O Nosso “Raloin” é Caipira – 31 de Outubro dia do “SACI”

No Brasil o “Raloin” é CAIPIRA porque temos a nossa própria assombração, voce se lembra daquela figura que tem uma perna só, sacana, defensor das matas, fumador de pito, com gorrinho vermelho, ta sempre aprontando por ai, no meio do redemoinho: sim é ele mesmo, no Brasil dia 31 de Novembro, é dia do SACI.

Em Tupi Guarany – SACI quer dizer “Irriquieto”

Os Defensores

Um grande responsável por manter viva nos dias atuais da “crença” no SACI é uma  sociedade que acredita e se compromete a manter viva a imagem deste representante genuinamente Brasileiro: A Sociedade dos Observadores do Saci – SOSACI


Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo. Respeitamos os mitos dos outros, mas não queremos que eles sejam usados pela indústria cultural como predadores dos nossos. Cada vez mais, muitos brasileiros começam a compreender isso.  Uma  prova é a onda de adesões que a Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) vem recebendo de vários pontos do país. O Saci, a Iara, o Boitatá, o Curupira, o Mapinguari e muitos outros brasileiros legítimos estão aí para serem festejados, sem espírito comercial, como nossos legítimos representantes no mundo do imaginário popular e infantil.
Viva essa turma boa!

O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB – SP) e Ângela Guadagnin (PT – SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas“, ou “Halloween”, da tradição cultural dos Estados Unidos da América. Propõe-se seja celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, consta que iniciativas semelhantes já tinham sido aprovadas na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.

Lei do SACI

A SOSACI fica em São Luiz do Piraitinga e mantem uma exposição permanente noMuseu afro Brasileiro – SP com peças da sua coleção.

Estátua do Saci em exposição no Museu Afro Brasileiro - SOSACI

fotos dos Sacis expostos

Museu Afro Brasil

As várias faces do Saci?

Em seu livro Conversas ao pé do fogo, Cornélio Pires deixou-nos este retrato do endiabrado saci:

“É um molequinho deste porte… risonho e cavorteiro como ele só… Tem de uns pretinho e já hai de uns mulatinho, mestiço de saci português, que us buava truxero pro Brasir no tempo de dante. Tem uma perna só, os óios aceso, sempre reganhado airrindu, mostrano os dente, pulano, granfino e desfrangino a testa, topetudinho cumo mico… É levado da breca e gosta de brincá de vira-mundo no rodamuinho de poêra c’o vento… PRa caçar os tár é perciso fazê um laço de rosário. Moram sempre em cima dos morão das portera e nas encruziada. Cavaleiro que passá na meia-noite de sexta-feira, já sabe: o tarzinho amunta na garupa e garra a fazê cosca que dexa um vivente por nada. O gosto do saci é amuntá e judiá dos animar no pasto, galopeano e trançano a crina. O reméde é marrá um dente de áio no cedenho do cavalo. Im burro eles num munta: são tosado”.

Ilustração do saci sobre um cavalo trançando sua crina

Não há país do mundo que não tenha incorporado a seu folclore e à sua própria vida, lendas e histórias fantásticas criadas na imaginação do povo. Embora a grande maioria seja de caráter internacional, como as crenças a respeito do lobisomem, dos vampiros e fantasmas de toda ordem, há algumas que têm características tipicamente regionais, originadas que foram do modo de vida em cada lugar.

No Brasil, por exemplo, embora as lendas variem acentuadamente de região para região, em todas pode ser encontrada o que os psicólogos chamam de “busca de uma ilusão” que, segundo a voz popular, “não faz mal a ninguém”.

Assim, o negrinho do pastoreio, do Rio Grande do Sul, o uirapuru, do Amazonas, o caipora, da região do Rio Negro e Pará, o saci pererê, da região leste e o boitatá, também do sul, são alguns dos mitos brasileiros já incorporados à música e à literatura do país.

