São Jorge do Brasil

O Celophane Cultural em 23 de Abril vem homenagear  São Jorge, o santo guerreiro, que ao matar  o dragão da maldade e salvar a humanidade do mal, não tinha idéia de como ficaria famoso e teria uma legião de fiéis no mundo inteiro.

Mas “o brasileiro”, também guerreiro, com a fé em Jorge, mata um dragão por dia. Por isso podemos afirmar que São Jorge é do Brasil.


Festa de São Jorge em Vespasiano, MG. A guarda de Marinheiro de São Jorge recebe os convidados. 25/04/2010. FOTO ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA

Porque São Jorge é Tão Brasileiro?

Ele é a síntese da fé cultuada dentro das religiões através dos séculos, tão depurado que deixa o manto e se torna ícone de força e coragem.

O culto ao santo é, no Brasil, uma das mais arraigadas heranças portuguesas e uma enorme festa contemporânea profana e religiosa, laços de fé que unem Brasil e Portugal, o sincretismo religioso, a cultura popular e em especial a identificação cultural dos brasileiros com São Jorge.

Procissão de São Jorge - Rio - Foto ntegrante da exposição: "As MUitas faces de Jorge" _ galeria Mestre Vitalino - Museu do Folclore - Foto: Fábio Caffe

A identificação popular é notável,  o Santo é venerado desde os tempos da colônia, São Jorge está presente nos altares das Igrejas católicas e ortodoxas e nos gongás da umbanda, nos botequins e fachadas de casas, é patrono de time de futebol, está presente nas artes plásticas, na poesia e na música popular. A imagem em que o santo enfrenta um dragão repousa estática entre garrafas de bebida nos bares cariocas e nos nichos domésticos; desfila em decalque na carroceria dos ônibus bordados nas capas dos assentos de seus motoristas; gravada em medalha de prata, ouro ou no reluzente chapeado, pende do pescoço do playboy e do operário, do patrão e do empregado.

A grande festa no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a devoção a São Jorge desafia as barreiras etárias, sociais e zomba dos limites geográficos. Aproxima o velho do moço, as classes média e baixa dos célebres emergentes, a zona sul do subúrbio, o morro do asfalto, o lar do botequim.

Procissão de São Jorge - Rio - Foto ntegrante da exposição: "As MUitas faces de Jorge" _ galeria Mestre Vitalino - Museu do Folclore RJ - Foto: Ingrid Cristina

É exemplo perfeito da religiosidade popular brasileira tal como a descreveu Gilberto Freyre: uma “religiosidade afetivizada”, que canibaliza as hierarquias impostas entre o sagrado e o profano e transforma a festa para o santo às portas da igreja, na Rua da Alfândega, em uma festa carnavalesca.

Imagem de São Jorge - Igreja na Rua da Alfândega RJ - Foto: Jefferson Duarte

A dimensão que o culto a São Jorge assumiu no Rio de Janeiro contou, é certo, com a força das religiões afro-brasileiras. Sabe-se há muito que os escravos encontraram no culto aos santos um abrigo seguro para a manutenção do culto às entidades do panteão iorubá, quando a prática era assunto de polícia. A função medianeira, as habilidades e o conhecimento no trato sobre certa matéria aproximaram os santos e os orixás. Enquanto os atributos dos santos indicavam o exercício de seu antigo ofício, a aptidão para cura de uma doença ou a resolução de um problema, os símbolos dos orixás revelavam, do mesmo modo, suas propriedades curativas e materiais. Nos terreiros do Rio, São Jorge emprestou sua face a Ogum, na Bahia a Oxossi.

O encontro de São Jorge com os deuses africanos é um dos muitos capítulos que compõem a história da devoção ao mártir no Ocidente. São Jorge dialogou com outros mitos desde a Antiguidade até assumir a feição lusitana que os colonizadores trouxeram ao Brasil. Ao contrário de outros santos do catolicismo, São Jorge conta com mais de um relato hagiográfico, sua canonização literária.

Mas como o venerado Guerreiro ganhou tanta força que a fé em chega aos dias de hoje?

AS LENDAS

A Legenda Áurea – o Mártir

São Jorge nasceu na Capadócia no ano de 280. Logo no final do século III, ele trocou a Capadócia pela Palestina e ingressou no exército de Diocleciano. O cristão chegou rapidamente aos postos de conde e depois de tribuno militar. As complicações para São Jorge iniciaram quando os cristãos voltaram a ser perseguidos. Coerente, São Jorge manteve sua fé e passou a lutar a favor dos cristãos, superando cada tortura a que foi condenado por Diocleciano e convertendo mais e mais soldados ao reino dos céus.

