Sonhando em Brennand

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Este é um dos meus lugares preferidos na Terra. Aliás, nem parece que você está no planeta. Esculturas e construções erguidas a partir do barro, o elemento número um da mitologia acerca da criação da vida. Toda esta arte de cerâmica saiu da mente de Francisco Brennand, artista pernambucano que nos tira da realidade a cada obra finalizada.

Para quem ficou curioso e tiver a fim de visitar, é só pegar mais informações no site oficial: http://www.brennand.com.br/

CREDITO

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Capibaribe, o rio invisível

 

Milhares de pessoas passam pelas pontes do Recife e têm estas estruturas como alguns dos símbolos mais marcantes da cidade. Só que a razão da existência delas deveria ser mais valorizada. Infelizmente, o crescimento urbano desorganizado joga fora o potencial de mobilidade, paisagismo e diversão que o Rio Capibaribe poderia oferecer.

Uma boa pedida é aproveitar os barzinhos que existem em suas encostas, e se familiarizar com a luta diária das comunidades que dele dependem para viver. Que tal pegar um final de semana e conhecer?

Lookbook Hellcife

Quem disse que cajumanga também não é moda? Aqui tem moda, sim senhor e sim senhora, mas sinceramente, quem em sã consciência vai querer usar haute couture no calor de 30° de Hellcife?

Em uma cidade em que você sai arrasando de casa, para daqui a dez minutos chegar na parada de ônibus mais acabado que Amy Winehouse em fim de balada, a pedida é ser o mais confortável possível. Mas como a gente não pode andar com a roupa que dormimos, a parada é aliar peças básicas pra ganhar tempo e enfrentar o ruge-ruge de todos os dias.

O alagoano de nascimento e pernambucano por opção Lucas Mello, já sacou a vibe da cidade e não dispensa cinco itens: Um par de Converse All Star, bermuda leve, camiseta básica, mochila para carregar suas barras de cereais, água e apetrechos de trabalho, e claro, fones de ouvido, por que ninguém é obrigado a aturar a parada de sucessos (not) do busão, com disputa de celulares e MP3 Players dos passageiros.

Ah! Não esqueça de proteger seus olhos com os indefectíveis óculos escuros. E não, não compre do camelô, se você tiver amor à sua saúde ocular.

Inverno Colorido

A recifense Marina Suassuna carrega um quê de regional no sobrenome e no estilo ao se vestir. A moça é um desses exemplos que mostram a possibilidade de combinar modernidade e romantismo num mesmo visual.

Atenção para os cabelos, aqui: eles são uma peça importante na composição do visual. A familiaridade com o mormaço da capital pernambucana (mesmo durante as chuvas) uniu o útil ao agradável: Marina deixa seus cabelos bem curtos, emoldurando seu rosto com um corte moderno e assimétrico.

Não sabemos se foi proposital, mas o fato é que o corte é um perfeito exemplo de equilíbrio, ao não chamar mais atenção que a dona dos fios, contribuindo para ressaltar seus outros predicados, ao emoldurar e valorizar o olhar expressivo.

Em contrapartida, estão as flores e laços do vestido, compondo um visual romântico e ao mesmo tempo irreverente e versátil, pronto para encarar desde um dia na faculdade, como uma exposição ou happy hour com os amigos logo após.

O visual de Marina é um amálgama dos dois arquétipos femininos conflitantes: de um lado, a mulher de antigamente, com sua meiguice, suas curvas, nuances e cores. Do outro, aquela que adora o cabelo, mas que não quer perder muito tempo com ele e outros detalhes, por que tem um mundo inteiro pra conquistar e pouco tempo para fazê-lo.

É nesse contexto que o corte de cabelo moderno e o vestido romântico fazem todo o sentido: ambos são práticos de usar e dependendo do modelo e das cores, podem se tornar fatores coringa na sua apresentação visual.

Dona de um estilo antropofágico cultural, Marina alimenta seu vestuário a partir de três fontes: artes visuais, livros e música. Completamente antenada com as últimas (e garimpadora das velhas) tendências, ela prova que moda e bagagem cultural têm tudo a ver, basta dar uma volta pelos bares, galerias, teatros e livrarias para construir a sua própria paleta de cores e texturas.

Nas cores e formas adotadas por Marina, você vai encontrar Marisa Monte, Céu, Silvia Machete e Vanessa da Mata, só para citar algumas mulheres fortes e ao mesmo tempo delicadas.

