.

Escultura em cedro - Aleijadinho – Museu da Inconfidência – Ouro Preto – MG - detalhe da montagem da escultura com capa original na EXposição Brasil 500 anos - Curiosidade sobre a obra: A imagem ficou anos na Prisão por ter caído e matado um soldado durante uma procissão.

A procissão do Rio de Janeiro Capital do Império

No Rio de Janeiro imperial, o desfile de São Jorge provocava tamanho impacto no dia do Santíssimo que se tornara por si só um acontecimento. O mártir era o único santo a integrar o cortejo. Ao repique do sino da igrejinha da rua de São Jorge, atual Gonçalves Ledo, declarava-se iniciada a festa. O foguetório abafava o vozerio e a irmandade do santo, com capa, punha-se a aguardar a chegada do corcel branco. O cortejo liderado pela Irmandade, contava com a banda de escravos da Quinta da Boa VistaA Imagem vinha em cima de um cavalo Branco, com um criado de cada lado, armadura, escudo elmo com ornamentos dourados e capa de veludo carmesim bordada a ouro.

São Jorge na Procissão de Corpus Christi - Aquarela de Debret Sec. XIX - A estátua de São Jorge desfilava enfeitada sobre um cavalo ao lado do "Homem de Ferro". Acervo Museus Castro Maya / IBRAM / MINC

Atrás, o escudeiro sobre um ginete abria o caminho para 24 cavalos das cavalariças da Quinta da Boa Vista.
A Única presença a rivalizar com o santo era o imperador D. Pedro II que desfilava suprindo a demanda dos reis e dos exércitos, ajudando – lhes a forjar uma estampa de glória e conquista.
Pocissão de São Jorge Thomas Ewbank – Revista Jangada Brasil

23 de abril — Aniversário de “São Jorge, Defensor do Império”. Este poderoso guerreiro aparece em público somente uma vez por ano, ocasião em que, armado dos pés à cabeça, com lança na mão e espada, conduz o imperador, a corte, as tropas nacionais, a hierarquia eclesiástica e o povo leigo, pelas ruas, em triunfo. Pensei que fosse dia de desfile, porém este ocorre em junho, e assim somente então é que poderemos prestar nossas homenagens ao herói.

(…)

“No Brasil São Jorge é Ogum”
O sincretismo

A força do Venerado Guerreiro só explodiu no país a partir do sincretismo religioso com os cultos afro-brasileiros.
Os negros nas senzalas cantavam e dançavam em louvor aos orixás, entretanto seus senhores não gostavam, e tentavam converte-los a fé cristã, aqueles que não se convertiam eram cruelmente castigados. Daí nasce o sincretismo, em que os negros africanos associavam os orixás  aos santos católicos.

Obra em Argila da série "Sincréticos" de Elson Santos - MUseu do Homem do Nordeste - Acervo FUNDAJ - PE

No candomblé da Bahia é associado a Oxossi, mas é em Ogum, na umbanda que São Jorge tem a maior representação. São Jorge foi uma das primeiras figuras da Igreja católica a ser incorporada à cultura afro-brasileira.

Altar de Umbanda todo enfeitado de vermelho, cor destinada a S. Jorge e a Ogum na UMbanda - foto: Klaus D. Günther

Simbolicamente Ogum que na mitologia corresponde ao Orixá dos exércitos, dos guerreiros e dos soldados. Orixá do calor, da força e da energia. É o rei do ferro e protetor de todos que venham a trabalhar com instrumentos metálicos.
Na África é festejado como padroeiro da Agricultura.

EScultura africana em madeira representando Ogum aquele que abre os caminhos

Ogum festeja sua data no mesmo dia que São Jorge: 23 de abril. Conforme o Dicionário do Folclore Brasileiro, ele é o orixá do calor, da força e da energia. É o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com instrumentos metálicos.

OGUM de Carybé umas das 19 peças que fazem parte do Grande Mural dos Orixás representando os deuses d’África no Candomblé da Bahia. As obras pertencem à coleção do Banco do Brasil BBM S/A, em comodato no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia.

Conhecido e festejado na África como padroeiro da Agricultura. Ogum na Umbanda é, como os espiritualistas chamam, São Jorge Guerreiro.