“Breviário Livro de Horas” de 1378” que tem São Jorge em seu martírio e guarda lições de fé coragem e determinação que inspiraram seus fieis.

O imperador Diocleciano, contrariado com a resistência dos cristãos encabeçada pelo guerreiro, chamou um mago para acabar com a força de Jorge. O santo tomou duas poções e, mesmo assim, manteve-se firme e vivo. O feiticeiro juntou-se à lista dos convertidos. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão inflexível que a própria mulher do imperador Diocleciano também converteu-se ao cristianismo. Esta teria sido a última gota, que fez com que Diocleciano mandasse degolar o ex-soldado em 23 de abril de 303. A data ficou marcada como Dia de São Jorge.

A Lenda do Catolicismo Popular o Dragão

A lenda mais conhecida onde São Jorge contra Dragão da Maldade.

reprodução do mais famoso "Santinho" de São Jorge - imagem popular autoria desconhecida

A Arte Cristã representa São Jorge montado num cavalo, combatendo o dragão de Selena na Líbia, salvando a vida de uma princesa. A Igreja cita que essa representação é alegórica, pois o dragão vencido pelo santo, representa o espírito mau. A princesa simboliza a esposa do imperador que presenciando a constância do mártir, se converteu ao cristianismo.
Dizem que o cavalo branco de São Jorge é abençoado por Deus. 


Reprodução do Quadro de Raphael (1483 – 1520)– “St. George and the Gragon” – 1506 - Da National Gallery of Art – Washington DC.

Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente (Constantinopla, Egito, Armênia, Grécia, Império Bizantino).

Reprodução de fotografia da escultura em madeira de São Jorge datada de 1489 da Catedral gótica de Estocolmo – Storkyrkan – autoria de Bernt Notke de lübeck

"a espada e o Dragão" gravura e Samico - Brasil - 2000

São Jorge na cultura Portuguesa

Devoção Portuguesa – São Jorge Defensor do Império

O Culto dos reis de Protugal ao megalomártir tem início com a fundação do Reino de Lisboa Por Afonso Henriques – 1° Monarca de Lisboa.
Durante a Dinastia de Avis (século XIV ao séc. XVI) a fé em São Jorge passou a representar a vocação de Portugal para a conquista.
Como mais um sinal de devoção, o Infante d. Henrique deu o nome do santo a uma das ilhas do arquipélago dos Açores.
Posteriormente o Santo foi tomado como intercessor celeste pela disputa da coroa Lusitana contra Castela quando
D. João I entrega a batalha a São Jorge gritando:

“Avante São Jorge, avante, que eu sou Rei de Portugal”
São Jorge Atravessa o Atlântico

“Que culpa tem ele de ser tão belo e ecumênico” – Mário Quintana

A procissão bahiana

A Primeira procissão do Corpo de Deus  foi realizada na Bahia em 1549 trazendo o “Santo mártir” à moda de Lisboa o santo saía na procissão baiana sobre cavalo ricamente adornado, escoltado por seu págem, por seu alferes, o popular “Homem de ferro”, e por cavalariços vistosamente trajados.

Após o descobrimento do Brasil, a imagem do santo sobre o cavalo passou a ser um dos principais atrativos do desfile.

A procissão Mineira

Em Vila Rica (hoje Ouro Preto, MG) no século XVIII, também não se economizava em pompa. Na véspera da procissão, à noite, os Criados de São Jorge, vestidos de capa e calção vermelhos, rufando tambores, anunciavam pelas ruas o cortejo. Ao Amanhecer, ao som da banda e ao estouro dos fogos, o povo ganhava as ladeiras da cidade.Antes da missa, na matriz de Nossa senhora do Pilar, a imagem de São Jorge sobre um cavalo, seguida por seu alferes em ricos trajes romanos, e por um anjinho, dirigia-se à igreja. A Imagem de São Jorge esculpida por Aleijadinho, saía escoltada por quatro estribeiros vestidos como pagens  e um piquete de cavalaria com cascos dourados e arreios enfeitados.
O Santo era recolhido no Paço da Câmara.