Feliz dia do Meio Ambiente.

5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente, estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972, na ocasião da abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

Celebrado anualmente desde aquele ano, o Dia Mundial do Meio Ambiente chama a atenção e reinvidica a ação política de povos e países para o aumento da conscientização e a preservação ambiental.

O fotógrafo Juliano da Hora publica em seu blog durante esta semana, uma série de imagens fortes que dialogam com a beleza da relação tumultuada entre a natureza e o homem, cujas ações precisam ser revistas antes que a nave planeta Terra entre em pane de uma vez.

Juliano acredita que a arte é uma ferramenta efetiva na construção de uma consciência mais crítica a respeito do homem e do mundo.

De acordo com o fotojornalista, “a proposta é seguir pela cidade durante a semana e captar a beleza presente no paradoxo que é a degradação de um espaço público. Estes locais poderiam ter uma utilidade mais efetiva no desenvolvimento dos cidadãos, a partir de ações que combinassem tecnologia, sustentabilidade e cultura. Por ouro lado, fico feliz de observar a força da natureza que retoma seu território numa luta sutil. Esta é a forma dela nos mandar o seguinte recado: Eu nunca deixei de olhar e insistir em guardar o que é meu. E o que vocês, que são meus filhos, estão fazendo pela nossa casa?”

Confira o ensaio completo de Juliano da Hora em seu blog: julianodahora.wordpress.com

Antonio Nóbrega – “Naturalmente” Brasileiro

“O sonho de Nóbrega, de fazer para a dança brasileira o mesmo que Villa Lobos e Radamés Gnatalli operaram para a música, não parece assim tão remoto.” escreveu Walnice Nogueira Galvão, professora titular de teoria literária e literatura comparada na Universidade de São Paulo, sobre “Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Ainda segundo Walnice, vem de longe o desejo de Nóbrega de apresentar publicamente algumas considerações que elaborou em seu percurso, sobre  as possibilidades da constituição de uma dança contemporânea de matrizes populares.

Fruto primoroso da relação de Nóbrega com a dança, Naturalmente une riqueza de informações ao refinamento artístico que faz deste espetáculo uma obra maior da arte brasileira.

Filho de médico, nascido em Recife -1952, aos 12 anos ingressou na Escola de Belas Artes do Recife. Foi aluno do violinista catalão Luís Soler e estudou canto lírico com Arlinda Rocha.

Com sua formação clássica, começou sua carreira na Orquestra de Câmara da Paraíba em João Pessoa, onde atuou até o final dos anos 60. Na mesma época participava da Orquestra Sinfônica do Recife, onde fazia também apresentações como solista.

Nóbrega com seu Violino, instrumento que quase fala em suas mãos.

Em 1971 Ariano Suassuna procurava um violinista para formar o Quinteto Armorial e, após ver Antônio Nóbrega tocando um concerto de Bach, lhe fez o convite que mudaria completamente sua carreira musical.

Quinteto Armorial por J. Borges - Xilogravura

Antônio Nóbrega, que até essa ocasião tinha pouco conhecimento da cultura popular, passou a manter contato intenso com todas suas expressões como os brincantes de caboclinho, de cavalo-marinho e tantos outros, que passou a conhecer e pesquisar.

O Dia que eu ví a LUZ deste artista:

Conheci o Nóbrega por acaso num festival de dança do Rio de Janeiro, em 1990, onde ele sozinho apresentou o solo: “Figural” naquele  imenso palco do Teatro Municipal. Um furacão que tirou o fôlego da platéia especializada e consumidora de Dança. Um espetáculo em que Nóbrega, sozinho no palco, muda de roupa e de máscaras para fazer uma das mais ricas demonstrações da cultura popular brasileira e mundial.

fotos de "Figural" Máscaras e adereços de Romero de Andrade LIma 1990

Foi paixão á primeira vista.  E acompanho sua carreira deste aquele iluminado dia.

Nóbrega revelou-se um fenômeno, ao conseguir unir a arte popular com a sofisticação. É, literalmente, um homem dos sete instrumentos, capaz de cantar e dançar.

