Sonhando em Brennand

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Este é um dos meus lugares preferidos na Terra. Aliás, nem parece que você está no planeta. Esculturas e construções erguidas a partir do barro, o elemento número um da mitologia acerca da criação da vida. Toda esta arte de cerâmica saiu da mente de Francisco Brennand, artista pernambucano que nos tira da realidade a cada obra finalizada.

Para quem ficou curioso e tiver a fim de visitar, é só pegar mais informações no site oficial: http://www.brennand.com.br/

CREDITO

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Lookbook Hellcife

Quem disse que cajumanga também não é moda? Aqui tem moda, sim senhor e sim senhora, mas sinceramente, quem em sã consciência vai querer usar haute couture no calor de 30° de Hellcife?

Em uma cidade em que você sai arrasando de casa, para daqui a dez minutos chegar na parada de ônibus mais acabado que Amy Winehouse em fim de balada, a pedida é ser o mais confortável possível. Mas como a gente não pode andar com a roupa que dormimos, a parada é aliar peças básicas pra ganhar tempo e enfrentar o ruge-ruge de todos os dias.

O alagoano de nascimento e pernambucano por opção Lucas Mello, já sacou a vibe da cidade e não dispensa cinco itens: Um par de Converse All Star, bermuda leve, camiseta básica, mochila para carregar suas barras de cereais, água e apetrechos de trabalho, e claro, fones de ouvido, por que ninguém é obrigado a aturar a parada de sucessos (not) do busão, com disputa de celulares e MP3 Players dos passageiros.

Ah! Não esqueça de proteger seus olhos com os indefectíveis óculos escuros. E não, não compre do camelô, se você tiver amor à sua saúde ocular.

Inverno Colorido

A recifense Marina Suassuna carrega um quê de regional no sobrenome e no estilo ao se vestir. A moça é um desses exemplos que mostram a possibilidade de combinar modernidade e romantismo num mesmo visual.

Atenção para os cabelos, aqui: eles são uma peça importante na composição do visual. A familiaridade com o mormaço da capital pernambucana (mesmo durante as chuvas) uniu o útil ao agradável: Marina deixa seus cabelos bem curtos, emoldurando seu rosto com um corte moderno e assimétrico.

Não sabemos se foi proposital, mas o fato é que o corte é um perfeito exemplo de equilíbrio, ao não chamar mais atenção que a dona dos fios, contribuindo para ressaltar seus outros predicados, ao emoldurar e valorizar o olhar expressivo.

Em contrapartida, estão as flores e laços do vestido, compondo um visual romântico e ao mesmo tempo irreverente e versátil, pronto para encarar desde um dia na faculdade, como uma exposição ou happy hour com os amigos logo após.

O visual de Marina é um amálgama dos dois arquétipos femininos conflitantes: de um lado, a mulher de antigamente, com sua meiguice, suas curvas, nuances e cores. Do outro, aquela que adora o cabelo, mas que não quer perder muito tempo com ele e outros detalhes, por que tem um mundo inteiro pra conquistar e pouco tempo para fazê-lo.

É nesse contexto que o corte de cabelo moderno e o vestido romântico fazem todo o sentido: ambos são práticos de usar e dependendo do modelo e das cores, podem se tornar fatores coringa na sua apresentação visual.

Dona de um estilo antropofágico cultural, Marina alimenta seu vestuário a partir de três fontes: artes visuais, livros e música. Completamente antenada com as últimas (e garimpadora das velhas) tendências, ela prova que moda e bagagem cultural têm tudo a ver, basta dar uma volta pelos bares, galerias, teatros e livrarias para construir a sua própria paleta de cores e texturas.

Nas cores e formas adotadas por Marina, você vai encontrar Marisa Monte, Céu, Silvia Machete e Vanessa da Mata, só para citar algumas mulheres fortes e ao mesmo tempo delicadas.

Vintage Pop

Mais uma prova de que música e moda estão intimamente ligadas: A outrora pop-rock, depois country, e novamente pop-rock cantora norte-americana Michelle Branch, decidiu vestir os seus discos preferidos, adotando um mix visual das influências sonoras que veio acumulando pela carreira.

Os acessórios como o colar, as pulseiras, o corte da camiseta e o colete remetem aos anos 70, com a música intensa do Jimi Hendrix:

O corte de cabelo, nem precisa dizer de quem é, né? Da musa melancólica, folk e skinny Joni Mitchell:

…Que por sua vez, dividia um gosto excêntrico por chapéus com o Bob Dylan:

Todas as peças da Michelle são da marca Steven Alan, que há cerca de 15 anos lança coleções fortemente inspiradas na cultura norte-americana, mesclando elementos urbanos e do interior.