Escultura em cedro - Aleijadinho – Museu da Inconfidência – Ouro Preto – MG - detalhe da montagem da escultura com capa original na EXposição Brasil 500 anos - Curiosidade sobre a obra: A imagem ficou anos na Prisão por ter caído e matado um soldado durante uma procissão.

A procissão do Rio de Janeiro Capital do Império

No Rio de Janeiro imperial, o desfile de São Jorge provocava tamanho impacto no dia do Santíssimo que se tornara por si só um acontecimento. O mártir era o único santo a integrar o cortejo. Ao repique do sino da igrejinha da rua de São Jorge, atual Gonçalves Ledo, declarava-se iniciada a festa. O foguetório abafava o vozerio e a irmandade do santo, com capa, punha-se a aguardar a chegada do corcel branco. O cortejo liderado pela Irmandade, contava com a banda de escravos da Quinta da Boa VistaA Imagem vinha em cima de um cavalo Branco, com um criado de cada lado, armadura, escudo elmo com ornamentos dourados e capa de veludo carmesim bordada a ouro.

São Jorge na Procissão de Corpus Christi - Aquarela de Debret Sec. XIX - A estátua de São Jorge desfilava enfeitada sobre um cavalo ao lado do "Homem de Ferro". Acervo Museus Castro Maya / IBRAM / MINC

Atrás, o escudeiro sobre um ginete abria o caminho para 24 cavalos das cavalariças da Quinta da Boa Vista.
A Única presença a rivalizar com o santo era o imperador D. Pedro II que desfilava suprindo a demanda dos reis e dos exércitos, ajudando – lhes a forjar uma estampa de glória e conquista.
Pocissão de São Jorge Thomas Ewbank – Revista Jangada Brasil

23 de abril — Aniversário de “São Jorge, Defensor do Império”. Este poderoso guerreiro aparece em público somente uma vez por ano, ocasião em que, armado dos pés à cabeça, com lança na mão e espada, conduz o imperador, a corte, as tropas nacionais, a hierarquia eclesiástica e o povo leigo, pelas ruas, em triunfo. Pensei que fosse dia de desfile, porém este ocorre em junho, e assim somente então é que poderemos prestar nossas homenagens ao herói.

(…)

“No Brasil São Jorge é Ogum”
O sincretismo

A força do Venerado Guerreiro só explodiu no país a partir do sincretismo religioso com os cultos afro-brasileiros.
Os negros nas senzalas cantavam e dançavam em louvor aos orixás, entretanto seus senhores não gostavam, e tentavam converte-los a fé cristã, aqueles que não se convertiam eram cruelmente castigados. Daí nasce o sincretismo, em que os negros africanos associavam os orixás  aos santos católicos.

Obra em Argila da série "Sincréticos" de Elson Santos - MUseu do Homem do Nordeste - Acervo FUNDAJ - PE

No candomblé da Bahia é associado a Oxossi, mas é em Ogum, na umbanda que São Jorge tem a maior representação. São Jorge foi uma das primeiras figuras da Igreja católica a ser incorporada à cultura afro-brasileira.

Altar de Umbanda todo enfeitado de vermelho, cor destinada a S. Jorge e a Ogum na UMbanda - foto: Klaus D. Günther

Simbolicamente Ogum que na mitologia corresponde ao Orixá dos exércitos, dos guerreiros e dos soldados. Orixá do calor, da força e da energia. É o rei do ferro e protetor de todos que venham a trabalhar com instrumentos metálicos.
Na África é festejado como padroeiro da Agricultura.

EScultura africana em madeira representando Ogum aquele que abre os caminhos

Ogum festeja sua data no mesmo dia que São Jorge: 23 de abril. Conforme o Dicionário do Folclore Brasileiro, ele é o orixá do calor, da força e da energia. É o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com instrumentos metálicos.

OGUM de Carybé umas das 19 peças que fazem parte do Grande Mural dos Orixás representando os deuses d’África no Candomblé da Bahia. As obras pertencem à coleção do Banco do Brasil BBM S/A, em comodato no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia.

Conhecido e festejado na África como padroeiro da Agricultura. Ogum na Umbanda é, como os espiritualistas chamam, São Jorge Guerreiro.