Os Espetáculos

Seus principais espetáculos são: “Na Pancada do Ganzá”, “Madeira que Cupim não Rói”, “A Bandeira do Divino”, “Mateus Misterioso”, “Figural”,”Pernambuco falando para o Mundo”, “Marco do Meio Dia”, “Lunário Perpétuo” e “Nove de Frevereiro”

Site Oficial – Antonio Nóbrega

 

Foto por Marco Aurélio Olimpo

Entrevista muito bacana  feita ao Nóbrega por Marco Antonio Coelho e Aluísio Falcão:

Foto de Naturalmente - fonte: flickr do Festival

Defesa de uma dança brasileira

Por Tatiana Meira – Diário de Pernambuco
“Existe mesmo uma dança brasileira contemporânea, construída a partir de matrizes populares? Antonio Nóbrega tenta responder a este e outros questionamentos, convidando o público à reflexão em Naturalmente – Teoria e jogo de uma dança brasileira.

Em Naturalmente, Antonio Nóbrega – pernambucano morando em São Paulo há três décadas – intercala performances e números de dança com sua faceta de pesquisador da cultura popular, falando sobre as razões que o motivaram a tentar codificar uma linguagem brasileira de dança. Em cena, ele é acompanhado por duas bailarinas (Maria Eugênia Almeida, sua filha, e Marina Abib, que dividem com ele também as criações coreográficas) e oito músicos.

Diferentemente da música e da literatura, a preocupação com o segmento da dança é pequena. O Brasil precisa da base de uma cultura sólida para conseguir dialogar com outras culturas nesta grande roda cirandeira do mundo“, poetiza o dançarino, cantor, compositor e violinista.

Abertura do espetáculo onde nóbrega executa uma musica acompanhado de um vídeo com os diversos tipos e estilos de dança brasileiros, a matriz de onde ele absorveu seu trabalho.

As várias demonstrações das “Danças” brasileiras,  que assistimos no espetáculo, podem ser conferidos na série de 28 vídeos produziodos pelo Canal Futura.

“Viajando pelo Brasil, procurando conhecer e aprender os passos, gingados dos dançarinos populares, aprendemos que as danças circulam, e que o corpo informa sobre a vida de cada dançarino.”

Documentário produzido pelo Canal Futura, apresentado por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida . confira: “Danças Brasileiras

Como a dança seduziu o músico:

Nóbrega conta que foi seduzido para a dança aos 19 anos, quando viu um Mateus, figura do bumba-meu-boi, em ação. Desde então, passou a acompanhar vários artistas populares, como os passistas de frevo, os “dançadores” de caboclinho, os ternos de zabumba com seus volteios e passos.

“Nenhuma dança tem prevalência no espetáculo, mas não deixo de ressaltar a riqueza vocabular do frevo, que revolucionou com mais amplitude a linguagem brasileira oriunda deste universo. Faço um frevo desfrevado, que é desconstruído para ser reerguido de outra maneira”, confessa Nóbrega, ao detalhar o trabalho independente que estreou em 2009. “Um dos piores danos na nossa sofrida contemporaneidade cultural é sua folclorização. Se colocamos o frevo numa estante, com roupinha estilizada e passinhos iguais, ele se enfraquece”, exemplifica.

Numa entrevista, Ariano Suassuna, diz que quando Nóbrega  tocava no quinteto, seus pezinhos não paravam de se movimentar dançando… inquieto um verdadeiro “Brincante”.

 

Apresentação de Naturalmente no Festival Internacional de Dança no Recife

Nóbrega ganhou prêmios importantes. Em 2009 a revista Bravo! escolheu Naturalmente como o melhor espetáculo de dança produzido no Brasil na primeira década do século XXI.

Não é pouca coisa né?

 

O Documentário

Em breve teremos a grata oportunidade de assistir ao documentário dirigido por Walter Carvalho que vai receber o nome de “Brincante”, reúne referências do próprio autor.

 

Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira

Direção e concepção: Antonio Nóbrega

Coreografias e atuação: Antonio Nóbrega, Maria Eugenia Almeida e Marina Abib

Figurinos: Eveline Borges

Máscaras e figurinos do espetáculo Figural: Romero de Andrade Lima

O DVD de Naturalmente, dirigido por Walter Carvalho, está a venda nas lojas do SESC SP.

Livreto que acompanha do DVD:

Um abraço “Naturalmente” Brasileiro a quem passa por aqui.