O Sincretismo entre São Jorge e os orixás africanos e seu vínculo com categorias ligadas às forças militares, aos ofícios que ligam com o ferro e com o fogo, mecânicos, bombeiros e  barbeiros, reforçaram a devoção do santo no Brasil e garantiram sua extrema popularidade até os dias de hoje. Presente no imaginário popular como o representante da fé

Cristo me defenda dos meus inimigos
tenham pernas e não me alcancem
tenham braços e não me maltratem
tenham olhos e não me vejam
tenham boca e não me falem…

Esta oração — que está no livro de Joaquim e Fernando Pires de Lima, Tradições populares de Entre-Douro-Minho (Barcelos, 1938, p.172) — acrescenta, logo a seguir, que aquele que a reza “com as armas de São Jorge (será) armado” — como a invocar, ao mesmo passo que o poder onipotente de Cristo Senhor Nosso — o denodado e valioso concurso de São Jorge, o popular santo guerreiro, o Ogum das macumbas, o valoroso Oxossi dos candomblés baianos…
Com todas estas manifestações espalhadas pelo país, podemos garantir, que São Jorge é, acima de nossa Senhora de Aparecida, o Padroeiro do Brasil.

Num boteco que se preze sempre tem uma estátua de São Jorge, uma vela acesa e um copo de água ou cerveja bebida preferida dos Jorges da vida.

Convite para a abertura da Exposição que homenageou S Jorge no ano de 2011 no MUseu do Folclore. Que exibe o medalhão no pescoço do devoto como simbolo de orgulho e fé.


No Cinema:

O filme “Uma festa para Jorge”, dirigido por Isabel Joffily e Rita Toledo

Isabel Joffily e Rita Toledo – jovens documentaristas que se aventuram pela primeira vez no fazer documental – acompanham a trajetória de três devotos de São Jorge ao longo dos meses de preparação para o 23 de Abril, dia do Santo. Dona Ana luta para organizar as barracas da festa. Seu Jorge precisa manter a ordem na Igreja. Helinho se confronta com os seus orixás. A relação de cada um deles com o evento revela o universo da devoção ao Santo Guerreiro na cidade do Rio de Janeiro. O filme é um DOCTV realizado em 2009.

Ficha Técnica: 52min. 2009
de Isabel Joffily e Rita Toledo

produzido para a série Doc. TV, em 2009

O Venerado guerreiro nas artes plásticas
São Jorge foi retratado diversas vezes por artistas renomados:

SÃO JORGE E O DRAGÃO 1943, pintura mural à têmpera, 244x61 cm Museu Casa de Portinari, Brodowski, SP

O Artista plástico Farnese de Andrade tem diversas peças inspiradas no Glorioso Guerreiro.

NO Imaginário S Jorge sempre é lembrado: Xilogravura de Fernando Vilela: Livro: Ivan filho-de-boi (Mitos Russos) Autora: Marina Tenório / Ilustrador: Fernando Vilela Coleção Mitos do Mundo - Ed. Cosac & Naify

"Os Filhos de Jorge" um animadíssimo Blog "Os Filhos de Jorge!" De uma união improvável surgem estas duas criaturinhas que vão fazer você ficar no mundo da lua! - Por: Cisko Diz

O Fabuloso São Jorge de Raimundo Rodrigues, medindo 3 x 3 x 3 Metros em sucata metálica.

O Menino São Jorge - Raimundo Rodrigues

São Jorge é POP
São diversas as manifestações artísticas e do dia a dia em que São Jorge se faz presente:
algumas imagens destes devotos/artistas:

Dragão de São Jorge esculpido por Rafael nas areias de Copacabana - RJ

São Jorge no Barracão da escola de Samba Império Serrano onde o Santo é padroeiro - foto Jefferson Duarte

Oratórios confeccionados por artesão diversos em exposição no Centro Cultural Carioca - RJ - Foto: Jefferson Duarte

 

Todo ano o Corinthians faz uma grande festa em homenagem ao seu Padroeiro em SP

 

Capa do Disco de Jorge Bem Jor - Devoto declarado do Santo

Fontes:

Georgina Silva dos Santos, professora do Departamento de História da UFF  – Núcleo de História Moderna e Colonial da Época Moderna da mesma universidade. – Ofício e Sangue – A Irmandade de São Jorge e a Inquisição na Lisboa Moderna – compre o livro

Georgina Silva dos Santos. “Venerado guerreiro”. In: Nossa História. ano 1, n. 7. Biblioteca Nacional

Matéria da REvista de História da Biblioteca Nacional – Por Beatriz Catão Cruz SantosSanto Guerreiro

Eduardo Silva. Dom Obá II d’África, o príncipe do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Jacopo Varezze. Legenda Áurea: vidas de santos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

João da Silva Campos. Procissões tradicionais da Bahia. Salvador: Publicações do Museu da Bahia, 1947.