O Sincretismo entre São Jorge e os orixás africanos e seu vínculo com categorias ligadas às forças militares, aos ofícios que ligam com o ferro e com o fogo, mecânicos, bombeiros e  barbeiros, reforçaram a devoção do santo no Brasil e garantiram sua extrema popularidade até os dias de hoje. Presente no imaginário popular como o representante da fé

Cristo me defenda dos meus inimigos
tenham pernas e não me alcancem
tenham braços e não me maltratem
tenham olhos e não me vejam
tenham boca e não me falem…

Esta oração — que está no livro de Joaquim e Fernando Pires de Lima, Tradições populares de Entre-Douro-Minho (Barcelos, 1938, p.172) — acrescenta, logo a seguir, que aquele que a reza “com as armas de São Jorge (será) armado” — como a invocar, ao mesmo passo que o poder onipotente de Cristo Senhor Nosso — o denodado e valioso concurso de São Jorge, o popular santo guerreiro, o Ogum das macumbas, o valoroso Oxossi dos candomblés baianos…
Com todas estas manifestações espalhadas pelo país, podemos garantir, que São Jorge é, acima de nossa Senhora de Aparecida, o Padroeiro do Brasil.

Num boteco que se preze sempre tem uma estátua de São Jorge, uma vela acesa e um copo de água ou cerveja bebida preferida dos Jorges da vida.

Convite para a abertura da Exposição que homenageou S Jorge no ano de 2011 no MUseu do Folclore. Que exibe o medalhão no pescoço do devoto como simbolo de orgulho e fé.


No Cinema:

O filme “Uma festa para Jorge”, dirigido por Isabel Joffily e Rita Toledo

Isabel Joffily e Rita Toledo – jovens documentaristas que se aventuram pela primeira vez no fazer documental – acompanham a trajetória de três devotos de São Jorge ao longo dos meses de preparação para o 23 de Abril, dia do Santo. Dona Ana luta para organizar as barracas da festa. Seu Jorge precisa manter a ordem na Igreja. Helinho se confronta com os seus orixás. A relação de cada um deles com o evento revela o universo da devoção ao Santo Guerreiro na cidade do Rio de Janeiro. O filme é um DOCTV realizado em 2009.

Ficha Técnica: 52min. 2009
de Isabel Joffily e Rita Toledo

produzido para a série Doc. TV, em 2009

O Venerado guerreiro nas artes plásticas
São Jorge foi retratado diversas vezes por artistas renomados:

SÃO JORGE E O DRAGÃO 1943, pintura mural à têmpera, 244x61 cm Museu Casa de Portinari, Brodowski, SP

O Artista plástico Farnese de Andrade tem diversas peças inspiradas no Glorioso Guerreiro.

NO Imaginário S Jorge sempre é lembrado: Xilogravura de Fernando Vilela: Livro: Ivan filho-de-boi (Mitos Russos) Autora: Marina Tenório / Ilustrador: Fernando Vilela Coleção Mitos do Mundo - Ed. Cosac & Naify

"Os Filhos de Jorge" um animadíssimo Blog "Os Filhos de Jorge!" De uma união improvável surgem estas duas criaturinhas que vão fazer você ficar no mundo da lua! - Por: Cisko Diz

O Fabuloso São Jorge de Raimundo Rodrigues, medindo 3 x 3 x 3 Metros em sucata metálica.

O Menino São Jorge - Raimundo Rodrigues

São Jorge é POP
São diversas as manifestações artísticas e do dia a dia em que São Jorge se faz presente:
algumas imagens destes devotos/artistas:

Dragão de São Jorge esculpido por Rafael nas areias de Copacabana - RJ

São Jorge no Barracão da escola de Samba Império Serrano onde o Santo é padroeiro - foto Jefferson Duarte

Oratórios confeccionados por artesão diversos em exposição no Centro Cultural Carioca - RJ - Foto: Jefferson Duarte

 

Todo ano o Corinthians faz uma grande festa em homenagem ao seu Padroeiro em SP

 

Capa do Disco de Jorge Bem Jor - Devoto declarado do Santo

Fontes:

Georgina Silva dos Santos, professora do Departamento de História da UFF  – Núcleo de História Moderna e Colonial da Época Moderna da mesma universidade. – Ofício e Sangue – A Irmandade de São Jorge e a Inquisição na Lisboa Moderna – compre o livro

Georgina Silva dos Santos. “Venerado guerreiro”. In: Nossa História. ano 1, n. 7. Biblioteca Nacional

Matéria da REvista de História da Biblioteca Nacional – Por Beatriz Catão Cruz SantosSanto Guerreiro

Eduardo Silva. Dom Obá II d’África, o príncipe do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Jacopo Varezze. Legenda Áurea: vidas de santos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

João da Silva Campos. Procissões tradicionais da Bahia. Salvador: Publicações do Museu da Bahia, 1947.