Vídeo do Lunário Perpétuo:

Os “Caminhos do santo” e a peregrinação para São Paulo

Como “Caminhei” até os santos

Em uma das minhas visitas a Recife conheci o simpático Museu de Arte Popular de Recife, assunto que muito me interessa, e visitei a Exposição: “Os Caminhos do santo” (sim com “s” minúsculo) e foi amor a primeira vista. Conheci a Marcela Wanderlei a jovem coordenadora da instituição e curadora da mostra que faz um recorte do belissimo acervo do MAP com a contribuição de algumas peças do Museu do Homem do Nordeste. Logo me veio a cabeça: temos que levar esta riqueza pra São Paulo. Uma amizade e encantamento pela pessoa da Marcela fez com que uma parceria se estabelecesse e a mostra  “Caminhos do santo” está disposta a  peregrinar em direção a São Paulo.

O MAP

O Museu de Arte Popular, localizado no Pátio de São Pedro – Recife – PE, possui um acervo representativo de todos os estados do Nordeste do Brasil. Obras com alta carga expressiva, que refletem as vivências, a imaginação e a memória do(s) povo(s).

Páteo de São Pedro - Local de inumeras manifestações Culturais em Recife Foto: Leão Barros, Sandra Augusta


A Religiosidade Popular

Na religiosidade popular, as práticas de comunicação e reafirmação do relacionamento com o sagrado nos permitem vislumbrar como os romeiros, os devotos vivenciam suas experiências cotidianas e as relacionam com um imaginário devocional e de proteção historicamente situado.

Detalhe da Exposição: Foto Jefferson Duarte

Experiências religiosas como a verificada em torno do Padre Cícero, o processo de sacralização dos espaços e do cotidiano, articulado aos símbolos, rituais e mitos fundantes de uma crença, desenham comportamentos, indicando referências e apontando uma ética que se desdobra em narrativas: cruzes de estrada, ex-votos, os santeiros da madeira, a heresia dos santos de barro, a fé, um emaranhado de leituras que compreende um forte veio da cultura e o Museu de Arte Popular, de acordo com o acervo que possui, não poderia se furtar a passear por este que é um dos muitos caminhos que alimentam e refletem a biografia da arte. Continuar lendo

Coco do Amaro Branco

O Coco do Amaro Branco é um projeto musical que envolve vários mestres e discípulos de um coco tradicional que acontece na comunidade do Amaro Branco em Olinda, há mais de 100 anos. Conheça seus mestres brincantes e conheça as belissimas fotos de Emiliano Dantas “Coco do Amaro Branco | Retratos”

Mas o que é o Coco?

Dança tradicional do Nordeste e do Norte, cuja origem é discutida: há quem acredite que tenha vindo da África com os escravos, e há quem defenda ser ela o resultado do encontro entre as culturas negra e índia. Apesar de mais freqüente no litoral, o coco teria surgido no interior, provavelmente no Quilombo dos Palmares, a partir do ritmo em que os cocos eram quebrados para a retirada da amêndoa. A sua forma musical é cantada, com acompanhamento de um ganzá ou pandeiro e da batida dos pés. Também conhecido como samba, pagode ou zambê (quando é tocado no tambor de mesmo nome), o coco originalmente se dá em uma roda de dançadores e tocadores, que giram e batem palmas. A música começa com o tirador de coco (ou coqueiro), que puxa os versos, respondidos em seguida pelo coro. A forma é de estrofe-refrão, em compassos 2/4 ou 4/4.

Muitas são as variações do coco espalhadas pelo Nordeste: agalopado, bingolé, catolé, de roda (um dos mais primitivos), de praia, de zambê, de sertão, desafio, entre outros. Muitos deles caíram em desuso, por causa das influências culturais urbanas e da repressão das autoridades (há um grau de erotismo embutido nas danças), mas ainda são praticados nas festas juninas. Um dos cocos mais populares é o de embolada, que se caracteriza pelas curtas frases melódias repetidas várias vezes em cadência acelerada, com textos satíricos (quase sempre improvisados, em clima de desafio) onde o que importa é não perder a rima.