REvista Jangada Brasil – A procissão de São Jorge

Neves, Guilherme Santos. “Orações de São Jorge Guerreiro”. A Gazeta. Vitória, 28 de abril de 1957

Cine Esquema Novo

Site São Jorge Mártir

Museu Afro Brasileiro: Carybé e o Grande MUral dos Orixás

Blog: “Os Filhos de Jorge” www.osfilhosdejorge.wordpress.com

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Os “Caminhos do santo” e a peregrinação para São Paulo

Como “Caminhei” até os santos

Em uma das minhas visitas a Recife conheci o simpático Museu de Arte Popular de Recife, assunto que muito me interessa, e visitei a Exposição: “Os Caminhos do santo” (sim com “s” minúsculo) e foi amor a primeira vista. Conheci a Marcela Wanderlei a jovem coordenadora da instituição e curadora da mostra que faz um recorte do belissimo acervo do MAP com a contribuição de algumas peças do Museu do Homem do Nordeste. Logo me veio a cabeça: temos que levar esta riqueza pra São Paulo. Uma amizade e encantamento pela pessoa da Marcela fez com que uma parceria se estabelecesse e a mostra  “Caminhos do santo” está disposta a  peregrinar em direção a São Paulo.

O MAP

O Museu de Arte Popular, localizado no Pátio de São Pedro – Recife – PE, possui um acervo representativo de todos os estados do Nordeste do Brasil. Obras com alta carga expressiva, que refletem as vivências, a imaginação e a memória do(s) povo(s).

Páteo de São Pedro - Local de inumeras manifestações Culturais em Recife Foto: Leão Barros, Sandra Augusta


A Religiosidade Popular

Na religiosidade popular, as práticas de comunicação e reafirmação do relacionamento com o sagrado nos permitem vislumbrar como os romeiros, os devotos vivenciam suas experiências cotidianas e as relacionam com um imaginário devocional e de proteção historicamente situado.

Detalhe da Exposição: Foto Jefferson Duarte

Experiências religiosas como a verificada em torno do Padre Cícero, o processo de sacralização dos espaços e do cotidiano, articulado aos símbolos, rituais e mitos fundantes de uma crença, desenham comportamentos, indicando referências e apontando uma ética que se desdobra em narrativas: cruzes de estrada, ex-votos, os santeiros da madeira, a heresia dos santos de barro, a fé, um emaranhado de leituras que compreende um forte veio da cultura e o Museu de Arte Popular, de acordo com o acervo que possui, não poderia se furtar a passear por este que é um dos muitos caminhos que alimentam e refletem a biografia da arte. Continuar lendo

O Banho de São João em Corumbá

O Charmoso casario no Porto Geral de Corumbá Mato Grosso do Sul - Foto: Anderson Gallo

O Celophane Cultural vai a Mato Grosso do Sul na cidade de Corumbá visitar uma tradicionalissima festa Junina.

Fundada em 1778, Corumbá concentra uma das maiores comunidades do candomblé e umbanda do país. O Rio Paraguai que passa à margem direita da cidade inspira e atrai todas as tendências religiosas. Uma das manifestações locais de forte apelo popular é o sacro-profano Banho de São João nas águas do rio, à meia noite, na passagem de 23 para 24 de Junho.

O banho de São João teve origem na Europa com o costume portugûes do banho de rio obrigatório no dia do santo a partir do século 14. Em Corumbá, conforme relato de historiadores, a tradição nasceu com os árabes por volta de 1882. De acordo com o ritual a imagem do santo é levada em procissão até o Porto Geral, uma das referências históricas da cidade, para o banho que irá renovar as forças de São João e abençoar tudo o que se relaciona com as águas e com o homem.

Outro Olhar: São João de Corumbá

Matéria da Revista eletrônica  Poranduba.

Na noite de quinta-feira, o porto geral estava colorido. Mais de 15 mil pessoas circulando pela orla e enfrentando fila para passar por baixo do nador, por uma afirmação ou pedido de casamento. Mas muitos andores desciam em silência, como se o compromisso fosse unicamente chegar à beira do rio para cumprir o ritual. Os andores acompanhados de banda própria eram os mais animados e característicos.

Aqueles acostumados às grandes festas juninas — como as de Pernambuco ou da Paraíba — podem ter, a primeira vista, uma visão errada do Arraial do Banho de São João, em Corumbá/MS.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Corumbá

Mesmo com as 40 mil pessoas que estiveram no Porto Geral na noite do dia 23 para 24 de julho, dividindo sua atenção entre a descida dos andores, as barraquinhas de comida e as atrações musicais, é incorreto enxergar o evento como uma grande festa que une a cidade inteira. Mais do que isso, ele é uma soma de dezenas de pequenas e médias festas, que tem seu momento de encontro na ladeira Cunha e Cruz em direção à prainha do Rio Paraguai. Continuar lendo

Senhores da Terra

O Celophane Cultural, pegando uma carona na Exposição homonima que rolou no Museu do Folclore, visita nossos ancestrais africanos e mostra quem são os  “Senhores da Terra”.