REvista Jangada Brasil – A procissão de São Jorge

Neves, Guilherme Santos. “Orações de São Jorge Guerreiro”. A Gazeta. Vitória, 28 de abril de 1957

Cine Esquema Novo

Site São Jorge Mártir

Museu Afro Brasileiro: Carybé e o Grande MUral dos Orixás

Blog: “Os Filhos de Jorge” www.osfilhosdejorge.wordpress.com

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Quem não chora não mama, 9 décadas do Bola Preta

O Celophane Cultural inicia seus trabalhos já em rítmo de Carnaval.

À 9 décadas nascia um dos mais importantes pilares do Carnaval Carioca O Cordão do Bola Preta, hoje Patrimônio Cultural do Povo do Rio de Janeiro. Neste ano O Bola dá a largada na recuperação de seu importante acervo. Reproduções de parte desse tesouro podem ser vistas em mostra ao ar livre, no Largo da Carioca durante o mês de Fevereiro.

“Quem não chora, não mama / Segura meu bem, a chupeta
Lugar quente é na cama / Ou então, no Bola Preta.
Vem pro Bola, meu bem / Com alegria infernal
Todos são de coração / Todos são de coração
Foliões do Carnaval / Sensacional!”

(Nelson Barbosa / Vicente Paiva – 1962)

Com 90 anos de história, o Cordão da Bola Preta é o mais antigo cordão carnavalesco em atividade no Rio de Janeiro. Se reuniu, pela primeira vez, no Revéillon de 1918. Hoje é patrônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, e é ele que, ironicamente, surgiu como um protesto contra as autoridades, abre oficialmente o carnaval carioca.

Enquanto o Bola não desfila, o carnaval não começa!

Simples assim!!!

Estudiosos garantem que cordão (cuja primeira citação na imprensa aparece em 1886) surge como uma sátira popular, desabafo anônimo e coletivo contra o estabelecimento de fatos que desagradem ou prejudiquem o povo. No caso da origem, foram o vice-reinado português e depois o próprio D. João VI e sua corte, os alvos das brincadeiras dos cordões.
Saiba mais: Crônica de João do Rio sobre os Cordões – A Alma Encantadora das ruasSecretaria Municipal de Cultura, 1987. Biblioteca Carioca, 4 – Fonte:  Jangada Brasil

Dentro dessa filosofia, surgiu o que viria a ser o mais famoso deles, o Cordão da Bola Preta. Álvaro de Oliveira era o que se chamava na época — final dos anos 20 — de um folião de quatro costados. Soube pelos jornais que o chefe de polícia, Dr. Aurelino Leal (o mesmo que com sua ordem contra os cassinos clandestinos, em 1916, dera origem ao samba Pelo telefone), baixara uma portaria determinando que “os grupos e cordões que perturbarem a ordem pública terão suas licenças cassadas, sendo os perturbadores presos e processados, na forma da lei.

Chico Brício, um dos fundadores do cordão, em comemoração aos 50 anos do Bola Preta. Fonte: Cifra Antiga

Foi o que bastou para que o corajoso K. Veirinha (apelido de Álvaro, também conhecido como Trinca Espinha) se dispusesse a topar a parada contra o chefão. Reuniu os amigos de sempre — Chico Brício, Vaselina, Pato Rebolão, Fala Baixo, Porrete e outros, a turma do chope —, nos bares da Galeria Cruzeiro, e planejaram a desobediência ao mandachuva. Alugaram a sede do Clube dos Políticos, na rua do Passeio, e no reveillon de 1918, com um “maxixético e rebolativo baile”, como explicitava o convite, consumaram a provocação.”

O Cordão - Fonte Cifra Antiga

A Exposição

O  Bola ganha no mês carnavalesco uma homenagem em forma de exposição em pleno Largo da Carioca, próximo ao local das primeiras reuniões dos fundadores, a antiga Galeria Cruzeiro, que hoje é o Edifício Avenida Central.