Um dos artistas mais célebres do coco foi o paraibano Jackson do Pandeiro, que começou acompanhando a mãe nos cocos tocando zabumba. Sua carreira fonográfica começou em 1953, em Recife, com o coco Sebastiana, o primeiro de muitos que viria a gravar, acabando por tornar o estilo (e tantos outros da música nordestina) conhecido no Sudeste. Mais tarde, nomes como Bezerra da Silva e Genival Lacerda também se valeriam do gênero. Celebrado por muitos dos artistas da MPB, como Gal Costa (que gravou Sebastiana), Gilberto Gil e Alceu Valença, o coco seria redescoberto nos anos 90 em Recife, pela via do mangue beat, através do trabalho de grupos como Chico Science & Nação Zumbi e Cascabulho. Eles chamaram a atenção para artistas recifenses contemporâneos, mais próximos da raiz musical, como Selma do Coco, Lia de Itamaracá e Zé Neguinho do Coco. Continuar lendo

Os Gigantes de Olinda

No Nordeste o Carnaval ainda não acabou, em tempo o Celophane Cultural mostra uma arte que a cada ano que passa traz pras ruas de Olinda mais e mais personalidades da cultura POP para nos encantar com sua beleza plástica seu bom humor e traços realistas. Os famosos Bonecos Gigantes de OLinda que a dois anos inaugurou um museu numa das ruas mais charmosas do Recife Antigo, a Rua do Bom Jesus,  a Embaixada dos Bonecos Gigantes. A matéria tem a colaboração do correspondente de OLinda, Juliano Mendes da Hora do Blog Cajumanga.

Nas apertadas ladeiras de Olinda os encantadores bonecos desfilam por entre os foliões - Foto: Juliano Mendes da Hora

Os Bonecos Gigantes surgem na Europa, provavelmente na Idade Média, sob a influência dos mitos pagãos escondidos pelos temores da Inquisição. Chegam em Pernambuco através da pequena cidade de Belém do São Francisco no sertão do estado.

AS Margems do rio a Belem do São Francisco todo ano recebe os bonecos gigantes - foto do Homem da Meia Noite personagem indispensável no Carnaval Pernambucano - foto:Renato Spencer/Santo Lima - site: http://carnaval.uol.com.br/2010/album/belem_sao_francisco_album

Os bonecos surgiram da vontade de um jovem sonhador que ouvia atento as narrativas de um padre belga sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da Europa.

O primeiro boneco foi às ruas da pequena cidade durante o carnaval de 1919 com o surgimento do personagem Zé Pereira, confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê, somente no ano de 1929 resolveram criar sua companheira, boneca esta batizada com o nome de Vitalina.

Quem foi essa tal de Zé Pereira

A constatação da existência de uma diversão carnavalesca conhecida como Zé Pereira em Portugal do século XIX parece apontar para a forte influência lusitana no surgimento da brincadeira no carnaval carioca. A Hsitória oral  atribui a “invenção” do Zé-Pereira a um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Divulgada na maioria dos livros sobre carnaval, essa versão acabou ocultando toda uma série de influências que contribuíram para o surgimento dessa curiosa categoria carnavalesca. As raras referências sobre a tema na literatura carnavalesca são bastante desencontradas. Estas apontam o “surgimento” do Zé Pereira em 1846 (Moraes, 1987), em 1852 (Edmundo, 1987) ou em 1846, 1848 e 1850 (Araújo, 2000).

Zé Pereira no Carnaval - fonte desconhecida

A principal razão dessa discrepância é o fato de que a categoria “Zé Pereira” só se fixaria anos mais tarde. Na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de bloco de sujo. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de Zé Pereira.

E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval


Os Gigantes de OLinda

A tradição dos bonecos gigantes, iniciada em Belém do São Francisco, ganhou as ladeiras de Olinda em 1932, com a criação do boneco do Homem da Meia Noite, confeccionado pelas mãos dos artistas plásticos Anacleto e Bernardino da Silva

O primeiro Homem da Meia Noite - Fonte: http://www.homemdameianoite.com

Fundado no dia 02 de fevereiro de 1932 pelos senhores Benedito Bernardino da Silva, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Cosme José dos Santos, Manoel José dos Santos e Eliodoro Pereira da Silva. O Homem da Meia Noite é resultado de uma dissidência dos diretores da troça Cariri de Olinda. Porém, muitos mistérios e curiosidades envolvem sua história. Alguns admiradores, historiadores e parentes dos fundadores retratam duas versões sobre a origem desse símbolo cultural, dessa figura mística e encantadora. A 1ª versão; conta a sabedoria popular, que Luciano Anacleto de Queiroz, era um apaixonado pela sétima arte. Em um belo dia de domingo foi ao cinema assitir a um filme “O ladrão da meia noite”. Era a história de um ladrão de classe, que saía de um relógio sempre a meia-noite, cada dia de um lugar diferente, causando pânico na cidade. Impressionado com o personagem do filme, Aanacleto resolveu homenageá-lo criando o Homem da Meia Noite.