A figura do Saci a princípio surge como um ser maléfico, mas pode ser somente brincalhão ou gracioso, conforme as versões comuns no sul do Brasil. Na Região Norte, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito e o cargo de Defensor das matas se misturando á figura de Oassain. Veio da mitologia européia, o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.

Na cultura afro, a imagem de Ossain é sincretizada com o Saci, devido ao fato do Orixá ser o defensor do poder que vem das folhas.

Todos os sacis reunidos através da tradição oral

O primeiro escritor a se voltar de verdade para a figura do Saci-Pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de São Paulo com o título de “Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê“, Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor. Depois o Saci assim como seus amigos da mata viraram personagem do célebre Sítio do Pica Pau Amarelo. O Inquérito pode ser encontrado nas livrarias em sua nova edição de 2008 comemorando seus 90 anos.

Monteiro Lobato nosso defensor da fantástica tradição oral

Segundo o estudioso: Luís da Câmara Cascudo

O inquérito fora feito no estado de São Paulo. Depoimentos inúmeros evocaram o saci unípede, pretinho, com um só olho, atrapalhando todas as coisas vivas, assobiando e assombrando. Um traço característico era a carapuça vermelha que o usa o saci no cimo da cabecinha inquieta. Essa carapuça é encantada. Faz o saci ficar invisível. Todas as “forças” vêm desse barrete. Quem lho arrebatar terá direitos completos sobre o negrinho poderoso. Poderá exigir o que quiser. O saci dará riquezas, poderios, grandezas, para que lhe restituam a carapuça. O sr. Luís Fleury, de Sorocaba, prestou depoimento dessas tradições. Narrou que o saci fizera aparecer um monte de moedas de ouro para receber seu barretinho. O ouro sumiu-se porque o viajante esquecera de benzê-lo (Inquéritos, 180).

Publicado no site: Revista Jangada Brasil

O Saci vira astro da TV, Documentário e quadrinhos:

Com a transposição dos textos de Lobato para a Televisão, o Saci deixou o imaginário para ser personificado numa figura de carne e osso e sua imagem se firmou com grande alcance e simpatia do público.

Existe um documentário sobre o Saci feito por Sylvio do Amaral Rocha e Rudá K. Andrade. Somos Todos Says refaz o caminho do Inquérito de Lobato e resignifica o mito hoje. Fruto de longa pesquisa em comunidades rurais, vilas e pequenas cidades do Vale do Paraíba, Vale da Ribeira e da região de Botucatu, o filme dá voz a pessoas que dizem ter visto ou ouvido sacis. Rudá e Sylvio ficaram um ano e meio na realização do projeto, reduzindo o material recolhido para 50 minutos. A pré-estréia de “Somos todos Sacys” ocorreu no MIS, em 27 de abril de 2005. Dois dias depois, foi exibido pela Rede STV (Sesc Senac).

Somos todos Sacys – Vídeo

Ziraldo não criou apenas um personagem, mas uma turma essencialmente Brasileira a Turma do Pererê, com aventuras pra lá de fantásticas.

Como prender o “Danado”

Temido por alguns, que vêem nele uma entidade maléfica, o saci pererê tem sido através dos séculos, o motivo de alegria e zombaria para a garotada que sai à sua procura em dias de ventania.

Conta a lenda que nesses dias, quando há redemoinhos de poeira e folhas secas, o saci aparece no meio deles, dando gargalhadas e assobiando. Embora jamais alguém o tenha conseguido, afirmam os supersticiosos que, quem um dia prender o saci e colocá-lo sem o seu gorrinho dentro de uma garrafa bem fechada e com uma cruzinha na rolha, terá para sempre seus pedidos atendidos por um ente humilde e obediente. Mas, é importante que se tire o gorrinho vermelho, origem de toda a força do tal negrinho.

A forte imagem do saci será sempre eternizada por aqueles que acreditam em sua existencia.

Bom, voce acreditando ou não, o danado Saci existe, muita gente já viu, já ouviu seu assobio, já riu muito e  já sofreu com suas brincadeiras, outros o tem guardado numa garrafa. Acreditar no Saci é manter vivo dentro de si o “encantamento”, a tradição do nosso povo, a nossa cara Caipira.