 

Foto do Hotel Avenida sobre a Galeria Cruzeiro, primeira sede do Cordão do Bola preta fonte: Galeria Meu Bairro meu país Flickr http://www.flickr.com/photos/quadro/

 

Ao longo de fevereiro, alguns dos destaques do acervo histórico do Bola Preta estarão expostos no Largo da Carioca, em estrutura tubular montadas pela Mills (andaimes), ao ar livre, reproduzidos em plotagens de grande formato. No ambiente da mostra, montado em um espaço de 7,5m x 10m, com 5 m de altura, estarão expostas cerca de trinta dessas lembranças coloridas da glória quase secular do Cordão. Garimpadas no acervo, cujo processo de restauração está a pleno vapor, poderão ser vistas diversas   preciosidades entre imagens e documentos.

O Projeto tem patrocínio da Oi através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, do Rio de Janeiro e apoio da Mills.

A realização é da Arco Cultura, coordenada pela arquiteta Heloisa Alves, que também está iniciando a catalogação e digitalização do acervo da associação. “Estamos buscando recursos para dar continuidade a esse trabalho de recuperação e, assim, disponibilizar ao público as imagens e documentos que resgatam a memória não só do Bola, mas de boa parte do carnaval carioca”, diz a arquiteta.

Foto dos membros do CBP em seus uniformes de gala. Inclui Chico Brício e Caveirinha. 1930 - Fonte Acervo do Bola (divulgação)

“É uma alegria para todos nós que o Bola continue a ser reconhecido, com justiça, como um pilar da cultura carnavalesca carioca”, diz o presidente da instituição, Pedro Ernesto Araújo Marinho, um dos grandes responsáveis pela renovação do Bola nos últimos anos, tanto nas questões administrativas quanto na manutenção do espírito singular e carioquíssimo do Cordão. “O Cordão da Bola Preta é alegria, paz, samba, carnaval… E, acima de tudo, é Marca Positiva da Cidade Maravilhosa”, conclui Pedro Ernesto atual presidente do Bola.

A restauração do riquíssimo acervo guardado no  Bola Preta  abriu espaço para apresentar as origens do próprio Carnaval Carioca. Estarão à vista reportagens de jornais de época, programas, ingressos, liberação de material pelos censores (carimbos da policia nos estandartes eram necessários na Era Vargas, por exemplo); descrição dos rituais de iniciação dos novos sócios. Entre as imagens, uma série de ilustrações assinadas por Potoca (o nome verdadeiro do artista aparece em raras referencias como Palhares, mas a equipe está buscando quem possa dar maiores informações).

Ilustração para o livro de Ouro do CBP, feita pelo artista "Potoca", 1948 - Acervo do Bola Preta

O grupo de fundadores do Cordão (veja reportagem de época transcrita abaixo) era composto por vários remadores medalhistas do Botafogo (por isso a semelhança do escudo/marca), e seus integrantes, ao longo das décadas, trabalhadores, pais de família e alguns notáveis. Segundo o estatuto inicial do Cordão (original resgatado entre os documentos do acervo), os requisitos para que um folião fosse admitido eram:

Ilustração para o livro de Ouro do CBP, feita pelo artista "Potoca", 1945. Acervo do CBP

a) Ser bom copo: o candidato tinha que ser testado em uma chopada;
b) Ser alegre: era condição sine-qua-non, tinha que ser realmente carnavalesco;
c) Ser maior de 21 anos;
d) Apresentar provas de que trabalhava; isto era absolutamente necessário, pois todos os integrantes fundadores eram empregados, comerciantes ou industriais, e não se admitiam vagabundos no seio do Cordão.

Reprodução (mantida a grafia original) de um texto publicado pelo jornal “A Pátria” em 23 de Janeiro de 1930. Obs.: Chico Brício era parceiro de “Caveirinha”, e um dos fundadores do Cordão da Bola Preta.

_Então ouve, para melhor contares: A Bola Preta nasceu de uma scena amorosa entre uma colombina de branco e preto, isto é, de branco e de bolas pretas, com um rapaz de sport, aliás remador do C. R. Botafogo e um dos meus melhores amigos. Esse rapaz era o “Caveirinha”. A colombina é que não conheci. Sei, porém, que a scena ocorreu na Gloria, durante o Carnaval de 1919, quando ambos esses personagens, na expansão natural daquelle dia conseguiram falar-se. “Caveirinha” enamorou-se da colombina. E mergulhado nesse namoro sahiram ambos em colloquio, no meio da multidão. Isto foi visto e seguido por um primo de “Caveirinha”, que os acompanhou de longe. Mas houve um instante que o rapaz perdeu de vista os namorados, e, quando o “Caveirinha” reapareceu foi para indagar:

_Onde está a Colombina?
_Estava comtigo, respondeu o primo surpreso.
_A miseravel fugiu!…
_Como?
_Depois de ter-me dado…
_Um tabefe?
_Não.
_Então o que deu ella para fugir assim!
_Um beijo.
_E depois?
_Desapareceu.