A segunda versão, retrata a história de outro fundador, o marceneiro Benedito Bernardino, autor oficial do Hino do Homem da Meia Noite que junto com dois amigos de profissão da comunidade do Bonsucesso deu vida ao calunga mais famoso do Brasil. Conta-se que Benedito ficava madrugada adentro em frente a sua residência compondo músicas carnavalescas, na Estrada do Bomsucesso. Nos finais de semana especialmente do sábado para o domingo, Benedito começou observar que um homem forte, alto e elegante trajando sempre cores verdes e branca com chapéu preto, com um dente de ouro o cumprimentava com um aceno e um belo sorriso. Desconfiado, pois aquele homem passava nos finais de semana, quase sempre a meia noite, fato incomum nos anos 30 na velha Marim dos Caetés.Intrigado, Benetido resolveu segui-lo e descobriu que o homem era um apreciador das belas mulheres, pulava escondido as janelas das donzelas da cidade para namorar. Voltando pra casa muito surpreso com sua descoberta, lhe veio a idéia de homenagear tal figura , o “Dom Juan” das madrugadas olindeses. Qual a verdadeira versão, não se sabe ,a verdade é que o gigante da meia noite arrasta milhões de foliões durante os seus desfiles; e sua saída apoteótica é tradição nos sábados de Zé Pereira.

Porta da sede do Homem da Meia Noite - 1996 - foto acervo Homem da Meia NOite

 

Coencidências ou Fato ?

Versões a parte, outras curiosidades marcaram a história do calunga: Viaje conosco neste mundo de magia .O homem da Meia-Noite nasceu no dia 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá à meia-noite, por isso é considerado uma figura mística do candomblé denominado assim de calunga.Sua quarta sede social hoje definitiva fica localizada em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens pretos de Olinda uma das mais mistíca da nossa cidade. Tárcio Botelho,foi o presidente do clube que sucessivamente mas tempo permaneceu no cargo de 1991 à 2001, Tárcio morreu em 2001.O alfaiate “Brasil” é o grande responsavel pelas belas roupas do Homem da Meia-Noite a mais de 30 anos.O Senhor “Brasil” alfaiate antigo da cidade não veste outra cor a não ser a branca, você sabe porque? Outros fatos recentes chamam a nossa atenção a casa número 301 da Rua do Amparo pertence ao atual presidente do clube Luiz Adolpho, que descobriu após anos de pesquisa, que a mesma foi a segunda sede social do homem da meia-noite, o calunga saiu muitas vezes do quintal da sua casa. Segundo o presidente Luiz Adolpho o titúlo mais importante da história do clube “Patrimônio Vivo de Pernambuco” foi conquistado no dia 20 de Dezembro de 2006 dia do aniversário do seu filho mais velho que tem o nome do seu pai Tárcio Botelho.Coincidencias ou fato a verdade é que o Homem da Meia-Noite respira emoção e magia.


A Família Gigante

Em 1937 surgiu a Mulher do Meio Dia, em 1974 foi à vez do Menino da Tarde pelas mãos do artista plástico Silvio Botelho Botelho, que popularizou a tradição com criação do Encontro dos Bonecos Gigantes, onde vários bonecos de diversos artistas se encontram para um grande desfile pelo sitio histórico de Olinda na terça de carnaval.

 

Silvio Botelho posa ao lado de boneco do fundador do Galo da Madrugada, Enéas Freire, à sua esquerda e do compositor Capiba. - Foto: Geyson Magno / UOL

“Na adolescência, com dez, doze anos já tinha essa energia. Brincava com máscaras. A primeira máscara que fiz, foi uma máscara com o rosto de Glória, minha irmã. Morava no Amaro Branco. Deitei Glória no chão, tinha muito capim e disse: – Eu quero fazer uma máscara. Coloquei papel misturado com goma no rosto de Glória e um canudo na boca para ela respirar. As formigas mordiam Glória, mas ela resistiu. E a primeira máscara ficou pronta.”

“O primeiro boneco que fiz, foi em 1975, foi o Menino da Tarde. Ernandes Lopes foi a pessoa que me pediu para fazer. Nessa época, só existia o Homem da Meia-Noite e a Mulher do Dia. Era o filho dos dois. O maior desafio foi entender o que era fazer um boneco gigante. Um boneco com 2 metros e 90 centrímetros de altura. Em dois meses o Menino da Tarde ficou pronto. O boneco pesava 35 quilos e foi confeccionado em madeira, capim, papelão duro e papel. Ao ver o resultado, o renomado artesãoRoque Fogueteiro ficou impressionado com a beleza da obra e me aconselhou a prosseguir no caminho da arte.”