No panteão dos Orixás eles são os senhores que regem a terra em todos os sentidos, totalmente ligados á dinâmica humana:

Omolú ou Obaluaiê – O rei da terra.

Omolú é a própria Terra! Essa afirmação resume perfeitamente o perfil deste orixá, o mais temido entre todos os deuses africanos, o mais terrível orixá da varíola e de todas as doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.

È preciso esclarecer, no em tanto, que Omolú está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.

Omolu da Cooperativa Abayomi

Toda a reflexão em torno de Omolú ocorreu colocando-o como um orixá ligado à terra, o que é correto, mas não deixa de ser um erro desconsiderar a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. o que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú!

Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus.

Omolú nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado pela sua mãe, Nanã Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves ferimentos na sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e criou-a com todo amor e carinho; com folhas de bananeira curou as suas feridas e pústulas e transformou-a num grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser de brilho tão intenso quanto o próprio sol. Por essa passagem, o caranguejo e a banana-prata tornaram-se os maiores ewò de Obaluaiê.

A relação de Omolú com a morte dá-se pelo facto de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.

Oxumarê – O movimento da cobra

Oxumaré (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. Oxumaré não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo.

Oxum Marê, Wueliyton Ferreiro, Ferro forjado e latão – peça que faz parte da exposição – Senhores da Terra

Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.

Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.

Ewá – A Virgem

As virgens contam com a protecção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua protecção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá – Fio de conta, Junior de Odé – peça da exposição: Senhores da terra

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Nanã – Morte, fecundidade e riqueza.

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contacto desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.

Nanã, Gerard – Acervo MFEC – CNFCP – IPHAN – Peça da exposição Senhores da Terra

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis.

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu destino.

A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.

Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.

Iroko – Senhor do tempo

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.

Iroko na Casa do Pai Bira de Xangô, – Rio de Janeiro – peça da exposição Senhores da Terra

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua ação eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade.

Em África, a sua morada é uma  árvore majestosa iroko, Milicia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.


Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ylê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo, nem ser “feito” na cabeça dos fiéis. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio

Onilé  – Governante do Planeta

Nesse clima de “retorno ao mundo natural”, de preocupação com a ecologia, um orixá quase inteiramente esquecido no Brasil vem sendo aos poucos recuparado. Trata-se de Onilé, a Dona da Terra, o orixá que representa nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos. O mito de Onilé pode ser encontrado em vários poemas do oráculo de Ifá, estando vivo ainda hoje, no Brasil, na memória de seguidores do candomblé iniciados há muitas décadas. Assim a mitologia dos orixás nos conta como Onilé ganhou o governo do planeta Terra:.


Ossãe – A Força que vem das folhas

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que consequências desastrosas não atinjam os seres humanos.

A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, o seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflecte, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn – mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas – e os Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima com a fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão Jeje assimilado pelos Nagô, como Nana, Omolú, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é evidente que entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.

Uma confusão latente refere-se ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino. Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores dos segredos da mata, da Terra.

A Exposição

Convite virtual para a exposição


Senhores da Terra é o quarto momento de uma série de exposições que começou, em 2002, exibindo fios-de-contas, imagens e objetos relacionados à iniciação e à vivência nas religiões afro-brasileiras (Identidade por um Fio – Colares e Fios-de-Contas no Culto dos Orixás). Seguiu, em 2003, focando em Exu, a divindade afro-brasileira que comanda as aberturas e as encruzilhadas (Exu – o Senhor das Portas) e, em 2004, concentrou-se em orixás vinculados à conquista, provimento e cuidado (Awòn Olodé – Os Senhores da Caça).

Esta edição agora direciona seu olhar a orixás da terra: Obaluaê, Oxumarê, Euá, Nanã, Iroco e Onilé. Contudo, saudando Exu, como nas etapas anteriores, e evocando Ossãe, dados os vínculos do orixá das folhas com a temática da saúde que perpassa os mitos desses orixás, profundamente conectados à dinâmica da vida humana. Enredos míticos também justificam a presença de Iemanjá, mãe adotiva de Obaluaê.

A exposição foi composta pelo talento e o rigor de artistas atuantes no Rio de Janeiro e na Bahia: Cooperativa Abayomi (Lena Martins, Luiza Borba, Sonia Santos e Cristiane Ferraz), Eucanaã Ferraz, Francisco Moreira da Costa, Gerar, Greiffe, Jorge Rodrigues, Júnior de Odé, Louco Filho e Wuelyton Ferreiro.

A Exposição “Senhores da Terra”, aconteceu na Galeria Mestre
Vitalino do Museu de Folclore Edison Carneiro no RJ.