Reid Rolls e Michelle Branch, Making of West Coast Time

Esta combinação, adotada para o ensaio do disco “West Coast Time”, torna este visual tão único e ao mesmo tempo não tão difícil de compor, seja aqui no Brasil, na Espanha, na Inglaterra, ou qualquer outro lugar que disponha de marcas básicas e mulheres dispostas a bater perna para encontrar acessórios nas feiras e brechós. Confira aqui o site da grife: http://www.stevenalan.com/

Uma boa pedida para inspiração e referências, além de preencher seu tempo com uma leitura bastante enriquecedora, é o livro “Fashion and Music” (Moda e Música), da Mestra em Estudos Históricos e Culturais pela Faculdade de Moda da Universidade de Artes de Londres, Janice Miller.

A obra, de apenas 161 páginas, discorre em tópicos que envolvem uma análise objetiva e de leitura fluida a respeito dos aspectos sociológicos e psicológicos da relação consumidores / fãs /arquétipos sexuais / indústria cultural (atenção para o capítulo referente à moda dos artistas masculinos, desde os Beatles, passando por Mick Jagger, David Bowie, e a altamente sexualizada cultura pop do final dos anos 90 e começo dos  2000, com destaque especial para as boybands.

Sem publicação no Brasil, esta belezura pode ser encontrada em sebos virtuais gringos a um preço bem camarada. Mesmo usado, vale à pena ter em sua estante. Se você tiver algum parente que mora fora ou vai visitar alguma metrópole estrangeira, procure “Fashion and Music” nos melhores becos literários dos centros.

E passe o olho nas referências visuais da Michelle, com o clipe da música “Loud Music”:

Visite o site oficial da Michelle aqui e baixe Loud Music aqui.

Design + Fotografia + Hospitais + Utilidade Pública

Quando você escuta a combinação da fotografia com hospitais, o quê vem a sua mente? Correria, ambulância, feridos? Está na hora de enxergar além das manchetes sensacionaistas dos jornais e encarar o cotidiano da saúde sob uma outra ótica.

#Comofas, galere?

Simples, basta participar do 2º Prêmio MUHM deFotografia: As Faces da Saúde, promovido pelo Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM). O concurso é aberto a fotógrafos, profissionais ou não, de todo o Brasil, que deverão enviar imagens que desenvolvam um diálogo sobre a universaidade do acesso à saúde, através de elementos como prédios de hospitais, centros e postos de saúde, atendimento médico e pacientes, entre outros.

As inscrições seguem até 1º de agosto, com um total de R$ 9.800,00 em premiação a ser distribuída entre os seis primeiros colcoados de cada categoria (profissional e amador).

COMO É A COMPETIÇÃO?

Todos os trabalhos serão julgados por integrantes do MUHM, pelos fotógrafos Luiz Eduardo Achutti, Rogério Amaral Ribeiro e um fotógrafo profissional indicado pela Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (ARFOC-RS). O processo também continua pelo Facebook, onde terá uma fase de votação popular. Portanto, JUNTE SEUS AMIGOS E CAPRICHE NAS CURTIDAS!!

A ficha de inscrição, O regulamento e demais informações estão disponíveis no endereço www.muhm.org.br. Enquanto isso, delicie-se com a criatividade dos cartazes desenvolvidos para esta ação:

Feliz dia do Meio Ambiente.

5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente, estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972, na ocasião da abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

Celebrado anualmente desde aquele ano, o Dia Mundial do Meio Ambiente chama a atenção e reinvidica a ação política de povos e países para o aumento da conscientização e a preservação ambiental.

O fotógrafo Juliano da Hora publica em seu blog durante esta semana, uma série de imagens fortes que dialogam com a beleza da relação tumultuada entre a natureza e o homem, cujas ações precisam ser revistas antes que a nave planeta Terra entre em pane de uma vez.

Juliano acredita que a arte é uma ferramenta efetiva na construção de uma consciência mais crítica a respeito do homem e do mundo.

De acordo com o fotojornalista, “a proposta é seguir pela cidade durante a semana e captar a beleza presente no paradoxo que é a degradação de um espaço público. Estes locais poderiam ter uma utilidade mais efetiva no desenvolvimento dos cidadãos, a partir de ações que combinassem tecnologia, sustentabilidade e cultura. Por ouro lado, fico feliz de observar a força da natureza que retoma seu território numa luta sutil. Esta é a forma dela nos mandar o seguinte recado: Eu nunca deixei de olhar e insistir em guardar o que é meu. E o que vocês, que são meus filhos, estão fazendo pela nossa casa?”