Em tempos de Sustentabilidade, evocamos nosso maior representante defensor das matas  pra pra dar um baita susto naqueles que querem, de forma absurda e insensível, destruir nossas matas e o poder que vem das nossas folhas.

Salve o Saci

Saiba mais:

Manifesto do Saci – ou – Manifesto Antropofágico Revisitado –

Quer se aprofundar mais no assunto:

Bibliografia sobre o Saci

O Blog saci urbano recebe e publica fotos de Grafites com o perneta.

iva essa turma boa!
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Senhores da Terra

O Celophane Cultural, pegando uma carona na Exposição homonima que rolou no Museu do Folclore, visita nossos ancestrais africanos e mostra quem são os  “Senhores da Terra”.

No panteão dos Orixás eles são os senhores que regem a terra em todos os sentidos, totalmente ligados á dinâmica humana:

Omolú ou Obaluaiê – O rei da terra.

Omolú é a própria Terra! Essa afirmação resume perfeitamente o perfil deste orixá, o mais temido entre todos os deuses africanos, o mais terrível orixá da varíola e de todas as doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.

È preciso esclarecer, no em tanto, que Omolú está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.

Omolu da Cooperativa Abayomi

Toda a reflexão em torno de Omolú ocorreu colocando-o como um orixá ligado à terra, o que é correto, mas não deixa de ser um erro desconsiderar a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. o que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú!

Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus.

Omolú nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado pela sua mãe, Nanã Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves ferimentos na sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e criou-a com todo amor e carinho; com folhas de bananeira curou as suas feridas e pústulas e transformou-a num grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser de brilho tão intenso quanto o próprio sol. Por essa passagem, o caranguejo e a banana-prata tornaram-se os maiores ewò de Obaluaiê.

A relação de Omolú com a morte dá-se pelo facto de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.

Oxumarê – O movimento da cobra

Oxumaré (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. Oxumaré não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo.

Oxum Marê, Wueliyton Ferreiro, Ferro forjado e latão – peça que faz parte da exposição – Senhores da Terra

Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.

Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.

Ewá – A Virgem

As virgens contam com a protecção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua protecção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá – Fio de conta, Junior de Odé – peça da exposição: Senhores da terra

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Nanã – Morte, fecundidade e riqueza.

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contacto desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.

Nanã, Gerard – Acervo MFEC – CNFCP – IPHAN – Peça da exposição Senhores da Terra

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis.

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu destino.

A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.

Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.

Iroko – Senhor do tempo

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.

Iroko na Casa do Pai Bira de Xangô, – Rio de Janeiro – peça da exposição Senhores da Terra

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua ação eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade.

Em África, a sua morada é uma  árvore majestosa iroko, Milicia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.


Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ylê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo, nem ser “feito” na cabeça dos fiéis. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio

Onilé  – Governante do Planeta

Nesse clima de “retorno ao mundo natural”, de preocupação com a ecologia, um orixá quase inteiramente esquecido no Brasil vem sendo aos poucos recuparado. Trata-se de Onilé, a Dona da Terra, o orixá que representa nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos. O mito de Onilé pode ser encontrado em vários poemas do oráculo de Ifá, estando vivo ainda hoje, no Brasil, na memória de seguidores do candomblé iniciados há muitas décadas. Assim a mitologia dos orixás nos conta como Onilé ganhou o governo do planeta Terra:.


Ossãe – A Força que vem das folhas

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que consequências desastrosas não atinjam os seres humanos.

A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, o seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflecte, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn – mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas – e os Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima com a fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão Jeje assimilado pelos Nagô, como Nana, Omolú, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é evidente que entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.

Uma confusão latente refere-se ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino. Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores dos segredos da mata, da Terra.