Silvio Botelho em entrevista para o Blog Arlindo Siqueira

A Nova Geração

Em 2008, o empresário e produtor cultural Leandro Castro criou uma nova geração dos Bonecos Gigantes. Uma equipe montada com diversos artistas como: Antônio Bernardo (Escultor), Aluísio de Nazaré da Mata e a estilista Sineide Castro, responsável pelos figurinos dos bonecos, materializaram grandes ícones da história e cultura brasileira e personalidades mundiais como: Duarte Coelho, Mauricio de Nassau, D. Pedro I, Dragões da Independência, Lampião, Presidente Lula, Obama, Michael Jackson, Nelson Mandela, Ariano Suassuna , Dominguinhos, Chacrinha, Alceu Valença, Chico Science, Nóbrega, Elba Ramalho, Pelé, Renato Aragão, Jô Soares ente outros.

 

personagens da Cultura POp na Embaixada dos Bonecos Gigantes - foto JeffCelophane

A nova geração dos bonecos tem impressionado bastante a todos pelo grande realismo das expressões faciais e figurinos, o que originou o titulo de museu de cera popular itinerante. Este maior realismo foi obtido na inovação dos materiais utilizados, a matriz moldada em argila para posterior aplicação de fibra de vidro, material este mais leve e duradouro, as mãos dos bonecos permaneceram em isopor para não machucar nenhum folião durante as apresentações, a altura média dos bonecos é de 3,90m.

O defensor da Cultura Popular Brasileira eternizado num boneco - Ariano Suassuna - Embaixada dos Bonecos Gigantes - Foto: JeffCelophane

 

Em 2009, foi realizado na segunda feira de carnaval, a primeira Apoteose dos Bonecos Gigantes no Sitio Histórico de Olinda com 30 bonecos, em 2010 o evento contou com mais de 60 bonecos revivendo grandes personalidades da cultura e historia pernambucana, brasileira e mundial.

 

Atualmente os bonecos permanecem em exposição o ano inteiro na Embaixada dos Bonecos Gigantes em REcife.

 

Vejam a Matéria do Blog Cajumanga de Olinda onde o pernambucano JUliano Mendes da Hora nos conta sobre o Carnaval de Olinda e sobre os bonecos gigantes que povoam um dos carnavais mais valiosos de nossa cultura popular.

Juliano nos conta um pouco como foi o Carnaval de Olinda 2011:
A saída dos Bonecos Gigantes de Olinda, que se concentram no Largo de Guadalupe, próximo ao bairro do Amparo, na Terça-Feira de Carnaval, é um espetáculo de cores e tradição popular que é passada de geração em geração. Vale à pena assistir se embrenhar pelas ruas estreitas do bairro e se perder por entre os ícones da cidade alta, que são preparados pelo povo enquanto não iniciam a sua missão de andar por entre os foliões no penúltimo dia de carnaval.

A responsabilidade de carregar um Icone da cultura Pernambucana - Foto Juliano Mendes da Hora

Os bonecos representam as várias culturas e pessoas envolvidas na história da cidade. Não importa a sua classe social, se é famoso, ou se pertence ao cotidiano do bairr: Todos são importalizados e tratados com reverência durante estes dias de folia. Geralmente, artistas são homenageados e recebem suas versões gigantes, assim como Tapioqueiras, cantores, estudiosos, educadores… Cada pessoa que possa ter deixado sua marca na cidade e no mundo é homenageada com um boneco.
Estão presentes desde Capiba, famoso poeta e autor dos mais clássicos frevos do estado, passando por celebridades nacionais como Ayrton Senna, ou internacionais, como Einstein, Fidel Castro e Michael Jacskon, entre outros.
As lendas e personagens do folclore pernambucano também marcam presença, tornando a festa ainda mais autêntica e brasileira.

Fontes:

Embaixada dos bonecos gigantes de Olinda

A Embaixada funciona de domingo a domingo, com horário das 8h às 18h de segunda à sábado e até às 19h nos domingos. A entrada custa R$ 4,00, com gratuidade para crianças até 12 anos acompanhadas de adulto.