Confira o ensaio completo de Juliano da Hora em seu blog: julianodahora.wordpress.com

Nos Bastidores com os Dzi Croquettes

DSC08367copyUm pedaço importante da história política e cultural do Brasil está mais viva do que nunca. O olhar inteligente, irreverente e crítico dos Dzi Croquettes passou por Recife na primeira semana de 2014 e encantou o público, que lotou o Teatro de Santa Isabel. O interesse em torno do grupo tem razão de ser: Iniciado nos anos de chumbo da política brasileira, suas montagens convidavam as pessoas a contestar a ditadura militar e as instituições através do humor. Consequentemente, foram perseguidos e sofreram nas mãos da censura.

Aqueles homens, que embora vestidos de mulher não abriam mão de sua força, seus músculos, pêlos e demais nuances masculinas, juntaram-se em 1972 e transgrediram várias linhas tênues no que se refere à ideologia, cultura e política, transpirando liberdade em seu sentido mais pleno. A brincadeira com os gêneros masculino e feminino  já dava uma ideia dos estímulos que os espectadores iriam receber em suas cacholas.

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O espetáculo “Dzi Croquettes em Bandália” trouxe de volta toda a irreverência e o escracho, numa apresentação que possui fôlego para caminhar com o novo, preservando a essência do grupo sem cair na vala comum da nostalgia. “Na verdade, esta iniciativa é uma continuação do trabalho do Dzi”, conta o ator Ciro Barcelos, um dos integrantes do elenco original, que iniciou a mostra Janeiro de Grandes Espetáculos, tradicional festival do calendário cênico recifense. O fio condutor é justamente o documentário realizado em 2009, dos diretores Tatiana Issa e Raphael Alvarez. Na trama, um grupo de atores resolve invadir uma garagem abandonada para ocupar o espaço após assistir ao filme.

Para lidar com os trâmites financeiros, abrem um cabaré clandestino, de modo que as atividades teatrais possam ser levadas adiante. O espetáculo possui números que abraçam gêneros musicais como o rock e o rap, que caminham de mãos dadas com um texto ácido para os padrões vigentes. O resultado é um festival de cores, som e vigor, que cumpre o papel do teatro ao trazer questões polêmicas na lata, sem maiores rodeios.

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E foi com uma dose enorme de respeito e ansiedade que eu pus meus pés na restrita área de camarins do histórico Santa Isabel, para conhecer melhor aquelas pessoas cujas atitudes me servem de inspiração na hora de observar os tipos humanos que nos cercam e como podemos crescer ao conviver com a diversidade. Meu primeiro contato foi com o Ciro, que impressiona pela simpatia e pelo espírito (e aparência) jovial, e principalmente, pelo olhar crítico com o qual observa a atual produção brasileira.

Para quem não sabe, “Dzi Croquettes em Bandália” está sendo realizado sem patrocínio. “É engraçado como tocar em certos temas ainda assusta investidores na hora de procurarmos patrocínio”, diz Barcelos, que vê o teatro atual um pouco distante do que se fazia décadas atrás. “Quando eu dei início à seleção para os integrantes desta nova formação, fiz questão de conversar, de apresentar a proposta e o sentido disso tudo. Eu queria pessoas que pudessem ter a consciência do teatro como uma ferramenta transformadora, que impulsiona o pensamento e está a serviço do povo. Não é só o oba-oba, a fama pela fama”, explica.

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De fato, a atitude de Ciro funcionou como um semente que germinou e transformou a vida da nova geração do grupo. O ator Sonny Duque, de 24 anos, resume bem o impacto que esta família cênica teve em sua formação: “Eu não tinha conhecimento a respeito dos Dzi Croquettes e me envergonho muito por isso. Não saber do peso deles é o mesmo que não conhecer o presidente do  país”, afirma.

Duque enfrentou cerca de 400 candidatos para conquistar uma das vagas, e hoje sente que está preparado para novos desafios. “Aqui eu aprendi muito pelo fato de usufruirmos de um envolvimento maior, onde todos contribuem com novos elementos, fugindo daquele modelo de atuação careta, cerceada por formas mais tradicionais e restritas na direção. Aqui experimentamos liberdade, e a consequente responsabilidade que a acompanha. Fazemos o melhor pelo espetáculo de forma natural.”