 

 

Fontes para a matéria:

Revista do Museu

CNFCP

Blog O Candomble

Os Reis estão em festa, é só abrir a porta e receber a bandeira em sua morada.

O Celophane Cultural abre suas portas pra receber uma tradição vinda de Portugal, mas que logo tomou formas brasileiras. Uma Folia, daqueles que foram a Belém levar os presentes pro menino Jesus, Aqui em nossa tradição, eles vem festejando pelas ruas, com um mestre, uma banda, estranhos palhaços e uma bandeira carregada de simbologias e religiosidade.

 

Foto de Capitão da Folia - com sua farda: Gui Christ - site: Hoje é dia de Folia

De onde vem esta tradição:

Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, e que ainda hoje mantém-se vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país tanto no interior como nas grandes capitais.

Na tradição católica, a passagem bíblica em que o menino Jesus foi visitado por reis magos, converteu-se na tradicional visitação feita pelos três “Reis Magos”, denominados Melchior, Baltasar e Gaspar, os quais passaram a ser referenciados como santos a partir do século VIII.

Natal - RN - Monumento em homenagem aos Reis Magos na cidade de Natal. Foto: Patrick-br

Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de Janeiro que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal. No estado do Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até o dia 20 de Janeiro, dia de São Sebastião e padroeiro do Estado.

Bandeira de Folia de Reis com imagem de São sebastião no Rio de Janeiro -site da prefeitura de muqui

Na cultura tradicional brasileira a Folia ganhou força especialmente no século XIX e mantém-se viva em muitas regiões do país, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, dentre outros.

A Folia Brasileira

No Brasil a visitação das casas é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos. Cada grupo, chamado em alguns lugares de Folia de Reis, em outros Terno de Reis, é composto por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e do acordeão, também conhecida em certas regiões como sanfona, gaita ou pé-de-bode.

Folia de Reis em Piabetá - RJ menino membro da Folia beija a fita da Bandeira, ato simbólico de devoção - Foto Gui Christ - Site: Hoje é dia de Folia

Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes se compõe também de dançarinos, palhaços e outras figuras devidamente fardadas segundo as lendas e tradições locais. Todos se organizam sob a liderança do Capitão da Folia e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.

Musicos da Folia - Foto: Ratão Diniz

As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção daquelas tocadas nas tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde acontecem animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê. Contudo ao contrário dos Reis da tradição, o propósito da folia não é o de levar presentes mas de recebê-los do dono da casa, em troca por graça alcançada. Os foliões são recebidos durante a madrugada com doações e fartas mesas com comes e bebes.

Folia Sagrada Família, bandeireira e o altar onde a bandeira fica guardada durante todo o ano. Foto: Gui Christ - site: Hoje é dia de folia.

A Bandeira

O costume de usar bandeiras ou estandartes em cortejos e procissões rituais no Brasil, também vem de Portugal, muito usado nas corporações de ofícios medievais, irmandades religiosas, e companhias militares.

Câmara Cascudo diz que a palavra bandeira vem de “bando, bandaria, grupo sob o mesmo simbolo”.

Na Folia de Reis, a bandeira é um objeto “Sagrado” guardado e cuidado na sede da Folia por uma Bandeireira, res´ponsável pelo sua manutenção. Geralmente ela fica sobre um altar todos os dias do ano e só sai para a Folia.

Sempre com a imagem de Santos, S. Sebastião, menino Jesus etc etc… são enfeitados e cobertos por fitas coloridas. A bandeira carrega o “fundamento” da Folia e é responsável pelas graças alcançadas.

Ao visitar uma casa, a Bandeira guia a folia e é a primeira a entrar sendo oferecida ao dono da casa  (devoto)  que permanece com ela todo o tempo da visita dos foliões. Um dos gestos mais conhecidos de fé ao poder da bandeira é beijar ou passar suas fitas pelo corpo, ou ainda amarrar dinheiro nelas.

O Palhaço e a dona da casa - Foto Gui Christ - Site: Hoje é dia de Folia

Os Palhaços

Um dos personagens mais curiosos das Folias e que sempre me chamaram a atenção, pela força plástica,  são os mascarados palhaços. Estes personagens prinicpais das folias, carregam a missão de vertir as máscaras e representar estes personagens, muitas vezes por cumprimento de uma promessa aos reis. Eles fazem parte do fundamento religioso entre a Bandeira e a máscara, o sagrado e o profano.

Palhaço diante do altar - foto Gui Christ - site: Hoje é dia de folia

Ao sair para a folia o ato da colocação da máscara representa todo um ritual que deve ser cumprido á risca diante da Bandeira, reforçando a missão que por vezes dura sete anos, sem poder ser quebrada.