E os dois ficaram um momento absortos. Afinal, “Caveirinha” na esperança de reencontrar a misteriosa colombina tomou uma iniciativa:

E os dois sahiram a procurar a endiabrada mascarada, soltando de vez em quando para se orientarem esta phrase: Tem “Bola Preta”?

Excusado é dizer que a colombina não apareceu mais até hoje. Entretanto ficou no espirito do “Caveirinha” a lembrança indelevel da “Bola Preta”.

E o diabo do avatar da “Bola Preta” não sahiu nunca mais do seu pensamento.

Assim é que no ultimo dia desse Carnaval, “Caveirinha” entrando em uma bagatella que estava installada num chopp que existia na Gloria onde entrou para espantar suas maguas, deu com uma bola preta. Sempre a bola preta! Ora, nessa mesma noite o bhoemio e incorrigível carnavalesco deliberou de vez prender a bola preta à sua vida foliona e com seus companheiros dessa ocasião, que eram o Fala Baixo, este que aqui está – o Brandão velhinho e o seu “Pendura” fundarem o hoje famoso e tradicional “Cordão da Bola Preta”.

camiseta oficial do carnaval 2009 comemorativa aos 90 anos, assinada por Miguel Paiva

Confiram as fotos da Exposição no ultimo dia 10 de Fev inauguração do evento:

 

A tradicional banda do Bola Preta pára o Largo da Carioca para fazer a abertura da exposição. Ao fundo a estrutura montada como suporte das fotos e curiosidades sobre as 9 décads do Bola Brata.

 

Interno da Exposição no coração do Rio de Janeiro.

 

muitos interessados páram para ler o conteúdo da exposição, se identificam, se emocionam com a história que se mistura á história do Carnaval carioca.

 

A Primeira mulher a ser rainha do Bola, pois antes as rainhas eram homens travestidos, Maura Possas orgulhosa ao lado de Heloisa Alves Produtora da Arco que montou a Exposição.

 

CORDÃO DA BOLA PRETA: nove décadas animando o Carnaval Carioca

Realização: Arco Cultura
Coordenação geral e projeto arquitetônico: Heloisa Alves
Coordenação da catalogação e digitalização do acervo: Elke Gibson
Produção geral: Sergio Murilo Carvalho
Museólogo responsável: Claudio Lacerda
Reprodução digital do acervo: Paulo Rodrigues
Programação visual: Hoton Ventura

De 2 de fevereiro a 29 de fevereiro de 2012
Largo da Carioca
Entrada franca

INAUGURAÇÃO: 1º de fevereiro de 2012, às 18h, com apresentação da Banda do Cordão da Bola Preta

Fontes:

Cifra Antiga

Ruas e Praças

Acessoria de Imprensa da Exposição: CORDÃO DA BOLA PRETA: nove décadas animando o Carnaval Carioca

Saiba Mais:

História do Samba – Editora Globo.

O Profeta da “Gentileza”

O Celophane Cultural conta a história de um profeta urbano, ele nos encantou antes de sua morte com seus ensinamentos suas andanças pelo centro do Rio dando flores e suas profecias eternizadas nas pilastras do cemitério do Caju até  Rodoviária do Rio de Janeiro. Sua palavra nos faz pensar até hoje o quanto o simples ato de dar Gentileza… pode gerar Gentileza  principalmente nos tempos de tanta violência no nosso dia a dia.  Esta é a história de José Datrino ou como ficou eternizado O Profeta Gentileza.

Detalhe da Grafia criada pelo profeta gentileza, cheia de significados. fonte Museu Virtual Gentileza

Desde Criança fui atraído pelos seus murais pintados em verde e amarelo, quando passava de ônibus pela Rodoviária. Conheci mais profundamente sua história quando fui convidado pela Designer Vanessa Bittencout, para montar a Exposição: “A Arte Mural do profeta Gentileza” na UFRJ com produção de Ana Cunha.