Endereço: Rua do Bom Jesus, 183, Recife antigo
Tel: (81) 3441-5102 ou 8775-0540

wikipedia – Zé Pereira

Homem da Meia Noite

TODAS AS “CORES DO MARACATU” reunidas num livro.

Olá amigos da Cultura Popular:

Abrindo um canal de divulgação de obras que disseminam a nossa rica e gloriosa cultura, estou aqui divulgando um livro que teve seu lançamento na Livraria Cultura do Recife, canal este de comunicação aberto através deste blog.

Isso pra mim representa um orgulho enorme, estar sendo lido, acompanhado e estar utilizando este meio como  indicador de obras importantes para a nossa “avexada” de deslumbrante Cultura Popular Brasileira.

JeffCelophane

 

Descrição da Imagem: Capa do Livro "Cores do Maracatu" com uma colorida imagem da indumentária do Caboclo importante personagem do Maracatu com suas coloridas lantejoulas e ao fundo a Rainha.

 

TODAS AS CORES DO MARACATU PELO OLHAR DE RILDO MOURA

Fotógrafo recifense  lança livro “Cores do Maracatu”, com imagens que traduzem toda a beleza do maracatu rural através das pessoas que o compõem.

Tradição secular da cultura brasileira, o maracatu rural seduz pela beleza cênica, pelo valor de sua simbologia e pelo seu colorido extravagante, notável, por exemplo, na figura mais que característica do caboclo de lança. Essa riqueza visual foi captada pelo fotógrafo Rildo Moura, no seu livro “Cores do Maracatu”.

Para executar este belíssimo trabalho, apoiado pela Chesf, Rildo Moura foi até Nazaré da Mata, a Terra do Maracatu, durante três anos, no período de Carnaval e nos encontros de maracatus que ocorrem na cidade. Registrou todo o processo que guia a celebração da “guerra bonita”, indo desde a confecção das fantasias e adereços até a apresentação em si. Nesta empreitada, contou também com orientações de Walter Firmo, renomado fotógrafo carioca, que conheceu durante um workshop no Recife, e que assina o prefácio do livro.

Descrição da Imagem: Humilde casa ao fundo com a comitiva de mulheres enfileiradas e suas roupas brilhantes e coloridas de cetim.

O diferencial deste trabalho de Rildo Moura é que ele não se limitou a capturar apenas o folguedo popular, mas se preocupou em registrar as pessoas que o compõem e sua dedicação aos detalhes: a preparação dos caboclos de lança, as baianas enfeitadas nos seus vestidos, os artesãos preparando as indumentárias, o rei e a rainha à espera do cortejo. O livro é mais sobre pessoas do que mesmo sobre o próprio maracatu.

Descrição da Imagem: Close de Brincante, personagem do Maracatu, com rosto totalmente pintado de preto, chapéu e roupa coloridos.

RILDO MOURA – começou como fotógrafo de “brincadeira”, em 1986, após receber seu primeiro salário e comprar uma câmera. O hobby foi ganhando importância em sua vida graças a um crescente desejo pelo apuro técnico. A partir de 2000, Rildo passa a investir mais seriamente na carreira, tendo participado de grupos de fotografia e mostras coletivas, como o Paspatu e o Café Tortoni (SP). Atualmente, é membro da seção pernambucana da Associação de Fotógrafos (Fototech). Em 2008, publicou “Teatro de Santa Isabel – Guia Fotográfico”, com apoio do Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do Recife, revelando detalhes geralmente ignorados daquele teatro.

Descrição da Imagem: dois personagens do Maracatu totalmente vestidos de chita com "Burrinhas" penduradas aos ombros. a colorida imagem dos dois está no meio de um denso matagal dando um contraste muito interessante.

 

Confiram o belissimo vídeo de Marcelo Rodrigues:

Performance do grupo de Caboclo de Lança Cambinda Brasileira, de Nazaré da Mata – Pernambuco. Este grupo é o mais antigo e foi fundado em 1918. O Caboclo de Lança é símbolo do carnaval Pernambucano.

SERVIÇO

livro “Cores do Maracatu”, de Rildo Moura

Onde comprar: Livraria Cultura.

Quanto: R$30

Livraria Cultura

Flickr de Rildo Moura

www.rildomoura.com/

Contato para entrevista:

Renata Reynaldo (assessoria de imprensa) – (81) 9994.7530

Noticias sobre o lançamento:

JC Online

Folha Pernambuco

Diário de Pernambuco