O corpo de quem carrega a máscara também rompe barreiras físicas, pois as acrobacias cambalhotas e piruetas que fazem parte de uma  virtuosa apresentação, por vezes absurdas mostrando assim o grau de dedicação e devoção daquele que o carrega.

As máscaras e fardas sempre com um tom grotesco são consideradas contagiosas, pois só devem ser manipuladas e guardadas por aquele que as utiliza, carregam uma carga mágico-religiosa muito fortes.

Os palhaços das Folias representam também os guardas de Herodes. Quando Herodes ficou sabendo que ía nascer o novo Rei, que havia sido enviado, pela profecia, Herodes, ordenou seus guardas correrem o mundo atrás do salvador. Quando Jesus nasceu Herodes então mandou matar todas as crianças e essa matança representa isso, a própria máscara representa essa coisa demoníaca, o diabo, o assassino do menino Jesus. O mais interessante é que Jesus os converteu  no decorrer da história.

Palhaço fazendo acrobacias - Foto: Gui Christ - Site: Hoje é dia de folia

“Os bons palhaços não só das Folias precisam de força espiritual, malandragem, vivência e malícia. Caso contrário são engolidos.”                              Inimar dos Reis

Encontro nacional de Folia de Reis em Muqui – ES

O Encontro  é uma seqüência do Torneio de Folias iniciado em 1950 na cidade de Muqui, sul do Espírito Santo. O Encontro reúne grupos folclóricos do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, e acontece há 60 anos. É o maior e o mais antigo encontro do gênero no Brasil.

Atualmente, o evento tem características de encontro, o que significa que não há disputa entre os grupos. Assim, promove-se a difusão da cultura popular, além do belíssimo espetáculo cênico oferecido aos turistas, durante as apresentações das Folias no Sítio histórico.

Foliões na praça central da cidade - Casarão histórico e Igreja matriz ao fundo - foto: Ériton Berçaco

O festejo acontece durante todo o dia. Pela manhã, os grupos folclóricos chegam e há o chamado congraçamento, uma espécie de cumprimento, saudação entre os foliões. À tarde, por volta das 16h as folias saem pela rua e cantam em diversas casas, incluindo casarões do sítio histórico. Depois há a bênção das folias na Igreja Matriz, um dos pontos altos do Encontro.

No evento, que tem data móvel, os grupos, vestidos com roupas coloridas, cantam e tocam instrumentos musicais. É uma grande festa folclórica e religiosa. Turistas de várias regiões visitam a cidade, atraídos pela riqueza cultural ou por pura fé cristã. Seja por um, por outro, ou por ambos motivos, o que importa é que vale a pena conhecer este Encontro cheio de cor, música e energia positiva.

Além da festa, a cidade reúne o maior número de imóveis tombados pelo patrimônio histórico estadual. Os 200 Casarões de Muqui compõem o maior sítio histórico do Espírito Santo. No encontro anual, as folias e a arquitetura local se harmonizam. É a tradição popular dando vida ao que restou do império dos barões do café na bela e acolhedora Muqui.

Infelizmente as chuvas de Dezembro causaram enchentes na bela cidade provocando pânico na cidade com algumas destruições e acidentes. Acompanhe pelo site:
http://www.muqui.es.gov.br/

Encontro de Folia de Reis em Muqui – ES

Vamos pedir aos Reis que olhem pelo nosso patrimônio castigado pela natureza.

Fontes:

Fotos: Gui Chsit

Site: www.guichrist.com

Blog dia de folia

Flickr: www.flickr.com/photos/gui_c

Fotos: Rodrigo Gavini – www.rodrigogavini.wordpress.com

Site Overmundo – http://overmundo.com.br

Wikipedia: wikipedia

“A Bandeira e a Máscara – A circulação de objetos rituais nas folias de reis” – Daniel Bitter

Blog Os Palhaços do nosso Povo: http://ospalhacosdonossopovo.blogspot.com/

www.imaterial.org

O Profeta da “Gentileza”

O Celophane Cultural conta a história de um profeta urbano, ele nos encantou antes de sua morte com seus ensinamentos suas andanças pelo centro do Rio dando flores e suas profecias eternizadas nas pilastras do cemitério do Caju até  Rodoviária do Rio de Janeiro. Sua palavra nos faz pensar até hoje o quanto o simples ato de dar Gentileza… pode gerar Gentileza  principalmente nos tempos de tanta violência no nosso dia a dia.  Esta é a história de José Datrino ou como ficou eternizado O Profeta Gentileza.

Detalhe da Grafia criada pelo profeta gentileza, cheia de significados. fonte Museu Virtual Gentileza

Desde Criança fui atraído pelos seus murais pintados em verde e amarelo, quando passava de ônibus pela Rodoviária. Conheci mais profundamente sua história quando fui convidado pela Designer Vanessa Bittencout, para montar a Exposição: “A Arte Mural do profeta Gentileza” na UFRJ com produção de Ana Cunha.