A Exposição

Convite virtual para a exposição


Senhores da Terra é o quarto momento de uma série de exposições que começou, em 2002, exibindo fios-de-contas, imagens e objetos relacionados à iniciação e à vivência nas religiões afro-brasileiras (Identidade por um Fio – Colares e Fios-de-Contas no Culto dos Orixás). Seguiu, em 2003, focando em Exu, a divindade afro-brasileira que comanda as aberturas e as encruzilhadas (Exu – o Senhor das Portas) e, em 2004, concentrou-se em orixás vinculados à conquista, provimento e cuidado (Awòn Olodé – Os Senhores da Caça).

Esta edição agora direciona seu olhar a orixás da terra: Obaluaê, Oxumarê, Euá, Nanã, Iroco e Onilé. Contudo, saudando Exu, como nas etapas anteriores, e evocando Ossãe, dados os vínculos do orixá das folhas com a temática da saúde que perpassa os mitos desses orixás, profundamente conectados à dinâmica da vida humana. Enredos míticos também justificam a presença de Iemanjá, mãe adotiva de Obaluaê.

A exposição foi composta pelo talento e o rigor de artistas atuantes no Rio de Janeiro e na Bahia: Cooperativa Abayomi (Lena Martins, Luiza Borba, Sonia Santos e Cristiane Ferraz), Eucanaã Ferraz, Francisco Moreira da Costa, Gerar, Greiffe, Jorge Rodrigues, Júnior de Odé, Louco Filho e Wuelyton Ferreiro.

A Exposição “Senhores da Terra”, aconteceu na Galeria Mestre
Vitalino do Museu de Folclore Edison Carneiro no RJ.

 

 

Fontes para a matéria:

Revista do Museu

CNFCP

Blog O Candomble

22 de Agosto foi o dia de comemorar o Folclore Brasileiro

Dia 22 Agosto – dia do Folclore Brasileiro.

Dia de celebrar o nosso tesouro, dia de celebrar a cultura criada, vivida, eternizada pelo nosso povo.

Tesouro que passamos de geração a geração, como um bem maior de um povo, aquele bem que define quem somos de verdade, aquele bem que garante para nosso filhos, netos e bisnetos a celebração da nossa origem.

E essa é, e sempre será a luta deste blog lembrar a quem o visita que somos brasileiros, não só na hora de torcer para a copa do mundo, mas lembrar no dia a dia da cultura pura, rica e genuina do nosso povo.

Mas o que é folclore? – fonte: Wikipédia

Folclore é um gênero de cultura de origem popular, constituído pelos costumes e tradições populares transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.

A Carta do Folclore Brasileiro, em sintonia com as definições da UNESCO, declara que folclore é sinônimo de cultura popular e representa a identidade social de uma comunidade através de suas criações culturais, coletivas ou individuais, e é também uma parte essencial da cultura de cada nação.

Parte do trabalho cultural da UNESCO é orientar as comunidades no sentido de bem administrar sua herança folclórica, sabendo que o progresso e as mudanças que ele provoca podem tanto enriquecer uma cultura como destruí-la para sempre.

Vale lembrar que folclore é um movimento vivo, embora se enraíze em tradições, ele muda a cada segundo, mesmo garantindo as raizes, ele está aberto a modificaçãoes no seu dia a dia, a cada movimento feito e re-feito é como se apropriar e dar a sua contribuição.

Por isso eu não gosto muito do termo “Folclore”, que para muitos dá um carater cristalizado, um distanciamento, pra um movimento que está aqui no nosso nariz acontecendo plenamente.

Aproveito o assunto para divulgar o trabalho de uma xilógrafa e Cordelista de São Paulo que tem um livro muito bacana sobre o assunto: Nireuda Longobardi e o seu: “Mitos e Lendas do Brasil em Cordel”

“O folclore brasileiro,
é fruto de rica cultura,
que passa de geração
pra geração com bravura,
através da oralidade,
e também da boa leitura.
(…)
Contarei para vocês,
em estrofes de cordel
as nossas lendas e mitos
em sextilhas como mel.
Na gostosa brincadeira,
Acompanhe-me, menestrel.”

Blog da Nireuda

Um abraço Celophanico

Jeff