Fotos da Exposição

“Quem é esse cavaleiro andante, em plena cidade contemporânea, a conduzir seu estandarte cheio de apliques, metendo-se pelos lugares, a levar sua palavra? De início, chega-nos sua estranheza, seu “deslocamento”, antes, até de sua gentileza. Vê-lo com sua bata branca pela rua é ter contato com uma figura que nos parece extemporânea. Não de um futuro, mas de uma voz que ecoa, bizarramente, um sagrado que não se mostra mais.”

“Brasil Tempo de Gentileza” – Leonardo Guelman

Imagem em close do profeta com sua "táboa Estandarte" com inscrições proféticas - fonte "Rio com Gentileza"

A Gentileza desde sua Infância

Nascido em 11 de abril de 1917, em Cafelândia, interior de São Paulo, com mais nove irmãos, José Datrino teve uma infância de muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas.

A Vinda para o  Rio de Janeiro.

Aos vinte anos foi para o estado do Rio de Janeiro, enquanto sua família mudava-se para Mirandópolis, também cidade do interior de São Paulo. No Rio de Janeiro, casou com Emi Câmara com quem teve cinco filhos. Começou sua vida de empresário com um pequeno empreendimento na área de transportes, onde fazia fretes para o sustento da família. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas sediada no centro da cidade.

Surge um Profeta das cinzas

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, quando tinha 44 anos, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano“, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças.

Capa do Jornal do Brasil anunciando a tragédia - fonte arquivo JB

Na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alucinado ouvindo “vozes astrais“, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro longos anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido“, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.

O nome de “Profeta Gentileza” foi ganho porque vivia pregando o amor, a paz e pedia  sempre “por gentileza”. Jamais dizia a palavra “Obrigado”, pois dizia que obrigado vinha de obrigação e preferia dizer “agradecido”.

Profeta exibindo sua táboa/estandarte com inscrições e todo enfeitado com Flores, ramos e cataventos. Foto acervo Claudio Rocha

Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o profeta Gentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“.

Os murais que eternizaram suas profecias.

A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização.

O Profeta sorridente sobre a escada pintando seus murais. Foto Acervo Claudio Rocha

Gentileza e seus murais promoveu uma das maiores intervenções urbanas de arte na cidade do Rio de Janeiro.

Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a Gentileza e a aplicarem Gentileza em toda a Terra.

TRanscrição dos Escritos de Gentileza

O profeta sempre com seus passos largos e determinados - Acervo Claudio Rocha

O profeta vai pro céu, encontrar Deus

Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no “Cemitério Saudades”.

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. Com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, que teve como objetivo restaurar os murais das pilastras.

foto da restauração dos murais - fonte: Rio com Gentileza

Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

DEcreto da Prefeitura do Rio tornando os Murais patrimônio histórico da Humanidade.

 

O Universo do Gentileza vira livro

No final do ano 2000 foi publicado  o livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, do professor Leonardo Guelman. A obra introduz o leitor no “universo” do profeta Gentileza através de sua trajetória, da estilização de seus objetos, de sua caligrafia singular e de todos os 56 painéis criados por ele, além de trazer fatos relacionados ao projeto Rio com Gentileza e descrever as etapas do processo de restauração dos escritos. O livro é ricamente ilustrado com inúmeras fotografias, principalmente do profeta e de seus penduricalhos e painéis. Além de fotos do próprio profeta Gentileza trabalhando junto a algumas pilastras, existem imagens dos escritos antes, durante e após o processo de restauração.

Capa do Livro: UNIVVVERRSSO GENTILEZA Leonardo Guelman

Livro: UNIVVVERRSSO GENTILEZA – Leonardo Guelman
Ed. Mundo das Idéias

Fonte Museu virtual Gentileza

Fonte: Rio com Gentileza

Fonte: Blog Gentileza gera Gentileza

Video:

Gentileza – Documentário de Dado Amaral e Vinicius Reis

Diz assim a música Gentileza”, de Mariza Monte

que integra o CD Memórias, Crônicas e Declarações de Amor:

Foto do profeta com sua táboa estandarte - fonte: Rio com Gentileza

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
A vocês no mundo
Se é mais inteligente
O livrou ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o profeta.


 

 

 

 

 

Aprendemos sempre com estes sábios representantes populares que acreditam que a humanidade tem jeito e pode ser gentil pra receber “Gentileza” em troca. Que ele seja sempre lembrado nos momentos em que esquecemos de ser “humanos” e “gentis”.

Até o proximo Celophane Cultural

JeffCelophane | Jefferson Duarte