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Que o diga Bayard Tonelli, também integrante da formação original dos Dzi Croquettes. De voz grave e enérgica, o ator de 66 anos invade o palco com uma presença forte e altiva. Sua desenvoltura e integração com os demais mostra que a fome por revoluções manteve-se intacta desde os anos 70. “Eu acredito no teatro como uma ferramenta coletiva no combate à hipocrisia generalizada que vemos todos os dias no Brasil. As pessoas são incentivadas a achar que é mais fácil deixar as coisas como estão, e eu discordo disso. O teatro é a minha vida, por que a vida é movimento, é questionamento! Sinto falta da época em que a arte era mais engajada, mas nem por isso vou ficar resmungando e cultivando saudosismo pelo passado. Enquanto eu estiver aqui, seguirei neste espírito coletivo e libertador”, afirma.

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“Dzi Croquettes em Bandália” chegou a Recife amparado por um forte boca-a-boca a partir da classe artística e intelectual da cidade, que logo se espalhou ao grande público. O fator andrógino ainda se manteve numa posição considerável entre as razões que levaram aqueles que não os conheciam ao teatro. De fato, seus integrantes possuem uma boa dose de beleza, que nesse caso, está a serviço da mensagem. Ou seja, o espetáculo vai além de um bando de homens travestidos. A própria narrativa tece críticas à maneira como se consome cultura no Brasil.

“Não se faz mais cultura nacional, e sim, industrial. Aquela autoral e transformadora infelizmente ficou lá pelos anos 60”, acredita Ciro Barcelos. O ator pondera que o exercício pleno da cultura pelos brasileiros vai além de incentivos do poder público, e passa pela educação: “o fato é que a arte brasileira nunca foi tão desvalorizada dentro do país. Nossos jovens não são incentivados a descobrir o tesouro que está debaixo de seus narizes. Nos últimos anos, temos assistido a um emburrecimento que torna invisíveis as manifestações populares e incentiva o consumo de obras importadas, que nada acrescentam à população”, diz. Para o ator, é necessário menos enlatados e mais nomes brasileiros. “Fico muito feliz ao ver iniciativas do porte de musicais como o do Tim Maia e da Elis, por exemplo”.

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A trajetória do Dzi Croquettes encontra um paralelo em terras pernambucanas com a bela história do Vivencial Diversiones, grito local do desbunde contra uma sociedade reprimida, homenageada no longa “Tatuagem”, de Hilton Lacerda. Parte de seus integrantes encontraram-se com seus colegas cariocas para trocar experiências no primeiro dia do espetáculo.

O Dzi Croquettes permaneceu em Recife por três dias, e conquistou a cidade com seu ritmo dinâmico e tiradas inteligentes. Para o público, restou um gostinho de quero mais e a vontade de revê-los em breve, como quem sente falta daquele amigo que nos tira do sofá para cair na rua e deixar que a realidade nos envolva e nos alimente.

Para mim, ficou a felicidade e a realização de ter conhecido e trocado idéias com personagens tão reais quanto olimpianos: As atitudes que os elevam ao reconhecimento e respeito de toda uma classe engajada é fruto de humildade, trabalho árduo e paixão, elementos ao alcance de todos. Basta cultivar.

À toda a equipe do Dzi Croquettes, o meu muito obrigado pelo tempo e papos descontraídos. Ah! Este ensaio é pra vocês. Espero que gostem! Um abraço e até a volta!

Texto e Fotografia: Juliano da Hora

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Acompanhe os rapazes na fanpage oficial do espetáculo, no Facebook: https://www.facebook.com/DziCroquettes.Oficial

Ficha Técnica
Concepção, texto e direção geral: Ciro Barcellos/Assistência de direção e roteiro: Radha Barcellos/Direção musical: Demétrio Gil/Coreografias: Ciro Barcellos e Lennie Dale/Direção técnica: Ronaldo Tasso/Iluminação: Aurélio de Simoni/Trilha sonora: Demétrio Gil e Flaviola/Figurinos e adereços: Cláudio Tovar/Cenário: Pedro Valério/Supervisão artística: Thina Ferreira/Direção de produção: Robson Agra/Produção executiva: Anna Ladeira/Elenco: Ciro Barcellos, Demétrio Gil, Udilê Procópio, Leandro Melo, Thadeu Torres, Franco Kuster, Pedro Valério, Ricardo Burgos, Sonny Duque e Robson Torinni, com participação especial de Bayard Tonelli.