Fotos da Exposição

“Quem é esse cavaleiro andante, em plena cidade contemporânea, a conduzir seu estandarte cheio de apliques, metendo-se pelos lugares, a levar sua palavra? De início, chega-nos sua estranheza, seu “deslocamento”, antes, até de sua gentileza. Vê-lo com sua bata branca pela rua é ter contato com uma figura que nos parece extemporânea. Não de um futuro, mas de uma voz que ecoa, bizarramente, um sagrado que não se mostra mais.”

“Brasil Tempo de Gentileza” – Leonardo Guelman

Imagem em close do profeta com sua "táboa Estandarte" com inscrições proféticas - fonte "Rio com Gentileza"

A Gentileza desde sua Infância

Nascido em 11 de abril de 1917, em Cafelândia, interior de São Paulo, com mais nove irmãos, José Datrino teve uma infância de muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas.

A Vinda para o  Rio de Janeiro.

Aos vinte anos foi para o estado do Rio de Janeiro, enquanto sua família mudava-se para Mirandópolis, também cidade do interior de São Paulo. No Rio de Janeiro, casou com Emi Câmara com quem teve cinco filhos. Começou sua vida de empresário com um pequeno empreendimento na área de transportes, onde fazia fretes para o sustento da família. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas sediada no centro da cidade.

Surge um Profeta das cinzas

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, quando tinha 44 anos, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano“, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças.

Capa do Jornal do Brasil anunciando a tragédia - fonte arquivo JB

Na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alucinado ouvindo “vozes astrais“, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro longos anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido“, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.

O nome de “Profeta Gentileza” foi ganho porque vivia pregando o amor, a paz e pedia  sempre “por gentileza”. Jamais dizia a palavra “Obrigado”, pois dizia que obrigado vinha de obrigação e preferia dizer “agradecido”.

Profeta exibindo sua táboa/estandarte com inscrições e todo enfeitado com Flores, ramos e cataventos. Foto acervo Claudio Rocha

Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o profeta Gentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“.

Os murais que eternizaram suas profecias.

A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização.

O Profeta sorridente sobre a escada pintando seus murais. Foto Acervo Claudio Rocha

Gentileza e seus murais promoveu uma das maiores intervenções urbanas de arte na cidade do Rio de Janeiro.

Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a Gentileza e a aplicarem Gentileza em toda a Terra.

TRanscrição dos Escritos de Gentileza

O profeta sempre com seus passos largos e determinados - Acervo Claudio Rocha

O profeta vai pro céu, encontrar Deus

Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no “Cemitério Saudades”.

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. Com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, que teve como objetivo restaurar os murais das pilastras.

foto da restauração dos murais - fonte: Rio com Gentileza

Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

DEcreto da Prefeitura do Rio tornando os Murais patrimônio histórico da Humanidade.

 

O Universo do Gentileza vira livro

No final do ano 2000 foi publicado  o livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, do professor Leonardo Guelman. A obra introduz o leitor no “universo” do profeta Gentileza através de sua trajetória, da estilização de seus objetos, de sua caligrafia singular e de todos os 56 painéis criados por ele, além de trazer fatos relacionados ao projeto Rio com Gentileza e descrever as etapas do processo de restauração dos escritos. O livro é ricamente ilustrado com inúmeras fotografias, principalmente do profeta e de seus penduricalhos e painéis. Além de fotos do próprio profeta Gentileza trabalhando junto a algumas pilastras, existem imagens dos escritos antes, durante e após o processo de restauração.

Capa do Livro: UNIVVVERRSSO GENTILEZA Leonardo Guelman

Livro: UNIVVVERRSSO GENTILEZA – Leonardo Guelman
Ed. Mundo das Idéias

Fonte Museu virtual Gentileza

Fonte: Rio com Gentileza

Fonte: Blog Gentileza gera Gentileza

Video:

Gentileza – Documentário de Dado Amaral e Vinicius Reis

Diz assim a música Gentileza”, de Mariza Monte

que integra o CD Memórias, Crônicas e Declarações de Amor:

Foto do profeta com sua táboa estandarte - fonte: Rio com Gentileza

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
A vocês no mundo
Se é mais inteligente
O livrou ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta.


 

 

 

 

 

Aprendemos sempre com estes sábios representantes populares que acreditam que a humanidade tem jeito e pode ser gentil pra receber “Gentileza” em troca. Que ele seja sempre lembrado nos momentos em que esquecemos de ser “humanos” e “gentis”.

Até o proximo Celophane Cultural

JeffCelophane | Jefferson Duarte

 

Luiza Dionízio é indicada ao Prêmio da Musica Brasileira

Hoje o assunto do Celophane Cultural é Musica, mais precisamente um dos mais respeitados prêmios da Musica, o 21º Prêmio da Musica Brasilereira – apoio Vale do Rio Doce, que tem a sua disputada final em 11 de agosto, em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) que também vai prestar homenagem a Dona Ivone Lara Rainha do samba.

Veja e saiba mais no site do Prêmio: Site do Prêmio de Musica Brasileira

Histórico

Dentre as diversas premiações da música popular brasileira, o Prêmio da Música Brasileira, idealizado em 1987 por José Maurício Machline, é o de maior longevidade.

A cada ano, o Prêmio celebra um artista brasileiro, cujo repertório é a base do show da cerimônia de entrega. A primeira edição foi dedicada a Vinicius de Moraes. Desde então, foram homenageados artistas como De lá para cá, foram homenageados, pela ordem, Dorival Caymmi, Maysa, Elizeth Cardoso, Luiz Gonzaga, Ângela Maria & Cauby Peixoto, Gilberto Gil, Elis Regina, Milton Nascimento, Rita Lee, Jackson do Pandeiro, Maria Bethânia, Gal Costa, Ary Barroso, Lulu Santos, Baden Powell, Jair Rodrigues, Zé Ketti, Dominguinhos e Clara Nunes.

Por não estar atrelado a nenhum aspecto mercadológico, o Prêmio da Música Brasileira se utiliza unicamente de critérios artísticos na base de sua avaliação. Um júri formado por músicos, jornalistas e críticos analisa a produção fonográfica brasileira do ano anterior – seja ela gerada via gravadoras ou de forma independente – e elege os melhores de cada categoria, sob a supervisão de uma auditoria externa.

A Homenageada deste ano:

Dona Ivone Lara


Dona Ivone Lara (Yvonne Lara da Costa, 13/4/1921 Rio de Janeiro, RJ) é, indiscutivelmente, a primeira-dama do samba. Mais legítima representante do matriarcado no samba, seu primeiro contato com a música, contudo, passou longe do ritmo que a consagrou. Foi aluna de Lucila Guimarães, primeira esposa de Villa-Lobos, tendo cantado sob a regência do maestro. Logo depois, aprendeu a tocar cavaquinho e se casou com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, futura Império Serrano. E justamente na sua escola de coração, veio a consagração com “Os cinco bailes da história do Rio”, de 1965, quando se tornou a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de uma agremiação.

Mesmo com a carreira artística consagrada, Dona Ivone nunca abandonou a enfermagem – com especialização em terapia ocupacional – e seguiu na profissão até sua aposentadoria, em 1977. Na seqüência gravou seu primeiro disco, Samba, Minha Verdade, Minha Raiz só aconteceu em 1979, impulsionada pela explosão de “Sonho meu”, em dueto histórico de Maria Bethânia e Gal Costa.

Compositora contumaz, ela é responsável por inúmeros sucessos do cancioneiro popular, como “Alvorecer”, “Alguém me avisou”, “Sorriso Negro” – clássico de qualquer roda de samba no Brasil e no mundo –, entre outros. Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione e Paulinho da Viola foram alguns dos grandes nomes da MPB que gravaram canções de Dona Ivone Lara.

Fonte:

Blog do Prêmio

A grande surpresa pra os fãs e amigos, foi a indicação de uma amiga de lonnnnnga data (melhor nem falar quanto tempo tem) que lançou o seu primeiro CD a pouquissimo tempo e jé foi indicada como Cantora de Samba.

Estou falando de uma “Deusa” do Samba, filha de Oxum, que iniciou sua carreira no berço do Samba, aboêmia  Lapa – RJ, nas rodas de samba da Velha Guarda do Império Serrano, escola de devoção, e seu primeiro disco fala desta maneira de se doar, de respeitar a arte, o Samba, a religião, a sua terra, e principalmente a sua voz. “Devoção” é o primeiro disco de Luiza Dionísio.

Luiza e seu primeiro disco foram indicados, ao lado de verdadeiras feras do Samba e da MPB. Por isso estou aqui sugerindo que voce conheça o seu trabalho, ouça algumas de suas músicas e entenda o que os organizadores do prêmio viram na voz e na sublime interpretação desta amiga e respeitada cantora.

Seu Site: Com toda a sua rede social: Site de Luiza Dionizio

Vote nela como melhor cantora no voto popular…

bem eu sei quem está ao lado dela… mas não não ofende pedir: Voto Popular

Fotos que fiz do lançamento de seu show no Teatro Rival:

Fotos do Show